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quinta-feira, 9 de abril de 2026

AS 10 APARIÇÕES DE JESUS RESSUSCITADO


E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus [At 1,3]

I. Aparição a Maria Madalena (Maria de Magdala)

Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro. Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles lhe perguntaram: 'Mulher, por que choras?'. Ela respondeu: 'Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram'. Ditas essas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: 'Mulher, por que choras? Quem procuras?' Supondo ela que fosse o jardineiro, res­pondeu: 'Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar'. Disse-lhe Jesus: 'Maria!' Voltando-se ela, exclamou em hebraico: 'Rabôni!' (que quer dizer Mestre) [Jo 20,11-18].

Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios [Mc 16,9].
 
II.  Aparição a Maria Madalena, Maria (mãe de Tiago), Joana e outras mulheres 

Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a ou­tra Maria [a mãe de Tiago conforme Mc 16,1, incluindo Joana em outras versões] foram ver o túmulo... Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: 'Salve!' Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés. Disse-lhes Jesus: 'Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão' [Mt 28,1.10].

Eram elas Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago; as outras suas amigas relataram aos apóstolos a mesma coisa [LC 24,10].

III. Aparição a Pedro

Levantaram-se na mesma hora e voltaram a Jerusalém. Aí acharam reunidos os Onze e os que com eles estavam. Todos diziam: 'O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão' [Lc 24,34].

Ele foi visto por Pedro (Cefas) e depois pelos Doze [1Cor 15,5].

IV. Aparição a Cleofas e outro discípulo a caminho de Emaús

Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles... Então, se lhes abriram os olhos e o reconheceram... mas ele desapareceu [Lc 24,13-15.31]

V. Aparição aos onze discipulos exceto Tomé

Enquanto ainda falavam dessas coisas, Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: 'A paz esteja convosco!' Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse: 'Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho' [LC 24,36-39].

Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: 'A paz esteja convosco!' Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor [Jo 20,19-20].

VI. Aparição aos onze discípulos incluindo Tomé

Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: 'A paz esteja convosco!'... Disse-lhe Jesus: 'Creste, porque me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!' [Jo 20,26.29].

VII. Aparição a sete discípulos no Mar de Tiberíades

Depois disso, tornou Jesus a ma­nifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de Tibería­des... Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de Caná da Galileia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos [Jo 21,1-2].

VIII. Aparição aos onze discípulos em uma montanha da Galileia

Os onze discípulos foram para a Galileia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Quando o viram, adoraram-no... 'Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo' [Mt 26,16-17.20].

IX. Aparição a Tiago

Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os apóstolos [1Cor 15,7].

X. Aparição aos onze discípulos em Betânia, na sua Ascensão ao Céu

Depois os levou (os onze discípulos) para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava, separou-se deles e foi arrebatado ao céu [Lc 24,50-51].

'Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo'. Dizendo isso, elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos [At 1,8-9].

quarta-feira, 8 de abril de 2026

VERSUS: CARIDADE X CARIDADE


A verdadeira caridade é paciente na adversidade e comedida na prosperidade; é forte no sofrimento doloroso, alegre nas boas obras, perfeitamente segura na tentação; é suave com os verdadeiros irmãos e paciente com os falsos; é inocente nas armadilhas; chora na maldade; respira na verdade. É pura em Susana casada, em Ana viúva, em Maria virgem (Dn 13,1-; Lc 2,36). É humilde na obediência de Pedro e livre na argumentação de Paulo. É humana no testemunho dos cristãos, divina no perdão de Cristo. Porque a verdadeira caridade, queridos irmãos, é a alma de todas as Escrituras, a força da profecia, a moldura do conhecimento, o fruto da fé, a riqueza dos pobres, a vida dos moribundos. Conservai-a pois com fidelidade; amai-a com todo o vosso coração e com toda a força do vosso entendimento (cf Mc 12,30).
(São Cesário de Arles)


Pensas que a caridade é facultativa? Que não se trata de uma lei, mas de um simples conselho? Bem gostaria que fosse assim. Mas assusta-me o lado esquerdo de Deus, esse lado para onde Ele mandou os cabritos, aos quais não censurou o fato de terem roubado, pilhado, cometido adultérios ou perpetrado outros delitos deste tipo, mas o fato de não terem honrado a Cristo na pessoa dos seus pobres. Por isso, se me julgais dignos de alguma atenção, servos de Cristo, seus irmãos e co-herdeiros, visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, honremos a Cristo, não só sentando-o à nossa mesa como Simão, não só ungindo-o com perfumes como Maria, não só dando-lhe sepulcro como José de Arimateia, não só provendo o necessário para a sua sepultura como Nicodemos, não só, finalmente, oferecendo-lhe ouro, incenso e mirra como os magos. Mas, uma vez que o Senhor do universo prefere a misericórdia ao sacrifício (cf Mt 9,13), uma vez que a compaixão tem muitos mais valor que a gordura de milhares de cordeiros, ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao sairmos deste mundo, sejamos recebidos nas moradas eternas (cf Lc 16,9) pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor, a quem seja dada glória pelos séculos dos séculos..

(São Gregório de Nazianzeno)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XVI)

       

PARTE II - O JUÍZO FINAL

XI. Sobre a proclamação da sentença sobre os bons e os maus

O que foi dito até agora a respeito do Juízo Final é, de fato, algo terrível, mas o que está por vir é ainda maior: estamos prestes a falar da sentença pronunciada sobre os ímpios e de como eles serão lançados no inferno. Isso é tão terrível que nada em toda a eternidade pode ser comparado a tal horror.

Quando o Juiz supremo tiver sondado os corações de todos os homens e pesado todas as suas ações na balança da justiça, quando tudo tiver sido revelado e manifestado ao mundo inteiro, Ele proferirá sentença sobre os bons e sobre os maus. Primeiro, Ele voltará um rosto bondoso para os seus eleitos (que estarão à sua direita) e dirigirá a eles as palavras consoladoras: 'Vinde, ó benditos do meu Pai, possuí o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes; estava nu e me vestistes; estava doente e me visitastes; estava na prisão e viestes ter comigo' (Mt 25,34-36).

