domingo, 6 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                      

'Não fecheis o coração; ouvi hoje a voz de Deus!' (Sl 94)

Primeira Leitura (Ez 33,7-9) - Segunda Leitura (Rm 13,8-10) - Evangelho (Mt 18,15-20)
 
  06/09/2026 - VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 A VIRTUDE DA CORREÇÃO FRATERNA


O Evangelho deste domingo é um tributo sobre o dever da correção fraterna. Reconhecer o erro e assumir o ônus da responsabilidade pelo erro cometido, são os atributos básicos do perdão. Mas o erro reverbera além daquele que o pratica e é dever - dever cristão - a sua pronta caracterização, a sua expressa condenação, o seu combate efetivo, a sua oportuna ou inoportuna contenção. A correção do erro é uma virtude cristã por excelência, quando praticada e vivida sob os ditames do reto juízo, da prudência caritativa, do verdadeiro amor fraterno: 'Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo!' (Mt 18,15).

Jesus nos adverte sobre a insensatez da omissão, do menosprezo, da condenação exaltada e pública do pecador que nos ofendeu: 'a sós contigo!' é uma proposição enfática e contundente pela correção fraterna, emanada pelo zelo apostólico e pela prudência cristã. Corrigir o erro para não se omitir em defesa da verdade; corrigir o erro sem destruir as pontes e as passagens que possam fazer o pecador retomar o caminho da verdade: 'Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão' (Mt 18,15). Benditos aqueles que levarem consigo para Deus os que puderam fazer o caminho de volta!

A correção fraterna é oportuna e inoportuna, porque a salvação de uma alma tem valor infinitamente maior que todos os nossos queixumes ou sentimentos desprezados. Não basta a correção, é preciso insistir nela mais uma vez, e outra vez, e outra ainda. A insistência moldada pelo zelo extremado na salvação da alma do próximo é o cimento que agrega as pedras frouxas de nossa própria caminhada para Deus.

Esse ardor de correção perpassa por terceiros e se encerra na própria vida da Igreja, Corpo Místico de Cristo, pois a perseverança da graça atrai graças em profusão e frutos extremos de conversão, piedade e misericórdia: 'se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles' (Mt 18,19 - 20). Porém, a obstinação determinada no erro tem natureza diabólica e, portanto, não é mais passível da graça. Aqueles que optam pelo desvario do mal e se afastam dos ensinamentos da Igreja, tornam-se, então, réus de delitos eternos: 'tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu' (Mt 18,18).

sábado, 5 de setembro de 2026

AS VINHAS DE DEUS (XI)

 

71. Todos devem servir à caridade... É dela que devemos aprender a devida ordem no exercício dos conselhos; pois a uns ela prescreverá a castidade, e não a pobreza; a outros, a obediência, e não a castidade; a alguns, o jejum, mas não a esmola; a outros, a esmola, mas não o jejum; a alguns, a solidão, e não o cuidado das almas; e a outros, o convívio com o mundo, e não a solidão. Enfim, ela é a corrente sagrada pela qual se torna fecundo o jardim da Igreja; e, embora ela própria tenha uma única cor, sem cor determinada, as flores que produz têm, cada qual, a sua cor distinta. Torna os mártires mais rubros que a rosa, as virgens mais brancas que o lírio; a uns dá o delicado violeta da mortificação, a outros as flores de laranjeira do matrimônio, empregando de diversos modos os santos conselhos para a perfeição das almas que têm a felicidade de viver sob a sua direção.

72. Nazaré significa flor. Oh! quão bem esta cidade nos representa a vida religiosa! Pois o que é a vida religiosa senão uma casa, ou uma cidade, densamente coberta de flores, uma vez que todas as coisas que fazemos - quando vivemos segundo suas regras e estatutos - são outras tantas flores? Nossas mortificações, humilhações, orações - numa palavra, todos os exercícios que praticamos - que são eles senão atos de virtude, semelhantes a tantas belas flores que exalam um perfume suavíssimo diante da Divina Majestade? Podemos, portanto, dizer com razão que a vida religiosa é um jardim todo semeado de flores, muito agradável à vista e muito salutar para aqueles que desejam respirar a sua fragrância.

73. Assim como a oliveira, plantada junto à videira, comunica-lhe o seu sabor, também a caridade comunica a sua perfeição às outras virtudes com as quais entra em contato. Mas é igualmente verdade que, se a oliveira for enxertada na videira, não somente lhe comunica o sabor, mas também lhe transmite algo de sua própria seiva. Não vos contenteis, portanto, em possuir a caridade juntamente com o exercício das diversas virtudes; cuidai para que seja pela caridade e por meio dela que pratiqueis essas virtudes, de modo que elas possam, com toda a justiça, ser atribuídas à própria caridade.

