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sábado, 3 de agosto de 2013

SOB O DOMÍNIO DO MAL

Nos dias atuais, a civilização cristã é impiedosamente atingida pelo domínio do mal. É um redemoinho espantoso e generalizado de ações diabólicas, convergindo para a supressão dos valores e da moral cristã. Não há uma única fronteira em que as forças malignas não se irrompem avassaladoras, atingindo brutalmente os fundamentos da religião católica, da igreja, da família, do casamento, da castidade. Não são poupados os velhos, os jovens e nem mesmo as crianças: o vórtice medonho ameaça engolir na sua voragem alucinante os pilares da civilização cristã.

A ação diabólica é claramente definida em três grandes frentes: na promiscuidade moral e na pornografia, na banalização de toda e qualquer violência, no espírito satânico da divisão. Estas três vias de iniquidade espumam o mesmo vômito do demônio, são elas as rédeas que submetem grande parte da atual humanidade sob o domínio do mal. O diabo é intrinsecamente maquiavélico e nunca mostra a sua cara medonha, mas o rastro da sua baba asquerosa é mais previsível que a loucura dos homens servis a ele.   

A nudez é a roupa do diabo. Onde a nudez está exposta, a máscara diabólica se escancara. No corpo seminu que vende joias, carros, perfumes e cerveja ou na prostituição disfarçada de capas de revistas, existe algo além do corpo exposto de uma mulher. A exposição do corpo e cenas de nudez explícita inundam os filmes, as novelas, as revistas, as propagandas, as manifestações artísticas de maneira geral. A nudez é exaltada como norma de marketing, a nudez é endossada como coisa natural e corrente, a nudez é vendida a preço de banana. Mas a nudez é intrinsecamente diabólica.

Mas a nudez é apenas a porta de entrada para todo um cenário de perversões diversas que tem como destino a pornografia explícita. Os relacionamentos sexuais passam a exigir, então, poções virulentas de criatividade e dimensões de contorcionismos animalescos, que degradam a natureza humana a limites insondáveis. A escravidão ao prazer não distingue limites ou freios; o hedonismo impera como conduta geral; o vício que corrói a carne insatisfeita extravasa pelos poros da insaciedade, do adultério, da promiscuidade, da pedofilia e se alimenta cotidianamente, em qualquer esquina ou na internet à mão, de uma indústria pornográfica gigantesca e universal. E os valores do casamento, da família, da castidade, da inocência das crianças,  são tragados neste redemoinho de perversões expostas. Não há dúvida de que esta é, sim, uma forma de amor, a do amor satânico que se locupleta pela nudez, pelo prazer a qualquer preço, pela idolatria da perversidade da pornografia.

A violência é o sopro do diabo. Em nossos dias, a violência campeia de tal sorte que não nos sensibilizam mais as tragédias diárias. Viraram 'notícias do cotidiano'. De vez em quando, quando a violência irrompe a um novo patamar, dá-se uma repercussão mais incisiva para, pouco a pouco, declinar subserviente ao rol de tantas outras tragédias anunciadas. A violência das ruas e das praças começam no ventre materno, no aborto monstruoso de gerações inteiras. Continua no seio das famílias, na violência doméstica, espraia-se pelas ruas, dispersa-se pelas mazelas de uma sociedade anestesiada de Deus, até se entorpecer como moeda corrente nas redes de tráfico, nas gangues e no submundo do crime. O sopro diabólico vende a eutanásia como prática conciliadora e a cultura da morte como 'princípio de escolha'; semeia o ódio e estimula as rivalidades étnicas; fomenta as guerras e induz os genocídios.  

A divisão é a marca do diabo. É na divisão, no espírito da quebra da ordem, no solapamento dos valores, na desarticulação dos princípios morais, que a ação diabólica mais se nutre e mais se locupleta. Famílias divididas, casamentos destruídos, ambientes corrompidos, Igreja cismática, civilização cristã em frangalhos, tudo isso é a obra de satanás levada ao cume de sua possessão doentia. Divisões raciais, religiosas, étnicas, políticas, econômicas... divisões de países, blocos, regiões, estados... fomento de guetos, grupos, cismas, facções... eis o modelo primário de toda e qualquer ação do demônio. Nada se partilha, tudo se desmorona; nada se compraz na conjunção dos esforços, tudo se dilui na revolta das partes; nada se robustece pela união de todos, tudo se resume no naufrágio da vontade. Pois o mal necessariamente se alimenta da maldade.  

Eis aí a síntese da ação diabólica que permeia a humanidade atual, no estertor de condenar ao desaparecimento a Igreja Católica e a civilização cristã. A roupa, o sopro e a marca do diabo: a nudez, a violência e a divisão. O primeiro passo para vencer o inimigo é conhecer as armas que ele possui. E, então, combatê-las tenazmente e superá-las por completo, amparados na fé cristã e nas verdades insuperáveis dos Evangelhos, em nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, e para honra e glória de Deus.

(texto livre, de autoria do autor do blog, baseado em sermão do Arcebispo Fulton Sheen)

sábado, 27 de julho de 2019

QUANDO É PRECISO SER HOMEM... DE FÉ!

Vivemos a era do triunfo aparente do mal, sobejamente despejado em todos os momentos contra os princípios universais da moral católica. A meta é uma só, exclusiva: a destruição completa da Igreja Católica e de tudo o que ela representa. Tal propósito não é passível de sequer ser tentado pela mente humana, pois é fruto de um ato absurdo de degenerescência diabólica. A origem do mal, catalisado ao extremo da desordem e da liquefação moral, é absolutamente satânica. 

Não se trata apenas de um mero aumento, ainda que fosse exponencial, das atividades satânicas em todo o mundo. Isso é óbvio e, mais que óbvio, totalmente previsível. Em Fátima, Nossa Senhora alertou, de forma cristalina, sobre a necessidade de entendimento universal da hora tremenda que estava por vir, na história da humanidade, do embate final e decisivo a ser travado entre a Virgem e o demônio e suas legiões. Poucos, muito poucos inclusive na própria Igreja, tomaram tais palavras como farol de suas vidas: os bons se fragilizaram sob a tutela da tibieza e do indiferentismo e os maus culminaram a síntese de todos os seus males na busca e na entrega total ao domínio do maligno, arregimentando para si e para todos uma multidão de todo tipo de pecados, blasfêmias e sacrilégios.

Esse tsunami de iniquidades varre e arrasta sem dó toda a pobre humanidade, alimentada, catalisada e impulsionada pela mídia, pela internet e pelas redes sociais, despejando, a preço vil, o vômito do maligno sobre todos os valores cristãos bimilenarmente incorporados à vida, à família, ao casamento, aos sacramentos, a tudo que é sagrado e a tudo que procede de Deus. O mal se alastra ao passo que a reação ao mal cambaleia e se acovarda. A ideologia do gênero, o aborto e a pornografia não são exemplos da mera variedade das desmedidas propensões humanas, mas a brutal compunção satânica concreta e deliberada pelo aniquilamento da obra divina da salvação.

Sufocados diariamente por essa temática avassaladora, corremos o sério risco de nos deixarmos levar pelos redemoinhos da rebentação e quantos cristãos já não não estão entregues a um crescente indiferentismo, a uma tácita rendição, ao conformismo diante dos fatos e notícias deprimentes do dia-a-dia, à tibieza dos vencidos? Vencidos não estão apenas os que estão mortos, mas também os que não mais lutam. E estes não são poucos, nem alguns de muitos, são quase todos. E há muitos de muitos que não apenas pararam de lutar, mas se venderam ao inimigo e lutam agora contra nós, muitos abertamente e, muitos de muitos, como lobos vorazes travestidos em ovelhas. 

A Igreja, toda a Igreja, vacila e cambaleia. A Verdade é distorcida e manipulada, a palavra de Deus não é una e inquebrantável; não, agora pairam sobre os telhados arrufos da Verdade, o joio diabólico mistura-se ao trigo da doutrina católica, as trombetas das graças desperdiçadas aos ventos mais alardeiam e distorcem do que semeiam vinhas. As feridas da Igreja sangram abertas, autoridades eclesiásticas promovem ambiguidades e incertezas que estercam a glutoneria das agendas de esquerda; sacerdotes, religiosos e leigos sucumbem ao desvario das tarefas mundanas; o avassalador poder do mal e da ação demoníaca parece não ter fim.

Não lutamos contra homens. Lutamos contra homens enlameados até a alma pelo maligno. Não existe acordo possível ou convivência pacífica entre Deus e o demônio no meio de uma humanidade corrompida e dividida, não existe meio termo entre o bem e o mal em termos da salvação das almas, não existe um patamar ecumênico entre o Céu e o Inferno. Não interessa o que somos ou quantas vezes caímos ou levantamos; nós seremos apenas os salvos ou os não salvos na eternidade com Deus. E, para alento ou profundo desgosto de tantos, a misericórdia de Deus é o triunfo portentoso dos fortes e nunca, nunca mesmo, o sufrágio dos fracos.