'Vocês foram fiéis a mim até o fim das suas vidas. Desprezaram o mundo e todas as coisas do mundo, amaram-me e buscaram acima de tudo promover a minha glória. Sofreram muito enquanto estavam na terra, realizaram árduas obras de penitência, foram desprezados e oprimidos pelos adeptos do mundo e pelos ímpios. Mas agora o tempo do sofrimento terminou e o tempo da felicidade começa; vossa tristeza se transformará em alegria, alegria eterna que nenhum homem poderá tirar de vós. Vinde, pois, ó meus amigos, vinde, vós, abençoados e escolhidos do meu Pai celestial, vinde do trabalho para o descanso, vinde da tristeza para a alegria, vinde dos reinos das trevas para as regiões da luz, vinde da terra para o Céu. Vinde e possuí a pátria celestial, pela qual tantas vezes ansiastes, vinde e reinai comigo para sempre, pois por vossas boas obras merecestes esta recompensa. Vossa felicidade perdurará enquanto eu for Deus, e na minha presença desfrutareis da bem-aventurança do Céu por toda a eternidade'.

Os corações dos eleitos transbordarão de alegria, consolo e deleite ao ouvirem estas palavras amorosas. Eles erguerão os olhos para o rosto benigno de seu Juiz e dirão a Ele com alegria e gratidão: 'Deus e Senhor misericordioso, vossa bondade para conosco é infinita, e vossa generosidade não conhece limites. Como merecemos receber de Vós uma tal recompensa? O que fizemos para merecer a felicidade sem fim? É somente por vossa misericórdia e caridade infinita que Vós nos acolheis em vosso reino de glória. Sede bendito para sempre; nossa boca exaltará a vossa majestadade para sempre!'

Depois disso, Cristo ordenará aos seus Anjos que tragam todos os santos diante de si. E, à medida que se aproximarem do seu trono, Ele as revestirá com uma vestimenta de glória, brilhante e bela, de modo que brilhem como estrelas. Sobre suas cabeças, colocará coroas de ouro de brilho incomparável e, em suas mãos, colocará lírios, rosas, ramos de palmeira e um cetro, para simbolizar a vitória que alcançaram sobre o mundo, a carne e o demônio.

Os perdidos testemunharão a glória e a exaltação dos santos. Ouvirão seus gritos de triunfo, e isso lhes será como fel e absinto. Rangerão os dentes de raiva e remorso; todo o prazer que sentiam em seus pecados agora se foi. Chorarão e lamentarão, e dirão, em meio a soluços de profundo desespero: 'Ai de nós, quão infelizes, quão miseráveis somos! O que fizemos! Vede aqueles a quem outrora desprezávamos, agora tão felizes, tão extasiados, tão honrados e glorificados, e nós, que os desprezávamos, estamos agora tão infelizes, tão miseráveis, tão desonrados, marcados para sempre com todos os sinais de reprovação! E, no entanto, poderíamos ter conquistado para nós o mesmo destino glorioso que eles; o trabalho e a dificuldade não teriam sido além de nossas forças. Mas nós, em nossa maldita loucura, desperdiçamos o Bem Supremo e nos privamos da felicidade eterna em troca de prazeres sem valor e passageiros. Ó que loucura, que insanidade da nossa parte! Como pudemos nos deixar deslumbrar a tal ponto pelas vis devassidões do mundo!'

Depois que esses seres infelizes tiverem lamentado sua miséria por um tempo considerável, a trombeta voltará a emitir um som poderoso. Esse toque da trombeta anunciará a sentença proferida sobre os réprobos e imporá silêncio a todos os presentes. Então, o Juiz se voltará para os ímpios e, olhando para eles com um rosto inflamado de santa ira, dirá: 'Ó pecadores tolos e cegos! Chegou agora o dia terrível de que vos falei quando estava na terra: o dia, a hora do julgamento. Agora está diante de vós Aquele a quem sempre vos mostrastes inimigos. Em vossa presunção arrogante, causastes todo tipo de dor e dano a mim, à minha Igreja, aos meus irmãos e irmãs, a todos os filhos de Deus. Contemplem as feridas que me infligiram; contemplem o lado que perfuraram; contemplem a Cruz na qual me cravaram; contemplem o pilar no qual me açoitaram e, ao qual, nos anos seguintes, amarraram a minha Igreja, minha esposa imaculada, século após século, lacerando e rasgando sua carne com o açoite de vossa zombaria insolente, vossa incredulidade, vossos escândalos, vossas seduções, vossos atos infames de todo tipo'.

'Por amor a vós, desci do Céu e, por amor a vós, suportei as crueldades da morte. E, no entanto, o meu amor, tão maravilhoso em sua extensão, não despertou resposta em vossos corações, não encontrou amor em troca; pelo contrário, rejeitastes-me com desprezo e ódio quando me apresentei à porta de vossos corações como um suplicante, desejoso de obter admissão ali. Quantas vezes Eu vos chamei e vós não quisestes me ouvir. Estendi as minhas mãos para vós, mas vós vos afastastes do meu abraço. Recorri a ameaças, visitei-vos com muitos castigos amorosos, mas vós não quisestes curvar o vosso pescoço orgulhoso sob o meu jugo suave. Escolhestes deliberadamente servir ao demônio como vosso deus e, por isso, partilhareis agora o seu destino e estareis com ele no abismo da condenação por toda a eternidade. Eu também rirei da vossa destruição. Eis que os meus servos, todos os justos, comerão e se fartarão, enquanto vós passareis fome eternamente. Aos meus servos será dado beber em abundância, enquanto vós tereis sede, e a vossa sede nunca será saciada. Os meus servos se alegrarão e vós chorareis. Meus servos exultarão em êxtase perpétuo e vós gritareis em agonia e desespero. Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno que foi preparado para o demônio e os seus anjos. Pois tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era estrangeiro e não me acolhestes, estava nu e não me vestistes, fiquei doente e na prisão e não me visitastes'.

