Ao contrário de outros milagres eucarísticos, o Milagre Eucarístico de Bordeaux (França) em 1822 não consiste em um evento extraordinário envolvendo uma transformação física e permanente das espécies eucarísticas em carne ou sangue, mas uma manifestação ou aparição eucarística: Cristo teria se tornado sensivelmente visível no lugar normalmente ocupado pela Hóstia.
Na tarde de domingo de 3 de fevereiro de 1822, ocorria a cerimônia de bênção do Santíssimo Sacramento em uma pequena capela situada na rua Mazarin, em Bordeaux, presidida pelo Padre Pierre-Justin Delort, substituindo naquela ocasião o celebrante habitual - padre Pierre-Bienvenu Noailles - fundador da nascente comunidade da Sagrada Família de Bordeaux.
No momento em que o Santíssimo foi exposto no ostensório e o sacerdote iniciou a incensação, a Hóstia deixou de ser percebida normalmente, manifestando em forma visível a figura de um homem, descrita pelo Padre Delort e testemunhas (coroinha, religiosas e leigos presentes) como sendo de um homem de aproximadamente trinta anos e extraordinária beleza, apresentando as seguintes características e feições: rosto intensamente luminoso, cabelos claros caindo até os ombros, uma faixa ou manto vermelho disposta sobre o ombro e o peito, a mão esquerda pousada sobre o coração e a mão direita estendida sobre os presentes em gesto de bênção.
Esta figura de Jesus Cristo não correspondia a uma imagem pintada ou imóvel mas, pelo contrário, mostrava-se viva, inclinando-se algumas vezes para a direita e para a frente. O fenômeno teria permanecido visível por cerca de vinte minutos. Outros presentes não perceberam a imagem exposta na Hóstia, mas viram uma luz extraordinária emanando dela ou experimentaram uma intensa sensação da presença divina. O acontecimento ocorreu somente vinte meses depois da fundação da comunidade da Sagrada Família de Bordeaux, de modo que o padre Noailles interpretou a aparição como uma confirmação de que a obra nascente era agradável a Deus.
padre Pierre-Bienvenu Noailles
Depoimentos escritos das testemunhas foram encaminhados ao então arcebispo de Bordeaux, Dom Charles-François d’Aviau du Bois de Sanzay. De acordo com a tradição documental da Sagrada Família, o arcebispo determinou uma investigação e considerou o acontecimento digno de crédito, autorizando a celebração anual em sua memória no dia 3 de fevereiro. O ostensório associado ao acontecimento foi conservado pela Sagrada Família e tradicionalmente venerado na comunidade contemplativa de La Solitude, em Martillac, perto de Bordeaux.


