97. OS TRÊS CORAÇÕES
São Bento Labre (que passou a vida como mendigo e morreu em Roma em 1783), visitando uma vez um doente, ensinou-lhe quais as ofertas que agradam a Deus. Dizia assim o santo:
'Seria preciso possuir três corações para oferecer-lhe num só coração. O primeiro todo fogo por Deus, isto é, cheio de amor para com ele; o segundo todo de carne, isto é, cheio de compaixão para com o próximo e inclinado à oração frequente; o terceiro todo de bronze para conosco, isto é, forte contra as paixões (mormente contra a sensualidade) e inclinado a castigar o próprio corpo com a mortificação'.
Estes três corações são a melhor oferta que cada um de nós pode fazer a Jesus.
98. NÃO SE DEVE ADIAR A VOCAÇÃO
Um jovem, sentindo-se chamado por Deus à vida de perfeição, resolveu tomar o hábito religioso e entrar num convento. Passado algum tempo, pôs-se a dizer consigo (certamente tentado pelo demônio): Sou muito moço ainda, tenho saúde, sou robusto e teria de passar a vida fora do mundo e a fazer continuas penitências? Não; vou deixar isso para mais tarde; a morte está longe, não virá tão cedo!
E ficou no mundo... Mas, quanto durou sua vida?
Quatro meses apenas... e, morrendo, o infeliz não conseguía ter paz nem sossego.
99. COMO MORRERAM ALGUNS HERESIARCAS
Ario, que fez tão grande dano à Igreja com os seus erros, enquanto passava triunfante pelas ruas de Constantinopla, foi atacado de improviso mal-estar e imediatamente perdeu a vida do modo mais horrendo.
Lutero, celebrado autor do protestantismo, morreu entre dores atrozes após uma vergonhosa indigestão. Calvino, outro heresiarca, contemporâneo de Lutero, morreu chamando os demônios, amaldiçoando a si próprio, enquanto de suas chagas escorria pus.
Finalmente, para nomear só estes, eis como terminou Voltaire a sua vida depravada. Na última hora pediu com insistência um padre para confessar-se; mas os amigos (melhor diríamos os inimigos) que o rodeavam não permitiram que o padre se aproximasse daquele infeliz, que, desesperado, expirou entre dores atrozes.
Assim tratou o grande Rei do Céu e da terra todos aqueles que, além de não ouvirem os seus ministros, ainda se tornaram os seus perseguidores.
100. O CARNAVAL E OS SANTOS
São Francisco de Sales dizia ser o carnaval o tempo de suas dores e aflições e, naqueles dias, fazia o retiro espiritual para reparar as graves desordens e o procedimento licencioso de tantos cristãos.
São Vicente Ferrer dizia que o carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição.
O Servo de Deus João de Foligno dava ao carnaval o nome de vindima do diabo.
Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: 'Ó que tempo diabólico!'
São Carlos Borromeu dizia jamais poder compreender como cristãos tenham podido conservar tal perniciosíssimo costume do paganismo.
(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)
