sábado, 31 de outubro de 2020

AS 77 GRAÇAS DA SANTA MISSA


1. Deus, o Pai celestial, envia o seu Filho à Terra para a nossa salvação;

2. Para obedecer ao Pai e por nosso amor, Jesus Cristo humilha-se a ponto de ocultar-se sob as espécies de pão e de vinho;

3. O Espirito Santo muda o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo;

4. Nosso Senhor humilha-se tanto por nosso amor que se faz realmente presente na menor partícula de cada Hóstia consagrada;

5. Nosso Senhor renova o mistério da sua Santa Encarnação;

6 . Nosso Senhor nasce de novo por nós;

7. Ele dá outra vez todos os testemunhos de amor que concedeu aos homens durante sua vida terrestre;

8. Ele renova a sua dolorosa Paixão e nos deixa participar dos seus frutos;

9. Ele morre espiritualmente e dá a sua vida preciosa por nós;

10. Ele derrama o seu Sangue e apresenta-o ao Pai celeste pela nossa salvação;

11. Ele rega a nossa alma com o seu Sangue divino e a purifica de suas manchas;

12. Ele se oferece em holocausto por nós, e dá a Deus toda a honra que lhe é devida;

13. Se, da nossa parte, unimo-nos no oferecimento de seu oferecimento ao eterno Pai, desagrava­mos a Deus na honra, que deixamos de prestar-lhe no passado;

14. Nosso Senhor se imola por nós em sacrifício de louvor;

15. Oferecendo a Deus Pai estes louvores de Jesus Cristo, damos-lhe maior glória do que lhe podem dar os Anjos do Céu;

16.  Nosso Senhor se oferece em sacrifício de agradecimento e compensa assim a nossa ingratidão;

17. A oferta deste sacrifício de agradeci­mento retribui a Deus todos os seus benefícios;

18. Nosso Senhor reconcilia-nos com Deus;

19. Nossos pecados veniais são perdoados, contanto que tomemos a resolução de não cometê-los mais;

20. Compensa-se a Deus pelo bem que omitimos;

21. Nossas negligências no cum­primento do bem são reparadas;

22. São perdoados os nossos pecados cometidos por inadvertência, como também aqueles que não conhecemos ou esquecemos de acusar na con­fissão;

23. Cristo é nosso sacrifício de satisfação e que paga parte de nossa dívida para com a Justiça divina;
24. Em uma Santa Missa, podemos expiar maior número de pecados do que por gran­des penitências;

25. Nosso Senhor nos comunica uma parte dos seus méritos e nós, por nossa vez, podemos oferecê-los ao Pai Celeste por nossos pecados;

26. Nosso Senhor ora por nós como o fez na Cruz por seus inimigos;

27. Seu precioso Sangue clama miseri­córdia, tantas vezes quantas gotas derramou;

28. Suas sagradas chagas imploram por nós o perdão dos nossos pecados;

29. Por causa de Nosso Senhor, as nossas orações, durante a santa Missa, são mais facilmente atendidas;

30.  A oração na hora da Missa é mais eficaz;

31. Nossa oração é oferecida ao pai, por intercessão de Nosso Senhor;

32. Nosso senhor advoga nossa causa e ocupa-se da nossa salvação;

33. Os anjos presentes rezam por nós e oferecem nossa oração a Deus;

34. Pela virtude da Santa Missa, o demônio mantém-se afastado de nós;

35. O sacerdote reza muito particularmente pelos presentes, tornando-lhes assim mais salutar o Santo Sacrifício;

36. Assistindo a Santa Missa, tornamo-nos como que sacerdotes em espírito, e Jesus Cristo nos concede o poder de oferecer a Missa, juntando nossa oração à do sacerdote, por nós e pelos outros;

37. A Santa Missa é o presente mais agradável que podemos oferecer à Santíssima Trindade;

38. Este presente é mais precioso que o Céu e a Terra;

39. Este presente vale o próprio Deus;

40. A Santa Missa é a maior glória a Deus;

41. A Santa Missa é a alegria da Santíssima Trindade;

42. A participação na Santa Missa é um dom que nos foi concedido por Jesus Cristo;

43. Assistir a Santa Missa constitui o maior culto de adoração;

44. Pela Santa Missa, rendemos as maiores homenagens à Humanidade de Jesus Cristo;

45. Pela Santa Missa, honramos dignamente a Paixão do Salvador e dela recolhemos os frutos;

46. Pela Santa Missa, honramos e regozijamos a Mãe de Deus;

47. Pela Santa Missa, honramos e regozijamos os anjos e os santos, mais que por muitas outras orações;

48. A Missa é o melhor meio de enriquecer a nossa alma;

49. A Santa Missa é a boa obra por excelência;

50. A Santa Missa é o ato supremo da fé que nos assegura grande recompensa;

51. Prostrando-nos piedosa e humildemente diante das Sagradas Espécies Eucarísticas, efetuamos um ato sublime de adoração;