Também em Fátima, Nossa Senhora nos legou a mensagem definitiva do triunfo final da Igreja: 'Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!' A mesma promessa foi feita pelo próprio Cristo ao primeiro papa: 'E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela' (Mt 16,18). Levantai-vos, portanto, que almas tíbias, acovardadas e titubeantes apenas induzem a repulsa de Deus; levantai-vos e ponde mãos às armas: oração, oração e oração, penitência, conversão. Com o terço na mão, com o Santo Rosário, com o amor incondicional às coisas de Deus e sem concessão alguma à perda da Fé, seremos, com efeito, cristãos num mundo não cristão, mas com certeza outros Cristos num outro mundo onde o mal não grassa e nem existe desde a eternidade. 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

A SIMBOLOGIA DOS NÚMEROS NAS APARIÇÕES DE FÁTIMA

 

As aparições de Nossa Senhora em Fátima/Portugal em 1917 a três humildes crianças, Jacinta e Francisco Marto (ambos falecidos ainda na infância, logo após as aparições, em 20/02/1920 e 04/04/1919, respectivamente) e Lúcia dos Santos (mais tarde a Irmã Lúcia do Imaculado Coração), à época com 7, 9 e 10 anos, respectivamente, constituem uma referência notável dentre as revelações marianas, estabelecidas de modo admirável numa mensagem de cunho universal, mundialmente conhecida como Segredo de Fátima. Estas aparições são descritas e analisadas detalhadamente na página Fátima em 100 Fatos e Fotos publicada neste blog.

Nesta postagem particular, são realçados os aspectos muito especiais relativos ao simbolismo das datas e números associados às aparições de Fátima. Por que Nossa Senhora fez as suas aparições no dia 13? Por que em 1917? Por que foram seis aparições, entre os meses de maio e outubro de 1917? Nada do Céu vem por acaso, nada é mera coincidência. Nossa Senhora explicitou muitas coisas - avisos e advertências de extrema gravidade - aos homens dos tempos atuais, mas também reteve outras revelações menos claras e menos explícitas, que requerem ser desveladas além dos tempos específicos e do cenário das aparições.

Nossa Senhora apareceu às crianças sempre no dia 13 de cada mês (a quarta aparição ocorreu em 19 de agosto, em função da prisão e transferência das crianças até a localidade de Ourém, que foram impedidas, assim, de estarem presentes na Cova da Iria, na data de 13 de agosto, previamente recomendada por Nossa Senhora). Por que no dia 13, e não no dia 12 ou 15? A natureza específica desta data é claramente entendida à luz do Livro do Apocalipse, o livro das revelações por excelência:

'Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas' (Ap 12,1)

As revelações de Fátima traduzem uma dualidade extraordinária do plano divino da salvação: a ligação unívoca da Mãe de Deus e da Santa Igreja de Deus, entre Nossa Senhora e a Igreja de Cristo, fundada em Pedro e nos Doze Apóstolos - as doze estrelas que encimam a cabeça da Virgem de Fátima. Nossa Senhora (revestida de sol, como na sexta aparição) reunida com os Doze Apóstolos (1 + 12 = 13) é a ratificação nos tempos de todos os homens da civilização cristã nascida sob as graças do Espírito de Deus manifesto sobre a Igreja Reunida no Cenáculo de Jerusalém. Nossa Senhora é a rainha dos Apóstolos, rainha da Igreja de Cristo. A mensagem é clara: a Rússia e o mundo só serão convertidos pela devoção à Virgem e à Igreja, ao papado, ao sucessor de Pedro: este é o primado do plano divino da salvação. As heresias e o mal se alastram quando se viola e se deturpa essa união da dualidade da graça: e é por isso que o ecumenismo e o protestantismo têm a mesma raiz diabólica, que consiste como premissa a mesma rejeição ao papado e a mesma rejeição a Maria.

Vejamos agora a questão do ano: 1917, no cenário agreste das montanhas e vales da Serra do Aire e da aldeia de Aljustrel, nas proximidades de Fátima. Poder-se-ia, preliminarmente, analisar o contexto desta data no viés mais específico da política e da situação da Igreja em Portugal à época. Mas a chave é buscar essa abordagem no contexto muito mais geral da história humana da própria civilização cristã. E, mais uma vez, recorrer ao Livro do Apocalipse:

'Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas' (Ap 12,3)

O Dragão vermelho, com sete cabeças (sete vertentes do mal) e dez chifres (o mal criado, proclamado, difundido e amplificado à décima potência), tem símbolo 17 = 7 + 10 e será dominado pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria. O Dragão vermelho representa o comunismo e o ateísmo marxista que, utilizando os valores do mundo, obstruem e se revoltam contra Deus e a civilização cristã. O simbolismo do mal no número 17 prospera e se regurgita na Reforma Protestante (1517), no nascimento da maçonaria moderna (1717) e na revolução russa de 1917.

Nas aparições de 1917, Nossa Senhora revelou-se a Senhora do Rosário (sexta aparição) e mostrou ser a oração do Rosário (terceira aparição) o instrumento dado aos homens para vencer o dragão vermelho e o pecado. O Rosário ensinado pela Virgem Maria a São Domingos de Gusmão e rezado pelas tropas cristãs que venceram os turcos otomanos na Batalha de Lepanto (7 de outubro de 1571). No dia 07/10 (7 + 10 = 17), dia que a Igreja comemora as glórias de Maria como Nossa Senhora do Rosário, devoção proclamada pela Igreja a partir de 1717. 

Eis aí as revelações de Fátima expressas segundo uma segunda dualidade: de um lado, o dragão vermelho com suas sete cabeças e dez chifres, ou seja, Satanás e as falanges do inferno; de outro lado, Maria, a Rainha do Santo Rosário, que esmaga o dragão infernal e que triunfa sobre toda a iniquidade.

As aparições se desenvolveram entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917: um período singular de tempo constituído por 153 dias. Este número é referido explicitamente no evangelho de São João: 153 peixes grandes foram coletados na rede puxada por Pedro do lago de Tiberíades e 'a rede não se rompeu' (Jo 21,12). Sim, 153 peixes grandes (ou seja, iguais) conformando a plenitude da graça da salvação concedida a todos os homens, sem exclusão de raça, nação ou língua. Essa pesca milagrosa seria (ou será) o resultado extraordinário da conversão da humanidade (e da Rússia em particular) a partir da dualidade de Nossa Senhora e do papado, que a Igreja ousou duvidar. Pesca milagrosa (conversão do mundo) ainda possível, se tangida pela oração frequente das 153 ave-marias do Rosário, como exaustivamente pedida por Nossa Senhora de Fátima. E, 'por fim, o meu Imaculado Coração triunfará', quando o homem novo redivivo tornar-se, enfim, a perfeição da criatura inserida no domínio pleno da Trindade Santa de Deus.



153 é número triangular perfeito, soma de todos os primeiros 17 algarismos (a pesca milagrosa que salva a todos, desde os que sempre estiveram em Deus - os grandes profetas e santos do número 1 até os que estavam sobre o pleno domínio do dragão vermelho do número 17). É o somatório da unidade de Deus três vezes santo: (1 x 1 x 1), da plenitude da graça concedida, assimilada e alcançada (3 x 3 x 3) e da solicitude perfeita da humanidade ao plano divino da salvação, compartilhada na plenitude da graça tal como os 5 peixes distribuídos pelo Senhor à multidão faminta: (5 x 5 x 5). Em Fátima, encontra-se em tudo o selo firmado de Deus!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O CULTO DEVIDO AO ESPÍRITO SANTO (I)

Corações ao alto: sursum corda. Os sofrimentos do tempo presente nada são se comparados à glória futura que se nos há de revelar. À consideração do fruto da vida eterna, caso ainda nos reste algum claro da luz verdadeira, algum sentimento de nobre ambição, diremos com o Apóstolo: Para ganhar o céu, de tudo fiz palha; candidatos à eternidade, imitemos o mercador de pérolas sobre que conta o Evangelho. Encontrara uma pérola que, por si só, era todo um tesouro. Em vez de gastar o tempo em perseguir e o dinheiro em consumir outras pérolas, comprara aquela outra, vindo a ser o mais rico e feliz dos mercadores.

Mas como há de ser tão grande recompensa para tão pouca labuta! O infinito pelo finito, qual o mistério? O Espírito Santo é amor infinito e o céu, o reino deste amor. Esconde-se-nos a razão de tal proporção, mas o fato é inconteste. Afiança-nos a palavra divina, tornam-no sensível aos olhos as imagens presentes. Quem não presenciou a bondade, a grandeza, a prodigalidade de algumas árvores? Num instante meditado, fala-nos este espetáculo: para abrigar-se dos ardores soalheiros, aquecer o lar, cobrir a mesa de frutos suculentos, por anos a fio, ao homem basta-lhe o sacrifício de um só fruto, capaz quando muito da satisfação de um tênue apetite.

Aquele que multiplica, de tão espantoso modo, os frutos das árvores, prometeu-nos multiplicar, conforme a mesma lei, o fruto das obras: centumplum accipiet. A quem cabe o direito de lhe duvidar da palavra, limitar-lhe o poder? Os milagres resplendentes da ordem material são pálida imagem dos milagres que se consumam na ordem moral. Quanto vai da diferença entre a humílima semente, plantada em terra, e a árvore magnífica, repleta de flores e frutos, segundo a estação, vai com usura da diferença que há entre o prazer fugaz, que sacrificamos ou cuja privação voluntária aceitamos e as torrentes de deleites eternos com que seremos inundados.

Ora, nasce o fruto do fruto. Nasce o fruto da vida eterna dos frutos temporais, nossos conhecidos. Resta dizer o como cultivá-los. Há de se cultivá-los no cultivo da árvore que os carrega: esta árvore nada mais é que o próprio Espírito Santo (Santo Agostinho). Como cultivá-lo? Rendendo-lhe o merecido culto. Daí, duas perguntas: deve o mundo culto ao Espírito Santo e qual deve ser este culto?

