domingo, 23 de abril de 2017

'MEU SENHOR E MEU DEUS!'

Páginas do Evangelho - Segundo Domingo da Páscoa


O segundo domingo do tempo pascal é consagrado como sendo o 'Domingo da Divina Misericórdia', com base no decreto promulgado pelo Papa João Paulo II na Páscoa do ano 2000. No Domingo da Divina Misericórdia daquele ano, o Santo Padre canonizou Santa Maria Faustina Kowalska , instrumento pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fez conhecer aos homens Seu amor misericordioso: 'Causam-me prazer as almas que recorrem à Minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos. Não posso castigar, mesmo o maior dos pecadores, se ele recorre à Minha compaixão, mas justifico-o na Minha insondável e inescrutável misericórdia'.

No Evangelho deste domingo, Jesus já havia se revelado às santas mulheres, a Pedro e aos discípulos de Emaús. Agora, apresenta-Se diante os Apóstolos reunidos em local fechado e, uma vez 'estando fechadas as portas' (Jo 20, 19), manifesta, assim, a glória de Sua ressurreição aos discípulos amados. 'A paz esteja convosco' (Jo 20, 19) foi a saudação inicial do Mestre aos apóstolos mergulhados em tristeza e desamparo profundos. 'A paz esteja convosco' (Jo 20, 21) vai dizer ainda uma segunda vez e, em seguida, infunde sobre eles o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20, 22-23), manifestação preceptora da infusão dos demais dons do Espírito Santo por ocasião de Pentecostes. A paz de Cristo e o Sacramento da Reconciliação são reflexos incomensuráveis do amor e da misericórdia de Deus. 

E eis que se manifesta, então, o apóstolo da incredulidade, Tomé, tomado pela obstinação à graça: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei' (Jo 20, 25). E o Deus de Infinita Misericórdia se submete à presunção do apóstolo incrédulo ao lhe oferecer as chagas e o lado, numa segunda aparição oito dias depois, quando estão todos novamente reunidos, agora com a presença de Tomé, chamado Dídimo. 'Meu Senhor e meu Deus!' (Jo 20, 28) é a confissão extremada de fé do apóstolo arrependido, expressando, nesta curta expressão, todo o tesouro teológico das duas naturezas - humana e divina - imanentes na pessoa do Cristo.

'Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' (Jo 20, 29) é a exclamação final de Jesus Ressuscitado pronunciada neste Evangelho. Benditos somos nós, que cremos sem termos vistos, que colocamos toda a nossa vida nas mãos do Pai, que nos consolamos no tesouro de graças da Santa Igreja. E bem aventurados somos nós que podemos chegar ao Cristo Ressuscitado com Maria, espelho da eternidade de Deus na consumação infinita da Misericórdia do Pai. 

sábado, 22 de abril de 2017

10 MANEIRAS DE EVITAR O PECADO

1. Rezar. Rezar de qualquer forma e de todas as maneiras possíveis, isso irá nos manter longe do pecado. Durante todo o dia, tentemos atirar flechas de comunicação com Deus, não importa se estivermos trabalhando, comendo, dirigindo, sentados, ajoelhados ou falando. É uma tentativa constante para manter tudo o que fazemos em união com Deus. Nós também precisamos desenvolver o hábito da oração que automaticamente entra em ação assim que estamos sendo tentados.

2. Mortificar o corpo. Em vez de sempre dar ao corpo o que ele quer, como alimentação, descanso, conforto, música, doces, prazer, precisamos fazer, através de pequenas maneiras, alguma mortificação no que ele exige todos os dias. O jejum e a abstinência são disciplinas importantes que formam a vontade para dizer não ao corpo e sim a Deus.

3. Aproveitar a graça de Deus por meio de confissões frequentes e a Santa Comunhão, que fornecem graças e força de vontade para as almas enfraquecidas. Na confissão, buscar ser muito humilde, contrito e honesto quanto à gravidade de seus pecados, mesmo que sejam embaraçosos para dizer. Nunca retenha nada com você.

