domingo, 15 de janeiro de 2023

EVANGELHO DO DOMINGO

'Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a vossa vontade!
(Sl 39)

Primeira Leitura (Is 49,3.5-6) - Segunda Leitura (1 Cor 1, 1-3)  -  Evangelho (Jo 1, 29-34)

 15/01/2023 - Segundo Domingo do Tempo Comum

08. JESUS CRISTO É O CORDEIRO DE DEUS 


Neste segundo domingo do tempo comum, a mensagem profética que ressoa pelos tempos vem da boca de João Batista: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (Jo 1, 29). E complementa: 'Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim' (Jo 1, 30). Eis o primado de João, o Precursor do Messias: Jesus veio ao mundo para resgatar e levar à salvação toda a humanidade e fazer novas todas as coisas.

Diante de Jesus, que viera pela segunda vez até ele às margens do Jordão, assim como foi Maria que visitou a sua prima Santa Isabel, João Batista reconhece no Senhor a glória e a eternidade de Deus 'porque existia antes de mim' (Jo 1, 30). Nas margens do Jordão, uma vez mais, no mistério da Encarnação, os desígnios de Deus são revelados aos homens por meio de João Batista.

Em seguida, reafirma a manifestação da Santíssima Trindade na pomba que desceu do céu, símbolo exposto em dimensão humana para o mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai: 'Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele' (Jo 1, 32). O maior profeta de Deus, enviado para batizar com água, declara, então, de forma clara e incisiva, Jesus como Filho de Deus Vivo: 'Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!' (Jo 1, 34).

Eis aí a figura singular do Batista, de quem o próprio Cristo revelou: 'Na verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João Batista' (Mt 11, 11). A grandeza do Precursor é enfatizada por Jesus naquele que recebeu privilégios tão extraordinários para ser o profeta da revelação de tão grandes mistérios de Deus à toda a humanidade: Jesus Cristo é o Unigênito do Pai, o Filho de Deus Vivo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

sábado, 14 de janeiro de 2023

NOSSA SENHORA DA CONSOLAÇÃO, ROGAI POR NÓS!


'Suplico aos que lerem este livro, que não se deixem abater por esses tristes acontecimentos, mas que considerem que esses castigos tiveram em mira não a ruína, mas a correção de nossa nação. 

É sinal de grande misericórdia de Deus para conosco o fato de não suportar por muito tempo os maus e, assim, castigá-los imediatamente. 

Quanto às outras nações, o Senhor espera pacientemente, antes de puni-las, até que tenham enchido a medida de suas iniquidades. 

A nós, porém, ele prefere não nos tratar assim, com receio de ter que nos punir mais tarde, quando tivermos pecado demasiadamente.

Portanto, Ele nunca retira de nós a sua misericórdia e, quando castiga o seu povo com adversidades, nunca o desampara'.
(II Mac 6, 12 -16)

Nossa Senhora da Consolação, rogai por nós!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

O MANDAMENTO DA CARIDADE

A caridade produz a perfeita paz. Pois acontece nas coisas temporais, que são desejadas com frequência que, uma vez obtidas, ainda a alma do que as deseja não repousa mas, pelo contrário, outra já lhe apetece: 'O coração do ímpio é como um mar revolto que não pode repousar' e ainda: 'Não há paz para o ímpio, diz o Senhor' (Is 57, 20). Mas isso não acontece na caridade para com Deus. Quem, de fato, ama a Deus, tem a paz perfeita: 'Muita paz tem os que amam a Tua lei, e não há nada que os perturbe' (Sl 118, 165).

E isto porque somente Deus é capaz de satisfazer o nosso desejo, porquanto Deus é maior do que o nosso coração, como diz o Apóstolo. E por isso diz Santo Agostinho, no primeiro livro das Confissões: 'Fizeste-nos, ó Senhor, para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti'. E ainda: 'É Ele quem cumula de bens a tua vida' (Sl 102, 5).