52. Cada vez que olharmos, cheios de fé, para a Santa Hóstia, ganhamos uma recompensa especial no Céu;

53. Cada vez que batemos ao peito pela contrição dos nossos pecados, obtemos a remissão de muitas culpas;

54. Se tivermos a infelicidade de estar em pecado mortal e ouvirmos devotamente a santa Missa, Deus nos oferecerá a graça da conversão;

55. A Santa Missa nos aumenta a graça santificante e nos atrai muitas graças atuais;

56. Assistindo à Santa Missa, somos espiritualmente nutridos do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo;

57. Assistindo à Santa Missa, gozamos da alegria insigne de poder contemplar a Jesus Cristo sob as Santas Espécies;

58. Assistindo à Santa Missa, recebemos a benção do sacerdote que Deus ratifica no Céu;

59. A assistência à Santa Missa atrai também bênçãos temporais;

60. A assistência à Santa Missa preserva-nos de muitas desgraças;

61. A assistência à Santa Missa nos fortifica contra as tentações;

62. A assistência à Santa Missa traz a graça de uma boa morte;

63. Uma Missa ouvida em honra dos Anjos e dos Santos alcança-nos sua proteção e o seu socorro poderosíssimo;

64. Na hora da morte, as Missas que tivermos ouvido se tornarão uma fonte de consolação e de confiança na divina Misericórdia;

65.  As Missas que tivermos ouvido nos acompanharão diante do justo Juiz e pedirão graça para nós;

66. Um grande número de Missas bem ouvidas nos refrigerarão o ardor das chamas do purgatório;

67. Cada Missa assistida diminui a pena temporal mais do que uma rigorosa penitência;

68. Uma única Missa bem ouvida no decurso de nossa vida será mais proveitosa a nossa alma que um grande número delas oferecidas depois da nossa morte;

69. A devoção à Santa Missa nos valerá uma grande glória no Céu;

70. Cada missa que ouvimos eleva nosso futuro lugar no Céu e aumenta a nossa felicidade eterna;

71. Não podemos rezar mais eficazmente por nossos amigos que assistindo à Santa Missa;

72. A Santa Missa constitui o meio certo de retribuir a Deus os favores recebidos;

73. Os infelizes, os doentes, os moribundos e as almas do purgatório são nela poderosamente socorridos;

74. Pela Santa Missa, obtemos a conversão dos pecadores;

75.  Pela Santa Missa, todos os fiéis tiram do Santo Sacrifício abundantes bênçãos;

76.  Pela Santa Missa, as almas do purgatório são consoladas;

77. Os pobres, que não tem meios de mandar celebrar missas por seus caros defuntos podem, assistindo piedosamente a Santa Missa, livrar essas almas do fogo do purgatório.

(Venerável Frei Martinho de Cochem)

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

IMAGEM DA SEMANA

'Que a minha oração suba até vós como a fumaça do incenso, que minhas mãos estendidas para vós sejam como a oferenda da tarde' 
(Sl 140, 2)

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: ENCONTRAR JESUS NOS SEUS AMIGOS

Existem santos na terra, mesmo em nossos dias, e vós, ó Jesus, vivei neles! Eles têm olhos como os vossos olhos; a aparência deles é a vossa; o coração deles é como o vosso coração. É bom conhecer alguém que seja como vós no nosso caminho. Ficamos felizes só por vê-lo e, mais ainda, quando estamos junto dele e, muito mais, em sua intimidade! Ele fala pouco e ouve com paciência. Mas, sobretudo, ama.

Compreendemos, sentimos que é assim. Em sua companhia, percebemos a necessidade do silêncio, do recolhimento, da oração. Não está recolhido para si, mas para Vós. Fica ali, e quase não percebemos, pois ele se esquece de si mesmo. Não só nos faz pensar em Vós, mas a nos aproximarmos de Vós e em Vós sermos um.  Essa é a sua graça; parece que uma virtude misteriosa irradia do seu coração para apoderar-se do nosso e, assim, arrastar-nos até o Vosso Divino Coração. Começamos a entender realmente o que seja Vos amar e como é doce Vos amar pela comunhão com os santos. 

O que nos encanta também olhar para os que Vos amam é a pureza e a simplicidade desse amor: claro, límpido, brilhante. Um amor que não provém da carne, que é ignorada. Ignorada não apenas porque não é olhada, mas porque nem é vista. Ao percebermos isso, se realmente tendemos à perfeição, nos regozijamos porque esse olhar nos faz muito bem. Pois parece nos comunicar algo de sua pureza. Sentimo-nos elevados, enobrecidos, livres e espiritualizados. De repente, horizontes desconhecidos se descortinam diante de nós. O amor de Deus pode transformar tudo! Quem poderá nos dar esse amor? Quem nos poderá legar essa liberdade verdadeira? Com que fervor a esperamos pela concessão da Vossa bondade, ó meu Deus!

