sexta-feira, 22 de maio de 2026

AS CRUZES LUMINOSAS

Cercados e envolvidos por tantos afazeres e labores, nem questionamos as pequenas vicissitudes e contrariedades do dia a dia, um amontoado de percalços que, somados, poderiam nos fazer galgadores de montanhas... Mal os percebemos e, uma vez ultrapassados e vencidos, recaem no anonimato dos tempos e nas perdas da memória pouco atenta.

Somos viajantes impelidos pela pressa, pelo seguir sempre em frente, andarilhos de praças e esquinas que não levam a lugar nenhum. E caminhamos sós, ensimesmados, senhores do nosso rumo e escravos dos nossos passos. E fatigados de carregar os fardos da vida, como que autômatos do ir e vir de todo santo dia, dias que na verdade nada têm de santos. 

Porque nunca estamos sós e porque não prestamos atenção como desviamos e superamos os contrapesos e os obstáculos da longa caminhada de uma vida inteira. Deus nos dá, a cada passo e a cada dia, estes benditos frutos de provações e contratempos, não como fardos e preocupações inúteis, mas como pequenas cruzes luminosas para nos guiar, entre as trevas do mundo, no caminho da luz. Quão benditas e venturosas são estas pequenas atribulações cotidianas, que incomodam, inquietam e perturbam o ciclo cotidiano de nossas vidas! Deus nos dá, com elas, centenas de suaves e aveludadas oportunidades de crescer na graça e colher frutos abundantes de santificação pessoal. 

Temos essa percepção? Ou apenas estas coisas induzem em nós tédio e indisposição? Sabemos ver as cruzes luminosas de cada dia ou fingimos estar bem, mesmo envolvidos por completa escuridão? Ansiamos pelos Céus olhando o chão? 

Que Deus nos dê a graça de ter muitas e muitas cruzes luminosas a cada dia, nos guiando para o seu caminho de luz. Que não nos acostumemos a tatear desnorteados na escuridão e nem nos fingirmos de cegos. Que sejamos viajantes de alma lavada e de dias santos. E que mal algum nos possa prostar por terra e nos afastar do amor de Deus. Amém.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXIII)

 

'Entre o último suspiro e a eternidade,
existe um abismo da misericórdia divina'

(São Francisco de Sales)

Confia a salvação da tua alma nas chagas abertas do Imaculado Coração de Jesus, oceano de compaixão e abismo de misericórdia, que tudo sublima e tudo perdoa. A infinita misericórdia de Deus é o bálsamo e refúgio de todos os pecadores.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (111/115)

111. A PAZ DE CONSCIÊNCIA

A beata Angela de Foligno, em sua mocidade, caíra em faltas graves, das quais não se confessara bem por vergonha. Fez até comunhões sacrílegas. Mas, como os remorsos não a deixavam em paz nem de dia nem de noite, recorreu a São Francisco de Assis para que a fizesse encontrar um confessor ao qual pudesse abrir todo o seu coração.

À noite, apareceu-lhe o santo, sob a figura de um velho venerando, e disse-lhe:
➖ Minha irmã, há mais tempo haveria lhe ter concedido essa graça, mas não a pediste. Amanhã bem cedo encontrarás o confessor que procuras.

De fato, o santo a fez encontrar um ótimo confessor, ao qual pode abrir francamente o seu coração, embora com grande pejo e muita humilhação. A oração fervorosa obteve-lhe a graça de uma santa confissão, a doce paz da consciência, muitas consolações na vida e o gozo eterno no céu.

112. O PECADOR PRECISA VOLTAR A DEUS

Um taverneiro, havia anos, andava com a consciência sobrecarregada por vários pecados. Tocado pela graça divina, pensou em sair desse triste estado, recorrendo ao Pe. Hofreuter, sacerdote experiente na arte de reconduzir a Deus os pecadores. Não quis perder tempo. Selou o cavalo, montou e partiu.

Estando já à porta da casa paroquial, sentiu-se tomado de vergonha e faltou-lhe coragem para bater. Mas, eis que, por disposição de Deus, naquele momento apareceu o padre, que em tom afetuoso disse ao taverneiro: 'O senhor vem para confessar-se, não é mesmo? Entre, que estou aqui para atendê-lo'. Depois de ter feito uma boa confissão, o taverneiro montou a cavalo e, com o coração aliviado, dirigiu-se ao animal: 'Agora, a galope, meu cavalinho, pois que levas cem quilos a menos'.

Seis anos depois, acabando de receber os últimos sacramentos em seu leito de dores, dirigiu-se ao novo vigário, dizendo: 'Peço-lhe ainda um favor. Depois da minha morte, mande dizer ao Pe. Hofreuter que, depois daquela confissão que fiz com ele, nunca mais cometi pecado mortal ou venial voluntário'.
Cem quilos de menos sobre a consciência! Sim; após uma confissão bem feita, que alívio!

113 - 115. OS SACERDOTES DO ALTÍSSIMO

1. Achando-se de passagem em Quito (Equador), um humilde frade foi visitar o célebre Presidente Garcia Moreno, grande estadista e fervoroso católico. Estando ainda à entrada do palácio, logo que viu o Presidente descobriu-se e conservou o chapéu na mão.
➖ Cubra-se, Padre - disse García Moreno.
➖ Um pobre frade - respondeu o outro - não pode cobrir-se em presença do senhor Presidente.
➖ Padre - replicou Garcia Moreno, pondo-lhe o chapéu na cabeça - que é um Presidente do Equador em comparação a um sacerdote do Altíssimo?

2. A mãe do célebre Cardeal Vaughan era uma convertida do protestantismo. Durante 20 anos, sem interrupção, consagrava uma hora por dia a visitar o Santíssimo Sacramento. Que é que pedia ela a Jesus nessas visitas? Sabendo muito bem que a vocação ao sacerdócio é um dom especial de Deus, e querendo para seus filhos tamanha graça, oferecia a Jesus suas visitas e os desejos ardentes de seu coração maternal. Jesus na Eucaristia ouviu as suas preces.

Dos oito filhos homens, que recebera de Deus, seis se tornaram padres e um deles chegou a ser cardeal com grande aplauso e veneração de todos os católicos ingleses.

3. São Clemente Maria, apóstolo e patrono de Viena, de família humilde e órfão de pai, sentia imensos desejos de ser padre. Precisando ganhar o sustento para sua mãe e irmãos, aos dezesseis anos empregou-se numa panificação. Quando saía pelas ruas com a cesta de pão nos braços e o filhinho de seu patrão no ombro, ouvia dizer: 'Olhem o São Cristovão!'
➖ Oxalá eu o fosse mesmo e tivesse a felicidade de tomar o Salvador em minhas mãos!