A caridade também torna o homem de grande dignidade. Com efeito, todas as criaturas servem à própria majestade divina, e por ela foram feitas, assim como as coisas artificiais servem ao artífice. Mas a caridade faz do servo um homem livre e um amigo. De onde diz o Senhor: 'Já não vos chamarei de servos, mas de amigos' (Jo 15, 15). Mas porventura Paulo não é servo? E os outros apóstolos não escreviam de si serem servos? 

Quanto a isto deve-se saber que há duas servidões. A primeira é a do temor, e esta é penosa e não meritória. Se, de fato, alguém se abstém do pecado somente pelo temor da pena, não merece nada por isto. Ainda é servo. A segunda servidão é a do amor. Se, na verdade, alguém opera não pelo temor da justiça, mas pelo amor divino, não opera como servo, mas como livre, porque voluntariamente, e é por isto que Cristo diz: 'Já não vos chamarei mais de servos'.

E por que? A isto responde o Apóstolo: 'Não recebestes o espírito de servidão para recairdes no temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos' (Rm 8, 15). 'Não há, de fato, temor no amor' (I Jo 4, 18). O temor traz certamente tormento, mas a caridade é deleite.

... Do que já foi dito, fica patente a utilidade da caridade. Pois que, portanto, seja tão útil, deve-se trabalhar diligentemente para adquiri-la e retê-la. Deve-se saber, porém, que ninguém pode por si mesmo possuir a caridade. Antes, ao contrário, é dom inteiramente de Deus. De onde que diz João: 'Não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele quem nos amou primeiro' (I Jo 4,19), porque certamente não por causa de nós o amarmos primeiro que Ele nos ama, mas o próprio fato de o amarmos é causado em nós pelo seu amor.

Deve-se considerar também, que ainda que todos os dons sejam do pai das luzes, todavia este dom, a saber, o da caridade, supera todos os demais dons. De fato, todos os outros podem ser possuídos sem a caridade e o Espírito Santo; com a caridade, porém, possui-se necessariamente o Espírito Santo: 'A caridade de Deus foi derramada nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado' (Rm 5,5).

(Excertos da obra 'O Mandamento da Caridade, de São Tomás de Aquino)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

PALAVRAS ETERNAS (XV)


Não custa nada, mas economiza muito.
Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.
Acontece num piscar de olhos e a sua lembrança pode às vezes durar para sempre.
Ninguém é tão rico que possa passar sem ele; ninguém é tão pobre que não possa ganhar muito com ele.
Traz felicidade no lar, fomenta a boa vontade nos negócios e é a marca registrada das verdadeiras amizades.
É descanso para o prostrado, luz do dia para o desanimado, luz do sol para o doente e o melhor antídoto da natureza para quaisquer problemas.
Não pode ser comprado, emprestado ou roubado, pois não é bom para ninguém até que seja dado.
Se você encontrar alguém muito sobrecarregado de tristeza ou preocupação para sorrir, apenas dê a ele um dos seus.
Pois ninguém precisa tanto de um sorriso quanto aquele que não tem mais nenhum para oferecer.

(autor desconhecido)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

A ALEGRIA PERFEITA


Numa tarde de inverno, Frei Francisco voltava de Perugia para Santa Maria degli Angioli, na companhia de Frei León. O tempo estava ruim: a neve cobria as encostas da montanha. Caía na planície uma chuva pesada e gélida, com rajadas de vento em furiosa violência. As trilhas estavam desertas e lamacentas.

Os dois frades, com os capuzes na cabeça e as túnicas molhadas coladas ao corpo, caminhavam silenciosamente um atrás do outro, atentos onde colocar os pés descalços para não escorregar. De repente, como se desse voz a uma meditação interior, o santo começou a dizer ao companheiro que estava alguns passos à sua frente:

- Frei León, mesmo que os frades menores tenham dado ao mundo um grande exemplo de santidade, ainda assim isso não é a alegria perfeita.

Frei León não respondeu nada. Ele continuava o seu caminho, olhando para cima de vez em quando. Santa Maria degli Angioli ainda estava longe! Passado algum tempo, o santo, quebrando novamente o silêncio, exclamou: 
- Frei León, ainda que os frades menores pudessem dar vista aos cegos, curar os aleijados, fazer ouvir aos surdos, dar fala aos mudos, expulsar os demônios e até ressuscitar os mortos, essa ainda não é a alegria perfeita.

