quarta-feira, 22 de julho de 2026

22 DE JULHO - SANTA MARIA MADALENA

  

Maria Madalena. Para se fazer distinção do nome Maria tão comum entre os habitantes de Israel (esse era o nome, por exemplo, da irmã de Moisés), os textos bíblicos nomeavam as diferentes Marias por um acréscimo singular do personagem - assim, Maria Madalena é a Maria de Magdala, povoado situado às margens do Lago da Galileia e próximo à cidade de Tiberíades. Eis as pouquíssimas referências a ela nas Sagradas Escrituras:

[Lc 8, 2-3]: 'Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses'.

[Jo 19, 25]: 'Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena'.

[Mc 15,40-41; 47]: 'Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém... Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o depositavam'.

[Mc 16, 1; 5-6; 9-10]: 'Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus... Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram... Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios. Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos'.

[Jo 20, 1-2; 18]: 'No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram! ... Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado'.

Ela é a figura bíblica 'Maria de Magdala', da qual Jesus havia expulsado sete demônios. Esta acepção não implica a interpretação direta de 'uma grande pecadora'. O fato de ter-se livrado de 'sete demônios' (sete é o número da perfeição, da plenitude) implica que ela foi curada de todos os seus males tanto físicos (enfermidades) como espirituais (pecados, estes de naturezas quaisquer). É absolutamente forçada e despropositada a conjectura de que Maria Madalena pudesse ter sido uma 'prostituta' na sua condição pregressa antes do seu encontro com Jesus. Desta interpretação espúria, nasceram inúmeras outras lendas e desdobramentos fantasiosos da participação e do envolvimento desta mulher singular na vida pública de Jesus e dos seus apóstolos. 

terça-feira, 21 de julho de 2026

A SÓS COM DEUS (V)

 

São Paulo diz que o Reino dos Céus é paz, justiça e alegria no Espírito Santo; e Jesus me ensina, no Santo Evangelho, esta verdade tão cheia de luz e de consolação: 'O Reino dos Céus está dentro de vós mesmos'. Ele está dentro de mim, e é um reino de luz, de belezas e de harmonias. Não há lugar, nesse reino, para as trevas nem para a fealdade das traições, nem para os desacertos e desvios da vontade. Nesse reino de graça e de amor, só podem ser ouvidas melodias de anjos, que cantam a glória de Deus. Esse reino é constituído pela presença de Deus.

Deus está em mim e me plenifica. Deus envolve minha alma com sua graça e a transforma em seu amor. Deus faz de minha alma um Reino dos Céus, e Ele mesmo é o meu Rei; põe em mim amplitudes e belezas infinitas e me fortalece com aspirações ilimitadas à sua própria Vida eterna e infinita. Porque Deus é a minha vida.

O Senhor trouxe-me para viver a vida eterna, que consiste em ter o pensamento, a vontade, toda a atenção e todo o afeto postos em Deus e em Jesus Cristo. Parece-me ouvir, como um dulcíssimo eco, o meu santo de devoção, São João da Cruz:

Anima-te e ergue, com alegria, o coração, e entra na luz;
olha, jubiloso e confiante, para o teu Pai Celestial,
que deseja envolver-te e iluminar-te
com a luz e a beleza inatas do seu olhar.

E para que assim o possa fazer,
não queiras nada, nada, nada do que é propriamente teu,
porque é vileza e miséria, porque é pequenez e desarmonia.
E o que é vil e miserável não pode entrar no Reino dos Céus.

Não queiras nada do que pertence à terra, às trevas e à mesquinhez.
Levanta-te e esvazia-te de tudo o que é feio e mortal,
para que entre em ti a chama do amor de Deus e te transforme.
Deus então estabelecerá em ti o Reino dos Céus
e te fará experimentar o gosto da vida eterna.

[Excertos da obra 'Com Dios a Solas - Un Carmelita Descalzo', do Pe. Valentin de San Jose (1896 - 1989)]

segunda-feira, 20 de julho de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXVIII)

'Em tudo, servir e amar; amar a todos, servindo e servir a todos, amando'

(Santo Inácio de Loyola)

Não se pode viver sem este Deus que morreu de braços abertos, crucificado por teu mísero amor humano; suplica ao Pai um coração manso e humilde feito manjedoura bela e santa para servir de morada permanente a este Deus que é o próprio Amor.

domingo, 19 de julho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                

'Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!' (Sl 85)

Primeira Leitura (Sb 12,13.16-19) - Segunda Leitura (Rm 8,26-27) - Evangelho (Mt 13,24-43)
(
  19/07/2026 - DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

O REINO DE DEUS (I)


No Evangelho deste Décimo Sexto Domingo do Tempo Comum, Jesus encontra-se ainda numa barca, às margens do mar da Galileia, falando à multidão. E vai se utilizar de três diferentes parábolas para descrever o Reino de Deus aos homens.