Deve o mundo um culto ao Espírito Santo? Quando desejo obter a resposta a uma pergunta de história ou astronomia, interrogo os historiadores ou os astrônomos. Para saber se o mundo deve um culto ao Espírito Santo, dirijo-me aos mestres em ciência divina. São eles: o próprio Deus, Nosso Senhor, os Apóstolos, os Padres e a Igreja. 

Por Deus: A fim de tornar presença constante no homem a necessidade do culto ao Espírito Santo, escreveu Deus dois grandes livros: o mundo e a Bíblia. Com igual eloquência, ambos os livros contam as glórias do Espírito Santo. O amor imperecível à humanidade e a sua indispensável assistência. O céu e seus sóis, a terra e as suas riquezas, o mar e as suas leis, até o caos que ele ordena e fecunda, falam dele, assim como do Filho e do Pai. Mais de cinquenta vezes nomeia o Antigo Testamento, bendizendo a terceira pessoa da Adorabilíssima Santíssima Trindade. Duzentas vezes presta-lhe homenagem no Novo Testamento.

O que revela a repetição tão frequente, senão o papel soberano e eterno do Espírito Santo na obra da criação, do governo e da redenção do mundo? Que apregoa, senão o dever imposto aos homens e aos anjos de sempre tê-lo consigo, junto com o Pai e com o Filho, como objeto de seus pensamentos, orações e adorações? Adicionemos que se há de existir alguma preferência no culto incessante, esta recairá sobre o Espírito Santo, amor substancial do Pai e do Filho. Ele só se revela nas mercês. Os dons da natureza e da graça vêm diretamente dele.

Por Nosso Senhor: Juntam-se à voz da Bíblia e das criaturas àquela da Verdade em pessoa, o Verbo encarnado. Nem exemplos nem palavras, nada omitiu o Salvador do gênero humano para nos instar ao amor do Espírito Santo e puséssemos nele toda a confiança. O que era João Batista em relação ao Cristo, parecia Ele em relação ao Espírito Santo. O filho de Zacarias, o maior dentre os filhos de homens, foi escolhido precursor do Messias. O filho de Deus como que toma para si o papel de precursor do Espírito Santo, e parece não ter outro fim, senão o de preparar o mundo para recebê-lo.

Decidiu se fazer homem, mas quisera sua mãe esposa do Espírito Santo. Quisera seu corpo formado numa operação do Espírito Santo; que no dia do batismo o mesmo Espírito descesse sobre si visivelmente, e o conduzisse ao deserto, a fim de prepará-lo para sua missão. Durante o inteiro curso da vida mortal, mostra-se amiúde sob a dependência do Espírito Santo, que o conduz ao Calvário. Morto, é o Espírito Santo que o retira do sepulcro.

Há mister de defender os direitos do Espírito Santo? Parece que se esquecem deles. Pronunciara o mesmo Cristo esta sentença: 'quem pecar contra o Filho do Homem, será perdoado; mas quem pecar contra o Espírito Santo, não será perdoado nem neste século, nem no vindouro' (Mt 12, 32). Deve-se reservar um lugar para ele dentro das almas? Jesus não hesita em separar-se de tudo quanto lhe era mais caro no mundo, de temor que tal presença constitua-se em obstáculo ao reinado absoluto do Espírito Santo (Jo 16, 7). Tais foram as palavras e condutas da segunda pessoa da Santíssima Trindade em face da terceira pessoa. Jamais céu e terra ouviram nem ouvirão nada tão eloquente acerca da excelência do Espírito Santo e do culto que lhe é devido e da necessidade de seu reinado.

Pelos Apóstolos: Instruídos na escola do Verbo e formados pelo Espírito Santo, contam os apóstolos a sua plenitude. Diante dos novos fiéis e dos perseguidores, em seus escritos e discursos, sempre trazem o Espírito Santo sobre os lábios. Aos diáconos, o cuidado de alimentar os pobres; a eles, a missão de anunciar o Espírito Santo, de dá-lo a saber ao mundo e proclamar por toda parte a necessidade premente de submeter-se ao seu império. Nada mais lógico. Qual sua vocação e por que são eles apóstolos? A vocação é uma rija luta contra o espírito do mal, satã, deus e rei do mundo. Como apóstolos, sua razão de ser está na caça ao usurpador, fazendo reinar o Espírito do bem.

Qual nuvens salutares, soprados pelo Vento do Cenáculo, espalham-se para os quatro cantos do céu e fazem chover sobre todas as partes da terra – é neles em que o Espírito tem morada. Gigante desta imensa batalha, São Paulo o leva por durante trinta anos, do Oriente ao Ocidente e do Ocidente ao Oriente. Em todo lugar, exalta as glórias do Espírito Santo, revela sua presença por meio de esclarecidos milagres, não cessa de rogar aos judeus e aos pagãos, aos gregos e aos bárbaros: 'recebei o Espírito Santo; guardai-vos de entristecer o Espírito Santo; sobretudo, guardai-vos de expulsá-lo. Senão, permanecereis ou caireis no império do espírito infernal. Quem nega o espírito de Jesus Cristo, não tem parte com ele. Sem o Espírito Santo, nada podeis obrar para vossa salvação, sequer pronunciar o nome do autor da salvação e das graças' (Ef 1,17 ; 4,30;  I Ts 5,19; Gl 5,16 -17; Rm 8,9; I Cor 12,3).

O que Paulo ensina em Tessalônica, Efésio, Atenas e Corinto, ensina Pedro em Jerusalém, Antioquia e Roma; Bartolomeu na Armênia; Tomé nas Índias; André na Cítia; Tiago na Espanha. Mateus na Etiópia. Assim os apóstolos se nos deparam como homens do Espírito Santo. Pode-se definir o que eram suas pregações, viagens, milagres, sua vida sublime e sua morte não menos sublime: era o Espírito Santo anunciado, comunicado e apresentado para amor e obediência do mundo inteiro. Ora, a conservação dos seres nada mais é que continuação de sua criação. Caso o mundo cristão, formado pelo Espírito Santo, queira continuar a sê-lo, é imprescindível que permaneça fiel ao princípio de sua origem. Ótimo tema para reflexões em nossa época!

Pelos Padres da Igreja: Aos apóstolos sucederam os padres da Igreja e os doutores. Eles viram com os olhos a mais espantosa das revoluções: satã expulso de seu império e a humanidade, livre da escravidão, converter-se à liberdade, à luz e às virtudes do Evangelho. Nenhum deles ignora que o milagre da regeneração do mundo, maior que o da criação, não começou em Belém, mas no Cenáculo, por obra do Espírito Santo. Consumiam suas vidas na perpetuação e divulgação desta obra maravilhosa, como consumiram os apóstolos para estabelecê-la. Desde os primeiros séculos, a história mostra-nos os mais excelsos gênios do Oriente e do Ocidente consagrando o saber e a eloquência na explicação das prerrogativas do Espírito Santo, na justificação da divindade, na explicação das operações miraculosas, na demonstração da necessidade de seu reinado, na solicitação das adorações que lhe devem o gênero humano.

A exemplo do Apóstolo, São Crisóstomo, Santo Agostinho e São Jerônimo não se cansam de falar do Divino Paráclito. Dídimo, São Basílio e Santo Ambrósio consagram-lhe cada qual um tratado particular. As obras imortais de São Cipriano, Santo Atanásio, São Cirilo, São Gregório Nazianzeno, Santo Hilário, São Leão, São Gregório - o Grande, Beda - o Venerável, Ruperto, Santo Tomás de Aquino, São Boaventura, São Bernardo, Santo Antônio e uma multidão de outros são outros tantos canais por onde corre abundante o ensinamento apostólico do Espírito Santo. A todos estes grandes homens, fundadores da sociedade cristã, nada lhes era tão caro como o inculcar no mundo o estado de permanente necessidade que se há de viver ou sob o império do Espírito Santo ou sob o de satã.

Em nome de todos, ouçamos São Bernardo e São Crisóstomo: 'Temos', diz o primeiro, 'duas prendas do amor de Deus por nós: a efusão do sangue de Jesus Cristo e a efusão do Espírito Santo. Um de nada serve sem o outro. O Espírito Santo só se dá a quem acredite em Jesus crucificado. Mas a fé de nada serve, se não opera na caridade. Ora, a caridade é dom do Espírito Santo' e o segundo: 'Sem o Espírito Santo, nem os fiéis poderiam orar a Deus, nem chamá-lo de Pai. Sem ele, não haveria ciência, nem sabedoria na Igreja, nem pastores, nem doutores, nem santificadores. Em suma, sem ele não haveria Igreja'.

Caso não existissem Igreja, padres, doutores, nem possibilidade de orar, nem meio de lucrar do sangue do Calvário, como subtrair-se ao domínio do demônio? Ora, sem o Espírito Santo, nada disso existiria. As partes do mundo civilizadas pelo cristianismo seriam ainda como a China, as Índias, a África, o Japão, o Tibete, regiões sob o domínio do príncipe das trevas. Este é o ensinamento tradicional dos padres da Igreja. Existe razão mais poderosa acerca da necessidade de conhecer o Espírito Santo, de amá-lo, de adorá-lo e de submeter-se a seu império?

