sábado, 17 de janeiro de 2026

PALAVRAS DA SALVAÇÃO


Não há medida para a beleza do homem que é humilde. Não há paixão, seja ela qual for, capaz de se aproximar do homem que é humilde, e não há medida para sua beleza. O homem humilde é um sacrifício de Deus ['Sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito' (Sl 51,17)]. O coração de Deus e de seus anjos repousam naquele que é humilde. Mais ainda, quando os anjos glorificam um homem, há diversas razões para ele ter alcançado todas as virtudes; para aquele que se revestiu de humildade, não será necessária nenhuma outra razão além de ter-se tornado tão somente humilde.

(Santo Efrém, doutor da Igreja)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (VI)

   

VI. Orações Preliminares

Oração de Petição

Ó meu Deus, eu busco a vossa misericórdia. Não vos irriteis comigo por causa dos meus pecados, das minhas transgressões da virtude, das minhas faltas. Sei que faltei em relação às vossas graças; aceitai o meu pesar por essas ofensas. Renovai a minha resposta a Vós, meu vínculo convosco. Permitai que eu seja purificado pelas penitências da minha vida. Dai-me forças para ser firme em minha resolução de não mais vos ofender. Dai-me a certeza da vossa graça em minha vida para que eu possa responder à vossa vontade e bondade. Que o manto da vossa justiça possa me proteger e me dar perseverar por toda a minha vida. Amém.

Oração pela Luz

Ó meu Deus, Juiz Soberano, que não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e seja salvo! Iluminai a minha mente para que eu possa conhecer os pecados que cometi em pensamento, palavra ou ação, e concedei-me a graça de uma verdadeira contrição.

Oração antes da confissão

Vem, Espírito Santo, ilumina minha mente para que eu possa ver claramente todos os meus pecados. Não me deixes ser enganado pelo amor próprio, mas mostra-me o verdadeiro estado da minha consciência. Move minha vontade para o sincero arrependimento e ajuda-me a fazer uma boa confissão. Santa Mãe de Deus, intercede por mim para que eu possa obter o perdão dos meus pecados. Santo Anjo da Guarda, reza por mim para que eu possa corrigir os meus caminhos.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

POR QUE 1960?

Por que o Terceiro Segredo deveria ser revelado publicamente apenas em 1960?

Esta pergunta foi feita à Irmã Lúcia por diferentes pessoas e a sua resposta foi sempre a mesma: 'porque então o Segredo tornar-se-ia mais claro para todos'. Ou seja, antes desta data, os termos do Segredo não seriam suficientemente claros e plenamente compreendidos ou, de outra forma, a partir de 1960, pela intervenção especial de alguma circunstância, evento ou acontecimento característico, a interpretação do texto profético tenderia a se tornar de muito mais fácil percepção e projeção. Assim, uma das mais intrigantes questões relativas ao Terceiro Segredo de Fátima é exatamente esta: antes de 1960, a sua revelação seria pouco efetiva para o bem da Igreja e do mundo, porque lhe faltaria uma conexão singular com alguma coisa que só seria de conhecimento público generalizado em 1960.

Pelo caráter interativo e indissociável do Segredo de Fátima como uma única e completa revelação extraordinária dos Céus, interligada por três partes distintas, há muito já se podia inferir a natureza da terceira parte do Segredo num contexto de uma profunda crise de fé e de difusão de uma apostasia universal, capazes de comprometer gravemente os fundamentos da cristandade e da própria civilização cristã.

Mas existe uma comprovação muito mais efetiva neste sentido, oriunda das próprias revelações conhecidas e constante do texto da Quarta Memória escrita pela Irmã Lúcia. Com efeito, na sequência imediata dos textos relativos às revelações do Primeiro e Segundo Segredo, a Irmã Lúcia acrescentou uma única frase: 'Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc'. É de consenso geral que esta frase solta introduz a terceira parte do Segredo e que o termo etc engloba as palavras restantes que compõem o Terceiro Segredo. Ora a frase é uma promessa contundente de que a verdadeira fé seria conservada em Portugal e, neste contexto, é uma clara admoestação de que isto certamente não iria ocorrer em outros lugares e países que viveram o triunfo da cristandade no mundo (A Europa Católica? As Américas? Mais provavelmente, o mundo inteiro).

Assim, 1960 representa uma data referencial para esta crise de fé universal, tão crítica e tão tremenda que é capaz de abalar os fundamentos da Igreja; caso contrário, não implicaria os eventos de Fátima e tão decisiva intervenção da Providência Divina na história da humanidade. Nos termos propostos pela Virgem, a mensagem profética deveria ser objeto de revelação pública em 1960 e não a partir de 1960. Tal fato pressupõe que o seu conhecimento nesta data era de fundamental importância para o bem da Igreja e do mundo no sentido de uma plena compreensão (e consequente tomada de posição) contra fatos, circunstâncias ou eventos que tenderiam a ser particularmente graves e deletérios para a Santa Igreja e para toda a humanidade.

Que fato, circunstância ou evento, ocorrido logo após 1960, mas que já seria de conhecimento prévio nesta data, atuou ou contribuiu de forma decisiva para fomentar a perda da fé cristã, uma apostasia universal e uma crise sem precedentes da Igreja? A resposta parece bastante óbvia em recair sobre o Concílio Vaticano II, concílio ecumênico convocado pelo Papa João XXIII em 25 de dezembro de 1961, inaugurado em 11 de outubro de 1962 e concluído pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965. O concílio que introduziu a Missa Nova na Igreja. No discurso na abertura solene do CV II, ao fazer alusão sobre a origem de sua proposição, assim se expressou o Papa João XXIII:

'No que diz respeito à iniciativa do grande acontecimento que agora se realiza, baste, a simples título de documentação histórica, reafirmar o nosso testemunho humilde e pessoal do primeiro e imprevisto florescer no nosso coração e nos nossos lábios da simples palavra 'Concílio Ecumênico'. Palavra pronunciada diante do Sacro Colégio dos Cardeais naquele faustíssimo dia 25 de janeiro de 1959, festa da Conversão de São Paulo, na sua Basílica. Foi algo de inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. E, ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio'.

(Missa de Abertura do Concílio Vaticano II rezada pelo Papa João XXIII)

O Papa João XXIII proclamava neste evento que tivera uma singular inspiração especial para anunciar subitamente um novo concílio ecumênico em 25 de janeiro de 1959, diante do Sacro Colégio de Cardeais, a mais alta hierarquia da Igreja. Uma proposta que demandou a partir de então mais de 1000 dias ou quase três longos anos de preparação antes da sua convocação formal (ou 3 anos e 8 meses até a sua solene inauguração). Um período que teve 1960 no meio do tempo, mas que não teve a mensagem de Fátima no meio do caminho. Um pequeno detalhe complementar: foi exatamente em um dia 25 de janeiro (25/01/1938) que uma luz desconhecida iluminou os céus da Europa, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, tal como predita por Nossa Senhora de Fátima como um sinal de que Deus iria punir o mundo com os eventos que haviam sido revelados na segunda parte do segredo, uma vez que os homens continuavam obstinados no pecado. Seria tal fato uma mera coincidência dos Céus?