74. Todas as flores amarelas e, sobretudo o girassol, não somente se alegram à vista do sol, mas seguem, com amorosa fidelidade, a atração de seus raios, contemplando o sol e voltando-se para ele desde o seu nascer até o seu ocaso. Assim também todas as virtudes recebem um novo esplendor e uma dignidade excelente pela presença do amor divino. Mas a fé, a esperança, o temor de Deus, a penitência, a piedade e todas as demais virtudes que, por sua própria natureza, tendem particularmente para Deus e para a sua honra, não somente recebem a impressão do amor divino, pela qual são elevadas a um alto valor, mas inclinam-se inteiramente para Ele, associando-se a Ele, seguindo-o e servindo-o em todas as ocasiões... Isso nos mostra que essas virtudes são muito preciosas e que, quando exercidas num coração que possui o amor de Deus, tornam-no mais fecundo e santo do que as outras virtudes que, por sua própria natureza, não possuem tão grande afinidade com o amor divino.

75. Nossas ações recebem o nome e a espécie das virtudes particulares das quais procedem; mas da santa caridade recebem o sabor de sua santidade, pois a caridade é a raiz e a fonte de toda santidade no homem. E assim como o tronco comunica o seu sabor ao fruto produzido pelo enxerto, de tal maneira que cada fruto conserva ainda a qualidade natural do enxerto do qual procede, assim também a caridade infunde a sua própria excelência e dignidade nos atos de todas as demais virtudes; mas deixa, contudo, a cada uma delas o valor e a bondade particulares que possui por sua própria natureza.

76. Não é de admirar que o santo amor, sendo o rei das virtudes, nada tenha, grande ou pequeno, que não seja amável; assim como o bálsamo, príncipe das árvores aromáticas, não possui casca nem folha que não seja perfumada. E que poderia o amor produzir que não fosse digno de amor e não tendesse para o amor?

77. Todas as obras virtuosas de uma alma que é amiga de Deus são consagradas a Deus. Pois, quando um coração se entrega, não entrega também tudo aquilo que lhe pertence? Quando alguém dá uma árvore, não dá juntamente suas folhas, suas flores e seus frutos? 'O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano. Plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios da casa de nosso Deus' (Sl 91,13-14).

(Excertos da obra 'Flore mystique de St François de Sales' (1874) - A Flora Mística de São Francisco de Sales - Cap. 5, coletânea de textos organizada pelo padre Joseph Tissot, reunindo pensamentos e ensinamentos dos livros e cartas de São Francisco de Sales relacionados a plantas e flores, organizados como um tratado de vida cristã).

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

SOBRE OS QUATRO TIPOS DE MONGES

São Bento descreve quatro tipos de monges e considera dois tipos dignos de consideração: os cenobitas, que vivem em um mosteiro sob a autoridade de um abade, e os eremitas. São Bento escreveu sua regra para os cenobitas [que ele chamou de fortissimum genus ou 'a espécie mais forte'], mas não excluiu a possibilidade de monges idosos e experientes, veteranos dos 'caminhos árduos e tortuosos pelos quais caminhamos rumo a Deus', retirarem-se para a solidão e se dedicarem ao combate espiritual individual.


É bem sabido que há quatro espécies de monges. A primeira é a dos cenobitas, isto é, daqueles que vivem em mosteiros, sob uma Regra e um Abade.

A segunda é a dos anacoretas ou eremitas, isto é, daqueles que, não já no primeiro fervor da vida religiosa, mas depois de longa provação no mosteiro, aprenderam, com o auxílio e a experiência de muitos, a combater contra o demônio; e que, saindo bem armados das fileiras de seus irmãos para o combate solitário do deserto, são capazes, sem o apoio de outros, de lutar, pela força de seu próprio braço e com o auxílio de Deus, contra os vícios da carne e os maus pensamentos.

Uma terceira e perniciosíssima espécie de monges é a dos sarabaítas, que não foram provados por regra alguma nem pela experiência de um mestre, como o ouro no cadinho; mas, sendo moles como o chumbo e ainda servindo ao mundo por suas obras, mentem a Deus por meio da tonsura. Estes, em grupos de dois ou três, ou mesmo sozinhos, sem pastor, encerrados não nos apriscos do Senhor, mas nos seus próprios, fazem para si mesmos uma lei segundo o prazer de seus próprios desejos: tudo aquilo que julgam conveniente ou escolhem fazer, chamam santo; e aquilo de que não gostam, consideram ilícito.