Pela Igreja: Para torná-lo indelével, tornando-o popular, a Igreja cuida de traduzir em atos esse ensinamento fundamental. Além do sinal da cruz, cujo uso frequente é muito recomendado, repisa diversas vezes ao dia às crianças o nome e a influência necessária do celeste Consolador, emprega ela mil outros meios de mantê-lo sempre em face de seu pensamento. Qual seja, junto com o Pai e o Filho, o objeto invariável da liturgia, deseja a Igreja que uma festa, soleníssima a cada ano, de geração em geração, recorde o reconhecimento das nações batizadas, recorde aquele a quem o mundo tudo deve: luz, caridade, liberdade, civilização no tempo, glorificação na eternidade.

... Na incompreensível ternura para com os filhos dos homens, Deus em pessoa digna-se habitar sobre a terra: permite que lhe erijam templos. Quem os tornará dignos, estes templos materiais? Quem fará novos céus? É o mesmo Espírito que das castas entranhas de Maria erigiu o santuário do Verbo eterno. Ao chamado da Igreja, descerá até às moradas terrestres, as purificará, as ungirá com sua sagrada presença, e para sempre as fará agradáveis a Deus e respeitáveis aos homens. A invocação solene é o começo da imponente dedicação, que vai pedir com instância por sobre o trono o Espírito santificante: Veni, creator Spiritus.

Consagrar-lhe-ão augustíssimos templos. Aos pobres, aos órfãos, aos doentes, dar-se-ão padres e madres, irmãos e irmãs que lhes esposam os sofrimentos, aliviam as necessidades, desde o berço até à tumba e mais além. Quem operara tal milagre, desconhecido do mundo até antes do Pentecostes cristão? A partir de então, invocar-se-á o Espírito de devoção. Como no dia do Cenáculo, ele descerá; novos corações surgirão da ação de seu poder, e o mundo terá, nos religiosos e religiosas, contínuas gerações redivivas de mártires e apóstolos da caridade: Veni, creator Spiritus.

... Quer dizer isso, para as jovens gerações que entram no embate da vida, receber a terceira pessoa da Santíssima Trindade? é por isso que a Igreja multiplica os esforços de solicitude materna. Instruções prolongadas, orações públicas e particulares, purificação da alma pelos sacramentos, anúncio solene do pontífice: tudo é posto em ação para de cada paróquia fazer um novo cenáculo. Junto com muitos outros, estes são os meios que sem cessar emprega a Igreja, para tornar o Espírito Santo sempre presente à memória e ao coração de seus filhos. Há como repetir com maior força a contínua necessidade que temos dele, enquanto homens e cristãos? É permitido afastar as recomendações tão instantes da mais sábia das mães? Não haveria ingratidão em esquecê-la? Qual dentre as criaturas possui todos seus dons? Não haveria perigo na pretensão de seguirmos sem ele, rodeados de inimigos que somos?

... Esta época, tão confiada em ser mestra de si mesma, como se encontra? Interroguemos seus atos e tendências. O desarvorado luxo que a devora e convida a grandes brados a formidável reação do pobre contra o rico, o socialismo; o sacrifício perpétuo, e a cada dia mais comum, da consciência, da honra, da inteligência, da vida pública e privada ao culto da carne; a insurreição generalizada, inaudita, obstinada das nações contra Deus e contra seu Cristo; as torrentes de doutrinas envenenadas, noite e dia espalhadas pelo mundo, terríveis semeaduras, seguidas inevitavelmente por colheitas piores ainda: é o Espírito Santo que inspira e faz todas essas coisas? Se não é o Espírito de vida, é o espírito da morte. A qual dos dois pertencerá o amanhã?

(Excertos da obra 'O Tratado do Espírito Santo', do Pe. Jean-Joseph Gaume; trad. Permanência)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

... E A QUEDA

Os homens poderiam continuar para sempre na bem aventurada e única verdadeira vida dos santos no paraíso. Como a vontade do homem poderia, porém, voltar-se para vários caminhos, Deus assegurou-lhes esta graça que lhes havia concedido condicionando-a desde o início a duas coisas. Se eles guardassem a graça e retivessem o amor de sua inocência original, então a vida do paraíso seria sua, sem tristeza, dor ou cuidados, e após ela haveria a certeza da imortalidade no céu. Mas se eles se desviassem do caminho e se tornassem vis, desprezando seu direito natal à beleza, então viriam a cair sob a lei natural da morte e viveriam não mais no paraíso, mas, morrendo fora dele, continuariam na morte e na corrupção. 

Isto é o que a Sagrada Escritura nos ensina, ao proclamar a ordem de Deus: 'podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente' (Gn 2, 16-17). Certamente havereis de morrer, isto é, não apenas morrereis, mas permanecereis no estado de morte e corrupção.

Estarás talvez a divagar por que motivo estamos discutindo a origem do homem se nos propusemos a falar sobre o Verbo que se fez homem. O primeiro assunto é de importância para o último por este motivo: foi justamente o nosso lamentável estado que fez com que o Verbo se rebaixasse, foi nossa transgressão que tocou o seu amor por nós. Pois Deus havia feito o homem daquela maneira e havia querido que ele permanecesse na incorrupção.

Os homens, porém, tendo voltado da contemplação de Deus para o mal que eles próprios inventaram, caíram inevitavelmente sob a lei da morte. Em vez de permanecerem no estado em que Deus os havia criado, entraram em um processo de uma completa degeneração e a morte os tomou inteiramente sob o seu domínio. Pois a transgressão do mandamento os estava fazendo retornarem ao que eles eram segundo a sua natureza e, assim como no início eles haviam sido trazidos ao ser a partir da não existência, passaram a trilhar, pela degeneração, o caminho de volta para a não existência. 

A presença e o amor do Verbo os havia chamado ao ser; inevitavelmente, então, quando eles perderam o conhecimento de Deus, juntamente com este eles perderam também a sua existência. Pois é somente Deus que existe, o mal é o não-ser, a negação e a antítese do bem. Pela natureza, de fato, o homem é mortal, já que ele foi feito do nada; mas ele traz também consigo a semelhança dAquele Que É, e se ele preservar esta semelhança através da contemplação constante, então sua natureza seria despojada de seu poder e ele permaneceria indegenerescente. De fato, é isto o que vemos escrito no Livro da Sabedoria: 'A observância de suas leis é a garantia da imortalidade' (Sb 6, 18). E, incorrompido, o homem seria como Deus, conforme o diz a própria Escritura, onde afirma: Eu disse: 'Sois deuses, e todos filhos do Altíssimo. Mas vós como homens morrereis, caireis como um príncipe qualquer' (Sl 81, 6).

Esta, portanto, era a condição do homem. Deus não apenas o havia feito do nada, mas também lhe tinha graciosamente concedido a sua própria vida pela graça do Verbo. Os homens, porém, voltando-se das coisas eternas para as coisas corruptíveis, pelo conselho do demônio, tornaram-se a causa de sua própria degeneração para a morte, porque, conforme dissemos antes, embora eles fossem por natureza sujeitos à corrupção, a graça de sua união com o Verbo os tornava capazes de escapar na lei natural, desde que eles retivessem a beleza da inocência com a qual haviam sido criados. Isto é o mesmo que dizer que a presença do Verbo junto a eles lhes fazia de escudo, protegendo-os até mesmo da degeneração natural, conforme também o diz o Livro da Sabedoria: 'Deus criou o homem para a imortalidade e como uma imagem de sua própria eternidade mas, pela inveja do demônio, entrou no mundo a morte' (Sb 2, 23).

Quando isto aconteceu, os homens começaram a morrer e a corrupção correu solta entre eles, tomou poder sobre os mesmos até mais do que seria de se esperar pela natureza, sendo esta a penalidade sobre a qual Deus os havia avisado prevenindo-os acerca da transgressão do mandamento. Na verdade, em seus pecados os homens superaram todos os limites. No início inventaram a maldade; envolvendo-se desta maneira na morte e na corrupção, passaram a caminhar gradualmente de mal a pior, não se detendo em nenhum grau de malícia, mas, como se estivessem dominados por uma insaciável apetite, continuamente inventando novos tipos de pecados. 

Os adultérios e os roubos se espalharam por todos os lugares os assassinatos e as rapinas encheram a terra, a lei foi desrespeitada para dar lugar à corrupção e à injustiça, todos os tipos de iniquidades foram praticados por todos, tanto individualmente como em comum. Cidades fizeram guerra contra cidades, nações se levantaram contra nações, e toda a terra se viu repleta de divisões e lutas, enquanto cada um porfiava em superar o outro em malícia. Até os crimes contrários à natureza não foram desconhecidos, conforme no-lo diz o apóstolo mártir de Cristo: 'suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza; e os homens também, deixando o uso natural da mulher, arderam nos seus desejos um para com o outro, cometendo atos vergonhosos com o seu próprio sexo, e recebendo em suas próprias pessoas a recompensa devida pela sua perversidade' (Rm 1, 26-27).

(Excertos da obra 'A criação e a Queda' de Santo Atanásio)

sábado, 15 de fevereiro de 2020

O SINAL DA CRUZ (VI)


In hoc Signo vinces - 'Por este Sinal vencerás'

VI

A quarta razão do Sinal da Cruz ter sido dado aos homens é a de nos protegermos, pois é uma arma especial, uma arma de precisão, contra satanás e todas as potências do mal. Temos que acreditar na bondade do Sinal da Cruz e na força desta arma divina contra os nossos inimigos, como nos recomenda São João Crisóstomo: 'O Sinal da Cruz é a armadura invencível dos cristãos. Que esta armadura nunca te falte, ó soldado de Cristo, nem de dia nem de noite, e nem um só instante, seja qual for o lugar em que te encontrares'.