(FÁTIMA EM 100 FATOS E FOTOS, Questão 92, obra do autor do blog)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SOBRE OS INFIÉIS E OS HEREGES

Ó santa Palavra de Deus! Ó santa Revelação! Através de ti somos admitidos nos mistérios divinos, que a razão humana nunca poderia alcançar. Nós te amamos e estamos decididos a ser submissos a ti. És tu que dás origem à grande virtude, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb 6,6); a virtude que inicia a obra de salvação do homem, e sem a qual esta obra não poderia ser continuada nem terminada. Esta virtude é a Fé.

Faz com que a nossa razão se curve à Palavra de Deus. Da sua obscuridade divina surge uma luz muito mais gloriosa do que todas as conclusões da razão, por maior que seja a sua evidência. Esta virtude será o vínculo de união na nova sociedade que Nosso Senhor está agora a organizar. Para se tornar membro desta sociedade, o homem deve começar por acreditar; que ele possa continuar a ser membro. Ele nunca deve, nem por um momento, vacilar na sua fé.

Em breve ouviremos Nosso Senhor dizer estas palavras: 'Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado' (Mc 16,16). Para expressar mais claramente a necessidade da Fé, os membros da Igreja devem ser chamados pelo belo nome de Fiéis: aqueles que não acreditam, devem ser chamados de Infiéis.

Sendo a fé, então, o primeiro elo da união sobrenatural entre o homem e Deus, segue-se que esta união cessa quando a fé é quebrada, isto é, negada; e que aquele que, depois de ter estado assim unido a Deus, rompe o vínculo, rejeitando a palavra de Deus e substituindo-a pelo erro, comete um dos maiores crimes. Tal pessoa será chamada de Herege, isto é, alguém que se separa; e os fiéis tremerão diante de sua apostasia.

Mesmo que sua rebelião à Palavra Revelada recaísse sobre apenas um artigo, ainda assim se comete uma enorme blasfêmia; pois ou ele se separa de Deus como sendo um enganador, ou insinua que sua própria razão criada, fraca e limitada, é superior à Verdade eterna e infinita. Com o passar do tempo, as heresias surgirão, cada uma atacando um ou outro dogma; de modo que dificilmente uma verdade permanecerá inatacável... 

(Excertos da obra 'O Ano Litúrgico', de Dom P. Guéranger)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (V)

  

V. Como se confessar

1. O sacerdote inicia a confissão com o Sinal da Cruz.

2. O penitente começa dizendo: 'Abençoe-me, padre, pois eu pequei. Faz ... (número de dias, semanas, meses)... desde a minha última confissão. Estes são os meus pecados'.

3. Confesse todos os pecados mortais cometidos desde a sua última confissão, por tipo e número. Você também pode confessar quaisquer pecados veniais.

4. No final da sua confissão, diga estas ou palavras semelhantes: 'Por estes e todos os pecados da minha vida, peço perdão'.

5. O sacerdote pode fazer perguntas para esclarecer ou dar-lhe alguns conselhos sobre pontos específicos da sua confissão.

6. O padre lhe dará então uma penitência a cumprir.

7. O penitente faz um ato de contrição com estas ou outras palavras semelhantes: 

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e vos amo de todo o meu coração, pesa-me de vos ter ofendido e, com o auxílio da vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amém.

8. O sacerdote professa a absolvição dos seus pecados, utilizando estas palavras: 'Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo'.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', adaptado, de Fr. Robert Altier, 2002)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ORAÇÃO DE SÃO BOAVENTURA


Transpassai, dulcíssimo Senhor Jesus, a medula de minha alma com o suave e salutar dardo do vosso amor, com a verdadeira, pura e santíssima caridade apostólica, a fim de que a minha alma desfaleça e se desfaça sempre só com o amor e o desejo de vos possuir; que por Vós suspire, e desfaleça por achar-se nos átrios da vossa casa, ansiando separar-se do corpo para se unir a Vós. Fazei que minha alma tenha fome de Vós, Pão dos anjos, Alimento das almas santas, Pão nosso de cada dia, cheio de força, de toda a doçura e sabor, e de todo suave deleite. 

Ó Jesus, a quem os anjos desejam contemplar, tenha sempre o meu coração fome de Vós, e o interior de minha alma transborde com a doçura do vosso sabor; tenha sempre sede de Vós, fonte de vida, manancial de sabedoria e de ciência, rio de luz de luz eterna, torrente de delícias, abundância da Casa de Deus; que vos anseie, que vos procure, que vos encontre; que para Vós caminhe e a Vós alcance.

Que em Vós pense, de Vós fale, e todas as minhas ações encaminhe para a honra e glória do vosso nome, com humildade e discrição, com amor e deleite, com facilidade e afeto, com perseverança até o fim; para que só Vós sejais sempre minha esperança, meu gozo, meu descanso e minha tranquilidade, minha paz, minha suavidade, meu perfume, minha doçura, meu sustento, meu alimento, meu refúgio, meu auxílio, minha sabedoria, minha herança, minha posse e o meu tesouro, no qual estejam sempre fixos e firme e inabalavelmente arraigados a minha alma e o meu coração. Amém.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

AS TREVAS E AS SOMBRAS DA MORTE

Tirou-os das trevas e da escuridão (Sl 106, 14). 

São três as espécies de trevas, ou de ignorâncias:

👉 Diz o Salmista (Sl 81, 5): Não sabem nem entendem, andam nas trevas. Estas são as trevas da razão, enquanto a razão é por elas obscurecida.

👉 Há também as trevas da culpa. Diz São Paulo (Ef 5, 8): Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. E estas são trevas da razão humana não por si mesmas, mas pelos apetites, enquanto, mal dispostos pelas paixões ou por algum mau hábito, apetecem como bom o que não é o verdadeiro bem.

👉 Por fim, há as trevas da danação eterna (Mt 25, 30): E a este servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Ora, Cristo tirou-nos das trevas por ser a luz do mundo; não era o sol criado, mas Aquele por quem foi criado o sol. Contudo, como diz Agostinho, a mesma luz que fez o sol, foi feita sob o sol, e velada pela nuvem da carne, não para que fosse obscurecida, mas para que fosse temperada. E como esta luz é universal, expulsa universalmente todas as trevas.

Assim, o que me segue não anda nas trevas, da ignorância, pois eu sou a verdade; da culpa, pois eu sou a via; da danação eterna, pois eu sou a vida.

