quinta-feira, 4 de junho de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (V)


CANÔNICOS (LIVROS)

São os livros que constituem a Sagrada Escritura ou a Bíblia. Uns eram chamados Protocanônicos, sobre a autenticidade dos quais nunca houve dúvidas; outros Deuterocanônicos, porque havia dúvidas sobre a sua autenticidade. O Concílio de Trento pôs termo a essa distinção, definindo quais os livros autênticos, isto é, quais os livros que deviam ser considerados como divinamente inspirados, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Os livros canônicos do Antigo Testamento são de quatro classes. Da primeira classe são os livros legais ou da Lei: o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, Números, Deuteronômio. Da segunda classe são os livros históricos: Josué, Juízes, Rute, quatro dos Reis, dois dos Paralipômenos, dois de Esdras, de Tobias, de Judite, de Ester, de Jó, e dois dos Macabeus. Da terceira classe são os livros morais ou de Moral: 150 Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico. Da quarta classe são os livros proféticos, que compreendem os quatro Profetas Maiores: Isaías, Jeremias (mais Baruc), Ezequiel, Daniel; e os 12 Profetas Menores: Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas Miqueias, Naum, Abacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Os livros canônicos do Novo Testamento são: o Santo Evangelho escrito pelos quatro Evangelistas: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João. Os Atos dos Apóstolos, escritos por São Lucas, 14 Epístolas de São Paulo, l de São Tiago, 2 de São Pedro, 3 de São João, 1 de São Judas e o Apocalipse de São João, que é o último Livro da Sagrada Escritura ou da Bíblia. 

CANONIZAÇÃO DOS SANTOS

É a declaração solene, feita pela Igreja de que tal fiel que entrou na eternidade, é Santo. A Igreja é infalível quando faz essa declaração. No princípio da Igreja, consistia a Canonização em pôr o nome do fiel defunto no Catálogo dos Santos ou em levantar uma igreja ou oratório com altar para nele se dizer Missa sob a sua invocação. As solenidades da Canonização tais como hoje se praticam foram instituídas pouco a pouco. Hoje, para que um Servo de Deus seja canonizado, é necessário que depois de beatificado e de receber culto público, se mostre que, por sua intercessão, foram feitos dois ou três milagres. 

CÂNTICO DOS CÂNTICOS 

É um dos livros da Sagrada Escritura. É um cântico sublime, um diálogo entre o esposo e a esposa, que são representados, umas vezes como um rei e uma rainha, outras como um pastor e uma pastora, e outras como um hortelão e uma hortelã. Este Livro em todas as suas partes é misterioso e representa, segundo a interpretação dos Santos Padres, o amor incompreensível de Jesus Cristo para com a sua Igreja e o amor recíproco da Igreja para com Jesus Cristo. 

CAPELÃO 

É o sacerdote que tem o encargo de celebrar missa em determinada igreja e a determinada hora. Os sacerdotes não devem aceitar capelanias sem acordo com o bispo, ou seja, em capelas domésticas ou em capelas públicas, semi-públicas ou em igrejas. A não ser que haja privilégio Apostólico, a nomeação de capelão nas Associações Pias e nas Associações Religiosas eretas fora das igrejas próprias, pertence ao bispo. Nas Associações isentas de religiosos em igrejas próprias, se o capelão pertence ao clero secular, requere-se apenas o consentimento do bispo. Os capelães militares estão sujeitos a ordenações especiais, prescritas pela Santa Sé.

CARDEAL 

É o sacerdote livremente eleito pelo Romano Pontífice para fazer parte do seu Senado, e lhe assistir como principal conselheiro e auxiliar no governo da Igreja. Os Cardeais formam o Sacro Colégio com três Ordens: Episcopal, que tem seis Cardeais, Presbiteral, que tem cinquenta Cardeais e Diaconal com catorze Cardeais. O Senado do Romano Pontífice ou Sacro Colégio consta, pois, de setenta Cardeais, os quais têm também o direito de eleger o Sumo Pontífice e gozam dos privilégios estabelecidos no Código de Direito Canônico [O Colégio Cardinalício é atualmente formado por 224 cardeais, dos quais 122 seriam hoje eleitores na ocorrência de um novo conclave (cardeais com menos de 80 anos de idade)].

CASTIÇAIS 

São utensílios com orifício na parte superior, onde se seguram as velas de iluminação. Deve haver seis castiçais no altar-mor e seis no altar do Santíssimo e devem estar aos lados da cruz. Sobre a banqueta não podem estar na mesma linha castiçais com velas acesas em número superior ao indicado nas rubricas. Não devem exceder em altura o pé da cruz que lhes fica ao centro.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)

quarta-feira, 3 de junho de 2020

AS TRÊS MANEIRAS DE CARREGAR A CRUZ


Então vi Nosso Senhor pregado na cruz. Enquanto Jesus, por alguns momentos estava suspenso nela, vi uma legião inteira de almas crucificadas da mesma forma que Jesus. E vi uma segunda e ainda uma terceira legião de almas. A segunda legião não estava pregada na cruz, mas as almas seguravam firmemente a cruz em suas mãos. Ao passo que a terceira legião de almas não estava pregada, nem segurava firmemente a cruz nas mãos, mas essas almas arrastavam a cruz após si e estavam insatisfeitas.

