sexta-feira, 8 de setembro de 2017

GLÓRIAS DE MARIA: FESTA DA NATIVIDADE DE MARIA


Com o nascimento de Maria, Deus dá ao mundo a aurora que anuncia a vinda do Messias, o início histórico da obra da Redenção. Maria, 'bendita entre todas as mulheres' e rainha dos anjos, foi privilegiada pelos desígnios da Providência com as graças mais sublimes para ser elevada à excelsa dignidade de Mãe do Nosso Salvador Jesus Cristo, Mãe de Deus. 

'Deus onipotente, antes que o homem caísse, previu a sua queda e decidiu, antes dos séculos, a redenção humana. Decidiu Ele encarnar-se em Maria... Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra. Como celebraremos o nascimento de Maria, templo do Verbo encarnado?'

(Homilia sobre a Natividade de Maria, de São Pedro Damião)

A Festa da Natividade de Maria (celebrada no dia 8 de Setembro, pelo calendário tridentino) era celebrada no Oriente Católico muito antes de ser instituída no Ocidente e tem sua origem provavelmente em Jerusalém, pelos meados do século V. De acordo com a Tradição, Maria nasceu de pais virtuosos e avançados em idade, Joaquim e Ana, que cumpriam fielmente os seus preceitos cristãos em Jerusalém, resignados e pacientes diante a esterilidade do casal. Contemplados com a gravidez tardia, nasceu-lhes pela Divina Providência a filha que seria a Mãe de Deus, evento singular da história da humanidade que não foi objeto nem de profecias e nem de sinais extraordinários antes, durante ou depois da natividade de Maria.

'Ó Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente sem mancha! Pelo fruto do vosso seio fostes reconhecidos, segundo a palavra do Senhor: 'Pelos seus frutos os reconhecereis'. A vossa conduta foi agradável a Deus e digna daquela que nasceu de vós. Tendo levado uma vida casta e santa, engendrastes a joia da virgindade, aquela que deveria permanecer Virgem antes, durante e depois do parto, a única sempre Virgem de espírito, de alma e de corpo. Convinha, de fato, que a virgindade saída da castidade produzisse a Luz única e monógena, corporalmente, pela benevolência d’Aquele que A gerou sem corpo – o Ser que não gera, mas que é eternamente gerado, para Quem ser gerado é a única qualidade própria da Sua Pessoa. Ó que maravilhas, e que alianças estão neste menino! Ó Filha da esterilidade, virgindade que engravida, nela se unirão divindade e humanidade, sofrimento e impassibilidade, vida e morte, para que em todas as coisas o menos perfeito seja vencido pelo melhor! E tudo isto para minha salvação, ó Mestre! Amas-me tanto que não realizaste esta salvação nem pelos anjos, nem por nenhuma outra criatura, mas tal como já a minha criação, também a minha regeneração foi Tua obra pessoal. Assim, eu exulto, faço despertar a minha alegria e o meu júbilo, volto à fonte das maravilhas, e embriagado de uma torrente de alegria, toco de novo a cítara do espírito e canto o hino divino da natividade'.

(Homilia sobre a Natividade de Maria, de São João Damasceno)

Nasce Maria, dádiva de Deus, santíssima em sua concepção, santíssima no seio de sua mãe, santíssima desde o primeiro instante de sua vida. Pois não convinha que o santuário de Deus, a mansão da sabedoria, o relicário do Espírito Santo, a urna do maná celestial, tivesse em si a menor mácula. Antes de receber sua alma santíssima, sua carne foi completamente purificada até do menor resíduo de toda mancha, sem a mais ínfima inclinação para o pecado.

'A gloriosa Virgem não apenas foi preservada do pecado original em sua concepção, como foi também adornada da justiça original e confirmada em graça desde o primeiro momento de sua vida, segundo muitos eminentes teólogos, a fim de ser mais digna de conceber e dar à luz o Salvador do mundo. Privilégio que jamais foi concedido à criatura alguma, nem humana nem angélica, pertencendo somente à Mãe do Santo dos Santos, depois de seu Filho Jesus ... Todas as virtudes, com todos os dons e frutos do Espírito Santo, e as oito bem-aventuranças evangélicas se encontram no coração de Maria desde o momento de sua concepção, tomando inteira posse e estabelecendo n'Ela seu trono num grau altíssimo e proporcionado à eminência de sua graça'.

