quarta-feira, 25 de março de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XV)

      

PARTE II - O JUÍZO FINAL

X. Sobre a duração do Juízo Final

Quanto tempo durará o Juízo Final? Não é possível dar uma resposta definitiva a essa pergunta, pois trata-se de algo que ninguém sabe; contudo, pode-se supor que ocupará um período considerável. Alguns, de fato, dizem que terminará rapidamente, pois Deus poderia julgar toda a humanidade em um único instante. No entanto, essa opinião não parece ser compartilhada pelos Padres da Igreja, nem é apoiada pela Sagrada Escritura, na qual invariavelmente se fala de um dia de julgamento.

São Paulo, por exemplo, diz que: 'Deus designou um dia em que julgará o mundo com justiça' (At 17,31). E lemos nas profecias de Isaías: 'Eis que virá o dia do Senhor, um dia cruel, cheio de indignação, ira e fúria' (Is 13,9). Nestas e em muitas outras passagens da Sagrada Escritura, o Último Dia é mencionado como um dia, não como um julgamento instantâneo. O profeta Joel indica que o dia será longo, quando diz: 'O dia do Senhor é grande e muito terrível; e quem poderá suportá-lo?' (Jl 2,11). E sobre esse mesmo dia, São João, o profeta da Nova Aliança, também diz: 'Chegou o grande dia da sua ira, e quem poderá subsistir?' (Ap 6,17).

Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura encontramos expressões semelhantes; o Dia do Juízo Final é chamado de 'o grande dia', o que provavelmente significa um dia longo. São Jerônimo defendia essa opinião, pois diz: 'O dia do Senhor será um grande dia por causa da eternidade que se seguirá a ele'. Santo Agostinho, ao falar da duração do juízo final, expressa-se assim: 'Por quantos dias se estenderá o juízo, não temos como determinar; contudo, sabemos que um período considerável é frequentemente designado nas Sagradas Escrituras como um dia'. São Tomás de Aquino concorda com Santo Agostinho neste ponto; ele apresenta vários argumentos para provar que o juízo final terá uma longa duração. E por que Deus encurtaria esse dia? Há razões abundantes para que Ele, ao contrário, o prolongue. Pois é o dia do maior triunfo de Cristo; o dia em que os santos alcançam a sua maior glória e os condenados serão submetidos à maior vergonha.

É o dia do maior triunfo de Cristo, porque Ele não só será adorado por todos os anjos e santos, mas também pelos espíritos malignos e pelas almas perdidas, e reconhecido por todos como seu Juiz. Naquele dia, todos os seus inimigos estarão aos seus pés; naquele dia, todos os seus adversários serão forçados a confessar suas ofensas contra Ele, o Árbitro Divino. Eles serão então compelidos a reconhecer a sua divindade, a sua caridade infinita, os inúmeros benefícios que Ele lhes concedeu, em troca dos quais o perseguiram, blasfemaram contra Ele e o submeteram a uma morte cruel. 

Em segundo lugar, os santos abençoados alcançarão naquele dia a sua maior glória, pois serão honrados e estimados por toda a humanidade, bem como por Deus e pelos Anjos. Pois Cristo revelará então a todos os presentes com que fidelidade eles o serviram, com que zelo abnegado trabalharam pela conversão dos pecadores. Ele revelará então as penitências secretas que realizaram, as tentações ferozes às quais resistiram. Ele revelará então as perseguições impiedosas que sofreram das mãos dos filhos deste mundo, e como todo tipo de mal foi dito contra eles injustamente. Assim, Cristo os coroará com a honra que lhes é devida, e todos os seus adversários serão confundidos.

Em terceiro lugar, naquele dia os réprobos serão submetidos à maior ignomínia e angústia. Pois o Juiz revelará todo o caráter vergonhoso e abominável de seus delitos. Ele revelará, à vista dos Anjos e dos Santos, dos demônios e dos condenados, os atos infames que eles cometeram sob o manto da escuridão. Sim, Ele derramará o cálice cheio da sua indignação sobre esses seres miseráveis que, sob a máscara da hipocrisia, ousaram profanar o próprio Santuário. Ele fará com que aqueles que corromperam a inocência sejam capturados e dispostos entre os espíritos malignos, cuja obra diabólica e três vezes amaldiçoada levaram adiante na terra.

