sexta-feira, 9 de junho de 2017

09 DE JUNHO - SÃO JOSÉ DE ANCHIETA


Mais de 400 anos depois da sua morte, ocorrida em 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, o padre jesuíta José de Anchieta tornou-se o terceiro santo brasileiro da Igreja Católica, após Madre Paulina (nascida na Itália e canonizada em 2002, 60 anos após a sua morte) e Frei Galvão (canonizado em 2007, 185 anos após a sua morte). Desde 1617, quando os jesuítas brasileiros oficializaram junto a Companhia de Jesus, em Roma, o pedido de canonização do padre, o processo teve inúmeras paralisações e recomeços, constituindo-se em um dos mais demorados da história da Igreja. Somente quando, em 1980, o Papa João Paulo II promoveu a beatificação do padre a partir de um decreto que dispensava a comprovação formal de milagres por sua intercessão direta, a causa foi rapidamente reativada, culminando com a canonização de São José de Anchieta em 03 de abril de 2014. 

Nascido em São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, pertencente ao arquipélago das Canárias (Espanha), José de Anchieta educou-se na Universidade de Coimbra em Portugal, ingressando em seguida na Companhia de Jesus. Tornado sacerdote, veio para o Brasil em 1553, chegando à Bahia com outros seis padres jesuítas. No ano seguinte, já na capitania de São Vicente, fundou, no planalto de Piratininga, junto com o padre Manoel da Nóbrega, a cidade de São Paulo. Com a morte do padre Manoel da Nóbrega em 1567, assumiu o o cargo de provincial do Brasil, intensificando ainda mais o extraordinário trabalho missionário junto aos primeiros habitantes da nova terra - os povos indígenas - que lhe valeram o título de 'Apóstolo do Brasil'.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

UMA CARTA DO PADRE PIO

Meu caríssimo Padre,

Na sexta-feira pela manhã, eu ainda estava na cama quando Jesus me apareceu. Estava todo maltratado e desfigurado. Ele me mostrou uma grande multidão de sacerdotes regulares e seculares, entre os quais vários dignitários eclesiásticos; destes, uns estavam celebrando, outros falando, e outros se despindo das vestes sagradas.

Como a visita de Jesus angustiado causava-me muita dor, eu quis lhe perguntar por que Ele sofria tanto. Não obtive resposta. Contudo, seu olhar recaiu sobre aqueles sacerdotes; mas, pouco depois, quase como se estivesse horrorizado e cansado de ver, Ele retirou o olhar e, quando o pousou sobre mim, com grande horror observei duas lágrimas que lhe sulcavam o rosto. Ele se afastou daquela multidão de sacerdotes com uma grande expressão de desgosto em seu rosto, gritando: 'açougueiros!'

E voltando-se para mim, disse: 'Meu filho, não creia que minha agonia durou apenas três horas; não, Eu estarei, por causa das almas mais beneficiadas por mim, em agonia até o fim do mundo. Durante o tempo de minha agonia, meu filho, não se deve dormir. Minha alma vai à procura de qualquer gota de piedade humana, mas ai daqueles que me deixam sozinho sob o peso da indiferença. A ingratidão e o sono dos meus ministros tornam mais aguda a minha agonia.

Ai daqueles que correspondem mal ao meu amor! E o que mais me aflige e custa é que, à indiferença, eles somam o desprezo, a incredulidade. Quantas vezes estive para fulminá-los, se não fosse impedido pelos anjos e pelas almas que me veneram. Escreva ao seu diretor espiritual e narra-lhe tudo o que viu e ouviu de mim esta manhã. Diga a ele que mostre sua carta ao Padre provincial...'

Jesus ainda continuou, mas o que me disse jamais poderei revelar a nenhuma criatura deste mundo. Esta aparição causou-me tanta dor no corpo, e mais ainda na alma, que durante todo o dia fiquei prostrado e achei que ia morrer, se o dulcíssimo Jesus já não me tivesse revelado. Jesus tem infelizmente razão de lamentar de nossa ingratidão! Quantos de nossos irmãos desgraçados não correspondem ao amor de Jesus lançando-se de braços abertos na infame seita da maçonaria! Oremos para que o Senhor ilumine suas almas e toque seus corações.