Trabalhava e estudava, porque havia de ser padre. Indo a Roma com um amigo, bem cedinho entraram numa igreja. Ali perguntou Clemente a um menino:
➖Que Padres são esses?
➖ São Redentoristas e o senhor será um deles.
E assim foi. Em 1785, Clemente celebrou a sua primeira santa Missa, e foi sempre um padre segundo o coração de Deus. Faleceu em Viena em 1820 e foi canonizado pelo Papa São Pio X.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

terça-feira, 19 de maio de 2026

'APASCENTA-ME SENHOR E APASCENTA-TE COMIGO'

Tu, Senhor, me tiraste das entranhas do meu pai; tu me formaste no ventre da minha mãe; tu me fizeste nascer menino e nu, pois as leis da natureza seguem os teus mandamentos.

Com a bênção do Espírito Santo, preparaste a minha criação e a minha existência, não por vontade de homem, nem por desejo carnal, mas por uma tua graça inefável. Previste o meu nascimento com um cuidado superior ao das leis naturais; pois me trouxeste à luz, adotando-me como teu filho, e me contaste entre os filhos da tua Igreja santa e imaculada.

Alimentaste-me com o leite espiritual de teus ensinamentos divinos. Nutriste-me com o alimento vigoroso do corpo de Cristo, nosso Deus, teu santo Unigênito, e embriagaste-me com o cálice divino, ou seja, com seu sangue vivificante, que Ele derramou pela salvação do mundo inteiro.

Porque tu, Senhor, nos amaste e entregaste o teu único e amado Filho para a nossa redenção, que Ele aceitou voluntariamente, sem repugnância; mais ainda, visto que Ele mesmo se ofereceu, foi destinado ao sacrifício como cordeiro inocente, porque, sendo Deus, fez-se homem e, com a sua vontade humana, submeteu-se, tornando-se obediente a ti, Deus, seu Pai, até à morte, e uma morte na cruz.

Assim, ó Cristo, meu Deus, humilhaste-te para me carregar sobre os teus ombros, como uma ovelha perdida, e me apascentaste em pastos verdes; alimentaste-me com as águas da verdadeira doutrina por intermédio dos teus pastores, a quem tu mesmo alimentas para que, por sua vez, alimentem o teu rebanho eleito e sublime.

Pela imposição das mãos do bispo, chamaste-me para servir aos teus filhos. Ignoro por que razão me escolheste; só tu o sabes. Mas tu, Senhor, alivia o pesado fardo dos meus pecados, com os quais gravemente te ofendi; purifica o meu coração e a minha mente. Conduz-me pelo caminho reto, tu que és uma lâmpada que ilumina.

Coloca as tuas palavras nos meus lábios; dá-me uma linguagem clara e fácil, por meio da língua de fogo do teu Espírito, para que a tua presença sempre vigie.

Apascenta-me, Senhor, e apascenta-te comigo, para que o meu coração não se desvie nem para a direita nem para a esquerda, mas que o teu Espírito bom me conduza pelo caminho reto e as minhas obras se realizem segundo a tua vontade até o último momento.

E tu, cume resplandecente da mais íntegra pureza, excelente congregação da Igreja, que esperas a ajuda de Deus, tu, em quem Deus repousa, recebe de nossas mãos a doutrina imune a todo erro, tal como nos foi transmitida por nossos Padres, e com a qual a Igreja se fortalece. 

(São João Damasceno, Da Declaração da Fé)

domingo, 17 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

        

'Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta' (Sl 46)

Primeira Leitura (At 1,1-11) - Segunda Leitura (Ef 1,17-23) - Evangelho (Mt 28,16-20)

  17/05/2026 - SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR 

'IDE E FAZEIS DISCÍPULOS MEUS TODOS OS POVOS' 


Antes de subir aos Céus, Jesus manifesta a seus discípulos (de ontem e de sempre) as bases do verdadeiro apostolado cristão, a ser levado a todos os povos e nações: 'Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!' (Mt 28,18 - 20). Ratificando as mensagens proféticas do Antigo Testamento, Nosso Senhor imprime diretamente no coração humano os sinais da fé sobrenatural e da esperança definitiva na Boa Nova do Evangelho, que nasce, se transcende e se propaga com a Igreja de Cristo na terra.

Antes de subir aos Céus, Jesus nos fez testemunhas da esperança: 'Vós sereis testemunhas de tudo isso' (Lc 24,48). Pela ação de Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, pela manifestação da 'Força do Alto', os apóstolos tornar-se-iam instrumentos da graça e da conversão de muitos povos e nações. Na mesma certeza, somos continuadores dessa aliança de Deus com os homens, na missão de semear a Boa Nova do Evangelho nos terrenos áridos da humanidade pecadora para depois colher, a cem por um, os frutos da redenção nos campos eternos da glória. Como missionários da graça, 'que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos' (Ef 1,18).

E a sua derradeira proclamação aos discípulos é a sua promessa de estar sempre junto aos homens de todos os tempos, até a consumação dos séculos: 'Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo' (Mt 28,20). Promessa que tem, para nós, membros do seu Corpo Vivo, que é a Santa Igreja, a dimensão de uma vitória antecipada, na feliz esperança de sermos partícipes de sua glória.

E Jesus se eleva diante dos seus discípulos e sobe para os Céus. Jesus vai primeiro porque é o Caminho e para preparar para cada um de nós 'as muitas moradas da casa do Pai'. Na solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja comemora a glorificação final de Jesus Cristo na terra, como o Filho de Deus Vivo e, ao mesmo tempo, imprime na nossa alma o legado cristão que nos tornou, neste dia, testemunhas da esperança eterna em Cristo e herdeiros dos Céus.

sábado, 16 de maio de 2026

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE TIXTLA

Em 22* de outubro de 2006, durante a missa dominical de um retiro espiritual oferecido aos fieis da Paróquia de São Martinho de Tours, em Tixtla, no México, conduzido pelo Pe. Raymundo Reyna Esteban como oficiante convidado, a Irmã Arely Marroquín observou que uma das hóstias parecia exsudar uma substância avermelhada à semelhança de sangue fresco. 

A hóstia eucarística foi cuidadosamente preservada, subdividida em amostras distintas que foram submetidas a exaustivos testes científicos, que envolveram laboratórios, cientistas e técnicas de origens diversas e independentes e em anonimato completo às conclusões dos estudos realizados pelos outros laboratórios envolvidos. 


Todos os testes confirmaram que o material analisado constituía tecido de músculo cardíaco, com identificação clara de células adiposas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos, indicando um metabolismo vivo e em franca manifestação. Adicionalmente, os estudos imunológicos demonstratam tratar-se de sangue humano, pertencente ao grupo sanguíneo AB. O fluxo sanguíneo foi caracterizado como proveniente do interior da hóstia para a superfície da mesma, sem quaisquer possibilidades de origem exterior à hóstia.

