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domingo, 21 de junho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

             

'Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!' (Sl 68)

Primeira Leitura (Jr 20,10-13) - Segunda Leitura (Rm 5,12-15) - Evangelho (Mt 10,26-33)

  21/06/2026 - DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'NÃO TENHAIS MEDO!' 


O Evangelho deste domingo nos infunde o sopro da Verdade de Deus. Todas as nossas ações, gestos, pensamentos, palavras, silêncios, desejos, intenções, atos e omissões, praticados a cada segundo, durante toda a vida de cada um de nós, são conhecidos por Deus como escritos em manchetes nas estrelas: 'Até os cabelos de vossa cabeça estão contados' (Mt 10, 30). Nada, absolutamente nada, ficará envolto em penumbra ou esquecimento; todas as coisas serão refletidas no espelho da verdade divina, como oráculo universal: 'nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido' (Mt 10,27).

A certeza final é que deveremos prestar contas de cada palavra, de cada gesto, de cada intenção. Tudo será pesado na balança do juízo particular. A resposta à graça concedida e o mal devido ao pecado; a caridade anônima ou o juízo temerário, a palavra de conforto ou o gesto de revolta. O valor de uma alma é infinito, pois se trata de um ato puro da criação do Pai, na escolha personalíssima de Deus como criatura destinada a partilhar a eternidade com Ele no Céu. Mas o legado desta graça é cumprir fielmente os desígnios de Deus para as almas de sua predileção.

O pensamento da eternidade transforma em palha e espuma os tesouros, grandezas e glórias do mundo. Deus nos escolheu não para sermos peregrinos nesta terra, mas como herdeiros do Céu. E,assim, em cada pensamento ou palavra, o fim último deve ser sempre a busca da vida eterna em Deus, conforme nos fala o Apóstolo: 'Com temor e tremor trabalhai por vossa salvação’ (Fl 2,12). E esta busca passa pelo horror ao pecado e a tudo que nos aniquila como Filhos de Deus: 'Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!' (Mt 10,28).

'Não tenhais medo!' (Mt 10,31). O triunfo da alma é seguir o Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Quem tem Deus no coração, ama a Verdade e a pratica em tudo e em todos. Quem ama a Verdade, faz a Vontade do Pai que está nos Céu; quem nega a Verdade, é réu de pecado eterno: 'todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus' (Mt 10,32 - 33). Iustus ex fide vivit — O justo vive pela fé.

domingo, 14 de junho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

            

'Nós somos o povo e o rebanho do Senhor' (Sl 99)

Primeira Leitura (Ex 19,2-6a) - Segunda Leitura (Rm 5,6-11) - Evangelho (Mt 9,36-10,8)

  14/06/2026 - DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

O SENHOR DA MESSE


'Naquele tempo', tempo de graça inimaginável quando o Senhor estava neste mundo, Jesus se compadece das multidões, 'porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor' (Mt 9,36). E Jesus não via apenas uma multidão diante dele, mas como multidões de homens de todos os tempos, atribulados pelas vicissitudes e aparências deste mundo, nas águas revoltas do cotidiano de vidas atribuladas e insensíveis aos bens que não passam.

Eis uma missão a ser cumprida, missão extrema, desafio universal: é preciso levar a Boa Nova do Reino de Deus a todas as criaturas; é preciso anunciar o Evangelho de Cristo no mundo inteiro. E, diante da realidade, tão portentosa, o Senhor nos ensina a seguir sempre pelas vocações missionárias, sejam elas religiosas ou leigas: 'a Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!' (Mt 9,37 - 38). Que nossa oração sincera seja semente que faça brotar novos apóstolos e novos missionários no Coração do Senhor da Messe!

Jesus deu início a esta missão chamando os doze Apóstolos. E lhes deu recomendações expressas: 'Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios' (Mt 10,8). E ainda mais: 'De graça recebestes, de graça deveis dar!' (Mt 10,8). Ser missionário é se fazer apóstolo, é assumir a mesma missão que constitui as marcas de identidade de um cristão no mundo. De todos os cristãos: os primeiros doze apóstolos, os outros setenta e dois, os cristãos de todos os tempos, eu e você. Como cordeiros entre lobos, como emissários da paz entre promotores das guerras, os cristãos estão no mundo para torná-lo um mundo cristão.

O apostolado começa com o bom exemplo, expande-se com o amor ao próximo, multiplica-se pela caridade. É imperioso o serviço da vocação; os frutos pertencem aos ditames da Providência. O reino de Deus deve ser proclamado para todos, em todos os lugares, mas a Boa Nova será recebida com jubilosa gratidão num lugar ou indiferença profunda em outro; aqui vai gerar frutos de salvação, mais além será pedra de tropeço. Como operários da grande messe do Senhor, Deus nos quer valorosos combatentes da fé, pregadores perseverantes da Verdade Plena. E ainda que sejamos capazes de domar a natureza e realizar prodígios, a felicidade cristã não está nos eventos temporais aqui na terra, mas na Eterna Glória daqueles que souberam combater o bom combate: 'nós nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo' (Rm 5,11).

domingo, 7 de junho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

           

'A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus' (Sl 49)

Primeira Leitura (Os 6,3-6) - Segunda Leitura (Rm 4,18-25) - Evangelho (Mt 9,9-13)

  07/06/2026 - DÉCIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO!'