(Homilia, São João Eudes)


Maria Santíssima é a nova Eva, a mãe espiritual dos homens; é Judite que será vitoriosa sobre o inimigo do povo de Deus; é Ester que alcançará misericórdia para o seu povo. Foi Maria que Adão entreviu quando Deus lhe disse que uma mulher esmagaria a cabeça da serpente. Deus a tinha em vista quando prometeu a Abraão, aos patriarcas e a Davi, que o Salvador brotaria da sua estirpe. Ela é o tronco de Jessé que havia de dar a flor escolhida, conforme a profecia de Isaías. 

Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão: 2Abraão gerou Isaac;Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos; 3Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame; 4Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon; 5Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé;6Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; 7Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; 8Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias; 9Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; 10Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia.12Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel;13Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur; 14Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; 15Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob. 16Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo.18Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo.19José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente.20Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: 'José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados'. 22Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: 23Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus conosco.


(Evangelho: Mateus, 1, 1-16.18-23)

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VERSUS: ANJOS DA GUARDA X ALMA HUMANA

São Jerônimo: 'ó como é grande a dignidade das almas confiadas, desde o primeiro instante do seu nascimento, a um anjo, especialmente delegado para guardá-la!' Como é grande a sua dignidade e como é grande a sua preciosidade! Pela dignidade e posição da guarda se pode avaliar a preciosidade do objeto guardado... A ti, jovem cristão, cabe aproveitar dessas precauções e ajudar-te desses auxílios. Não ignoras quanto é preciosa a tua alma. Pois bem, se por ti só não podes salvá-la, salvá-la-ás se quiseres aproveitar dos meios que Deus te oferece para isto. Dentre estes, um dos mais sólidos e profícuos é a devoção ao teu anjo da guarda, que sabes estar constantemente junto de ti. 


São Bernardo: 'os nossos anjos da guarda são fiéis, são prudentes, são poderosos'. Ou, melhor, são fidelíssimos, prudentíssimos, poderosíssimos. É necessário ainda insistir sobre isto? Não basta, para disto nos convencermos recordar o que já dissemos sobre a natureza angélica, o seu amor para conosco, a solicitude com que nos guardam, o amor que têm a Deus, de quem somos criaturas e imagens? Nas jornadas perigosas, um bom pai só entrega o seu filho ao melhor, ao mais prudente, ao mais poderoso dos guardas. Assim o Pai celeste. Os perigos desta vida terrena exigiam de seu paterno Coração um guarda tal que de fato nos valesse, nos defendesse, nos dirigisse. Confiou-nos então ao Santo Anjo da Guarda.


São Pedro Damião: 'todos os dias, e de muitas maneiras, ofendemos aos nossos Anjos da Guarda e à ofensa, acrescentamos muitas vezes, a negligência em arrepender-nos. Eles, porém, ainda que frequentemente sofram de nós tantas injúrias, toleram-nos, não obstante, e de nós se compadecem'. O médico paciente sabe tolerar as injúrias do doente que não se quer deixar tratar, e a ele volta muitas vezes, apesar das afrontas, até vê-lo de todo curado. Assim procede para conosco o santo Anjo da Guarda: assiste-nos, exorta-nos, move-nos interiormente, e jamais se aparta do nosso lado, agenciando diante de Deus a nossa salvação: 'ó prodígio de caridade', exclama o mesmo São Pedro Damião, 'prodígio de todo inaudito entre os homens!…'


Santo Agostinho: 'os Santos Anjos nos amam por três motivos ou causas: por causa de Deus, por nossa causa, e por causa de si próprios. Por causa de Deus, porque Deus nos ama também, e com tais extremos; por nossa causa, porque lhes somos semelhantes na natureza racional; por causa deles próprios, porque nos querem sentados naqueles tronos supernos dos Anjos que prevaricaram'. A estas razões do seu amor, ainda outras lhes podemos juntar. Amam-nos, porque é grande a aversão que sentem pelos demônios, capitais inimigos da natureza humana; amam-nos porque nos veem tão amados por Maria Santíssima, Rainha dos Anjos; amam-nos, porque intensamente nos ama Jesus, nosso Redentor e Salvador.