Em 12 de outubro de 2013, após vários anos dos estudos científicos e cuidadosa reflexão teológica, Dom Alejo Zavala Castro, bispo da diocese local, declarou o evento como um milagre eucarístico, convidando os fiéis a meditar sobre a Presença Real de Cristo e a se aproximarem da Sagrada Comunhão com maior fé, reverência e amor. A hóstia do milagre eucarístico de Tixtla permanece preservada na Paróquia de São Martinho de Tours, na diocese de Chilpancingo–Chilapa, no México, onde o milagre ocorreu, como objeto de veneração pública.

* outras referências indicam a data de 21 de outubro de 2006 (sábado)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

PALAVRAS DA SALVAÇÃO

Amarás o Senhor teu Deus 'com todo o teu coração'. 'Todo': não podes guardar nenhuma parte para ti. Ele quer a oferta total de ti próprio; comprou-te por inteiro, para te ter para si por inteiro. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração. Não guardes uma parte de ti mesmo, como Ananias e Safira, porque de outra maneira poderias morrer como eles (At 5,1-). Portanto, ama totalmente e não em parte. Porque Deus não tem partes, está inteiramente em toda a parte. E não deseja partilhar o teu ser, Ele que está por inteiro no seu ser. Se reservas uma parte de ti mesmo, és teu, e não dele. Portanto, queres possuir tudo? Dá-lhe o que és, e Ele te dará o que é. E não mais terás nada de teu; mas tê-lo-ás a Ele inteiramente contigo.

(Santo Antônio de Lisboa)

quinta-feira, 14 de maio de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XIX)

          

PARTE III - O INFERNO

I. Sobre o fogo do Inferno

Apesar de, nos dias de hoje, muitos negarem a existência do Inferno ou, pelo menos, a eternidade do castigo, não consideramos que nos caiba apresentar uma série de provas de que existe um lugar chamado Inferno. No caso do leitor cristão, a quem este livro se destina, evidências dessa natureza são totalmente supérfluas, pois ele não terá naufragado em sua fé. De fato, que outras provas podem ser necessárias para a existência do Inferno e a eternidade do castigo, visto que os profetas, o próprio Cristo, os apóstolos e os Padres da Igreja, e até mesmo os turcos e os pagãos, falam disso como um fato inquestionável? Aqueles que negam a existência do Inferno devem, consequentemente, ser contados entre os tolos que dizem em seu coração que não há Deus que castigue as suas más ações.

Seria, sem dúvida, muito agradável para essas pessoas se tudo terminasse com esta vida, se não houvesse dia do Juízo Final ou se, pelo menos, as regiões infernais fossem um pouco menos intoleráveis. Isso explica por que se agarram a quaisquer argumentos aparentes com os quais se iludam e adormeçam seu medo dos castigos eternos do Inferno. Não entraremos em qualquer análise dos sofismas miseráveis com os quais esses tolos se enganam; pois o ensinamento da Igreja Católica sobre este ponto é tudo o que precisamos. Ela ensina que há um lugar ou estado de dor inigualável e sem fim reservado para os condenados.

Sabemos que realmente há fogo no Inferno, pelas palavras que Cristo dirigiu aos ímpios: 'Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos' (Mt 25,41). Isso mostra que há fogo real no Inferno e que nele os condenados devem arder eternamente. Qual será a intensidade dessa dor está além do poder do homem descrever. Pois, de todos os variados tipos de sofrimento físico a que o homem pode ser submetido, não há nenhum tão grande, tão cruel, tão agonizante quanto aquele causado pelo fogo. Suplícios ou a amputação dos membros de um homem são exemplos de torturas terríveis, mas não se comparam à dor da queimadura. Basta tocar um ferro em brasa para sentir que dor excruciante isso causa! Em um instante a pele se desprende, a carne viva se expõe, sangue e matéria escorrem da ferida, e a dor penetra até a medula dos nossos ossos. Não se pode evitar gritar e urrar como se tivéssemos perdido os sentidos. Ora, se o contato momentâneo com o ferro em brasa causa dor tão aguda, como seria se tivéssemos de segurar um ferro em brasa por algum tempo!

Agora, imagine que você fosse condenado a ser queimado vivo por seus pecados e, durante um dia inteiro, permanecesse em meio às chamas, incapaz de morrer. Como chorarias e gemerias lastimosamente, como gritarias e rugirias alto em tua agonia, de modo que os gritos de partir o coração arrancados de ti pela tortura que suportas não apenas fariam os espectadores estremecerem, mas os encheriam de sincera compaixão. Aquele homem deveria ter, de fato, um coração de pedra para suportar olhar impassível tal espetáculo.

Em pouco tempo, tu serias queimado a tal ponto que não serias mais reconhecível, reduzido à aparência de uma brasa incandescente. Agora, reflete, ó cristão: se a ação do fogo terreno causa agonia tão intolerável, qual será a tortura do fogo do Inferno, cujo calor é incomparavelmente mais intenso e penetrante do que o de qualquer fogo com o qual estamos familiarizados? E se perguntares por que o fogo do Inferno deve exceder tanto o fogo terreno na intensidade de seu calor, há várias razões que explicam esse fato.

Em primeiro lugar, todos sabem que quanto maior o fogo, maior o calor que ele exala. A chama de uma vela de cera não é muito quente, mas se a vela inteira estiver queimando de uma só vez, a chama que dela se eleva é muito mais quente. Quando uma casa está em chamas, o calor nas imediações é muito intenso, mas se uma aldeia inteira estiver em chamas, o calor da conflagração torna-se insuportável mesmo à distância. Se tal é o efeito produzido pelo fogo da terra, que é comparativamente pequeno em sua extensão, qual será a ação do fogo do Inferno, que é incomensuravelmente maior do que qualquer incêndio visto na terra!

Em segundo lugar, um fogo confinado em uma fornalha arde com muito mais intensidade do que se estivesse ao ar livre, porque o calor, ao estar confinado, não pode escapar nem se difundir, nem ser atenuado pelo ar circundante. Se assim é, com que fúria as chamas da imensa fornalha do Inferno irão arder, com que intensidade irão brilhar! Suponha-se uma desgraça como a de um homem ser lançado em um forno de cal, ou em uma fornalha aquecida até ficar incandescente: quão terríveis seriam seus sofrimentos!

A razão seguinte pela qual o fogo do Inferno supera em intensidade de calor todos os outros fogos é que ele é aceso pelo sopro de Deus. Pois o profeta Isaías diz: 'Vede! É o nome do Senhor que vem de longe, sua cólera é ardente, uma nuvem pesada se levanta, seus lábios respiram furor, e sua língua é como um fogo devorador. Seu sopro assemelha-se a uma torrente transbordante cuja água sobe até o pescoço. Ele passará as nações no crivo destruidor' (Is 30,27-28). E ainda: 'um lugar de incineração está preparado também para Tofet [inferno], cavado, profundo e largo; palha e lenha ali há em quantidade, e o sopro do Senhor, como uma torrente de enxofre, o acenderá' (Is 30,33).

