sexta-feira, 31 de julho de 2026

AS VINHAS DE DEUS (VI)

36. Deus nos ordenou que fizéssemos o melhor que pudéssemos para adquirir a virtude. Não negligenciemos, pois, nada do que possa contribuir para essa santa empresa. Mas, depois de termos plantado e regado, não nos esqueçamos de que somente Deus pode dar o crescimento (1Cor 3,6) às árvores de nossas boas inclinações e hábitos. Por isso, devemos esperar da sua Providência o fruto de nossos desejos e de nossas obras. Se, portanto, não sentimos que estamos progredindo na vida devota tanto quanto desejaríamos, não nos perturbemos; permaneçamos em paz e deixemos que a tranquilidade reine sempre em nossos corações. Cabe-nos cultivar bem a nossa alma, e a isso devemos dedicar-nos com fidelidade. Quanto à abundância da colheita, deixemo-la inteiramente nas mãos de Nosso Senhor. O lavrador jamais será censurado por não ter obtido uma colheita abundante; será, porém, justamente repreendido se negligenciar o cultivo da terra e deixar de lançar a semente no tempo oportuno.

37. Rogo-vos que não ameis coisa alguma com excessivo ardor, nem mesmo a virtude, pois às vezes a perdemos justamente por ultrapassar os limites da moderação... Parece-me que não é natural que uma rosa seja branca, pois as vermelhas são mais belas e exalam perfume mais suave; mas é natural que o lírio seja branco. Sejamos, pois, aquilo que somos, e sejamo-lo unicamente para a honra do nosso Criador, de cujas mãos saímos como obra sua... Seria grande insensatez esperar colher figos de uma oliveira, ou azeitonas de uma figueira. Quem deseja figos deve plantar figueiras; quem deseja azeitonas deve plantar oliveiras.

38. Devemos ter grande cuidado em jamais indagar por que a Sabedoria Suprema concedeu determinada graça a uma pessoa em vez de outra, ou por que faz abundarem os seus favores mais num lugar do que noutro. Pois, uma vez que todos possuem o necessário - e mais do que o necessário - para alcançar a salvação, que direito teria alguém de se queixar porque aprouve a Deus conceder as suas graças mais abundantemente a uns do que a outros? Como diz São Paulo: 'Cada um recebe de Deus o seu próprio dom: um de um modo, outro de outro' (1Cor 7,7)... É preciso, portanto, que haja flores de diferentes tamanhos, diversas cores, variados perfumes e, enfim, distintos graus de perfeição. Todas possuem o seu valor, a sua graça e o seu encanto; e todas, reunidas na harmonia da sua diversidade, compõem uma beleza perfeita e extremamente agradável.

39. Aqueles que respiram o perfume da mandrágora apenas de passagem, e à distância, deleitam-se com uma fragrância muito agradável; mas os que o aspiram de perto e por muito tempo acabam desfalecendo e adoecendo. Assim também as honras proporcionam uma doce consolação àquele que delas apenas saboreia moderadamente, sem nelas prender excessivamente o coração; mas tornam-se extremamente nocivas para quem delas se alimenta e a elas se apega.

40. A honra, a posição social e a dignidade são como o açafrão: nunca prosperam tanto como quando são pisados. A beleza só alcança toda a sua graça e encanto quando é despretensiosa e não se preocupa consigo mesma; e a ciência, quando nos enche de vaidade, perde o seu brilho e degenera em pedantismo.

41. É bom cultivar muitos santos desejos; mas é preciso que eles sejam ordenados, e que procureis realizá-los, cada um a seu tempo e conforme as vossas possibilidades. As videiras e outras árvores são podadas para que não produzam folhas e ramos em excesso, a fim de que sua seiva seja suficiente para formar bons frutos e para que toda a sua força natural não se dissipe numa abundância exagerada de folhagem. Assim também convém moderar a multiplicação dos nossos desejos, para que a alma não se entretenha apenas com eles, negligenciando, entretanto, as obras concretas. Ora, a menor dessas obras costuma ser mais proveitosa do que grandes desejos de coisas que estão além do nosso alcance. Porque Deus espera de nós muito mais fidelidade na realização das pequenas coisas que colocou ao nosso alcance do que um ardor desmedido pelas grandes obras que não dependem de nós.