A primeira parábola é a do campo semeado de trigo e de joio: 'O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo' (Mt 13,24). No campo do Senhor, ou seja, o mundo, Deus planta sempre a boa semente, plena de fertilidade e capaz de produzir muitos frutos. Mas o Maligno interveio e 'enquanto todos dormiam' (Mt 13,25), contaminou o campo com a erva inútil. O mal sempre triunfa quando o bem não se manifesta ou se recolhe. No mundo dos homens, ambas as plantas germinam igualmente e convivem igualmente, os Filhos da Luz (o trigo) e os herdeiros do Mal (o joio). E não serão separados nas vinhas do Senhor, mas apenas na colheita final: 'Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!' (Mt 13,30). Pois o bem é a prática da virtude que há de superar o mal e o mal pode ser sempre reparado antes da colheita.

A segunda parábola compara o Reino dos Céus a uma minúscula semente de mostarda: 'O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo' (Mt 13,31). De fertilidade ímpar, a pequena semente produz um vigoroso arbusto, tão alto que as aves podem fazer ninhos em seus ramos. O Reino de Deus se desenvolve tal como a pequena semente: no escondimento, quase imperceptível na sua evolução, mas vigoroso e extraordinário na grandeza e dimensão dos seus frutos! O caminho da santificação é essencialmente simples e tranquilo, mas impelido por uma torrente de bênçãos e graças.

A terceira parábola compara o Reino dos Céus a uma porção de fermento: 'O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado' (Mt 13,33). A mistura do bem e do mal no mundo é resultado do campo semeado pelas boas e más sementes; a ação do bem é a de fomentar os ensinamentos evangélicos, atuando como fermento de transformação e transfiguração das almas semeadas nas vinhas do Senhor.

sábado, 18 de julho de 2026

AS VINHAS DE DEUS (IV)

 

22. Se formos melindrosos quanto a cargos e títulos, além de expormos nossas qualificações a exames e contradições, nós as tornamos vis e desprezíveis. Pois a honra, que é nobre quando concedida livremente, torna-se detestável quando exigida, buscada e reivindicada. As flores, que são lindas enquanto deixadas no solo em que foram plantadas, murcham assim que são colhidas.

23. Há muitas causas diferentes que servem para nos fazer julgar os outros precipitadamente, e devemos tentar descobri-las e corrigi-las o mais rápido possível. Algumas pessoas são ásperas, amargas e rudes por natureza, e tornam tudo o que encontram igualmente áspero e amargo, 'mudando' - diz o profeta - 'o juízo em absinto, e nunca julgando o seu próximo senão com rigor e aspereza'. Seria muito bom para essas pessoas caírem nas mãos de um bom médico espiritual. Pois, como essa amargura de coração lhes é natural, é difícil superá-la; e, embora não seja um pecado, mas apenas uma imperfeição, ainda assim é perigosa, porque faz o julgamento temerário e a calúnia reinarem na alma.

24. Todos os cristãos, certamente, mas especialmente todos os religiosos, ao considerarem e lerem as vidas dos santos, deveriam tentar moldar-se conforme o seu exemplo, assim como as abelhas apenas pousam nas flores para colher o mel com o qual se alimentam. Ora, há muitas almas que fazem justamente o contrário disso e se assemelham às vespas, que também pousam na flor, mas para extrair não o mel, mas o veneno; e, se porventura sugam o mel, é apenas para transformá-lo em fel; olhando para as ações de seus próximos não para colher o mel da santa edificação pela consideração de suas virtudes, mas para extrair veneno delas ao repararem nas falhas e imperfeições daqueles com quem convivem ... E, ainda, há outras pessoas maliciosas que não se contentam em reparar nas falhas alheias e copiá-las, mas dão más interpretações a tudo o que veem e incitam os outros a fazerem o mesmo, de modo que são exatamente como as vespas, que por seu zumbido atraem outras moscas para a flor onde descobriram o veneno. 

25. Às vezes, julgamos a afeição mais por belas frases do que pelos frutos de verdadeiros sentimentos interiores, os quais só aparecem em ocasiões raras e notáveis, e que nos são muito mais úteis.

26. A nogueira é muito prejudicial às vinhas e aos campos em que é plantada porque, sendo muito grande, atrai para si toda a seiva da terra, que deixa de ser suficiente para nutrir as outras plantas. Suas folhas são tão densas e espalhadas que fazem uma sombra agradável e, por fim, ela atrai os transeuntes que, ao derrubarem seus frutos, estragam e pisoteiam tudo ao redor. Esses amores tolos causam o mesmo dano à alma, pois a ocupam e absorvem todos os seus pensamentos e sentimentos com tanta força que ela não fica apta para nenhuma boa obra. As folhas, isto é, as conversas, os divertimentos e os galanteios, são tão frequentes que desperdiçam todo o tempo livre de alguém, e então causam tantas tentações, distrações, suspeitas e outras consequências miseráveis que o coração inteiro fica esmagado e arruinado. Em suma, eles banem não apenas o amor celestial, mas o temor de Deus, enervam a mente e enfraquecem a reputação. São, em uma palavra, o passatempo dos mundanos, mas a praga dos corações.