Que descrição terrível é aqui dada do Inferno e de seu fogo torturante. Não digam que, nessas e em outras passagens conhecidas da Sagrada Escritura, as expressões empregadas são meras figuras de linguagem, pelas quais os profetas predisseram os julgamentos divinos prestes a recair sobre as nações pecadoras, e que não devem ser tomadas em sentido literal, como se referindo ao Inferno e às suas punições. Não nos iludamos. Essas imagens devem, é verdade, ser entendidas, em seu significado primário, como indicando a condenação das nações pecadoras; mas, num sentido mais amplo e elevado, de acordo com a interpretação que lhes dão os exegetas das Escrituras, são previsões do castigo judicial que, após o Juízo Final, será a sorte dos pecadores réprobos.

Santa Brígida afirma com razão em suas revelações: 'O calor do fogo do Inferno é tão grande que, se o mundo inteiro estivesse envolto em chamas, o calor de tal incêndio seria como nada em comparação com ele'. Daí aprendemos que aquele fogo terreno não tem mais semelhança com o fogo do Inferno do que a fraca chama de uma vela de cera com o calor branco de uma fornalha incandescente. Lembre-se disso, ó pecador, e leve tudo em alta consideração! São Agostinho nos diz que o fogo mais temível da terra é, em comparação com o fogo do Inferno, como uma pintura de fogo comparada a um fogo real. Quando vires um fogo, lembra-te do fogo do Inferno. E já que não suportarias colocar a mão por um único instante nesse fogo, pensa em como deve ser o calor do fogo do Inferno, que supera infinitamente o pequeno fogo que vês diante de ti. Se não consegues suportar isto, como poderás suportar o outro? 

Ficou agora claro que os condenados serão um dia lançados, de corpo e alma, na enorme e terrível fornalha do Inferno, no imenso lago de fogo, onde estarão rodeados por chamas. Haverá fogo abaixo deles, fogo acima deles, fogo por toda a parte à sua volta. Cada respiração será o sopro escaldante de uma fornalha. Essas chamas infernais penetrarão em cada parte do corpo, de modo que não haverá parte ou membro, por dentro ou por fora, que não esteja mergulhado no fogo.

Quão desesperados serão os gritos, quão agonizantes os gemidos que subirão deste abismo de tortura! 'Ai de nós, criaturas miseráveis! Ai de nós mil vezes! Estamos sendo torturados nesta chama! A dor excruciante permeia cada membro do nosso corpo; a agonia intolerável não nos deixa descanso! Se ao menos pudéssemos morrer, se ao menos pudéssemos morrer para escapar desta tortura terrível! Ai de nós, este desejo é em vão! Mortos no que diz respeito à vida da alma, mortos porque perdemos a graça, a misericórdia de Deus, estamos ainda condenados a viver, a viver para todo o sempre! Que privilégio seria para nós a morte, a aniquilação! Mas ela nos escapa; não podemos mais esperar que venha para nos libertar desta miséria, desta tortura, da fornalha do Inferno. Ai de nós, quão grande foi a nossa loucura! Por prazeres fúteis de um momento, incorremos nesta miséria intolerável, uma miséria que perdurará por toda a eternidade'.

'Compreendei bem isto' - diz Davi - 'vós que vos esqueceis de Deus: não suceda que eu vos arrebate e não haja quem vos salve' (Sl 49,22). Escuta isto, ó pecador, e deixa que as lamentações dos perdidos te sirvam de lição. Imagina para ti mesmo a fossa de fogo na qual essas criaturas miseráveis têm de expiar os seus pecados. Tu aceitarias, perguntamos novamente, por qualquer quantia de dinheiro, por maior que fosse, passar um único dia imerso nessas chamas? Não, nem por todo o mundo tu aceitarias permanecer naquele fogo por uma única hora. Se assim é, por que, em nome de algum prazer pecaminoso, de algum ganho injusto, tu te lanças voluntariamente para sempre no fogo do inferno? Ó que loucura, que loucura consumada! Que Deus conceda que esses pecadores cegos sejam iluminados, para que tomem consciência da imprudência de sua conduta e se dediquem a tempo às coisas que dizem respeito à sua salvação.

ORAÇÃO

Ó Deus de justiça! Quão grande é a vossa ira e quão todo-poderoso é o vosso ódio ao pecado e ao pecador! Ai de mim e de todos aqueles que têm a terrível infelicidade de cometer pecado mortal. Que Deus me preserve de tal pecado, que seria o meio de me lançar na perdição eterna. Sofrirei de bom grado todas as coisas, as maiores tribulações temporais, as dores mais agudas, até mesmo a morte mais cruel, de modo a escapar do tormento eterno no Inferno. Este é o meu firme propósito; por isso, concedei-me a vossa graça e fortalecei-me nesta minha boa resolução.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

109 ANOS DE FÁTIMA

Fátima é o acontecimento sobrenatural mais extraordinário de Nossa Senhora e a mais profética das aparições modernas (que incluíram a visão do inferno, 'terceiro segredo', consagração aos Primeiros Cinco Sábados, orações ensinadas por Nossa Senhora às crianças, consagração da Rússia, milagre do sol e as aparições do Anjo de Portugal), constituindo a proclamação definitiva das mensagens prévias dadas pela Mãe de Deus em Lourdes e La Salette. Por Fátima, o mundo poderá chegar à plena restauração da fé e da vida em Deus, conformando o paraíso na terra. Por Fátima, a humanidade será redimida e salva, pelo triunfo do Coração Imaculado de Maria. Se os homens esquecerem as glórias de Maria em Fátima e os tesouros da graça, serão também esquecidos por Deus.

'por fim, o meu Imaculado Coração triunfará'


Ver Postagem Especial na Biblioteca Digital do Blog:

FÁTIMA EM 100 FATOS E FOTOS

ORAÇÕES DO ANJO DE PORTUGAL

(figura original captada em https://sicutoves.blogspot.com)

terça-feira, 12 de maio de 2026

'O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE'

'Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor' (Rm 6,23)

Uma característica comum aos santos da Igreja é uma percepção confortadora de uma experiência prévia do Céu já aqui nesta vida. Não se trata ainda da visão plena e eterna prometida aos bem-aventurados, mas de uma antecipação das primícias eternas, algo como a contenplação suave dos primeiros raios do amanhecer antes do esplendor de uma bela manhã radiante de sol.

Assim, na oração, na vida cotidiana, no recolhimento interior, cada instante de verdadeira paz, cada experiência profunda de amor, cada encontro sincero com Deus já pertence, de algum modo, à eternidade. Quando a alma se despoja de si no encontro com Deus, experimenta, no influxo do amor divino, a graça de viver aqui na terra um arrimo de promessa das bem aventuranças eternas.