(Lettera di Padre Pio al suo padre spirituale P. Agostino' transcrita em 'Padre Pio da Pietrelcina', 2002)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

BREVIÁRIO DIGITAL - ILUSTRAÇÕES DE NADAL (I)

Jerome Nadal (1507-1580), espanhol de Maiorca, foi um dos dez primeiros membros da Sociedade de Jesus e atuou, em várias missões, como representante direto do fundador da ordem, Santo Inácio de Loyola (1491-1556). O próprio santo solicitou a Nadal compilar um guia ilustrado para meditação orante sobre as cenas e os eventos dos Evangelhos, numa mesma concepção dos seus Exercícios Espirituais. 

A obra, que ficou inacabada, comportou 153 ilustrações, publicadas originalmente em 1593, em um um volume intitulado Evangelicae Historiae Imagines - Ilustrações das Histórias do Evangelho, organizado então em ordem cronológica da vida e do ministério de Jesus. Em 1595, foram novamente publicados em um volume maior, com textos mais extensos e rearranjados de acordo com a ordem das leituras do calendário litúrgico prescrito pelo Missal Romano à época, com o título de Adnotations and Meditationes in Evangelia  - Notas e Meditações sobre os Evangelhos (o título completo desta obra é Adnotations and Meditationes in Evangelia quae in sacrosancto Missae sacrificio toto anno leguntur; cum Evangeliorum concordantia historiae integritati sufficienti).
                                                  (edição de 1593)                          (edição de 1595)

Nas publicações seguintes da sequência da sessão Breviário Digital deste blog, serão apresentadas as 153 ilustrações de Nadal publicadas na obra de 1595, mas na sequência original de 1593, ou seja, na ordem cronológica da vida e do ministério de Jesus. Para fins de um melhor entendimento da obra (que foi pioneira na introdução da perspectiva e que se tornou referência na representação ilustrada das cenas dos Evangelhos), segue abaixo um modelo mais geral do contexto e da organização geral de cada ilustração tal como concebida e elaborada pelo autor.

(clique sobre a imagem para uma melhor visualização)

terça-feira, 6 de junho de 2017

DA VIDA ESPIRITUAL (93)

Pela sua vida, morte, Paixão e Ressurreição, Jesus Cristo não nos elevou das vertigens do mundo aos patamares da glória divina, tornando-nos dispenseiros de suas graças e meritórios das heranças eternas? Com uma condição: sermos apóstolos e peregrinos da fé neste mundo, levando a sua mensagem a todos os homens, até os confins da terra. Com a cruz às costas e como apóstolos de Cristo, nós nos tornamos capazes de remover montanhas, lançar fogo sobre a terra, salgar o mundo. Em que medida somos realmente luz para os outros? Ou somos integrantes mornos daquela legião de tíbios e insensatos que se dizem cristãos mas que vivem apenas como lamparinas apagadas refletindo languidamente a luz do sol?

AS SETE COLUNAS DA IGREJA DOMÉSTICA (IV)

'A Sabedoria edificou sua casa, talhou sete colunas' (Pv 9, 1)

QUARTA COLUNA: A VENERAÇÃO À MÃE DE DEUS

Nas velhas cidades e nas regiões verdadeiramente católicas, encontra-se ainda, por vezes, como restos de uma época de piedade filial e fé robusta, uma estátua da Mãe de Deus nas casas ou no vestíbulo. A arte cristã, pintura e plástica, criou para esse fim muitas imagens valiosas, linda­mente emolduradas. A piedade filial cerca­va a imagem de círios e flores.

Aos sábados e nas festas de Maria tam­bém lhe punham às vezes em frente uma lam­parina ou candeia acesa. Era um belo costu­me. Nos lugares em que ainda existe este pie­doso hábito, tudo mostra que essa casa se acha sob a proteção especial da Mãe celeste e que os moradores  a veneram e amam com filial e piedosa devoção. Feliz a família de que Maria é padroei­ra e que, como tal, a honram. O amor e a venera­ção à Mãe de Deus obriga o homem a seguir as pegadas de São José, o virginal protetor da puríssima Virgem.

