domingo, 11 de outubro de 2026
EVANGELHO DO DOMINGO
domingo, 4 de outubro de 2026
EVANGELHO DO DOMINGO
Àqueles homens duros de coração, letrados nos textos das Sagradas Escrituras e sabedores por excelência que 'a vinha do Senhor é a casa de Israel' (refrão do salmo 79), Jesus vai proclamar a perda e a devastação desta vinha, que será abandonada pelo seu dono e deixada à mercê das sarças e dos espinhos que a tornarão 'inculta e selvagem' (Is 5,6). E que, mais além, será restaurada e tornada cultura de raro louvor porque 'o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos' (Mt 21,43). Trata-se de um testemunho explícito de que o juízo de Deus extrapola apenas o plano individual, mas alcança a dimensão de povos e nações e, portanto, de toda a humanidade por gerações.
A vinha do Senhor foi preparada, cercada, cuidada com zelo; depois, arrendada a vinhateiros para que dela cuidassem com o mesmo esmero e dela produzissem muitos frutos bons. Mas eis que estes maus zeladores corromperam a obra de Deus e produziram na vinha apenas frutos de injustiça e de iniquidade. Sabedores dos suas omissões e desvarios, e ensandecidos pela cobiça e pelo orgulho, fazem morrer não apenas os enviados do Senhor (os grandes profetas), mas o próprio filho do Senhor da vinha. Diante de passagens tão explícitas àqueles tempos e àqueles personagens, estes não parecem perceber que resumem a própria condenação nas suas próprias palavras: (o senhor da vinha) 'mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo' (Mt 21,41).
Nesta parábola Jesus nos interpela, a cada um de nós, a zelar pela vinha que somos, com zelo extremado de salvação eterna, fugindo das ciladas das vaidades e do orgulho humano dos vinhateiros homicidas. Não podemos matar em nós o puro amor cristão, não podemos matar os dons recebidos e as virtudes do coração, não podemos matar a graça santificadora do batismo, não podemos matar em nós a herança do Reino de Deus; mas devemos nos ocupar 'com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor' (Fl 4,8) porque, nas vinhas do Senhor, somente florescem as videiras que produzem frutos de vida eterna.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XXIX)
terça-feira, 29 de setembro de 2026
PÁGINAS DIFÍCEIS DOS EVANGELHOS (III)
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
VERSUS: 'NÃO VOS PREOCUPEIS COM O AMANHÃ'
Também quando disse a Marta que ela se preocupava com muitas coisas e que uma só era necessária, Cristo não condenou sua hospitalidade. Mostrou-lhe que há um momento próprio para cada cuidado: naquela hora, em que Ele estava ali para ensinar, escutar sua palavra merecia o primeiro lugar. Marta desejava recebê-lo e preparar-lhe uma boa mesa; poderia acolhê-lo também prestando atenção ao que Ele tinha a lhe dizer.
Aprendamos, pois, caríssimos, a pedir a Deus aquilo que convém pedir-lhe. Quanto às coisas desta vida, qualquer que seja seu desfecho, elas não podem causar-nos o dano que mais importa temer. A riqueza só pode oferecer seu conforto durante esta vida; a pobreza, por sua vez, não é um mal definitivo. Tanto os esplendores quanto as dores presentes passam depressa. Voltemos nosso cuidado, portanto, para as coisas que permanecem.
(São João Crisóstomo)
domingo, 27 de setembro de 2026
EVANGELHO DO DOMINGO
A missão do Senhor aproxima-se do final e impõe-se cumpri-la até o fim. Jesus contempla com enorme tristeza aqueles homens duros de coração que, cientes de todos os textos proféticos, não compreenderam ou não quiseram compreender os sinais da vinda do Messias ao mundo dos homens. Da mesma forma como negaram João Batista, era preciso agora, com muito mais vigor e malícia, negarem a Cristo; mais do que isso, precisavam tramar e manipular o povo para tornar natural e incontestável a condenação de Jesus à morte, a uma morte de cruz.
Aos duros de coração, elabora, então, a parábola dos dois filhos que o pai ordena trabalharem na vinha: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ (Mt 21,28). O primeiro se nega a princípio e depois acata a ordem do pai e o segundo, que parecia acatar, não cumpre a ordem paterna. Filhos que são os filhos deste mundo, chamados por Deus, para serem operários nas vinhas do Senhor: os que ouvem o chamado à graça, pela manhã ou nas horas mais tardias da vida, e vão trabalhar na vinha e os que não vão, por desobediência explícita, por insensatez, por descuidado zelo. Ontem, os primeiros foram os gentios, publicanos e pecadores e os últimos, os escribas e os fariseus que tramaram contra Jesus; ontem e sempre, os primeiros foram aqueles que humildemente refletiram as palavras e os ensinamentos do Mestre no coração e os últimos, os duros de coração, que se ensoberbeceram no jogo das meras palavras e das promessas vazias.