A quarta espécie de monges é a daqueles chamados giróvagos, que passam toda a vida vagueando por diversas províncias, hospedando-se em diferentes celas por três ou quatro dias de cada vez; sempre errantes, sem estabilidade, entregues aos próprios prazeres e às ciladas da gula, e em tudo piores que os sarabaítas. Da miserabilíssima vida destes é melhor nada dizer do que falar.

Excertos da obra Regra de São Bento (Regula Sancti Benedicti), escrita por Bento de Núrsia no século VI, Capítulo I - 'Das espécies de monges' (De generibus monachorum). 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ETYMOLOGIAE (IV)

 

📌Os Apóstolos (De apostolis)

1. Apóstolo (apostolus) significa 'aquele que é enviado', pois é isso que o próprio nome indica. Assim como em grego ἄγγελος significa 'mensageiro' (nuntius) em latim, assim também 'aquele que é enviado' é chamado, em grego, de 'apóstolo' (apostolus), pois Cristo os enviou para difundir o Evangelho por todo o mundo. Alguns deles penetraram até a Pérsia e a Índia, ensinando às nações e realizando grandes e incríveis milagres em nome de Cristo, a fim de que, por meio daqueles sinais e prodígios que confirmavam sua pregação, os homens acreditassem naquilo que os Apóstolos diziam e haviam visto. A maior parte deles recebe, dessas atividades, a explicação de seus nomes.

2. Pedro (Petrus) recebeu seu nome de 'pedra' (petra), isto é, de Cristo, sobre quem a Igreja está fundada. Com efeito, petra não recebe seu nome de Petrus, mas Petrus de petra, assim como 'Cristo' não é assim chamado a partir de 'cristão', mas 'cristão' a partir de 'Cristo'. Por isso o Senhor diz: 'Tu és Pedro, e sobre esta pedra (petra) edificarei a minha Igreja' (Mt 16,18), porque Pedro havia dito: 'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo' (Mt 16,16). Então o Senhor lhe disse: 'Sobre esta pedra' que proclamaste 'edificarei a minha Igreja', pois 'a pedra era Cristo' (1Cor 10,4) e sobre esse fundamento o próprio Pedro também foi edificado.

3. Foi chamado Cefas porque foi constituído como cabeça (caput) dos apóstolos, pois κεφαλή em grego significa 'cabeça' e Cefas é o nome sírio de Pedro.

4. Simão 'Bar-Jonas', em nossa língua, significa 'filho da pomba', sendo um nome formado tanto do siríaco quanto do hebraico; pois Bar, na língua siríaca, significa 'filho' e 'Jonas', em hebraico, significa 'pomba'; assim, Bar-Jonas é composto de elementos das duas línguas.

5. Alguns entendem simplesmente que Simão, isto é, Pedro, é filho de João, por causa daquela pergunta (João 21,15): 'Simão, filho de João, tu me amas?' (Jo 21,15) e alguns consideram que o nome foi corrompido por um erro dos copistas, de modo que se escreveu Bar-Iona em lugar de Bar-Iohannes, isto é, 'filho de João', com a supressão de uma sílaba. 'Joana' significa 'graça do Senhor'.

6. Assim, Pedro possuía três nomes: Pedro, Cefas e Simão Bar-Jonas. Além disso, 'Simão', em hebraico, significa 'aquele que escuta'.

7. Saulo, na língua hebraica, significa 'tentação', porque, a princípio, ele esteve envolvido na provação da Igreja, pois era perseguidor; daí ter possuído esse nome enquanto perseguia os cristãos.

8. Posteriormente, mudado o nome, de Saulo fez-se Paulo, que é interpretado como 'o admirável' ou 'o escolhido'. Admirável, porque realizou muitos sinais, ou porque, do Oriente ao Ocidente, pregou o Evangelho de Cristo a todas as nações.

9. Escolhido, como diz o Espírito Santo nos Atos dos Apóstolos: 'Separai-me Barnabé e Paulo para a obra para a qual os escolhi' (At 13,2). Além disso, na língua latina, Paulo (Paulus cf. paulus, 'pequeno') recebe seu nome de 'pequeno', razão pela qual ele próprio diz: 'Pois eu sou o menor de todos os apóstolos' (1Cor 15,9). Assim, quando era Saulo, era orgulhoso e altivo; quando Paulo, humilde e pequeno.

10. Por isso dizemos: 'daqui a pouco (paulo) te verei', isto é, depois de um breve espaço de tempo. E, porque se fez pequeno, ele próprio diz (cf. 1 Coríntios 15,8): 'Pois eu sou o último [de todos] os apóstolos' (1Cor 15,8) e ainda: 'A mim, o menor de todos os santos' (Ef 3,8). Assim, tanto Cefas quanto Saulo foram chamados por um nome mudado, para que fossem verdadeiramente novos até mesmo em seus nomes, à semelhança de Abraão e Sara.