A noite pode ser compreendida de dois modos:

👉 Pela subtração da graça atual, a qual induz o pecado mortal. Quando esta noite sobrevém, ninguém pode fazer obra meritória de vida eterna.

👉 A outra é a noite consumada, quando não apenas se é privado da graça atual, mas também da faculdade de a recuperar, pela eterna danação ao inferno, onde é profunda a noite àqueles aos quais foi dito: Ide malditos para o fogo eterno

E então ninguém poderá fazer nada, pois não há mais tempo para merecer, mas apenas para receber conforme seus méritos. Assim, enquanto viveres, faze o que tens de fazer (Ecle 9, 10): Faze com presteza tudo quanto pode fazer a tua mão, porque na sepultura, para onde te precipitas, não há nem obra, nem razão, nem ciência, nem sabedoria.

A morte é a danação no inferno (Sl 48, 15): a morte os apascenta. A sombra da morte é a semelhança da danação futura que está nos pecadores. A maior pena daqueles que estão no inferno é a separação de Deus; como os pecadores já estão separados de Deus, têm semelhança com a danação futura, assim como os justos têm semelhança com a futura beatitude.

(Excertos da obra  'Meditationes ex Operibus S. Thomae', de P. D. Mézard, publicação original do site Permanência)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (IV)

 

IV. As três formas do Sacramento da Penitência

Primeira

A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja: somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão.

Segunda

O sacramento da Penitência pode também ter lugar no âmbito de uma celebração comunitária, na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças pelo perdão recebido. Neste caso, a confissão pessoal dos pecados e a absolvição individual são inseridas numa liturgia da Palavra de Deus, com leituras e homilia, exame de consciência feito em comum, pedido comunitário de perdão, oração do Pai Nosso e ação de graças em comum.

Terceira

Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode ocorrer quando há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode existir também quando, tendo em conta o número dos penitentes, não há confessores bastantes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes, sem culpa sua, se vejam privados, durante muito tempo, da graça sacramental ou da sagrada Comunhão. Neste caso, para a validade da absolvição, os fiéis devem ter o propósito de confessar individualmente os seus pecados graves em tempo oportuno [Isso significa que, se uma pessoa sobreviver à emergência, uma confissão individual de todos os pecados mortais deve ser feita assim que for razoavelmente possível]. 

(Catecismo da Igreja Católica; 1482, 1483 e 1484)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (73/76)


73. CONVERSÃO DE UMA COMUNISTA

A senhorita Leer, israelita ateia de 22 anos de idade, admiradora de Liebknecht e de Rosa Luxemburgo, tomou parte na revolução de Munique com um ardor incrível. Editava um jornal e percorria cidades e vilas, fazendo propaganda revolucionária.

Após a vitória das autoridades legais, Leer foi presa e condenada à morte. Durante a noite que precedeu a sua execução, tendo-se por irremediavelmente perdida, caiu de joelhos e exclamou: 'Se há de fato um Ser supremo e se vós existis, ó meu Deus, ajudai-me, salvai-me e eu crerei em vós'.

Com efeito, na manhã seguinte conseguiu evadir-se; com o auxílio de um frade, pode transpor a fronteira e, na Holanda, na Casa das Irmãs das Santas Marta e Maria encontrou um asilo seguro. Durante um ano inteiro passou ali no mais completo retiro sob a direção do Pe. Gianeken, fundador, daquele Instituto, o qual a instruiu na fé católica. Após um ano de noviciado, foi admitida naquela congregação que tem por fim cooperar, por orações e obras de caridade, na conversão dos protestantes holandeses.

74. QUERO MORRER PELA FÉ

Houve no século passado uma furiosa perseguição contra os católicos armênios. Entre as numerosas vítimas estava um menino de doze anos apenas.

Os muçulmanos queriam forçá-lo a renegar a Jesus Cristo, mas ele resistiu corajosamente. Os carrascos ameaçaram cortar-lhe a mão; e ele estendeu a mão, dizendo:
➖ Ei-la, cortai-a!
Os bandidos cortaram-na, esperando que a dor e a vista do sangue atemorizariam o menino, obrigando-o a apostatar. 

Fizeram-lhe em seguida um curativo e disseram: 
➖ Se não queres perder a outra mão, aceita a nossa religião'. 
➖Nunca - respondeu o herói. 
Um golpe de sabre e a outra mão estava decepada. Fazem-lhe novo curativo e convidam-no a apostatar. 

A coragem do menino cristão não arrefece. Os carrascos, mais enfurecidos, dizem-lhe que, agora, será a vez de sua cabeça. O menino prontamente inclina a cabeça e diz: 
➖ Cortai-me a cabeça! Como cristão vivi, como cristão quero morrer!
A espada reluziu no ar e a cabeça da inocente vítima rolou pelo chão, enquanto sua bela alma voava triunfante para o céu. Como é belo morrer pela fé!

75. O DIVINO ENCANTADOR

Santa Maria Madalena de Pazzi, quando adolescente, sentia um grande desejo de ver a Jesus. Eis que um dia, durante um êxtase, teve essa felicidade. 

Ela mesma diz: 'Eis o meu Esposo, que antes me aparecia tão pequenino e agora o vejo na idade de doze anos com um semblante tão belo e admirável, resplandecente de serena gravidade. Este amável menino traz na sua mão direita um livro no qual quer que eu estude no tempo de trevas espirituais; e na esquerda, tem uma harpa, na qual começará a tocar, quando lhe aprouver, e cantará alguma canção de amor, a qual não faltarão nem palavras, nem conceitos. Ó quão suave melodia de sons e cânticos! Ó meu Deus, quanto sois suave e amoroso para os que vos amam!'

76. COMO SABIAM ENTRETER-SE COM DEUS!

Os santos encontravam no trato com Deus todas as suas delicias. São Caetano empregava no exercício da oração oito horas por dia; Santa Margarida, rainha da Escócia, e Santo Estêvão, rei da Hungria, quase toda a noite; Santa Francisca Romana, todo o tempo que lhe sobrava de suas ocupações ordinárias; Santa Rosa de Lima empregava na oração doze horas por dia.

São Luis Gonzaga começou a entregar-se à oração desde a mais tenra idade e nunca deixava de orar duas a três horas por dia. Quando estava na corte, para não ser interrompido pelos companheiros, ia esconder-se no lenheiro para orar. Santa Maria Madalena de Pazzi, com nove anos apenas, fazia primeiro uma hora de oração, depois duas, quatro e até noites inteiras, enquanto vivia no mundo; depois que entrou no convento, dedicava à oração todo o tempo livre concedido às religiosas.