'Naquele tempo... Jesus viu um homem chamado Mateus'... (Mt 9,9). Mateus, um homem comum, como eu e você. Jesus viu em Mateus, esse homem comum e pecador, o que vê em todos nós: homens comuns e pecadores que, no cotidiano de suas vidas, dedicam-se a tantas e muitas atividades e perdem tempo com tantas coisas, que se descuidam, que se esquecem, que se afastam da única coisa que realmente importa: a salvação eterna da alma!

Este pobre homem comum chamado Mateus - um coletor de impostos, praticante de uma das atividades mais desprezadas pelo povo judeu à época - vai experimentar, em toda a sua magnitude, as maravilhas da misericórdia de Deus: 'segue-me!' (Mt 9,9). Seguir a Jesus significava abandonar todos os bens para aquele que vivia de se apoderar dos bens alheios. E, sem titubear, o Mateus bendito dos Evangelhos largou tudo e seguiu Jesus. Esse Mateus tem nome - como poderia ter sido meu nome ou o seu - porque, ao se desvestir do mundo, teve como herança eterna o seu nome escrito no Livro da Vida.

E tal mudança de vida impõe a necessidade de uma grande celebração e a experiência de Mateus é então compartilhada com muitos outros irmãos de profissão e são muitos deles que agora estão em festa circundando Jesus à mesa. O apostolado que rende frutos de imediato, o serviço a Deus que começa no minuto seguinte ao chamamento da graça. E eis que, diante o mistério da graça, se manifesta o desvario da malevolência dos fariseus: 'Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?' (Mt 9,11). E Jesus vai lhes dar esta resposta: 'Quero misericórdia e não sacrifício... eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores' (Mt 9,12). Ou seja, para nos chamar a todos - homens comuns e pecadores de todos os tempos - todos nós que precisamos ser curados das feridas do pecado.

Mateus, de agora em diante, será São Mateus, o primeiro Evangelista. Movido pela fé e pela docilidade aos ditames da graça - pela mesma fé creditada como justiça que tornaram Abraão o pai de muitos povos conforme a promessa divina - o coletor de impostos vai abandonar tudo para seguir Jesus. Seguir Jesus implica dedicação plena, tomada de decisão resoluta, integridade de propósito e... obras! São estas coisas que permeiam o significado da proposição imperativa do Senhor aos homens de todos os tempos: 'Quero misericórdia e não sacrifício!' (Mt 9,12). Seguir Jesus, sim, mas não apenas com os lábios ou por meio do indiferentismo de uma crença qualquer, mas com a fé creditada como justiça e servida pela caridade para com todos os nossos irmãos, para propiciar a todos nós a graça da salvação e os frutos eternos das maravilhas da misericórdia de Deus!

domingo, 31 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

          

'A Vós, louvor, honra e glória eternamente!' 

Primeira Leitura (Ex 34,4b-6.8-9) - Segunda Leitura (2Cor 13,11-13) - Evangelho (Jo 3,16-18)

  31/05/2026 - SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

GLÓRIA AO PAI, AO FILHO E AO ESPÍRITO SANTO


O mistério da Santíssima Trindade é um mistério de conhecimento e de amor. Pois, desde toda a eternidade, o Pai, conhecendo-se a Si mesmo com conhecimento infinito de sua essência divina, por amor gera o Filho, Segunda Pessoa da Trindade Santa. E esse elo de amor infinito que une Pai e Filho num mistério insondável à natureza humana se manifesta pela ação do Espírito Santo, que é o amor de Deus por si mesmo. Trindade Una, Três Pessoas em um só Deus.

Mistério dado ao homem pelas revelações do próprio Jesus, posto que não seria capaz de percepção e compreensão apenas pela razão natural, uma vez inacessível à inteligência humana: 'Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele (o Espírito Santo) receberá e vos anunciará, é meu' (Jo 16,15). Mistério revelado em sua extraordinária natureza em outras palavras de Cristo nos Evangelhos: 'Em verdade, em verdade vos digo: O Filho não pode de si mesmo fazer coisa alguma, mas somente o que vir fazer o Pai; porque tudo o que fizer o Pai, o faz igualmente o Filho. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que ele faz (Jo 5,19-20) ou ainda 'Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; nem alguém conhece o Pai senão o Filho' (Mt 11,27).

Nosso Senhor Jesus Cristo é o Verbo de Deus feito homem, sob duas naturezas: a natureza divina e a natureza humana: 'Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele' (Jo 3,16 - 17). Enquanto homem, Jesus teve as três potências da alma humana: inteligência, vontade e sensibilidade; enquanto Deus, Jesus foi consubstancial ao Pai, possuindo inteligência e vontade divinas.

'Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo'. Glórias sejam dadas à Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Neste domingo da Santíssima Trindade, a Igreja exalta e ratifica aos cristãos o maior dos mistérios de Deus, proclamado e revelado aos homens: O Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho (Conselho de Florença, 1442).

domingo, 24 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

         

'Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!' (Sl 103)

Primeira Leitura (At 2,1-11) - Segunda Leitura (1Cor 12,3b-7.12-13) - Evangelho (Jo 20,19-23)

  24/05/2026 - DOMINGO DE PENTECOSTES

SOLENIDADE DE PENTECOSTES


Emitte Spiritum tuum et creabuntur et renovabis faciem terrae

'Enviai, Senhor, o vosso espírito criador
e será renovada toda a face da terra'

Originalmente, Pentecostes representava uma das festas judaicas mais tradicionais de 'peregrinação' (nas quais os israelitas deviam peregrinar até Jerusalém para adorar a Deus no Templo), sempre celebrada após 50 dias da Páscoa e na qual eram oferecidas a Deus as primícias das colheitas do campo. No Novo Pentecostes, a efusão do Espírito Santo torna-se agora o coroamento do mistério pascal de Jesus Cristo, na celebração da Nova Aliança entre Deus e a humanidade redimida.

Eis que os apóstolos encontravam-se reunidos, com Maria e em oração constante, quando 'todos ficaram cheios do Espírito Santo' (At 2,4), manifestado sob a forma de línguas de fogo, vento impetuoso e ruídos estrondosos, sinais exteriores do poder e da grandeza da efusão do Novo Pentecostes. Luz e calor associados ao fogo restaurador da autêntica fé cristã; ventania que evoca o sopro da Verdade de Deus sobre os homens; reverberação que emana a força da missão confiada aos apóstolos reunidos no cenáculo e proclamada aos apóstolos de todos os tempos.

O Paráclito é derramado numa torrente de graças, distribuindo dons e talentos, porque 'Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos' (1Cor 12,4-6). Na simbologia dos vários membros de um mesmo corpo, somos mensageiros e testemunhas de Cristo no meio dos homens, na identidade comum de Filhos de Deus partícipes e continuadores da missão salvífica de Cristo: 'Como o Pai me enviou, também Eu vos envio' (Jo 20,21).

No Espírito Consolador, não somos mais meros expectadores de uma efusão de graças e dons tão diversos, mas apóstolos e testemunhas, iluminados e portadores da Verdade, pela qual será renovada a face da terra e pelo qual será apagada a mancha do pecado no mundo: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20,22-23).

domingo, 17 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

        

'Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta' (Sl 46)

Primeira Leitura (At 1,1-11) - Segunda Leitura (Ef 1,17-23) - Evangelho (Mt 28,16-20)

  17/05/2026 - SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR 

'IDE E FAZEIS DISCÍPULOS MEUS TODOS OS POVOS' 


Antes de subir aos Céus, Jesus manifesta a seus discípulos (de ontem e de sempre) as bases do verdadeiro apostolado cristão, a ser levado a todos os povos e nações: 'Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!' (Mt 28,18 - 20). Ratificando as mensagens proféticas do Antigo Testamento, Nosso Senhor imprime diretamente no coração humano os sinais da fé sobrenatural e da esperança definitiva na Boa Nova do Evangelho, que nasce, se transcende e se propaga com a Igreja de Cristo na terra.

Antes de subir aos Céus, Jesus nos fez testemunhas da esperança: 'Vós sereis testemunhas de tudo isso' (Lc 24,48). Pela ação de Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, pela manifestação da 'Força do Alto', os apóstolos tornar-se-iam instrumentos da graça e da conversão de muitos povos e nações. Na mesma certeza, somos continuadores dessa aliança de Deus com os homens, na missão de semear a Boa Nova do Evangelho nos terrenos áridos da humanidade pecadora para depois colher, a cem por um, os frutos da redenção nos campos eternos da glória. Como missionários da graça, 'que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos' (Ef 1,18).

E a sua derradeira proclamação aos discípulos é a sua promessa de estar sempre junto aos homens de todos os tempos, até a consumação dos séculos: 'Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo' (Mt 28,20). Promessa que tem, para nós, membros do seu Corpo Vivo, que é a Santa Igreja, a dimensão de uma vitória antecipada, na feliz esperança de sermos partícipes de sua glória.

E Jesus se eleva diante dos seus discípulos e sobe para os Céus. Jesus vai primeiro porque é o Caminho e para preparar para cada um de nós 'as muitas moradas da casa do Pai'. Na solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja comemora a glorificação final de Jesus Cristo na terra, como o Filho de Deus Vivo e, ao mesmo tempo, imprime na nossa alma o legado cristão que nos tornou, neste dia, testemunhas da esperança eterna em Cristo e herdeiros dos Céus.

domingo, 10 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

        

'Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso!' (Sl 65)

Primeira Leitura (At 8,5-8.14-17) - Segunda Leitura (1Pd 3,15-18) - Evangelho (Jo 14,15-21)

  10/05/2026 - SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA 

'NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS, EU VIREI A VÓS'


A liturgia deste Sexto Domingo da Páscoa é centrada na ação santificadora do Espírito Santo, nas almas e na vida da Igreja, como primícias da Festa de Pentecostes que se aproxima. A graça santificante, que nos torna filhos adotivos de Deus, nos é atribuída pela apropriação do Divino Espírito Santo, na chamada 'inabitação trinitária', que procede e se faz na encarnação do próprio Deus, Uno e Trino, em nossas almas.