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

BREVIÁRIO DIGITAL - ILUSTRAÇÕES DE DORÉ (XVIII)

 PARTE XVIII (Lc 15 - Lc 24)

[O Filho Pródigo decide retornar à casa do seu pai (Lc 15, 18)]

[O Filho Pródigo nos braços do seu pai (Lc 15, 20)]

[O pobre Lázaro à porta da casa do homem rico (Lc 16, 20)]

[Um fariseu e um publicano em oração no templo (Lc 18,10)]

[Jesus expulsa os mercadores do templo (Lc 19, 45)]

[Um anjo se apresenta diante de Jesus no Horto das Oliveiras (Lc 22,43)]

[Jesus é levado ao Calvário para a sua crucificação (Lc 23, 33)]

[Jesus é crucificado e suas vestes são sorteadas (Lc 23, 33-34]

[O Calvário envolvido em trevas (Lc 23,44)]

[Jesus e os dois discípulos a caminho de Emaús (Lc  24, 15)]

[A Ascensão de Jesus ao Céu (Lc 24, 51)]

terça-feira, 27 de outubro de 2020

HISTÓRIAS QUE OUVI CONTAR (XX)

SOBRE UM IMENSO E BELO CAMPO DE TRIGO...


Sobre um imenso e belo campo de trigo, banhado por raios de sol, crescia uma espiga de grãos unidos e dourados, tomada de sonhos e ilusões tamanhas, que era movida, sob as chuvas, as aragens e os ventos passageiros, pelo desejo de crescer, crescer muito, até alcançar o céu com os seus longos ramos.

O Senhor, que conhecia os seus sonhos, a olhava com bondade e alegria com o seu propósito firme, desde os primeiros brotos, de subir até o céu da imensidade. E, a cada dia ensolarado e a cada chuva passageira, a espiga crescia e os seus grãos se tornavam maiores, maiores se tornavam os seus ramos, naquele imenso campo de trigo...

Mas eis que num belo dia, talvez nem chuvoso e nem tão ensolarado, um camponês munido de afiada foice começa a desbastar o campo de trigo e a colher todas as espigas maduras. E já estava tão perto...
- Não, eu não! Por favor não! - gritava em seu silêncio a espiga que queria tanto chegar ao céu.
- Não! Não! Não! Senhor, Senhor, velai por mim de tal sorte! - implorava ao Senhor no seu silêncio a espiga que sonhava ser do céu.

Com um golpe seco da foice, o camponês selou o destino da espiga sonhadora e, arrancando-a do feixe morto, a jogou no cesto às suas costas. Prensada e forçada entre outras espigas, a espiga sonhadora lamentava, no silêncio de sua condição, a triste sorte que lhe roubara os doces sonhos perdidos em dias ensolarados de verão.
- Senhor! Senhor! Por que permitistes isso? Por que não me socorrestes? Por que me desprezastes a tão grande pesar e abandono?

O Senhor permaneceu em silêncio e a espiga teve que amargar sozinha o seu abandono. 
- Querias crescer bem alto e uma foice desfez tanta miragem; querias subir ao céu e ganhastes o fundo do cesto de um pobre camponês - as outras espigas riam dela e da sua sorte igual e comum a todas as espigas do campo de trigo, tanto as que ousaram sonhar como as que não quiseram sonhar. 

Mais tarde, o camponês lançou as espigas dentro da moenda e os grãos foram separados, partidos e esmagados até se tornarem pó. 
- Senhor! Os grãos dourados que foram meus um dia e que ansiavam pelo céu tornaram-se hoje o pó de uma moenda! - gemia em silêncio a espiga sonhadora transformada em pó.
Recolhido o pó e acondicionado em um saco, a espiga triturada tornou-se refém de um cárcere escuro e pouco ventilado: 
- Onde está luz do sol de outrora? Onde está o céu dos meus desejos? - mas os seus anseios não tinham resposta pois o Senhor se mantinha no mais absoluto silêncio.

Passadas apenas algumas horas, o saco foi aberto e o pó foi colocado em uma vasilha. A espiga sonhadora tinha sido transformada em uma farinha muito branca, que refletia a luz do sol que entrava pelas janelas... Sentiu a água gelada da mistura, a moldagem da pasta, a compressão que a transformou em massa, a secagem em estufa e o recorte que dela fez partículas arredondadas. Moldada, prensada, submetida ao fogo e à água gelada, cortada... 'quanto sofrimento, Senhor, para nada, nada, nada...' 

