141. ISTO É AMOR AO PRÓPRIO INSTITUTO!
Santo Inácio, quando se inteirava de que entre os seus religiosos havia algum espírito inquieto, que se permitia fazer críticas contra os Estatutos da Companhia, mandava-o embora inexoravelmente. Nenhuma razão o persuadia a transigir nesse ponto.
No Colégio Romano ensinava então um célebre professor, homem de grande talento e possuidor de várias outras qualidades apreciáveis. Depois de certo tempo, veio à tona o espírito inquieto que o dominava e começou a pronunciar-se contra alguns regulamentos da Companhia, a externar e insinuar nos outros as suas idéias. Inácio repreendeu-o seriamente e, como os avisos não surtiram efeito, licenciou-o sem mais, embora fosse constrangido a por em seu lugar, como suplente, um jovem noviço flamengo, entrado na Ordem fazia pouco tempo.
142. A OBSERVÂNCIA ANTES DE MAIS NADA
P. Joli, Superior Geral da Congregação da Missão, quando se tratava da observância das Regras, era atentíssimo quanto a si e inflexível quanto aos outros, não se rendendo jamais nem a razões, nem a súplicas no permitir alguma quebra da Regra, por mínima que fosse. Quando um Superior lhe escreveu, pedindo certa licença, deu-lhe esta resposta: 'A nossa Regra é contrária a isso; e é preciso que estejamos fortemente apegados à Regra'. Eis a melhor de todas as razões.
Falando certo dia à sua comunidade, disse: 'Devemos ter em conta que nossa obrigação principal são as Regras e santos costumes da Congregação, deixando por isso, quando se trata de observá-la, todas as nossas devoções particulares: por exemplo, fazer mais conta de não falar sem licença com pessoas conhecidas, que encontramos eventualmente, do que fazer vinte disciplinas de nossa própria vontade'.
143. ARROJADO DO ALTO DA ESCADA
Na vida de São José Calasanz lemos uma passagem interessante e instrutiva. Ele foi chamado a salvar a juventude abandonada; o demônio, porém - afirma um autor - propõs a ele buscar a mais alta união com Deus mediante as delícias da vida contemplativa; apresentou-lhe, a seguir, as Índias e a Ásia, repletas de idólatras, a Europa infestada de hereges, o imenso número de pecadores para converter; mostrou-lhe ainda, por fim, quanto era árduo ocupar-se dos meninos incapazes de compreender as verdades da fé!
Os seus companheiros, vítimas da mesma tentação, deram crédito ao demônio, retiraram-se e abandonaram o santo. O nosso santo, porém, não se deixou enganar; com isso o demônio ficou tão irritado que, um dia, o arrojou furiosamente do alto de uma escada, tomando a forma e o aspecto de sombras tenebrosas para amedrontá-lo.
144 - 145. DO PAGANISMO AO CLAUSTRO
1. Hiéria era pagã. Jovem e viúva de um senador romano, estava destinada a novas núpcias. Aconteceu, porém, que, durante a perseguição de Diocleciano contra os cristãos, veio a saber que em certo mosteiro vivia uma virgem chamada Febrônia, de vinte e cinco anos, belíssima, douta, eloquente, cujo rosto ninguém jamais via a não ser as suas coirmãs. Ora, Hiéria desejava vê-la; sentia uma como necessidade absoluta de satisfazer tão grande curiosidade.
Fingindo-se de monja, foi admitida à presença de Febrônia e pode vê-la e ouvir-lhe, chorando de comoção, suas santas palavras. Febrônia foi depois martirizada; e Hiéria, depositando sobre o féretro da virgem mártir todas as suas riquezas, ajoelhou-se aos pés da abadessa e, após fervorosas súplicas, obteve a graça de substituir a virgem.
2. Aglaé, nobre e rica romana, concubina de Bonifácio, que era o primeiro dos 73 intendentes de suas propriedades, ouvira dizer que quem honrava os santos mártires gozaria de especial proteção deles no tribunal de Deus.
Aglaé chamou, pois, a Bonifácio e deu-lhe a incumbência de ir ao Oriente à procura de relíquias.
➖ Senhora - disse Bonifácio - se um dia as minhas relíquias vos fossem enviadas sob a forma de mártir, vós as receberíeis?
Aglaé censurou-lhe esse modo de falar; mas Bonifácio morreu realmente mártir da fé, em Tarso. A nobre dama venerou aquelas relíquias, converteu-se, fez-se monja e de tal modo se purificou pela penitência que, mereceu ser sepultada na capela de São Bonifácio, que ela mesma mandara construir cerca de 50 estádios de Roma.
(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)






