đ MĂĄrtires (De martyribus)
1. Na lĂngua grega, os 'mĂĄrtires' (martyr) sĂŁo chamados, em latim, 'testemunhas' (testis); daĂ tambĂ©m os 'testemunhos' serem chamados, em grego, martyria. E sĂŁo chamados testemunhas porque, em razĂŁo do testemunho (testimonium) que deram de Cristo, padeceram seus sofrimentos e combateram pela verdade atĂ© a morte.
2. Embora pudéssemos chamå-los 'testes', empregando o termo latino, nós os chamamos 'mårtires', segundo o grego, porque essa palavra grega tornou-se bastante familiar aos ouvidos da Igreja, assim como muitos outros termos gregos que empregamos em lugar dos latinos.
3. O primeiro mĂĄrtir do Novo Testamento foi EstĂȘvĂŁo, cujo nome, na lĂngua hebraica, Ă© interpretado como 'estandarte', pois, em seu martĂrio, ele foi o primeiro modelo proposto Ă imitação dos fiĂ©is. O mesmo nome, traduzido da lĂngua grega para o latim, significa 'o coroado'; e isso de modo profĂ©tico, porque, por certa previsĂŁo do futuro, seu nome anunciava antecipadamente aquilo que haveria de acontecer: ele sofreu e recebeu aquilo que seu nome significava. Assim, 'EstĂȘvĂŁo' quer dizer 'coroado': na humildade, foi apedrejado; na glĂłria, porĂ©m, foi coroado.
4. HĂĄ, alĂ©m disso, duas espĂ©cies de martĂrio: uma consiste no sofrimento manifesto; a outra, na fortaleza oculta da alma. Com efeito, muitas pessoas, suportando as ciladas do inimigo e resistindo a todos os desejos carnais, tornaram-se mĂĄrtires mesmo em tempos de paz, porque se ofereceram, em seus coraçÔes, como sacrifĂcio a Deus Todo-Poderoso. SĂŁo precisamente aquelas que, se sobreviesse um perĂodo de perseguição, tambĂ©m poderiam ter sido mĂĄrtires.
(Excertos da obra 'The Etymologies
of Isidore of Seville' (Barney et al. 2006), tratado etimolĂłgico de Santo Isidoro de Sevilha [560 - 636], sobre o conhecimento da Antiguidade ClĂĄssica inserido no contexto de uma visĂŁo cristĂŁ do mundo)