42. Caminhemos por estes humildes vales das pequenas virtudes. Neles encontraremos a rosa entre os espinhos - a caridade, que resplandece em meio às aflições interiores e exteriores; o lírio da pureza; a violeta da mortificação; e muitas outras flores que não poderia enumerar. Mas, acima de todas, amo especialmente estas três pequenas virtudes: a mansidão do coração, a pobreza de espírito e a simplicidade de vida; e também estes grandes exercícios da caridade: visitar os enfermos, socorrer os pobres e consolar os aflitos, mas sempre sem agitação nem precipitação, e com verdadeira liberdade de espírito. Nossos braços ainda não são suficientemente longos para alcançar os cedros do Líbano; contentemo-nos, por enquanto, com o hissopo dos vales.

(Excertos da obra 'Flore mystique de St François de Sales' (1874) - A Flora Mística de São Francisco de Sales - Cap. 4, coletânea de textos organizada pelo padre Joseph Tissot, reunindo pensamentos e ensinamentos dos livros e cartas de São Francisco de Sales relacionados a plantas e flores, organizados como um tratado de vida cristã).

quinta-feira, 30 de julho de 2026

'PENITÊNCIA, PENITÊNCIA, PENITÊNCIA!'

 'Convertei-vos, rezai, fazei penitência e voltai-vos para Deus!'


O corpo de Santa Bernadete permanece incorrupto, como se quisesse mostrar ao mundo incrédulo e apóstata dos nossos dias quem é a Senhora do Céu e como continua atual a sua mensagem dada em Lourdes em 1858, chamando os homens ao pleno cumprimento dos santos propósitos de:

  • arrepender-se dos pecados;
  • recorrer frequentemente aos sacramentos, sobretudo à Confissão e à Eucaristia;
  • rezar o Rosário;
  • fazer penitência e oferecer sacrifícios por amor a Deus e pela conversão dos pecadores;
  • confiar na misericórdia divina.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (137/140)

 

137A. A IMAGEM DO CORAÇÃO DE JESUS

Durante a primeira guerra mundial, uma senhora vira partir para os campos de batalha os seus três filhos, um após o outro. Quando partiu o último, que era oficial de marinha e destinado ao comando de um submarino, deu-lhe uma imagem do Sagrado Coração em celuloide, a fim de que fosse o seu escudo e proteção. Achava-se ele nas águas da Dalmácia e, devido a um movimento brusco para submergir, pois fora descoberto pelo inimigo, irrompeu no submarino um terrível incêndio.

É impossível descrever o pânico daquele trágico momento. Um dos marinheiros, asfixiado, caiu logo, gritando: Minha mãe! Foi dilacerante para o comandante e seus companheiros, que tentavam dominar o fogo com trapos, roupas e ferros. O comandante, lembrando-se da imagem do Coração de Jesus, teve uma ideia: tomou-a, beijou-a e passou-a a todos os marinheiros que faziam corrente... Eles a beijaram devotamente, e invocaram o misericordioso Coração...

Após grandes fadigas, conseguiram dominar o incêndio e puderam subir à superfície porque o periscópio não assinalava mais nenhum navio inimigo. Abraçaram-se, chorando de comoção. E o comandante, quando voltou para casa, após a guerra, quis que aquela imagem crestada pelo fogo fosse exposta na sala, onde em presença da noiva, da mãe e de outras pessoas se fez a consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus.

137B. O SAGRADO CORAÇÃO E O MAÇON

Um incrédulo acabara de perder a sua esposa. De seus três filhos, somente a filha primogênita era batizada. Estando esta gravemente enferma, pediu que lhe chamassem um sacerdote. Para agradar-lhe, o pai, que era maçon, mandou vir o ministro de Deus. O sacerdote prometeu à doentinha que viria com frequência visitar-lhe o pai e pedir que este permitisse entronizar naquele lar o Sagrado Coração de Jesus.