Então Jesus me disse: 'Estás vendo essas almas que são semelhantes a mim em sofrimentos e desprezo? Elas serão também semelhantes a Mim na glória; e as que forem menos parecidas Comigo no sofrimento e no desprezo, essas também terão menos semelhança Comigo na Glória'. Entre as almas crucificadas – o maior número era daquelas que pertenciam ao estado religioso. Vi também crucificadas almas minhas conhecidas, o que me causou grande alegria. Então Jesus me disse: Na meditação de amanhã, refletirás sobre o que viste hoje. E logo Jesus desapareceu (Diário de Santa Faustina - 446).

Há três tipos de almas que se salvam porque são três as maneiras de se carregar na nossa vida a Cruz de Cristo. Há uma legião inteira de almas crucificadas da mesma forma que Jesus, cujo maior número é o de sacerdotes e religiosos. São aqueles que se despojaram das coisas do mundo e se aplicaram em seguir, o mais retamente possível, o Senhor da Messe e o exemplo de Nossa Senhora, modelo de perfeição cristã. São almas que nunca vão chegar sozinhas ao Céu, mas que arrastam multidões consigo, pelo exemplo, pela doutrina, pela conversão.

A segunda legião de almas fieis avança, por entre as dificuldades e provações da vida, segurando firmemente a cruz em suas mãos, consoladas pela certeza da fé e animadas pela esperança das promessas divinas. Aceitam com resignação os sofrimentos sem revolta ou consternação e glorificam a Deus nas pequenas e grandes coisas, buscando viver no espírito de acolhimento do próximo, na prática da caridade e no distanciamento dos apelos e prazeres do mundo.

Há uma terceira legião de almas que também pertencem a Cristo e que serão herdeiras das moradas eternas. Mas são almas que vivem a graça de filhos de Deus sem alegria, em constante recriminação diante das dificuldades e tribulações de toda ordem. Querem e amam a Deus, mas não querem o tributo de uma contrapartida que exigem delas a perda dos valores terrenos, dos prazeres fáceis, do apego caloroso e algo desordenado de suas muitas relações humanas. São almas que se fazem cristãs aos Domingos da Ressurreição, mas que relutam fortemente a seguir em frente diante dos rigores da Sexta-Feira Santa.

São três legiões de almas cristãs. São três maneiras de levar consigo a Cruz de Cristo. São três portas distintas para se alcançar a eternidade de Deus e se tornar mais ou menos semelhante a Cristo nas moradas eternas. Qual é o seu modo de carregar a Cruz de Cristo? Qual é o seu caminho para o Céu?

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

Por nenhuma coisa do mundo, nem por amor de pessoa alguma, se deve praticar qualquer mal; mas, em prol de algum necessitado, pode-se, às vezes, omitir uma boa obra, ou trocá-la por outra melhor. Desta sorte, a boa obra não se perde, mas se converte em outra melhor. Sem a caridade, nada vale a obra exterior; tudo, porém, que da caridade procede, por insignificante e desprezível que seja, produz abundantes frutos, porque Deus não atende tanto à obra, como à intenção com que a fazemos. Muito faz aquele que muito ama. Muito faz quem bem faz o que faz. Bem faz quem serve mais ao bem comum que à sua própria vontade. Muitas vezes parece caridade o que é mero amor-próprio, porque raras vezes nos deixa a inclinação natural, a própria vontade, a esperança da recompensa, o nosso interesse. Aquele que tem verdadeira e perfeita caridade em nada se busca a si mesmo, mas deseja que tudo se faça para a glória de Deus. De ninguém tem inveja, porque não deseja proveito algum pessoal, nem busca sua felicidade em si, mas procura sobre todas as coisas ter alegria e felicidade em Deus. Não atribui bem algum à criatura, mas refere tudo a Deus, como à fonte de que tudo procede, e em que, como em fim último, acham todos os santos o deleitoso repousar. Ó quem tivera só uma centelha de verdadeira caridade logo compreenderia a vaidade de todas as coisas terrenas!

('Da Imitação de Cristo, Thomas de Kempis)

segunda-feira, 1 de junho de 2020

CANTOS DA MISSA TRADICIONAL (III): PUER NATUS EST NOBIS

Após as orações preliminares, tem início a Primeira Parte da Missa - Missa dos Catecúmenos. O sacerdote sobe ao altar, dando início ao Introito, perfazendo o Sinal da Cruz e fazendo comumente a leitura de alguns versículos de um determinado salmo. O introito muda a cada missa e constitui um esboço da natureza da missa que será rezada. Por essa razão,  é muito rico e variado de proposições, assumindo características especiais por ocasião de festas litúrgicas específicas, como, por exemplo, o Natal, Domingo de Ramos, missa dos defuntos, Terceiro Domingo do Advento e missas votivas a Nossa Senhora. Exemplo (Missa de Natal):

Introito - Natal

Puer Natus est Nobis


Puer natus est nobis, et filius datus est nobis: cujus imperium super humerum ejus: et vocabitur nomen ejus, magni consilii Angelus. Cantate Dominum canticum novum quia mirabilia fecit. Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.  Amen.

Nasceu-nos um Menino e um Filho nos foi dado; o império repousa sobre seus ombros e será chamado Anjo do Grande Conselho. Cantai ao senhor um canto novo, porque Ele fez maravilhas. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.