segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

POEMAS PARA REZAR (XXX)


'EU ESTOU COM JESUS AGORA?'

Se Jesus estivesse ao seu lado agora
em sua casa, 
no seu trabalho,
na rua,
em todos os lugares onde você está:

sua casa seria a mesma?
seu cotidiano de trabalho não mudaria?
não seriam outros seus caminhos e ruas?
em quantos destes lugares você iria voltar?

ainda leria os livros e revistas que estão sobre a sua mesa?
assistiria esse programa na TV?
passaria tanto tempo no facebook ou na internet?
seriam longas assim as suas horas de lazer?

quem sabe Ele pudesse rezar em sua companhia,
talvez lhe sussurrar uma confissão tardia,
ou lhe pedir para ver o amor de Deus nos seus filhos,
ou até mesmo querer apenas o seu silêncio.

Se Jesus estivesse ao seu lado agora
em sua casa, 
no seu trabalho,
na rua,
em todos os lugares onde você está:

ele encontraria você bem vestido,
imbuído de humildade e mansidão,
ele poderia chamar você de 'Meu filho!'
e lhe dar um abraço de Pai?

Ou Ele poderia lhe erguer do chão
movido pela misericórdia e pelo perdão
diante do seu coração arrependido
em busca da herança do filho pródigo?

Jesus está ao teu lado agora 
e este agora é toda a sua vida:
Se Jesus está sempre ao seu lado
com um tempo que vale a eternidade,
então viver uma vida de cristão
seria se perguntar a cada hora:
'eu estou com Jesus agora?'
                                                            (Arcos de Pilares)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

'AVANÇA PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS!'

Páginas do Evangelho - Quinto Domingo do Tempo Comum


'Avança para águas mais profundas' (Lc 5,4). A orientação imperativa de Jesus aos pescadores, às margens do Lago de Genesaré, é um clamor que reverbera a todos os homens de todos os tempos. Que os filhos de Deus manifestem, além dos horizontes estreitos de sua religiosidade comum, a vocação de autênticos apóstolos, movidos na plenitude do amor e da generosidade de corações verdadeiramente cristãos. Não nos basta sermos artífices da graça de Deus em nós; neste quinto domingo do Tempo Comum, Jesus nos convoca a sermos missionários das graças de Deus para a salvação de muitos.

Após uma noite de duro trabalho totalmente infrutífero, os pescadores exaustos sabiam e tinham razões mais do que suficientes para julgar que o pedido de Jesus seria inútil. Com toda a experiência acumulada de anos de pesca naquelas águas, da pescaria mais adequada sob a luz noturna, voltar às águas à luz da manhã parecia um despropósito completo. Pedro, no entanto, abre mão do seu conhecimento especializado e do seu juízo dos fatos, em obediência e em generosa confiança às palavras do Mestre: 'Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes' (Lc 5, 5). Naquele pescador de lida bruta, Jesus divisou a alma do verdadeiro apóstolo! E o milagre dos peixes antecipou o milagre da salvação dos homens. 

Quanto trabalho e esforço em vão dispensaram tantos pescadores naquela noite sem resultados... E, certamente, eles eram os mais preparados e os mais qualificados para a tarefa. Não são assim as práticas daqueles que se vêem em suas obras? Que partilham com os outros sua diligência e disponibilidade como senhores dos seus dons? E, por mais que julguemos tais obras meritórias do ponto de vista das concepções humanas, são apenas trabalho e esforço vão de pescadores qualificados e disponíveis. Porque foi o próprio Cristo quem nos alertou: 'Sem mim, nada podeis fazer' (Jo, 15,5). E nada é nada mesmo. Sem a reparação infinita por Jesus Cristo, qualquer atitude nossa, por maior que seja sua relevância e excepcionalidade, torna-se meramente figurativa e essencialmente insignificante, porque moldada na superficialidade dos valores humanos. 

Eis porque se impõe o avanço confiante às águas mais profundas, para ir ao encontro de tantos que estão perdidos no submundo das drogas, do aborto e do hedonismo, nas trevas do pecado, submersos no emaranhado de tantas consciências afastadas de Deus, na miséria do ateísmo e da indiferença religiosa. Em águas profundas, com Cristo, por Cristo e em Cristo, um nosso ato de generosidade confiante é capaz de produzir prodígios, um nosso ato de amor tem o poder de operar milagres! E, feitos apóstolos dos nossos dias, como Pedro e os homens à beira do Lago de Genesaré, poderemos ser também pescadores de homens! E, como eles, seremos aqueles outros que 'levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus' (Lc 5,11).

sábado, 9 de fevereiro de 2019

CANÇÕES DE FÁTIMA


Coro do Santuário de Fátima


(vídeo de autoria de Porfírio Lima e disponível no youtube)