O maçon recebeu as visitas do padre, mas recusou-se a tratar de qualquer assunto religioso. Veio a guerra. O padre foi mobilizado. Antes de partir recomendou a um colega que visitasse em seu lugar aquele senhor. Do campo de batalha escreveu ao seu substituto que, numa das visitas, deixasse na casa do incrédulo uma estampa do Sagrado Coração e um folheto sobre a entronização. O conselho foi seguido.

Alguns dias mais tarde o padre voltou aquela casa e qual não foi a sua surpresa, quando o Senhor N. lhe disse:
➖ O senhor não quer me ceder uma brochura que esqueceu aqui a última vez? Eu a li. Por que não me falou há mais tempo do seu conteúdo? Quero fazer a entronização aqui em casa.
➖ Mas é difícil, pois o senhor sabe que há impedimento... e seus filhos não são batizados!
➖ O impedimento não existe mais, pois pedi demissão da maçonaria e devolvi as insígnias maçônicas. Amanhã meus filhos receberão o batismo e, à tarde, o Sagrado Corado será entronizado no meu lar.

138. NO MÉXICO MÁRTIR

Era a primeira sexta-feira de abril de 1927. Os prisioneiros foram deixados toda a manhã sem alimento algum, e depois interrogados. Do advogado González Flores exigiam que revelasse onde estava oculto o Arcebispo, mas não conseguiram arrancar-lhe uma palavra.

Às 14 horas, foi suspenso ao alto pelos dedos polegares. Estando nessa tormentosa posição, foi flagelado, e rasgados os membros com facas que lhe enterravam na barriga das pernas... mas não revelou nada, antes encorajava seus companheiros a sofrerem por Jesus Cristo. O capitão deu-lhe um golpe com a coronha do fuzil, quebrando-lhe o queixo e fazendo saltar os dentes. O mártir suportou com paciência esse novo tormento. Foram chamados outros soldados, que, com inúmeras punhaladas o mataram.

Antes de expirar, fazendo um último esforço, o mártir exclamou: 'Ouçam ainda uma vez as Américas: Eu morro, mas Deus não morre! Viva Cristo-Rei!' No primeiro aniversário do martírio de seu pai, o filho primogênito de González Flores, de 5 anos apenas, obteve licença de fazer a primeira comunhão. Quando lhe perguntavam: 'Onde está o papai?' Respondia: 'Está no céu... e os homens o mataram porque ele queria muito bem a Jesus'...

139. O PRANTO DE JESUS

Jesus chorou três vezes, durante a sua vida. A primeira vez chorou junto à sepultura de Lázaro (Jo 11,35) e aquelas lágrimas eram silenciosas e denotavam amizade. A segunda vez chorou sobre Jerusalém, a cidade deicida: e eram lágrimas de verdadeiro e sentido patriotismo, lágrimas provocadas pela grande dor que Jesus experimentava ao pensar no extermínio daquela cidade santa (Lc 19,41). A terceira vez chorou Jesus, no Calvário, ao considerar a triste sorte da humanidade pecadora (Hb 5,7). E tu, minha alma, não choras nem os teus nem os pecados alheios?!

140. PULCHRI SUNT GRESSUS TUI!

Maria Vela estava um dia em doce contemplação aos pés de seu Divino Esposo, quando ouviu o sinal da campainha, que a chamava. Não hesitou nem um instante; interrompeu sua oração, foi aonde a chamavam e, terminado o trabalho, voltou para os pés de seu santo Esposo, o qual, satisfeito de vê-la tão pronta em executar a vontade de Deus e observar exatamente a Regra, pôs-se a louvar-lhe aqueles passos, repetindo: Pulchri sunt gressus tui (Ct 7,1): Que belos são os teus passos!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

terça-feira, 28 de julho de 2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

OS MILAGRES EUCARÍSTICOS DE FLORENÇA

A Igreja de Santo Ambrósio, em Florença, foi contemplada com dois milagres eucarísticos: um ocorrido em 1230 e outro em 1595. O primeiro milagre eucarístico é conhecido tradicionalmente como o Milagre da Encarnação (Miracolo dell'Incarnazione) e ocorreu em 30 de dezembro de 1230, no mosteiro beneditino anexo à Igreja de Santo Ambrósio.

