93. O CRUCIFIXO DO PROFESSOR DA UNIVERS1DADE
Não faz muitos anos, após uma lição teórico-prática na Policlínica de Nápoles, um grupo de estudantes de medicina estava a prosear em frente ao quarto de um dos mais notáveis assistentes do professor Durante. O jovem doutor, ao entrar no quarto, deixara a porta aberta e, logo, alguns estudantes, lançando um olhar curioso para o interior, viram à cabeceira do leito do professor um grande Crucifixo.
Alguns deles, imbuídos de preconceitos, riram-se e perguntaram ao professor: como podia ele, um sábio, tolerar aquela imagem à cabeceira do leito. O jovem doutor, com semblante carregado, respondeu:
➖ Não tolero coisa alguma; o Crucifixo está ali porque eu o quero e ali o coloquei com minhas próprias mãos. Se isso faz rir aos néscios, ali ao lado colocarei também a imagem de Nossa Senhora. Meus amigos, estudai e sede mais inteligentes. Adeus!
A esta bem acertada lição, os estudantes emudeceram e retiraram-se corridos. O professor, homem de convicções e de coragem, é um exemplo digno de imitação.
94. NÃO SE IMPACIENTOU
Filipe II, rei da Espanha, passara várias horas da noite a escrever longa e importante carta ao Papa. Apenas a tinha concluído, passou-a ao seu secretário para que a timbrasse e a colocasse na sobrecarta. O secretário, que não estava bem acordado, em vez do timbre, entornou sobre a carta um tinteiro de tinta.
Quando notou o que fizera, ficou horrorizado. O rei, porém, não se impacientou e, como se nada tivesse acontecido, disse: 'Dê-me outro papel de carta, que a escreverei de novo'.
A mesma calma e admirável paciência manifestou o mesmo rei Filipe no dia da sua coroação. Um soldado da guarda, talvez por ser bastante desajeitado, quebrou três lampadários que estavam ao lado do trono real. Todo o óleo caiu sobre as vestes preciosas do rei e da rainha. O soberano, no entanto, com rosto alegre, exclamou: 'Isto é um bom augúrio de que, sob o meu reinado, haverá a unção da paz e a abundância de todo o bem'.
95. CRISTO RESSUSCITOU!
Em 1918, fui testemunha de um fato estupendo que me impressionou. Por ocasião da Páscoa, os bolchevistas de Petrogrado organizaram a sua propaganda ateísta. Spitzberg, o mais hábil e enérgico dos oradores comunistas, expunha com muita ênfase as provas da impossibilidade da Ressurreição de Jesus Cristo.
Para se compreender melhor o que se deu então, é preciso saber que, durante a semana da Páscoa, os russos tem o costume de saudar-se, dizendo: 'Cristo ressuscitou!', ao que o outro responde: 'Ressuscitou verdadeiramente!'. É um uso antigo, geral, comovente.
Spitzberg, o orador comunista, falava com vivacidade, fazia-se de espirituoso e alcançava sucesso. Interrompiam-lhe o discurso risadas e aplausos. Suas últimas palavras foram acolhidas com uma salva de palmas. Então, no fundo da sala, ergueu-se um venerando sacerdote, com uma cruz de ouro sobre o peito. Dirigindo-se ao presidente da assembléia, disse:
➖ Peço licença para responder ao orador.
➖ Sim - respondeu o outro mal-humorado, mas sede breve, cidadão, pois dou-vos apenas cinco minutos.
➖ Obrigado! Gastarei menos de cinco minutos.
Subiu à tribuna, fez o sinal da cruz, beijou com devoção sua cruz de ouro, fez uma profunda inclinação ao auditório e pronunciou com voz clara e firme a saudação: 'Cristo ressuscitou!'. 'Ressuscitou verdadeiramente!', respondeu em coro a assembléia, isto é, aqueles mesmos que acabavam de ouvir e aplaudir o orador do ateísmo.
O prelado abençoou a multidão, fez uma inclinação profunda, desceu da tribuna e saiu. Ninguém ousou molestá-lo. O efeito, porém, do discurso de Spitzberg estava irremediavelmente abalado. Sejamos também nós cristãos corajosos, pois é assim que se deve responder à impiedade.
96. MEU FILHO É MAIS DO QUE EU
O conde De Bonald, grande sociólogo, polemista e dentista católico, depois que seu filho foi ordenado sacerdote, sempre se descobria para dirigir-lhe a palavra. A alguém que lhe perguntou por que assim procedia, uma vez que o padre era seu filho, respondeu:
➖ É meu dever proceder desse modo, pois meu filho, desde que foi sagrado ministro de Deus, é mais, muito mais do que eu.
Esse seu filho foi mais tarde arcebispo e cardeal de Lyon.
(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)