Naquele dia, o Juiz Divino fará com que todos os pecadores impenitentes bebam profundamente do cálice da vergonha e da ignomínia, como nos diz São Basílio, quando afirma: 'A confusão que se abaterá sobre o pecador ímpio no Dia do Juízo Final será para ele uma tortura mais cruel do que se fosse lançado em um fogo ardente'. Esta é, de fato, a razão pela qual Deus determinou o Juízo Final: para que os pecadores não sejam punidos apenas pela dor que lhes caberá, mas também sejam expostos à vergonha pública. 

São Tomás de Aquino afirma: 'O pecador não merece apenas dor, mas também desgraça e ignomínia, pois esse é um castigo a que somente os seres humanos podem ser submetidos. Os animais inferiores podem ser castigados e mortos, mas não sabem o que é sofrer vergonha e desprezo'. Isso explica o fato de que qualquer pessoa que tenha um mínimo de autoestima prefere sofrer uma punição mais severa em segredo do que ser exposta à desgraça pública.

Por todas essas razões, pode-se supor que o Juízo Final se estenderá por um período considerável de tempo e, portanto, temos ainda mais motivos para tremer diante dessa perspectiva e orar fervorosamente a Deus para que, naquele grande dia, Ele não nos oprima com vergonha e confusão, mas nos conceda a graça de sua alegria e glória.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

terça-feira, 24 de março de 2026

'OLHA PARA O TEU NADA!'

Não possuímos as virtudes, não por ser difícil, mas porque não queremos. Não temos paciência porque não queremos. Não temos temperança porque não queremos. Não temos castidade pela mesma razão. Se quiséssemos, seríamos santos, e é muito mais difícil ser engenheiro do que ser santo. Ah se tivéssemos fé!

Vida interior, vida espiritual, vida de oração: meu Deus, que difícil que isso deve ser! De modo nenhum. Afasta do teu coração o que o perturba, e encontrarás Deus. Com isso, o trabalho está feito. Muitas vezes buscamos o que não existe e, pelo contrário, passamos ao lado de um tesouro que não vemos. É a mesma coisa com Deus, a quem procuramos num emaranhado de coisas, que quanto mais complicado, melhor nos parece. No entanto, levamos Deus dentro de nós, e não o procuramos aí! Recolhe-te dentro de ti mesmo; olha para o teu nada; olha para o nada do mundo; põe-te ao pé de uma cruz e, se fores simples, verás Deus.

Se Deus não está na nossa alma, é porque não queremos. Temos uma tal acumulação de cuidados, de distrações, de tendências, de desejos, de vaidades, de presunções, temos tantas pessoas dentro nós, que Deus se afasta. Assim que o quisermos, Deus enche-nos a alma de tal modo, que é preciso sermos cegos para não o vermos. 

Uma alma quer viver de acordo com Deus? Afaste tudo o que não seja Ele, e está feito. É relativamente fácil. Se o quiséssemos, se o pedíssemos a Deus com simplicidade, faríamos um grande progresso na vida espiritual. Se quiséssemos, seríamos santos, mas somos tão tolos que não queremos; preferimos perder tempo com vaidades estúpidas.

(Excertos da obra 'Escritos Espirituais", de São Rafael Arnaiz Barón)

segunda-feira, 23 de março de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXX)


 'Morrer com Jesus é submergir eternamente no amor'

(Santa Teresa dos Andes)

'Meu coração está em Deus!' - repetimos a cada missa esta oração. Que maior graça pode ser dada ao homem do que a de viver em plenitude estas palavras a cada minuto de sua vida? Pode alguém pensar que Morrer assim seja morrer?

domingo, 22 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'No Senhor, toda graça e redenção!(Sl 129)

Primeira Leitura (Ez 37,12-14) - Segunda Leitura (Rm 8,8-11) - Evangelho (Jo 11,1-45)

  22/03/2026 - QUINTO DOMINGO DA QUARESMA

'EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA'


Há tantas belas lições a serem consideradas no Evangelho deste Quinto Domingo da Quaresma! Tomemos algumas delas e situemos no tempo e no espaço o desenrolar dos acontecimentos deste evento extraordinário da ressurreição de Lázaro: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11,43). Jesus frequentava, com alguma periodicidade, a propriedade dos irmãos, Lázaro, Marta e Maria, e sentia por eles especial predileção. E, diante da doença do irmão e das súplicas das duas irmãs, aparentemente vai ser movido por uma indiferença inexplicável: 'Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava' (Jo 11,6). E, que assombro não teria tomado Marta e Maria diante da morte do irmão e da resposta de Jesus aos enviados delas: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela' (Jo 11,4).

