sábado, 10 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (II)

II. A perda do sentido do pecado

'Não é raro na história que, por períodos mais ou menos longos e sob a influência de muitos fatores diferentes, a consciência moral de muitas pessoas fique seriamente obscurecida. "Temos uma ideia correta da consciência?" - perguntei há dois anos em um discurso aos fiéis - "Não é verdade que o homem moderno está ameaçado por um eclipse da consciência? Por uma deformação da consciência? Por uma insensibilidade ou ‘entorpecimento’ da consciência?" 

Muitos sinais indicam que tal eclipse existe em nosso tempo. Isso é ainda mais perturbador porque a consciência, definida pelo concílio como o ‘núcleo mais secreto e santuário do homem’, está 'estritamente relacionada à liberdade humana... Por esta razão, a consciência constitui, em grande medida, a base da dignidade interior do homem e, ao mesmo tempo, da sua relação com Deus'. 

É inevitável, portanto, que nesta situação haja também um obscurecimento do sentido do pecado, que está intimamente ligado à consciência moral, à busca da verdade e ao desejo de fazer um uso responsável da liberdade. Quando a consciência é enfraquecida, o sentido de Deus também é obscurecido e, como resultado, com a perda desse ponto de referência interior decisivo, perde-se o sentido do pecado. Isso explica por que meu predecessor Pio XII declarou certa vez, em palavras que se tornaram quase proverbiais, que 'o pecado do século é a perda do sentido do pecado'.

(Papa João Paulo II, Reconciliação e Penitência, 2 de dezembro de 1984)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)