São João Berchmans, aos onze anos, empregava no trato com Deus todo o tempo que lhe sobrava dos estudos. Qualquer canto da casa servia-lhe de oratório, e várias vezes o surpreenderam, depois da meia-noite, orando de joelhos no chão nu.

Verdadeiramente maravilhosos estes santos! Como sabiam aproveitar a graça da oração!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (III)

 

III. O perdão dos pecados

Para compreender plenamente a importância e a beleza do Sacramento da Penitência, é necessário compreender o que significa o perdão dos pecados. Quando Deus perdoa os nossos pecados, Ele os remove de nossas almas e os destrói. Isso significa que o pecado não existe mais. Depois de recebermos a absolvição neste Sacramento, Deus olha para nós e vê uma alma sem pecado. Quando você sai do confessionário, seus pecados desapareceram. Isso também significa que, no dia do julgamento, Deus não mencionará nenhum pecado que tenhamos confessado e pelo qual tenhamos recebido a absolvição sacramental. Com isso em mente, devemos estar ansiosos para permanecer muito próximos do confessionário e fazer da confissão dos nossos pecados uma parte regular da nossa vida espiritual.

É preciso fazer uma distinção entre pecados e efeitos do pecado. Neste sacramento, os pecados são perdoados, mas os efeitos permanecem. Os efeitos são as fraquezas que resultam de nossos pecados, por exemplo, memórias, inclinações para o pecado, apegos a algum bem percebido relacionado ao pecado, etc. Para superar os efeitos do pecado, devemos orar e praticar a abnegação.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

domingo, 11 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!(Sl 28)

Primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7) - Segunda Leitura (At 10,34-38) -  Evangelho (Mt 3,13-17)

  11/01/2026 - FESTA DO BATISMO DO SENHOR

O BATISMO DO SENHOR


No Evangelho do Batismo do Senhor, encerra-se na liturgia o tempo do Natal. João Batista, nas águas do Jordão, realizava um batismo de penitência, de ação meramente simbólica, pois não imprimia ao batizado o caráter sobrenatural e a graça santificante imposta pelo Batismo Sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo vai protestar diante o Senhor: 'Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?' (Mt 3, 14). Mas Jesus vai consolar suas preocupações em nome das palavras dos profetas: 'Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!' (Mt 3, 15).

O Batismo de Jesus constitui, ao contrário, um ato litúrgico por excelência, pois o Senhor se manifesta publicamente em sua missão salvífica. Chega ao fim o tempo dos Profetas: o Messias tão anunciado torna-se realidade diante o Precursor nas águas do Jordão. E o batismo de Jesus é um ato de extrema humildade e de misericórdia de Deus: assumindo plenamente a condição humana, Jesus quis ser batizado por João não para se purificar pois o Cordeiro sem mácula alguma não necessitava do batismo, mas para purificar a humanidade pecadora sob a herança dos pecados de Adão. Ao santificar as águas do Jordão e nelas submergir os nossos pecados, Jesus santificou todas as águas do Batismo Sacramental de todos os homens assim batizados.

Após ter recebido o batismo de João, 'o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus...' (Mt, 3, 16). Nas margens do Jordão, no mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai, manifesta-se pela primeira vez a Santíssima Trindade, ratificada pela pomba e pela voz que vem do Céu: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado' (Mt 3, 17). No batismo do Jordão, manifesta-se em plenitude a divindade de Cristo.

Eis a síntese da nossa fé cristã, legado de Deus a toda a humanidade, sem distinção de pessoas: 'ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença' (At 10, 35). No Jordão, o céu se abriu para o Espírito Santo descer sobre a terra. No Jordão, igualmente, manifestou-se por inteiro o perdão e a misericórdia de Deus e a graça da salvação humana por meio do batismo. E, com o batismo de Jesus, tem início a vida pública do Messias preanunciado por gerações. Esta liturgia marca, portanto, o início do Tempo Comum, período em que a Igreja acompanha, a cada domingo e a cada semana, as pregações, ensinamentos e milagres de Jesus sobre a terra, o tempo em que o próprio amor de Deus habitou em nós.

sábado, 10 de janeiro de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXVI)

  

'É viva a palavra quando são as obras que falam' 

(Santo Antônio de Pádua)

Para santificar o mundo, para que cada leigo passe a ser realmente um apóstolo leigo, no cotidiano de sua vida familiar e social, é preciso colocar em prática esta missão, é preciso AÇÃO, é preciso Abrir Caminhos Através de Obras, por meio do nosso próprio exemplo e da nossa própria santificação pessoal.

EXAME DE CONSCIÊNCIA (II)

II. A perda do sentido do pecado

'Não é raro na história que, por períodos mais ou menos longos e sob a influência de muitos fatores diferentes, a consciência moral de muitas pessoas fique seriamente obscurecida. "Temos uma ideia correta da consciência?" - perguntei há dois anos em um discurso aos fiéis - "Não é verdade que o homem moderno está ameaçado por um eclipse da consciência? Por uma deformação da consciência? Por uma insensibilidade ou ‘entorpecimento’ da consciência?" 

Muitos sinais indicam que tal eclipse existe em nosso tempo. Isso é ainda mais perturbador porque a consciência, definida pelo concílio como o ‘núcleo mais secreto e santuário do homem’, está 'estritamente relacionada à liberdade humana... Por esta razão, a consciência constitui, em grande medida, a base da dignidade interior do homem e, ao mesmo tempo, da sua relação com Deus'. 

É inevitável, portanto, que nesta situação haja também um obscurecimento do sentido do pecado, que está intimamente ligado à consciência moral, à busca da verdade e ao desejo de fazer um uso responsável da liberdade. Quando a consciência é enfraquecida, o sentido de Deus também é obscurecido e, como resultado, com a perda desse ponto de referência interior decisivo, perde-se o sentido do pecado. Isso explica por que meu predecessor Pio XII declarou certa vez, em palavras que se tornaram quase proverbiais, que 'o pecado do século é a perda do sentido do pecado'.

(Papa João Paulo II, Reconciliação e Penitência, 2 de dezembro de 1984)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

DEZ VIRTUDES EM UM ÚNICO ATO DE MORTIFICAÇÃO

Em um ato de mortificação, pode-se praticar muitas virtudes, de acordo com os diferentes fins que se propõem em cada ato como, por exemplo:

1. Aquele que mortifica o seu corpo com o propósito de controlar a concupiscência realiza um ato da virtude da temperança.

2. Se ele faz isso com o propósito de regular bem a sua vida, será um ato da virtude da prudência.

3. Se ele se mortifica com o objetivo de satisfazer os pecados cometidos de sua vida passada, será um ato da virtude de justiça.

4. Se ele o faz com a intenção de vencer as dificuldades da vida espiritual, será um ato da virtude de fortaleza.

5. Se ele praticar essa virtude da mortificação com o fim de oferecer um sacrifício a Deus, privando-se do que gosta e fazendo o que é amargo e repugnante à natureza, será um ato da virtude da religião.