11. André, irmão de Pedro segundo a carne foi seu coerdeiro segundo a graça; de acordo com sua etimologia hebraica, 'André' significa 'o belo' ou 'aquele que responde'; além disso, na língua grega, é chamado 'o viril', a partir da palavra que significa 'homem' (cf. grego ἀνήρ, genitivo ἀνδρός, 'homem').

12. João, com certa presciência profética, recebeu merecidamente seu nome, pois este significa 'aquele em quem está a graça' ou 'graça do Senhor'. Com efeito, Jesus o amou mais plenamente que aos outros apóstolos.

13. Tiago, filho de Zebedeu, recebeu do seu pai o seu sobrenome; deixando o seu pai, seguiu com seu irmão João o verdadeiro Pai. Estes irmãos foram chamados Boanerges que significa 'Filhos do Trovão' (Mc 3,17), pela força e grandeza de sua fé. Este Tiago é o filho de Zebedeu, irmão de João que, segundo se sabe, foi morto por Herodes depois da Ascensão do Senhor.

14. Tiago de Alfeu recebe esse sobrenome para ser distinguido do outro Tiago, chamado filho de Zebedeu, pois este segundo é filho de Alfeu. Assim, ambos receberam seus sobrenomes de seus pais.

15. Este é Tiago Menor, que no Evangelho é chamado irmão do Senhor, porque Maria, esposa de Alfeu, era irmã da mãe do Senhor; e o evangelista João deu àquela Maria o sobrenome 'de Cleopas', a partir do nome de seu pai, atribuindo-lhe esse nome quer pela nobreza de sua família, quer por alguma outra razão. Além disso, 'Alfeu', na língua hebraica, significa 'o milésimo' ou, em latim, 'o instruído'.

16. Filipe significa 'boca das lâmpadas' [a luz recebida de Cristo] ou 'boca das mãos' [a pregação dessa luz]. Tomé significa 'o abismo' ou 'o gêmeo', razão pela qual, em grego, também é chamado Dídimo. Bartolomeu, 'filho daquele que sustenta as águas' ou 'filho daquele que me sustenta'. Este nome é siríaco, não hebraico.

17. 'Mateus', em hebraico, significa 'aquele que foi agraciado'. Este mesmo homem também foi chamado Levi, por causa da tribo da qual descendia. Além disso, em latim recebeu o nome de 'publicano' em razão de seu ofício, pois foi escolhido dentre os publicanos e chamado ao apostolado.

18. Simão, o Cananeu, para ser distinguido de Simão Pedro, recebe seu nome da cidade galileia de Caná, onde o Senhor transformou a água em vinho. É este que outro evangelista designa como 'o zelota' pois, com efeito, 'Caná' significa 'zelo'.

19. Judas de Tiago, que em outro lugar é chamado Lebeu, possui um nome simbólico derivado da palavra que significa 'coração', que, no diminutivo, podemos traduzir como 'pequeno coração'. Outro evangelista chama este Judas de Tadeu (Mt 10,3). A história eclesiástica relata que ele foi enviado a Edessa, ao rei dos Abgaros.

20. Judas Iscariotes recebeu seu nome ou da cidade em que nasceu, ou da tribo de Issacar, trazendo em seu próprio nome, como certo presságio do futuro, a indicação de sua condenação; pois 'Issacar' significa 'pagamento', significando assim o preço recebido pelo traidor, pelo qual vendeu o Senhor, conforme está escrito em relação ao seu pagamento, 'as trinta moedas de prata, o preço em que fui avaliado por eles (Mt 27,9).

21. Matias, que é considerado o único entre os apóstolos a não possuir sobrenome, significa 'aquele que foi agraciado' [mesma etimologia de Mateus], devendo-se entender: 'em lugar de Judas', pois foi eleito pelos apóstolos para ocupar o lugar de Judas, quando lançaram sortes para decidir entre dois homens.

22. Marcos significa 'elevado em seu mandato', especialmente por causa do Evangelho do Altíssimo que pregou.

23. Lucas significa 'aquele que se levanta' ou 'aquele que eleva' porque, depois dos outros, elevou a pregação do Evangelho.

24. Barnabé significa 'filho do profeta' ou 'filho da consolação'.

(Excertos da obra 'The Etymologies of Isidore of Seville' (Barney et al. 2006), tratado etimológico de Santo Isidoro de Sevilha [560 - 636], sobre o conhecimento da Antiguidade Clássica inserido no contexto de uma visão cristã do mundo)

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XXVII)

   

PARTE IV - O CÉU

I. Sobre a natureza do Céu

Não devemos, como fazem alguns, imaginar o Céu como um reino puramente espiritual. Pois o Céu é um lugar determinado, onde não somente Deus está e onde agora se encontram os Anjos, mas onde também está Cristo em sua sagrada humanidade e Nossa Senhora com o seu corpo humano. Ali também habitarão todos os bem-aventurados com seus corpos glorificados, depois do Juízo Final. Se o Céu é um lugar determinado deve, por conseguinte, ser um reino visível, e não meramente espiritual; pois um lugar deve, por sua própria natureza, ser em certa medida conforme àqueles que nele habitam.