As nossas aflições e sofrimentos expressam em nós e por nós a manifestação da glória de Deus. Como almas aflitas, imploramos a misericórdia de Deus diante do infortúnio, da doença, do sofrimento, da dor. Como Marta e como Maria. A resposta de Deus não segue a direção do apelo humano; reverbera nos Céus e encontra eco nos imponderáveis desígnios de Deus que paga um bem com bem infinito, confiança com graças infinitas, a oração contrita e humilde com infinita misericórdia! Jesus não vai apenas curar a doença de Lázaro, vai ressuscitá-lo e, com isso, converter muitos outros e torná-lo, assim, muito acima da doença, um instrumento maior da glória de Deus.

Nossa oração de aflitiva comoção deve ser humilde, confiante, perseverante, fervorosamente despojada na misericórdia do Pai. Como Marta e Maria, podemos ficar sucumbidos pela dúvida e pela inquietação diante o sofrimento: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido' (Jo 11,21). E comovido profundamente e movido de compaixão, 'Jesus chorou' (Jo 11,35). Nesta pequena oração do Evangelho, perpassa todo o amor do Coração de Infinita Misericórdia de Nosso Senhor. Jesus chora e se comove com Lázaro, Jesus chora e se comove com todos os seus filhos, e será capaz de operar portentosos milagres para buscar, seja onde for, uma ovelha perdida.

Quando Lázaro sai do túmulo, não é o Lázaro enterrado há quatro dias, uma vez que totalmente enfaixado e sem possibilidade humana de se locomover por si mesmo. Lázaro se move pela glória de Deus, Lázaro retorna da morte para a glória de Deus. E muitos homens de todos os tempos (não todos, pela inacreditável soberba humana) creram para a glória de Deus, manifestada por Jesus naquele dia com palavras de vida eterna: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais' (Jo 11,25 - 26).

sábado, 21 de março de 2026

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE BUENOS AIRES


Na noite de 18 de agosto de 1996, o padre Alejandro Pezet celebrava a Santa Missa das 19h do domingo na Igreja de Santa Maria, no bairro de Almagro, no centro comercial de Buenos Aires. Ao terminar a distribuição da Sagrada Comunhão, uma assistente aproximou-se dele para lhe dizer que havia encontrado uma hóstia descartada em um castiçal no fundo da igreja. Ao chegar ao local designado, o padre Alejandro recolheu a hóstia profanada, colocando-a num recipiente com água e guardando-a no sacrário da capela do Santíssimo Sacramento. Este procedimento da Igreja visa garantir a dissolução completa da hóstia e, assim, a consumação respeitosa da hóstia consagrada. 

No dia 26 de agosto, quando o sacrário foi aberto, verificou-se surpreendentemente que a hóstia consagrada não se havia dissolvido mas, pelo contrário, assumira um aspecto de uma substância sanguinolenta. Inteirado dos fatos, o então Arcebispo de Buenos Aires Dom Jorge Bergoglio - mais tarde o Papa Francisco - determinou que a hóstia fosse fotografada profissionalmente. As fotos, datadas de 6 de setembro de 1996, mostram a hóstia então transformada em um pedaço de carne sangrenta. Diante destes fatos extraordinários e com a devida cautela contra o sensacionalismo e injunções imediatas, a hóstia permaneceu protegida no Tabernáculo em segredo por três anos. E permaneceu sempre com a mesma natureza e aspecto da condição inicial.


Diante destas evidências, o  Cardeal Bergoglio decidiu que era mais do que necessária uma abordagem científica dos eventos e, para garantir uma maior independência e credibilidade à investigação, contatou profissionais externos do clero e da academia da Argentina. Assim, o neuropsicólogo boliviano Ricardo Castañón Gómez foi foi encarregado para coordenar os trabalhos da investigação científica da hóstia, com a participação decisiva de Ron Tesoriero*, um leigo australiano já então bastante conhecido por estudar cientificamente e divulgar relatos de milagres eucarísticos ao redor do mundo. Nessa empreitada, foram envolvidos diferentes laboratórios e especialistas, com destaque para a participação do médico legista e patologista americano Dr. Frederick Zugibe de Nova York. 