Do mesmo modo - em confrontação diametral - os estertores do inferno se reproduzem como fungos diabólicos no coração dos homens destinados à perdição eterna, arautos de um ódio mortal, indescritível e recorrente contra tudo que norteia e sempre moldou a civilização cristã. Inventem-se os ressignificados, mascarem-se as narrativas, sucateiem a verdade com especulações grotescas e doentias, mas tudo se resume e se impõe em nome do ódio que antecipa o próprio inferno. Não adianta tratativas, argumentos ou furiosas contestações: o coração humano é entojado na miséria dos instintos; a alma é assombrada e submersa num turbilhão de iniquidades, contra tudo e contra todos que se levantam em nome de valores cristãos, morais e religiosos.

Estamos afundados num mar de lama porque o ódio e a iniquidade que aí estão e nos vitimizam são as meras sementes ensandecidas do que há de se colher como joio e espinheiros nas vinhas da eternidade. Se não fosse assim, o inferno seria uma ficção ou estaria irremediavelmente vazio. Esse desvario e esse padrão de insensatez e loucura, que nos rodeiam, demonstram algo absolutamente oposto e terrível, e que apenas preanunciam o veredito das Escrituras de que 'o salário do pecado é a morte' (Rm 6,23). É preciso ter isso em mente, impõe-se subtrair-se desse jogo perverso, é mais do que nunca necessário entender que a nossa vida é simplesmente uma antecipação da vida futura porque 'o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor' (Rm 6,23).

segunda-feira, 11 de maio de 2026

OS DEZ MANDAMENTOS DAS PRÁTICAS DA HUMILDADE

I

Abre os olhos da tua alma e pensa que nada tens para te mover a alguma estima de ti. De teu só tens o pecado, a debilidade, a fraqueza; e quanto aos dons da natureza e da graça que estão em ti, assim como os recebeste de Deus, que é o princípio de todo ser, assim só a Ele deves dar glória.

II

Concebe por isso um profundo sentimento do teu nada, e fá-lo crescer constantemente no teu coração, apesar do orgulho que existe em ti. Intimamente, persuade-te de que não há no mundo coisa mais vã e ridícula que o desejo de ser estimado por alguns dons que recebemos da gratuita liberalidade do Criador, pois, como diz o Apóstolo, se os recebeste, por que te glorias como se fossem teus, e não os tivesses recebido? (1Cor 4,7).

III

Pensa frequentemente na tua fraqueza, na tua cegueira, na tua vileza, na tua dureza de coração, na tua inconstância, na tua sensualidade, na tua insensibilidade para com Deus, no teu apego às criaturas e em tantas outras viciosas inclinações que nascem da tua natureza corrompida. Sirva-te isto de grande motivo para te espantares continuamente no teu nada, e seres aos teus olhos o menor e o mais vil de todos.

IV

A memória dos pecados da tua vida passada esteja sempre impressa no teu espírito. Nenhuma outra coisa consideres tão abominável como o pecado da soberba, o qual, posto em comparação, vence qualquer outro, tanto sobre a terra como no inferno: este foi o pecado que fez prevaricar os anjos no Céu e os precipitou nos abismos; este foi o que corrompeu todo o gênero humano, e que fez cair sobre a terra aquela infinita multidão de males, que durarão enquanto durar o mundo, ou, melhor dizendo, durarão toda a eternidade.

Ademais, uma alma maculada pelo pecado só é digna de ódio, de desprezo e de suplícios; vê, portanto, que estima podes fazer de ti mesmo, depois de tantos pecados dos quais te tornaste culpado.

V

Considera também que não há delito, por enorme e detestável que seja, ao qual não se incline a tua natureza corrompida, e do qual não possas fazer-te réu; e que só pela misericórdia de Deus e pelo socorro das suas divinas graças foste dele livre até hoje, segundo aquela sentença de Santo Agostinho: 'Não haveria pecado no mundo que o homem não cometesse, se a mão que fez o homem deixasse de sustentá-lo (Arl. C. 15). Chora eternamente esse deplorável estado e toma a firme resolução de te incluíres entre os mais indignos pecadores.

VI

Pensa frequentemente que cedo ou tarde vais morrer e que o teu corpo apodrecerá numa fossa; tem sempre diante dos olhos o inexorável tribunal de Jesus Cristo, onde todos necessariamente devem comparecer; medita nas eternas penas do inferno preparadas para os maus, e principalmente para os imitadores de Satanás, que são os soberbos. Considera sinceramente que, por esse véu impenetrável que esconde aos olhos mortais os juízos divinos, estás na incerteza de pertencer ou não ao número dos réprobos, que eternamente, em companhia dos demônios, serão remetidos para aquele lugar de tormentos, para serem vítimas eternas de um fogo aceso pela ira divina. Esta incerteza deve bastar por si só para conservar-te numa extrema humildade e para inspirar-te o mais salutar temor.

VII

Não te iludas pensando que poderás conseguir a humildade sem aquelas práticas que a ela estão ligadas, como os atos de mansidão, de paciência, de obediência, de ódio contra ti, de renúncia ao teu sentimento e às tuas opiniões, de arrependimento dos teus pecados e outros atos semelhantes, porque somente estas armas poderão vencer em ti o reino do amor-próprio, aquele abominável terreno onde brotam todos os vícios, onde se aninham e crescem desmedidamente o teu orgulho e a tua presunção.

VIII

Tanto quanto possível, observa o silêncio e o recolhimento, desde que isso não cause prejuízo a outrem, e, quando fores obrigado a falar, fala sempre com gravidade, com modéstia e simplicidade. E se por acaso não fores ouvido, seja por desprezo ou por qualquer outra causa, não te mostres ressentido, mas aceita essa humilhação e sofre-a com resignação e tranquilidade.

IX

Com todo o cuidado e atenção, evita proferir palavras atrevidas, orgulhosas e que indiquem pretensão de superioridade, como também qualquer frase estudada e toda a sorte de gracejos frívolos; cala sempre tudo aquilo que puder fazer com que te considerem uma pessoa de espírito e digna da estima dos outros. Nunca fales de ti sem justo motivo e nada digas que possa granjear-te honra e louvor.