Além disso, sabemos que, depois do Juízo Final, os santos contemplarão o Céu com seus olhos corporais e, consequentemente, ele deve ser um reino visível. Ignoramos de que será constituída a estrutura material do Céu; sabemos apenas que será algo infinitamente superior e mais precioso do que a matéria de que são formadas as demais esferas, o sol, a lua e os outros corpos celestes. Pois, tendo Deus criado o Céu para si mesmo e para os seus eleitos, fê-lo tão belo e tão glorioso que os bem-aventurados jamais se cansarão de contemplar os seus esplendores por toda a eternidade.

Contudo, repito, não está ao alcance de quem escreve descrever, nem ao alcance de quem lê compreender, aquilo de que o Céu é realmente constituído. Talvez possamos aprender algo a esse respeito pelo que escreve Santa Teresa. Falando de si mesma, ela diz: 'A Santíssima Mãe de Deus deu-me uma joia e colocou em torno do meu pescoço uma magnífica corrente de ouro, à qual estava presa uma cruz de valor inestimável. Tanto o ouro como as pedras preciosas que me foram assim dados são tão diferentes daqueles que possuímos neste mundo que nenhuma comparação pode ser estabelecida entre eles. São belos para além de tudo quanto se possa conceber, e a matéria de que são compostos está além do nosso conhecimento. Pois aquilo que chamamos ouro e pedras preciosas, comparado a eles, parece escuro e sem brilho como carvão'.

Por essas palavras, podemos formar alguma ideia da beleza, da raridade e da preciosidade das pedras com que são construídas as muralhas do Céu. Delas também inferimos que a luz do Céu é tão deslumbrante que não apenas ofusca o sol e as estrelas, mas faz com que todo o brilho terreno pareça escuridão. Temos, além disso, todas as razões para crer que, na luz do Céu, todas as cores do arco-íris são vistas a cintilar, conferindo-lhe um encanto indescritível aos olhos dos bem-aventurados. Ademais, os corpos dos redimidos resplandecem de luz, e quanto mais santa tiver sido a sua vida na terra, mais brilhantemente resplandecerão no Céu.

Qual não deve ser a glória daquele firmamento celestial, cintilando com o fulgor de muitos milhares de estrelas! Nada é mais agradável aos olhos do que a luz; quão brilhante, quão bela deve ser a luz do Céu, se, comparados a ela, os luminosos raios do sol não passam de trevas! Quanto devem os redimidos deleitar-se na contemplação dessa claridade pura e deslumbrante! Ó meu Deus, concedei-me a graça de, enquanto estiver na terra, amar a luz e evitar as obras das trevas, para que eu possa alcançar a contemplação da luz eterna e perpétua!

Quanto à extensão do Céu, tudo o que sabemos é que ela é incomensurável, inconcebível e incompreensível. Um sábio teólogo, falando sobre esse assunto, diz: 'Se Deus transformasse cada grão de areia em um novo mundo, todas essas inúmeras esferas ainda não preencheriam a imensidão do Céu'. São Bernardo também afirma que temos fundamento para crer que a cada um dos salvos será destinado, na pátria celestial, um lugar e uma herança cujos limites não serão estreitos.

Quão incomensuravelmente vasto deve ser, então, o Céu! Bem pôde o profeta Baruc exclamar: 'Ó Israel, quão grande é a casa de Deus, e quão vasto é o lugar de sua possessão! É grande e não tem fim; é elevado e imenso' (Br 3,24-25). Podemos facilmente acreditar nisso, pois temos diante de nossos olhos os ilimitados domínios do espaço. Mas nada sabemos acerca da natureza dos infinitos domínios do Céu, embora possamos, até certo ponto, representá-los à nossa imaginação. Seria contrário ao bom senso pensar que essas vastas regiões celestiais sejam vazias e desertas, ou que o grande Artífice, para quem a criação de mundos é coisa tão pequena, as deixasse sem beleza e sem ornamento.