6. Se ele pretende, pela mortificação, receber maior luz para conhecer os atributos divinos, será um ato da virtude de .

7. Se ele o fizer com o propósito de tornar sua salvação cada vez mais segura, será um ato da virtude de esperança.

8. Se ele se negar a si mesmo para ajudar na conversão dos pecadores e para a libertação das almas do Purgatório, será um ato da virtude de caridade para com o próximo.

9. Se ele fizer isso para ajudar os pobres, será um ato da virtude de misericórdia.

10. Se ele se mortificar para agradar mais a Deus, será um ato da virtude de amor a Deus.

Em outras palavras, pode-se colocar todas essas virtudes em prática mediante um único ato de mortificação, de acordo com o fim que se propõe ao se realizar o referido ato.

(Excertos da Autobiografia de Santo Antônio Maria Claret)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (I)


I. Por que devo confessar meus pecados a um homem?

No nível sobrenatural, confessamos nossos pecados a um sacerdote porque Jesus deu aos seus apóstolos a autoridade para perdoar pecados (Mt 18,18; Jo 20,21-23). Os apóstolos transmitiram essa autoridade aos seus sucessores, os bispos, que, por sua vez, a estenderam aos padres. Um padre não pode perdoar algo de que não tem conhecimento, por isso o pecado deve ser confessado ao padre. O modo normal de comunicação humana é falar e ouvir, por isso o meio comum de confessar os nossos pecados é falar e ouvir as palavras de absolvição.

Devemos lembrar que, como membros do Corpo Místico de Cristo, quando pecamos, ofendemos não só aquele contra quem pecamos, mas também Nosso Senhor e sua Igreja (o Corpo Místico). Por esta razão, precisamos de nos reconciliar com a pessoa contra quem pecamos, com Deus e com a Igreja. O padre no confessionário é o representante tanto de Deus como da Igreja. Por isso, esta reconciliação vem por meio do ministério sacerdotal.

A nível natural, temos uma necessidade psicológica absoluta de contar a outra pessoa o que fizemos. Também temos a necessidade de ouvir que ainda somos aceitáveis e aceites. Nosso Senhor sabia disso e providenciou os meios para que isso acontecesse. Que alegria é para nós saber que, quando saímos do confessionário, nossos pecados desapareceram, fomos restaurados ao estado de graça e nossa relação com Deus foi reconciliada. Deitar na cama e conversar com Deus traz a esperança de que nossos pecados sejam perdoados, mas não a certeza de que eles realmente desapareceram. Essa certeza só acontece no confessionário.

Lembre-se também de que o sacerdote não pode dizer nada a ninguém sobre o que você confessa. Isso é chamado de 'sigilo da confissão'. Alguns sacerdotes foram condenados à morte por não revelarem os pecados de um penitente. Mesmo em um tribunal, o padre não pode falar sobre o que sabe do confessionário. Assim, você não só recebe as graças e garantias que vêm do Sacramento, mas também a garantia de que seus pecados não serão mais mencionados, nem por Deus nem pelo sacerdote.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

SOBRE O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E CONFISSÃO

Nosso Salvador legou à sua Igreja o Sacramento da Penitência e da Confissão [Mt 16,19; Mt 18,18; Jo 20,23], para que nele possamos ser purificados de todos os nossos pecados, independentemente de como e quando os tenhamos cometido. Portanto, meu filho, nunca permita que seu coração fique sobrecarregado pelo pecado, visto que existe um remédio tão seguro e eficaz à sua disposição. Assim, uma alma que, mesmo que minimamente, tenha consentido com o pecado, deve abominar-se a si mesma e apressar-se em buscar a purificação, por respeito à Divina Providência que sempre a contempla. Por que deveríamos morrer uma morte espiritual quando existe um remédio tão eficaz para nos curar?

Faça sua confissão com humildade e devoção todas as semanas e, sempre que possível, antes de comungar, mesmo que a sua consciência não o acuse de algum pecado mortal; pois, na confissão, você não só recebe a absolvição por seus pecados veniais, mas também recebe grande força para ajudá-lo a evitá-los no futuro, luz mais clara para desvelar as faltas cometidas e graças abundantes para compensar quaisquer perdas que possam ter causado. As virtudes da humildade, obediência, simplicidade e amor são inerentes à confissão e, assim, por um único ato de confissão, se pratica mais virtudes do que em qualquer outro ato religioso.

Certifique-se sempre de ter um sincero arrependimento pelos pecados que você confessa, por menores que sejam; assim como uma firme resolução de corrigi-los no futuro. Algumas pessoas continuam confessando pecados veniais por mero hábito e convencionalmente, sem fazer qualquer esforço para corrigi-los e, por isso, não se livram deles e se privam de muitas graças necessárias para o seu progresso espiritual. Suponha que você confesse ter dito algo falso, embora sem consequências graves, ou algumas palavras descuidadas, ou diversão excessiva; arrependa-se e tome uma firme resolução de emenda: é um mero abuso confessar qualquer pecado, seja mortal ou venial, sem a intenção de abandoná-lo completamente, sendo esse o objetivo expresso da confissão.

Cuidado com as autoacusações sem sentido, feitas por mera rotina, tais como: 'Não amei a Deus tanto quanto deveria; não rezei com tanta devoção quanto deveria; não amei o meu próximo como deveria; não recebi os sacramentos com reverência suficiente' e coisas semelhantes. Coisas como essas são totalmente inúteis para apresentar o estado da sua consciência ao seu confessor, na medida em que todos os santos no Paraíso e todos os homens vivos diriam o mesmo. Mas examine atentamente que razão especial você tem para se acusar assim e, quando a descobrir, acuse-se simples e claramente da sua falta. Por exemplo, ao confessar que não amou o seu próximo como deveria, pode ser que o que você queira dizer é que, tendo visto alguém em grande necessidade a quem poderia ter socorrido, você não o fez. Bem, então, acuse-se dessa omissão especial e simplesmente diga: 'Tendo encontrado uma pessoa necessitada, não a ajudei como poderia ter feito', seja por negligência, dureza ou indiferença, conforme o caso. Da mesma forma, não se acuse de não ter rezado a Deus com devoção suficiente; mas se você se deixou levar por distrações voluntárias, ou se negligenciou as circunstâncias adequadas para uma oração devota - seja o lugar, o momento ou a atitude - diga isso claramente, tal como é, e não trate de generalidades que, por assim dizer, não aquecem e nem esfriam.