X

Cuida-te de não mortificar e ferir a outrem com palavras e sarcasmos; foge de tudo o que lembra o espírito mundano. Fala pouco das coisas espirituais e não o faças em tom magistral e à maneira de repreensão, a não ser que a isso sejas obrigado pelo teu cargo ou pela caridade: contenta-te com interrogar os que delas entendem e que sabes que te podem dar conselhos oportunos; porque o querer fazer-se de mestre sem necessidade é acrescentar lenha ao fogo da nossa alma, que se consome em fumaça de soberba.
(Papa Leão XIII)

domingo, 10 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

        

'Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso!' (Sl 65)

Primeira Leitura (At 8,5-8.14-17) - Segunda Leitura (1Pd 3,15-18) - Evangelho (Jo 14,15-21)

  10/05/2026 - SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA 

'NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS, EU VIREI A VÓS'


A liturgia deste Sexto Domingo da Páscoa é centrada na ação santificadora do Espírito Santo, nas almas e na vida da Igreja, como primícias da Festa de Pentecostes que se aproxima. A graça santificante, que nos torna filhos adotivos de Deus, nos é atribuída pela apropriação do Divino Espírito Santo, na chamada 'inabitação trinitária', que procede e se faz na encarnação do próprio Deus, Uno e Trino, em nossas almas.

Estamos inseridos no contexto dos capítulos do Evangelho de São João, que integram o chamado 'testamento espiritual' de Cristo, que reproduzem o longo discurso feito por Jesus aos seus discípulos, logo após o banquete pascal, e no qual o Senhor expõe e revela, de forma abrangente e maravilhosa, a síntese e a essência dos seus ensinamentos e da sua doutrina. Doutrina que se resume no amor sem medidas, no chamado a viver plenamente a presença de Jesus Ressuscitado em nossas vidas, como testemunhas da fé e da fidelidade aos seus mandamentos: 'Se me amais, guardareis os meus mandamentos' (Jo 14,15).

Eis aí o legado de Jesus aos seus discípulos: a graça e a salvação são frutos do amor, que é manifestado em plenitude, no despojamento do eu e na estrita submissão à vontade do Pai: 'Amai ao Senhor vosso Deus com todo vosso coração, com toda vossa alma e com todo vosso espírito. Este é o maior e o primeiro dos mandamentos' (Mt 22,37-38). A graça nasce, manifesta-se e se alimenta do nosso amor a Deus, pois 'quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele' (Jo 14,21). Nos mistérios insondáveis de Deus, somos transformados no batismo, pela infusão do Espírito Santo em nossas almas, em tabernáculos da Santíssima Trindade, moradas provisórias do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como sementes da glória antecipada das moradas eternas na Casa do Pai.

A presença permanente da Santíssima Trindade em nossas vidas vem por meio da manifestação do Espírito Santo, o Defensor, o Paráclito, conforme as palavras de Jesus: 'Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós' (Jo 14,18) e ainda 'eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco' (Jo 14,16). Como templos do Espírito Santo e tabernáculos da Santíssima Trindade, somos moldados como obras de Deus para viver em plenitude o Espírito da Verdade. Sob a ação do Espírito Santo, podemos, então, trilhar livremente o caminho da santificação, até os limites de um despojamento absoluto do próprio ser para a plena manifestação da glória de Deus em nós.

sábado, 9 de maio de 2026

ORAÇÕES DE MÃES (III)

ORAÇÃO DE UMA MÃE GRÁVIDA


Deus Todo-Poderoso e misericordioso, criador e mantenedor de todas as coisas, Vós que, segundo os desígnios da vossa sabedoria e bondade, abençoastes a minha união matrimonial, quantos motivos tenho agora para vos agradecer por ser digna de cooperar na realização da vossa obra de criação, na abertura à vida deste filho que ora trago no ventre, destinado a glorificar o vosso santo nome para sempre!

Que eu possa compreender bem o meu papel e cumpri-lo! Abençoai-me, ó meu Deus, e abençoai o meu filho, a quem vos consagro. Ele é meu e vosso! Guardai este precioso fruto da minha maternidade sob a vossa proteção e ajudai-me a evitar tudo o que possa fazê-lo afastar de Vós. Guardai-me contra as más inclinações e desejos desmedidos; contra a ira e a indignação; contra a vaidade e contra tudo o que é pecaminoso e desagradável aos vossos olhos. Inspirai meu coração com sentimentos de verdadeira piedade e orientai todas as minhas inclinações para o que é bom e agradável a Vós, para que, desde já, o coração do filho que trago no meu ventre seja sempre moldado para o que seja verdadeiramente bom e perfeito.

Ó meu Deus, sede minha proteção e defesa na gestação e no parto do meu filho. Dai-me a graça de participar ativa e humildemente da vossa obra da criação e concedei que eu possa um dia louvar o vosso santo nome com justa alegria por ter acolhido a missão do nascimento dos vossos filhos neste mundo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

ORAÇÕES DE MÃES (II)

ORAÇÃO DE UMA MÃE PELO ESPOSO


Ó Pai celestial! Vós confiastes meus filhos não apenas a mim, mas também ao meu esposo. A verdadeira educação de nossos filhos só pode ser alcançada, portanto, quando ambos nos empenhamos sincera e fervorosamente em cumprir nossos deveres para com eles. Concedei, pois, ó Senhor, também ao meu marido a graça de ver e compreender a santidade e a importância de sua vocação como pai; exorta-o a ser zeloso no cumprimento perfeito dessa vocação. 

E, que, acima de tudo, ele possa preceder nossos filhos com o exemplo de uma vida verdadeiramente cristã! Ó Deus, concedei a vossa graça, para que ele lute com fervor contra os seus defeitos e os vença. Que ele nunca se esqueça de Vós em meio às distrações da vida cotidiana, nem pereça nos muitos perigos que o cercam! Inspirai-o com sentimentos vivos de fé, esperança e caridade; dai-lhe zelo pela oração e pelo culto divino e por todos os exercícios e práticas de um cristão católico. Fazei dele um pai verdadeiramente amoroso e santo para com os nossos filhos. Amém.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

ORAÇÕES DE MÃES (I)

ORAÇÃO DE UMA MÃE PARA SER EXEMPLO


Ó Deus, que exortação tão poderosa o vosso Divino Filho me dirige quando diz: 'Brilhe a vossa luz!'. É vossa santa vontade que eu dê aos meus filhos, em todas as coisas, o exemplo de uma vida que vos agrade. De que outra forma poderão eles próprios tornar-se virtuosos? Peço, portanto, o vosso auxílio, pelos méritos deste santo sacrifício, para levar uma vida verdadeiramente cristã. Enriquecei-me com a vossa graça, para que eu seja capaz de evitar, em todas as minhas palavras, ações e omissões, o que é indigno do nome de cristão. Ajudai-me a exercer todas as virtudes da vida cristã e a alcançar uma perfeição cada vez maior, para que a minha vida seja um exemplo para os meus filhos.