(Excertos da obra 'Os Santos Anjos da Guarda' do Pe. Augusto Ferretti)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ORAÇÃO COM PRESSA NÃO É ORAÇÃO


Jesus Cristo orou no horto por três vezes: 'Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice sem que eu o beba, mas faça-se a vossa vontade e não a minha'. A oração de Jesus Cristo no horto foi muito breve; mas ainda que breve ele o fez por três vezes, e cada vez por espaço de uma hora. Atende a isto alma apressada, tu que fazes muitas orações, e tendes pouco tempo de oração. Ah! bem podes temer que sejam pecados ou perdidas as suas orações!

Sobre o que deves saber, que a meditação é o fundamento; é a alma da oração, por isso quanto possa ser, não deves passar uma só palavra, que não seja acompanhada da meditação; se a tua oração assim fora feita, o seu coração se moveria, as tuas resoluções seriam fortes, os teus propósitos seriam firmes, o seu afetos para com Deus seriam grandes; finalmente desprezaria o mundo com todas as suas vaidades e de todo te entregarias a Deus; mas porque já fazes as orações a tantos anos, e ainda não tens colhido estes frutos, é sinal muito provável que não tem sido boas as suas orações.

Portanto nunca te apresses nas tuas orações; porque a pressa diz um dos Santos Padres, é a peste da oração; e na verdade, onde há pressas, há sempre irreverências, falta de atenção e de respeito. Todo aquele que se apressa nas suas orações, mostra claramente o pouco peso que dá as coisas santas; e ainda melhor mostra o que é, quando nas coisas do mundo é mais bem pronunciado e aperfeiçoado, do que nas conversas que tem com Deus nas orações. 

E quanto há disto? Nas conversas do mundo, muita atenção, muita gravidade e respeito; e vai-se a conversar com Deus na oração; já tudo são pressas, irreverência, falta de atenção e de respeito, e muitas vezes sono; finalmente tudo vai com fastio e aborrecimento! E o que significa tudo isto? É que já há muita pouca fé, ou não consideram com quem falam na oração, nem disso se lembram; não conhecem a Deus, nem formam a ideia que devem formar da sua grandeza e Majestade! 

Assim é, meus irmãos; reza-se muito mal, muito mal! As orações vão quase todas perdidas por não serem feitas como devem ser; se todos fizessem boas orações, elas seriam acolhidas, a vida seria reformada e todos seriam santos. Ora pois fazei vossas orações o melhor que puderdes; ide considerando no que fordes rezando, para desta sorte serem ouvidas e acolhidas por Deus.

(Excertos da obra 'Missão Abreviada', do Pe. Manuel José Gonçalves Couto)

terça-feira, 5 de setembro de 2017

LUZ NAS TREVAS DA HERESIA PROTESTANTE (XIX)

A 19ª nona objeção* pede um texto que prove o batismo dos sinos. Tal objeção não merece resposta, mas demonstra a supina ignorância dos biblistas, que pegam uma palavra e interpretam-na, não como é entendida pelos adversários, mas como eles mesmos a entendem.

Batizar um sino é apenas uma expressão popular, que significa: benzer um sino, isto é, consagrá-lo ao serviço de Deus. Tal prática é completamente bíblica. Vemos na Bíblia que tudo quanto se dedica ao serviço religioso deve ser separado dos objetos profanos e reservado ao uso santo, a que é destinado. Os capítulos 25, 26, 27, 28, 29, 30 e 31 do Êxodo são a enumeração de todos os objetos que Deus manda fazer e reservar para o seu serviço.

E não somente Deus manda separar estes objetos, mas exige que sejam consagrados, bentos ou ungidos, de uma unção especial. Ele manda fazer o azeite da santa unção, e diz: 'e com ele ungirás a tenda da consagração e a arca do testemunho, e a mesa com todos os seus vasos, e o altar do incenso, e o altar do holocausto com todos os seus vasos, e a pia com a sua base. Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo' (Ex 30, 26-30).

