quarta-feira, 8 de julho de 2020

NOVENA A NOSSA SENHORA DO CARMO (II)


ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS

†Pelo sinal da Santa Cruz, †livrai-nos, Deus, Nosso Senhor, †dos nossos inimigos.
† Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ó Deus eterno, Pai, Filho e Espírito Santo! Prostrado em vossa adorável presença, imploro misericórdia pelos méritos de Vossa Filha predileta, Mãe soberana e Esposa Santíssima, a excelsa Virgem Maria do Monte Carmelo, maternal protetora de todos os necessitados na vida, na morte e no purgatório. Ouvi-me, Senhor, nesta novena que a Ela consagro, e concedei-me o viver e morrer em vossa graça, para vos contemplar e bendizer eternamente na sua gloriosa companhia. Amém.

Ó Maria, Rainha e Formosura do Carmelo, Mãe admirável e bondosa; olhai com carinho para nós vossos filhos, aqui reunidos na vossa presença. Infundi em nossas almas uma fé sempre mais profunda e um amor mais perfeito à Verdade e ao Bem. Revesti o nosso coração com o Santo Escapulário; que ele seja um sinal de salvação e garantia de vossa bênção e proteção. Dai-nos a graça de alcançar a salvação eterna. Amém.

SEGUNDO DIA: 08 DE JULHO

Rainha excelsa e Mãe terna do Carmelo! Os sucessores do profeta Elias, moradores perpétuos do Monte Carmelo, conservaram ao longo da história, o amor à vossa maternidade divina, tomando como exemplo as virtudes que brilharam em vossa vida.

Fazei, Mãe amável e querida, que reine também nas nossas famílias, uma arraigada devoção para convosco. Seja esta devoção fonte perene de amor e união, de felicidade, alegria e paz.

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). [Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...]

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

TESOURO DE EXEMPLOS (7/9)


7. SEJAMOS RETRATOS DE DEUS

Não podemos viver profanando e manchando a imagem divina que trazemos em nossa alma. Nosso dever é trabalhar em todos os momentos de nossa vida e com todos os auxílios que recebemos de Deus, para conseguirmos que esse retrato divino seja cada dia mais semelhante ao modelo que temos diante dos olhos. O nosso modelo consumado é Jesus Cristo.

Quem é Jesus Cristo? E' o mistério da pobreza... Apresenta-se no mundo num estábulo. Repousa sobre duras palhas num mísero presépio. Chama a si os pobres: com eles se ajunta e quer que formem a côrte do novo reino que veio fundar neste mundo.

Quem é Jesus cristo? O mistério do trabalho... Encerra-se numa oficina e trabalha para comer o pão amassado com o suor do seu rosto. Anda de cidade em cidade, espalhando a doutrina da verdade e a semente da perfeição. Ele mesmo afirma que não tem uma pedra para repousara cabeça. 

Quem é Jesus Cristo? O mistério da verdade... Fala em toda parte. Fala das doutrinas mais elevadas. Trata dos problemas religiosos, os maiores que jamais foram tratados no mundo. Ouvem-no os seus inimigos, procurando surpreender nEle algum erro... Não o conseguem! Ele é o único homem em cujos lábios jamais apareceu a sombra fatídica do erro e do engano.

Quem é Jesus Cristo? O mistério do amor... Amou até à abnegação mais absoluta, amou até ao sacrifício,  amou os seus verdugos e seus inimigos, amou até fazer-se nosso alimento, amou-nos até a morte de cruz.

Quem é Jesus Cristo? O mistério da humilhação... Lavou os pés dos seus discípulos Subiu a uma cruz e ali, naquele madeiro, que era o patíbulo dos escravos, ali o contemplou a humanidade desnudo e abandonado por todos.

Quem é Jesus Cristo? O mistério da obediência... Obedeceu desde o berço até o túmulo. Não se desviou nem um ápice do caminho que lhe traçou o Pai celeste.

Quem é Jesus Cristo? E' o mistério do poder... Contra Ele se levantaram todos os partidos políticos de sua nação. Os que representavam a lei e a religião coligaram-se também contra Ele. Até os seus amigos mais íntimos na hora da dor o abandonaram. Estava só... Mas, afinal, triunfou sobre todos eles. Hoje, os que ontem o odiavam são pó e cinza levados pelo vento: Ele reina sobre os povos e sobre os corações.