Ainda estava a se lamentar, quando viu diante dela o céu e o Senhor do Céu. Viu quando Ele a tomou para Si em cada uma de suas partículas e, em cada uma, Se fez Deus. A farinha branca tomou a forma do Pão e se fez a morada do Senhor, que lhe disse então ternamente:

- Agora estás comigo para sempre e bendita foi a semente que te gerou! 
- Senhor! Eu vos chamei em tantos momentos e o Senhor permaneceu em silêncio...
- Guardei no silêncio da hóstia toda a glória do seu sofrimento. Aprenda de todo coração: chega-se ao Céu não subindo pelos ramos em data incerta, mas pelos sofrimentos cotidianos dos dias que apenas se bastam...    

(autor desconhecido, adaptação livre do autor do blog)

domingo, 25 de outubro de 2020

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Eu vos amo, ó Senhor!/ Sois minha força,/ minha rocha, meu refúgio e Salvador!/ Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,/ minha força e poderosa salvação' (Sl 17)

 18/10/2020 - Trigésimo Domingo do Tempo Comum 

48. OS DOIS GRANDES MANDAMENTOS


Eis chegada agora a vez dos fariseus tramarem contra Jesus, após os tentadores de primeira hora, os saduceus, aos quais 'Jesus tinha feito calar' (Mt 22, 34). Cientes das manifestações anteriores das sábias palavras do Senhor e testemunhas de suas respostas demolidoras diante da perfídia e tentativas de manipulação dos saduceus, era preciso adotar desta vez estratégias mais elaboradas e mais ardilosas para induzir Jesus à contradição ou à suspeição da sua observância a algum preceito fundamental da lei judaica.

E, cingidos de todos os cuidados pela astúcia e pela malícia, reuniram-se em grupo, definiram-se pela pergunta mais ardilosa e escolheram 'um deles' (Mt 22, 35) para fazê-la, provavelmente aquele que fosse capaz de apresentar a questão aparentemente de forma mais sincera e espontânea possível: 'Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?' (Mt 22, 36). E, diante a insincera indagação do homem fragilizado pelo pecado, a sabedoria divina vai pronunciar que, é no amor a Deus, traduzido em dois grandes mandamentos, que está contida toda a Lei e toda glória humana.

'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!' (Mt 22, 37). O amor de Deus não contempla divisões, parcelas, frações... impõe-se como a perfeição do todo, na manifestação plena de todos os sentidos e de todos os afetos humanos; não permite partilhas ou ressalvas, é o todo em tudo que fazemos, é tudo em todas as coisas que possuímos. De todo coração, de toda a alma, de todo o entendimento constitui a percepção da plenitude sem concessões de natureza alguma, a síntese de que o amor de Deus só pode ser emanado a partir de todas as forças da vontade humana, de toda a potência da alma entregue e disposta a cumprir, como meta única e definitiva, a Santa Vontade de Deus.

O pleno cumprimento da Vontade de Deus exige o amor incondicional ao próximo: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’ (Mt 22, 38). Amor ao próximo no amor de Deus: a face do irmão refletida no espelho de nossa alma, pois o amor sem medidas tem como princípio a caridade. Nas palavras de Jesus ao Doutor da Lei, afloram os dois grandes mandamentos que constituem a síntese da perfeição do amor que, nascido do coração humano, eleva-se sem máculas e em plenitude até o Coração de Deus. 

sábado, 24 de outubro de 2020

VERSUS: DEUS X ALMA

A alma se coloca tão acima do corpo que, entre todas as criaturas da terra, somente ela tem vestígios visíveis das perfeições de Deus: ela é mais elevada que o Céu, mais profunda que o abismo, mais vasta que o universo e tão duradoura quanto a própria eternidade.

  1. Deus é espírito, e a alma é espírito;
  2. Deus é simples e indivisível, e a alma é simples e indivisível;
  3. Deus é imóvel, tudo põe em movimento e vivifica, e a alma age igualmente em relação ao corpo ao qual anima;
  4. Deus é inteligente, e a alma é inteligente;
  5. Deus quer, e a alma quer;
  6. Deus ama-se, e a alma, amando a Deus, ama-se verdadeiramente a si mesma;
  7. Deus fez todas as coisas, e a alma opera e os limites de sua ação não se podem assinalar;
  8. Deus é livre e domina todas as coisas criadas, e a alma tem o livre arbítrio, e segundo sua vontade, move os membros do corpo;
  9. Deus tudo tem presente em sua memória, e a alma possui também esta faculdade;
  10. Deus é onipotente, e o homem, se o quer, dispõe do poder divino, faz coisas admiráveis e compreende outra multidão de coisas na extensão de seu espírito;
  11. Deus é o fim de todas as coisas, e o homem é o fim de todas as criaturas;
  12. Deus está todo no mundo e todo em cada parte do mundo; e a alma também rege o corpo, e está inteira no corpo, e inteira em cada um de suas partes.
(Cornélio à Lápide)

250 DOGMAS DE FÉ DA IGREJA CATÓLICA (VIII/Final)

PARTE XIV - O MATRIMÔNIO

228. O casamento é um sacramento verdadeiro e distinto instituído por Deus.

229. Do contrato sacramental do casamento emerge a Aliança do Casamento, que liga ambos os parceiros do casamento para uma comunidade de vida indivisível até o fim da vida.