Mais uma vez, não se contente em mencionar apenas o fato de seus pecados veniais, mas acuse-se da causa motriz que os levou a cometê-los. Por exemplo, não se contente em dizer que você disse uma inverdade que não prejudicou ninguém; mas diga se foi por vaidade, para ganhar elogios ou evitar críticas, por descuido ou por obstinação. Diga se você continuou por muito tempo a cometer a falta em questão, pois a importância de uma falta depende muito de sua continuidade: por exemplo, há uma grande diferença entre um ato passageiro de vaidade que termina em um quarto de hora e outro que ocupa o coração por um ou mais dias. Portanto, você deve mencionar o fato, o motivo e a duração de suas faltas. É verdade que não somos obrigados a ser tão precisos ao confessar pecados veniais, ou mesmo, tecnicamente falando, a confessá-los; mas todos aqueles que desejam purificar suas almas para alcançar uma vida realmente devota terão o cuidado de mostrar todas as suas doenças espirituais, por mais leves que sejam, ao seu médico espiritual, a fim de serem curados.

Não se poupe em contar tudo o que for necessário para explicar a natureza da sua falta, como, por exemplo, a razão pela qual você perdeu a paciência ou por que encorajou outra pessoa a cometer uma falta. Assim, alguém de quem eu não gosto diz uma palavra por acaso, em tom de brincadeira, eu levo a mal e fico furioso. Se alguém de quem eu gosto tivesse dito algo mais forte, eu não teria levado a mal; portanto, na confissão, devo dizer que perdi a paciência com uma pessoa, não tanto por causa das palavras ditas, mas porque não gosto de quem as disse; e se, para se explicar claramente, for necessário especificar as palavras, é bom fazê-lo; porque, ao acusar-se assim, descobre-se não apenas os pecados reais, mas também os maus hábitos, inclinações e sentimentos, e as outras raízes do pecado, por meio das quais o pai espiritual adquire um conhecimento mais completo do coração com que está lidando e sabe melhor quais remédios aplicar. Mas, evite sempre, na medida do possível, mencionar ou expor qualquer pessoa que tenha participado de seu pecado. Fique atento a uma variedade de pecados, que tendem a surgir e florescer, muitas vezes de forma imperceptível, na consciência, para que você possa realmente confessá-los e eliminá-los de vez [cujas particularidades são discutidas em outras partes do texto].

(Excertos da obra 'Introdução à Vida Devota', de São Francisco de Sales)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (X)

 

PARTE II - O JUÍZO FINAL

V. Sobre o Aparecimento da Cruz de Cristo nos Céus 

Quando toda a humanidade estiver reunida no vale de Josafá, a previsão de Nosso Senhor se cumprirá: 'Os homens definharão de medo e expectativa do que virá sobre toda a terra' (Lc 21,26). Pois estarão tão ansiosos e aterrorizados ante a aproximação do julgamento que, se tal coisa fosse possível, desmaiariam todos. Olharão continuamente para os céus com medo e tremor, e cada momento que a vinda do temido Juiz se atrasar servirá para aumentar a sua apreensão por este advento. Por fim, os céus se abrirão e o sinal da vitória triunfante de Cristo, o sinal da Santa Cruz, será trazido por uma multidão de anjos e exibido ao mundo inteiro.

Estas são as palavras de Nosso Senhor a respeito deste mistério: 'Os poderes dos céus serão abalados, e então aparecerá o sinal do Filho do homem nos céus, e então todas as tribos da terra se lamentarão' (Mt 24,29-30). A Igreja Católica nos ensina qual será esse sinal do céu: o sinal da cruz aparecerá no céu, quando o Senhor vier para julgar a humanidade. Todos os Padres da Igreja concordam em interpretar esse sinal que será exibido nos céus como a cruz de Cristo. Embora a cruz na qual Nosso Senhor sofreu esteja agora dividida em inúmeras pequenas peças, até mesmo em partículas, ainda assim, pelo poder divino, ela formará mais uma vez um todo completo. Ela será trazida do Céu pelos Anjos com pompa solene; e os Anjos que a carregam serão seguidos por outros que, como afirma o Doutor Angélico, São Tomás de Aquino, carregarão todos os outros instrumentos da Paixão; isto é, o pilar, a lança, os açoites, o martelo, a luva de ferro, os dados, a túnica escarlate, a túnica branca, a túnica sem costuras, o santo sudário, o vaso contendo mirra e todos os outros instrumentos que foram empregados durante a Paixão, e o objetivo disso será manifestar ao mundo inteiro quantas e múltiplas foram as dores que Cristo sofreu por nossa causa.

Agora, quando toda a humanidade contemplar a santa cruz e todos os outros instrumentos sagrados da Paixão brilhando como o sol ao meio-dia, pois a cruz de Cristo resplandecerá com uma luz de brilho sem precedentes, aqueles que a contemplarem estarão sob um medo tremendo e em lamentação dolorosa. Pois a visão da santa cruz e dos outros instrumentos de tortura lhes trará à mente todas as dores terríveis que Nosso Senhor suportou, e de uma maneira tão forte e vívida que toda a sua Paixão parecerá ser reencenada diante deles. Então, o remorso mais amargo encherá o coração dos ímpios. Mas esse remorso, por maior e mais profundo que seja, será inútil, pois só veio tarde demais. Esse remorso é a companhia do desespero. Em sua angústia de alma e em seu desespero, eles exclamarão como Caim, o fratricida: 'A minha iniquidade é muita grande para que eu mereça perdão' ou como Judas, que traiu seu Senhor e Mestre: 'Pecamos, pois traímos sangue inocente'. Sim, todos os perdidos concordarão em exclamar: 'Ai de nós! Pecamos ao trair sangue inocente. Torturamos, crucificamos, matamos o Filho de Deus com os nossos pecados'. Então, todas as tribos da terra chorarão, pois perceberão o quanto ofenderam gravemente a Deus, mas os gritos de luto e de desespero que se ouvirão em toda parte serão em vão.

O que dirão os infelizes pagãos, que nunca ouviram e nunca souberam nada sobre a Paixão de Cristo? Eles lamentarão amargamente sua ignorância, dizendo: 'Ai de nós, infelizes, se tivéssemos sabido disso, nunca teríamos chegado a essa miséria. Se tivéssemos sabido o que o grande e infinito Deus fez e como sofreu tanto por nós, quão gratos teríamos sido a Ele, quão voluntariamente o teríamos servido! Fomos enganados pelos nossos falsos deuses. Não vimos neles nenhuma virtude, apenas atos vis e perversos. Contra os impulsos da consciência, imitamos os seus vícios e, por isso, estamos condenados. Não podemos queixar-nos, nem considerar-nos injustiçados pelo Deus santo e justo, porque estamos entre os réprobos. Se tivéssemos dado ouvidos à voz da nossa consciência, este não teria sido o nosso destino'.