Percorrida depois mais uma longa distância, Francisco tornou a dizer:

- Frei León, se um frade menor soubesse falar todas as línguas, se conhecesse todas as ciências, se conhecesse todas as escrituras, se pudesse prever o futuro e ler o segredo de consciências, ainda assim também nisso não há alegria perfeita.

Frei León parecia não prestar atenção às palavras do santo. No entanto, ponderava o que ouvia em seu coração, tentando entender o significado daquelas palavras. Enquanto isso, a chuva continuava a cair, encharcando os dois frades até os ossos e o vento frio castigava implacavelmente as pernas desnudas dos dois frades.

Ainda assim, passadas algumas centenas de metros, Francisco continuou a sua ladainha:

- Frei León, ovelha de Deus, ainda que os frades menores pudessem falar com os anjos, se conhecessem os mistérios das estrelas, se lhes fossem revelados todos os tesouros da terra e os poderes dos pássaros, dos peixes, dos animais, homens, árvores, pedras e águas, eu vos digo e repito que esta também ainda não é a alegria perfeita.

Cerca de dois quilômetros depois, tomado de maior entusiasmo e com voz mais alta, quase gritando, acentuou:

- Frei León, também se o frade menor pudesse pregar tão bem e até converter todos os fiéis em nome de Jesus Cristo, também nisso não haveria a alegria perfeita.

Frei León finalmente saiu do seu silêncio e perguntou humildemente:

- E então, padre, eu te imploro em nome de Deus que me diga então onde está a alegria perfeita.

E São Francisco lhe respondeu assim:

- Uma vez chegados a Santa Maria degli Angioli, encharcados de chuva, tremendo de frio, lamacentos até os olhos e atormentados pela fome... se batermos na porta e o porteiro, olhando com raiva pelo buraco nos ver e começar a gritar: 'Fora, criminosos e mentirosos, vocês são ladrões que procuram roubar a esmola dos pobres'; e se suportarmos pacientemente todos esses insultos, Frei León, saiba que nisso está a alegria perfeita.

E se nós, oprimidos pela fome e pela noite, tremendo de frio, batermos à porta e batermos cada vez mais alto e, chorando, suplicarmos ao porteiro que nos deixe entrar pelo amor de Deus e ele, saindo com uma clava nas mãos, nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão, arrastando-nos na neve, e nos bater sem dó e nem piedade e continuar a nos insultar e a nos maldizer e bem... se suportarmos todas estas coisas com paciência e alegria, pensando nos sofrimentos de Jesus Crucificado, meu bom Frei León, saiba que nisto, e somente nisto, está a alegria perfeita.

E agora, Frei León, concluindo toda essa nossa conversação... Não podemos negar a nós mesmos as graças e as belas qualidades que possuímos. São estes dons de Deus que, uma vez que nos tenha dado, pode também tirá-los de nós. Só uma coisa podemos realmente nos orgulhar por ser totalmente nossa: 'aceitar com amor os sofrimentos, as injúrias e as dificuldades da vida'. Assim damos verdadeira glória a Deus e os nossos corações se alegrarão na expectativa da recompensa eterna.

(Excerto da obra 'Florecillas de São Francisco de Assis' - Florecilla VIII, com adaptações)

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

A VIDA OCULTA EM DEUS: A LUTA CONTRA O MAL

No mundo espiritual, a alma interior constitui uma força. Ela ama a Deus. E nada é tão forte quanto o amor divino. A alma interior a impõe a quem a conhece como tal e também a quem não a conhece. É uma fonte de energia e nela os mais frágeis são saciados. Os fortes encontram nela meios de se fortalecer ainda mais.

