Quem chamar hereges de evangélicos deve morder a língua para que o diabo não se alegre com o fato de os inimigos do Evangelho e da Cruz de Cristo usarem um nome contrário às suas obras; pois os hereges devem ser chamados pelo nome, de modo que é horrível até mesmo nomear aqueles que o são e que encobrem o veneno mortal que destilam com o véu de um remédio que os curaria...'
(Santo Inácio de Loyola)
A primeira característica da heresia anti-litúrgica é o ódio pela Tradição nas fórmulas do culto divino. Não se pode negar esta característica especial em todos os hereges, desde Vigilâncio até Calvino, e a razão é fácil de se explicar. Todo sectário, querendo introduzir uma nova doutrina, encontra-se inevitavelmente na presença da Liturgia, que é a tradição em seu mais alto poder, e não consegue encontrar repouso até ter feito calar esta voz, até estarem rasgadas as páginas que contêm a fé dos séculos passados. Com efeito, como se estabeleceram e se mantiveram em meio às massas o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo? Tudo se consumou através da substituição dos livros e fórmulas antigos por livros e fórmulas novos.
(P. Guéranger)
Ninguém pode, mesmo que o queira, submeter-se a Cristo e estar em comunhão com a Igreja Celeste, se não se submete ao pontífice, e não está em comunhão com a Igreja Militante. Com efeito, diz Cristo: 'O que vos ouve, a mim ouve' (Lc 10,16). Ademais, assim como Cristo é a suma cabeça, quanto ao influxo interior (pois ele mesmo influi em seus membros sentido e movimento, isto é, a fé e a caridade), assim o papa é a suma cabeça na Igreja Militante, quanto ao influxo exterior da doutrina da fé e dos sacramentos. Também a Igreja Triunfante está unida à Igreja Militante e, na verdade, elas são uma só; portanto, ninguém pode querer separar-se de uma sem que se separe da outra.
(São Roberto Belarmino)