domingo, 6 de agosto de 2023

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo!(Sl 96)

Primeira Leitura (Dn 7,9-10.13-14) - Segunda Leitura (2Pd 1,16-19)  -  Evangelho (Mt 17,1-9)

 06/08/2023 - Festa da Transfiguração do Senhor

37. A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR


'Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha' (Mt 17,1). Uma alta montanha, o Monte Tabor. Como testemunhas da extraordinária manifestação da glória celeste e da vida eterna em Deus, Jesus conduz os três apóstolos escolhidos para o alto, numa clara assertiva de que é por meio da profundo recolhimento interior e da elevação da alma muito acima das coisas do mundo é que podemos viver efetivamente a experiência plena da contemplação de Deus.

'E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz' (Mt 17,2). No mistério da transfiguração do Senhor, os apóstolos testemunharam antecipadamente alguma coisa dos mistérios de Deus. Algo profundamente diverso da natureza humana, pois nascido direto da glória de Deus. Algo muito limitado da Visão Beatífica, posto que deveria atender sentidos humanos: 'nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam' (1 Cor 2, 9). Ainda assim, algo tão extraordinário e consolador, que perturbou completamente aqueles homens e, ao mesmo tempo, os moldou definitivamente na certeza da vitória e da ressurreição de Cristo.

'Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus' (Mt 17, 3). A revelação da glória de Deus é atestada pela Lei e pelos Profetas, pelo Senhor da vida e da morte, pelos textos das Sagradas Escrituras. Naquele momento, se fecha a Lei e a morte (com Moisés) e se cumprem todas as profecias e se impõe a vida eterna em Deus (com Elias, que ainda vive). E, para não se ter dúvida alguma, Deus se pronuncia no Alto do Tabor em favor do Filho: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!' (Mt 17, 5).

Do alto do Tabor, a ordem divina ecoa pelos tempos e pelas gerações humanas a todos nós, transfigurados na glória de Deus pelo batismo e herdeiros do Tabor eterno: 'Escutai-o!' Como batizados, somos como os apóstolos descidos do monte e novamente envoltos pelas brumas e incredulidades do mundo. Pela transfiguração, entretanto, somos encorajados a vencer o mundo como Cristo, a superar a fragilidade de nossos sentidos, a elevarmos nosso pensamento às coisas do Alto, a manifestar em nós a glória de Deus como primícias do Céu, sob a divina consolação: 'Levantai-vos e não tenhais medo' (Mt 17, 7).

sábado, 5 de agosto de 2023

DECÁLOGO SOBRE A CONTRIÇÃO

1. A contrição perfeita é aquela que tem por motivo o amor de Deus, pois reconcilia o pecador com Deus, ainda antes da recepção do sacramento da penitência; porém, deve sempre encerrar o desejo e a vontade de recebê-la (Concílio de Trento).

2. A contrição cura a alma, ilumina o espírito e apaga os pecados (Santo Efrém).

3. Quando ouvirdes falar das lágrimas da contrição, não vos figureis que sejam a imagem da dor e dos sofrimentos; são mais doces que todas as delícias que se podem gozar neste mundo (São João Crisóstomo).

4. Semelhante à cera que contém o mel, a compunção contém um manancial inesgotável de doçuras espirituais; Deus visita e consola, de um modo invisível, porém inefável, os corações despedaçados por uma santa dor (São João Clímaco).

5. Correi, pois, lágrimas de compunção; correi como uma torrente, ondas bem-aventuradas; limpai essa consciência manchada, lavai esse coração profanado, e devolvei-me aquela alegria divina que é fruto da justiça e da inocência (Bossuet).

6.  A compunção do coração e as lágrimas sinceras são um verdadeiro batismo (São Bernardo).

7. Uma ferida profunda e muito perigosa requer um poderoso remédio: o pecado é uma grande ofensa, que impõe como necessária uma grande satisfação (Santo Ambrósio).

8. Há muitos homens que confessam com frequência que são pecadores e, contudo, deleitam-se ainda no pecar. Sua palavra é um reconhecimento e não uma mudança; declaram as chagas de sua alma e não as curam; confessam a ofensa e não a apagam. Somente o ódio ao pecado e o amor a Deus constituem uma verdadeira contrição (Santo Agostinho).

9. Está convertido e seguro do perdão somente aquele que chora o seu pecado e não descuida nada para não voltar a recair nele (São Gregório).

10. Aqueles que semeiam lágrimas, ceifarão plenos de júbilo. Quando espalhavam as suas sementes, iam chorando; mas, quando retornarem, voltarão com grande regozijo, trazendo os grandes feixes de suas colheitas (Sl 125, 5-6).

