sexta-feira, 27 de março de 2020

HOJE: INDULGÊNCIA PLENÁRIA URBI ET ORBI

Hoje, às 14h (ou 18h no horário italiano), o Santo Padre proclamará do patamar da Basílica de São Pedro e diante a praça vazia, em caráter extraordinário, a bênção eucarística Urbi et Orbi, com a possibilidade de se conceder, portanto, a indulgência plenária a todos que, à distância e por meio dos diferentes meios de comunicação, estiverem unidos ao papa neste evento especial, que deverá ter uma duração aproximada de uma hora.



Diante da ameaça mortal do coronavírus em todo o mundo, a Igreja proclamou na última sexta-feira (dia 20/03) uma concessão geral e extraordinária da Indulgência Plenária para todos os fiéis enfermos, bem como para os profissionais de saúde, familiares e para os católicos em geral, segundo Decreto da Penitenciaria Apostólica e assinado pelo cardeal Mauro Piacenza e pelo mons. Krzysztof Nykiel. O próprio decreto considera ainda a possibilidade de concessão da absolvição coletiva sem uma prévia confissão individual.

Para se obter a Indulgência plenária, os doentes de coronavírus, os que se encontram em condições de quarentena, os profissionais de saúde e os familiares expostos ao risco de contágio com quem foi infectado pelo vírus, poderão simplesmente recitar o Credo, o Pai-Nosso ou uma oração a Nossa Senhora. Os demais fieis poderão escolher entre várias opções: visitar o Santíssimo Sacramento, fazer a adoração eucarística, ler as Sagradas Escrituras por pelo menos meia hora, rezar o Terço (ou o Terço da Divina Misericórdia) ou fazer a Via-Sacra, com súplicas a Deus pela cessação da epidemia, o alívio para os doentes e a salvação eterna daqueles a quem o Senhor chamou a si. E, como alternativa geral e universal aos fieis da Igreja, obter a Indulgência Plenária hoje às 14h, juntando-se as orações de todo o povo de Deus à do Santo Padre no Vaticano. 

Você pode acompanhar o evento e participar da oração do Santo Padre aqui:

quinta-feira, 26 de março de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: MORTIFICAÇÃO DO CORAÇÃO


27. Dai o vosso coração a Jesus cada vez mais. Não espereis fazer isso para quando fordes perfeito. Não; dai-o a Ele agora. Não busqueis voluntariamente nenhuma consolação. Deus, que nos conhece e que se desvela por nós, há de nos dar o que precisamos in tempore oportuno [no momento oportuno].

28. O Bom Deus não quer que procureis e que conheceis ser amado. Ele vos concederá isso sim, afinal, mas somente quando não mais o desejais. Enquanto isso, Ele quer que busqueis somente a Ele, sempre, em todos os lugares e em tudo, particularmente na humilhação.

29. Não procureis anelos sensíveis, que não são sólidos. Somos constituídos por uma parte espiritual e uma parte sensível, mas o que acontece na segunda é de uma ordem bem inferior e, em termos práticos, nem deveria contar. Como Deus é espírito, só o que é espiritual deve importar. Se o que disserdes a Ele não lhe parecer nada, pouco importa. Persevere, pois o que importa realmente é Ele estar contente.

30. É preciso temer as emoções sensíveis no caminho da vida espiritual porque elas inibem mudanças. Acredita-se numa dada virtude e, assim, apega-se a ela simplesmente por isso ser agradável. Não as peçais e nem as desejais para que nunca vos apegueis a elas. O amor sensível provém do conhecimento sensível. Se pudésseis compreender a diferença entre o amor natural, mesmo a Jesus, e o amor sobrenatural, o verdadeiro amor da caridade! Suponha que uma alma que, sem ter recebido a graça, tenha  amado Nosso Senhor na terra apenas por isso ser bom e belo... Isso assume uma ordem diferente. O caráter sensível deve ser mortificado e eliminado, para dar lugar ao espiritual. Veja o exemplo de São João da Cruz: ele não apenas quis renunciar ao que era sensível, mas também às próprias alegrias dos anelos espirituais. Na terra, não há proporção entre o nosso conhecimento e o nosso amor. É por isso que se pode amar mais do que se conhece. Basta-nos saber que Deus é infinitamente bom e que se ama Deus quando se faz a sua Vontade. O conhecimento sensível é secundário, mas podemos imaginar Nosso Senhor desta ou daquela maneira e isso depende da nossa imaginação. Quanto ao conhecimento intelectual, São João da Cruz diz, e é verdade, que nós não temos nada além do que uma ideia difusa de Deus; mas enquanto Deus não nos dá luzes infusas, temos que nos ater a essa ideia geral, mesmo sabendo que é bastante grosseira porque, afinal, não somos espíritos puros.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)

A SAGRADA FACE DE CRISTO (III)