terça-feira, 12 de maio de 2026

'O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE'

'Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor' (Rm 6,230

Uma característica comum aos santos da Igreja é uma percepção confortadora de uma experiência prévia do Céu já aqui nesta vida. Não se trata ainda da visão plena e eterna prometida aos bem-aventurados, mas de uma antecipação das primícias eternas, algo como a contenplação suave dos primeiros raios do amanhecer antes do esplendor de uma bela manhã radiante de sol.

Assim, na oração, na vida cotidiana, no recolhimento interior, cada instante de verdadeira paz, cada experiência profunda de amor, cada encontro sincero com Deus já pertence, de algum modo, à eternidade. Quando a alma se despoja de si no encontro com Deus, experimenta, no influxo do amor divino, a graça de viver aqui na terra um arrimo de promessa das bem aventuranças eternas.

Do mesmo modo - em confrontação diametral - os estertores do inferno se reproduzem como fungos diabólicos no coração dos homens destinados à perdição eterna, arautos de um ódio mortal, indescritível e recorrente contra tudo que norteia e sempre moldou a civilização cristã. Inventem-se os ressignificados, mascarem-se as narrativas, sucateiem a verdade com especulações grotescas e doentias, mas tudo se resume e se impõe em nome do ódio que antecipa o próprio inferno. Não adianta tratativas, argumentos ou furiosas contestações: o coração humano é entojado na miséria dos instintos; a alma é assombrada e submersa num turbilhão de iniquidades, contra tudo e contra todos que se levantam em nome de valores cristãos, morais e religiosos.

Estamos afundados num mar de lama porque o ódio e a iniquidade que aí estão e nos vitimizam são as meras sementes ensandecidas do que há de se colher como joio e espinheiros nas vinhas da eternidade. Se não fosse assim, o inferno seria uma ficção ou estaria irremediavelmente vazio. Esse desvario e esse padrão de insensatez e loucura, que nos rodeiam, demonstram algo absolutamente oposto e terrível, e que apenas preanunciam o veredito das Escrituras de que 'o salário do pecado é a morte' (Rm 6,23). É preciso ter isso em mente, impõe-se subtrair-se desse jogo perverso, é mais do que nunca necessário entender que a nossa vida é simplesmente uma antecipação da vida futura porque 'o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor' (Rm 6,3).