Ele deve por si mesmo tornar-se-lhe ca­da vez mais semelhante e governar sua casa em espírito cristão. Se a mãe de família é uma fiel e fervorosa devota da Santíssima Virgem há de procurar também lhe imitar o admirável exemplo de virtude. Há de comunicar-se, como por si mesmo, à mulher cristã aquele espírito de humildade, que lhe desvia os olhos do tumulto exterior do mundo, para volvê-los ao interior do lar, que a forti­fica, para levar uma maravilhosa vida de amor e sacrifício, de abnegação no silêncio da vida oculta, que a torna uma verdadeira men­sageira de paz, de alegria e de benção no lar doméstico.

A própria gratidão já obriga a mulher e a mãe a devotar-se a Maria. Toda a consideração de que a mulher hoje goza, a libertação do indigno cativeiro, a posição que ocupa na sociedade humana, deve à Mãe de Deus. Por ela e nela a mulher é enobrecida. Um reflexo da beleza e bondade da Virgem Santíssima cai sobre cada mulher; nem ao menos se apaga de todo na mulher decaída, esque­cida de sua dignidade, como o sol também ainda se espelha em águas lodosas.

Do que o cristianismo sente pela mulher, de quanto era considerada particularmente na piedosa Idade Média, é testemunha um fato da vida de Henrique Suso (nascido em 1295, em Constança). Diante de uma po­bre mulherzinha, que encontrou numa estreita pinguela, ele, o grande e festejado sábio, recuou, deixando-a respeitosamente passar adiante, porque, como todos os homens e cava­lheiros de seu tempo, via nela uma 'irmã' da graciosa Virgem Mãe de Deus. É esse ainda sempre o alto valor que o sentimento cristão dá à mulher. Não devia toda mulher ser grata a Maria por toda a vida?

À estima exterior deu a veneração de Maria também um fundamento interior pro­fundo; pois do modelar exemplo da Santa Mãe de Deus se originaram para a mulher valores espirituais sempre novos. Da venera­ção desta Santa Virgem e amável Mãe, a mulher colheu sempre fortes impulsos, constantemente renovados, para vencer no mundo o mal e a violência e curar com mãos delicadas e compassivo amor as chagas que a for­ça e o arbítrio do homem tantas vezes abriu na sociedade. 

Épocas inteiras gozaram mes­mo por vezes da influência decisiva de mulhe­res que imitaram fielmente a Maria e deixa­ram, nesses tempos abençoados, vestígios pro­fundos de sentimentos benfazejos e caridade cristã. E quando as mulheres renunciam ao seu ideal e esquecem a sua dignidade, como Isabel, a infeliz rainha da Inglaterra, filha de Anna Bolena, então se tornam sem dúvida uma maldição para o mundo e para o próximo. Vê-se, pois, que a muitos respeitos à dignidade da mulher e ao bem da humanidade nos são dados com Maria. Também sobre as crianças, sobretudo so­bre a mocidade, a veneração de Maria produz o mais salutar efeito.

O que mais pode concorrer para completar a personalidade, de que tanto hoje se fala, pa­ra aperfeiçoamento do homem interior, do que a influência da Imaculada e, ao mesmo tem­po, forte e poderosa Virgem? Não é de admirar! Pois se ela é a branca neve da verda­deira castidade, oceano inesgotável de gra­ças, a bela flor da amendoeira, que a geada do pecado jamais atingiu, como a denomi­nam tão significativamente os poetas da Idade Média Gottfried de Strassburg e Conrado de Würzburg!

De Maria, a pura, e imaculada Virgem, manou aquele espírito da mais delicada pure­za e castidade, que adorna mais a fronte da virgem cristã do que todo o ouro e diademas preciosos. Quando a sua doce imagem se im­prime num jovem coração, daí desaparecem atrativos para o mal, afasta-se antes de tudo o pecado impuro, como a raça das serpentes foge dos raios do sol. Milhares dos que caíram no combate, nela se ergueram de novo. Um olhar para a Virgem bastava para reanimar de novo a coragem enfraquecida, extinguir no peito o fogo mais ardente.