Quem é Jesus Cristo? E' o mistério da glória... Triunfou sobre a morte. Subiu aos céus. Ali está sentado à direita de Deus Pai. Dali há de vir para julgar os vivos e os mortos. E a sua glória não terá fim.

Eis aí, em resumo, quem é Jesus Cristo. Todos os santos procuraram ser reflexos perfeitíssimos desse Deus que, como diz Santo Agostinho, para isso precisamente se fez homem, para que tivéssemos o modelo mais admirável de Deus. Trabalhemos e copiemos as divinas virtudes que nEle resplandecem.

8. O PAJEM SALVO PELA MISSA

Tinha Santa Isabel de Portugal um  pajem muito virtuoso e piedoso a quem encarregava de distribuir as suas esmolas.  Outro pajem, que ambicionava aquele cargo e por ser muito invejoso, acusou-o junto ao rei de um grande crime, de um pecado muito feio. Acreditou o rei nas mentiras do pajem perverso e resolveu matar o pajenzinho da santa rainha.

Ordenou a um homem, que tinha um forno de cal, que lançasse ao fogo o primeiro criado que chegasse para informar-se se haviam cumprido as ordens do rei. Em seguida mandou o pajenzinho que fosse levar tal recado ao dono do forno. O rapaz partiu imediatamente mas, ao passar diante de uma igreja e ouvindo tocar o sino para a missa, resolveu ouvi-la antes de ir adiante.

Enquanto a ouvia, o rei, impaciente de saber se o pajem da rainha tinha morrido, mandou o outro pajem caluniador que fosse perguntar ao homem do forno se este havia executado a ordem do rei. Correu tão depressa que, chegando primeiro ao forno e dando o recado, o homem imediatamente o lançou ao fogo. Estava ainda ardendo quando, pouco depois, chegou o pajenzinho da rainha, que assistira toda a missa e perguntou se haviam cumprido a ordem do rei.

Tendo recebido uma resposta afirmativa, correu ao palácio para comunicá-la ao rei. Este, ao ver o rapaz, ficou estupefato e adivinhou as secretas disposições da Providência Divina, que permitira o castigo do culpado e a salvação do inocente. Um menino chamado Renato, a quem o pai contou este caso, ficou tão impressionado que, não somente quis ouvir muitas missas, como ainda quis fazer-se padre para poder celebrar para outros o Santo Sacrifício.

9. O MENINO QUE FOI ENFORCADO TRÊS VEZES

Estamos na Palestina, pátria de Jesus, onde se pronunciou a primeira Missa e os Apóstolos fizeram sua primeira comunhão. O que é hoje a Palestina? Terra de desolação, de maometanos, cismáticos, judeus e poucos católicos.

Um menino cismático de oito anos começou a sentir-se atraído à religião católica, a seus cantos e festas, que lhes eram contados por seus companheiros. Um dia quis ir ver de perto. Com muito segredo, por temor dos pais, assistiu à missa numa capela. Ficou encantado. Depois da missa continuou ali com as crianças do catecismo. Terminada a cerimônia, o padre, que não o conhecia, aproximou-se dele para saudá-lo carinhosamente.

O coração estava ganho e o menino, às escondidas, continuou a ouvir a missa todos os domingos. Um dia, porém, o pai descobriu e perguntou-lhe:
- Você esteve com os malditos católicos?
- Sim, papai.
- Eu não lhe proibi isso?
- Sim, senhor.
- Jura-me que não voltará lá?
- Não posso, pois em meu coração já sou católico.
- Então você não jura?
- Não, senhor.
- Enforcá-lo-ei então...
- O senhor pode enforcar-me.

Passou o bárbaro uma corda a uma viga do teto e o laço ao pescoço do filho e puxou-o para cima. Quando os pezinhos do menino deixaram de mover-se, o pai o desceu, soltou o laço e, vendo que ainda estava vivo, disse:
- Agora você me promete não ir mais ter com aqueles malditos...
- Não, papai, não posso.
Por uma segunda e uma terceira vez repetiu o pai o cruel suplício, mas não conseguiu mudar o propósito do menino. Disfarçando, então, a sua cólera, tentou o bárbaro pai outros meios. Tomando em seus braços o corpo extenuado do pobrezinho, lhe disse:
- Mas, meu filho, você não me ama?
- Amo-o, papai.
- Como é, pois, que não quer me obedecer?
- E' que eu amo a minha alma mais do que amo ao meu pai.