Estamos inseridos no contexto dos capítulos do Evangelho de São João, que integram o chamado 'testamento espiritual' de Cristo, que reproduzem o longo discurso feito por Jesus aos seus discípulos, logo após o banquete pascal, e no qual o Senhor expõe e revela, de forma abrangente e maravilhosa, a síntese e a essência dos seus ensinamentos e da sua doutrina. Doutrina que se resume no amor sem medidas, no chamado a viver plenamente a presença de Jesus Ressuscitado em nossas vidas, como testemunhas da fé e da fidelidade aos seus mandamentos: 'Se me amais, guardareis os meus mandamentos' (Jo 14,15).

Eis aí o legado de Jesus aos seus discípulos: a graça e a salvação são frutos do amor, que é manifestado em plenitude, no despojamento do eu e na estrita submissão à vontade do Pai: 'Amai ao Senhor vosso Deus com todo vosso coração, com toda vossa alma e com todo vosso espírito. Este é o maior e o primeiro dos mandamentos' (Mt 22,37-38). A graça nasce, manifesta-se e se alimenta do nosso amor a Deus, pois 'quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele' (Jo 14,21). Nos mistérios insondáveis de Deus, somos transformados no batismo, pela infusão do Espírito Santo em nossas almas, em tabernáculos da Santíssima Trindade, moradas provisórias do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como sementes da glória antecipada das moradas eternas na Casa do Pai.

A presença permanente da Santíssima Trindade em nossas vidas vem por meio da manifestação do Espírito Santo, o Defensor, o Paráclito, conforme as palavras de Jesus: 'Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós' (Jo 14,18) e ainda 'eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco' (Jo 14,16). Como templos do Espírito Santo e tabernáculos da Santíssima Trindade, somos moldados como obras de Deus para viver em plenitude o Espírito da Verdade. Sob a ação do Espírito Santo, podemos, então, trilhar livremente o caminho da santificação, até os limites de um despojamento absoluto do próprio ser para a plena manifestação da glória de Deus em nós.

domingo, 3 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

       

'Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em Vós nós esperamos!' (Sl 32)

Primeira Leitura (At 6,1-7) - Segunda Leitura (1Pd 2,4-9) - Evangelho (Jo 14,1-12)

  03/05/2026 - QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA 

'EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA'


Jesus inicia o Evangelho deste Quinto Domingo da Páscoa manifestando o poder de sua Divindade e da autêntica fé cristã: 'Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também' (Jo 14,1). Sim, a medida do nosso amor é a confiança em Deus e nos desígnios da Providência Divina. Que nada além desta disposição interior, de colocar tudo nas mãos de Deus, seja o nosso conforto e consolação. Deus governa todas as coisas e sabe, muito além de nós mesmos, como nos levar a uma mais perfeita santificação. Ele nos cumula de bênçãos e graças, nos chama a cada nova situação, nos clama pela nossa confiança quando aparentemente nos abandona.

Em seguida, confia aos discípulos que eles são herdeiros do Reino dos Céus, a pátria eterna dos bem aventurados, os que colherão com fartura os frutos das sementes de amor e confiança plantadas no Coração do Pai: 'Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós' (Jo 14,2-3). Nos mistérios insondáveis de Deus, as moradas são muitas e desiguais, sem que os eleitos padeçam dessa desigualdade pois todos serão igualmente possuidores da Visão Beatífica e serão cumulados plenamente da glória que lhes bastam.

É o próprio Jesus que nos vai abrir as portas do Céu, com a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Ao romper as portas celestes, antes seladas pelos pecados dos homens, Jesus torna-se o rei de um reino que não é deste mundo e que tem as dimensões da eternidade. Um reino de muitas moradas, preparadas por Jesus para cada um de nós, filhos da esperança transformados em herdeiros das bem aventuranças celestes. E, assim, por meio de Jesus, chegaremos ao Pai, a habitação eterna: 'Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim' (Jo 14,11).