Se príncipes e senhores ocupam todos os espaços e não deixam recanto algum de seus palácios ou de seus jardins sem embelezamento e ornamento, haveremos de supor que o grande Rei do Céu permitiria que o seu palácio real, o seu paraíso celestial, carecesse de magnificência e beleza? O que haveria para deleitar os sentidos dos santos se o Céu fosse apenas um vasto espaço vazio? Que prazer, além da visão beatífica de Deus, haveria para eles, se permanecessem todos reunidos numa planície árida, como ovelhas encerradas num aprisco? Não temos, portanto, razão para crer que existem no Céu esplêndidas e espaçosas moradas, construídas de materiais incorruptíveis?

Mais ainda: um erudito comentador da Sagrada Escritura considera provável que, pela admirável habilidade e sabedoria do grande Criador, esses belos palácios e moradas tenham formas e dimensões variadas, sendo alguns mais baixos, outros mais elevados, e alguns mais ricamente adornados do que outros. Elevando-se acima de todos e superando-os em grandeza e magnificência, destaca-se o palácio do grande Rei, Jesus Cristo; e, logo depois, em esplendor e dignidade, vem a morada de Nossa Soberana Senhora, a Rainha do Céu. Seguem-se os doze palácios dos doze Apóstolos, tão ricos e belos que o próprio Céu se maravilha diante de sua magnificência. Além desses, existem inúmeras mansões e moradas que tornam a Jerusalém celeste indescritivelmente majestosa e encantadora. Essas esplêndidas habitações foram criadas quando o próprio Céu foi feito e destinadas a ser a morada dos redimidos.

A Igreja nos ensina, no Ofício dos Mártires, que cada um dos eleitos terá seu próprio lugar no reino dos Céus. Dabo sanctis meis locum nominatum in regno Patris mei, dicit Dominus - Darei aos meus santos um lugar determinado no reino de meu Pai, diz o Senhor. E o Salmista Real diz: 'Exultarão os santos na glória; alegrar-se-ão em seus leitos' (Sl 149,5). Temos também as palavras de Cristo: 'Fazei-vos amigos com as riquezas da iniquidade, para que, quando vierdes a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas' (Lc 16,9) - isto é, empregai em obras de caridade e beneficência aquilo que possuís além do necessário, para que essas obras se tornem como amigos que vos obtenham a entrada nas moradas eternas e celestiais.

E ainda: 'Na casa de meu Pai há muitas moradas' (Jo 14,2). Daí se pode inferir que cada um dos redimidos possui sua própria morada no Céu. Pois, assim como um pai justo e prudente reparte seus bens entre os filhos, atribuindo a cada um a sua parte particular, assim também nosso Pai celestial distribui a cada um dos seus eleitos uma parte dos seus tesouros celestes, tanto visíveis como invisíveis, dando a cada qual mais ou menos, conforme aquilo que merece receber.

Quem poderá descrever a majestade e a glória dessas moradas celestes? Se os reis e príncipes deste mundo constroem para si palácios grandiosos e suntuosos, qual não deve ser o esplendor e a beleza da cidade celestial que o Rei dos reis edificou para si mesmo e para aqueles que o amam e são os seus amigos? Ouçamos o que São João diz acerca dessa cidade: 'Um Anjo mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que tinha a glória de Deus. Sua luz era semelhante a uma pedra preciosa, como pedra de jaspe, transparente como cristal. A própria cidade era de ouro puro, semelhante a vidro límpido, e os fundamentos da muralha da cidade estavam adornados com toda espécie de pedras preciosas' (Ap 21,11.18-19).

Falando das dimensões da cidade, escreve o mesmo Apóstolo: 'O Anjo que falava comigo tinha por medida uma cana de ouro, para medir a cidade, suas portas e sua muralha. A cidade era quadrangular, e seu comprimento era igual à largura; e ele mediu a cidade com a cana de ouro: doze mil estádios; seu comprimento, sua largura e sua altura eram iguais. E mediu a sua muralha: cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, que era também a medida usada pelo Anjo' (Jo 21,15-17). Um estádio equivale a duzentas e vinte jardas, e oito estádios perfazem uma milha. Deve-se observar que o Anjo não mediu a circunferência da cidade, mas apenas o comprimento de sua muralha, que era de doze mil estádios. Multiplicando-se esse número por quatro, obtêm-se quarenta e oito mil estádios para a circunferência da cidade, equivalentes a seis mil milhas. Para povoar uma cidade dessas dimensões seriam necessários muitos milhares de milhões de habitantes.