O menino, pouco a pouco, recobrou as forças e logo se fez batizar, tornando-se católico. Seu pai e sua mãe morreram de tifo no ano seguinte e não muito depois teve o pequenino mártir a morte de um santo.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS

terça-feira, 7 de julho de 2020

NOVENA A NOSSA SENHORA DO CARMO (I)


ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS

†Pelo sinal da Santa Cruz, †livrai-nos, Deus, Nosso Senhor, †dos nossos inimigos.
† Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ó Deus eterno, Pai, Filho e Espírito Santo! Prostrado em vossa adorável presença, imploro misericórdia pelos méritos de Vossa Filha predileta, Mãe soberana e Esposa Santíssima, a excelsa Virgem Maria do Monte Carmelo, maternal protetora de todos os necessitados na vida, na morte e no purgatório. Ouvi-me, Senhor, nesta novena que a Ela consagro, e concedei-me o viver e morrer em vossa graça, para vos contemplar e bendizer eternamente na sua gloriosa companhia. Amém.

Ó Maria, Rainha e Formosura do Carmelo, Mãe admirável e bondosa; olhai com carinho para nós vossos filhos, aqui reunidos na vossa presença. Infundi em nossas almas uma fé sempre mais profunda e um amor mais perfeito à Verdade e ao Bem. Revesti o nosso coração com o Santo Escapulário; que ele seja um sinal de salvação e garantia de vossa bênção e proteção. Dai-nos a graça de alcançar a salvação eterna. Amém.

PRIMEIRO DIA: 07 DE JULHO

Maria, Rainha e Formosura do Carmelo, muito antes do vosso nascimento, o grande profeta Elias previu, na misteriosa nuvem que subiu do mar e cobriu o Monte Carmelo, a vossa grandeza de Mãe do Senhor.

Mãe Santa do Carmo, com toda a confiança nos aproximamos de vós. Olhai-nos com ternura e derramai a graça divina em nosso corações. Enriquecei-nos com os dons do Espírito Santo e as virtudes cristãs. Alcançai-nos a graça de nunca vivermos afastados de Deus. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). [Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...]

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (LIII)

L

DA RESSURREIÇÃO

Que sucederá depois ou ao mesmo tempo em que o mundo esteja sendo reduzido a cinzas?
Ouvir-se-á, em todos os âmbitos da terra, o som da trombeta de que fala o Apóstolo São Paulo na sua primeira epístola aos Tessalonicenses; à sua voz se levantarão os mortos das suas sepulturas e, por ela chamados, comparecerão na presença do Juiz Supremo que, para julgá-los, descerá do céu sobre nuvens de glória e revestido de soberana majestade (LIXXV, 1)*.

Quais são os que ressuscitarão?
Imediatamente, os que morreram no transcurso do tempo desde o princípio do mundo e, além disso, todos os que se acharem vivos, no momento de Jesus Cristo descer e de soar a trombeta do Juízo final.

Ressuscitarão estes últimos no sentido de passar da morte para a vida?
Sim, senhor; porque, ainda que todos estes acontecimentos sejam instantâneos, como parece indicar São Paulo na primeira epístola aos Coríntios (Cap. XV, v. 51), sucederá que os homens, vivos um momento antes, passarão por uma morte instantânea e imediatamente irão ocupar o lugar que por suas obras lhes corresponda (LXXVIII, 1, 2).

Logo ressuscitarão em estado glorioso os corpos de todos os santos, vindos do céu, saídos do purgatório ou surpreendidos na vida mortal pelos últimos acontecimentos?
Sim, senhor, e todos juntos comparecerão diante da humanidade gloriosa de Jesus Cristo, cuja vinda será a causa da sua ressurreição.

Ressuscitarão os justos com os mesmos corpos que neste mundo tiveram?
Sim, senhor; com a diferença de que então não terão deformidade, nem imperfeição, nem estarão sujeitos a debilidade alguma, mas que, pelo contrário, possuirão qualidades e dotes que os converterão, de certo modo, em espirituais (LXXXI).