Inúmeros outros por meio dele con­quistaram a palma da pureza imaculada. Nela, 'a mulher imaculada' se apresenta diante da alma do rapaz e do homem, a nobreza feminina na sua forma mais sublime, forçando-os a respeitarem a dignida­de e a honra da mulher e por amor desta bendita Virgem, elevarem-se ao varonil respeito de si mesmos. Guilherme de Humboldt disse uma vez que quem durante muito tempo vive ao lado de um caráter todo puro e verdadei­ramente grande, de certo se lhe passa como que um sopro daquele salutar contato. Tem razão. Pureza sugere pureza. O próprio homem dissoluto não lhe pode recusar o respeito.

A alma semelhante, porém, acolhe os sentimentos nobres e grandes, como a corda do instrumento começa a tremer quando se move uma e outra da mesma tonalidade. Se um de nós já age deste modo sobre os outros, co­mo deve então enobrecer os homens o cons­tante convívio com Maria a 'puríssima, dul­císsima Esposa de Deus', que não tem igual; como deve dignificá-los a elevação do cora­ção para ela! Sim, 'o desprezo da mulher sempre veio de baixo e arrastou para baixo, veio do pecado, e impeliu ao pecado. A veneração des­ta mulher celeste, na qual todas as outras são de novo enobrecidas, provém do alto e atrai para o alto' (Könn), afasta-nos da ter­ra e leva-nos a esferas em que nos aproximamos da semelhança divina. É o que faz Maria. Diante dela se calam as potências das trevas e fecha-se o abismo.

Não reina mais o abismo, pois Maria o derrubou
Jaz a seus pés, pois que o venceu.
É justo, pois, que a louvem todos.
(Canção da Procissão Mariana de Reggio,1674)

Poderias dar coisa melhor a teu filho ou a tua filha, no caminho da vida, do que um profundo e terno amor à Mãe de Deus? Com isto lhes dás ao mesmo tempo uma pura e áu­rea mocidade e quem a possui, tem a maior, a, mas íntima felicidade, uma paz espiritual verdadeiramente preciosa. Ela é a aurora de um belo dia, o capital que não se pode perder, de que ainda se vive na velhice. Não constitui isso também para os pais uma fonte da mais pura felicidade? Só olhar para uns inocentes olhos infantis já nos torna felizes. Entra-nos pela alma a dentro como a luz e o esplendor de um outro mundo mais belo.

Nenhum reino o iguala em valor e beleza. E este imenso tesouro pertence ao pai e à mãe. Não é uma alegria e felicidade? Não sei também onde o amor aos pais e irmãos possa ser mais terno e mais forte do que num coração puro e incorrupto. Como tudo quanto é moralmente grande e belo, esse amor só pode medrar e arraigar-se profundamente no solo fecundo de um co­ração puro. Quando, porém, o prazer sensual se apossa de um jovem coração, aí morre tudo quanto é realmente nobre, bom e belo, aí verão em breve os pais como os mais caros laços se despedaçarão e nada mais será sa­grado para o filho.

Infeliz efeito do pecado impuro! Mes­mo as lágrimas que arrancam aos olhos da mãe não serão mais respeitadas, nem mais as chagas profundas que lhe abrem no coração, nem o desgosto e a angústia mortal que causam aos pais, a quem outrora amavam terna­mente e tratavam com todo o respeito. Quem faz questão, pois, de conservar o amor dos filhos, fará bem em implantar profundamente no coração infantil a devoção e o amor à Mãe de Deus e confiar o filho à Virgem e Mãe do belo amor.

Dá-lhe uma criatura humana e dela recebe em troca um anjo de amor e pureza. Todas as belas fes­tas de Maria, o delicioso mês de maio e o de outubro, mês do Rosário, finalmente todos os sábados oferecem para isso ocasião oportuna. Causa alegria ver como as crianças por toda a parte, com um pequeno incitamento, com prazer caminham nessa direção e com santa emulação adornam de coroas e flores a imagem da querida Mãe de Deus. Ainda que as coroas possam murchar, a impressão e a bênção da Mãe celeste permanecem. Ma­ria caminha com cada criança!