Este veredito, pronunciado pelo Juiz justo, atingirá os ouvidos dos condenados como um trovão; eles cairão prostrados no chão, oprimidos por estas palavras terríveis, e então lançarão tal grito de desespero e raiva, que os próprios Céus e a terra tremerão com o som: 'Ai de nós, malditos e miseráveis que somos! Agora seremos banidos da presença de Deus e dos santos para toda a eternidade! Teremos de arder para sempre e sempre com os demônios nas chamas do inferno! Ide para o fogo eterno! Ó que sentença terrível dos lábios do nosso Juiz! Fogo eterno! Tormento eterno! Nenhuma esperança de salvação! Ai de nós, pecadores miseráveis; ai de nós, ai de nós!

Assim, as almas perdidas se queixarão, chorarão e se lamentarão. Contudo, o tempo da graça já passou; a sentença foi proferida; não há mais misericórdia, nem clemência para elas. 'Compreendam estas coisas, vós que vos esquecestes de Deus; para que Ele não vos arrebate e não haja quem vos livre (Sl 49,22). Sim, compreendam isso, ó infelizes pecadores, e zelem para que um destino semelhante não vos alcance. Pensem em como se sentiriam se estivessem entre esses réprobos. Considerem o que desejariam ter feito e o que dariam como preço de resgate, se fosse possível serem libertados. Pois bem, façam agora o que desejariam ter feito então. Confessem e lamentem seus pecados enquanto ainda há tempo e supliquem a Deus que os preserve do tormento sem fim.

ORAÇÃO

Ó Deus misericordiosíssimo, Vós nos dissestes pela boca do vosso profeta: 'No tempo aceitável, eu te ouvirei, e no dia da salvação, eu te ajudarei' (Is 49,8). Eis que agora é o dia da salvação; por isso, invoco-vos e, com a maior confiança e do fundo do meu coração, suplico-vos que me concedais graça e ajuda na medida das minhas necessidades, para que eu não seja rejeitado. Pois os mortos não vos louvam, ó Senhor, nem aqueles que descem ao inferno, mas os vivos, nós que vivemos em vossa santa presença, exaltaremos o vosso santo nome para sempre. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

domingo, 5 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

   

'Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!' (Sl 117)

Primeira Leitura (At 10,34a.37-43) - Segunda Leitura (Cl 3,1-4) - Evangelho (Jo 20,1-9)

  04/04/2026 - DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO


Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Eis o grande dia do Senhor, em que a vida venceu a morte, a luz iluminou as trevas, a glória de Deus se impôs aos valores do mundo. Jesus veio para fazer novas todas as coisas, abrir o caminho para o Céu, eternizar a glória de Deus na alma humana. Cristo Ressuscitado é a razão suprema de nossa fé, penhor maior de nossa esperança, causa de nossa alegria, plenitude do amor humano. Como filhos da redenção de Cristo, cantamos jubilosos a Páscoa da Ressurreição: 'Tende confiança! Eu venci o mundo' (Jo 16, 33).

O Triunfo de Cristo é o nosso triunfo pois o o Homem Novo tomou o lugar do homem do pecado. Mortos para o mundo, tornamo-nos herdeiros da ressurreição da nova vida em Deus: 'Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus (Cl 3, 1-3).

Entremos com Pedro no sepulcro agora vazio de Jesus: 'Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte' (Jo 20, 6 -7). Este sepulcro vazio é a morte do pecado, a vitória da vida sobre a morte: 'Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?' (1 Cor 15, 55). Jesus ressuscitou! Bendito é o Senhor dos Exércitos que, com a sua Ressurreição, derrotou o mundo e nos fez herdeiros do Céu! Este é o dia da alegria suprema, do triunfo da vida, do gáudio eterno dos justos. Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!

Hæc est dies quam fecit Dominus. Exultemus et lætemur in ea!

domingo, 29 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?' (Sl 21)

Primeira Leitura (Is 50,4-7) - Segunda Leitura (Fl 2,6-11) - Evangelho (Mt 21,1-11)

  29/03/2026 - DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

'HOSANA AO FILHO DE DAVI!'


No Domingo de Ramos, tem início a Semana Santa da paixão, morte e ressurreição de Nosso senhor Jesus Cristo. Jesus entra na cidade de Jerusalém para celebrar a Páscoa judaica com os seus discípulos e é recebido como um rei, como o libertador do povo judeu da escravidão e da opressão do império romano. Mantos e ramos de oliveira dispostos no chão conformavam o tapete de honra por meio do qual o povo aclamava o Messias Prometido: 'Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!' (Mt 21,9).

Jesus, montado em um jumento, passa e abençoa a multidão em polvorosa excitação. Ele conhece o coração humano e pode captar o frenesi e a euforia fácil destas pessoas como assomos de uma mobilização emotiva e superficial; por mais sinceras que sejam as manifestações espontâneas e favoráveis, falta-lhes a densidade dos propósitos e a plena compreensão do ministério salvífico de Cristo. Sim, eles querem e preconizam nEle o rei, o Ungido de Deus, movidos pelas fáceis tentações humanas de revanche, libertação, glória e poder. Mas Jesus, rei dos reis, veio para servir e não para reinar sobre impérios forjados pelos homens: '...o meu reino não é deste mundo' (Jo 18,36). Jesus vai passar no meio da multidão sob ovações e hosanas de aclamação festiva; Jesus vai ser levado sob o silêncio e o desprezo de tantos deles, uns poucos dias depois, para o cimo de uma cruz no Gólgota.

Neste Domingo de Ramos, o Evangelho evoca todas as cenas e acontecimentos que culminam no calvário de Nosso Senhor Jesus Cristo: os julgamentos de Pilatos e Herodes, a condenação de Jesus, a subida do calvário, a crucificação entre dois ladrões e a morte na cruz...'Eli, Eli, lamá sabactâni?' (Mt 27,46). Na paixão e morte de cruz, Jesus revela seu amor desmedido pela criação do Pai e desnuda a perfídia, a ingratidão, a falsidade e a traição dos que se propõem a amar com um amor eivado pelos privilégios e concessões aos seus próprios interesses e vantagens.