Quem será capaz de efetuar tão nobre transformação?
A Onipotência divina que, assim como tirou do nada todos os seres, pode transformá-los à sua vontade.

Quais serão os dotes dos corpos gloriosos?
Os de impassibilidade, subtileza, agilidade e claridade.

Em que consiste a impassibilidade?
No domínio e senhorio absolutos da alma sobre o corpo, em virtude dos quais este, sob a tutela daquela, estará isento e livre de toda debilidade e padecimento LXXXII, 1).

Alcança este dote o mesmo grau de perfeição nos corpos de todos os bem-aventurados?
No sentido de que a nenhum alcançará a dor por falta de submissão da alma, sim, senhor; porém, as faculdades e atribuições senhoriais da alma guardarão proporção com a glória de que desfruta que, por sua vez, depende do grau de intensidade, na visão beatífica (LXXXII, 2).

Se os corpos gloriosos são impassíveis, serão, também insensíveis?
Não, senhor; pois têm uma sensibilidade rara e delicadíssima. Assim os olhos possuirão uma agudeza visual penetrantíssimo, o ouvido finíssima audição e assim os demais sentidos perceberão os objetos próprios e os comuns com uma intensidade e perfeição impossível de compreender nem imaginar, sem que o objeto produza jamais doenças nem ofenda à sensibilidade, limitando-se a cumprir a sua 
missão que é prover de matéria as percepções mais delicadas (LXXXII, 3, 4).

Em que consiste a subtileza dos corpos gloriosos?
No dote mais peregrino que possuir podem, pois, mercê da união e sujeição à alma glorificada, sem perder a sua qualidade de verdadeiros corpos, sem transformar-se em corpos aéreos ou fantásticos, se tornarão puros e etéreos, sem coisa alguma das que agora os fazem toscos e espessos (XXXIII, 1).

Logo, perdem a propriedade física da impenetrabilidade e podem, por consequência, dois ocupar o mesmo lugar ou subtrair-se às condições do espaço e não o ocupar nenhum?
Não, senhor; conservarão todas as dimensões e ocupará cada um o seu próprio lugar (LXXX, 2).

Foi em virtude da subtileza que o corpo glorioso de Cristo penetrou no cenáculo com as portas fechadas?
Não, senhor; mas por virtude divina de Jesus Cristo, e da mesma maneira como nasceu das puríssimas entranhas da Santíssima Virgem, sem destruir a sua virgindade (LXXXIII, 2 ad 1).

Que entendeis por agilidade dos corpos gloriosos?
Um dote que consiste em sujeitá-los tão plena e absolutamente aos impulsos motores da alma, que os obedecerão com uma prontidão e rapidez maravilhosas (LXXXIV, 1).

Utilizarão os santos esta qualidade?
Desde logo se servirão dela para ir ao encontro de Jesus Cristo quando venha a julgar o mundo, e para subir ao céu com Ele. É possível que desde logo empreendam voluntárias e agradáveis excursões, já para exercício de uma qualidade em que tão maravilhosamente resplandece a sabedoria divina, já também para recrear-se, contemplando as belezas e encantos do universo, pregoeiros da glória de Deus (LXXXIV, 3).

É instantâneo o movimento dos corpos gloriosos?
Não, senhor; pois ainda que imperceptível (tal será a sua rapidez), necessita de algum tempo para efetuar-se (LXXXIV, 3).

Que entendeis ao dizer que os corpos gloriosos possuem o dote da claridade?
Que o resplendor das almas glorificadas comunicará e infiltrará nos corpos uma claridade que os tornará luminosos e radiantes como o sol, e transparentes como o mais puro cristal; apesar disso, a luminosidade não apagará as cores naturais; pelo contrário, se amoldará às suas distintas tonalidades para realçá-los, embelezá-los e comunicar-lhes uma formosura mais divina de que humana (LXXXVI, 1).

Possuirão todos os corpos o mesmo grau de claridade?
Não, senhor; porque a claridade dos corpos é o reflexo da alma e, portanto, proporcional ao grau de glória de que esta desfruta. Por isso, querendo São Paulo dar-nos a entender algo destas verdades sublimes, nos disse que serão os corpos gloriosos como os astros do firmamento, entre os quais um é o brilho do sol, outro o da lua e outro o das estrelas, e ainda, umas estrelas diferem das outras em brilho e claridade (l Cor 15, 41).

