domingo, 26 de janeiro de 2020

PÁGINAS COMENTADAS DOS EVANGELHOS DOS DOMINGOS


'O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos' (Is 9, 1-2)

sábado, 25 de janeiro de 2020

VÍDEOS CATÓLICOS: SEJA LOUVADO O SANTÍSSIMO!

John Henry NEWMAN, cardeal inglês do século XIX canonizado pelo Papa Francisco em 13 de outubro do ano passado, é autor de inúmeras orações e hinos, sendo um dos mais belos o Praise to the Holiest in the Height! 



PRAISE TO THE HOLIEST IN THE HEIGHT!

Praise to the Holiest in the height,
And in the depth be praise:
In all His words most wonderful;
Most sure in all His ways.

 O loving wisdom of our God,
When all was sin and shame,
He, the last Adam, to the fight
And to the rescue came.

O wisest love! that flesh and blood
Which did in Adam fail,
Should strive afresh against the foe,
Should strive and should prevail.

And that a higher gift than grace
Should flesh and blood refine,
God’s presence, and His very self
And essence all-divine.

O generous love! that He, who smote
In man for man the foe,
The double agony in man
For man should undergo.

And in the garden secretly,
And on the cross on high,
Should teach His brethren, and inspire
To suffer and to die.

Praise to the Holiest in the height,
And in the depth be praise:
In all His words most wonderful;
Most sure in all His ways.

(Cardeal Newman)


SEJA LOUVADO O SANTÍSSIMO NAS ALTURAS!

Seja louvado o Santíssimo nas alturas,
e seja louvado no abismo:
Em todas as suas palavras, o mais maravilhoso;
o mais seguro em todos os seus caminhos.

  Ó sabedoria amorosa de nosso Deus,
Quando tudo era pecado e vergonha,
Ele, o segundo Adão, veio
para lutar e nos resgatar.

Ó amor de sabedoria! A mesma carne e sangue
que fracassaram em Adão,
refazem-se agora contra o inimigo,
refazem-se agora para prevalecer.

E dádiva maior que a graça
refaz-se em nova carne e sangue,
a própria presença de Deus 
se manifesta pela essência toda divina.

Ó amor generoso! Ele, que feriu,
Do homem para o homem, o inimigo,
A dupla agonia no homem
que o homem deveria sofrer*.

Seja no escondimento do Horto,
ou no mais alto da Cruz,
para ensinar e inspirar os seus Filhos
para sofrer e, por amor, morrer.

Seja louvado o Santíssimo nas alturas,
e seja louvado no abismo:
Em todas as suas palavras, o mais maravilhoso;
o mais seguro em todos os seus caminhos.

* estrofe de tradução e entendimento difíceis: a 'dupla agonia' pode referir-se ao embate do primeiro homem (humanidade perfeita de Cristo) contra o segundo homem (humanidade decaída pela natureza humana), para vencer a ação contínua do inimigo que, prevalecendo sobre Adão, foi derrotado por Cristo ('Ele, que feriu o inimigo').

(tradução do autor do blog)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

SOBRE A VIRTUDE DA DEVOÇÃO

A viva e verdadeira devoção pressupõe o amor de Deus, mas não um amor qualquer porque, quando o amor divino embeleza as nossas almas, ele se chama graça, o que nos torna agradáveis à majestade divina; e quando nos dá força para fazer o bem, é chamado de caridade; mas, quando se atinge um tal grau de perfeição, que não consiste apenas em fazer o bem, mas fazê-lo com cuidado, com frequência e com prontidão, então se chama devoção. 

Em suma, a devoção consiste em uma combinação de agilidade e vivacidade espirituais, por meio das quais a caridade faz as suas obras em nós, ou nós por meio dela, prontamente e calorosamente. Assim, para se ser devoto, além da caridade, requer-se uma grande diligência e presteza dos atos dessa virtude. E desde que a devoção constitui um excelente grau de caridade, que não só nos torna pronta, ativa e diligentemente a fazer cumprir a estrita observância dos mandamentos de Deus, como também nos incentiva a fazer, com afeto e prontidão, todas as boas ações que podemos, não apenas as que nos foram impostas, como também aquelas meramente aconselhadas ou inspiradas.

A caridade e a devoção se distinguem entre si como a chama e o fogo; sendo a caridade um fogo espiritual, quando bem incendiada se chama devoção, de forma que a devoção nada acrescenta ao fogo da caridade, a não ser como chama que faz a caridade tornar-se alerta, ativa e diligente, não apenas para se resguardar em nós os mandamentos de Deus, mas também na boa prática dos conselhos e inspirações celestiais.

Pela manifestação do Espírito Santo, seja na vida de todos os santos como pelo próprio exemplo da vida de Nosso Senhor, nos é assegurado que a prática da devoção pressupõe uma vida serena, feliz e tranquila. Mas o mundo não vê a devoção como sendo interior e feliz, nem torna a sua prática e as suas ações como sendo agradáveis, serenas e fáceis.

A devoção é o verdadeiro açúcar espiritual que lima as asperezas das mortificações e o perigo de se perder o fruto das consolações, que desfaz a tristeza do pobre e a ansiedade dos ricos, que dissipa a desolação dos oprimidos e a a insolência dos afortunados, que repele a melancolia aos solitários e a dissipação dos que vivem socialmente, que atua como fogo no inverno e suave orvalho no verão, que ensina a viver na abundância ou na pobreza, que nos eleva igualmente diante das honras ou dos desprezos do mundo, que nos torna propícios tanto nos momentos de dor como de serenidade, que nos consola sempre com suave resignação. 

A devoção é a doçura de todas as doçuras e a rainha das virtudes porque é a perfeição da caridade. Se a caridade é o leite, a devoção é o creme de leite; se a caridade é a planta, a devoção é a flor; se a caridade é uma pedra preciosa, a devoção é o brilho que dela emana; se a caridade é um bálsamo perfeito, a devoção é o seu aroma especial: um odor de suavidade que conforta os homens e regozija os anjos.

(Excertos da obra 'Introdução à Vida Devota' - Cap. I e II - de São Francisco de Sales, adaptação do texto pelo autor do blog)