A fé é forjada no cadinho da perseverança e do despojamento; sem isso, toda crença é superficial e inócua e, ao sabor dos ventos, tende a se tornar em desvario. Dos hosanas de agora ao 'Seja crucificado!' (Mt 27,22-23) de mais além, o desvario humano fez Deus morrer na cruz. O mesmo desvario, o mesmo ultraje, a mesma loucura que se repete à exaustão, agora e mais além no mundo de hoje, quando, em hosanas ao pecado, uma imensa multidão, em frenesi descontrolado, crucifica Jesus de novo em seus corações!

quarta-feira, 25 de março de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XV)

      

PARTE II - O JUÍZO FINAL

X. Sobre a duração do Juízo Final

Quanto tempo durará o Juízo Final? Não é possível dar uma resposta definitiva a essa pergunta, pois trata-se de algo que ninguém sabe; contudo, pode-se supor que ocupará um período considerável. Alguns, de fato, dizem que terminará rapidamente, pois Deus poderia julgar toda a humanidade em um único instante. No entanto, essa opinião não parece ser compartilhada pelos Padres da Igreja, nem é apoiada pela Sagrada Escritura, na qual invariavelmente se fala de um dia de julgamento.

São Paulo, por exemplo, diz que: 'Deus designou um dia em que julgará o mundo com justiça' (At 17,31). E lemos nas profecias de Isaías: 'Eis que virá o dia do Senhor, um dia cruel, cheio de indignação, ira e fúria' (Is 13,9). Nestas e em muitas outras passagens da Sagrada Escritura, o Último Dia é mencionado como um dia, não como um julgamento instantâneo. O profeta Joel indica que o dia será longo, quando diz: 'O dia do Senhor é grande e muito terrível; e quem poderá suportá-lo?' (Jl 2,11). E sobre esse mesmo dia, São João, o profeta da Nova Aliança, também diz: 'Chegou o grande dia da sua ira, e quem poderá subsistir?' (Ap 6,17).

Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura encontramos expressões semelhantes; o Dia do Juízo Final é chamado de 'o grande dia', o que provavelmente significa um dia longo. São Jerônimo defendia essa opinião, pois diz: 'O dia do Senhor será um grande dia por causa da eternidade que se seguirá a ele'. Santo Agostinho, ao falar da duração do juízo final, expressa-se assim: 'Por quantos dias se estenderá o juízo, não temos como determinar; contudo, sabemos que um período considerável é frequentemente designado nas Sagradas Escrituras como um dia'. São Tomás de Aquino concorda com Santo Agostinho neste ponto; ele apresenta vários argumentos para provar que o juízo final terá uma longa duração. E por que Deus encurtaria esse dia? Há razões abundantes para que Ele, ao contrário, o prolongue. Pois é o dia do maior triunfo de Cristo; o dia em que os santos alcançam a sua maior glória e os condenados serão submetidos à maior vergonha.

É o dia do maior triunfo de Cristo, porque Ele não só será adorado por todos os anjos e santos, mas também pelos espíritos malignos e pelas almas perdidas, e reconhecido por todos como seu Juiz. Naquele dia, todos os seus inimigos estarão aos seus pés; naquele dia, todos os seus adversários serão forçados a confessar suas ofensas contra Ele, o Árbitro Divino. Eles serão então compelidos a reconhecer a sua divindade, a sua caridade infinita, os inúmeros benefícios que Ele lhes concedeu, em troca dos quais o perseguiram, blasfemaram contra Ele e o submeteram a uma morte cruel. 

Em segundo lugar, os santos abençoados alcançarão naquele dia a sua maior glória, pois serão honrados e estimados por toda a humanidade, bem como por Deus e pelos Anjos. Pois Cristo revelará então a todos os presentes com que fidelidade eles o serviram, com que zelo abnegado trabalharam pela conversão dos pecadores. Ele revelará então as penitências secretas que realizaram, as tentações ferozes às quais resistiram. Ele revelará então as perseguições impiedosas que sofreram das mãos dos filhos deste mundo, e como todo tipo de mal foi dito contra eles injustamente. Assim, Cristo os coroará com a honra que lhes é devida, e todos os seus adversários serão confundidos.

Em terceiro lugar, naquele dia os réprobos serão submetidos à maior ignomínia e angústia. Pois o Juiz revelará todo o caráter vergonhoso e abominável de seus delitos. Ele revelará, à vista dos Anjos e dos Santos, dos demônios e dos condenados, os atos infames que eles cometeram sob o manto da escuridão. Sim, Ele derramará o cálice cheio da sua indignação sobre esses seres miseráveis que, sob a máscara da hipocrisia, ousaram profanar o próprio Santuário. Ele fará com que aqueles que corromperam a inocência sejam capturados e dispostos entre os espíritos malignos, cuja obra diabólica e três vezes amaldiçoada levaram adiante na terra.

Naquele dia, o Juiz Divino fará com que todos os pecadores impenitentes bebam profundamente do cálice da vergonha e da ignomínia, como nos diz São Basílio, quando afirma: 'A confusão que se abaterá sobre o pecador ímpio no Dia do Juízo Final será para ele uma tortura mais cruel do que se fosse lançado em um fogo ardente'. Esta é, de fato, a razão pela qual Deus determinou o Juízo Final: para que os pecadores não sejam punidos apenas pela dor que lhes caberá, mas também sejam expostos à vergonha pública. 

São Tomás de Aquino afirma: 'O pecador não merece apenas dor, mas também desgraça e ignomínia, pois esse é um castigo a que somente os seres humanos podem ser submetidos. Os animais inferiores podem ser castigados e mortos, mas não sabem o que é sofrer vergonha e desprezo'. Isso explica o fato de que qualquer pessoa que tenha um mínimo de autoestima prefere sofrer uma punição mais severa em segredo do que ser exposta à desgraça pública.