PRIMEIRO SÁBADO DO MÊS

      

DEVOÇÃO DOS CINCO PRIMEIROS SÁBADOS  

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

PALAVRAS DA SALVAÇÃO

'O que Cristo fez e ensinou foi a vontade de Deus: a humildade na conduta, a firmeza na fé, a contenção nas palavras, a justiça nas ações, a misericórdia nas obras, a retidão nos costumes; ser incapaz de fazer o mal, mas poder tolerá-lo quando se é vítima dele; manter a paz com os irmãos; querer ao Senhor de todo o coração; amar nele o Pai e temer a Deus. Não por nada à frente de Cristo, pois Ele próprio nada pôs à nossa frente; ligarmo-nos inabalavelmente ao seu amor; abraçar com força e confiança a própria cruz; quando for preciso, lutar pelo seu nome e pela sua honra, mostrar constância na nossa profissão de fé; sob tortura, mostrar essa confiança que sustenta o nosso combate e, na morte, essa perseverança que nos faz alcançar a coroa. Querer ser herdeiro com Cristo - é nisso que consiste obedecer aos preceitos de Deus; é nisso que consiste cumprir a vontade do Pai'.

(São Cipriano de Cartago)

PORQUE HOJE É A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS

 

DEVOÇÃO DAS NOVE PRIMEIRAS SEXTAS - FEIRAS  

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

FRASES DE SENDARIUM (VI)

 

'A medida do amor é amar sem medida' 

                                                                                                                     (Santo Agostinho)


Buscai a perfeição, vivei para a tua completa santificação. Isto não é uma utopia: Deus quer tão somente o teu firme propósito em ser instrumento dócil do amor divino no mundo 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

SOBRE AS SECURAS E TENTAÇÕES ESPIRITUAIS

São Francisco de Sales nos diz que a verdadeira devoção e o verdadeiro amor de Deus não consistem em sentir consolações espirituais nos exercícios de piedade, mas em ter uma vontade resoluta de só querer e fazer aquilo que Deus quer. É só para este fim que devemos orar, comungar, praticar a mortificação e qualquer outra virtude que agrada a Deus, muito embora façamos isso sem satisfação alguma e no meio de mil tentações e aborrecimentos de espírito. 'Pelas securas e tentações' -  diz Santa Teresa - 'o Senhor experimenta os que o amam. Posto que a secura continue durante toda a vida, não deixe a alma de fazer oração; virá tempo em que será bem paga por tudo'.

Segundo o aviso dos mestres da vida espiritual devemos, no tempo da desolação, exercitar-nos principalmente em fazer atos de humildade e de resignação. Não há tempo mais próprio para conhecermos a nossa fraqueza e miséria como quando na oração estamos áridos, aborrecidos, distraídos e desgostosos, sem fervor sensível, mesmo sem desejo sensível de progredirmos no amor divino. Então a alma diz: 'Senhor, tende compaixão de mim! Vede como sou incapaz de fazer qualquer ato de virtude'. Ela deve também praticar a resignação e dizer: 'Meu Deus, deixai-me ficar nesta escuridão e aflição; seja sempre feita a vossa vontade! Não desejo consolações; basta-me estar aqui para vos agradar'. E assim ela deve perseverar na oração todo o tempo determinado.

A maior pena, porém, das almas amantes da oração, não é tanto a secura, como a escuridão, na qual a alma se vê privada de toda a boa vontade, e tentada contra a fé e contra a esperança. Eis porque nesse tempo a solidão lhe é um horror e a oração lhe parece um inferno. Então ela deve criar coragem e lembrar-se que esses temores de ter consentido na tentação ou na desconfiança, não são senão temores vãos e tormentos da alma, mas não atos da vontade e por isso são isentos de pecado.

No tempo da desolação e escuridão não quer a alma assegurar-se de que está na graça de Deus e isenta de pecado. Tu então queres saber e estar certo de que Deus te ama; mas Deus nesse tempo não o quer fazer conhecer. Quer que te apliques à humildade, à confiança na sua bondade, e à resignação à sua vontade. Tu então queres ver, e Deus não quer que vejas. A este respeito diz São Francisco de Sales que a resolução que tens (ao menos com uma ponta da vontade) de amar a Deus e de não lhe dar deliberadamente o menor desgosto, te afiança que estás na graça de Deus. Nesse tempo, abandona-te todo nos braços da misericórdia divina, protesta que não queres outra coisa senão Deus e sua santa vontade, e não temas. Ó quanto agradam a Deus os atos de confiança e de resignação feitos no meio dessas trevas pavorosas!

Santa Joana de Chantal sofreu por um espaço de 41 anos penas interiores, acompanhadas de tentações horrorosas e do temor de estar em pecado e abandonada por Deus. Pelo que dela dizia São Francisco de Sales, que a sua bendita alma era como um músico surdo, que canta bem, mas não pode gozar da voz, porque a não ouve.  A alma que é provada pelas securas, por mais densas que sejam no sangue de Jesus Cristo, resigne-se à vontade divina e diga: 'Ó Jesus, minha esperança e único amor da minha alma, eu não mereço as vossas consolações. Guarde-as para aqueles que Vos têm amado sempre; eu só mereci o inferno, abandonado para sempre de Vós e sem esperança de Vos poder ainda amar. Privai-me de todas as coisas, mas não de Vós. Amo-vos, miserável como sou. Jesus, meu Deus, eu vos amo sobre todas as coisas; consagro-me todo a Vós e não quero mais viver para mim mesmo. Dai-me força para vos ser sempre fiel. Ó Virgem Santíssima, esperança dos pecadores, tenho confiança na vossa intercessão; fazei que eu ame sempre o meu Deus, meu Criador e Redentor. 

(Excertos da obra 'Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano', de Santo Afonso Maria de Ligório)