Quão maravilhosamente Vós, ó Senhor, intercedeis pelos vossos santos! Velai por mim e protegei-me com as vossas graças. Na verdade, eu nem sequer sou digna de graças tão grandes; mas eu as peço porque sei que Vós sois um Deus misericordioso e porque amais tanto os meus filhos, pois eles também são vossos filhos. Por amor a eles e a Jesus, vosso Filho, atendei, pois, as minhas súplicas. Amém.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

O MARTÍRIO DE SÃO POLICARPO DE ESMIRNA

O martírio de São Policarpo constitui o relato mais antigo de uma execução cristã fora do Novo Testamento. Ao recusar-se a negar Cristo, o bispo de Esmirna, então com mais de 80 anos, foi queimado vivo em uma pira pública. Testemunhas oculares permitiram o registro detalhado do seu martírio, em documento preservado pela Igreja de Esmirna.


Uma vez pronta a pira, Policarpo tirou todas as suas roupas e afrouxou a túnica interior... Naquele momento, ele se viu cercado pela lenha da pira. Quando tentaram prendê-lo também com pregos, ele disse: 'Deixem-me como estou. Aquele que me dá força para suportar o fogo também me dará força para permanecer imóvel na pira, mesmo sem a precaução dos vossos pregos'.  Assim, não o prenderam à pira com pregos, mas apenas o amarraram. Amarrado como estava, com as mãos atrás das costas, ele permaneceu em pé como uma poderosa oferenda, escolhido para sacrifício de um grande rebanho, uma vítima digna preparada para ser oferecida a Deus.

Olhando para o céu, disse então: 'Senhor, Deus Todo-Poderoso, Pai do teu Filho amado e abençoado, Jesus Cristo, por meio de quem chegamos a conhecer-te, Deus dos anjos, dos poderes, de toda a criação, de toda a raça dos santos que vivem na tua presença, eu te bendigo por me julgares digno deste dia, desta hora, para que, na companhia dos mártires, eu possa compartilhar o cálice de Cristo, teu ungido, e assim ressuscitar para a vida eterna em alma e corpo, imortal pelo poder do Espírito Santo. 

Que eu seja recebido entre os mártires na tua presença hoje como um sacrifício rico e agradável. Deus da verdade, estranho à falsidade, tu preparaste isto e, como me revelaste, agora cumpriste a tua promessa. Eu te louvo por todas as coisas, eu te glorifico por meio do eterno sacerdote do céu, Jesus Cristo, teu Filho amado. Por meio dele seja dada glória a ti, juntamente com ele e o Espírito Santo, agora e para sempre. Amém'.

Quando disse 'Amém' e terminou a oração, os guardas acenderam a pira. Mas, quando uma grande chama irrompeu, nós, que tivemos o privilégio de ver aquilo, testemunhamos algo estranho e maravilhoso. De fato, fomos poupados para contar essa história a outros.

Como a vela de um navio inflando ao vento, a chama tornou-se, por assim dizer, uma cúpula envolvendo o corpo do mártir. Cercado pelo fogo, seu corpo parecia pão assado, ou ouro e prata incandescentes em uma fornalha, e não carne queimada. Um perfume tão doce chegou até nós que parecia o de incenso queimando ou de alguma resina desconhecida, preciosa e perfumada.

terça-feira, 5 de maio de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (105/108)

 

105. CASTIGADO POR TER MENTIDO

O profeta Eliseu, que curou milagrosamente da lepra a Naamã, não quis receber do general nenhum presente.
Mas Giezi, criado do profeta, impelido pelo amor do dinheiro, foi atrás de Naamã, que regressava ao seu país, e disse-lhe que Eliseu, seu amo, mandava pedir-lhe um talento de prata e algumas roupas para dois hóspedes que acabavam de chegar. Ora, o profeta não mandara pedir coisa alguma. Por isso, em castigo dessa mentira, Giezi ficou coberto da mesma lepra de que Naamã ficara limpo.

106. FIRME COMO UMA COLUNA

Vivia em Siracusa, no terceiro século do cristianismo, uma rica e graciosa jovem chamada Luzia. Os dons da natureza de que estava adornada eram nada em comparação com os belos dotes de sua alma. Pura como um anjo, humilde, modesta, mansa, caridosa, cativava a todos que dela se aproximavam.

O cristianismo atravessava, naquela época, dias difíceis, e professar a fé em Jesus Cristo era considerado um crime digno de morte. Reconhecida como cristã, Luzia foi conduzida à presença do governador Pascásio, tristemente célebre por sua ferocidade contra os cristãos. O tirano, após várias perguntas, vendo que a donzela lhe respondia sempre com imperturbável coragem, disse-lhe com ar de mofa:
➖ Quando fores espancada, então te calarás.
Luzia replicou:
➖ Aos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo não faltarão palavras, quando estiverem diante dos juízes, porque Ele disse que, em tais ocasiões, o Espírito Santo, que receberam, falará por eles.
➖ Então, o Espirito Santo está em ti?
➖ Sim; todos os que levam vida casta e pura são templos do Espírito Santo.
➖ Pois bem; eu te farei cometer um pecado feio para que o Espírito Santo saia de ti.
➖ Isso não está em teu poder. Se eu não consinto, a tua violência brutal só me pode proporcionar uma dupla coroa.

Pascásio, cheio de ira, ordenou aos algozes que a arrastassem a um lugar de pecado. Mas, naquele instante, manifestou-se claramente a virtude do Espírito Santo que estava na casta donzela. Os esbirros não conseguiram removê-la, pois uma força invisível tornou-a imóvel como uma coluna. O tirano teve de mandar matá-la ali mesmo.

107. RICOS COLARES E BRILHANTES COROAS

Conta Rufino que um dos antigos Padres do deserto viu, certa vez, estando em êxtase, uma multidão incontável de santos na glória do Paraíso. Todos eram de uma beleza incomparável; mas havia uma legião de bem-aventurados que brilhavam mais que os outros e tinham ao pescoço ricos colares e na cabeça brilhantes coroas. Indagou qual fosse a causa daquela diferença e foi-lhe respondido que aqueles bem-aventurados tão distintos dos outros eram os que, seguindo os conselhos evangélicos de perfeição, tinham renunciado ao mundo por amor de Jesus Cristo. Foi-lhe explicado, além disso, que a coroa de ouro, que os adornava, era a recompensa da perfeita obediência.

108 - 110. AI DE QUEM É INFIEL A VOCAÇÃO!

A hagiografia religiosa oferece-nos exemplos salutares e impressionantes sobre este assunto.

1. Vivia na pequena Casa da Divina Providência nos tempos de São José Cottolengo, uma religiosa, que, recobrada a saúde após uma enfermidade, resolveu voltar para sua família. Manifestou esse propósito ao Pe. Cottolengo, o qual ficou muito aflito e empregou toda a sua paternal bondade e eloquência para demover a infeliz de tal propósito. Mas nem as insinuações mais suaves, nem os conselhos mais persuasivos e argumentos mais convincentes, e nem mesmo as ameaças de castigos divinos conseguiram fazê-la voltar atrás. 