Por todas essas razões, pode-se supor que o Juízo Final se estenderá por um período considerável de tempo e, portanto, temos ainda mais motivos para tremer diante dessa perspectiva e orar fervorosamente a Deus para que, naquele grande dia, Ele não nos oprima com vergonha e confusão, mas nos conceda a graça de sua alegria e glória.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

domingo, 22 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'No Senhor, toda graça e redenção!(Sl 129)

Primeira Leitura (Ez 37,12-14) - Segunda Leitura (Rm 8,8-11) - Evangelho (Jo 11,1-45)

  22/03/2026 - QUINTO DOMINGO DA QUARESMA

'EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA'


Há tantas belas lições a serem consideradas no Evangelho deste Quinto Domingo da Quaresma! Tomemos algumas delas e situemos no tempo e no espaço o desenrolar dos acontecimentos deste evento extraordinário da ressurreição de Lázaro: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11,43). Jesus frequentava, com alguma periodicidade, a propriedade dos irmãos, Lázaro, Marta e Maria, e sentia por eles especial predileção. E, diante da doença do irmão e das súplicas das duas irmãs, aparentemente vai ser movido por uma indiferença inexplicável: 'Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava' (Jo 11,6). E, que assombro não teria tomado Marta e Maria diante da morte do irmão e da resposta de Jesus aos enviados delas: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela' (Jo 11,4).

As nossas aflições e sofrimentos expressam em nós e por nós a manifestação da glória de Deus. Como almas aflitas, imploramos a misericórdia de Deus diante do infortúnio, da doença, do sofrimento, da dor. Como Marta e como Maria. A resposta de Deus não segue a direção do apelo humano; reverbera nos Céus e encontra eco nos imponderáveis desígnios de Deus que paga um bem com bem infinito, confiança com graças infinitas, a oração contrita e humilde com infinita misericórdia! Jesus não vai apenas curar a doença de Lázaro, vai ressuscitá-lo e, com isso, converter muitos outros e torná-lo, assim, muito acima da doença, um instrumento maior da glória de Deus.

Nossa oração de aflitiva comoção deve ser humilde, confiante, perseverante, fervorosamente despojada na misericórdia do Pai. Como Marta e Maria, podemos ficar sucumbidos pela dúvida e pela inquietação diante o sofrimento: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido' (Jo 11,21). E comovido profundamente e movido de compaixão, 'Jesus chorou' (Jo 11,35). Nesta pequena oração do Evangelho, perpassa todo o amor do Coração de Infinita Misericórdia de Nosso Senhor. Jesus chora e se comove com Lázaro, Jesus chora e se comove com todos os seus filhos, e será capaz de operar portentosos milagres para buscar, seja onde for, uma ovelha perdida.

Quando Lázaro sai do túmulo, não é o Lázaro enterrado há quatro dias, uma vez que totalmente enfaixado e sem possibilidade humana de se locomover por si mesmo. Lázaro se move pela glória de Deus, Lázaro retorna da morte para a glória de Deus. E muitos homens de todos os tempos (não todos, pela inacreditável soberba humana) creram para a glória de Deus, manifestada por Jesus naquele dia com palavras de vida eterna: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais' (Jo 11,25 - 26).

segunda-feira, 16 de março de 2026

domingo, 15 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

   

'O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma(Sl 22)

Primeira Leitura (1Sm 16,1b.6-7.10-13a) - Segunda Leitura (Ef 5,8-14) - Evangelho (Jo 9,1-41)

  15/03/2026 - QUARTO DOMINGO DA QUARESMA

A CEGUEIRA ESPIRITUAL


O Quarto Domingo da Quaresma é chamado Domingo Laetare ou Domingo da Alegria, e constitui um dos mais festejados do Ano Litúrgico. Por se enquadrar na metade do tempo quaresmal, período este vivido pela Igreja em meio à tristeza e penitências, a liturgia desse domingo se propõe a reacender nos católicos a firme alegria e esperança que devem ser o sustento dos católicos até a plenitude do tempo pascoal. E a alegria e esperanças cristãs se fundem em plenitude na Luz de Cristo.

Na eternidade, veremos Deus face a face. Na terra, vivemos na jubilosa esperança da posse eterna da Plena Visão. E, como cegos, tateamos na penumbra da fé para não nos deixarmos submergir pelas trevas do mundo. Neste domingo, celebramos a luz, a luz de Cristo, que rompe a escuridão de nossa alma cega nos afazeres mundanos. 'Vai lavar-te na piscina de Siloé' (Jo 1,7) é a intimação de Jesus ao mendigo cego de nascença, para lhe curar a cegueira física; 'Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo' (Jo 1, 37) é a confirmação a ele de que está diante do Filho do Homem e pleno da visão de Deus.

Jesus curou o cego de nascença moldando o barro do chão; Jesus nos cura da cegueira espiritual moldando a argila frágil da natureza humana, pelo cinzel da graça e do amor de Deus. Ao se debruçar até o pó, nos dá ciência de que conhece a nossa imensa fragilidade; ao proclamar sua divindade, nos conforta de que somos os herdeiros da divina misericórdia.

E, diante milagre tão portentoso, os fariseus expulsaram o mendigo da sinagoga e se aferraram ainda mais na obstinação dos condenados e, cegos de descrença, mergulharam ainda mais fundo nas trevas do pecado. A perda da visão física é passageira, a perda da visão sobrenatural tem o preço da eternidade. No meio do caminho desta jornada quaresmal, elevemos a Cristo nossas almas frágeis de argila e a Ele supliquemos conservá-las firmemente na direção do Círio Pascal, ao encontro da luz do Cristo Ressuscitado.

sexta-feira, 13 de março de 2026

PORQUE O INFERNO É O INFERNO

Quanto ao tempo futuro que virá depois desta vida, Sofonias exclama: 'Aquele dia é dia de ira, dia de tribulação e angústia, dia de calamidade e miséria, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e redemoinhos, dia de trombetas e alarme' (Sf 1,15-16). Não apenas todos os pecados serão punidos, mas serão punidos com tormentos horrendos e pavorosos, que serão tão massivos que agora dificilmente podem ser imaginados pelos homens.