Jesus vai ratificar esta premissa essencial da fé cristã com clareza divina: 'Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim' (Jo 14,6). Não há outro caminho possível, não há opções de rumo, nem atalhos, nem passagens ocultas. Por isso Jesus é tão explícito ao unir, no anúncio pleno de sua divindade, os termos Caminho, Verdade e Vida. Só existe um Caminho de Verdade para a Vida Plena dos herdeiros dos Céus: seguir Jesus com confiança extremada e jubilosos na fé que abraçamos, e que nada nem ninguém nos perturbe o coração nesta caminhada de salvação para as eternas moradas de Deus.

domingo, 26 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

      

'O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha' (Sl 22)

Primeira Leitura (At 2,14a.36-41) - Segunda Leitura (1Pd 2,20b-25) - Evangelho (Jo 10,1-10)

  26/04/2026 - QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA 

O BOM PASTOR


No Quarto Domingo da Páscoa, ressoa pela cristandade a imagem e a missão do Bom Pastor: 'Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz' (Jo 1,2 - 4). Jesus, o Bom Pastor, conhece e ama, com profunda misericórdia, cada uma de suas ovelhas desde toda a eternidade. Criadas para o deleite eterno das bem-aventuranças, redimidas pelo sacrifício do calvário e alimentadas pela sagrada eucaristia, Jesus acolhe as suas ovelhas com doçura extrema e infinita misericórdia.

E Jesus, plasmado pelo amor divino, conhece cada uma das suas ovelhas pelo nome. Nada, nem coisa, nem homem, nem demônio algum, poderá nos apartar do amor de Deus. Porque este amor, sendo infinito, extrapola a nossa condição humana e assume dimensões imensuráveis. Ainda que todos os homens perecessem e a humanidade inteira ficasse reduzida a um único homem, Deus não poderia amá-lo mais do que já o ama agora, porque todos nós fomos criados, por um ato sublime e extraordinariamente particular da sua Santa Vontade, como herdeiros dos céus e para a glória de Deus: 'Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória por toda a eternidade!' (Rm 11,36).

Jesus toma sobre os ombros a ovelha de sua predileção, cada um de nós, a humanidade inteira, para a conduzir com segurança às fontes da água da vida (Ap 7,17), onde Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos. E nos mostra o caminho: 'Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem' (Jo 1,9). Somos chamados a uma vida de predileção na Casa do Pai, que homem algum jamais pôde sequer imaginar o que poderia ser viver a eternidade na glória de Deus: 'Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância' (Jo 1,10).

Reconhecer-nos como ovelhas do rebanho do Bom Pastor é manifestar em plenitude a nossa fé e esperança em Jesus Cristo, Deus Único e Verdadeiro, cuja bondade perdura para sempre e cujo amor é fiel eternamente (Sl 99,5). Como ovelhas do Bom Pastor, não nos basta ouvir somente a voz da salvação; é preciso segui-lo em meio às provações da nossa humanidade corrompida, confiantes e perseverantes na fé, até o dia dos tempos em que estaremos abrigados eternamente na tenda do Pai, lavados e alvejados no sangue do Cordeiro (Ap 7,14b).

domingo, 19 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

     

'Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!' (Sl 15)
 
Primeira Leitura (At 2,14.22-33) - Segunda Leitura (1Pd 1,17-21) - Evangelho (Lc 24,13-35)

  19/04/2026 - TERCEIRO DOMINGO DA PÁSCOA 

NO CAMINHO PARA EMAÚS


No caminho para Emaús, cidadezinha distante pouco mais de 10km de Jerusalém, Jesus vai manifestar, mais uma vez, a glória da Ressurreição aos seus discípulos. Como que por acaso, Jesus os toma para si na longa caminhada, numa contemplação aparente de um mero convívio humano, nascido das circunstâncias de três peregrinos na mesma direção: 'quando eles iam conversando e discorrendo entre si, aproximou-se deles o próprio Jesus e caminhou com eles' (Lc 24,15). Não há nada de circunstancial ou de mera rotina neste encontro sobrenatural: tal grande manifestação da graça de Deus faz dele um evento singular e extraordinário.

E, de algum modo absolutamente sobrenatural, os discípulos não reconhecem Jesus, a exemplo daqueles que o encontraram às margens do mar de Tiberíades e também não o reconheceram a princípio (Jo 21,4). Movidos pelas emoções humanas, retratam a Paixão e Morte do Senhor àquele 'único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias' (Lc 24,18). Eles se referiram ao Senhor como um profeta poderoso, muito provavelmente ciente dos riscos de serem denunciados e presos por proclamarem a um desconhecido a condição de serem discípulos daquele que deveria libertar Israel, de acordo com as suas próprias motivações e perspectivas.

No caminho para Emaús, os dois discípulos expressam, num turbilhão de emoções, os sentimentos de angústia, tristeza, decepção, perturbação e esperança. E é esta esperança que vai torná-los testemunhas do amor. Jesus os repreende pela perturbação que se levanta como o pó da estrada; Jesus os orienta, por meio dos textos bíblicos, no caminho da santificação plena e no entendimento de toda Verdade de Deus. Jesus ilumina para sempre os seus corações, na tarde ensolarada que declina.

E, ficando com eles, o Senhor vai manifestando, mais uma vez, o mistério concreto da Santa Eucaristia como a permanência de Deus Vivo entre os homens: 'Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles' (Lc 24,30-31). Como os dois discípulos de Emaús, na Santa Eucaristia, nós reconhecemos e, mais do que reconhecer, nós ficamos com Jesus, na poeira das estradas do mundo, na certeza da caminhada rumo à eternidade com Deus.

domingo, 12 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

    

'Dai graças ao Senhor porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia!' (Sl 117)

Primeira Leitura (At 2,42-47) - Segunda Leitura (1Pd 1,3-9) - Evangelho (Jo 20,19-31)

  12/04/2026 - SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA 

'MEU SENHOR E MEU DEUS!'