A infeliz fazia-se de surda a tudo e terminou por dizer que partiria de qualquer forma. Então o santo, com semblante sério e ameaçador, disse-lhe com pesar e amargura: 'Se queres absolutamente ir embora, eu não te posso segurar, mas lembra-te do que te digo: não passarão três meses e tu serás traspassada a fio de espada'.

Foi uma profecia. Três meses depois, o cadáver da infeliz foi encontrado todo retalhado e horrivelmente deformado bem perto da sua casa. Fôra vítima de sua leviandade, do ciúme de alguns militares e da falta de correspondência à graça da vocação religiosa.

2. Um jovem entrara no Instituto fundado por São Camilo de Lellis. Depois de alguns anos, cedendo à tentação do demônio, obstinara-se no propósito de abandonar o convento e voltar á vida civil. São Camilo, tendo empregado tudo para segurá-lo na vocação e vendo baldados todos os seus esforços, predisse-lhe que teria um fim tristíssimo e morreria nas mãos da justiça. Nove anos mais tarde, aquele perjuro foi decapitado no meio da praça, em Nápoles.

3. Na vida de Santo Afonso Rodriguez, jesuíta, lê-se que este grande servo de Deus se entregou às mais rudes penitências e fervorosas orações para obter do céu que um noviço, seu confrade, vencesse umas fortíssimas tentações que experimentava contra a vocação.

Nosso Senhor revelara ao santo que, se o noviço deixasse a vida religiosa, os demônios o lançariam no abismo da perdição eterna; e não somente a ele, mas também aos pais dele que empregavam toda sorte de estratagema para o fazer retornar à família.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

segunda-feira, 4 de maio de 2026

STAT CRUX DUM VOLVITUR ORBIS

A expressão Stat Crux dum volvitur orbis - 'A cruz permanece enquanto o mundo gira' - é o lema oficial da Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno em 1084. Num mundo onde tudo muda, onde as verdades são relativizadas e a fé é contestada a cada instante, a Cruz de Cristo é a única coisa que permanece firme e inabalável. A Cruz não é apenas símbolo de sofrimento: é o caminho para a verdadeira liberdade. Liberta do pecado, do egoísmo, da escravidão do mundo. Abraçá-la significa crer que - mesmo que tudo ao redor desabe - Deus permanece fiel. Seu amor não muda. Suas promessas se cumprem e são eternas. Veja os cinco passos de como aplicar essa verdade eterna na vida cotidiana, num mundo em que tudo muda a toda hora.

1. Oração centrada na Cruz

  • Dedique diariamente um momento à contemplação do Crucifixo. 
  • Medite sobre a Paixão de Cristo: em suas chagas estão as suas. 
  • Reze a Via Sacra toda sexta-feira – ou ao menos na Quaresma. 
  • Invoque o Espírito Santo para que lhe revele o que Deus quer lhe mostrar por meio da Cruz. 

2. Discernimento à luz da Cruz

  • Antes de cada decisão importante: Qual escolha me aproxima mais de Cristo Crucificado?
  • Não escolha o que é mais confortável, mas o que leva ao amor verdadeiro, ao sacrifício, à verdade. 

3. Acolhimento da própria cruz

  • Cada um carrega uma cruz: não a desperdice.
  • Ofereça-a unida à Cruz de Cristo - pelos outros, pela Igreja, pela conversão do mundo.
  • Não rejeite a cruz: ela purifica e liberta.

4. Estabilidade espiritual em tempos de confusão

  • Permaneça fiel aos sacramentos - especialmente à Confissão e à Eucaristia. 
  • Esteja enraizado na doutrina sã - alimentada pela Palavra de Deus e pelo Magistério fiel da Igreja. 
  • Evite modismos espirituais e ideologias passageiras. 
  • Pergunte-se sempre: Isto está em conformidade com a Cruz de Cristo e com a Igreja fundada por Ele?

5. Viver com o olhar na eternidade

  • A Cruz nos recorda que a vida não termina aqui.
  • Cada sofrimento, cada esforço, unido a Cristo, tem valor eterno. 
  • A Cruz conduz à Ressurreição - não se esqueça disso nos momentos escuros.
(excertos de texto publicado originalmente em Catholicus.eu em português)

domingo, 3 de maio de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

       

'Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em Vós nós esperamos!' (Sl 32)

Primeira Leitura (At 6,1-7) - Segunda Leitura (1Pd 2,4-9) - Evangelho (Jo 14,1-12)

  03/05/2026 - QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA 

'EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA'


Jesus inicia o Evangelho deste Quinto Domingo da Páscoa manifestando o poder de sua Divindade e da autêntica fé cristã: 'Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tendes fé em mim também' (Jo 14,1). Sim, a medida do nosso amor é a confiança em Deus e nos desígnios da Providência Divina. Que nada além desta disposição interior, de colocar tudo nas mãos de Deus, seja o nosso conforto e consolação. Deus governa todas as coisas e sabe, muito além de nós mesmos, como nos levar a uma mais perfeita santificação. Ele nos cumula de bênçãos e graças, nos chama a cada nova situação, nos clama pela nossa confiança quando aparentemente nos abandona.

Em seguida, confia aos discípulos que eles são herdeiros do Reino dos Céus, a pátria eterna dos bem aventurados, os que colherão com fartura os frutos das sementes de amor e confiança plantadas no Coração do Pai: 'Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós' (Jo 14,2-3). Nos mistérios insondáveis de Deus, as moradas são muitas e desiguais, sem que os eleitos padeçam dessa desigualdade pois todos serão igualmente possuidores da Visão Beatífica e serão cumulados plenamente da glória que lhes bastam.

É o próprio Jesus que nos vai abrir as portas do Céu, com a sua Paixão, Morte e Ressurreição. Ao romper as portas celestes, antes seladas pelos pecados dos homens, Jesus torna-se o rei de um reino que não é deste mundo e que tem as dimensões da eternidade. Um reino de muitas moradas, preparadas por Jesus para cada um de nós, filhos da esperança transformados em herdeiros das bem aventuranças celestes. E, assim, por meio de Jesus, chegaremos ao Pai, a habitação eterna: 'Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim' (Jo 14,11).

Jesus vai ratificar esta premissa essencial da fé cristã com clareza divina: 'Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim' (Jo 14,6). Não há outro caminho possível, não há opções de rumo, nem atalhos, nem passagens ocultas. Por isso Jesus é tão explícito ao unir, no anúncio pleno de sua divindade, os termos Caminho, Verdade e Vida. Só existe um Caminho de Verdade para a Vida Plena dos herdeiros dos Céus: seguir Jesus com confiança extremada e jubilosos na fé que abraçamos, e que nada nem ninguém nos perturbe o coração nesta caminhada de salvação para as eternas moradas de Deus.