Assim como 'olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem subiu ao coração do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam' (Is 64,4; 1Cor 2,9), assim também olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem subiu ao coração do homem o que Deus preparou para seus inimigos. De fato, o castigo dos pecadores no Inferno será múltiplo e completo, isto é, sem mistura de quaisquer consolações, e, o que aumenta infinitamente a sua miséria, serão eternas. Serão muitas, digo eu, porque cada uma das faculdades da alma e cada um dos cinco sentidos do corpo terão os seus tormentos.

Ponderai as palavras desta sentença do Juiz Supremo que se encontra no Evangelho: 'Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno' (Mt 25,41). 'Apartai-vos de mim' - diz ele - isto é, afastai-vos da comunhão dos bem-aventurados, permanecei privados para sempre da visão de Deus, que é a felicidade suprema e essencial e o fim último para o qual fostes criados.

'Malditos', isto é, não alimenteis mais esperança de qualquer tipo de bênção; estais privados de qualquer vida de graça, de qualquer esperança de salvação; a água da sabedoria não mais choverá sobre vós, nem o orvalho das boas inspirações. Não mais vos iluminará o raio de luz celeste, nem brotará em vós a graça do arrependimento, nem a flor da caridade, nem o fruto das boas obras.

'Aquele que vem do alto' (Lc 1,78) nunca mais os visitará daquele momento em diante; vocês terão falta não apenas de bens espirituais, mas também materiais, não apenas de bens eternos, mas também temporais. Para vocês não haverá riquezas, nem prazeres, nem consolação, mas serão como a figueira que eu amaldiçoei, a qual secou imediatamente, com raiz e tudo (Mt 21,19).

Ele diz: 'para o fogo', isto é, para a fornalha de fogo ardente e inextinguível que se apoderará não de um membro, mas de todos os seus membros ao mesmo tempo e os queimará com a mais aguda dor. 'Eterno', isto é, para o fogo que não precisa ser alimentado com lenha para continuar queimando para sempre, mas é atiçado pelo sopro do Deus Todo-Poderoso para que, assim como sua culpa nunca será destruída, nunca haja fim para o seu castigo.

Com razão, então, o profeta Isaías exclama: 'Quem de vocês pode habitar dentro de um fogo consumidor? Quem de vocês pode habitar em meio às chamas eternas?' (Is 33,14). Com isso, ele diz que absolutamente ninguém pode suportar esse fogo pacientemente, mas os condenados serão forçados contra sua vontade a suportá-lo com impaciência, raiva e desespero.

Ele acrescenta: 'O seu verme não morrerá, e o seu fogo não se apagará' (Is 66,24). Estas palavras são repetidas mais de uma vez por Nosso Senhor no Evangelho de São Marcos (Mc 9,43-45-47). O remorso de consciência aumentará com a lembrança dos tempos em que os pecadores, se quisessem, poderiam ter escapado daqueles castigos com um pequeno esforço e desfrutado das alegrias eternas do Paraíso.

Ninguém deve pensar que os condenados podem encontrar um pouco de alívio andando por aí e mudando de lugar. Ouça o que o próprio Senhor diz: 'Amarrai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes' (Mt 22,13). Portanto, aqueles miseráveis, atados de pés e mãos por cadeias eternas, jazerão para sempre no mesmo lugar, privados da luz do sol, da lua e das estrelas, queimados pelo fogo ardente, chorando, lamentando e rangendo os dentes em sua fúria e desespero.

Aqueles que forem lançados naquele lugar cheio de horror sofrerão não apenas a mais terrível dor no fogo eterno, mas também a privação absoluta de todas as coisas, bem como vergonha e desgraça repletas de agudo embaraço e confusão. De fato, num piscar de olhos, perderão seus palácios, campos, vinhas, rebanhos, bois, roupas, bem como seu ouro, prata e pedras preciosas, e serão reduzidos a tal miséria que o rico conviva desejará e implorará por uma gota de água fria, mas não será ouvido (Lc 16,24-26). 

... Se o que dissemos sobre a perda de todos os bens, tanto celestiais quanto terrestres, e sobre as dores amargas, a ignomínia e a vergonha, tivesse fim ou pelo menos fosse misturado a algum tipo de consolo ou alívio, como acontece com todas as misérias desta vida, então poderiam ser considerados toleráveis de alguma forma. Contudo, é absolutamente certo e fora de qualquer dúvida que, assim como a felicidade dos bem-aventurados será perpétua e sem aflições, assim também a infelicidade dos condenados durará para sempre, sem qualquer alívio. 

Aqueles que não fazem todo o esforço para alcançar o Reino dos Céus e a felicidade eterna, independentemente de quaisquer provações, perigos, vergonha e morte, que o Apóstolo chama de leves e passageiras (2Cor 4,17), devem ser, na verdade, cegos e tolos.

(São Roberto Belarmino)

quarta-feira, 11 de março de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XIV)

     

PARTE II - O JUÍZO FINAL

IX. Sobre como terá início o Juízo Final

Quando os Anjos e os Santos, além de toda a companhia dos demônios e dos condenados, estiverem prostrados diante de seu Juiz em humilde adoração, Ele abrirá os lábios e, com voz alta, proferirá estas ou outras palavras semelhantes: 'Ouçam, ó céus, a minha voz; ouça, ó terra, as palavras que vou proferir; ouçam, ó anjos, ouçam, ó demônios, ouçam também, todos vós, pecadores, pois anuncio a cada um e a todos vós que eu, Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus e da Virgem Maria, vosso Criador, vosso Redentor, vosso soberano Senhor, estou prestes a exercer meu ofício de Juiz.

Com infinita paciência, tenho suportado as vossas inúmeras iniquidades: o tempo da graça já passou, o tempo da justiça chegou. Cada um será recompensado de acordo com as suas obras. Aqueles que fizeram o bem irão comigo para a vida eterna, e aqueles que fizeram o mal serão lançados no abismo do tormento e da angústia eternos. Toda a criação verá e reconhecerá que sou um Deus justo, que não julgo segundo as aparências, mas segundo a medida do que cada homem mereceu'.