O segundo domingo do tempo pascal é consagrado como sendo o 'Domingo da Divina Misericórdia', com base no decreto promulgado pelo Papa João Paulo II na Páscoa do ano 2000. No Domingo da Divina Misericórdia daquele ano, o Santo Padre canonizou Santa Maria Faustina Kowalska, instrumento pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fez conhecer aos homens o seu amor misericordioso: 'Causam-me prazer as almas que recorrem à minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos. Não posso castigar, mesmo o maior dos pecadores, se ele recorre à minha compaixão, mas justifico-o na minha insondável e inescrutável misericórdia'.

No Evangelho deste domingo, Jesus já havia se revelado às santas mulheres, a Pedro e aos discípulos de Emaús. Agora, apresenta-se diante os Apóstolos reunidos em local fechado e, uma vez 'estando fechadas as portas' (Jo 20,19), manifesta, assim, a glória da sua ressurreição aos discípulos amados. 'A paz esteja convosco' (Jo 20,19) foi a saudação inicial do Mestre aos apóstolos mergulhados em tristeza e desamparo profundos. 'A paz esteja convosco' (Jo 20,21) vai dizer ainda uma segunda vez e, em seguida, infunde sobre eles o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20,22-23), manifestação preceptora da infusão dos demais dons do Espírito Santo por ocasião de Pentecostes. A paz de Cristo e o Sacramento da Reconciliação são reflexos incomensuráveis do amor e da misericórdia de Deus.

E eis que se manifesta, então, o apóstolo da incredulidade, Tomé, tomado pela obstinação à graça: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei' (Jo 20,25). E o Deus de Infinita Misericórdia se submete à presunção do apóstolo incrédulo ao lhe oferecer as chagas e o lado, numa segunda aparição oito dias depois, quando estão todos novamente reunidos, agora com a presença de Tomé, chamado Dídimo. 'Meu Senhor e meu Deus!' (Jo 20,28) é a confissão extremada de fé do apóstolo arrependido, expressando, nesta curta expressão, todo o tesouro teológico das duas naturezas - humana e divina - imanentes na pessoa do Cristo.

'Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' (Jo 20,29) é a exclamação final de Jesus Ressuscitado pronunciada neste Evangelho. Benditos somos nós, que cremos sem termos vistos, que colocamos toda a nossa vida nas mãos do Pai, que nos consolamos no tesouro de graças da Santa Igreja. E bem aventurados somos nós que podemos chegar ao Cristo Ressuscitado com Maria, espelho da eternidade de Deus na consumação infinita da Misericórdia do Pai.

domingo, 5 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

   

'Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!' (Sl 117)

Primeira Leitura (At 10,34a.37-43) - Segunda Leitura (Cl 3,1-4) - Evangelho (Jo 20,1-9)

  05/04/2026 - DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO


Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Eis o grande dia do Senhor, em que a vida venceu a morte, a luz iluminou as trevas, a glória de Deus se impôs aos valores do mundo. Jesus veio para fazer novas todas as coisas, abrir o caminho para o Céu, eternizar a glória de Deus na alma humana. Cristo Ressuscitado é a razão suprema de nossa fé, penhor maior de nossa esperança, causa de nossa alegria, plenitude do amor humano. Como filhos da redenção de Cristo, cantamos jubilosos a Páscoa da Ressurreição: 'Tende confiança! Eu venci o mundo' (Jo 16, 33).

O Triunfo de Cristo é o nosso triunfo pois o o Homem Novo tomou o lugar do homem do pecado. Mortos para o mundo, tornamo-nos herdeiros da ressurreição da nova vida em Deus: 'Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus (Cl 3, 1-3).

Entremos com Pedro no sepulcro agora vazio de Jesus: 'Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte' (Jo 20, 6 -7). Este sepulcro vazio é a morte do pecado, a vitória da vida sobre a morte: 'Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?' (1 Cor 15, 55). Jesus ressuscitou! Bendito é o Senhor dos Exércitos que, com a sua Ressurreição, derrotou o mundo e nos fez herdeiros do Céu! Este é o dia da alegria suprema, do triunfo da vida, do gáudio eterno dos justos. Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!

Hæc est dies quam fecit Dominus. Exultemus et lætemur in ea!

domingo, 29 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?' (Sl 21)

Primeira Leitura (Is 50,4-7) - Segunda Leitura (Fl 2,6-11) - Evangelho (Mt 21,1-11)

  29/03/2026 - DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

'HOSANA AO FILHO DE DAVI!'


No Domingo de Ramos, tem início a Semana Santa da paixão, morte e ressurreição de Nosso senhor Jesus Cristo. Jesus entra na cidade de Jerusalém para celebrar a Páscoa judaica com os seus discípulos e é recebido como um rei, como o libertador do povo judeu da escravidão e da opressão do império romano. Mantos e ramos de oliveira dispostos no chão conformavam o tapete de honra por meio do qual o povo aclamava o Messias Prometido: 'Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!' (Mt 21,9).