Eis, meu caro protestante, a origem da bênção ou a unção dos sinos e de todos os objetos de culto. O sino não figura nesta enumeração, porque não existia naquele tempo; a trombeta era o instrumento para chamar os fiéis à casa de Deus. A Igreja Católica, fiel e conservadora das prescrições divinas, conserva o mesmo costume, e benze, unge ou consagra todos os objetos que são destinados ao culto divino. Isto é ou não é bíblico? E o contrário, como fazem os protestantes, é ou não é completamente anti-bíblico? Basta ter olhos para ver... E querer ver!

* Estas 'objeções' foram propostas por 'um crente' como um desafio público ao Pe. Júlio Maria e que foi tornado público durante as festas marianas de 1928 em Manhumirim, o que levou às refutações imediatas do sacerdote, e mais tarde, mediante a inclusão de respostas mais abrangentes e detalhadas, na publicação da obra 'Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes', ora republicada em partes neste blog.

(Excertos da obra 'Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes', do Pe. Júlio Maria de Lombaerde)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

POR QUE DEUS TOLERA OS HOMENS MAUS

Eu sou o Criador do Céu e da Terra. Perguntavas-te, esposa minha, porque sou tão paciente com os malvados. Isso se deve ao fato de que sou misericordioso. Minha justiça os aguenta e minha misericórdia os mantêm por uma tríplice razão. Em primeiro lugar, minha justiça os aguenta de forma que seu tempo se complete até o final. Poderias perguntar a um rei justo porque tem alguns prisioneiros aos quais não condena à morte e sua resposta seria: ‘Porque ainda não chegou o tempo da assembleia geral da corte na qual possam ser ouvidos e onde, aqueles que os ouvem, podem tomar maior consciência’. De forma parecida, eu tolero os malvados até que chegue seu tempo, de maneira que sua maldade possa ser conhecida por outros também. Já não previ a condenação de Saul muito antes que se desse a conhecer aos homens? O tolerei durante longo tempo para que sua maldade pudesse ser mostrada a outros. 

A segunda razão é que os malvados fazem alguns bons trabalhos pelos quais hão de ser compensados até o último centavo. Desta forma, nem o mínimo bem que tenham feito por mim ficará sem recompensa e, consequentemente, receberão seu salário na terra. Em terceiro lugar, os aguento para que se manifeste assim a glória e a paciência de Deus. É por isso que tolerei Pilatos, Herodes e Judas, apesar de que iam ser condenados. E se alguém perguntar por que tolero a tal ou qual pessoa que se lembrem de Judas e Pilatos. 

Minha misericórdia mantém os malvados também por uma tríplice razão. Primeiro, porque meu amor é enorme e o castigo é eterno e muito grande. Por isso, devido ao meu grande amor, os tolero até o último momento para retardar seu castigo o mais possível na extensa prolongação do tempo. Em segundo lugar, é para permitir que sua natureza seja consumida pelos vícios, pois experimentariam uma morte temporal mais amarga se tivessem uma constituição jovem. A juventude padece uma maior e mais amarga agonia na hora da morte. Em terceiro lugar, pela melhora das boas pessoas e a conversão de alguns dos maus. Quando as pessoas boas e retas são atormentadas pelos perversos, isso beneficia os bons e justos, pois lhes permite resistir ao pecado ou conseguir um maior mérito. 

Igualmente, os maus, às vezes, tem um efeito positivo nas outras pessoas perversas. Quando esses últimos refletem sobre a queda e maldade dos primeiros, dizem a si mesmos: ‘De que nos serve seguir seus passos?’ E: ‘Se o Senhor é tão paciente, será melhor que nos arrependamos’. Desta forma, às vezes voltam a mim porque temem fazer o que fazem os outros e, além disso, sua consciência lhes diz que não devem fazer esse tipo de coisas. Dizem que, se uma pessoa foi picada por um escorpião, pode-se curá-la quando se a unte com azeite no qual haja outro escorpião morto. De forma parecida, às vezes uma pessoa malvada que vê a outra cair pode ver-se atingida pelo remorso e curada, ao refletir sobre a maldade e vaidade do outro.