27. O grande São Basílio nos diz que a rosa entre os espinhos faz esta admoestação ao homem: 'As coisas mais agradáveis deste mundo, ó mortais, estão sempre misturadas com a dor; nada aqui é puro: o arrependimento está sempre lado a lado com a alegria, a família e os fardos com a criação dos filhos, a ignomínia com a glória, as humilhações com as honras, o desgosto com o prazer e a doença com a saúde. A rosa é uma flor bela' - continua - 'mas ela sempre me enche de tristeza, ao lembrar-me dos meus pecados, pelos quais a terra foi condenada a produzir espinhos'.

28. Mesmo a rosa não é tão perfeita que não tenha as suas imperfeições, pois embora pela manhã seja bela e brilhante, derramando um perfume delicioso ao seu redor, à noite está murcha e desbotada; de modo que a Escritura faz uso dela para simbolizar o prazer e os deleites do mundo, e coisas que, embora pareçam belas aos nossos olhos, são passageiras e de curta duração.

(Excertos da obra 'Flore mystique de St François de Sales' (1874) - A Flora Mística de São Francisco de Sales - Cap. 4, coletânea de textos organizada pelo padre Joseph Tissot, reunindo pensamentos e ensinamentos dos livros e cartas de São Francisco de Sales relacionados a plantas e flores, organizados como um tratado de vida cristã).

sexta-feira, 17 de julho de 2026

SOBRE O CONSELHO ESPIRITUAL

1. Para vencer as inclinações do orgulho e da soberba, a alma necessita buscar o conselho seguro de um diretor espiritual. Quem confia apenas nas próprias luzes facilmente cai em ilusão e erro.

2. O dom do conselho é uma graça especialíssima com que o Espírito Santo aperfeiçoa a virtude da prudência. Por meio dele, a alma recebe uma facilidade sobrenatural para julgar, prontamente e de modo reto, o que deve fazer em circunstâncias difíceis, escolhendo o que mais convém para a glória de Deus e a própria salvação.

3. Não estamos abandonados às nossas próprias opiniões confusas. Na Igreja, encontramos o conselho seguro e a guia infalível estabelecida por Cristo para que caminhemos na verdade.

4. Diante de uma decisão moral importante, o cristão deve recorrer primeiro à oração, suplicando o conselho divino antes de agir.

5. Aquele que por um mau conselho induz o próximo a cometer uma injustiça ou a faltar com a verdade, torna-se corresponsável pelo pecado alheio e tem a obrigação de tentar reparar o erro.

6. O sacerdote no confessionário não age apenas como um juiz que absolve, mas como um médico que cura e um pai que oferece o conselho oportuno para a emenda de vida.

7. O bom católico acolhe com humildade o conselho de seus pastores, reconhecendo neles os canais da providência e da instrução cristã.

(Excertos da obra 'A Fé Explicada', de Leo Trese)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

GLÓRIAS DE MARIA: MÃE E FORMOSURA DO CARMELO

    

No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a intercessão de Nossa Senhora para resolver problemas da Ordem Carmelita quando teve uma visão da Virgem que, trazendo o Escapulário nas mãos, lhe disse as seguintes palavras:

"Filho diletíssimo, recebe o Escapulário da tua Ordem, sinal especial de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos, e aliança de paz para sempre". 


Imposição e Uso do Escapulário

1 - Qualquer padre pode fazer a bênção e imposição do Escapulário à pessoa.

2 - A bênção e a imposição valem para toda a vida e, portanto, basta receber o Escapulário uma única vez.

3 - Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.

4 - Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não sendo necessária outra bênção.

5 - Uma vez recebido, o Escapulário deve ser usado em todas as ocasiões (inclusive ao dormir), preferencialmente no pescoço.

6 - Em casos de necessidade de retirada do Escapulário, como no caso de doenças e/ou internações em hospitais, a promessa de Nossa Senhora se mantém, como se a pessoa o estivesse usando.

7 - Mesmo um leigo pode fazer a imposição do Escapulário a uma pessoa em risco de morte, bastando recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote.

8 - O Escapulário pode ser substituído por uma medalha que tenha, de um lado, o Sagrado Coração de Jesus e, do outro, uma imagem de Nossa Senhora (por autorização do Papa São Pio X).
Oração a Nossa Senhora do Carmo
     Ó Virgem do Carmo e mãe amorosa de todos os fiéis, mas especialmente dos que vestem vosso sagrado Escapulário, em cujo número tenho a dita de ser incluído, intercedei por mim ante o trono do Altíssimo. 

          Obtende-me que, depois de uma vida verdadeiramente cristã, expire revestido deste santo hábito e, livrando-me do fogo do inferno, conforme prometestes, mereça sair quanto antes, por vossa intercessão poderosa, das chamas do Purgatório.

        Ó Virgem dulcíssima, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso entranhado amor e laço de aliança sempiterna entre Vós e os vossos filhos. Fazei, pois, Mãe amorosíssima, que ele me una perpetuamente a Vós e livre para sempre minha alma do pecado. 

       Em prova do meu reconhecimento e fidelidade, ofereço-me todo a Vós, consagrando-Vos neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser. E porque Vos pertenço inteiramente, guardai-me e defendei-me como filho e servidor vosso. Amém.