Mas o que dirão aqueles que mataram Cristo? Pilatos, Caifás, Anás, o sumo sacerdote, assim como os judeus que gritaram: 'Crucifica-o!' e 'Seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos!', todos os que participaram do crime cruel e atroz de crucificar seu Deus, ao verem os instrumentos sagrados da Paixão, gritarão em desespero e desejariam ser aniquilados. Execrados e amaldiçoados até mesmo pelos condenados, eles ficarão ali, marcados como deicidas, objetos de abominação para o mundo inteiro.

Não é minha intenção discutir o que os maus cristãos, que blasfemaram contra o Filho de Deus com palavras ou ações, sentirão naquele momento; por uma questão de brevidade, deixo que você, leitor, medite sobre isso por si mesmo. Só uma coisa eu te pediria: reflita sobre o que você diria, o que você mais lamentaria, se estivesse entre os condenados e percebesse que foi a causa dos sofrimentos de Cristo e o crucificou com os seus pecados. Se pudesses sentir agora em teu coração algo da contrição que então perfuraria tua alma, certamente nunca mais, pelo resto de tua vida, cometerias qualquer pecado mortal. Se pudesses agora lamentar os sofrimentos de Cristo com pungente tristeza, obterias infalivelmente a remissão de todos os teus pecados. Portanto, adore frequentemente o seu Salvador Crucificado, lembre-se dos seus sofrimentos por sua causa e recite a seguinte oração.

ORAÇÃO

Ó Jesus, Redentor do mundo, que suportaste sofrimentos indescritíveis por mim, um miserável pecador, peço-vos que a vossa amarga Paixão e a vossa morte na cruz não sejam em vão para mim. Gravai profundamente a lembrança deles em meu coração, para que eu os tenha sempre em mente e possa evitar o pecado que foi a causa do vosso sofrimento. Assim, quando a vossa cruz aparecer brilhante e resplandecente nos Céus, no Dia do Juízo Final, que ela não seja para mim um sinal de condenação, mas de salvação, um sinal da vossa misericórdia e do vosso amor. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

AURUM, TUS ET MURRAM

 


'Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém... Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra' (Mt 2,1.11).

O presente do ouro sinaliza para a realeza de Jesus, o incenso para a sua divindade e a mirra para a sua humanidade. Deus menino desceu do Céu como nosso Rei (ouro) para cumprir seus deveres sacerdotais (incenso) e morrer pelos nossos pecados (mirra). A mirra, como símbolo de sofrimento, torna-se uma pré-anunciação e uma profecia das dores da Paixão do Senhor.

PALAVRAS DA SALVAÇÃO

Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio... O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência. Eva, obedecendo à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e os entregou ao poder infernal; Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos e os consagrou a Deus.

(São Luís Maria Grignion de Monfort) 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

QUAL DELES É O SEU PERSONAGEM?

Numa noite fria, em alguma taberna à beira de uma estrada poeirenta, reuniram-se à deriva sete personagens em torno de uma mesa redonda de madeira gasta e com bancos toscos, na disposição indicada na figura abaixo. O vinho servira de pretexto para conforto térmico e para conversas um tanto filosóficas concentradas no milagre de Jesus nas Bodas de Caná.


O primeiro personagem, sentado na posição 1 à mesa, iniciou a discussão:
Nympha pudica Deum vidit, et erubuit - A água viu o seu Senhor e corou.
E emendou rapidamente:
— A frase não é minha, mas de um famoso poeta inglês do século XVII. Mas que, em minha opinião, expressa com real grandeza o primeiro milagre de Jesus, prenúncio da Santa Eucaristia.

Um segundo personagem, na posição 6 à mesa, assentiu respeitosamente e complementou:
—  Excelente a sua colocação, mas tenho a firme convicção de que Jesus fez o milagre apenas para atender as necessidades de uma situação difícil da festa. O prenúncio da eucaristia que você citou é uma interpretação equivocada dos fatos ocorridos.

O terceiro personagem a se inserir neste diálogo espiritual foi o homem baixo e atarracado da posição 4 à mesa. Ele argumentou:

— Penso que a mensagem de Jesus seja mais abstrata do que física: o vinho aqui representaria muito mais um bem a ser compartilhado entre os convivas do que a água que preenchia inicialmente as talhas. O prenúncio na verdade seria do milagre dos pães e dos peixes, cujo verdadeiro milagre não seria a sua multiplicação, mas a oferta e a partilha dos bens disponíveis em favor de todos os irmãos.

O personagem 2 à mesa foi taxativo na sua intervenção:
— Interessante a sua abordagem. No caso dos pães e dos peixes, bastaram cinco pães e dois peixes. Por que, neste caso, as talhas foram integralmente preenchidas com água? Não teria bastado um litro, meio litro de água? Existem milagres e milagres... 

O senhor de óculos e espesso bigode ao seu lado, na posição 3 à mesa, questionou os demais:
— Sim, existem milagres e milagres. E também, muitas distorções e manipulações da verdade. Ou, no presente caso, muitas simulações e muitas metáforas. Água é água. Vinho é vinho. São coisas distintas, francamente distintas. Mas não seria esse milagre a persuasão de sei lá quantas pessoas de que, ainda que bebendo água, elas o tomariam como o melhor dos vinhos?

O personagem 5 à mesa, até agora amuado e aparentemente aborrecido com o assunto, deu os ares de sua graça e presença:
— Ah finalmente uma visão racional e equilibrada dessa estória, estória porque se trata de uma fábula. Que pessoa externa se importaria por que faltaria vinho numa festa de casamento? E por que estariam à disposição na festa as tais talhas de água? Por que não teriam controlado a oferta do vinho aos convidados, a ponto do vinho acabar?

Na posição 7 à mesa, um homem particularmente magro manifestou vivamente então a sua opinião:
— Não houve milagre nenhum porque nesta festa - se é que existiu mesmo - eu apostaria que o que faltou foi água e não vinho...

Aqui estão sete personagens que conformam, no seu modo de pensar, a realidade atual e histórica da natureza humana na sua condição de criaturas de Deus e senhores do seu livre arbítrio. Você consegue definir cada um deles? Qual deles é o seu personagem? 

domingo, 4 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!(Sl 71)

Primeira Leitura (Is 60,1-6) - Segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6) -  Evangelho (Mt 2,1-12)

  04/01/2026 - SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

EPIFANIA DO SENHOR


Epifania é uma palavra grega que significa 'manifestação'. A festa da Epifania - também denominada pelos gregos de Teofania, significa 'a manifestação de Deus'. É uma das mais antigas comemorações cristãs, tal como a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo - era celebrada no Oriente já antes do século IV e, somente a partir do século V, começou a ser celebrada também no Ocidente.