Santo Agostinho dizia aos catecúmenos: 'É com o Credo e com o Sinal da Cruz que se faz necessário correr o inimigo. Revestido destas armas, o cristão sem dificuldade triunfará do antigo e soberbo tirano. A Cruz basta para desfazer todas as maquinações do espírito das trevas'. Seu ilustre contemporâneo, São Jerônimo, complementa: 'O Sinal da Cruz é um escudo que nos protege das flechas inflamadas do demônio'. Santo Atanásio é ainda mais preciso: 'O Sinal da Cruz torna impotentes todos os artifícios da magia, ineficazes todos os encantos e relega ao abandono todos os ídolos. Por meio dele, é moderado, abatido e extinto o fogo da voluptuosidade mais brutal e a alma, então curvada para a terra, levanta-se para o Céu'.

O poder do Sinal da Cruz é bem mais extenso que o de satanás, pois não apenas impede que os demônios falem como obriga-os a fugir dos lugares que habitam e os expulsa dos possessos. A prova disto está nos exorcismos da Igreja, que remontam ao berço do Cristianismo. Onde quer que exista um missionário católico e uma criatura humana a ser subtraída ao domínio de satanás, ainda que seja na região mais distante e selvagem, é assim a prática corrente da Igreja. Os demônios, porém, não estão somente nos templos pagãos e nas estátuas dos ídolos onde se fazem adorar, ou no corpo dos desgraçados que atormentam. Estão por toda a parte e o ar está cheio deles. Infatigáveis inimigos nossos, constantemente nos atacam; ora por si próprios, ora por intermédio de outras criaturas. Mas, sejam diretos ou indiretos, francos ou traiçoeiros, diante do Sinal da Cruz, os ataques deles falham sempre.

Aos ataques diretos e palpáveis, juntam os demônios ataques indiretos e traiçoeiros. Estes, não menos perigosos que aqueles, são mais frequentes e podem ser de duas espécies: uns são interiores e outros, exteriores. Os primeiros são as tentações propriamente ditas. Não há criatura livre da influência maligna de satanás; a todas as criaturas, faz ele instrumento de seu ódio implacável contra o Homem. E qual arma Deus nos deu para nos defendermos dos ataques e preservarmos nosso corpo e nossa alma deste que é chamado, e com razão, o grande homicida  — homicida ab initio? Todas as gerações católicas surgem de seus túmulos para exclamar: 'A arma que Deus nos deu é o Sinal da Cruz'.

Escudo impenetrável, torre inconquistável, arma especial contra o demônio; arma universal cuja força é sempre superior aos inimigos visíveis e invisíveis; arma fácil para os fracos, gratuita para os pobres. Todo o gênero humano admite junto com a Igreja que (i) todas as criaturas estão sujeitas às ações do demônio; (ii) todas as criaturas servem de instrumento para as suas influências malignas; (iii) todo homem está à mercê do maligno a cada instante e a cada ação. Portanto, nada mais racional que o emprego constante de uma arma sempre necessária. Cientes de que o ataque do demônio é universal e incessante, há que se entender que a defesa necessária deva ser também universal e incessante. 

Os primeiros cristãos faziam o Sinal da Cruz sobre cada um dos seus sentidos. Porque os sentidos são as portas da alma e servem de comunicação entre ela e as outras criaturas. Mais ainda: faziam o Sinal da Cruz sobre todos os seus objetos de uso e quanto lhes era possível, sobre todas as partes da criação. Casas, portas, móveis, fontes, limites dos campos, colunas de edifícios, navios, pontes, medalhas, bandeiras, capacetes, escudos, anéis — tudo era assinalado e marcado com o Sinal adorável. Pára-raio e monumento! Pára-raio divino para desviar as malícias dos demônios dos ares. Monumento de vitória que atesta o triunfo alcançado pelo Verbo Encarnado sobre o príncipe das trevas, o Sinal da Cruz é como as colunas que, levantadas pelo vencedor no campo da batalha, atestam a derrota do inimigo.

Dois espíritos opostos disputam entre si o império do mundo: o Espírito do Bem e o espírito do mal; tudo o aqui se faz procede da inspiração divina ou da inspiração diabólica. O estabelecimento do Sinal da Cruz, o uso incessante que dele se faz, a confiança que nele se deposita, a virtude onipotente que se lhe atribui, tudo há de ser ou de inspiração divina ou de inspiração satânica: uma das duas! Mas... se o Sinal da Cruz — praticado, repetido, estimado, considerado como arma invencível, universal, permanente e necessária à humanidade contra satanás, suas tentações e seus anjos — é uma inspiração divina, que juízo queres que eu faça de um mundo que não compreende o Sinal da Cruz? De um mundo que o não faz, que o despreza, que dele se envergonha?

A sociedade moderna é uma cidade desmantelada que se acha cercada de inumeráveis inimigos, impacientes por arruiná-la, ansiosos de passá-la ao gume das armas de sua guarnição. Arruiná-la? E não está ela já arruinada? Ruína de crenças, ruína de costumes, ruína de autoridade! Ruína da tradição, ruína do temor de Deus, ruína da consciência! Ruína da probidade, da mortificação, da obediência! Ruína do espirito de sacrifício; da resignação e da esperança. Por toda a parte só se vê ruínas começadas e ruínas consumadas. Que resta hoje de pé na vida pública e na vida particular, nas cidades e nas aldeias, nos governantes e noa governados? Na ordem das ideias e no domínio dos fatos, das pessoas e das coisas que ontem eram completamente católicas, hoje o que resta ainda de pé? E tudo por que? Porque não fazem mais o Sinal da Cruz! Eis tudo explicado.

Diminuindo no mundo o Sinal da Cruz, satanás nele se agita. O Sinal da Cruz é o pára-raio do mundo. Fazei-o desaparecer e o raio cairá operando desordens com suas loucuras. O Sinal da Cruz é um brilhante troféu que atesta a dominação do Vencedor Divino! Despedaçá-lo é dar gosto ao antigo tirano da humanidade; é preparar-lhe sua volta para uma tirania mais terrível. Como nos assevera o grande mártir Santo Antônio de Antioquia: 'O príncipe deste mundo regozija-se quando vê alguém renegar a Cruz, pois apenas vê-la o faz horrorizar... A Cruz é o princípio da condenação de satanás, a causa de sua ruína, a origem de sua morte e de sua derrota final'. Sem o Sinal da Cruz, a presença do mal torna-se tão inevitável quanto é impossível se obstar que, ao por do sol, as trevas sucedam à luz. O mundo atual é disto a prova mais sensível.

(Excertos adaptados da obra 'O Sinal da Cruz', do Monsenhor Gaume, 1862)

sábado, 11 de maio de 2013

96 ANOS DAS MENSAGENS DE FÁTIMA (III)

A MISSÃO DO ANJO DE PORTUGAL E A MENSAGEM ESQUECIDA DE FÁTIMA

Um anjo é um mensageiro de Deus destinado a realizar, em Seu nome, uma missão particular, sendo inúmeras as intervenções das entidades angélicas nos acontecimentos da história humana. Sabemos, do livro de Daniel, que eles são muitos ('mil milhares O serviam e miríades e miríades O assistiam') e que as Sagradas Escrituras incluem nas hostes celestiais, além dos anjos, também os arcanjos, os principados, as potestades, as virtudes, as dominações, os tronos, os querubins e os serafins. Entretanto, destas miríades de anjos, só nos foram dados a conhecer os nomes de três anjos: Gabriel, Miguel e Rafael. Que os anjos intercedem pelos homens, é matéria de fé e que cada um de nós tem um anjo da guarda pessoal, embora não seja matéria de fé, é crença comumente aceita por todos os católicos. As aparições de Fátima confirmam que não somente pessoas, mas grupos específicos de pessoas (no caso, países) têm a proteção específica de uma entidade angélica. 

A missão específica do Anjo de Portugal, nas suas três aparições entre 1915 e 1916, foi a de preparar as crianças para as futuras aparições e revelações de Nossa Senhora: '... Orai! Orai muito! Os corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia...' No papel do precursor das extraordinárias revelações e mensagens proféticas que Nossa Senhora daria à humanidade do século XX através dos três pastorinhos de Fátima, as aparições iniciais do anjo propiciaram às crianças a experiência prévia de contato com o sobrenatural, a vivência de uma atmosfera sobrenatural, o êxtase da presença intensa e íntima com Deus, o conhecimento do valor meritório das orações, sacrifícios e penitências, a sensação de uma profunda paz interior e uma crescente mobilização interior no sentido de uma reorientação completa da vida espiritual. 

Assim também, nestes tempos dolorosos, os anjos estão destinados a cumprir missões muito especiais. Em várias manifestações recentes, Nossa Senhora faz menção a um gigantesco combate entre as forças do bem e do mal que se trava no domínio espiritual, envolvendo os anjos e os demônios e a humanidade inteira (esta batalha espiritual é exposta como evento apocalíptico em Apoc 12); é uma luta tremenda e incessante entre os espíritos fiéis ao Criador e os sequazes de satanás, desencadeada pelo orgulho e soberba de Lúcifer em ser maior do que Deus. Expulsos do paraíso e precipitados no inferno, os demônios atuam sobre a humanidade, buscando prostrá-la sob o jugo do ódio, da violência, das guerras, do egoísmo, do prazer, da soberba e da apostasia. 

