146. COMO MORRE O SOLDADO DE CRISTO
Gabino Alcázar alistou-se aos 80 anos no Exército dos libertadores e, com ele, três de seus filhos. 'Chegou a hora de morrermos mártires' - disse ele aos seus na hora da despedida - 'Tenho ainda pouco tempo de vida, e por que não hei de consagrá-lo a Cristo-Rei? Desejo que a vossa morte seja tal qual a minha. Vamos combater por Deus'.
Isto sucedeu-se a 3 de março de 1927. O velho soldado de Cristo receberia dentro em breve a sua coroa de glória. Tomou parte em três combates com uma tenacidade extraordinária. A 12 de março, numa renhida batalha, saltara da trincheira para avançar contra o inimigo, oculto atrás de uma rocha, e atirou até o último cartucho. Afinal, os soldados de Calles o cercaram, gritando-lhe:
➖ Entrega-te, velho!
➖ Os soldados de Cristo-Rei morrem, mas não se rendem - respondeu com altivez.
➖ Entrega-te ou te matamos.
➖ Cair, sim; ceder, nunca!
E para que os callistas não se apoderassem do seu fuzil, Gabino quebrou-o em dois pedaços e atirou-os contra o inimigo, dizendo-lhes:
➖ Tomai e entregai isso ao vosso Calles-Nero.
Seus olhos tinham um lampejo de alegria. No momento em que levantou a mão aberta para o céu e gritou: 'Viva Cristo-Rei!', uma descarga o prostra por terra.
A Escritura diz: 'As almas dos justos estão nas mãos de Deus; o tormento da morte não chega a tocá-los.
As almas dos justos descansam na paz; atormentados pelos homens, a sua esperança tomou vulto na eternidade'. Como essas palavras se adaptam ao velho soldado Gabino!
147. LEVAVA A COMUNHÃO AOS MÁRTIRES
O governo maçônico e ateu do México metia no cárcere, à espera da morte, sacerdotes e fiéis católicos. Para confortá-los na fé, meninas piedosas e inteligentes, disfarçadas mas com risco da própria vida, levavam-lhes frequentemente a Comunhão.
Rosina Gomez foi uma dessas meninas privilegiadas. Com apenas 12 anos, consagrara-se ao piedoso oficio de levar Jesus-Hóstia aos prisioneiros. Rosina, com permissão de sua mãe, ia todas as manhãs a uma das estações eucarísticas. Ali comungava e o sacerdote entregava-lhe as hóstias consagradas para levar aos encarcerados. A fim de evitar suspeitas, tirava-se o miolo do pão e, em seu lugar, colocavam-se as sagradas espécies envoltas em pano de linho. Deste modo Jesus chegava diariamente aos confessores da Fé, que aguardavam a morte gloriosa.
Durava já três meses esse trabalho; quando Rosina começou a ser observada e seguida pelos callistas. Um dia, cercaram-na e perguntaram-lhe:
➖ Aonde vais?
➖ Para minha casa e tenho pressa - respondeu Rosina.
➖ Que é que tens nas mãos?
➖ Nada para os senhores e tudo para mim.
➖ Joga fora o pão que tens oculto.
➖ Isso eu não faço.
Os policiais apontam-lhe os revólveres. A esse gesto ela responde calmamente:
➖ Não tenho medo de ninguém. Jesus me dará forças. Ajoelhou-se, em seguida, tomou as hóstias e ali mesmo comungou para evitar profanações. Um minuto depois, cai varada de balas daqueles tigres.
148. UM MÁRTIR DE 18 ANOS
Em Jalisco, no México, um bando de comunistas prendeu um rapaz de 18 anos, acusando-o de fomentar um motim. Queriam forçá-lo a gritar: 'Abaixo o Cristo'.
➖ Não posso, respondeu o jovem; sou católico.
➖ Agora não és mais que um revolucionário.
➖ Revolucionário? Nunca! nunca me bandeei para os revolucionários. Ninguém poderá prová-Io. Sou simplesmente católico, e não posso renegar a Cristo.
Declarações tão firmes e decididas tiveram consequências imediatas. O jovem foi primeiramente espancado e, depois, amarrado à traseira de um caminhão e arrastado pelas ruas da cidade entre risos satânicos. Coberto de sangue e de pó, chegou em frente da casa paterna. Os delinquentes pararam o caminhão e mandaram que o mártir gritasse: 'Viva Calles'. Redobrando as forças, o jovem gritou:
➖ Viva Cristo-Rei!
Uma senhora presente à cena correu a chamar a mãe da vítima: 'Que fosse depressa, porque pretendiam obrigar o filho dela a apostatar'. Imediatamente, a mãe, trêmula e pálida como a morte, correu para junto do mártir. Cena capaz de comover as próprias pedras. O filho, seu querido filho de 18 anos, cuja beleza e coragem eram o orgulho da mãe, banhava de sangue a rua. Ela atirou-se sobre aquele corpo, já nas últimas, e gritou-lhe:
➖ Meu filho, ainda que te matem, nunca renegues o teu Deus. Vale mais a Fé do que a vida. Viva Cristo-Rei!
O mártir, num supremo esforço, conseguiu balbuciar repetindo as palavras de sua mãe:
➖ Viva.... Cristo... nosso... Rei!
E morreu sob as vistas da mãe. Não sabemos o que mais admirar, se a fidelidade do filho ou a coragem da mãe.
(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)
