quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XI)

  

PARTE II - O JUÍZO FINAL

VI. Sobre a Vinda do Juiz 

O que se disse até agora, ó leitor cristão, é realmente muito assustador e terrível, mas não é nada em comparação com o que estamos prestes a considerar. Pois a vinda do Juiz será tão terrível, tão assustadora, que tudo o que está no céu e na terra tremerá e se abalará. O poder e a majestade com que Ele virá estão além do poder das palavras para descrever. Para que possamos saber algo a respeito disso e sermos capazes de formar alguma concepção, o próprio Cristo predisse a sua vinda com estas palavras: 'Quando o Filho do homem vier em sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Ele se assentará no trono da sua majestade, e todas as nações serão reunidas diante dele' (Mt 25,31-32). E novamente: 'E verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com grande poder e majestade' (Mt 24, 30). Assim, vemos Nosso Senhor afirmar duas vezes que Ele virá nas nuvens do céu, acompanhado por todos os seus anjos e com grande poder e majestade.

Quem poderá descrever a grandeza desse poder, o esplendor dessa majestade, o número incontável dessas hostes angelicais? Ouçam o que o salmista diz sobre o assunto: 'Um fogo irá adiante dele e queimará os seus inimigos ao redor. Os seus relâmpagos brilharam para o mundo, a terra viu e tremeu. As montanhas derreteram como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra. Os céus proclamaram a sua justiça e todos os povos viram a sua glória' (Sl 96,3-6). E em outro salmo lemos: 'De Sião resplandecerá o ideal da sua beleza... Um fogo arderá diante dele, e uma tempestade poderosa o envolverá” (Sl 49,2-3). O profeta Isaías também prediz a vinda do Juiz nos seguintes termos: 'Eis que o Senhor virá com fogo, e os seus carros são como um redemoinho, para manifestar a sua ira com indignação e a sua repreensão com chamas de fogo' (Is 46,15). Além disso, o próprio Cristo declara: 'Como o relâmpago vem do Oriente e se mostra até no Ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem' (Mt 24,27).

Se essa for a maneira como o Juiz virá, se chamas de fogo procederem do seu rosto, se Ele descer do céu em uma carruagem de fogo, armado com ira contra os pecadores, quem não tremerá com a sua vinda? Na verdade, todos nós vacilaremos e teremos medo. Além do terror do próprio Juiz, a visão da incontável companhia de anjos que descerá com Ele nos inspirará temor e grande alarme. Pois naquele dia nenhum anjo permanecerá no céu; todos estarão presentes como testemunhas do julgamento.

Agora, os teólogos afirmam que, no coro mais baixo dos anjos, o número de anjos é dez vezes maior do que o de todos os seres humanos que terão existido na Terra. No segundo coro, há dez vezes mais do que no primeiro, no terceiro, dez vezes mais do que no segundo, e assim por diante, de modo que o número desses seres angelicais parece infinito. Todos esses anjos, que são espíritos puros e, portanto, invisíveis à visão corporal, aparecerão então visíveis, extremamente brilhantes e gloriosos, para que também os condenados possam ver a magnificência da vinda de Cristo.

São João, em seu Apocalipse, fala assim das hostes de anjos que acompanharão o Juiz em sua vinda: 'Eu vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e aquele que estava sentado sobre ele era chamado fiel e verdadeiro, e com justiça julga e combate. E os seus olhos eram como chama de fogo, e sobre a sua cabeça havia muitas diademas ... e ele estava vestido com uma vestimenta salpicada de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus. E os exércitos que estão no céu o seguiram em cavalos brancos, vestidos de linho fino, branco e limpo. E da sua boca sai uma espada afiada de dois gumes, para que com ela possa ferir as nações. E ele as governará com vara de ferro; e pisará o lagar do vinho da ira do Deus Todo-Poderoso. E Ele tem escrito em sua vestimenta e em sua coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores' (Ap 19,11-16).

