sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

POR QUE 1960?

Por que o Terceiro Segredo deveria ser revelado publicamente apenas em 1960?

Esta pergunta foi feita à Irmã Lúcia por diferentes pessoas e a sua resposta foi sempre a mesma: 'porque então o Segredo tornar-se-ia mais claro para todos'. Ou seja, antes desta data, os termos do Segredo não seriam suficientemente claros e plenamente compreendidos ou, de outra forma, a partir de 1960, pela intervenção especial de alguma circunstância, evento ou acontecimento característico, a interpretação do texto profético tenderia a se tornar de muito mais fácil percepção e projeção. Assim, uma das mais intrigantes questões relativas ao Terceiro Segredo de Fátima é exatamente esta: antes de 1960, a sua revelação seria pouco efetiva para o bem da Igreja e do mundo, porque lhe faltaria uma conexão singular com alguma coisa que só seria de conhecimento público generalizado em 1960.

Pelo caráter interativo e indissociável do Segredo de Fátima como uma única e completa revelação extraordinária dos Céus, interligada por três partes distintas, há muito já se podia inferir a natureza da terceira parte do Segredo num contexto de uma profunda crise de fé e de difusão de uma apostasia universal, capazes de comprometer gravemente os fundamentos da cristandade e da própria civilização cristã.

Mas existe uma comprovação muito mais efetiva neste sentido, oriunda das próprias revelações conhecidas e constante do texto da Quarta Memória escrita pela Irmã Lúcia. Com efeito, na sequência imediata dos textos relativos às revelações do Primeiro e Segundo Segredo, a Irmã Lúcia acrescentou uma única frase: 'Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc'. É de consenso geral que esta frase solta introduz a terceira parte do Segredo e que o termo etc engloba as palavras restantes que compõem o Terceiro Segredo. Ora a frase é uma promessa contundente de que a verdadeira fé seria conservada em Portugal e, neste contexto, é uma clara admoestação de que isto certamente não iria ocorrer em outros lugares e países que viveram o triunfo da cristandade no mundo (A Europa Católica? As Américas? Mais provavelmente, o mundo inteiro).

Assim, 1960 representa uma data referencial para esta crise de fé universal, tão crítica e tão tremenda que é capaz de abalar os fundamentos da Igreja; caso contrário, não implicaria os eventos de Fátima e tão decisiva intervenção da Providência Divina na história da humanidade. Nos termos propostos pela Virgem, a mensagem profética deveria ser objeto de revelação pública em 1960 e não a partir de 1960. Tal fato pressupõe que o seu conhecimento nesta data era de fundamental importância para o bem da Igreja e do mundo no sentido de uma plena compreensão (e consequente tomada de posição) contra fatos, circunstâncias ou eventos que tenderiam a ser particularmente graves e deletérios para a Santa Igreja e para toda a humanidade.

Que fato, circunstância ou evento, ocorrido logo após 1960, mas que já seria de conhecimento prévio nesta data, atuou ou contribuiu de forma decisiva para fomentar a perda da fé cristã, uma apostasia universal e uma crise sem precedentes da Igreja? A resposta parece bastante óbvia em recair sobre o Concílio Vaticano II, concílio ecumênico convocado pelo Papa João XXIII em 25 de dezembro de 1961, inaugurado em 11 de outubro de 1962 e concluído pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965. O concílio que introduziu a Missa Nova na Igreja. No discurso na abertura solene do CV II, ao fazer alusão sobre a origem de sua proposição, assim se expressou o Papa João XXIII:

'No que diz respeito à iniciativa do grande acontecimento que agora se realiza, baste, a simples título de documentação histórica, reafirmar o nosso testemunho humilde e pessoal do primeiro e imprevisto florescer no nosso coração e nos nossos lábios da simples palavra 'Concílio Ecumênico'. Palavra pronunciada diante do Sacro Colégio dos Cardeais naquele faustíssimo dia 25 de janeiro de 1959, festa da Conversão de São Paulo, na sua Basílica. Foi algo de inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. E, ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio'.

(Missa de Abertura do Concílio Vaticano II rezada pelo Papa João XXIII)

O Papa João XXIII proclamava neste evento que tivera uma singular inspiração especial para anunciar subitamente um novo concílio ecumênico em 25 de janeiro de 1959, diante do Sacro Colégio de Cardeais, a mais alta hierarquia da Igreja. Uma proposta que demandou a partir de então mais de 1000 dias ou quase três longos anos de preparação antes da sua convocação formal (ou 3 anos e 8 meses até a sua solene inauguração). Um período que teve 1960 no meio do tempo, mas que não teve a mensagem de Fátima no meio do caminho. Um pequeno detalhe complementar: foi exatamente em um dia 25 de janeiro (25/01/1938) que uma luz desconhecida iluminou os céus da Europa, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, tal como predita por Nossa Senhora de Fátima como um sinal de que Deus iria punir o mundo com os eventos que haviam sido revelados na segunda parte do segredo, uma vez que os homens continuavam obstinados no pecado. Seria tal fato uma mera coincidência dos Céus?

(FÁTIMA EM 100 FATOS E FOTOS, Questão 92, obra do autor do blog)