(Das Revelações de Santa Brígida)

domingo, 3 de setembro de 2017

'TOME A SUA CRUZ E ME SIGA'

Páginas do Evangelho - Vigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum


Jesus, a caminho da Cesareia de Felipe, vai fazer aos seu apóstolos neste dia, de forma explícita, o primeiro anúncio de sua Paixão e Ressurreição, que consubstanciarão os eventos culminantes de sua missão salvífica. Missão que Ele vai cumprir até o fim, até a plena consumação das grandes profecias, o Verbo encarnado entregue como cordeiro à morte de cruz, entre dois ladrões, para a redenção da humanidade pecadora.

Diante dos desígnios da Providência, irrompe as emoções e julgamentos humanos. Pedro, a mesma pedra que antes recebera a proclamação como fundamento da Igreja, vacila agora diante da incompreensão dos tributos extraordinários de Deus feito homem. Vacila e se confunde na fé, moldada apenas pelos rudimentos de sua vontade humana e que se recusa a aceitar as reverberações das palavras de Jesus, que acabara de revelar aos discípulos que iria 'sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia' (Mt 16, 21).

Jesus vai repreendê-lo duramente em seguida, nomeando-o como 'satanás' e como 'pedra de tropeço', designações que o tornam adversário das coisas do Alto, por limitar aos ditames da lógica humana os inescrutáveis desígnios da mente divina, por não pensar 'as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!' (Mt 16, 23). De agora em diante, e com singular devoção, Jesus vai preparar os seus discípulos, e especialmente a Pedro, para os tempos já tão próximos de sua Paixão, Morte de Cruz e Ressurreição e também para o chamamento ao sacrifício e martírio de tantos.

No caminho da santidade, Deus não nos pede um pouco, ou quase tudo, pois cumprir a Vontade de Deus exige de nós a completa e absoluta disposição da alma. Não há meios termos, nem concessões de menos. Deus quer e espera tudo de nós, toda a nossa vida, todo o nosso tempo, toda palavra, pensamento e ação: 'Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? ' (Mt 16, 24 - 26). E ao perguntar: 'O que poderá alguém dar em troca de sua vida?' (Mt 16, 26), responde com a promessa da verdadeira vida e da verdadeira felicidade no Céu, que hão de nos acompanhar como eleitos da graça nas planuras eternas da Casa do Pai.

sábado, 2 de setembro de 2017

EXERCÍCIOS DO AMOR DIVINO A JESUS (Parte I)

34 exercícios de amor a Jesus, propostos por São João Eudes, em honra e devoção aos 34 anos de sua vida; um ano no ventre de Maria e 33 de sua vida nesta terra.


Entre os deveres e os exercícios de um verdadeiro cristão, o mais nobre e santo, que Deus nos pede antes de todos os demais, é o exercício do amor divino. É por isso que, ao fazer seus exercícios de piedade e outras ações, você deve declarar ao Nosso Senhor que não deseja fazê-los por temor do inferno, nem pelos prêmios do paraíso, nem para obter méritos, nem para buscar satisfação e consolo, mas tão somente para agradá-lO por sua glória e por seu puro amor.

E como você deve exercitar-se muitas vezes nas considerações e atos deste amor divino, proponho aqui trinta e quatro exercícios em honra aos trinta e quatro anos da vida cheia de amor de Jesus na Terra. Você pode servir-se deles a qualquer tempo, mas especialmente no dia do retiro mensal ou em qualquer outro momento especialmente escolhido para dedicar-se, com plena consciência, a essa divina ocupação. Ela é a mais digna e santa atividade dos anjos e dos santos e do próprio Deus, que nela consome os infinitos espaços da eternidade.

PARTE I

1. Jesus, meu Senhor! Me basta saber que Vós sois infinitamente digno de amor. Por que precisaria eu de mais ciência, luzes e quaisquer outras considerações? Para mim basta saber que Vós sois digno de todo amor e que não há nada em Vós que não mereça amor infinito. Que meu espírito se alegre com este conhecimento, e que meu coração nunca fique saciado de amar Aquele que jamais poderia ser suficientemente amado.