Jesus, montado em um jumento, passa e abençoa a multidão em polvorosa excitação. Ele conhece o coração humano e pode captar o frenesi e a euforia fácil destas pessoas como assomos de uma mobilização emotiva e superficial; por mais sinceras que sejam as manifestações espontâneas e favoráveis, falta-lhes a densidade dos propósitos e a plena compreensão do ministério salvífico de Cristo. Sim, eles querem e preconizam nEle o rei, o Ungido de Deus, movidos pelas fáceis tentações humanas de revanche, libertação, glória e poder. Mas Jesus, rei dos reis, veio para servir e não para reinar sobre impérios forjados pelos homens: '...o meu reino não é deste mundo' (Jo 18,36). Jesus vai passar no meio da multidão sob ovações e hosanas de aclamação festiva; Jesus vai ser levado sob o silêncio e o desprezo de tantos deles, uns poucos dias depois, para o cimo de uma cruz no Gólgota.

Neste Domingo de Ramos, o Evangelho evoca todas as cenas e acontecimentos que culminam no calvário de Nosso Senhor Jesus Cristo: os julgamentos de Pilatos e Herodes, a condenação de Jesus, a subida do calvário, a crucificação entre dois ladrões e a morte na cruz...'Eli, Eli, lamá sabactâni?' (Mt 27,46). Na paixão e morte de cruz, Jesus revela seu amor desmedido pela criação do Pai e desnuda a perfídia, a ingratidão, a falsidade e a traição dos que se propõem a amar com um amor eivado pelos privilégios e concessões aos seus próprios interesses e vantagens.

A fé é forjada no cadinho da perseverança e do despojamento; sem isso, toda crença é superficial e inócua e, ao sabor dos ventos, tende a se tornar em desvario. Dos hosanas de agora ao 'Seja crucificado!' (Mt 27,22-23) de mais além, o desvario humano fez Deus morrer na cruz. O mesmo desvario, o mesmo ultraje, a mesma loucura que se repete à exaustão, agora e mais além no mundo de hoje, quando, em hosanas ao pecado, uma imensa multidão, em frenesi descontrolado, crucifica Jesus de novo em seus corações!

domingo, 22 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'No Senhor, toda graça e redenção!(Sl 129)

Primeira Leitura (Ez 37,12-14) - Segunda Leitura (Rm 8,8-11) - Evangelho (Jo 11,1-45)

  22/03/2026 - QUINTO DOMINGO DA QUARESMA

'EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA'


Há tantas belas lições a serem consideradas no Evangelho deste Quinto Domingo da Quaresma! Tomemos algumas delas e situemos no tempo e no espaço o desenrolar dos acontecimentos deste evento extraordinário da ressurreição de Lázaro: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11,43). Jesus frequentava, com alguma periodicidade, a propriedade dos irmãos, Lázaro, Marta e Maria, e sentia por eles especial predileção. E, diante da doença do irmão e das súplicas das duas irmãs, aparentemente vai ser movido por uma indiferença inexplicável: 'Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava' (Jo 11,6). E, que assombro não teria tomado Marta e Maria diante da morte do irmão e da resposta de Jesus aos enviados delas: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela' (Jo 11,4).

As nossas aflições e sofrimentos expressam em nós e por nós a manifestação da glória de Deus. Como almas aflitas, imploramos a misericórdia de Deus diante do infortúnio, da doença, do sofrimento, da dor. Como Marta e como Maria. A resposta de Deus não segue a direção do apelo humano; reverbera nos Céus e encontra eco nos imponderáveis desígnios de Deus que paga um bem com bem infinito, confiança com graças infinitas, a oração contrita e humilde com infinita misericórdia! Jesus não vai apenas curar a doença de Lázaro, vai ressuscitá-lo e, com isso, converter muitos outros e torná-lo, assim, muito acima da doença, um instrumento maior da glória de Deus.

Nossa oração de aflitiva comoção deve ser humilde, confiante, perseverante, fervorosamente despojada na misericórdia do Pai. Como Marta e Maria, podemos ficar sucumbidos pela dúvida e pela inquietação diante o sofrimento: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido' (Jo 11,21). E comovido profundamente e movido de compaixão, 'Jesus chorou' (Jo 11,35). Nesta pequena oração do Evangelho, perpassa todo o amor do Coração de Infinita Misericórdia de Nosso Senhor. Jesus chora e se comove com Lázaro, Jesus chora e se comove com todos os seus filhos, e será capaz de operar portentosos milagres para buscar, seja onde for, uma ovelha perdida.