Como todos nós tremeremos, ó meu Deus, quando contemplarmos essas hostes de espíritos celestiais com seu líder real! O profeta Daniel viu uma vez um anjo e ficou tão aterrorizado com a sua aparência que caiu no chão como se estivesse morto. Se tal efeito foi produzido nele pela visão de um único anjo, cuja missão era de conforto e consolação, o que será de nós, quando tantas centenas de milhares de príncipes celestiais se aproximarem de nós com semblantes irados? São Efrém, falando sobre isso, diz: 'Os anjos estarão ali com um ar ameaçador, seus olhos brilhando com o fogo sagrado da justa indignação, despertada pelas iniquidades da humanidade'.

Agora, se a visão dos anjos, que virão para o julgamento com o Juiz Divino, é tão terrível, qual será o medo e o pavor inspirados pelo próprio Juiz, quando Ele vier com toda a ira da justiça ofendida! Assim como no Céu não há maior deleite do que a contemplação de Deus, também no Juízo Final não haverá maior dor e temor do que olhar para o Juiz irado. Antes de entrar na explicação disso, vejamos com que majestade Cristo virá para nos julgar.

A vinda de Cristo será tão terrível que nem o homem nem os anjos são capazes de descrevê-la adequadamente. Pois tudo o que é mais propício para aterrorizar o pecador será visto aqui, e nada faltará que possa realçar a majestade de Cristo. Quando um monarca faz sua entrada em uma cidade, que pompa e esplendor são exibidos ali! Melodias de música animada se misturam com o som mais solene dos sinos, saudações são disparadas, toda a população está agitada, todos esforçando os olhos para ver o monarca; primeiro vêm seus servos, depois seus conselheiros, depois os nobres da terra; por último, vem ele próprio, cercado por uma vasta multidão de pessoas.

No entanto, o que é toda essa magnificência que o mundo pode oferecer quando comparada com a majestade que acompanhará a vinda do Rei dos reis! Compare um pobre menino mendigo esfarrapado com um príncipe soberano que entra montado em uma carruagem de ouro, e teremos uma imagem fraca e insuficiente da diferença que existe entre a pompa e o esplendor deste mundo e a glória com que Cristo virá para nos julgar.

No entanto, a sua vinda não será apenas grandiosa e gloriosa além da medida, mas também será terrível em sua natureza. Se os túmulos se abriram ao som da trombeta do anjo, e o som dessa trombeta ecoou por todo o mundo, que pânico de medo tomará conta da humanidade quando os anjos que precedem o chamado triunfal de Cristo fizerem soar suas trombetas! 'O que será de nós naquele dia terrível, o Dia do Juízo Final, quando o Senhor descer com os seus anjos ao som de trombetas e toda a terra tremer de pavor?' - pergunta Santo Agostinho.

Quando Deus desceu antigamente sobre o Monte Sinai, lemos na Sagrada Escritura: 'Chegou o terceiro dia e amanheceu; e eis que se ouviram trovões, relâmpagos e uma nuvem muito densa cobriu o monte, e o som da trombeta soou muito alto, e o povo que estava no acampamento ficou com medo' (Ex 19,16). E quando todo o povo ouviu os trovões e o som da trombeta, e viu os relâmpagos e a fumaça subindo do monte, eles ficaram aterrorizados e conservava-se à distância, dizendo a Moisés: 'Fala tu conosco, e faremos tudo o que o Senhor ordenou, mas não deixes que o Senhor fale conosco, para que não morramos' (Ex 20,19).

Se tudo isso aconteceu quando Deus desceu do céu para dar a sua Lei à nação hebraica e adotá-los como seus filhos, o que você acha, ó cristão, que acontecerá quando Ele vier para exigir uma prestação de contas sobre a maneira como os seus mandamentos foram cumpridos? Se os filhos de Israel ficaram tão aterrorizados com a entrega da Lei que pensaram que morreriam de medo, que motivo não teremos nós, mortais, especialmente nós, cristãos, para tremer, já que tantas vezes transgredimos deliberadamente os mandamentos de Deus?