Entretanto, os maus a temem instintivamente. Os demônios fazem guerra contra ela e, muitas vezes, uma guerra cruel. Mas ela sempre triunfa. Além de conseguir rejeitá-los, ela também os derrotam pela mera ação do seu coração unido a Deus. Pode até mesmo expulsá-los daqueles que estão dominados pelo mal. A alma tem em suas mãos, à sua disposição, todos os meios disponíveis aos santos, ao longo dos séculos, para derrotar o mundo, para derrotar o demônio e para derrotar a si mesmos. E embora possa nunca ter ouvido falar sobre tais meios, ela os possui e os utiliza. O Espírito Santo, que a move em todas as coisas, faz com que ela tenha conhecimento deles. E, então, ela fica muito feliz mais tarde ao descobrir que um santo ou mesmo uma alma piedosa utilizou deste mesmo procedimento antes dela para obter a mesma vitória. 

Existe uma harmonia maravilhosa entre as obras de Deus, mesmo que estejam separadas por séculos inteiros. Em todos os tempos, mesmo nos mais sombrios, Deus teve sempre os seus fiéis amigos, os seus intrépidos defensores, os seus valorosos cruzados, para lutar com coragem o bom combate, cada um ao seu modo, dando fortaleza e confiança às almas de boa fé. 

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte IV - Fecundidade Apostólica; tradução do autor do blog)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

O BATISMO DE JESUS CRISTO

Quando se impôs ao Filho de Deus o nome de Jesus?
Conforme o que o Anjo do Senhor havia ordenado a Maria e a José, foi-lhe imposto, no oitavo dia do seu nascimento, na cerimônia da circuncisão (XXXVII, 2)*.

O que significa o nome de Jesus imposto por ordem do Céu ao Filho de Deus feito homem?
Designa a sua qualidade característica na ordem da graça, a de Salvador do gênero humano.

Por que ao nome de Jesus se ajunta o de Cristo?
Por que a palavra Cristo, que significa Ungido, dá a entender a unção divina que o converte em Santo, Sacerdote e Rei dos domínios sobrenaturais (XXII, 1 ad 3).

Logo, qual é o seu significado integral e a quem designamos em concreto ao pronunciar o nome de Jesus Cristo?
Designamos ao Filho de Deus, coeterno e consubstanciai com o Pai e o Espírito Santo, Criador, conservador e governador supremo do universo; queremos dizer que este Verbo divino se revestiu da natureza humana e, sem deixar de ser Deus, se fez homem; que, com o dote de tão inefável união, obteve, enquanto homem, graças e privilégios de valor quase infinito, entre os quais sobressai a qualidade de Salvador dos homens, em virtude da qual é, por direito próprio, Mediador único junto de Deus, Pontífice Soberano, Rei Supremo, Profeta sem igual, chefe e cabeça dos eleitos, quer sejam homens ou anjos, pois uns e outros completam o seu corpo místico.

Por que, sendo Jesus Cristo o que acabamos de dizer, quis ser batizado com o batismo de São João ao começar a sua vida pública?
Porque assim convinha que inaugurasse a sua missão na terra. Era esta a de remir-nos; a Redenção consiste em perdoar os pecados, e esta remissão se efetuaria, por sua vez, mediante o batismo que ia promulgar e inaugurar. O batismo de Jesus Cristo é batismo de água, administrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Todos os homens, sem exceção, devem recebê-lo, visto que todos são pecadores: por isso, querendo o divino Redentor dar a entender a sua imprescindível necessidade, solicitou Ele, que só a aparência tinha de pecador, o batismo de São João, simples figura do seu; e recebeu-o para santificar a água com o seu contato e dispô-la para ser a matéria do Sacramento. No seu batismo se revelaram e manifestaram as três Pessoas da Santíssima Trindade. Ele, na natureza humana; o Espírito Santo, na forma de pomba; e o Pai, na voz que se ouviu, como vinda do céu, dando-nos com isso a entender qual seria a forma do Sacramento. Por último, se declarou ali o seu efeito quando se abriu o céu sobre a cabeça do Salvador, pois também ao receberem a água batismal, o céu se abre para os homens, em virtude do batismo de Sangue com que Cristo havia de lavar em sua própria pessoa os pecados do mundo (XXXIX, 1-8).

* referências aos artigos da obra original

(Excertos da obra 'A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo - Parte III, de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)