Pelas informações dadas por São João, que nos diz serem iguais o comprimento, a largura e a altura da cidade, podemos formar alguma ideia da imponente elevação dessa construção celestial. Essa cidade não constitui toda a Jerusalém celeste; é a morada especial do Deus Altíssimo, onde habita a sagrada humanidade de Cristo, juntamente com numerosas companhias de Anjos e dos Santos mais eminentes. Pois, além dessa augusta cidade, existem inúmeras outras nas planícies celestiais, nas quais os redimidos habitam em companhia dos Anjos. Quanto maior tiver sido o bem realizado por um santo na terra, mais grandiosa será a morada que lhe é destinada no Céu. Esses palácios e mansões são transparentes como cristal e construídos com pedras preciosas da mais alta qualidade. E podemos acrescentar, apoiados na autoridade de um erudito teólogo, que os bem-aventurados convivem uns com os outros e se reúnem para louvar e engrandecer a onipotência do Altíssimo, que lhes preparou moradas tão gloriosas, unindo suas vozes para exaltar a sua sabedoria e o seu amor.

Não sentes tu, ó minha alma, um intenso desejo de contemplar essa cidade celestial e, mais ainda, de nela habitar para sempre? Consideramos um prazer visitar uma bela cidade, célebre por sua arquitetura e por outros encantos; e muitos são os viajantes que percorrem o mundo inteiro para conhecer cidades estrangeiras e regalar os olhos com a sua beleza. Mas o que são essas cidades da terra comparadas às cidades celestiais? Se pudéssemos contemplá-las ainda que por poucos instantes, que maravilhas não veríamos! Certamente exclamaríamos, com as palavras do rei Davi: 'Quão amáveis são os vossos tabernáculos, ó Senhor dos Exércitos! Minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultaram no Deus vivo. Bem-aventurados os que habitam em vossa casa, ó Senhor; eles vos louvarão pelos séculos dos séculos. Porque vale mais um só dia em vossos átrios do que milhares; preferi ser desprezado na casa de meu Deus a habitar nas tendas dos pecadores' (Sl 83,2-3.5.11).

Se nos é permitido aventurar-nos a falar do interior do reino celestial, podemos supor que o vasto e incomensurável espaço do Céu não contém somente essas cidades celestiais, mas muitas outras coisas, todas elas aumentando as delícias daquela terra bem-aventurada. Pois, assim como os reis e príncipes da terra possuem jardins e parques de recreio junto aos seus palácios, onde se deleitam durante o verão, assim também, afirmam muitos teólogos, existem paraísos celestiais que proporcionam ainda maior deleite aos bem-aventurados. Pois não somente as almas dos salvos, mas também seus corpos glorificados serão conduzidos pelos Anjos de Deus ao Céu depois do Dia do Juízo.

Santo Agostinho, Santo Anselmo e muitos outros santos não hesitam em sustentar que existem no Céu árvores verdadeiras, frutos verdadeiros e flores verdadeiras, indescritivelmente belos e agradáveis à vista, ao paladar, ao olfato e ao tato, diferentes de tudo quanto somos capazes de imaginar. Nas revelações dos santos, faz-se menção aos jardins do Céu e às flores que ali desabrocham; e sabemos que se narra na história de Santa Doroteia que ela enviou a Teófilo, pelas mãos de um Anjo, uma cesta de flores colhidas nos jardins do paraíso celestial, de beleza tão extraordinária que sua contemplação o levou a tornar-se cristão e a dar a vida pela fé em Cristo. Lemos também na vida de São Dídaco que, voltando a si depois de um êxtase em que caíra pouco antes de morrer, exclamou em alta voz: 'Ó, que flores há no Paraíso! Que flores há no Paraíso!' Episódios semelhantes são encontrados com frequência nas vidas dos santos.

Considera quão delicioso será para aqueles que tiverem a felicidade de se salvar passear pelos jardins celestiais e contemplar aquelas belas flores. Quão agradáveis serão aos olhos aquelas formosas flores, quão delicioso o perfume que exalam! Na verdade, se um homem viesse a possuir uma única dessas flores celestiais, ela produziria nele o mesmo efeito que produziu em Teófilo. Toda a beleza da terra perderia para ele o seu encanto, e ele aspiraria com toda a sua alma à beleza perfeita do Céu. Medita, portanto, frequentemente nas coisas do Céu; eleva teus olhos e teu coração ao luminoso firmamento acima de ti e desperta em teu coração, por este ou por outros meios, um ardente desejo de contemplar as moradas do Pai eterno e nelas habitar para sempre.

Ó Deus, que enriquecestes a Jerusalém Celeste com tamanha beleza para que nós, pobres filhos da terra, tivéssemos um desejo ainda maior de contemplá-la, eu vos suplico: inflamai meu coração de ardente amor e desejo pela morada celestial que preparastes para nós. Pois bem-aventurados são, ó Senhor, aqueles que habitam em vossa casa; eles gozarão para sempre da perfeita felicidade e louvarão eternamente o poder, a sabedoria e a bondade de nosso Deus. Quem me dera ser digno de pertencer àquela companhia sem pecado, contemplar aquela formosa cidade e tornar-me um de seus felizes habitantes! Concedei-me esta graça, ó Deus, eu vos suplico; não permitais que eu seja excluído do número dos vossos eleitos.