230. O sacramento do matrimônio confere graça santificante sobre as partes contratantes.


PARTE XV - A UNÇÃO DOS ENFERMOS

231. A unção dos enfermos é um sacramento verdadeiro e distinto instituído por Jesus Cristo.

232. A matéria remota da Unção dos Enfermos é o óleo.

233. A forma consiste na oração do sacerdote para a pessoa doente para quem se realiza a unção.

234. A Unção dos Enfermos dá a pessoa doente graça santificante a fim de animar e fortalecê-la.

235. A Unção dos Enfermos efetiva a remissão de pecados graves ainda remanescentes e os pecados veniais. 

236. A Unção dos Enfermos efetiva algumas vezes a restauração da saúde corpórea, se isso resulta numa vantagem espiritual.

237. Apenas os bispos e os sacerdotes podem administrar validamente a Unção dos Enfermos.

238. A Unção dos Enfermos pode ser recebida apenas pelos fiéis que estão seriamente doentes.


PARTE XVI - OS NOVÍSSIMOS

239. Na presente ordem da salvação, a morte é um castigo para o pecado.

240. Todo o ser humano sujeito ao pecado original é sujeito à lei da morte.
(A única exceção foi Maria, que nasceu sem a culpa original. Mesmo assim, para não ser diferente de seu Filho, também ela desejou passar pela morte, embora tenha sido levada aos céu de corpo e alma)

241. As almas dos justos que, no momento da morte, estão livres de toda a culpa do pecado e castigo do pecado entram no Céu.

242. A felicidade do Céu dura por toda a eternidade.

243. O grau da perfeição da Visão Beatífica concedida para o justo é proporcional ao mérito de cada um. 

244. As almas daqueles que morrem na condição de grave pecado pessoal entram para o Inferno. (Deve-se sempre ter em mente, que como disse São Bernardo, entre o momento da morte e a eternidade, existe ainda um abismo de misericórdia).
 
245. O castigo do inferno dura por toda a eternidade.

246. As almas dos justos que, no momento da morte, estão carregadas de pecados veniais ou castigos temporais devido aos pecados, entram no purgatório. 

247. No fim do mundo, Cristo voltará novamente na glória para pronunciar o julgamento.

248. Todos os mortos se levantarão novamente no último dia com os seus corpos.

249. Todo morto se levantará novamente com o mesmo corpo que ele teve sobre a terra.

250. O Cristo, na sua segunda vinda, julgará todos os homens

(Compilação da obra 'Fundamentos do Dogma Católico', de Ludwig Ott)

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ORAÇÃO: VEXILLA REGIS

Vexilla Regis constitui um dos mais belos hinos da liturgia da Igreja. O hino é de autoria de São Venantius Fortunatus (530-609), bispo de Poitiers,  que o escreveu em homenagem à recepção solene de um fragmento da Santa Cruz, enviada à Rainha Radegunda pelo Imperador Justino II e sua esposa, a Imperatriz Sofia, de Bizâncio. O hino é cantado pela Igreja nos dias solenes da Semana Santa e na festa da Exaltação da Santa Cruz, com a exclusão feita comumente das estrofes II, IV e VII. Alguns dos versos originais do hino foram substituídos pelo Papa Urbano VIII em 1632, para a incorporação do mesmo no Breviário Romano (estes versos estão assinalados em itálico na tradução abaixo, feita pelo autor do blog).


    Vexilla regis prodeunt,      
fulget crucis mysterium,
quo carne carnis conditor
suspensus est patibulo
[qua vita mortem pertulit
et morte vitam protulit]*

Avançam os estandartes do Rei:
refulge o mistério da Cruz:
o Criador da carne, pela carne,
é suspenso no madeiro
[a Vida sustou a morte
e a morte fez surgir a vida]

Confixa clavis viscera
tendens manus, vestigia
redemptionis gratia
hic inmolata est hostia

Com o lado transfixado
e com mãos e pés estendidos,
 a Vítima é oferecida em sacrifício
pelo preço da nossa Redenção

Quo vulneratus insuper
mucrone diro lanceae,
[Quae vulnerata lanceae
mucrone diro criminum]*
ut nos lavaret crimine,
manavit unda et sanguine

Aquele, ferido no lado
pela ponta afiada de uma lança,
[Da ferida pela lança
aberta por ponta afiada,]
para lavar nossos pecados,
fez jorrar sangue e água

Inpleta sunt quae concinit
David fideli carmine,
dicendo nationibus:
regnavit a ligno Deus

Cumpriu-se de forma precisa
a profecia fidedigna que Davi
fez anunciar às nações:
Deus fez da Cruz o seu trono

Arbor decora et fulgida,
ornata regis purpura,
electa, digno stipite
tam sancta membra tangere!