Estas mensagens confirmam a revelação do século de provações contida na visão do Papa Leão XIII (1878-1903), ou seja, de que satanás teria sido liberado do inferno para submeter a Igreja à prova, com o intuito de destruí-la completamente e perverter toda a humanidade. Em se aproximando o fim deste período sem conseguir seu intento, satanás estremece de fúria contra Deus e os homens e intensifica ao extremo todas as suas iniquidades. A completa libertação de todo mal e pecado implica o triunfo do Imaculado Coração de Maria e a sua vitória final sobre satanás e seus sequazes, através dos eventos inseridos no âmbito do primeiro combate escatológico (Apoc 19, 19-21). Aos anjos do Senhor está destinada a missão de anunciar a todos os justos os tempos da libertação e do fim de todas as iniquidades impostas à humanidade ao longo de um século de provações.

Além da afirmação do triunfo do Coração Imaculado de Maria e do impacto relativo ao Segredo de Fátima, muitos outros aspectos da mensagem assumiram importância capital no contexto das revelações. A consagração aos Primeiros Cinco Sábados, as orações ensinadas por Nossa Senhora às crianças, o milagre do sol e as aparições do Anjo de Portugal constituem exemplos marcantes destes fatos, tendo sido descritos e abordados em detalhe nos livros e documentos sobre as aparições de Fátima.

Um aspecto, porém, exatamente por não se enquadrar no espírito das revelações, não tem sido analisado com igual rigor, mas, embora secundário, deveria merecer muita atenção e reflexão por parte de todos os homens. É o que poderíamos chamar de “mensagem esquecida de Fátima”. Este fato ocorreu já na primeira aparição e a sua revelação deveu-se a uma resposta de Nossa Senhora a uma pergunta de Lúcia. Recapitulemos o diálogo entre a Mãe de Deus e a pastorinha de Fátima:

'A Maria das Neves já está no céu?
Sim, está.
E a Amélia?
Estará no Purgatório até o fim do mundo'.

Maria das Neves e Amélia eram duas amigas de Lúcia que frequentavam a sua casa “para aprender a tecer com sua irmã mais velha” e teriam falecido pouco antes das aparições (Maria das Neves faleceu em 26/02/1917 e Amélia faleceu a 28/03/1917, ambas com 20 anos de idade). A resposta de Nossa Senhora quanto ao destino eterno de Amélia é categórico: 'Estará no Purgatório até o fim do mundo'.

São palavras duras e preocupantes quando revelam a justiça de Deus aplicada a uma jovem portuguesa que vivera apenas 20 anos, no início do século XX, em um lugar isolado e deserto, perdido nos contrafortes da Serra do Aire, então distante cerca de 150 km do norte de Lisboa, onde predominam colinas pedregosas e azinheiras, descendente de um povo bom e ordeiro, católicos praticantes e devotos do terço diário. Fátima, em 1917, representava provavelmente um ambiente de extrema religiosidade e de prática corrente da moral cristã. Que pecados terríveis teriam sido cometidos por esta moça de modo a ter que pagar as penas e danos devido a eles no Purgatório até o fim do mundo?

A primeira questão que surge desta revelação deveria ser a de uma reflexão profunda sobre o pecado e a justiça divina. É evidente que morar em Fátima em 1917 não constituiu garantia de salvação a ninguém e que é possível que alguma alma tenha, inclusive, sido condenada eternamente. Mas isto é uma absoluta elucubração; o destino de Amélia, ao contrário, é fato, é uma revelação direta de Nossa Senhora aos homens. Qual seria a nossa reflexão sobre a justiça divina transferindo a realidade do destino eterno de Amélia à realidade dos homens e mulheres, jovens e crianças das nossas grandes e pequenas cidades, às Amélias (almas) do nosso tempo? Não deveríamos nós reavaliarmos profundamente os conceitos de misericórdia e justiça de Deus e começarmos a praticar, na vida diária de cada um, o preceito lógico de São Domingos Sávio: 'antes morrer do que pecar?'.

Uma segunda questão que se apresenta refere-se ao próprio destino final de Amélia. A alma no Purgatório nada pode fazer para diminuir ou abreviar os seus sofrimentos, mas as orações daqueles que ainda vivemos na terra podem intervir profundamente nesta condição, por graça e obra da misericórdia divina. Esta interação de bens espirituais dos filhos de Deus constitui a comunhão dos santos e o tesouro da Igreja, obtido através dos méritos infinitamente satisfatórios da redenção de Cristo. Assim, pois, deve-se entender que Amélia estará no Purgatório até o fim do mundo se não houver quem reze por ela ou mande celebrar missas em sua intenção. E novamente, a mensagem de Fátima mostra a sua unidade perfeita ao relacionar o exemplo de Amélia com o apelo fervoroso de Nossa Senhora: 'Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas'. 

Reconheçamos definitivamente o valor imponderável das orações, penitências e sofrimentos no plano salvífico de Deus. Todas as grandes obras de Deus, e em particular àquelas relacionadas à conversão e salvação das almas, são feitas com a dor e o sacrifício de algumas almas privilegiadas. Em Fátima, estas foram as missões específicas desempenhadas por Jacinta e Francisco Marto – as duas crianças morreram em circunstâncias extremamente sofridas e dolorosas - almas escolhidas por Deus como vítimas da expiação e reparação dos pecados de Amélia e de todos nós.

(Da publicação '8 Questões sobre as Aparições de Nossa Senhora em Fátima, do autor do blog).

segunda-feira, 11 de maio de 2015

98 ANOS DAS MENSAGENS DE FÁTIMA (III)

DOS ARQUIVOS DE SENDARIUM
(artigo publicado originalmente no blog em 11/05/2013)

A MISSÃO DO ANJO DE PORTUGAL E A MENSAGEM ESQUECIDA DE FÁTIMA

Um anjo é um mensageiro de Deus destinado a realizar, em Seu nome, uma missão particular, sendo inúmeras as intervenções das entidades angélicas nos acontecimentos da história humana. Sabemos, do livro de Daniel, que eles são muitos ('mil milhares O serviam e miríades e miríades O assistiam') e que as Sagradas Escrituras incluem nas hostes celestiais, além dos anjos, também os arcanjos, os principados, as potestades, as virtudes, as dominações, os tronos, os querubins e os serafins. Entretanto, destas miríades de anjos, só nos foram dados a conhecer os nomes de três anjos: Gabriel, Miguel e Rafael. Que os anjos intercedem pelos homens, é matéria de fé e que cada um de nós tem um anjo da guarda pessoal, embora não seja matéria de fé, é crença comumente aceita por todos os católicos. As aparições de Fátima confirmam que não somente pessoas, mas grupos específicos de pessoas (no caso, países) têm a proteção específica de uma entidade angélica. 

A missão específica do Anjo de Portugal, nas suas três aparições entre 1915 e 1916, foi a de preparar as crianças para as futuras aparições e revelações de Nossa Senhora: '... Orai! Orai muito! Os corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia...' No papel do precursor das extraordinárias revelações e mensagens proféticas que Nossa Senhora daria à humanidade do século XX através dos três pastorinhos de Fátima, as aparições iniciais do anjo propiciaram às crianças a experiência prévia de contato com o sobrenatural, a vivência de uma atmosfera sobrenatural, o êxtase da presença intensa e íntima com Deus, o conhecimento do valor meritório das orações, sacrifícios e penitências, a sensação de uma profunda paz interior e uma crescente mobilização interior no sentido de uma reorientação completa da vida espiritual. 

Assim também, nestes tempos dolorosos, os anjos estão destinados a cumprir missões muito especiais. Em várias manifestações recentes, Nossa Senhora faz menção a um gigantesco combate entre as forças do bem e do mal que se trava no domínio espiritual, envolvendo os anjos e os demônios e a humanidade inteira (esta batalha espiritual é exposta como evento apocalíptico em Apoc 12); é uma luta tremenda e incessante entre os espíritos fiéis ao Criador e os sequazes de satanás, desencadeada pelo orgulho e soberba de Lúcifer em ser maior do que Deus. Expulsos do paraíso e precipitados no inferno, os demônios atuam sobre a humanidade, buscando prostrá-la sob o jugo do ódio, da violência, das guerras, do egoísmo, do prazer, da soberba e da apostasia. 

Estas mensagens confirmam a revelação do século de provações contida na visão do Papa Leão XIII (1878-1903), ou seja, de que satanás teria sido liberado do inferno para submeter a Igreja à prova, com o intuito de destruí-la completamente e perverter toda a humanidade. Em se aproximando o fim deste período sem conseguir seu intento, satanás estremece de fúria contra Deus e os homens e intensifica ao extremo todas as suas iniquidades. A completa libertação de todo mal e pecado implica o triunfo do Imaculado Coração de Maria e a sua vitória final sobre satanás e seus sequazes, através dos eventos inseridos no âmbito do primeiro combate escatológico (Apoc 19, 19-21). Aos anjos do Senhor está destinada a missão de anunciar a todos os justos os tempos da libertação e do fim de todas as iniquidades impostas à humanidade ao longo de um século de provações.