ORAÇÃO

Ó Deus, Juiz todo-poderoso de todos os homens, Vós descereis do Céu no Dia do Juízo Final com grande poder e majestade, para agir como justo Juiz, e o pensamento da vossa vinda me faz tremer de medo. Inspirai-me agora, eu vos imploro, um temor salutar, para que eu possa evitar o pecado e não venha a ser esmagado pela vossa santa ira. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (VIII)

    

VIII. Pecados mortais contra o primeiro mandamento

Eu sou o Senhor, seu Deus. Não terás outros deuses diante de mim.

envolver-se com quaisquer práticas ocultistas como, por exemplo, bruxaria, jogos de necromancia, sessões espíritas, quiromancia, cartas de tarô, hipnotismo, adivinhação, astrologia, magia negra, feitiçaria, etc.
☀ envolver-se ou aderir a filosofias do tipo Nova Era ou orientais, ateísmo ou agnosticismo
☀ praticar a apostasia (abandonar a Igreja)
☀ aderir a grupos cismáticos da Igreja
☀ acreditar e se orientar por superstições como, por exemplo, horóscopos, amuletos da sorte, etc.
☀ participar da maçonaria ou de outras sociedades secretas
☀ receber a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal
☀ receber os sacramentos da Confirmação ou do  Matrimônio enquanto em estado de pecado mortal
☀ participar voluntariamente em formas ilícitas (ou seja, não emergenciais) da 'Absolvição Geral'
☀ casar-se diante de um leigo ou algum ministro de outra denominação religiosa
☀ envolver-se e/ou participar de cultos falsos ou pagãos
☀ negar de livre vontade as prescrições de fé da Igreja Católica
☀ desesperar-se da graça ou da misericórdia de Deus
☀ praticar a presunção de cometer um pecado mortal com a ideia de que se poderá confessá-lo mais tarde
☀ odiar ou revoltar-se contra Deus
☀ praticar a simonia (compra ou venda de coisas espirituais)
☀ não receber a Sagrada Comunhão pelo menos uma vez por ano (se possível, durante a Páscoa)
☀ profanar a Sagrada Eucaristia

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ATÉ QUANDO?

 

Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus (2Ts 2,3-4).

Faça atos diários de desagravo e reparação a Deus nestes tempos tremendos da história humana! Oração, oração, oração!

(texto na página principal do blog)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (VII)

    

VII. Exame de consciência de pecados mortais

Este exame de consciência [apresentado nas postagens a seguir] pode ajudá-lo a se preparar para a confissão. No entanto, não se destina apenas a ser uma lista de verificação a ser usada antes da confissão. O objetivo deste exame é ajudar as almas a saber quais ações ou atitudes são pecaminosas e a gravidade do pecado em particular. A esperança é que esse conhecimento sirva para impedir as pessoas de cometer esses pecados.

Três coisas são necessárias para que um pecado seja mortal: (i) matéria grave (conforme indicado no exame a seguir); (ii) conhecimento ou crença firme de que o ato é gravemente errado antes de cometê-lo; (iii) consentimento total da vontade.

Todas essas três condições devem estar presentes simultaneamente para que um pecado seja mortal. Isso significa que se você não sabia que o ato era gravemente errado, então você não é culpado de ter cometido um pecado mortal. Se você não quis cometer o ato, por exemplo, mas foi forçado ou o mesmo ocorreu por meio de um sonho, você não é culpado de ter cometido um pecado mortal.

Todos os pecados mortais cometidos desde sua última confissão devem ser confessados por tipo e número, ou seja, o nome do pecado e quantas vezes ele foi cometido. Se houver um pecado mortal do passado que foi esquecido e não foi confessado, ele deve ser exposto numa próxima confissão. Não é necessário confessar pecados veniais, mas esta é uma prática boa e piedosa.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

ANO JUBILAR FRANCISCANO 2026 - 2027


No dia 10 de janeiro de 2026, uma celebração solene foi realizada na Basílica de Santa Maria dos Anjos em Assis (Itália), para marcar o início do Ano Jubilar Franciscano - uma comemoração especial dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis (1226 - 2026). O Ano Jubilar deverá se estender até 10 de janeiro de 2027 e, durante esse período, os fiéis poderão obter indulgência plenária sob as condições habituais da Igreja - confissão sacramental, comunhão e oração pelas intenções do Papa - ao participarem das celebrações e peregrinações relacionadas ao Jubileu.