Neste dia, um sacerdote de idade avançada chamado Uguccione, então capelão das monjas beneditinas, celebrou a Santa Missa na festa de São Florêncio. Ao terminar a celebração, durante a purificação do cálice, deixou inadvertidamente algumas gotas do Preciosíssimo Sangue, sob as espécies consagradas do vinho, no interior do vaso sagrado. Na manhã seguinte, ao preparar-se para celebrar novamente a Missa, encontrou no cálice não mais vestígios de vinho, mas sangue coagulado, descrito como 'sangue vivo, coagulado e encarnado'. 


O acontecimento foi objeto de investigação detalhada, conduzida pelo bispo de Florença, Ardingo Foraboschi, que posteriormente reconheceu a extraordinária natureza do evento. O sangue foi cuidadosamente recolhido do cálice e colocado em uma ampola de cristal, destinada à veneração pública. Segundo a tradição, o próprio bispo devolveu a relíquia ao mosteiro numa rica custódia de marfim ornamentada com ouro. A ampola contendo o sangue é conservada até hoje na Capela do Milagre do Santíssimo Sacramento, à esquerda do altar-mor da Igreja de Santo Ambrósio, guardada dentro de um tabernáculo de mármore esculpido por Mino da Fiesole, executado entre 1481 e 1484. Nesta mesma capela, um grande afresco de Cosimo Rosselli reproduz os acontecimentos relacionados ao milagre, representado na praça localizada na frente da Igreja de Santo Ambrósio.

tabernáculo de mármore esculpido por Mino da Fiesole

afresco de Cosimo Rosselli sobre o Milagre da Encarnação

O segundo Milagre Eucarístico ocorreu na Sexta-feira Santa do ano de 1595. Uma vela que permaneceu acesa sobre o altar da capela lateral, denominada Capela do Santo Sepulcro, deu início a um incêndio de grandes proporções no interior da Igreja de Santo Ambrósio. Os fiéis conseguiram retirar o Santíssimo Sacramento e o cálice mas, infelizmente seis Hóstias consagradas caíram do cibório sobre um tapete em chamas. Mas, apesar de caírem diretamente sobre o fogo, as seis Hóstias foram posteriormente encontradas intactas e reunidas na forma de um anel. Em 1628, o arcebispo Marzio Medici examinou as Hóstias e constatou que todas permaneciam incorruptas, ordenando a sua conservação em um precioso relicário.


Assim, os dois acontecimentos são considerados complementares: o primeiro manifesta a permanência extraordinária da Hóstia consagrada, enquanto o segundo ressalta a proteção providencial do Santíssimo Sacramento em meio à destruição causada pelo fogo. Todos os anos, durante a devoção das Quarenta Horas, as relíquias dos dois milagres (1230 e 1595) são expostas juntas para adoração pública.

domingo, 26 de julho de 2026

26 DE JULHO - SÃO JOAQUIM E SANTA ANA

  

Sagrada Família com São Joaquim e Santa Ana (Nicolás Juarez, 1699)

De acordo com a Tradição Católica e documentos apócrifos antigos, os pais de Maria foram São Joaquim e Santa Ana. Ana, em hebraico Hannah, significa 'Graça' e Joaquim equivale a 'Javé prepara ou fortalece'. Ambos os nomes indicam, portanto, a  missão divina de realização das promessas messiânicas, com o nascimento da Mãe do Salvador. Segundo a mesma Tradição, os pais de Maria teriam nascido na Galileia, transferindo-se depois para Jerusalém, onde Maria nasceu e onde ambos morreram e foram enterrados.

