quinta-feira, 2 de julho de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (128/132)

 

128. INCIDENTE NUMA PROCISSÃO

Em Stuttgart (Alemanha), por ocasião da procissão de Corpus Christi, deu-se, faz alguns anos, o seguinte incidente.

Num dos pontos de espera estavam agrupados numerosos espectadores, quase todos protestantes, o que não é de admirar naquela cidade. A ponta da procissão estava a chegar, quando um senhor, metendo-se pelo meio da multidão, foi colocar-se diante de uma senhora de modo que ela não podia ver nada. Zangada, ela exigiu que ele saísse de sua frente. Mas o importuno negou-se, dizendo: 'Sou católico, portanto, tenho o direito de colocar-me na frente para ver passar a procissão dos católicos'.

A dama, sem se desconcertar, replicou: 'Como? O senhor é católico? Então o seu lugar não é aqui. Nós, protestantes, assistimos à procissão, mas vós, católicos, deveis acompanhá-la'. E tanta razão tinha aquela senhora que, nem bem acabara de falar, e o intruso já havia desaparecido.

129. COM DEUS NÃO SE BRINCA

Fazia 120 anos que, em Messina (Itália), não se verificava nenhum terremoto. Os habitantes daquela cidade, não obstante as advertências de pessoas competentes, haviam construído prédios de vários andares, pois julgavam-se muito seguros. Mas eis o que aconteceu.

No Natal de 1908, um jornal socialista local atreveu-se a interpelar ironicamente o Menino Jesus, escrevendo: 'Jesusinho, envia-nos um tremor de terra, se tens força para tanto'. Essa blasfêmia apareceu no dia 26 de dezembro. No dia 28, verificou-se uma catástrofe, como a cidade jamais vira outra semelhante. Em poucos minutos, 60.000 pessoas, isto é, um terço da população, perderam a vida. Irrompeu, além disso, um pavoroso incêndio que destruiu ou danificou quase todas as casas. Assim Deus castigou aquela blasfêmia.

130. MÚSICA DO PARAÍSO

1. Lê-se na vida de Madre Maria de Jesus que ela, com permissão do seu Diretor, confeccionara uma quantidade de disciplinas, cilícios e cintos de penitência, dos quais se servia com tal discrição, que nunca ninguém o descobrira. Uma noite, porém, flagelou-se com tanta violência, que uma irmã ouviu o rumor de seu quarto vizinho, e logo compreendeu de que se tratava, pois também essa piedosa jovem conhecia praticamente a disciplina.

2. Das filhas de Carlos Emanuel I de Saboia, as princesas Maria e Catarina, conta-se que a miúdo se flagelavam com espantosas disciplinas. O que mais se deve admirar, entretanto, é que o rei, tendo notícia disso, não só não lhes proibiu, mas até o aprovou. Um dia, passando junto ao quarto das filhas e ouvindo os golpes da disciplina, disse aos que o acompanhavam: 'Estais ouvindo esta música? Esta é a melodia que mais agrada às minhas filhas. Música verdadeiramente do Paraíso, porque feita de suspiros e com batutas de flagelos, que forma notas de sangue e abre as portas do céu'.

131. DEIXE-ME TOCAR UM POUCO

Numa reunião de cavalheiros e damas figurava, entre outros, o senhor P. Ruf, vigário de Lustenau, notável por sua agudeza de espírito. Eis que, de repente, aparece na sala um velho pobre e cego, conduzido por um seu netinho e começa a tocar sua harpa e a cantar. Os ouvintes notaram que o instrumento estava desafinado e, além disso, a voz do velho era pouco agradável, razão por que estavam na iminência de enxotá-lo da sala. Nesse instante, o vigário Ruf, acercando-se do cego músico, disse-lhe com carinho:
➖ Bom velho, o senhor está bastante cansado, dê-me a sua harpa e deixe-me tocar um pouco.

O vigário sentou-se numa cadeira, afinou o instrumento e começou a cantar uma belíssima ária, acompanhando-a com a harpa. Os presentes, mormente os que nunca o tinham ouvido, estavam cheios de admiração e espanto. O talento do novo tocador ressaltava ainda mais após os sons desagradáveis que pouco antes tinham ouvido. Terminada a ária, choveram os aplausos e pediram ao vigário que cantasse mais uma ária.
➖ Com muito prazer - respondeu ele - mas o senhor, disse, dirigindo-se ao velho, vá recolhendo os donativos.

O cego, conduzido pelo neto, fez o giro pela sala com o chapéu na mão. As moedas de prata caíam abundantes no chapéu e o velho estava comovido e com água nos olhos.
➖ Olha, vovô, nem durante todo o mês  ajuntamos tanta esmola como hoje - dizia o netinho.
Ambos, avô e neto, não se cansavam de agradecer as ricas ofertas que receberam e beijavam afetuosamente a mão do bom vigário. Quanto aos circunstantes, não houve um que não elogiasse o talento do vigário Ruf e mais ainda o nobre uso que soube fazer dele.

132. UMA BOA AÇÃO FAZ MUITO BEM

Um dia, um estudante universitário encontrou num bosque perto de Viena uma pobre velha, que, curvada sob o peso de um feixe de lenha, ia caminhando com muita dificuldade.
➖ Boa velhinha - disse o estudante - deixe-me carregar um pouco o seu feixe de lenha.

E, tomando o feixe, levou-o até a casa da pobre velha, a qual, muito comovida com a bondade do moço, perguntou-lhe:
➖ E, agora, meu senhor, quanto lhe devo?
➖ Reze por mim um Pai-Nosso, boa velhinha - foi a resposta.
➖ Sim, sim, eu o farei - respondeu ela - e esse é o primeiro Pai-Nosso que vou rezar, depois de uns 20 anos! 
Não se espante, meu senhor, as minhas contínuas desventuras, os desprezos recebidos de tanta gente, haviam-me afastado de Deus, mas o senhor, com a sua caridade, tocou-me o coração e me fez começar de novo a rezar.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

GALERIA DE ARTE SACRA (XLVI)

Os vitrais e as rosáceas constituem um dos elementos mais característicos da arquitetura gótica medieval. As rosáceas são grandes janelas circulares preenchidas por delicados rendilhados de pedra com vitrais. Muito além de elementos de decoração, expressam a fé católica por meio da luz transmitida que assume a cor dos vidros coloridos. Nas palavras de São Bernardo de Claraval: 'Assim como um raio de luz branca entra numa janela de vidro e sai ileso, mas adquire a cor do vidro, o Filho de Deus, que entrou no ventre castíssimo da Virgem, saiu puro, mas assumiu a cor da Virgem, isto é, a natureza de um homem e a formosura da forma humana, e revestiu-se dela'. As rosáceas das grandes catedrais francesas expressam magistralmente a beleza desta comparação.  

(rosácea norte da Catedral de Chartres)

(rosácea norte da Catedral de Chartres)

(rosácea norte da Catedral de Notre-Dame)

(rosácea da Catedral de Estraburgo)

(rosácea ocidental da Catedral de Amiens)

(rosácea ocidental da Catedral de Laon)

(rosácea ocidental da Catedral de Reims)