Quando Lázaro sai do túmulo, não é o Lázaro enterrado há quatro dias, uma vez que totalmente enfaixado e sem possibilidade humana de se locomover por si mesmo. Lázaro se move pela glória de Deus, Lázaro retorna da morte para a glória de Deus. E muitos homens de todos os tempos (não todos, pela inacreditável soberba humana) creram para a glória de Deus, manifestada por Jesus naquele dia com palavras de vida eterna: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais' (Jo 11,25 - 26).

domingo, 15 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

   

'O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma(Sl 22)

Primeira Leitura (1Sm 16,1b.6-7.10-13a) - Segunda Leitura (Ef 5,8-14) - Evangelho (Jo 9,1-41)

  15/03/2026 - QUARTO DOMINGO DA QUARESMA

A CEGUEIRA ESPIRITUAL


O Quarto Domingo da Quaresma é chamado Domingo Laetare ou Domingo da Alegria, e constitui um dos mais festejados do Ano Litúrgico. Por se enquadrar na metade do tempo quaresmal, período este vivido pela Igreja em meio à tristeza e penitências, a liturgia desse domingo se propõe a reacender nos católicos a firme alegria e esperança que devem ser o sustento dos católicos até a plenitude do tempo pascoal. E a alegria e esperanças cristãs se fundem em plenitude na Luz de Cristo.

Na eternidade, veremos Deus face a face. Na terra, vivemos na jubilosa esperança da posse eterna da Plena Visão. E, como cegos, tateamos na penumbra da fé para não nos deixarmos submergir pelas trevas do mundo. Neste domingo, celebramos a luz, a luz de Cristo, que rompe a escuridão de nossa alma cega nos afazeres mundanos. 'Vai lavar-te na piscina de Siloé' (Jo 1,7) é a intimação de Jesus ao mendigo cego de nascença, para lhe curar a cegueira física; 'Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo' (Jo 1, 37) é a confirmação a ele de que está diante do Filho do Homem e pleno da visão de Deus.

Jesus curou o cego de nascença moldando o barro do chão; Jesus nos cura da cegueira espiritual moldando a argila frágil da natureza humana, pelo cinzel da graça e do amor de Deus. Ao se debruçar até o pó, nos dá ciência de que conhece a nossa imensa fragilidade; ao proclamar sua divindade, nos conforta de que somos os herdeiros da divina misericórdia.

E, diante milagre tão portentoso, os fariseus expulsaram o mendigo da sinagoga e se aferraram ainda mais na obstinação dos condenados e, cegos de descrença, mergulharam ainda mais fundo nas trevas do pecado. A perda da visão física é passageira, a perda da visão sobrenatural tem o preço da eternidade. No meio do caminho desta jornada quaresmal, elevemos a Cristo nossas almas frágeis de argila e a Ele supliquemos conservá-las firmemente na direção do Círio Pascal, ao encontro da luz do Cristo Ressuscitado.

domingo, 8 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!(Sl 94)

Primeira Leitura (Ex 17,3-7) - Segunda Leitura (Rm 5,1-2.5-8) - Evangelho (Jo 4,5-42)

  08/03/2026 - TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA

A FONTE DA ÁGUA VIVA


O Evangelho deste domingo nos apresenta um Jesus fatigado, cansado de uma longa viagem, prostrado pelo calor sufocante do meio dia, estrangeiro de uma árida região da Samaria. Em sua humanidade, Jesus tem sede, muita sede. Em sua divindade, Jesus tem sede de levar o evangelho e a salvação a todos os seus filhos, em todos os lugares. Jesus não se curva ao deleite das sombras e nem à saciedade imediata da água fresca tão perto: sentado sozinho à beira do poço de Jacó, Jesus espera pela resposta humana ao seu convite de conversão à ovelha desgarrada: 'Dá-me de beber' (Jo 4,7).

Eis o chamado da graça manifestado pelo Filho de Deus Vivo a uma humilde mulher samaritana daquelas longínquas paragens. Tal como as águas que encheram as talhas de Caná para serem convertidas em vinho, a graça de Deus depende da nossa aceitação, da nossa contrapartida, da nossa 'água' espiritual. Jesus quer a salvação daquela mulher samaritana, como quer a tua alma e a minha na eternidade com Ele. Este chamamento é para todos: a sede de Jesus é plena, é verdadeira, é absoluta, quando almeja a água que jorra intermitente do coração humano.

E Deus saciado faz jorrar nas almas humildes e generosas ao seu chamamento cascatas da água viva que nos leva às moradas eternas: 'Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna' (Jo 4,13). Eis aí a mensagem do Evangelho deste domingo: Jesus é a fonte da água viva que sacia eternamente a alma sedenta de Deus.

A mulher samaritana pôde compartilhar a graça e a glória de Deus naquele dia ensolarado à beira do poço de Jacó. Certamente vacilou, certamente mostrou desconfiança, mas acreditou. Ao aceitar, encontrou perdão e misericórdia; ao oferecer a água do poço, recebeu a água viva, não mais como a jorrante da pedra em Massa e Meriba (Ex 17,6-7), mas aquela derramada do próprio Coração de Deus. É este empenho ao chamado da graça que Jesus está sempre esperando de nós à beira dos poços de Jacó ao longo dos caminhos e atalhos de nossas vidas.