Ó Madeiro formoso e refulgente,
ornado com a púrpura do Rei,
cujo tronco foi digno de sentir
o toque de membros tão nobres!

Beata cuius brachiis
pretium pependit saeculi!
statera facta est corporis
praedam tulitque tartari
[tulitque praedam tartari]*

Lenho bendito de cujos braços
pendeu a restauração do mundo:
e que serviu de berço para o Corpo
que arrebatou as vítimas do inferno

Fundis aroma cortice,
vincis sapore nectare,
iucunda fructu fertili
plaudis triumpho nobili

Verte pela casca um aroma,
suave como o sabor do néctar
inebriante como maduro fruto, 
que exala um triunfo excelso

Salve ara, salve victima
de passionis gloria,
qua vita mortem pertulit
et morte vitam reddidit

Louvor ao Altar, Louvor à Vítima
da glória da Paixão,
pela qual a Vida sustou a morte
e a morte fez restaurar a vida.

O Crux ave, spes unica,
hoc Passionis tempore! 
piis adauge gratiam,
reisque dele crimina

Salve, ó Cruz, única esperança,
neste tempo da Paixão
aumenta a graça aos justos
e perdoa os pecados dos ímpios

Te, fons salutis Trinitas,
collaudet omnis spiritus:
quos per Crucis mysterium
salvas, fove per saecula. Amen.
[quibus Crucis victoriam
largiris, adde praemium. Amen]*

Ó Trindade, fonte de toda salvação!
Que todo espírito vos louve
para que, pela mistério da Cruz, 
sejam salvos para a graça eterna. Amém.
[e que, pelo triunfo da Cruz,
alcancem o prêmio eterno. Amém.]

(* versos alterados pelo papa Urbano VIII)

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (XIV)


MAGISTÉRIO DA IGREJA 

É o ofício que a Igreja tem de ensinar a doutrina da religião cristã para santificação e salvação das almas. Jesus Cristo confiou à Igreja o depósito da Fé para que ela, assistida pelo divino Espírito Santo, ensinasse fielmente e guardasse santamente a doutrina revelada. À Igreja, independentemente de qualquer poder civil, compete o direito e o ofício de ensinar a todas as gentes a doutrina proposta pela Igreja de Deus. O magistério é exercido pela palavra do Papa, pelos Concílios, pelos bispos e por seus auxiliares, os simples sacerdotes.

MALDIÇÃO (ou Imprecação)

É uma palavra injuriosa, pela qual se deseja mal a alguém ou a seres inanimados. Se é feita com a intenção de que suceda o mal, pelo menos grave, que se deseja, é pecado mortal. Pode não ser pecado mortal se as palavras não saem do coração; ou se o mal que se deseja é leve; no entanto, é sempre condenável, ainda que saindo só dos lábios.

MALEDICÊNCIA 

Consiste em descobrir, sem razão suficiente, as faltas e os defeitos do próximo, embora verdadeiras, mas ocultas. É um pecado contra a caridade. Há casos, porém, em que não só é permitido, mas é um dever descobrir as faltas do próximo. É um dever revelar à Autoridade a incompetência ou a indignidade de alguém que vai ser empregado em funções públicas, e isto deve-se fazer para o bem público. É um dever descobrir aos superiores as faltas dos seus inferiores para que se corrijam, e isto deve-se fazer para bem dos inferiores. Pode-se descobrir o nome do culpado de um crime que nos é atribuído, quando não temos outro meio de justificar a nossa inocência; e isto deve fazer-se para nosso bem. É um dever informar desfavoravelmente, mas com a verdade, quando somos interrogados por quem deseja tomar um criado, um operário, um empregado, ou deseja confiar valores a alguém ou pretende confiar em determinada pessoa.

MANÍPULO 

É um ornamento (derivado de mappula, sudarium) que o celebrante, diácono ou subdiácono, usam no braço esquerdo durante o santo sacrifício da Missa. O manípulo era próprio dos romanos; era um lenço que servia para cobrir o rosto, limpar o suor e fazer certos sinais; no uso litúrgico reduziu-se à forma que hoje tem. Na liturgia recorda aos que o usam a dor que devem ter dos seus pecados, e o trabalho para expiação dos mesmos. Deve ser benzido.