* Ron Tesoriero publicou estes fatos em livro: 'My Human Heart: Where Science and Faith Collide' - Meu Coração Humano: Onde a Ciência e a Fé se Encontram


Em 20 de abril de 2004, uma amostra da hóstia ensanguentada foi examinada ao microscópio pelo Dr. Zugibe em Nova York, sem que o mesmo soubesse da sua origem (na linguagem científica, o chamado 'procedimento cego'), que relatou as seguintes conclusões:

'O coração é a minha área de atuação. Isto é carne. Esta carne é tecido muscular cardíaco, miocárdio, da parede do ventrículo esquerdo, próximo à área das válvulas. É o músculo que dá ao coração seus batimentos e ao corpo sua vida. Este músculo cardíaco está inflamado. Perdeu suas estrias e está infiltrado por glóbulos brancos. Os glóbulos brancos normalmente não são encontrados no tecido cardíaco. Essas células são produzidas pelo corpo e escapam do sangue, infiltrando-se no tecido para tratar traumas ou lesões. 

A presença desses glóbulos brancos no tecido me diz duas coisas: Em primeiro lugar, este coração sofreu uma lesão traumática. Houve comprometimento do suprimento sanguíneo para o coração. Isso não é diferente do que já vi quando alguém é golpeado violentamente no peito, na região do coração. Em segundo lugar, este coração estava vivo. Este coração pertence a uma pessoa viva, não a uma pessoa morta. Estou vendo uma fotografia de um coração vivo. Posso datar a lesão. Posso datar quando ocorreu a interrupção do fluxo sanguíneo. Aconteceu 3 dias antes da imagem capturada na lâmina microscópica'.

A Igreja nos ensina que a Eucaristia é uma memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Quando recebemos a Comunhão, recebemos Jesus no momento de sua Ressurreição, três dias após a sua Paixão. No relatório final, o especialista complementa assim as suas análises:

'Os tecidos do coração sofreram alterações degenerativas do miocárdio, possivelmente devido à obstrução de uma artéria coronária que fornece nutrientes e oxigênio a uma área do músculo cardíaco. Essa obstrução pode ser resultado de um forte golpe no peito sobre o coração'.

(Igreja de Santa Maria / Buenos Aires)

Eventos preliminares em celebrações eucarísticas nesta mesma igreja dão a entender uma perspectiva em escala do evento maior. Com efeito, em maio de 1992, fragmentos de hóstia consagrada foram encontrados no altar e, uma vez colocados em água dentro do sacrário, não se dissolverem, passando a apresentar coloração avermelhada semelhante a sangue. Poucos dias depois, foram constatadas também gotas de sangue nas patenas durante a comunhão. Posteriormente, em julho de 1994, durante uma missa para as crianças, uma gota de sangue foi vista fluindo pela lateral da âmbula do sacrário. Os eventos de 1992, 1994 e 1996 constituem, assim, três milagres eucarísticos distintos e sucessivos na Igreja de Santa Maria em Buenos Aires.

sexta-feira, 20 de março de 2026

ROSÁRIO DAS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

Esta devoção às Sete Dores de Nossa Senhora tem origem no século XIII. Ela relembra as dores que a Virgem Mãe de Deus suportou ao compartilhar o sofrimento e a morte de seu Divino Filho. 


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

ORAÇÕES INICIAIS

Meu Deus, eu vos ofereço este rosário para a vossa maior glória, desejando honrar a vossa Santa Mãe, a Santíssima Virgem, meditando sobre os seus sofrimentos e participando deles. Ó meu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, confiando no vosso amor infinito, recorro a Vós em busca de perdão e misericórdia. Arrependo-me profundamente das dores que sofrestes na vossa amarga Paixão por causa dos meus pecados. Por amor a Vós e em vossa santa presença, renuncio e desprezo por completo todos os pecados da minha vida. Peço-vos perdão de todo o meu coração e me comprometo firmemente a emendar-me, preferindo morrer do que vos ofender novamente.