01. Ave Maria
02. Hino dos Pastorinhos
03. Senhora, um dia descestes
04. Ave O Theotokos
05. Mater Ecclesiae
06. Magnificat
07. Ó Senhora da Azinheira
08. Ó Santíssima
09. Senhora, nós Vos louvamos
10. Bendizemos o Teu nome
11. Salve, nobre padroeira
12. Sobre os braços da azinheira
13. Senhora nossa, Senhora minha
14. Adeus de Fátima

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

08 DE FEVEREIRO - SANTA JOSEFINA BAKHITA


A primeira santa africana nasceu numa aldeia próxima a Dardur, no Sudão, por volta de 1869 – ela mesma não sabia a data precisa. Raptada por traficantes de escravos aos nove anos de idade, foi trancada inicialmente em um quarto escuro e miserável, depois espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão, padecendo todo tipo de humilhação e selvageria nas mãos dos seus senhores. Este martírio atroz desde tenra idade roubou-lhe o próprio nome; o nome Bakhita - 'afortunada' em árabe -  foi-lhe dado pelos próprios traficantes.

Mas o pior dos tormentos ainda estava por vir. Comprada por um general turco, foi submetida a sofrimentos inimagináveis a serviço da mãe e da esposa deste homem, que incluíram dezenas de tatuagens no seu corpo abertas por navalha e que lhe legaram 144 cicatrizes e um leve defeito ao caminhar. A descrição destes tormentos foi assim exposta nas palavras da santa:

'Uma mulher habilidosa nesta arte cruel [tatuagem] veio à casa principal... nossa patroa colocou-se atrás de nós, com o chicote nas mãos. A mulher trazia uma vasilha com farinha branca, uma vasilha com sal e uma navalha. Quando terminou de desenhar com a farinha, a mulher pegou da navalha e começou a fazer cortes seguindo o padrão desenhado. O sal foi aplicado em cada ferida... Meu rosto foi poupado, mas 6 desenhos foram feitos em meus seios, e mais 60 em minha barriga e braços. Pensei que fosse morrer, principalmente quando o sal era aplicado nas feridas... foi por milagre de Deus que não morri. Ele havia me destinado para coisas melhores'.

Em 1882, com o retorno do general à Turquia, Bakhita foi comprada pelo cônsul italiano Calixto Legnani que a tratou como serviçal e não como escrava, sem humilhações e castigos. Diante de uma revolução nacionalista no Sudão, o cônsul retornou à itália levando Bakhita consigo, que foi cedida então a amigos do cônsul, o casal Michieli, em cuja casa começou a morar na região do Veneto, tendo por encargo especial os cuidados da filha do casal, a pequena Mimina. Foi nesta família católica que Bakhita conheceu a revelação de Jesus Cristo, sua flagelação e sua morte de cruz. O caminho de Bakhita estava traçado: da conversão à santidade pela via da caridade e do perdão. 

Em 9 de janeiro de 1890, foi batizada e crismada com o nome de Josefina e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. Pouco depois, solicitou seu ingresso no Instituto das Filhas da Caridade, fundado por Santa Madalena de Canossa. Em 8 de dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos finais de religiosa da congregação. A partir de então, por mais de 50 anos, sua vida foi um ato constante de amor a Deus e à caridade para com todos. Além de operosa nos serviços simples como na sacristia e na portaria do convento, realizou várias viagens através da Itália para difundir a sua missão: a libertação dada a ela pelo encontro com Cristo deveria ser compartilhada com o maior número possível de pessoas; a redenção que experimentara não podia ser guardada como posse, mas levada como sinal de esperança para todos.


Em 8 de fevereiro de 1947, após muito sofrimento de doenças como bronquites e pneumonias, a Irmã Josefina faleceu no convento canossiano de Schio, com a idade de 78 anos. Na hora da sua morte, seu semblante pareceu iluminar-se e exclamou com alegria suas últimas palavras 'Como estou contente! Nossa Senhora, Nossa Senhora!' A Irmã Moretta - a Irmã Morena - como era carinhosamente conhecida entregava serenamente a sua alma ao Senhor, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Seu corpo foi enterrado originalmente na capela de uma família de Schio, para um sepultamento definitivo posterior no Templo da Sagrada Família. Quando isso foi finalmente preparado, verificou-se que o corpo de Bakhita estava incorrupto, sendo o mesmo sepultado então sob o altar da igreja do mesmo convento. Em 17 de maio de 1992 foi beatificada e, em 1º de outubro de 2000, foi elevada à honra dos altares e declarada santa pelo Papa João Paulo II.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

PECADOS QUE ATRAEM A IRA DE DEUS

As impurezas e outras injustiças atraem a ira de Deus sobre os homens:

'Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes. Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros' (Cl 3,5-10).

'Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções…' (Rm 13,12-13).

'Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre' (Ap 21,8). 

'Deus julgará os impuros e os adúlteros' (Hb 13,4).

'Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Fora os cães (pecadores desavergonhados como cães), os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira (Ap 22, 12-15).