4. Ter devoção à Virgem Maria. Maria é a medianeira de todas as graças que vêm de Deus. Se recorremos a ela em momentos de tentação, 'nunca se ouviu dizer que alguém tenha sido desamparado' (São Bernardo). Ela é a pureza virginal e quer ajudar-nos a permanecermos puros. Rezar Ave Marias até que as fortes tentações passem. Isso pode literalmente levar a centenas de Ave Marias por dia, mas vale a pena.

5. Evitar a ocasião de pecado. O que sempre leva ao pecado deve ser evitado como a peste. Todo tempo, toda maneira e todo lugar devem ser cautelosamente considerados e evitados se eles nos levam a pecar. Qualquer um que fale sobre o pecado, mostre o pecado ou incentive ao pecado é seu inimigo, e não seu amigo. São Jerônimo disse: 'Lembre-se de que uma mulher (Eva) expulsou os habitantes do paraíso, e que você não é mais santo do que Davi, mais forte do que Sansão, ou mais sábio do que Salomão, e todos caíram pelo intercurso do mal'.

6. Guardar os olhos. O piedoso Jó fez um pacto com os seus olhos que ele não olharia sequer para uma virgem. Nossos olhos levam a pensamentos que, em seguida, podem levar a ações. Olhe para longe de tudo que cause luxúria.

7. Manter-se ocupado. Muitos santos fizeram votos de nunca viver na ociosidade. Isso é uma grande ideia e permite fazer grandes coisas com a própria vida: 'mãos ociosas são a oficina do diabo'.

8. Lembrar-se das consequências dos pecados passados e a possibilidade de ser condenado para sempre por estes pecados. Meditar sobre a realidade da morte, julgamento, céu ou inferno. Rever em detalhes as torturas do inferno em relação aos prazeres instantâneos obtidos através do pecado.

9. Evitar a depressão. Lembre-se de como é triste a ideia de separação de Deus que se sente depois de pecar. Lembre-se da culpa, da vergonha e da tristeza causadas por esses pecados. Você gostaria que o mundo todo estivesse olhando para o seu pecado? Deus, Maria, seu anjo da guarda estão assistindo cada detalhe. E na segunda vinda de Jesus, tudo será tornado público.

10. Ajudar outras pessoas a parar de pecar. Assim como tentamos salvar nossas almas com a ajuda de Deus, também devemos viver para salvar outras almas. Fica mais fácil viver uma vida boa, se estamos ajudando os outros a viverem vidas santas. Sermos profetas hoje para dizer às pessoas que o pecado ainda é pecado e que ofende e crucifica Nosso Senhor.

('10 Traditional Catholic Practices To Get Out Of Habitual Sin Especially Of The Flesh', Pe. Peter Carota, in memoriam, publicado originalmente em Traditional Catholic Priest, tradução Sensus fidei)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

LUZ NAS TREVAS DA HERESIA PROTESTANTE (XI)

Sétima Objeção* do crente: apresentar um texto das Sagradas Escrituras que prove que os padres podem perdoar os pecados.

Em sétimo lugar, o crente pede um texto, que prove que os padres podem perdoar os pecados. Pois não; seguem-se aqui os textos; porém espero que o amigo crente há de citar-me também um texto que prove que os padres não podem perdoar os pecados, um só... É pouca exigência, não é? Certo de que o tal texto nunca será apresentado, eu vou já satisfazer o meu crente, e até além de seu pedido.

I. O que é a confissão

O que é a confissão? É um sacramento instituído por Jesus Cristo no qual o sacerdote, em nome de Deus, perdoa os pecados cometidos depois do batismo. Qualquer criança de catecismo sabe isso de cor. Eis a asserção; escute agora as provas. Diga lá: Os homens precisam ou não precisam de perdão?Isto é: os homens pecam ou não pecam? O Espírito Santo responde por todos, até pelos biblistas. 'O justo cai sete vezes por dia' (Pv 24,16). E se o próprio justo cai sete vezes, que será do pobre que não é justo? 