(Excertos da obra 'As colunas de tua Casa - um Plano para a Felicidade da Família', do Vigário José Sommer, 1938, com revisão do texto pelo autor do blog)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

VERSUS: DUAS ORAÇÕES A JESUS

VENHO a Vós, Jesus amantíssimo, que sempre amei, procurei, desejei! Venho por Vossa doçura, por Vossa piedade, por Vossa caridade. Venho com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças. Sigo-Vos, porque me chamastes. Tudo encontro em Vós, que desejo amar acima de tudo. Saiba eu manter o que prometi. A Vós, que sondais os corações, desejo agradar não só com o corpo, mas com a alma.

Ó meu Irmão e Esposo Jesus, Rei supremo, Deus e vítima, ponde em mim Vosso selo, de modo que nada queira deste mundo, nada busque, nada deseje ou ame fora de Vós. E Vós, ó Senhor, dignai-Vos unir-me a Vós pelo matrimônio espiritual, de modo a ser vossa verdadeira esposa por indissolúvel amor que a própria morte não possa romper.

(Santa Gertrudes de Helfta, 'Exercícios')


RESPLANDECEI em mim, chama que sempre ardeis, sem jamais vos consumir (Ex 3,2)! Começarei então, por meio de Vossa luz e nela imerso, a ver também eu a Luz e a reconhecer-Vos como verdadeira fonte de Luz.

Ficai conosco, ficai para sempre, doce Jesus, e dai à minha alma que enlanguesce, maior graça. Ficai comigo e começarei a resplandecer tanto em vosso esplendor, tanto, que serei luz até para os outros. A luz, ó Jesus, virá toda de Vós: nenhuma parte nela terei, nenhum mérito, porque sereis Vós a resplandecer nos outros, por meio de mim.

(Beato John Henry Newman, 'Maturidade Cristã' )

domingo, 4 de junho de 2017

FESTA LITÚRGICA DE PENTECOSTES

Páginas do Evangelho - Festa Litúrgica de Pentecostes


Emitte Spiritum tuum et creabuntur et renovabis faciem terrae

'Enviai, Senhor, o vosso espírito criador e será renovada toda a face da terra'

Originalmente, Pentecostes representava uma das festas judaicas mais tradicionais de 'peregrinação' (nas quais os israelitas deviam peregrinar até Jerusalém para adorar a Deus no Templo), sempre celebrada após 50 dias da Páscoa e na qual eram oferecidas a Deus as primícias das colheitas do campo. No Novo Pentecostes, a efusão do Espírito Santo torna-se agora o coroamento do mistério pascal de Jesus Cristo, na celebração da Nova Aliança entre Deus e a humanidade redimida.

Eis que os apóstolos encontravam-se reunidos, com Maria e em oração constante, quando 'todos ficaram cheios do Espírito Santo' (At 2, 4), manifestado sob a forma de línguas de fogo, vento impetuoso e ruídos estrondosos, sinais exteriores do poder e da grandeza da efusão do Novo Pentecostes. Luz e calor associados ao fogo restaurador da autêntica fé cristã; ventania que evoca o sopro da Verdade de Deus sobre os homens; reverberação que emana a força da missão confiada aos apóstolos reunidos no cenáculo e proclamada aos apóstolos de todos os tempos.

O Paráclito é derramado numa torrente de graças, distribuindo dons e talentos, porque 'Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos' (1 Cor 12, 4-6). Na simbologia dos vários membros de um mesmo corpo, somos mensageiros e testemunhas de Cristo no meio dos homens, na identidade comum de Filhos de Deus partícipes e continuadores da missão salvífica de Cristo: 'Como o Pai me enviou, também Eu vos envio' (Jo 20, 21).

No Espírito Consolador, não somos mais meros expectadores de uma efusão de graças e dons tão diversos, mas apóstolos e testemunhas, iluminados e portadores da Verdade, pela qual será renovada a face da terra e pelo qual será apagada a mancha do pecado no mundo: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20, 22-23).