Além da afirmação do triunfo do Coração Imaculado de Maria e do impacto relativo ao Segredo de Fátima, muitos outros aspectos da mensagem assumiram importância capital no contexto das revelações. A consagração aos Primeiros Cinco Sábados, as orações ensinadas por Nossa Senhora às crianças, o milagre do sol e as aparições do Anjo de Portugal constituem exemplos marcantes destes fatos, tendo sido descritos e abordados em detalhe nos livros e documentos sobre as aparições de Fátima.

Um aspecto, porém, exatamente por não se enquadrar no espírito das revelações, não tem sido analisado com igual rigor, mas, embora secundário, deveria merecer muita atenção e reflexão por parte de todos os homens. É o que poderíamos chamar de “mensagem esquecida de Fátima”. Este fato ocorreu já na primeira aparição e a sua revelação deveu-se a uma resposta de Nossa Senhora a uma pergunta de Lúcia. Recapitulemos o diálogo entre a Mãe de Deus e a pastorinha de Fátima:

'A Maria das Neves já está no céu?
Sim, está.
E a Amélia?
Estará no Purgatório até o fim do mundo'.

Maria das Neves e Amélia eram duas amigas de Lúcia que frequentavam a sua casa “para aprender a tecer com sua irmã mais velha” e teriam falecido pouco antes das aparições (Maria das Neves faleceu em 26/02/1917 e Amélia faleceu a 28/03/1917, ambas com 20 anos de idade). A resposta de Nossa Senhora quanto ao destino eterno de Amélia é categórico: 'Estará no Purgatório até o fim do mundo'.

São palavras duras e preocupantes quando revelam a justiça de Deus aplicada a uma jovem portuguesa que vivera apenas 20 anos, no início do século XX, em um lugar isolado e deserto, perdido nos contrafortes da Serra do Aire, então distante cerca de 150 km do norte de Lisboa, onde predominam colinas pedregosas e azinheiras, descendente de um povo bom e ordeiro, católicos praticantes e devotos do terço diário. Fátima, em 1917, representava provavelmente um ambiente de extrema religiosidade e de prática corrente da moral cristã. Que pecados terríveis teriam sido cometidos por esta moça de modo a ter que pagar as penas e danos devido a eles no Purgatório até o fim do mundo?

A primeira questão que surge desta revelação deveria ser a de uma reflexão profunda sobre o pecado e a justiça divina. É evidente que morar em Fátima em 1917 não constituiu garantia de salvação a ninguém e que é possível que alguma alma tenha, inclusive, sido condenada eternamente. Mas isto é uma absoluta elucubração; o destino de Amélia, ao contrário, é fato, é uma revelação direta de Nossa Senhora aos homens. Qual seria a nossa reflexão sobre a justiça divina transferindo a realidade do destino eterno de Amélia à realidade dos homens e mulheres, jovens e crianças das nossas grandes e pequenas cidades, às Amélias (almas) do nosso tempo? Não deveríamos nós reavaliarmos profundamente os conceitos de misericórdia e justiça de Deus e começarmos a praticar, na vida diária de cada um, o preceito lógico de São Domingos Sávio: 'antes morrer do que pecar?'.

Uma segunda questão que se apresenta refere-se ao próprio destino final de Amélia. A alma no Purgatório nada pode fazer para diminuir ou abreviar os seus sofrimentos, mas as orações daqueles que ainda vivemos na terra podem intervir profundamente nesta condição, por graça e obra da misericórdia divina. Esta interação de bens espirituais dos filhos de Deus constitui a comunhão dos santos e o tesouro da Igreja, obtido através dos méritos infinitamente satisfatórios da redenção de Cristo. Assim, pois, deve-se entender que Amélia estará no Purgatório até o fim do mundo se não houver quem reze por ela ou mande celebrar missas em sua intenção. E novamente, a mensagem de Fátima mostra a sua unidade perfeita ao relacionar o exemplo de Amélia com o apelo fervoroso de Nossa Senhora: 'Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas'. 

Reconheçamos definitivamente o valor imponderável das orações, penitências e sofrimentos no plano salvífico de Deus. Todas as grandes obras de Deus, e em particular àquelas relacionadas à conversão e salvação das almas, são feitas com a dor e o sacrifício de algumas almas privilegiadas. Em Fátima, estas foram as missões específicas desempenhadas por Jacinta e Francisco Marto – as duas crianças morreram em circunstâncias extremamente sofridas e dolorosas - almas escolhidas por Deus como vítimas da expiação e reparação dos pecados de Amélia e de todos nós.

(Da publicação '8 Questões sobre as Aparições de Nossa Senhora em Fátima', do autor do blog).

segunda-feira, 6 de julho de 2020

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (LIII)

L

DA RESSURREIÇÃO

Que sucederá depois ou ao mesmo tempo em que o mundo esteja sendo reduzido a cinzas?
Ouvir-se-á, em todos os âmbitos da terra, o som da trombeta de que fala o Apóstolo São Paulo na sua primeira epístola aos Tessalonicenses; à sua voz se levantarão os mortos das suas sepulturas e, por ela chamados, comparecerão na presença do Juiz Supremo que, para julgá-los, descerá do céu sobre nuvens de glória e revestido de soberana majestade (LIXXV, 1)*.

Quais são os que ressuscitarão?
Imediatamente, os que morreram no transcurso do tempo desde o princípio do mundo e, além disso, todos os que se acharem vivos, no momento de Jesus Cristo descer e de soar a trombeta do Juízo final.

Ressuscitarão estes últimos no sentido de passar da morte para a vida?
Sim, senhor; porque, ainda que todos estes acontecimentos sejam instantâneos, como parece indicar São Paulo na primeira epístola aos Coríntios (Cap. XV, v. 51), sucederá que os homens, vivos um momento antes, passarão por uma morte instantânea e imediatamente irão ocupar o lugar que por suas obras lhes corresponda (LXXVIII, 1, 2).

Logo ressuscitarão em estado glorioso os corpos de todos os santos, vindos do céu, saídos do purgatório ou surpreendidos na vida mortal pelos últimos acontecimentos?
Sim, senhor, e todos juntos comparecerão diante da humanidade gloriosa de Jesus Cristo, cuja vinda será a causa da sua ressurreição.

Ressuscitarão os justos com os mesmos corpos que neste mundo tiveram?
Sim, senhor; com a diferença de que então não terão deformidade, nem imperfeição, nem estarão sujeitos a debilidade alguma, mas que, pelo contrário, possuirão qualidades e dotes que os converterão, de certo modo, em espirituais (LXXXI).

Quem será capaz de efetuar tão nobre transformação?
A Onipotência divina que, assim como tirou do nada todos os seres, pode transformá-los à sua vontade.

Quais serão os dotes dos corpos gloriosos?
Os de impassibilidade, subtileza, agilidade e claridade.

Em que consiste a impassibilidade?
No domínio e senhorio absolutos da alma sobre o corpo, em virtude dos quais este, sob a tutela daquela, estará isento e livre de toda debilidade e padecimento LXXXII, 1).

Alcança este dote o mesmo grau de perfeição nos corpos de todos os bem-aventurados?
No sentido de que a nenhum alcançará a dor por falta de submissão da alma, sim, senhor; porém, as faculdades e atribuições senhoriais da alma guardarão proporção com a glória de que desfruta que, por sua vez, depende do grau de intensidade, na visão beatífica (LXXXII, 2).

Se os corpos gloriosos são impassíveis, serão, também insensíveis?
Não, senhor; pois têm uma sensibilidade rara e delicadíssima. Assim os olhos possuirão uma agudeza visual penetrantíssimo, o ouvido finíssima audição e assim os demais sentidos perceberão os objetos próprios e os comuns com uma intensidade e perfeição impossível de compreender nem imaginar, sem que o objeto produza jamais doenças nem ofenda à sensibilidade, limitando-se a cumprir a sua 
missão que é prover de matéria as percepções mais delicadas (LXXXII, 3, 4).

Em que consiste a subtileza dos corpos gloriosos?
No dote mais peregrino que possuir podem, pois, mercê da união e sujeição à alma glorificada, sem perder a sua qualidade de verdadeiros corpos, sem transformar-se em corpos aéreos ou fantásticos, se tornarão puros e etéreos, sem coisa alguma das que agora os fazem toscos e espessos (XXXIII, 1).

Logo, perdem a propriedade física da impenetrabilidade e podem, por consequência, dois ocupar o mesmo lugar ou subtrair-se às condições do espaço e não o ocupar nenhum?
Não, senhor; conservarão todas as dimensões e ocupará cada um o seu próprio lugar (LXXX, 2).

Foi em virtude da subtileza que o corpo glorioso de Cristo penetrou no cenáculo com as portas fechadas?
Não, senhor; mas por virtude divina de Jesus Cristo, e da mesma maneira como nasceu das puríssimas entranhas da Santíssima Virgem, sem destruir a sua virgindade (LXXXIII, 2 ad 1).

Que entendeis por agilidade dos corpos gloriosos?
Um dote que consiste em sujeitá-los tão plena e absolutamente aos impulsos motores da alma, que os obedecerão com uma prontidão e rapidez maravilhosas (LXXXIV, 1).