Ó bem-aventurados santos de Deus, vós que habitais nos átrios da Jerusalém Celeste, humildemente vos suplico que intercedais por mim, para que, em sua infinita clemência, o Deus de misericórdia me conceda viver de tal maneira que eu seja considerado digno de ser admitido em vossa bem-aventurada companhia! Ouvi as orações dos vossos Santos, ó Deus de infinita compaixão e, pelos méritos de Jesus Cristo, concedei-me uma parte daquela herança que Ele adquiriu para nós com o seu precioso Sangue. Que as coisas deste mundo percam todo o seu valor aos meus olhos, e fazei arder meu coração com o desejo de vos contemplar e de ver a cidade que edificastes, a Jerusalém Celeste. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

terça-feira, 1 de setembro de 2026

VERSUS: RIQUEZA X POBREZA

Meus irmãos, quando digo que Deus não inclina os seus ouvidos para o rico, não deduzais que Deus não atende os que possuem ouro e prata, criados e patrimônios. Se eles nasceram nessas condições e ocupam esse lugar na sociedade, que se lembrem desta palavra do apóstolo Paulo: 'Recomendo aos ricos deste mundo que não sejam orgulhosos' (1Tim 6,17).

Aqueles que não são orgulhosos são pobres diante de Deus, que inclina os seus ouvidos para os pobres e os necessitados (Sl 85,1). Com efeito, eles sabem que a sua esperança não está no ouro nem na prata, nem nas coisas de que gozam durante algum tempo.

Basta que as riquezas não os levem à perdição e que, se elas nada podem para os salvar, ao menos não lhes sirvam de obstáculo. Quando um homem despreza tudo quanto alimenta o seu orgulho, é um pobre de Deus; e Deus inclina-se para ele, porque conhece os tormentos do seu coração.

Não há dúvida, irmãos, de que o pobre Lázaro, que permanecia, coberto de chagas, à porta do rico, foi levado pelos anjos ao seio de Abraão; é isto que lemos e nisto que acreditamos. Quanto ao rico, que se vestia de púrpura e de linho fino e festejava esplendidamente todos os dias, foi precipitado nos tormentos do inferno. Terá sido, realmente, o mérito da sua indigência que valeu ao pobre ter sido levado pelos anjos? E o rico terá sido entregue aos tormentos do inferno por causa da sua opulência? Não, mas ao pobre foi a humildade que o dignificou, e ao rico foi o orgulho que o condenou.

(Santo Agostinho, excertos da obra 'Discursos sobre os salmos')


As coisas que possuímos não são nossas. Deus deu-no-las para que as cultivemos e quer que as tornemos frutuosas e úteis. Prescindi sempre, portanto, de uma parte dos vossos meios e dai-a aos pobres de bom coração. É verdade que Deus vo-lo devolverá, não só no outro mundo, mas também já neste, porque não há coisa que mais nos faça prosperar do que a esmola; mas, enquanto esperais que Deus vo-lo torne, estareis já mais pobres daquilo que destes, e como é santo e rico o empobrecimento que advém de se ter dado esmola!

Amai os pobres e a pobreza, porque por este amor tornar-vos-eis verdadeiramente pobres, tal como está dito nas Escrituras: tornamo-nos naquilo que amamos (cf Os 9,10)... Portanto, se amais os pobres, sereis verdadeiramente participantes da sua pobreza, e pobres como eles. Assim, se amais os pobres, ide com frequência para o meio deles: tende prazer em os receber em vossas casas e em visitá-los; conversai voluntariamente com eles, ficai felizes por eles se aproximarem de vós na igreja, na rua ou em qualquer outro local. Sede pobres de língua para com eles, falando-lhes como amigo, mas sede ricos de mãos, largamente lhes dando dos vossos bens, pois vós os tendes em muito maior abundância.

Quereis fazer mais, ainda? Tornai-vos servos dos pobres; ide servi-los com as vossas próprias mãos e a expensas vossas. Maior triunfo há neste serviço do que o que há na realeza.

(São Francisco de Sales, excertos da obra 'Introdução à vida devota')

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

SORRISOS DE DEUS (II)

(Venerável Fulton Sheen, a ser beatificado em setembro/2026, falecido em 1979)

(Santa Teresa de Lisieux, falecida em 1897)

(Beata Sandra Sabattini, falecida em 1984)

(São João Bosco, falecido em 1888)

(Beata Alexandrina da costa, falecida em 1955)

(São Alberto Hurtado, falecido em 1952)

(Beata Chiara Badano, falecida em 1990)

(Santa Teresa de Calcutá, falecida em 1997)