Ó Virgem Maria, nossa Mãe e o refúgio dos pecadores, invoco-vos agora com confiança e amor. Escondei-me sob o vosso manto de amor e proteção. Ao meditar sobre as espadas de dor que traspassaram o vosso Coração Imaculado, concedei-me o perdão dos meus pecados e a graça de praticar e viver uma vida de santidade. 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.
Enviai o vosso Espírito e renovareis a face da terra.

1ª DOR - A PROFECIA DE SIMEÃO

Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2,34-35).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, quão profundamente o vosso coração foi transpassado pela dor quando Simeão anunciou que Jesus, o vosso Filho amado, seria um sinal a ser rejeitado! O vosso coração sabia que Ele seria o Messias sofredor que os profetas haviam predito, o homem de dores, que carregaria todos os nossos pecados e nos curaria por meio de suas chagas. Por essa amarga dor, concedei-nos a graça de nunca rejeitar Jesus nem recusar-lhe nada. Ajudai-nos a entregar completamente nossas vidas a Ele e a viver de acordo com a sua santíssima vontade em tudo.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.
[outras similares ou orações finais dos mistérios do Terço Tradicional]

2ª DOR - A FUGA PARA O EGITO

O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito (Mt 2,13-14).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, que dor não preencheu o vosso coração ao fugir de casa e do vosso país, sabendo que o tirano Herodes estava decidido a assassinar o vosso pequeno filho,  fonte de todo o vosso amor! As dificuldades da viagem, a longa jornada e a vida como refugiada não foram nada comparadas ao tormento de tal malícia demoníaca dirigida a Jesus. Por essa amarga de dor, concedei-nos a graça de nunca colocarmos em risco a vida de Jesus em nossas almas por causa dos nossos pecados.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

3ª DOR - A PERDA DE JESUS NO TEMPLO

Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele (Lc 2,43b-45).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, que dor não preencheu o vosso coração quando procurava desesperadamente por Jesus, com vosso esposo José, sem conseguir encontrá-lo entre vossos parentes e amigos que voltavam para casa de Jerusalém! Mas quando o vosso Filho respondeu que devia ocupar-se dos assuntos do seu Pai, aceitastes que Ele havia iniciado a missão que o levaria à sua morte sacrificial. A dor daqueles três dias de separação preparou-vos para os três dias de sofrimento que iríeis suportar quando o corpo de Jesus jazia sem vida no túmulo. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de aceitar os desígnios da Divina Providência, mesmo quando não os soubermos compreender.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

4ª DOR - O ENCONTRO COM JESUS NO CALVÁRIO

Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23,26-27).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, como não deve ter sido ferido o vosso coração maternal ao ver o vosso amado Filho Jesus carregando a sua Cruz até o Calvário, o local final da sua execução! Como deve ter sido doloroso para vós vê-lo tão ensanguentado, espancado e injuriado, enquanto Ele fazia cumprir a sua missão até o fim: dar a sua vida em resgate de todos nós. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de nos negarmos a nós mesmos, tomarmos as nossas cruzes e seguirmos Jesus sempre com perseverança e amor.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

5ª DOR - AOS PÉS DE JESUS CRUCIFICADO

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe! (Jo 19,15-27a).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, eis que profecia de Simeão atinge agora o seu pleno cumprimento: a espada da dor traspassa o vosso coração enquanto permaneceis aos pés da Cruz do vosso Filho! Unida e crucificada espiritualmente com o vosso Filho Crucificado, fizestes junto convosco a oferenda dele ao Pai. Nós não conseguimos compreender a dor da vossa oferta e nem a medida do amor que a inspirastes. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de unir todos os nossos sofrimentos aos do Nosso Senhor Crucificado, com generosidade e amor desinteressados. 

