sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (I)


I. Por que devo confessar meus pecados a um homem?

No nível sobrenatural, confessamos nossos pecados a um sacerdote porque Jesus deu aos seus apóstolos a autoridade para perdoar pecados (Mt 18,18; Jo 20,21-23). Os apóstolos transmitiram essa autoridade aos seus sucessores, os bispos, que, por sua vez, a estenderam aos padres. Um padre não pode perdoar algo de que não tem conhecimento, por isso o pecado deve ser confessado ao padre. O modo normal de comunicação humana é falar e ouvir, por isso o meio comum de confessar os nossos pecados é falar e ouvir as palavras de absolvição.

Devemos lembrar que, como membros do Corpo Místico de Cristo, quando pecamos, ofendemos não só aquele contra quem pecamos, mas também Nosso Senhor e sua Igreja (o Corpo Místico). Por esta razão, precisamos de nos reconciliar com a pessoa contra quem pecamos, com Deus e com a Igreja. O padre no confessionário é o representante tanto de Deus como da Igreja. Por isso, esta reconciliação vem por meio do ministério sacerdotal.

A nível natural, temos uma necessidade psicológica absoluta de contar a outra pessoa o que fizemos. Também temos a necessidade de ouvir que ainda somos aceitáveis e aceites. Nosso Senhor sabia disso e providenciou os meios para que isso acontecesse. Que alegria é para nós saber que, quando saímos do confessionário, nossos pecados desapareceram, fomos restaurados ao estado de graça e nossa relação com Deus foi reconciliada. Deitar na cama e conversar com Deus traz a esperança de que nossos pecados sejam perdoados, mas não a certeza de que eles realmente desapareceram. Essa certeza só acontece no confessionário.

Lembre-se também de que o sacerdote não pode dizer nada a ninguém sobre o que você confessa. Isso é chamado de 'sigilo da confissão'. Alguns sacerdotes foram condenados à morte por não revelarem os pecados de um penitente. Mesmo em um tribunal, o padre não pode falar sobre o que sabe do confessionário. Assim, você não só recebe as graças e garantias que vêm do Sacramento, mas também a garantia de que seus pecados não serão mais mencionados, nem por Deus nem pelo sacerdote.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)