quarta-feira, 25 de março de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XV)

      

PARTE II - O JUÍZO FINAL

X. Sobre a duração do Juízo Final

Quanto tempo durará o Juízo Final? Não é possível dar uma resposta definitiva a essa pergunta, pois trata-se de algo que ninguém sabe; contudo, pode-se supor que ocupará um período considerável. Alguns, de fato, dizem que terminará rapidamente, pois Deus poderia julgar toda a humanidade em um único instante. No entanto, essa opinião não parece ser compartilhada pelos Padres da Igreja, nem é apoiada pela Sagrada Escritura, na qual invariavelmente se fala de um dia de julgamento.

São Paulo, por exemplo, diz que: 'Deus designou um dia em que julgará o mundo com justiça' (At 17,31). E lemos nas profecias de Isaías: 'Eis que virá o dia do Senhor, um dia cruel, cheio de indignação, ira e fúria' (Is 13,9). Nestas e em muitas outras passagens da Sagrada Escritura, o Último Dia é mencionado como um dia, não como um julgamento instantâneo. O profeta Joel indica que o dia será longo, quando diz: 'O dia do Senhor é grande e muito terrível; e quem poderá suportá-lo?' (Jl 2,11). E sobre esse mesmo dia, São João, o profeta da Nova Aliança, também diz: 'Chegou o grande dia da sua ira, e quem poderá subsistir?' (Ap 6,17).

Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura encontramos expressões semelhantes; o Dia do Juízo Final é chamado de 'o grande dia', o que provavelmente significa um dia longo. São Jerônimo defendia essa opinião, pois diz: 'O dia do Senhor será um grande dia por causa da eternidade que se seguirá a ele'. Santo Agostinho, ao falar da duração do juízo final, expressa-se assim: 'Por quantos dias se estenderá o juízo, não temos como determinar; contudo, sabemos que um período considerável é frequentemente designado nas Sagradas Escrituras como um dia'. São Tomás de Aquino concorda com Santo Agostinho neste ponto; ele apresenta vários argumentos para provar que o juízo final terá uma longa duração. E por que Deus encurtaria esse dia? Há razões abundantes para que Ele, ao contrário, o prolongue. Pois é o dia do maior triunfo de Cristo; o dia em que os santos alcançam a sua maior glória e os condenados serão submetidos à maior vergonha.

É o dia do maior triunfo de Cristo, porque Ele não só será adorado por todos os anjos e santos, mas também pelos espíritos malignos e pelas almas perdidas, e reconhecido por todos como seu Juiz. Naquele dia, todos os seus inimigos estarão aos seus pés; naquele dia, todos os seus adversários serão forçados a confessar suas ofensas contra Ele, o Árbitro Divino. Eles serão então compelidos a reconhecer a sua divindade, a sua caridade infinita, os inúmeros benefícios que Ele lhes concedeu, em troca dos quais o perseguiram, blasfemaram contra Ele e o submeteram a uma morte cruel. 

Em segundo lugar, os santos abençoados alcançarão naquele dia a sua maior glória, pois serão honrados e estimados por toda a humanidade, bem como por Deus e pelos Anjos. Pois Cristo revelará então a todos os presentes com que fidelidade eles o serviram, com que zelo abnegado trabalharam pela conversão dos pecadores. Ele revelará então as penitências secretas que realizaram, as tentações ferozes às quais resistiram. Ele revelará então as perseguições impiedosas que sofreram das mãos dos filhos deste mundo, e como todo tipo de mal foi dito contra eles injustamente. Assim, Cristo os coroará com a honra que lhes é devida, e todos os seus adversários serão confundidos.

Em terceiro lugar, naquele dia os réprobos serão submetidos à maior ignomínia e angústia. Pois o Juiz revelará todo o caráter vergonhoso e abominável de seus delitos. Ele revelará, à vista dos Anjos e dos Santos, dos demônios e dos condenados, os atos infames que eles cometeram sob o manto da escuridão. Sim, Ele derramará o cálice cheio da sua indignação sobre esses seres miseráveis que, sob a máscara da hipocrisia, ousaram profanar o próprio Santuário. Ele fará com que aqueles que corromperam a inocência sejam capturados e dispostos entre os espíritos malignos, cuja obra diabólica e três vezes amaldiçoada levaram adiante na terra.

Naquele dia, o Juiz Divino fará com que todos os pecadores impenitentes bebam profundamente do cálice da vergonha e da ignomínia, como nos diz São Basílio, quando afirma: 'A confusão que se abaterá sobre o pecador ímpio no Dia do Juízo Final será para ele uma tortura mais cruel do que se fosse lançado em um fogo ardente'. Esta é, de fato, a razão pela qual Deus determinou o Juízo Final: para que os pecadores não sejam punidos apenas pela dor que lhes caberá, mas também sejam expostos à vergonha pública. 

São Tomás de Aquino afirma: 'O pecador não merece apenas dor, mas também desgraça e ignomínia, pois esse é um castigo a que somente os seres humanos podem ser submetidos. Os animais inferiores podem ser castigados e mortos, mas não sabem o que é sofrer vergonha e desprezo'. Isso explica o fato de que qualquer pessoa que tenha um mínimo de autoestima prefere sofrer uma punição mais severa em segredo do que ser exposta à desgraça pública.

Por todas essas razões, pode-se supor que o Juízo Final se estenderá por um período considerável de tempo e, portanto, temos ainda mais motivos para tremer diante dessa perspectiva e orar fervorosamente a Deus para que, naquele grande dia, Ele não nos oprima com vergonha e confusão, mas nos conceda a graça de sua alegria e glória.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)