O culto aos pais de Maria Santíssima é antiquíssimo na Igreja Oriental (como revelados nos escritos de São Gregório de Nissa e Santo Epifânio, em hinos gregos e em homilias dos Santos Padres). Os túmulos de São Joaquim e Santa Ana em Jerusalém foram honrados até o final do Século IX, numa igreja construída no local onde viveram. No Ocidente, o culto de Santa Ana é muito mais recente, com sua festa litúrgica tendo início na Idade Média, sendo formalizada no Missal Romano apenas em 1584, no tempo de Gregório XIII. A devoção a São Joaquim foi ainda mais tardia no Ocidente.

Como pais de Nossa Senhora, São Joaquim e Santa Ana são nossos avós espirituais e o calendário litúrgico instituiu a festa conjunta destes dois santos em 26 de julho, que ficou também conhecida como 'dia dos avós'. Eles são também os santos protetores da Ordem dos Carmelos Descalços (fundada no Século XVI por Santa Teresa de Ávila). No dia dos avós, o blog presenteia os nossos irmãos mais velhos com estas duas orações.

Oração a Santa Ana

Santa Ana, mãe da Santíssima Virgem, pela intercessão da Vossa Filha e do Meu Salvador, dai-me obter a graça que Vos peço, o perdão dos meus pecados, a força para cumprir fielmente os meus deveres de cristão e a perseverança eterna no amor de Jesus e de Maria. Amém.

Oração a São Joaquim

Senhor! Pela intercessão de São Joaquim, pai da Santíssima Virgem, velai pelos Vossos filhos idosos, especialmente... (nomes) que, tendo cumprido na Terra uma vida longa, possa(m) merecer de Vós a Vida Eterna no Céu. Senhor, dai-lhes o conforto de uma idade avançada, saúde do corpo e da alma, a sabedoria de envelhecer e um coração inquieto enquanto não repousar em Vós. Amém.  

EVANGELHO DO DOMINGO

                 

'Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!' (Sl 118)

Primeira Leitura (1Rs 3,5.7-12) - Segunda Leitura (Rm 8,28-30) - Evangelho (Mt 13,44-52)

  26/07/2026 - DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

O REINO DE DEUS (II)


No Evangelho deste Domingo, contemplamos ainda os ensinamentos de Jesus sobre o verdadeiro sentido do Reino de Deus, por meio de parábolas manifestadas à multidão reunida à sua volta, às margens do mar da Galileia. Nesta temática comum a todo o Capítulo 13 do Evangelho de São Mateus, Jesus já lhes havia dado a conhecer a natureza do Reino por meio das parábolas do campo semeado de trigo e de joio, da semente de mostarda e da porção de fermento. Na continuação de sua pregação, Jesus lhes fala do Reino dos Céus por meio de outras três parábolas.

'O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo' (Mt, 13,44). Eis a verdadeira riqueza deste mundo: buscar, no anonimato e no escondimento aos rumores e apelos mundanos, a vida da graça em plenitude, nas obras de uma vida simples, na alegria do autêntico exercício da fé cristã, nos pequenos atos de amor, no cotidiano de uma vida entregue e consagrada à Deus.

'O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola' (Mt 13,45 - 46). Eis o mesmo tesouro, que tem valor de eternidade, expresso agora como a pérola mais preciosa. Pérola única, especialíssima, pois a Verdade de Deus é única, definitiva, indivisível. Implica, pois, ao homem, buscá-la, empreendendo todos os esforços e persistência em encontrá-la. E, quando a encontra, passa a possuir a própria Verdade de Deus, a maior riqueza deste mundo.

'O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam' (Mt 13,47 - 48). A busca da pérola preciosa é possível a todos os homens, e lhes é dado igualmente o 'mapa do tesouro': o caminho de santificação pautado numa vida consagrada à Deus. Mas, como o trigo e o joio, peixes bons e imprestáveis serão ponderados pelos 'pescadores' no dia do Juízo, na definitiva separação dos justos e dos pecadores obstinados. Uns, para o Reino de Deus, que já subsiste nos corações do justos; os outros para a condenação eterna, na fornalha de fogo eterno, onde só 'haverá choro e ranger de dentes' (Mt 13,50).