O caminho da salvação perpassa pelo coração. 'Então Jesus lhes disse: Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus' (Mt 21,31). Foram e são muitos os pecadores que aceitaram o firme propósito do arrependimento sincero e de conversão; infelizmente também são muitos os que se apegam aos valores humanos, à vanglória, à tibieza e à obstinação do orgulho desmedido. Nesta conduta de retidão, serão separados o joio e o trigo, os justos e os ímpios diante do tribunal de Deus, porque 'quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre... quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida' (Ez 18,26 - 27).
terça-feira, 22 de setembro de 2026
PÁGINAS DIFÍCEIS DOS EVANGELHOS (II)
domingo, 20 de setembro de 2026
EVANGELHO DO DOMINGO
Mas o mundo nos empurra e confunde a caminhada da graça; as aspirações humanas nos tolhem e retêm os propósitos de santificação. Ficamos à mercê dos tempos e dos contratempos. Deus não nos abandona nunca e, como o patrão persistente e incansável, volta pela manhã, pelo meio-dia, pela tarde, pelo final do dia, à espera do 'sim' filial, pela conversão definitiva, pelo retorno do filho pródigo. Na parábola dos operários da vinha, todos receberam igualmente o mesmo prêmio, o mesmo pagamento, mesmo os que foram chamados por último: 'cada um deles também recebeu uma moeda de prata' (Mt 20, 10). Porque a medida da justiça de Deus não é feita pelas medidas humanas: a misericórdia de Deus é infinita para os que o amam; todos os trabalhadores foram contemplados com o mesmo salário, porque todos responderam, prontamente ou mesmo mais tarde, ao chamado à vinha e tornaram-se, assim, herdeiros comuns da mesma graça: a vida eterna em Deus.
Ainda assim, nas sementeiras da graça, fomentaram-se os espinhos da discórdia e da inveja, por parte dos operários que se julgaram injustiçados com o pagamento equivalente: 'Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’ (Mt 20, 12). Pelo olhar da inveja humana, a misericórdia infinita de Deus teria que ter dimensões paralelas e distintas; a inveja obscurece o valor da graça daquele que a recebeu mais cedo pela concessão da mesma graça concedida ao que chegou mais tarde a ela nos caminhos da vida e, tantas vezes por isso, 'os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos' (Mt 20, 16). Porque a inveja mata e aniquila as sementes da graça recebida e é a caridade comum entre todos que produz, em todos, os mesmos frutos de vida eterna, nas vinhas do Senhor.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XXVIII)
domingo, 13 de setembro de 2026
EVANGELHO DO DOMINGO
A resposta de Jesus é desconcertante para uma medida humana do perdão: 'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete' (Mt 18,22). 'Setenta vezes sete' não implica meramente o valor humano do perdão multiplicado por setenta vezes; nem apenas um número particularmente elevado de se aplicar o perdão em medida abastada. É mais do que isso; Jesus pressupõe o perdão nos limites insondáveis da misericórdia infinita de Deus; o perdão verdadeiro deve ser reflexo da misericórdia que não impõe contenção de medidas e nem marcos limites.
Para ilustrar com clareza meridiana este princípio da misericórdia infinita de Deus, Jesus apresenta, então, a parábola do servo devedor de imensa fortuna que, instado a reconhecer a sua dívida, suplica ao Senhor a concessão de alternativas para quitá-la nas condições mais favoráveis possíveis. Movido pela compaixão e confiante no firme propósito de correção do seu servo, o Senhor lhe concede o perdão integral de todas as suas dívidas. Mas, saindo dali, o réu confesso de uma fortuna diante de Deus torna-se o juiz implacável diante da dívida inexpressiva do próximo: não apenas não perdoa a dívida em aberto, como leva à prisão o devedor de ninharias. Ciente de procedimento tão perverso, o Senhor se indigna e condena o servo infame com todo o rigor de sua justiça.
E Jesus conclui a parábola reforçando em que consiste a verdadeira medida do perdão ao próximo: 'perdoar de coração ao seu irmão' (Mt 18,35). Perdoar significa 'perdoar de todo coração', sem quaisquer remanescentes de mágoa, rancor, ressentimentos. Perdoar significa aniquilar o mal feito na mesma medida do esquecimento integral da ofensa recebida. Neste contexto de graça, o nosso perdão torna-se perfeito e, tangido por sentimentos sinceros de caridade e de compaixão, atrai sobre nós, em medida insondável, a misericórdia infinita de Deus.









