terça-feira, 13 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (IV)

 

IV. As três formas do Sacramento da Penitência

Primeira

A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja: somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão.

Segunda

O sacramento da Penitência pode também ter lugar no âmbito de uma celebração comunitária, na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças pelo perdão recebido. Neste caso, a confissão pessoal dos pecados e a absolvição individual são inseridas numa liturgia da Palavra de Deus, com leituras e homilia, exame de consciência feito em comum, pedido comunitário de perdão, oração do Pai Nosso e ação de graças em comum.

Terceira

Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode ocorrer quando há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode existir também quando, tendo em conta o número dos penitentes, não há confessores bastantes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes, sem culpa sua, se vejam privados, durante muito tempo, da graça sacramental ou da sagrada Comunhão. Neste caso, para a validade da absolvição, os fiéis devem ter o propósito de confessar individualmente os seus pecados graves em tempo oportuno [Isso significa que, se uma pessoa sobreviver à emergência, uma confissão individual de todos os pecados mortais deve ser feita assim que for razoavelmente possível]. 

(Catecismo da Igreja Católica; 1482, 1483 e 1484)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

AS TREVAS E AS SOMBRAS DA MORTE

Tirou-os das trevas e da escuridão (Sl 106, 14). 

São três as espécies de trevas, ou de ignorâncias:

👉 Diz o Salmista (Sl 81, 5): Não sabem nem entendem, andam nas trevas. Estas são as trevas da razão, enquanto a razão é por elas obscurecida.

👉 Há também as trevas da culpa. Diz São Paulo (Ef 5, 8): Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. E estas são trevas da razão humana não por si mesmas, mas pelos apetites, enquanto, mal dispostos pelas paixões ou por algum mau hábito, apetecem como bom o que não é o verdadeiro bem.

👉 Por fim, há as trevas da danação eterna (Mt 25, 30): E a este servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Ora, Cristo tirou-nos das trevas por ser a luz do mundo; não era o sol criado, mas Aquele por quem foi criado o sol. Contudo, como diz Agostinho, a mesma luz que fez o sol, foi feita sob o sol, e velada pela nuvem da carne, não para que fosse obscurecida, mas para que fosse temperada. E como esta luz é universal, expulsa universalmente todas as trevas.

Assim, o que me segue não anda nas trevas, da ignorância, pois eu sou a verdade; da culpa, pois eu sou a via; da danação eterna, pois eu sou a vida.

A noite pode ser compreendida de dois modos:

👉 Pela subtração da graça atual, a qual induz o pecado mortal. Quando esta noite sobrevém, ninguém pode fazer obra meritória de vida eterna.

👉 A outra é a noite consumada, quando não apenas se é privado da graça atual, mas também da faculdade de a recuperar, pela eterna danação ao inferno, onde é profunda a noite àqueles aos quais foi dito: Ide malditos para o fogo eterno

E então ninguém poderá fazer nada, pois não há mais tempo para merecer, mas apenas para receber conforme seus méritos. Assim, enquanto viveres, faze o que tens de fazer (Ecle 9, 10): Faze com presteza tudo quanto pode fazer a tua mão, porque na sepultura, para onde te precipitas, não há nem obra, nem razão, nem ciência, nem sabedoria.

A morte é a danação no inferno (Sl 48, 15): a morte os apascenta. A sombra da morte é a semelhança da danação futura que está nos pecadores. A maior pena daqueles que estão no inferno é a separação de Deus; como os pecadores já estão separados de Deus, têm semelhança com a danação futura, assim como os justos têm semelhança com a futura beatitude.

(Excertos da obra  'Meditationes ex Operibus S. Thomae', de P. D. Mézard, publicação original do site Permanência)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (III)

 

III. O perdão dos pecados

Para compreender plenamente a importância e a beleza do Sacramento da Penitência, é necessário compreender o que significa o perdão dos pecados. Quando Deus perdoa os nossos pecados, Ele os remove de nossas almas e os destrói. Isso significa que o pecado não existe mais. Depois de recebermos a absolvição neste Sacramento, Deus olha para nós e vê uma alma sem pecado. Quando você sai do confessionário, seus pecados desapareceram. Isso também significa que, no dia do julgamento, Deus não mencionará nenhum pecado que tenhamos confessado e pelo qual tenhamos recebido a absolvição sacramental. Com isso em mente, devemos estar ansiosos para permanecer muito próximos do confessionário e fazer da confissão dos nossos pecados uma parte regular da nossa vida espiritual.