2. Eu sei muito bem, meu Salvador, que meu coração mesquinho e imperfeito não é digno de Vos amar. Mas Vós sois digno de ser amado em plenitude e criastes esse pobre coração apenas para Vos amar. Mais ainda, Vós o assim ordenais, sob pena de morte eterna, que ele Vos ame. Mas isso não é necessário, meu Deus, que me mandes amar-Vos porque é isso precisamente o que eu quero, o que eu busco e pelo que aspira o meu coração. Desejo ardentemente amar-Vos e não anseio nenhum outro anelo. Longe de mim ter outro pensamento, outra inclinação, outra vontade. Uma coisa somente eu quero: amar a Jesus, que é o amor e as bem aventuranças do céu e da terra.

3. Com certeza, Jesus, eu quero Vos amar, mas não apenas com todo o poder da minha vontade, frágil vontade, mas com as infinitas forças da Vossa divina vontade, que também é minha, posto que me foi dada por Vós. Quero Vos amar também com as vontades de todos os homens e também dos anjos, as quais também me pertencem, pois, ao Vos entregar por mim, Vós me legastes tudo. Quisera Deus me permitir sentir vontade, aspirar, buscar e ansiar ardorosamente o desejo de Vos amar sempre e cada vez mais.

4. Escutai a minha súplica, ó Jesus, anseio da minha alma: ouvi as aspirações do meu coração e tende piedade de mim. Sabeis bem, Senhor, o que eu Vos quero pedir pois Vos tenho manifestado isso muitas vezes! Somente Vos peço a perfeição em Vosso santo amor. Nada mais quero a não ser Vos amar e crescer sempre neste propósito que me pedes de Vos amar; que o meu amor seja tão fervoroso e perseverante que viva somente da ânsia de Vos amar sempre mais.

5. Incensai em mim, Jesus Amabilíssimo, uma sede tão ardente e uma fome tão extrema do Vosso santo amor, que me pareça um martírio permanente não Vos amar o suficiente e que nada me prostre mais nesse mundo do que me parecer que Vos amo demasiado pouco.

6. Quem não gostaria de Vos amar, ó bom Jesus? Quem não gostaria de amar cada dia mais tal Bondade tão digna de amor? Meu Deus, minha vida e meu tudo: nunca me cansarei de Vos dizer que eu Vos desejo amar de modo tão perfeito e com tanta ânsia que, se fosse possível, eu gostaria que o meu espírito se convertesse todo em anelo, minha alma em desejo, meu coração em vontade e toda a minha vida na ânsia de Vos amar.

7. Senhor do meu coração, tende piedade da minha miséria. Vós sabeis o quanto Vos queria amar, mas há tantas coisas em mim que se opõem ao meu amor por Vós: a legião dos meus pecados, minha própria vontade, minha auto estima, meu orgulho e outros tantos vícios e imperfeições que me impedem de Vos amar com perfeição! Eu quero dispor todas estas coisas que comprometem o meu desejo de Vos amar! Quero me colocar de prontidão para sofrer tudo para eliminá-las. Senhor, se eu pudesse me reduzir em pedaços, poeira e cinzas e me aniquilar completamente para destruir em mim tudo o que é contrário ao Vosso amor, eu o faria com prazer, por Vossa graça. Mas preciso de Vossa intervenção, meu Salvador. Manifestai o poder do Vosso braço e destruí em mim todos os inimigos do Vosso amor.

8. Não há nada em Vós, ó meu Jesus, que não seja amor, e todo amor por mim. Também eu deveria ser todo amor por Vós. Porém, nada há em mim, que seja meu, no meu corpo e no meu espírito, que não esteja contra o Vosso amor. O que eu posso fazer para me sustentar? Onde estais, amor divino? Onde está o Vosso poder? Onde está a força do Vosso braço? Se sois um fogo devorador, onde estão Vossas chamas celestiais? Por que não me consumis, se tudo que sou é contrário a Vós? Por que não aniquilais completamente em mim esta vida má e pecaminosa e estabelece em seu lugar a Vossa vida santa e divina?

(versão para o português do autor do blog)