Palavras como estas sairão da boca do Juiz e serão pronunciadas com tal majestade que todos os homens tremerão e se estremecerão. Todos os miseráveis pecadores começarão a chorar e lamentar-se novamente, de modo que a própria terra poderá ser movida pela compaixão. 'Ai de nós, pobres coitados' - exclamarão em uma só voz - 'como podemos ficar diante da face do nosso Juiz! Montanhas, caiam sobre nós, e rochas, cubram-nos e escondam-nos da face daquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro. Pois o grande dia da sua ira chegou, e quem poderá resistir?'

E como em todo tribunal deve estar presente um acusador para apresentar as acusações contra o indivíduo que será julgado, assim também neste julgamento geral os anjos e os demônios serão os acusadores da humanidade. São Miguel se levantará primeiro e dirá: 'Juiz justíssimo, trago uma acusação contra esses milhões de pecadores, que contaminaram a terra a tal ponto com seus maus feitos, que Vós, em vossa santa indignação, considerastes adequado purificá-la com fogo; eu vos invoco agora para punir esses transgressores de acordo com a vossa justiça'.

Então Lúcifer, falando em nome de todos os espíritos malignos, levantará a voz com um rugido como o de um leão e acusará toda a humanidade em conjunto: 'Justíssimo Juiz dos vivos e dos mortos, eu apresento uma acusação contra todos os seres humanos aqui reunidos. Uma vez que pareceu justo à vossa severa justiça banir-me e a todos os Anjos que se juntaram a mim do Céu por causa de um único pecado, e condenar-nos à condenação eterna, é justo incluir toda a humanidade nesta mesma condenação e, assim, lanceis todos os homens aqui presentes no abismo do Inferno. Pois não há um único indivíduo aqui que não tenha cometido pecado e transgredido a vossa Lei'.

Então Cristo responderá à acusação desta forma: 'Será feito como pedis, ó anjos e demônios; todos os homens devem comparecer perante o meu tribunal, e cada um receberá o que lhe é devido: castigo para os ímpios, recompensa para os bons'. Quando todos aqueles que Cristo escolheu para compartilhar com Ele o seu ofício de Juiz tiverem tomado seus lugares, com os seus apóstolos tendo precedência sobre todos os outros, o julgamento terá início. Pelo que diz o apóstolo São Paulo, parece que ninguém, nem mesmo os santos, estará isento dessa provação: 'Todos nós compareceremos perante o tribunal de Cristo' (Rm 14,10).

Esta apresentação perante o tribunal de Cristo encherá todos de temor. Ninguém estará livre disso; mesmo os justos o sentirão em certa medida, assim como os infelizes pecadores. Mesmo que os justos não tenham consciência de nenhum pecado, não estarão isentos de apreensão. São Paulo diz isto, falando de si mesmo: 'De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor' (1Cor 4,4). Com isso, o apóstolo aparentemente quer dizer: 'Minha consciência não me reprova, mas isso não prova que eu seja um dos justos; devo esperar para ver qual será a sentença que o Juiz eterno proferirá sobre mim'. Na verdade, todo homem ficará tão aterrorizado ao ver pela primeira vez o Juiz irado que, como São João, cairá aos seus pés como morto.

Parece-me que o julgamento dos bons será feito mais ou menos desta maneira: os Anjos da Guarda conduzirão aqueles que foram confiados aos seus cuidados ao tribunal e então os justos se prostrarão diante de Deus em humilde adoração. O inimigo maligno começará então a acusá-los e apresentará tudo o que puder contra eles. Mas o anjo da guarda defenderá o seu protegido e apresentará todas as suas boas obras, suas penitências e suas virtudes, colocando-as na balança da justiça divina. E se elas não forem muito leves, Cristo o vestirá com a nova túnica, a vestimenta do esplendor e o coroará com a diadema do reino eterno. Quem pode dizer a medida desta glória então! Como todos os justos se alegrarão por estarem entre os bem-aventurados! Com que esplendor o coro dos Anjos os felicitará e exultará com eles em júbilo feliz. E como todos os que ainda aguardam a sua sentença se maravilharão com a glória que lhes pertence e desejarão partilhá-la entre si.

ORAÇÃO

Jesus, cheio de bondade, em nome de todos os santos e eleitos, a quem Vós destinastes para desfrutar da felicidade eterna, eu imploro, em nome da vossa infinita bondade, possa eu estar entre os vossos santos no Dia do Juízo Final. Embora seja realmente indigno dessa graça, pela vossa maior honra e louvor, peço-vos que manifestei sobre mim a vossa misericórdia infinita e não me rejeiteis, pobre pecador que sou. E eu imploro a vocês, santos de Deus, que me ajudem a alcançar a vossa companhia abençoada. Sei que a vossa intercessão é poderosa o suficiente junto a Deus para levá-lo a olhar para mim com compaixão e ser infinitamente misericordioso comigo no julgamento da minha vida. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

domingo, 8 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!(Sl 94)

Primeira Leitura (Ex 17,3-7) - Segunda Leitura (Rm 5,1-2.5-8) - Evangelho (Jo 4,5-42)

  08/03/2026 - TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA

A FONTE DA ÁGUA VIVA


O Evangelho deste domingo nos apresenta um Jesus fatigado, cansado de uma longa viagem, prostrado pelo calor sufocante do meio dia, estrangeiro de uma árida região da Samaria. Em sua humanidade, Jesus tem sede, muita sede. Em sua divindade, Jesus tem sede de levar o evangelho e a salvação a todos os seus filhos, em todos os lugares. Jesus não se curva ao deleite das sombras e nem à saciedade imediata da água fresca tão perto: sentado sozinho à beira do poço de Jacó, Jesus espera pela resposta humana ao seu convite de conversão à ovelha desgarrada: 'Dá-me de beber' (Jo 4,7).

Eis o chamado da graça manifestado pelo Filho de Deus Vivo a uma humilde mulher samaritana daquelas longínquas paragens. Tal como as águas que encheram as talhas de Caná para serem convertidas em vinho, a graça de Deus depende da nossa aceitação, da nossa contrapartida, da nossa 'água' espiritual. Jesus quer a salvação daquela mulher samaritana, como quer a tua alma e a minha na eternidade com Ele. Este chamamento é para todos: a sede de Jesus é plena, é verdadeira, é absoluta, quando almeja a água que jorra intermitente do coração humano.