'Não há homem que não peque' (Ecle 7,21). 'E aquele que diz que não tem pecado', diz São João, 'faz Deus mentiroso' (I Jo 1,10). Ora, se todo homem é pecador, e se o pecado não pode entrar no céu, deve haver um meio de alcançar perdão deste pecado, visto o homem ser destinado ao céu. 'Nesta porta do Senhor, só o justo pode entrar' (Sl 117,20). 'Não sabeis que os pecadores não possuirão o reino de Deus?' (I Cor 6,9).

II. Sua necessidade

E qual é este meio? É a confissão, nos diz São João. 'Se confessarmos os nossos pecados', diz o apóstolo, 'ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda injustiça' (I Jo 1,8). Examine isso, amigo crente, se o texto figura em sua Bíblia. O Espírito Santo o tinha dito já muito antes do Apóstolo: 'Aquele que esconde seus crimes não será purificado; aquele, ao contrário, que se confessar e deixar seus crimes, alcançará a misericórdia' (Pv 28,13). 'Não vos demoreis no erro dos ímpios', diz ainda o Espírito Santo, 'mas confessai-vos antes de morrer' (Ecli 17,26).

Eis a necessidade de confissão para todos os homens, antes de Jesus Cristo, como depois. De fato mostrarei que a confissão não é propriamente uma criação nova feita por Jesus Cristo, mas, que existindo já no Antigo Testamento, foi por ele elevada à dignidade de sacramento. Modificou-a, sem dúvida, porém já havia entre os judeus uma coisa que muito se lhe assemelhava. Jesus Cristo, conhecendo a fraqueza humana e querendo salvar seus filhos, instituiu este grande sacramento de misericórdia.

Escute bem, caro crente, e além dos textos do bom senso, verifique bem os textos das Escrituras, que são claros e positivos. Vou provar-lhe aqui duas coisas: (i) que Cristo podia perdoar os pecados; (ii) que Ele comunicou este mesmo poder aos apóstolos, que eram os primeiros padres.

III. Cristo pode perdoar pecados

Diz São Mateus (9, 2-7): 'Jesus curou um homem paralítico e lhe disse: tem confiança – os teus pecados te são perdoados'. Dizem os Judeus: 'Este blasfema'. Jesus responde que faz este milagre para que saibam que: 'O Filho do Homem tem, na terra, o poder de perdoar os pecados' (Mt 9,6). E a multidão, vendo isto, maravilhou-se e glorificou a Deus que dava tal poder aos homens (Mt 9,8). Que quer dizer isto, amigo biblista?

Agora um pouco de reflexão sobre o texto inspirado no Evangelho. Jesus Cristo faz aqui um milagre para provar que, como homem, pode perdoar os pecados, por isso ele diz: 'O Filho do homem tem, na terra, o poder de perdoar os pecados' (Mt 9,6). E o povo glorifica a Deus, que deu tal poder aos homens (Mt 9,8). Eis uma prova de que Jesus Cristo, mesmo como homem, havia recebido este poder de seu Pai.

IV. Comunicou este poder

E como comunicou ele este poder aos seus apóstolos? Escute bem, porque aqui está a força do argumento católico e a ruína da negação protestante. No dia da sua ressurreição, como para significar que a confissão é uma espécie de ressurreição espiritual do pecador, apareceu no meio dos apóstolos e, mostrando-lhes as suas mãos e seu lado, lhes disse: 'A paz seja convosco. Assim como meu Pai me enviou, eu vos envio a vós' (Jo 21,21).

Ora, Jesus Cristo, como homem, tinha, como acabo de mostrá-lo, recebido de seu Pai o poder de perdoar os pecados; logo, ele deu este poder aos seus apóstolos. Nota bem cada palavra deste texto, pois Cristo sabia falar e compreendia a significação de cada palavra. Ele diz: 'Assim como meu Pai me enviou', isto é, com o poder de perdoar os pecados, 'assim eu vos envio a vós', isso é, eu vos envio dotados do mesmo poder, fazendo o que fiz, perdoando os pecados, como eu os perdoei. Pode ser mais claro e mais positivo?

