OBLAÇÃO
Que eu seja nada, mais que coisa alguma,
tão desprovido de mortais matérias
que o elogio se transforme em espuma
e o fogo consuma todas as misérias!
Que minha imagem seja palidez e sombras
para os que se importam com imagens tais
e se restarem os ais das minhas sombras
que se desvaneçam nas sombras dos meus ais!
Que eu anseie a Luz muito mais que a vida
sem valia alguma da humana medição;
que se eu tiver que me impor certa medida
que seja não ter limites os limites do perdão!
Que faça comunhão minhas mãos finitas
E que eu seja uva e pão, ainda que massa,
que se convertam em vossas mãos benditas,
em divinas hóstias de infinita graça!
(Arcos de Pilares)