Na Anunciação do Anjo, já se manifestara a Encarnação do Verbo, revelada porém, a pouquíssimas pessoas: provavelmente apenas Maria, José, Isabel e Zacarias tiveram pleno conhecimento do nascimento de Deus humanado. O restante da humanidade não se deu conta de tão grande mistério. Assim, enquanto no Natal, Deus se manifesta como Homem; na Festa da Epifania, esse Homem se revela como Deus. Na pessoa dos Reis Magos, o Menino-Deus é revelado a todas as nações da terra, a todos os povos futuros; a síntese da Epifania é a revelação universal da Boa Nova à humanidade de todos os tempos.

A Festa da Epifania, ou seja, a manifestação do Verbo Encarnado, está, portanto, visceralmente ligada à Adoração dos Reis Magos do Oriente: 'Ajoelharam-se diante dele e o adoraram' (Mt 2, 11). Deus cumpre integralmente a promessa feita à Abraão: 'em ti serão abençoados todos os povos da terra' (Gn 12,3) e as promessas de Cristo são repartidas e compartilhadas entre os judeus e os gentios, como herança comum de toda a humanidade. A tradição oriental incluía ainda na Festa da Epifania, além da Adoração dos Reis, o milagre das Bodas de Caná e o Batismo do Senhor no Jordão, eventos, entretanto, que não são mais celebrados nesta data pelo rito atual.

A viagem e a adoração dos Reis Magos diante o Menino Deus em Belém simbolizam a humanidade em peregrinação à Casa do Pai. Viagem penosa, cansativa, cheia de armadilhas e dificuldades (quantos não serão os nossos encontros com os herodes de nossos tempos?), mas feita de fé, esperança e confiança nas graças de Deus (a luz da fé transfigurada na estrela de Belém). Ao fim da jornada, exaustos e prostrados, os reis magos foram as primeiras testemunhas do nascimento do Salvador da humanidade, acolhido nos braços de Maria: 'Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe' (Mt 2, 11): o mistério de Deus revelado de que não se vai a Jesus sem Maria. Com Jesus e Maria, guiados também pela divina luz emanada do Espírito Santo, também nós haveremos de chegar definitivamente, um dia, à Casa do Pai, sem ter que voltar atrás 'seguindo outro caminho' (Mt 2, 12).

sábado, 3 de janeiro de 2026

AS OUTRAS SETE MARIAS DA BÍBLIA

Além de Maria, a mãe de Jesus, existem outras sete pessoas citadas na Bíblia com esse nome:

I - MARIA, IRMÃ DE MOISÉS

Os cavalos do faraó, com efeito, entraram no mar com seus carros e seus cavaleiros, e o Senhor os envolveu nas águas, enquanto os israelitas passaram a pé enxuto o leito do mar. A profetisa Maria, irmã de Aarão, tomou seu tamborim na mão, e todas as mulheres seguiram-na dançando com tamborins. Maria as acompanhava entoando: 'Cantai ao Senhor, porque fez brilhar a sua glória, precipitou no mar cavalos e cavaleiros!' (Ex 15,19-21).

Trata-se de uma única Maria, citada duas vezes, em contextos distintos. A Maria citada é Miriam (em hebraico Miryam), irmã de Aarão e de Moisés (Nm 26,59), primeira mulher chamada explicitamente de profetisa na Bíblia, que lidera o cântico de louvor após a travessia do Mar Vermelho e que representa a liderança espiritual feminina em Israel. 'Todas as mulheres' seriam 'todas as demais mulheres' que não se chamavam Maria.

Esta é a mesma Maria que, mais tarde, ao criticar Moisés por causa da mulher etíope que ele desposara (Nm 12,1), provocou a cólera divina (Mn 12,8), que a puniu com uma lepra branca como a neve (Nm 12,10), sendo depois curada e reintegrada ao acampamento do povo de Israel após sete dias de exclusão (Nm 12, 14-15).

II - MARIA, FILHA DE MERED

Filhos de Ezra: Jeter, Mered, Efer e Jalon. A mulher de Mered deu à luz Maria, Samai e Jesba, pai de Estemo (1Cr 4,17).

Esta Maria, filha de Mered e irmã de Samai e Jesba, descendente da linhagem de Judá (1Cr 4), é citada ocasionalmente nos textos bíblicos, num contexto tão somente de uma referência genealógica.

III - MARIA MADALENA

Depois disso, Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Os Doze estavam com ele, como também algumas mu­lheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios (Lc 8,2).

Personagem do Novo Testamento, sempre associada ao ministério, à crucificação, ao sepultamento e à ressurreição de Jesus, particularmente relevante como sendo a primeira testemunha da Ressurreição (Jo 20, 16-18). É citada 14 vezes nos textos dos Evangelhos de São Lucas, São Marcos, São Mateus e São João. 

IV - MARIA, IRMÃ DE MARTA E LÁZARO

Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mu­lher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: 'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude'. Respondeu-lhe o Senhor: 'Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada'. (Lc 10,38-42).

Esta Maria era irmã de Marta e Lázaro, moradores de Betânia, uma cidade perto de Jerusalém. Conhecida por ficar como discípula aos pés de Jesus, ouvindo seus ensinamentos, como prioridade absoluta em relação aos seus demais afazeres, é ela também que vai ungir com óleo os pés de Jesus: 

Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo (Jo 12,3).

V - MARIA, MÃE DE TIAGO E JOSÉ ou MARIA DE CLEOFAS

Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém ... Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o depositavam (Mc 40-41.47).

Esta é também a Maria de Cleofas, assim referida particularmente como esposa de Cleofas no Evangelho de São João (Jo 19,25), discípula citada pelos Evangelhos na crucificação, sepultamento e na manhã da ressurreição de Jesus. Considerada parente de Maria, mãe de Jesus, seus filhos (Tiago, o Menor, e José ou Joset) seriam, portanto, também parentes próximos de Maria, mãe de Jesus.

VI - MARIA, MÃE DE JOÃO MARCOS

[Pedro] dirigiu-se para a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitos se tinham reu­nido e faziam oração (At 12,12).

Trata-se da mãe de João Marcos (depois São Marcos, autor do segundo Evangelho), mulher de recursos e proprietária de uma casa espaçosa em Jerusalém, que servia como local de reunião da Igreja primitiva.

VII - MARIA, UMA CRISTÃ DE ROMA

Saudai também a comunidade que se reúne em sua casa. Saudai o meu querido Epêneto, que foi as primícias da Ásia para Cristo. Saudai Maria, que muito trabalhou por vós. Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são muito estimados entre os apóstolos e se tornaram discípulos de Cristo antes de mim (Rm 16, 5-7).

Esta Maria é uma participante ativa da comunidade cristã em Roma, cujo trabalho e serviço à Igreja mereceu especial destaque de São Paulo em sua carta dirigida aos romanos.