MANSIDÃO 

É a virtude que modera a ira, segundo a reta razão. É filha da humildade e da fortaleza. Jesus disse que são 'bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra' (dos vivos, que é o Céu) e deu-nos o exemplo, dizendo: 'aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração' (Mt 5,4; Mt 11, 29). Por isso São Paulo escreveu: 'Não convém ao servo do Senhor que se ponha a altercar, mas que seja manso para com todo' (II Tm 2, 25). Com a mansidão se ganha a benevolência dos superiores; se consegue a obediência dos inferiores; se detém o furor dos inimigos; e se conserva a tranquilidade de espírito: vive-se em paz.

MANUSTÉRGIO

É uma toalha diminuta, comumente de algodão, que serve para o sacerdote, durante a missa, enxugar os dedos após o lavabo.

MÁRTIRES

São os cristãos que se deixam matar para não renegar a sua fé em Jesus Cristo. Foram muitos os milhares de mártires nos três primeiros séculos do Cristianismo. Homens, mulheres, jovens, de ambos os sexos e de todas as condições, quiseram antes sofrer os mais atrozes tormentos que os inimigos da religião puderam inventar, do que deixarem de confessar a sua dignidade de cristãos. Depois, em todos os séculos, outros cristãos têm seguido o exemplo dos primeiros, preferindo morrer por amor de Deus, a renegar a sua fé por medo dos homens.

MARTÍRIO

É o ato de máxima perfeição, inspirado pela caridade. Aquele que morre por amor de Deus é mártir de Deus, porque a causa desse martírio é a firmeza na fé, operando pela caridade. O mártir tolera pacientemente o martírio, mas não o deve procurar, porque não deve dar ocasião a que outros procedam injustamente. O martírio, como o batismo, obtém o perdão de todos os pecados.

MATERIALISTA

Sistema que afirma que o homem é um mero organismo corpóreo. Negando a espiritualidade e a imortalidade da alma humana, torna impossível a verdadeira moralidade, e a si mesmo se degrada à condição de vil animal.

MATINAS

Constitui a primeira parte do Ofício Divino, assim chamada porque começou a ser rezada de manhã cedo. Segundo a disciplina atual, podem ser rezadas desde as 14 horas do dia anterior.

METROPOLITA

É o bispo da diocese mais importante de uma província eclesiástica, cuja cidade é sede arquiepiscopal. Na própria diocese, tem os mesmos direitos e as mesmas obrigações que um bispo convencional.

MISSAS GREGORIANAS 

Como nos conta São Gregório Magno (século VI), tendo feito celebrar 30 missas seguidas por alma do monge Justo, teve a revelação de que, ao fim de 30 dias, a sua alma subiu ao Céu. Deste fato resultou o uso de os fiéis mandarem celebrar Trintários de Missas por alguma alma. A Igreja aprova este uso, sem, todavia, ensinar que o Trintário tem uma eficácia infalível. O Trintário só pode ser aplicado por alma de um defunto, tem de ser realizado em 30 dias sucessivos sem interrupção, mas não é necessário que as missas sejam celebradas pelo mesmo sacerdote, nem no mesmo altar, nem com paramentos pretos.

MISSAL

É o livro que contém as missas que os sacerdotes celebram durante todo o ano. A versão promulgada pelo Papa São Pio V em 1570 vigorou na Igreja até o Concílio Vaticano II.

[Com a Constituição Sacrosanctum Concilium do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI criou uma nova edição do Missal Romano, promulgada com a Constituição Apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969 e que entrou em vigor em 30 de novembro daquele ano. A forma ordinária da celebração da Missa, segundo o rito romano, continua a ser a do Missal Romano, reformado e publicado por Paulo VI. Antes dessa reforma, o Missal Romano previa a celebração da chamada Missa Tridentina, que era a forma anterior do rito romano e cujo uso foi amplamente restaurado pelo Papa Bento XVI, por meio do motu proprio Summorum Pontificum e da instrução Universae Ecclesiae].

MISSÕES

São organizações eclesiásticas em países de infiéis, com o fim de convertê-los à religião católica. Foram instituídas por Jesus Cristo quando disse aos seus Apóstolos: 'Ide, ensinai todas as Nações' e são essenciais à vida da Igreja Católica. A obra das Missões continua, não só nos países que ainda não conheceram Jesus Cristo, mas também nos que foram cristãos e caíram na apostasia ou na heresia. As Missões são sustentadas, materialmente, por esmolas, a maior parte das quais recolhidas pela obra da Propagação da Fé, da Santa Infância e do dinheiro de São Pedro. As Missões, quando se estendem a vastos territórios, são superiormente governadas por um Vigário Apostólico, que em geral é um bispo, governando em nome e por autoridade do Papa. Quando são pouco numerosas, têm geralmente como Chefe um Prefeito Apostólico, nomeado pelo Papa, e que nem sempre tem o caráter episcopal.

MÍSTICA

É a doutrina que nos ensina por que meios Deus atrai e une a alma a Si mesmo e que estuda as graças eminentes que constituem a contemplação infusa, ou que a estão associadas a ela.