E, para dissipar a última possibilidade de dúvida ou de sofisma, Cristo continua, soprando sobre eles (Jo 21, 22): 'Recebei o Espírito Santo' como se dissesse: 'Recebei um poder divino: só Deus pode perdoar pecados; pois bem recebei este poder divino' (Jo 21,22). 'Àquele a quem perdoares os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos' (Jo 21,23). Pode isso ser mais claro? Impossível! Veja o mesmo texto em São Mateus (18,18).

A conclusão é rigorosa: Cristo podia perdoar os pecados. Ele comunicou este poder aos apóstolos e, por eles, aos sucessores dos apóstolos; pois a Igreja é uma sociedade que deve durar até ao fim do mundo (Mt 28,20). Se Cristo deu aos sacerdotes o poder de perdoar os pecados, impôs aos fiéis o dever de confessar estes pecados, porque poder e dever são correlativos. Todo poder impõe um dever, e não pode haver poder numa pessoa sem que exista um dever numa outra pessoa. Eis a instituição divina da confissão provada por muitos textos e com uma lógica irrefutável.

Só um cego para não ver e protestante obcecado para não compreender. Para que serve então a bíblia, se os textos mais claros não são compreendidos: só sendo castigo de Deus! 'Têm olhos e não enxergam', diz o salmista: 'têm ouvidos e não ouvem' (Sl 113, 5-6).

V. No Antigo Testamento

Sendo este assunto de inigualável importância e sendo contra ele que os protestantes costumam dirigir suas baterias de ódio, não será inútil entrar em mais alguns pormenores deste grande sacramento da misericórdia divina. Quero mostrar-lhe, caro crente, que o senhor nem sabe ler sua Bíblia, nem compreender os seus ensinamentos. Não somente a confissão existe como sacramento, instituído por Jesus Cristo, mas já existia uma espécie de confissão no Antigo Testamento, de que a Bíblia fala em muitos lugares. Escute bem, sim? E verifique os textos.

Eis um texto dos Números I (5, 6-7): 'Quando um homem ou uma mulher tiver cometido um dos pecados mais comuns à humanidade, ou por negligência tiver violado os mandamentos do Senhor, confessará os pecados, restituirá àquele contra quem pecou a justa indenização do mal que lhe tiver causado, juntando-lhe a quinta parte'. Aí está não só a confissão, mas ainda a penitência e a restituição, absolutamente como faz a Igreja Católica. 

Este Moisés era bem pouco protestante, não acha, amigo crente? Já prescrevia a confissão, antes da vinda de Cristo; é por isso que Jesus disse que não vinha destruir a lei, mas cumpri-la, e que São Mateus diz que os profetas e a lei, até João, profetizaram (Mt 11,13). Eis, pois, a profecia da nossa confissão e a resposta, ou condenação antecipada da negação protestante. Há muitos outros textos deste gênero, porém seria fastidioso prolongá-los (por exemplo: Pv 28,13; Ecli 6,24).

No tempo da vinda de Jesus existia essa prática da confissão, como se pode ver na pregação de João Batista, onde é dito que todos vinham ter com ele, da região da Judéia e de Jerusalém, confessavam os seus pecados e ele os batizava no rio Jordão (Mt 3, 5-6). Que bomba para os batistas, que imitam tão pouco seu modelo! Vê-se que São João Batista não tinha nada de protestante, nem de batista! Não somente São Mateus (3,6) e São Marcos (1,5) mostram a confissão usada entre os judeus, mas o livro dos Atos refere que quem se convertia vinha fazer a confissão das suas culpas (At 19,18). Daquela época até hoje, a história atesta que sempre a confissão foi praticada pelos cristãos: imperadores, reis, bispos, sacerdotes, assim como pelos simples fiéis dos quais citam os confessores.

VI. Confessar-se a Deus

E não objetem os cegos protestantes, no afã inglório de fabricar objeções, que tal confissão consistia em confessar os pecados a Deus. É preciso ser cego para não ver o absurdo de tal subterfúgio. Pensariam eles que um criminoso prestes a ser executado faria realmente uma confissão, se se contentasse de confessar os seus pecados a Deus, no coração? Não. Cada execução que se tem efetuado, tem provado justamente o contrário.