Logo. o conjunto dos corpos gloriosos, formará um quadro vistosíssimo e de incomparável formosura?
Tão grandioso, sugestivo e embelezador que os mais belos panoramas do céu e da terra não poderão dar-nos dele sequer uma ideia aproximada.

Poderão ver com os olhos carnais a claridade dos corpos gloriosos, aqueles que não possuem a glória?
Sim, senhor; e assim a verão os próprios condenados (LXXXV, 2).

Será facultativo à alma glorificada deixar ver ou ocultar a claridade do seu corpo?
Sim, senhor; porque provém dela e aos seus mandatos se sujeita (LXXXV, 3).

De que idade ressuscitarão os corpos dos justos?
Da que corresponde à plenitude do desenvolvimento e energia vital (LXXXI, 1).

Ressuscitarão no mesmo estado os corpos dos condenados?
Sim, senhor; porém, desprovidos em absoluto das qualidades dos gloriosos (LXXXVI, 1).

Logo, serão corruptíveis?
Não, senhor; porque então terá terminado o reinado da morte e da corrupção (LXXXVI, 2).

Logo serão ao mesmo tempo passiveis e imortais?
Sim, senhor, pois Deus, justiceiro e onipotente, dispôs as coisas de maneira que nenhum agente exterior possa alterá-los e muito menos destruí-los, e que, apesar disso, todos, e particularmente o fogo do inferno, lhes inflijam formidável tormento e dor (LXXXVI, 2, 3).

Em que estado ressuscitarão as crianças mortas sem batismo?
No de inteira perfeição natural, diferenciando-se dos justos, em que não possuirão os dotes do corpo glorioso, e dos condenados, em que jamais experimentarão enfermidades nem dor (Apêndice, 1, 2).

LI

DO JUÍZO FINAL

Depois da ressurreição, comparecerão todos os homens na presença do Juiz Supremo?
Sim, senhor (XXXIX, 5).

De que forma se apresentará o Juiz?
Aparecerá a sua humanidade sacratíssima revestida da glória e majestade a que lhe dá direito a sua união pessoal com o Verbo, e o triunfo alcançado sobre os poderes do mal (XC, 1, 2).

Verão todos os homens a glória do Redentor quando aparecer para julgá-los?
Sim, senhor (Ibid).

Verão também todos a sua glória como Deus?
Somente a verão os eleitos (XC, 3).

Serão julgados quantos comparecerem na presença do Juiz?
Não, senhor; somente serão submetidos a Juízo os que neste mundo tiveram uso de razão.

E os que não o tiveram?
Não serão julgados, e se, como os demais, são conduzidos ao tribunal divino, vão ali para ver e admirar a glória de Cristo, e a tremenda justiça e absoluta imparcialidade dos juízos de Deus (LXXXIX, 5 ad 3).

Logo, serão julgados, absolutamente, todos os homens que neste mundo foram senhores dos seus atos?
Se por juízo entendemos a separação entre os bons e os maus e a colocação dos primeiros à direita do Juiz, para ouvirem como os convida a tomar posse do reino dos céus, e dos segundos à esquerda para escutarem a sentença de eterna condenação, sim, senhor; porém, se por juízo entendemos o processo, e pública e convincente demonstração do mal obrar, somente os réprobos serão julgados (LXXXIX, 6,7).

Produzirá nos réprobos grande confusão e vergonha o ver como se descobrem e publicam à face dos céus e da terra os seus crimes e pecados?
Isso lhes causará confusão suprema e tortura horrível porque, no fundo de todo pecado, principalmente se é grave, aninha-se o mais inconfessável orgulho, e naquele tremendo dia passarão pela vergonha de presenciar como o Juiz Supremo, a cujo olhar nada se oculta, põe a descoberto os seus atos, projetos e maquinações, e os segredos mais ocultos do seu orgulho e soberba, pai de todos os vícios e pecados.