MITRA

Constitui um ornamento que o bispo coloca na cabeça, em alguns atos litúrgicos, como símbolo da sua dignidade, e que recorda o seu supremo sacerdócio.

MORTIFICAÇÃO

É uma virtude moral que modera os nossos apetites interiores e os sentidos do corpo, segundo os ditames da razão e da Fé. O nosso corpo tem exigências que não são próprias da natureza racional. Compete à razão ordená-las ou dominá-las inteiramente. Como cristãos, havemos de servir-nos do nosso corpo como instrumento da alma para a prática de ações que agradem a Deus e mereçam recompensa celeste. Sempre que o corpo tenda para o que é contrário à lei de Deus, é nosso dever e nosso interesse contrariar tal tendência; nisso consiste a mortificação. O Apóstolo São Paulo escreveu: 'Castigo o meu corpo (rebelde) e o reduzo à escravidão (servindo inteiramente o espírito) para que não suceda que tendo pregado aos outros (a doutrina da salvação) venha eu a ser reprovado' (ou condenado) ( I Cor 9, 26). Para manter os sentidos do corpo em permanente equilíbrio, torna-se necessário que os tenhamos sempre sujeitos aos ditames da razão e da Fé.

MURÇA

É uma pequena capa redonda, abotoada na frente, que cobre só os ombros, espáduas e peito, tendo atrás um pequeno capuz. É uma veste de origem canonical. Pode ser usada por certas dignidades do clero, pelos doutores em faculdades eclesiásticas e por outros sacerdotes a isso autorizados por quem de direito. É usada sobre a sobrepeliz, mas deve ser retirada quando se administram os sacramentos.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

PALAVRAS ETERNAS (VI)

'Qui major honor potuit homini esse, quam ut ad similitudinem sui factoris conderetur?'


Que honra maior pode possuir o homem do que ter sido criado à semelhança do seu Criador?

(Santo Ambrósio, em De Dignitate Conditionis Humanae)

terça-feira, 20 de outubro de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: MARIA, NOSSA MÃE

 

Maria é verdadeiramente a nossa mãe. Ela nos dá vida, e a protege e defende. O seu papel materno consiste principalmente em gerar Jesus dentro de nós. Ela não pode dar a quem não está preparado e, por isso, ela mesma faz essa preparação. Esta doação externa do Menino Jesus, tantas vezes feita em favor dos santos, é apenas um símbolo desta realeza de Maria. Se não, de que serviria esse gesto, por mais terno que fosse, se fosse tão somente exterior?

Considera a Santíssima Virgem como nossa Mãe, como Mãe de cada um de nós em particular. Fale com ela como uma pessoa viva. Nesse grau de intimidade, pode haver nuances infinitas, como as que encontramos nos santos; podemos nos dirigir e pertencer a ela pelos seus vários títulos.

Maria é a sua mãe. Faça todas as suas ações sob a intercessão de sua graça, em sua amável companhia e sob sua doce influência. Pense nela sempre e renuncie às suas maneiras de ver e fazer as coisas para fazer as dela. Tente isso. Persevere. Peça a ela para lhe conceder Jesus e gerar o Bom Jesus em sua alma.

É uma excelente prática de amor nos oferecer a Deus pelos sentimentos íntimos de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem, sem maiores detalhes, pois não os conhecemos. Em momentos de fadiga, simplesmente repouse nos braços de nossa Mãe Celestial. Viva sob o olhar do Divino Mestre e de sua Mãe Santíssima. Tenha confiança nesse amor de Mãe: manifeste frequentemente a ela essa devoção.

Nosso coração, para ser forte, precisa permanecer manso. Seja suave e forte: força e doçura, ternura e firmeza não podem ser dosadas matematicamente. Isso é uma arte e tanto que a Santíssima Virgem possuiu plenamente. Ela sabia que o amor se prova pelo sacrifício e pelas obras, e que a melhor prova de amor que podemos dar a Deus e às almas é a nossa própria imolação.

Podemos ganhar tudo pela nossa devoção a Maria: modelo de perfeição e de boa Mãe! Ela não se sentia apegada a nada neste mundo. Ela foi totalmente transformada em Jesus e por Jesus, que lhe comunicou suas virtudes e a sua vida. E esta vida era uma vida totalmente escondida em Deus. Ela não via nada exceto Ele, ela não queria nada exceto Ele. Sua alma respirava por Ele a cada momento. Em síntese, ela era um só ser em Deus. Qui adhaeret Domino, inus spiritus est [Aquele que está unido a Deus, forma um mesmo espírito com Ele (1 Cor 6,17)]. Deus habitou em Maria. Maria viveu em Deus. Tudo isso era verdade. Mas tudo isso estava escondido.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)