Condições para receber a Indulgência (para si próprio ou em sufrágio das almas do Purgatório)
  • Confissão sacramental para estar na graça de Deus (nos oito dias anteriores ou posteriores);
  • Participação na Missa e Comunhão Eucarística;
  • Visita em peregrinação a qualquer igreja conventual franciscana ou local de culto dedicado a São Francisco em qualquer lugar do mundo, onde se deve renovar a profissão de fé mediante a recitação do Credo, como ato de ratificação da nossa identidade cristã;
  • Recitação do Pai Nosso, como ato de ratificação da nossa dignidade de filhos de Deus, recebida no Batismo;
  • Uma oração na intenção do papa, segundo as intenções do Papa, como ato de ratificação da nossa participação da Igreja, cujo fundamento e centro visível de unidade é o Romano Pontífice.
Na observância deste privilégio, o decreto recomenda a participação devota dos fieis nos citados ritos jubilares ou que manifestem piedosas meditações, por adequado período de tempo, centradas na busca sincera de sentimentos de caridade cristã para com o próximo, a exemplo de São Francisco de Assis. Pessoas idosas ou enfermas, com impedimento da presença física numa igreja dedicada ao santo, podem também usufruir os privilégios da Indulgência Plenária, desde que se unam espiritualmente às celebrações jubilares do Ano de São Francisco, atendidas as citadas condições complementares.

domingo, 18 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Eu disse: Eis que venho, com prazer faço a vossa vontade!(Sl 39)

Primeira Leitura (Is 49,3.5-6) - Segunda Leitura (1Cor 1,1-3) -  Evangelho (Jo 1,29-34)

  18/01/2026 - SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

JESUS CRISTO É O CORDEIRO DE DEUS 

Neste segundo domingo do tempo comum, a mensagem profética que ressoa pelos tempos vem da boca de João Batista: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (Jo 1,29). E complementa: 'Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim' (Jo 1,30). Eis o primado de João, o Precursor do Messias: Jesus veio ao mundo para resgatar e levar à salvação toda a humanidade e fazer novas todas as coisas.

Diante de Jesus, que viera pela segunda vez até ele às margens do Jordão, assim como foi Maria que visitou a sua prima Santa Isabel, João Batista reconhece no Senhor a glória e a eternidade de Deus 'porque existia antes de mim' (Jo 1,30). Nas margens do Jordão, uma vez mais, no mistério da Encarnação, os desígnios de Deus são revelados aos homens por meio de João Batista.

Em seguida, reafirma a manifestação da Santíssima Trindade na pomba que desceu do céu, símbolo exposto em dimensão humana para o mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai: 'Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele' (Jo 1,32). O maior profeta de Deus, enviado para batizar com água, declara de forma clara e incisiva, Jesus como Filho de Deus Vivo: 'Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!' (Jo 1,34).

Eis aí a figura singular do Batista, de quem o próprio Cristo revelou: 'Na verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João Batista' (Mt 11,11). A grandeza do Precursor é enfatizada por Jesus naquele que recebeu privilégios tão extraordinários para ser o profeta da revelação de tão grandes mistérios de Deus à toda a humanidade: Jesus Cristo é o Unigênito do Pai, o Filho de Deus Vivo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

sábado, 17 de janeiro de 2026

PALAVRAS DA SALVAÇÃO


Não há medida para a beleza do homem que é humilde. Não há paixão, seja ela qual for, capaz de se aproximar do homem que é humilde, e não há medida para sua beleza. O homem humilde é um sacrifício de Deus ['Sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito' (Sl 51,17)]. O coração de Deus e de seus anjos repousam naquele que é humilde. Mais ainda, quando os anjos glorificam um homem, há diversas razões para ele ter alcançado todas as virtudes; para aquele que se revestiu de humildade, não será necessária nenhuma outra razão além de ter-se tornado tão somente humilde.

(Santo Efrém, doutor da Igreja)