Logo, no dia do Juízo, se publicarão à face do mundo inteiro quantos atos reprováveis fizeram durante a sua vida?
Sim, senhor; ali se publicarão os pecados da vida privada, os cometidos como membros da família e da sociedade, conjuntamente com as consequências mais ou menos lamentáveis que de sua intervenção nos negócios públicos se tivessem seguido, quer seja no exercício do poder ou por meio da palavra falada ou escrita; e quanto mais neste mundo tivessem colhido louros, alcançado mais favor público e obtido maiores triunfos, mercê das intrigas dos inimigos de Deus, de Cristo e da sua Igreja, mais esmagados se sentirão, sob o peso da reprovação universal (LXXXVIII 1,2, 3).

De que mais se servirá Deus para por as suas vidas no conhecimento do mundo inteiro?
Da própria ilustração e iluminação do Juízo particular, com a diferença de que nesta assembléia, única em que se acharão presentes quantos homens existiram desde o princípio até ao fim do mundo, não somente verá cada um a sua própria consciência, mas também a de todos os outros (Ibid).

Logo, também estará patente aos olhos de todos a consciência dos justos?
Sim, senhor; e isso constituirá a mais consoladora e sublime compensação da sua humildade e voluntário obscurecimento na terra, porque só então se realizará plenamente a promessa de Jesus Cristo no Evangelho: 'o que se exalta será humilhado, o que se humilha será exaltado' (LXXXIX, 6).

Podemos dizer que não se discutirão as ações dos justos, e, neste sentido, que não serão julgados?
Tratando-se daqueles cuja vida é inteiramente santa e sem mistura notável do mal, como a dos que, olhando as vaidades do mundo, põem todo o seu afã em servir a Deus, sim, senhor; porém, quanto aos outros, isto é, aqueles que, sem amarem as criaturas mais do que a Deus até ao extremo de perdê-lo, viveram afeiçoados às coisas do mundo e com elas mais ou menos transigiram, verão expostas diante dos olhos dos demais as duas facetas de sua vida com o fim de que todos contemplem a preeminência do bem sobre o mal, pois assim o requer a escrupulosidade do Juízo divino (Ibid).

Logo, publicar-se-ão todas as suas faltas, apesar do arrependimento e da penitência?
Sim, senhor, pela razão referida; porém esta manifestação, em vez de ser para eles vergonhosa, será motivo de glória, pois conjuntamente com a culpa se publicará a penitência, e tanto maior será a satisfação, quanto mais a penitência tenha sido fervorosa e generosa (LXXXVII, 2 ad 3).

Haverá justos que, em lugar de réus, serão juízes, e como tais tomarão assento com o Juiz supremo?
Sim, senhor; os que, a exemplo dos Apóstolos, abandonaram tudo para seguir a Cristo, e cuja vida foi, poderemos dizer, a perfeição evangélica encarnada e viva (LXXXIX, 1, 2).

Naquele dia serão juízes também os anjos do Senhor?
Não, senhor; porque os adjuntos daquele tribunal devem ser semelhantes ao Juiz, e este será o Verbo divino enquanto homem. Logo, só os homens podem ser seus assistentes (LXXXIX, 7).

Se não são Juízes serão réus?
Propriamente também não, porque o juízo da sua causa se celebrou no princípio do mundo, quando os que permaneceram fiéis entravam na glória, e os rebeldes foram precipitados no inferno. Sem embargo disso, atenta a parte que os anjos bons tomam na santificação dos justos e considerados os obstáculos e tropeços que lhes põem os maus, encontram-se indiretamente envoltos no Juízo, os primeiros para receberem um prêmio acidental, e os segundos, um aumento de pena e suplícios (LXXXIX, 3).

Como terminará o Juízo final?
Com o Juiz pronunciando a sentença definitiva.

Sabeis qual será?
Sim, senhor; pois Ele mesmo a revelou.

Quais serão os seus termos?
Ei-los aqui como se leem no Evangelho: 'Então dirá o Rei aos que estão à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a formação do mundo. E dirá aos que se acham à sua esquerda: Ide, malditos, ao fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos.

Qual será o efeito desta sentença?
Que 'os maus irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna'.

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)

domingo, 5 de julho de 2020

PÁGINAS COMENTADAS DOS EVANGELHOS DOS DOMINGOS


'Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo...  se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo Espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis
(Rm 8, 9.13)