'Em qualquer ordem de coisas, a corrupção do princípio é terrível, porque dela dependem as consequências. Assim, como nos vícios contra a natureza, o homem trabalha contra o que a própria natureza estabeleceu sobre o uso do prazer venéreo, segue-se que um pecado nessa questão é muito grave. Em seguida, vem o incesto, o qual atenta contra o respeito natural que devemos às pessoas próximas a nós. A ordem natural procede de Deus. É por isso que nos pecados contra a natureza, em que a ordem natural é violada, uma injustiça é cometida contra Deus, o controlador da natureza' (São Tomás de Aquino).

'Os delitos contra a natureza são reprováveis e puníveis, sempre e em todos os lugares, assim como o foram os sodomitas. Mesmo que todos os homens tenham cometido esse mal, continuaria a pesar a mesma pena imposta pela lei divina, que não fez os homens para que agissem assim, pois viola-se a familiaridade com Deus, que se mancha, com a perversidade do prazer, a natureza da qual Ele é autor' (Santo Agostinho).

'Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação' (Lv 18,22).

'A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade,  de modo que não se podem escusar. Porque, conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e se lhes obscureceu o coração insensato. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos… Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno' (São Paulo).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

COMPÊNDIO DE SÃO JOSÉ (IV)


16. Quem particularmente indicou o Carpinteiro de Nazaré como modelo para os trabalhadores? 

Esta indicação nós a devemos particularmente ao Papa Pio XII, quando instituiu esta festa litúrgica no dia 1º de maio de 1955. O mesmo papa assim se expressou: 'Não houve nenhum homem assim tão próximo ao Redentor pelos vínculos familiares, pela comunhão diária, pela harmonia espiritual e pela vida divina de graça como São José, da estirpe de Davi, mas também um humilde trabalhador'. O Papa João Paulo II evidenciou a missão de José, ou seja, a sua função de Minister Salutis ao afirmar: 'Graças ao banco do trabalho junto ao qual exercia a sua profissão em companhia de Jesus, José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção'. 

17. A condição operária de José foi importante para Jesus na sua qualificação humana? 

A condição operária de José foi aquela que 'personifica o tipo humano, que o próprio Cristo escolheu para qualificar a sua própria posição social de Filius Fabri. Portanto, com José, Jesus assumiu uma qualificação humana e social. Tornando-se civilmente Filho de José (Lc 3,23), Jesus herdou o título real de 'filho de Davi', mas contemporaneamente assumiu também aquela condição profissional que o qualifica como o 'Filho do Carpinteiro' (Mt 13,55). 

18. Como podemos imaginar a vida de José durante a sua adolescência e juventude? 

Uma vida normal conforme viviam os jovens e adolescentes daquela época, ou seja, vivia o dia-a-dia na dedicação ao trabalho, na frequência à sinagoga, na observância das leis e costumes de seu povo e, como qualquer jovem do seu tempo, tinha os seus sonhos, e as suas aspirações de casar-se e de constituir uma família. 

19. Como José e Maria descobriram a vocação matrimonial? 

Afirmamos que tanto José como Maria foram vocacionados por Deus para a preciosa missão de realizar o mistério da Encarnação de Jesus. Jesus, o Filho de Deus, devia, no desígnio de Deus, nascer de uma mulher casada e virgem, ou seja, dentro de uma família. Daqui vemos a necessidade do matrimônio entre José e Maria, justamente para a vinda do Filho de Deus dentro de um contexto matrimonial. Deus, na sua onisciência, concedeu todas as oportunidades para que entre ambos surgisse o amor que leva à concretização da comunhão de vida entre um homem e uma mulher através do matrimônio. Portanto a presença de um na vida do outro na descoberta desta vocação não foi um simples jogo de circunstâncias, mas o resultado de uma preciosa intervenção de Deus e, assim, eles se casaram.

20. Por que frequentemente na arte São José é representado como um velho?

Durante muitos séculos, São José foi visto mais como um servo de Maria do que como seu esposo e a razão desta visão distorcida foi devido à influência dos livros apócrifos, os quais procuraram erroneamente defender a virgindade de Maria, e portanto a concepção virginal de Jesus, vendo em seu esposo um velho de cabeça branca e careca, com uns noventa anos. Um erro imperdoável, pois acreditou-se mais na incapacidade física de José sendo velho, sem a libido, do que nas suas virtudes e na graça de Deus.

Hoje pode-se afirmar com toda segurança que José casou-se com Maria com a idade própria de todos os jovens hebreus quando se casavam, ou seja, entre os dezoito e vinte e quatro anos, conforme os textos rabínicos atestam. Além do mais, Deus quis que seu Filho se inserisse na história humana da maneira mais natural possível, dentro de uma família e com pais que lhe dessem toda assistência, sustento e educação. Ora, se José fosse velho como foi apresentado, como poderia ter a força e a disposição para fugir com Jesus e Maria para o Egito, atravessando o deserto, numa longa caminhada e enfrentando os perigos, a falta de água e o cansaço? Como poderia José ter sustentado Jesus e sua esposa se não tivesse a força juvenil?

('100 Questões sobre a Teologia de São José', do Pe. José Antonio Bertolin, adaptado)