É preciso fazer uma distinção entre pecados e efeitos do pecado. Neste sacramento, os pecados são perdoados, mas os efeitos permanecem. Os efeitos são as fraquezas que resultam de nossos pecados, por exemplo, memórias, inclinações para o pecado, apegos a algum bem percebido relacionado ao pecado, etc. Para superar os efeitos do pecado, devemos orar e praticar a abnegação.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

TESOURO DE EXEMPLOS II (73/76)


73. CONVERSÃO DE UMA COMUNISTA

A senhorita Leer, israelita ateia de 22 anos de idade, admiradora de Liebknecht e de Rosa Luxemburgo, tomou parte na revolução de Munique com um ardor incrível. Editava um jornal e percorria cidades e vilas, fazendo propaganda revolucionária.

Após a vitória das autoridades legais, Leer foi presa e condenada à morte. Durante a noite que precedeu a sua execução, tendo-se por irremediavelmente perdida, caiu de joelhos e exclamou: 'Se há de fato um Ser supremo e se vós existis, ó meu Deus, ajudai-me, salvai-me e eu crerei em vós'.

Com efeito, na manhã seguinte conseguiu evadir-se; com o auxílio de um frade, pode transpor a fronteira e, na Holanda, na Casa das Irmãs das Santas Marta e Maria encontrou um asilo seguro. Durante um ano inteiro passou ali no mais completo retiro sob a direção do Pe. Gianeken, fundador, daquele Instituto, o qual a instruiu na fé católica. Após um ano de noviciado, foi admitida naquela congregação que tem por fim cooperar, por orações e obras de caridade, na conversão dos protestantes holandeses.

74. QUERO MORRER PELA FÉ

Houve no século passado uma furiosa perseguição contra os católicos armênios. Entre as numerosas vítimas estava um menino de doze anos apenas.

Os muçulmanos queriam forçá-lo a renegar a Jesus Cristo, mas ele resistiu corajosamente. Os carrascos ameaçaram cortar-lhe a mão; e ele estendeu a mão, dizendo:
➖ Ei-la, cortai-a!
Os bandidos cortaram-na, esperando que a dor e a vista do sangue atemorizariam o menino, obrigando-o a apostatar. 

Fizeram-lhe em seguida um curativo e disseram: 
➖ Se não queres perder a outra mão, aceita a nossa religião'. 
➖Nunca - respondeu o herói. 
Um golpe de sabre e a outra mão estava decepada. Fazem-lhe novo curativo e convidam-no a apostatar. 

A coragem do menino cristão não arrefece. Os carrascos, mais enfurecidos, dizem-lhe que, agora, será a vez de sua cabeça. O menino prontamente inclina a cabeça e diz: 
➖ Cortai-me a cabeça! Como cristão vivi, como cristão quero morrer!
A espada reluziu no ar e a cabeça da inocente vítima rolou pelo chão, enquanto sua bela alma voava triunfante para o céu. Como é belo morrer pela fé!

75. O DIVINO ENCANTADOR

Santa Maria Madalena de Pazzi, quando adolescente, sentia um grande desejo de ver a Jesus. Eis que um dia, durante um êxtase, teve essa felicidade. 

Ela mesma diz: 'Eis o meu Esposo, que antes me aparecia tão pequenino e agora o vejo na idade de doze anos com um semblante tão belo e admirável, resplandecente de serena gravidade. Este amável menino traz na sua mão direita um livro no qual quer que eu estude no tempo de trevas espirituais; e na esquerda, tem uma harpa, na qual começará a tocar, quando lhe aprouver, e cantará alguma canção de amor, a qual não faltarão nem palavras, nem conceitos. Ó quão suave melodia de sons e cânticos! Ó meu Deus, quanto sois suave e amoroso para os que vos amam!'

76. COMO SABIAM ENTRETER-SE COM DEUS!

Os santos encontravam no trato com Deus todas as suas delicias. São Caetano empregava no exercício da oração oito horas por dia; Santa Margarida, rainha da Escócia, e Santo Estêvão, rei da Hungria, quase toda a noite; Santa Francisca Romana, todo o tempo que lhe sobrava de suas ocupações ordinárias; Santa Rosa de Lima empregava na oração doze horas por dia.

São Luis Gonzaga começou a entregar-se à oração desde a mais tenra idade e nunca deixava de orar duas a três horas por dia. Quando estava na corte, para não ser interrompido pelos companheiros, ia esconder-se no lenheiro para orar. Santa Maria Madalena de Pazzi, com nove anos apenas, fazia primeiro uma hora de oração, depois duas, quatro e até noites inteiras, enquanto vivia no mundo; depois que entrou no convento, dedicava à oração todo o tempo livre concedido às religiosas.

São João Berchmans, aos onze anos, empregava no trato com Deus todo o tempo que lhe sobrava dos estudos. Qualquer canto da casa servia-lhe de oratório, e várias vezes o surpreenderam, depois da meia-noite, orando de joelhos no chão nu.