Utilizarão os santos esta qualidade?
Desde logo se servirão dela para ir ao encontro de Jesus Cristo quando venha a julgar o mundo, e para subir ao céu com Ele. É possível que desde logo empreendam voluntárias e agradáveis excursões, já para exercício de uma qualidade em que tão maravilhosamente resplandece a sabedoria divina, já também para recrear-se, contemplando as belezas e encantos do universo, pregoeiros da glória de Deus (LXXXIV, 3).

É instantâneo o movimento dos corpos gloriosos?
Não, senhor; pois ainda que imperceptível (tal será a sua rapidez), necessita de algum tempo para efetuar-se (LXXXIV, 3).

Que entendeis ao dizer que os corpos gloriosos possuem o dote da claridade?
Que o resplendor das almas glorificadas comunicará e infiltrará nos corpos uma claridade que os tornará luminosos e radiantes como o sol, e transparentes como o mais puro cristal; apesar disso, a luminosidade não apagará as cores naturais; pelo contrário, se amoldará às suas distintas tonalidades para realçá-los, embelezá-los e comunicar-lhes uma formosura mais divina de que humana (LXXXVI, 1).

Possuirão todos os corpos o mesmo grau de claridade?
Não, senhor; porque a claridade dos corpos é o reflexo da alma e, portanto, proporcional ao grau de glória de que esta desfruta. Por isso, querendo São Paulo dar-nos a entender algo destas verdades sublimes, nos disse que serão os corpos gloriosos como os astros do firmamento, entre os quais um é o brilho do sol, outro o da lua e outro o das estrelas, e ainda, umas estrelas diferem das outras em brilho e claridade (l Cor 15, 41).

Logo. o conjunto dos corpos gloriosos, formará um quadro vistosíssimo e de incomparável formosura?
Tão grandioso, sugestivo e embelezador que os mais belos panoramas do céu e da terra não poderão dar-nos dele sequer uma ideia aproximada.

Poderão ver com os olhos carnais a claridade dos corpos gloriosos, aqueles que não possuem a glória?
Sim, senhor; e assim a verão os próprios condenados (LXXXV, 2).

Será facultativo à alma glorificada deixar ver ou ocultar a claridade do seu corpo?
Sim, senhor; porque provém dela e aos seus mandatos se sujeita (LXXXV, 3).

De que idade ressuscitarão os corpos dos justos?
Da que corresponde à plenitude do desenvolvimento e energia vital (LXXXI, 1).

Ressuscitarão no mesmo estado os corpos dos condenados?
Sim, senhor; porém, desprovidos em absoluto das qualidades dos gloriosos (LXXXVI, 1).

Logo, serão corruptíveis?
Não, senhor; porque então terá terminado o reinado da morte e da corrupção (LXXXVI, 2).

Logo serão ao mesmo tempo passiveis e imortais?
Sim, senhor, pois Deus, justiceiro e onipotente, dispôs as coisas de maneira que nenhum agente exterior possa alterá-los e muito menos destruí-los, e que, apesar disso, todos, e particularmente o fogo do inferno, lhes inflijam formidável tormento e dor (LXXXVI, 2, 3).

Em que estado ressuscitarão as crianças mortas sem batismo?
No de inteira perfeição natural, diferenciando-se dos justos, em que não possuirão os dotes do corpo glorioso, e dos condenados, em que jamais experimentarão enfermidades nem dor (Apêndice, 1, 2).

LI

DO JUÍZO FINAL

Depois da ressurreição, comparecerão todos os homens na presença do Juiz Supremo?
Sim, senhor (XXXIX, 5).

De que forma se apresentará o Juiz?
Aparecerá a sua humanidade sacratíssima revestida da glória e majestade a que lhe dá direito a sua união pessoal com o Verbo, e o triunfo alcançado sobre os poderes do mal (XC, 1, 2).

Verão todos os homens a glória do Redentor quando aparecer para julgá-los?
Sim, senhor (Ibid).

Verão também todos a sua glória como Deus?
Somente a verão os eleitos (XC, 3).

Serão julgados quantos comparecerem na presença do Juiz?
Não, senhor; somente serão submetidos a Juízo os que neste mundo tiveram uso de razão.

E os que não o tiveram?
Não serão julgados, e se, como os demais, são conduzidos ao tribunal divino, vão ali para ver e admirar a glória de Cristo, e a tremenda justiça e absoluta imparcialidade dos juízos de Deus (LXXXIX, 5 ad 3).

Logo, serão julgados, absolutamente, todos os homens que neste mundo foram senhores dos seus atos?
Se por juízo entendemos a separação entre os bons e os maus e a colocação dos primeiros à direita do Juiz, para ouvirem como os convida a tomar posse do reino dos céus, e dos segundos à esquerda para escutarem a sentença de eterna condenação, sim, senhor; porém, se por juízo entendemos o processo, e pública e convincente demonstração do mal obrar, somente os réprobos serão julgados (LXXXIX, 6,7).

Produzirá nos réprobos grande confusão e vergonha o ver como se descobrem e publicam à face dos céus e da terra os seus crimes e pecados?
Isso lhes causará confusão suprema e tortura horrível porque, no fundo de todo pecado, principalmente se é grave, aninha-se o mais inconfessável orgulho, e naquele tremendo dia passarão pela vergonha de presenciar como o Juiz Supremo, a cujo olhar nada se oculta, põe a descoberto os seus atos, projetos e maquinações, e os segredos mais ocultos do seu orgulho e soberba, pai de todos os vícios e pecados.

Logo, no dia do Juízo, se publicarão à face do mundo inteiro quantos atos reprováveis fizeram durante a sua vida?
Sim, senhor; ali se publicarão os pecados da vida privada, os cometidos como membros da família e da sociedade, conjuntamente com as consequências mais ou menos lamentáveis que de sua intervenção nos negócios públicos se tivessem seguido, quer seja no exercício do poder ou por meio da palavra falada ou escrita; e quanto mais neste mundo tivessem colhido louros, alcançado mais favor público e obtido maiores triunfos, mercê das intrigas dos inimigos de Deus, de Cristo e da sua Igreja, mais esmagados se sentirão, sob o peso da reprovação universal (LXXXVIII 1,2, 3).

De que mais se servirá Deus para por as suas vidas no conhecimento do mundo inteiro?
Da própria ilustração e iluminação do Juízo particular, com a diferença de que nesta assembléia, única em que se acharão presentes quantos homens existiram desde o princípio até ao fim do mundo, não somente verá cada um a sua própria consciência, mas também a de todos os outros (Ibid).

Logo, também estará patente aos olhos de todos a consciência dos justos?
Sim, senhor; e isso constituirá a mais consoladora e sublime compensação da sua humildade e voluntário obscurecimento na terra, porque só então se realizará plenamente a promessa de Jesus Cristo no Evangelho: 'o que se exalta será humilhado, o que se humilha será exaltado' (LXXXIX, 6).

Podemos dizer que não se discutirão as ações dos justos, e, neste sentido, que não serão julgados?
Tratando-se daqueles cuja vida é inteiramente santa e sem mistura notável do mal, como a dos que, olhando as vaidades do mundo, põem todo o seu afã em servir a Deus, sim, senhor; porém, quanto aos outros, isto é, aqueles que, sem amarem as criaturas mais do que a Deus até ao extremo de perdê-lo, viveram afeiçoados às coisas do mundo e com elas mais ou menos transigiram, verão expostas diante dos olhos dos demais as duas facetas de sua vida com o fim de que todos contemplem a preeminência do bem sobre o mal, pois assim o requer a escrupulosidade do Juízo divino (Ibid).

Logo, publicar-se-ão todas as suas faltas, apesar do arrependimento e da penitência?
Sim, senhor, pela razão referida; porém esta manifestação, em vez de ser para eles vergonhosa, será motivo de glória, pois conjuntamente com a culpa se publicará a penitência, e tanto maior será a satisfação, quanto mais a penitência tenha sido fervorosa e generosa (LXXXVII, 2 ad 3).

Haverá justos que, em lugar de réus, serão juízes, e como tais tomarão assento com o Juiz supremo?
Sim, senhor; os que, a exemplo dos Apóstolos, abandonaram tudo para seguir a Cristo, e cuja vida foi, poderemos dizer, a perfeição evangélica encarnada e viva (LXXXIX, 1, 2).

Naquele dia serão juízes também os anjos do Senhor?
Não, senhor; porque os adjuntos daquele tribunal devem ser semelhantes ao Juiz, e este será o Verbo divino enquanto homem. Logo, só os homens podem ser seus assistentes (LXXXIX, 7).

Se não são Juízes serão réus?
Propriamente também não, porque o juízo da sua causa se celebrou no princípio do mundo, quando os que permaneceram fiéis entravam na glória, e os rebeldes foram precipitados no inferno. Sem embargo disso, atenta a parte que os anjos bons tomam na santificação dos justos e considerados os obstáculos e tropeços que lhes põem os maus, encontram-se indiretamente envoltos no Juízo, os primeiros para receberem um prêmio acidental, e os segundos, um aumento de pena e suplícios (LXXXIX, 3).

Como terminará o Juízo final?
Com o Juiz pronunciando a sentença definitiva.

Sabeis qual será?
Sim, senhor; pois Ele mesmo a revelou.

Quais serão os seus termos?
Ei-los aqui como se leem no Evangelho: 'Então dirá o Rei aos que estão à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a formação do mundo. E dirá aos que se acham à sua esquerda: Ide, malditos, ao fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos.

Qual será o efeito desta sentença?
Que 'os maus irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna'.

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)