A confissão é a revelação do pecado a um homem. Para que confessar seus pecados a Deus? Deus conhece todas as coisas e não tem que fazer com tal confissão. Além disso, vê-se no texto dos Números que a confissão devia ser feita a um homem, como a restituição da coisa tomada. Aliás, São Tiago é explícito a esse respeito: 'Confessai os vossos pecados uns aos outros', diz ele, 'e orai uns pelos outros, a fim de que sejais salvos' (Tg 5,16). Uns aos outros! Isto é: confessai os vossos pecados a um homem, que tenha recebido o poder de perdoá-los.

São Tiago fala aqui na confissão dos pecados, pública ou particular, porque tanto uma como outra é suficiente, e da confissão feita aos sacerdotes, que são os únicos que tem o poder de absolver. De que serviria, com efeito, confessar pecados íntimos ao público, que não os pode absolver, e ficaria escandalizado? Além disto, quem quereria confessar os seus pecados àqueles que poderiam divulgá-los e fazer perder a boa reputação? Os protestantes gritam contra a confissão auricular, isto é, particular, feita na intimidade. Sendo só isso, fiquem sossegados, pois, se a confissão auricular é suficiente, não é exigida e é permitido fazer a confissão pública, até na praça pública, se quiserem: basta o sacerdote estar presente para absolver. Deus não exige isso, pois em parte alguma figura a palavra confissão pública; porém, querendo fazer mais do que a lei ordena, é permitido.

VII. A declaração dos pecados

Agora mais um pequeno raciocínio sobre os muitos textos já citados, meu caro crente. Está, pois, bem provado que o padre pode perdoar os pecados; nada mais claro: 'Aquele a quem perdoardes os pecados, serão perdoados' (Jo 20,13). Convém notar que ninguém pode perdoar sem saber o que perdoa. Não é assim? O sacerdote é um juiz que deve decidir quais são os pecados que devem ser absolvidos. Ora, um juiz não pode pronunciar uma decisão sem ter conhecimento da causa. É, pois, necessário o pecador declarar seus pecados ao sacerdote. A conclusão é inevitável.

E não dizer – como certos crentes fazem – que o padre não é juiz, mas declara apenas que os pecados são perdoados. Não! O poder, que Jesus Cristo deu aos apóstolos, é o poder de ligar e de desligar e não o poder de declarar que o penitente está ligado ou desligado. Cristo disse, antes de comunicar este poder: 'Eu vos darei as chaves do reino do céu' (Mt 16,19). Ora, as chaves são dadas para abrir e fechar a porta, e não para declarar que a porta está aberta ou fechada. Santo Agostinho diz muito a propósito: 'Peço diante de Deus, que conhece o meu coração e me perdoará. Jesus Cristo teria dito, então, sem razão: o que desligardes na terra será desligado no céu? Foram então as chaves dadas à Igreja, sem algum fim?' (Rm 10,49 t. 10).

VIII. Conclusão

Eis, caros protestantes, provado pelo bom senso e pela Bíblia que a confissão não é invenção dos padres, mas uma instituição verdadeiramente divina. Instituição figurada e praticada no Antigo Testamento, e elevada por Jesus Cristo à dignidade de sacramento, da nova lei. O Antigo Testamento era figura da realidade instituída por Cristo. Examinai pois as escrituras, amigos, e sabereis compreender o que elas ensinam e prescrevem: 'A letra mata, o espírito vivifica' (2 Cor 3,6). É preciso não somente ler, mas compreender a Bíblia, do contrário, não passam de simples papagaios ou araras. A Igreja Católica não receia a luz, nem o estudo, só receia a ignorância.

* Esta 'objeção' foi proposta por 'um crente' como um desafio público ao Pe. Júlio Maria e que foi tornado público durante as festas marianas de 1928 em Manhumirim, o que levou às refutações imediatas do sacerdote, e mais tarde, mediante a inclusão de respostas mais abrangentes e detalhadas, na publicação da obra 'Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes', ora republicada em partes neste blog.

(Excertos da obra 'Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes', do Pe. Júlio Maria de Lombaerde)