Verdadeiramente maravilhosos estes santos! Como sabiam aproveitar a graça da oração!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

domingo, 11 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!(Sl 28)

Primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7) - Segunda Leitura (At 10,34-38) -  Evangelho (Mt 3,13-17)

  11/01/2026 - FESTA DO BATISMO DO SENHOR

O BATISMO DO SENHOR


No Evangelho do Batismo do Senhor, encerra-se na liturgia o tempo do Natal. João Batista, nas águas do Jordão, realizava um batismo de penitência, de ação meramente simbólica, pois não imprimia ao batizado o caráter sobrenatural e a graça santificante imposta pelo Batismo Sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo vai protestar diante o Senhor: 'Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?' (Mt 3, 14). Mas Jesus vai consolar suas preocupações em nome das palavras dos profetas: 'Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!' (Mt 3, 15).

O Batismo de Jesus constitui, ao contrário, um ato litúrgico por excelência, pois o Senhor se manifesta publicamente em sua missão salvífica. Chega ao fim o tempo dos Profetas: o Messias tão anunciado torna-se realidade diante o Precursor nas águas do Jordão. E o batismo de Jesus é um ato de extrema humildade e de misericórdia de Deus: assumindo plenamente a condição humana, Jesus quis ser batizado por João não para se purificar pois o Cordeiro sem mácula alguma não necessitava do batismo, mas para purificar a humanidade pecadora sob a herança dos pecados de Adão. Ao santificar as águas do Jordão e nelas submergir os nossos pecados, Jesus santificou todas as águas do Batismo Sacramental de todos os homens assim batizados.

Após ter recebido o batismo de João, 'o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus...' (Mt, 3, 16). Nas margens do Jordão, no mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai, manifesta-se pela primeira vez a Santíssima Trindade, ratificada pela pomba e pela voz que vem do Céu: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado' (Mt 3, 17). No batismo do Jordão, manifesta-se em plenitude a divindade de Cristo.

Eis a síntese da nossa fé cristã, legado de Deus a toda a humanidade, sem distinção de pessoas: 'ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença' (At 10, 35). No Jordão, o céu se abriu para o Espírito Santo descer sobre a terra. No Jordão, igualmente, manifestou-se por inteiro o perdão e a misericórdia de Deus e a graça da salvação humana por meio do batismo. E, com o batismo de Jesus, tem início a vida pública do Messias preanunciado por gerações. Esta liturgia marca, portanto, o início do Tempo Comum, período em que a Igreja acompanha, a cada domingo e a cada semana, as pregações, ensinamentos e milagres de Jesus sobre a terra, o tempo em que o próprio amor de Deus habitou em nós.

sábado, 10 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (II)

II. A perda do sentido do pecado

'Não é raro na história que, por períodos mais ou menos longos e sob a influência de muitos fatores diferentes, a consciência moral de muitas pessoas fique seriamente obscurecida. "Temos uma ideia correta da consciência?" - perguntei há dois anos em um discurso aos fiéis - "Não é verdade que o homem moderno está ameaçado por um eclipse da consciência? Por uma deformação da consciência? Por uma insensibilidade ou ‘entorpecimento’ da consciência?" 

Muitos sinais indicam que tal eclipse existe em nosso tempo. Isso é ainda mais perturbador porque a consciência, definida pelo concílio como o ‘núcleo mais secreto e santuário do homem’, está 'estritamente relacionada à liberdade humana... Por esta razão, a consciência constitui, em grande medida, a base da dignidade interior do homem e, ao mesmo tempo, da sua relação com Deus'. 

É inevitável, portanto, que nesta situação haja também um obscurecimento do sentido do pecado, que está intimamente ligado à consciência moral, à busca da verdade e ao desejo de fazer um uso responsável da liberdade. Quando a consciência é enfraquecida, o sentido de Deus também é obscurecido e, como resultado, com a perda desse ponto de referência interior decisivo, perde-se o sentido do pecado. Isso explica por que meu predecessor Pio XII declarou certa vez, em palavras que se tornaram quase proverbiais, que 'o pecado do século é a perda do sentido do pecado'.

(Papa João Paulo II, Reconciliação e Penitência, 2 de dezembro de 1984)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

FRASES DE SENDARIUM (LXVI)

  

'É viva a palavra quando são as obras que falam' 

(Santo Antônio de Pádua)

Para santificar o mundo, para que cada leigo passe a ser realmente um apóstolo leigo, no cotidiano de sua vida familiar e social, é preciso colocar em prática esta missão, é preciso AÇÃO, é preciso Abrir Caminhos Através de Obras, por meio do nosso próprio exemplo e da nossa própria santificação pessoal.