segunda-feira, 28 de setembro de 2026

VERSUS: 'NÃO VOS PREOCUPEIS COM O AMANHÃ'

Quando alguém se encontra em dificuldade e já não sabe o que fazer, procura uma pessoa prudente a quem pedir conselho. Imaginemos que o mundo inteiro fosse um só homem: deseja escapar do mal, mas tarda em praticar o bem. À medida que suas aflições aumentam, a quem poderia recorrer com mais proveito do que a Cristo? Se não encontra conselheiro melhor, aproxime-se daquele que pode encontrar em toda parte; escute-o e acolha seu conselho.

Os males temporais que os homens tanto temem são passageiros: ou eles passam por nós, ou nós passamos por eles. Desaparecem enquanto vivemos ou ficam para trás quando morremos. Não pode ser grande, pela sua duração, uma tribulação que dura tão pouco. Tu, que te inquietas com o amanhã, já não te recordas do ontem? Quando chegar o dia seguinte, esse amanhã também será ontem. E, no entanto, os homens se consomem em ansiedade para escapar de sofrimentos que passam - ou, melhor, que voam. Quanto cuidado não deveriam dedicar, então, a escapar daquilo que permanece!

(Santo Agostinho)


Quando Cristo diz: 'não vos preocupeis com o amanhã' - não está proibindo o trabalho. Ele nos ensina a não ficar presos às coisas desta vida. Alguém pode nada fazer e, ainda assim, ocupar-se inteiramente em acumular para o futuro; outro pode trabalhar e permanecer livre da inquietação. Trabalhar e viver ansioso não são a mesma coisa.

Também quando disse a Marta que ela se preocupava com muitas coisas e que uma só era necessária, Cristo não condenou sua hospitalidade. Mostrou-lhe que há um momento próprio para cada cuidado: naquela hora, em que Ele estava ali para ensinar, escutar sua palavra merecia o primeiro lugar. Marta desejava recebê-lo e preparar-lhe uma boa mesa; poderia acolhê-lo também prestando atenção ao que Ele tinha a lhe dizer.

Aprendamos, pois, caríssimos, a pedir a Deus aquilo que convém pedir-lhe. Quanto às coisas desta vida, qualquer que seja seu desfecho, elas não podem causar-nos o dano que mais importa temer. A riqueza só pode oferecer seu conforto durante esta vida; a pobreza, por sua vez, não é um mal definitivo. Tanto os esplendores quanto as dores presentes passam depressa. Voltemos nosso cuidado, portanto, para as coisas que permanecem.

(São João Crisóstomo)