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

6ª DOR - O CORPO DE JESUS É DESCIDO DA CRUZ

Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimatéia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15,42).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, o vosso coração afogou-se em dor ao abraçar o corpo sem vida do vosso Filho! Aquele que era a vossa própria vida estava agora morto. Quem era a vossa luz nesta vida estava agora sem vida. No entanto, aceitastes essa dor com amor, sabendo que tudo fazia parte do plano de salvação do Pai. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de aceitar com paciência e amor as dores que nos sobrevêm neste vale de lágrimas, crendo firmemente que Deus faz com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que o amam.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

7ª DOR - JESUS  É SEPULTADO

Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19,40-42a).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, quem poderia expressar a cruel angústia deste momento? O mesmo Menino que outrora envolveste em fraldas em meio a uma alegria indescritível, agora envolves silenciosamente em
Seu sudário. Tuas lágrimas se misturam com o sangue e a terra que cobrem Seu corpo ferido. Mas mesmo neste momento tua confiança em Sua promessa não morreu. Teu luto não foi sem esperança, pois sabias que Ele ressuscitaria deste sepulcro, assim como prometeu. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de acreditar com esperança inabalável na vitória de nosso Senhor, mesmo nos momentos mais sombrios da vida.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

Rezar três Ave-Marias em honra das lágrimas de Nossa Mãe Dolorosa.

ORAÇÃO FINAL

Ó Maria, vós vos tornastes verdadeiramente a Rainha de todos os mártires, pois estas sete espadas amargas de dor prostraram o vosso Coração Imaculado! Pelos méritos da vossa angústia e lágrimas, concedei-nos, a todos nós pecadores, as graças da contrição perfeita e da conversão. Auxiliai-nos sempre, querida Mãe, a vos imitar, suportando as nossas cruzes e seguindo sempre Jesus com amor e generosidade sem medidas. Amém.

Mãe de Deus, que fostes concebida sem pecado e que sofrestes por nós, rogai por nós (Rezar 3x)

[Recomenda-se ainda encerrar esta devoção com a Ladainha das Setes Dores de Nossa Senhora]

quinta-feira, 19 de março de 2026

19 DE MARÇO - SÃO JOSÉ

     

São José, esposo puríssimo de Maria Santíssima e pai adotivo de Jesus Cristo, era de origem nobre e sua genealogia remonta a Davi e de Davi aos Patriarcas do Antigo Testa­mento. Pouquíssimo sabemos da vida de José, além de suas atividades de carpinteiro em Nazaré. Mesmo o seu local de nascimento é ignorado: poderia ser Nazaré ou mesmo Belém, por ter sido a cidade de Davi. Ignora-se igualmente a data e as condições da morte de São José, mas existem fortes razões para afirmar que isso deve ter ocorrido an­tes da vida pública de Jesus. Com certeza, José já teria falecido quando da morte de Jesus, uma vez que não se explicaria, então, a recomendação feita aos cuidados mútuos à mãe e ao filho, dados, da cruz, por Jesus a Maria e a São João Evangelista.

Não existem quaisquer relíquias de São José e se desconhece o local do seu sepultamento. Muitos pais da Igreja defendiam que, devido à sua missão e santidade, São José, a exemplo de São João Batista, teria sido consagrado antes do nasci­mento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em companhia de Jesus e sua santíssima Esposa. As virtudes e as graças concedidas a São José foram extraordinárias, pela enorme missão a ele confiada pelo Altíssimo. A dig­nidade, humildade, modéstia e pobreza, a amizade íntima com Je­sus e Maria e o papel proeminente no plano da Redenção, são atributos e méritos extraordinários que lhe garantem a influência e o poder junto ao tro­no de Deus. Pedir, portanto, a intercessão de São José, é garantia de ser ouvido no mais alto dos céus. Santa Tereza, ardorosa devota de São José, dizia: 'Não me lembro de ter-me dirigido a São José sem que tivesse obtido tudo que pedira'.

A devoção a São José na Igreja Ca­tólica é antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra esta festa, desde o século nono, no domingo depois do Natal. Foram os carmelitas que in­troduziram esta solenidade na Igreja Ocidental; os franciscanos, já em 1399, festejavam a comemoração do Santo Pa­triarca. Xisto IV inseriu-a no bre­viário e no missal; Gregório XV ge­neralizou-a em toda a Igreja. Cle­mente XI compôs o ofício, com os hinos, para a celebração da Festa de São José em 19 de março e colocou as missões na China sob a proteção do Santo. Pio IX introdu­ziu, em 1847, a festa do Patrocínio de São José e, em 1871, declarou-o Pa­droeiro da Igreja; muitos pontífices promoveram solenemente a devoção a São José, por meio de orações, homilias, encíclicas e devoções diversas.