Eu vos saúdo, Maria, cheia de graça, Virgem serena, singular esperança dos infelizes, terna Mãe dos órfãos, eu vos saúdo!
Ó Maria! Quando todas as portas do Céu se fecham para mim e me é recusado todo acesso junto a Deus, por causa de meus pecados;
Quando toda sabedoria e toda força se retiram de mim e não posso ajudar-me em nada;
Quando o tédio da vida presente e a angústia do coração me apertam tão fortemente que quase não posso fazer mais nada neste mundo;
Quando o sol da alegria transforma-se em noite de temor e tristeza;
Quando a consolação celeste é retirada e uma desolação imensa me ameaça;
Quando o vento da tentação se eleva e as ondas das paixões se levantam;
Quando também chega uma enfermidade imprevista, ou então quando uma adversidade se precipita;
Quando todos estes males caem sobre mim, para onde fugirei?
Para que lado me voltarei, senão para Vós, boa Consoladora dos pobres?
Em que horizonte fixarei meus olhos para atingir o porto, senão sobre Vós, Estrela brilhante do mar, que resplandeceis sempre e que jamais escondeis a graça de vossa luz?
Ó Maria, Mãe doce e bem-amada! Sim, em Vós me refugio. Vós sois a radiosa Estrela do mar, Vós que consolais todos os que Vos olham e chamam por Vós, e os conduzis logo ao porto da tranquilidade! Eu me refugio, pois, junto a Vós!
Se Vós estiverdes a meu favor, minha gloriosa Senhora, quem será contra mim? E se Vós me concedeis vossa graça, quem me poderá arrebatá-la?
Estendei, pois, vosso braço sobre minha cabeça, para que eu me refugie sob sua sombra.
Dizei à minha alma: 'Eu sou tua advogada, nada temas; como uma mãe consola seu filho, assim eu te consolarei'.
(Oração mariana de autoria de Tomás de Kempis, publicada na obra 'Esprit des
Saints Illustres', século XIX)