E Deus saciado faz jorrar nas almas humildes e generosas ao seu chamamento cascatas da água viva que nos leva às moradas eternas: 'Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna' (Jo 4,13). Eis aí a mensagem do Evangelho deste domingo: Jesus é a fonte da água viva que sacia eternamente a alma sedenta de Deus.

A mulher samaritana pôde compartilhar a graça e a glória de Deus naquele dia ensolarado à beira do poço de Jacó. Certamente vacilou, certamente mostrou desconfiança, mas acreditou. Ao aceitar, encontrou perdão e misericórdia; ao oferecer a água do poço, recebeu a água viva, não mais como a jorrante da pedra em Massa e Meriba (Ex 17,6-7), mas aquela derramada do próprio Coração de Deus. É este empenho ao chamado da graça que Jesus está sempre esperando de nós à beira dos poços de Jacó ao longo dos caminhos e atalhos de nossas vidas.

sábado, 7 de março de 2026

SANTINHOS (VII)

'Santinhos' são pequenos cartões impressos que retratam santos, cenas ou pinturas religiosas, produzidos desde época remota e comumente em grandes quantidades, para disseminação da cultura religiosa entre os católicos. São especialmente confeccionados e distribuídos nas festas de devoção de um santo, como pagamento de promessas ou como lembrança da realização de datas festivas e/ou eventos religiosos públicos ou particulares (batismo, primeira comunhão, crisma, etc). As fotos abaixo apresentam alguns exemplos destes 'santinhos' contemplando a temática da Cruz de Cristo com pombas.







sexta-feira, 6 de março de 2026

À BEIRA DE UM GRANDE RIO


Três homens caminhavam juntos, em uma longa jornada, quando chegaram à beira de um grande rio. Começaram a analisar a situação e observar o comportamento do rio. As águas pareciam fluir calmas mas, repentinamente, formavam-se marolas, e então ondas maiores, corredeiras e, mais além, enchentes e fluxos tormentosos em frenéticos turbilhões e redemoinhos. 

O primeiro homem não titubeou. Num momento de aparente calmaria, lançou-se às águas e propôs-se a atravessar a nado o grande rio. Nadou destemido e confiante por longo tempo sem sobressaltos. Quando irrompeu a fúria traiçoeira das águas, foi arrastado brutalmente pelas correntes sem freio e desapareceu no fundo do rio.

O segundo homem, logo após o primeito ter-se lançado as águas, viu um pequeno barco a remo ancorado na margem onde estavam. O barco era tosco e pequeno e tinha as dimensões e a capacidade de sustentação de um único homem. Resoluto e imbuído de uma valentia instantânea, empunhou os remos e avançou destemido no grande rio, confiante nas suas próprias forças e habilidade em conduzir o barco enfrentando as oscilações e as alternâncias bruscas das águas incertas. Tão incertas que, no mesmo instante em que fazia sumir o primeiro homem, virou repentinamente o barco, arremessando longe o remo agora inútil e arrastando sem escrúpulos o segundo homem, antes ousado e agora em desespero, para o mesmo fundo do grande rio.

O terceiro homem vislumbrou os riscos das correntes traiçoeiras e o perigo de enfrentamento do grande rio a peito aberto ou apenas com um barquinho a remo. A insensatez e o orgulho humano podem mover as águas dos moinhos, mas não podem dominar o caudal dos desvarios e adversidades das grandes correntezas. Ciente das limitações da travessia naquele ponto do rio e, mais sábio do que fatigado pela longa jornada, percorreu pacientemente o trajeto ao longo da margem, até que deparou com uma sólida ponte em arco que transpunha o rio. E assim, sem concessão alguma às águas calmas ou turbulentas, chegou com segurança absoluta à outra margem do rio. 

O grande rio não passa da mundana sorte. A margem de agora é nossa vida inconstante. A outra margem tem acenos de vida eterna. A ponte segura é a única Igreja de Cristo. A escolha da travessia é sua.

(Arcos de Pilares)

quarta-feira, 4 de março de 2026

10 VEZES AMÉM (E 1 NÃO AMÉM) NA SANTA MISSA


Durante a celebração usual da Santa Missa, o fiel é conclamado a responder Amém pelo menos 10 vezes, nas seguintes ocasiões:

1. No início da Celebração:

'Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo' –  Amém.

2. Na oração que conclui o Ato Penitencial:

'Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe o nossos pecados e nos conduza à vida eterna' –  Amém.

3. Na conclusão da Oração da Coleta:

'... por todos os séculos dos séculos' –  Amém.

4. Depois da conclusão feita pelo sacerdote após a Oração dos Fiéis:

'...Por Cristo, nosso Senhor' –  Amém.

5. Após a conclusão da Oração sobre as Oferendas pelo sacerdote:

'...Por Cristo, nosso Senhor' –  Amém.

6.  No final da Oração Eucarística:

'Por Cristo, com Cristo, em Cristo…' –  Amém.

* Ao final da Oração do Pai Nosso: 

'e livrai-nos de todo o mal' –  SEM Amém.

7. Na conclusão das Orações que se seguem ao Pai Nosso e imediatamente antes do Rito da Paz:

'...Vós que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo' –  Amém.

8. Durante a comunhão, no ato de recebimento da Santíssima Eucaristia:

'Corpo de Cristo' ou 'Corpo e Sangue de Cristo' –  Amém.

9. Ao final da Oração depois da Comunhão:

'... Por Cristo, nosso Senhor' –  Amém.

10. Como resposta à bênção final dada pelo sacerdote:

'Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo' –  Amém.

Um Amém fecha a Oração do Credo e outro Amém conclui o Hino do Glória (recitado ou cantado), quando incluídos no rito litúrgico. No caso de uma bênção solene, o sacerdote, antes da bênção final, faz comumente três invocações litúrgicas, ao que os fieis respondem também com um Amém ao final de cada uma delas (10 Améns que podem ser 15...)