quarta-feira, 21 de outubro de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (161/165)

 

161. HEROÍSMO DE SANTA CRISTINA

Santa Cristina, menina de doze anos apenas, foi tentada e atormentada por Urbano, prefeito da cidade. Os seus tormentos foram: açoites, cavalete, unhas de ferro e brasas ardentes; amarrada a uma grande pedra, foi lançada numa fogueira, da qual um anjo a salvou; foi metida num forno ardente, onde ficou fechada durante cinco dias, mas o fogo não lhe fez mal algum. Finalmente, amarrada a uma estaca, recebeu inúmeras flechadas: foi, então, que a sua alma, como uma branca pomba, voou para o céu. Os mártires, mesmo em tenra idade, assistidos por Deus nos seus tormentos, preferiram a morte ao pecado, o céu à terra, a salvação à vida.

162. O SENHOR RENEGOU A DEUS!

Em 1862, a menina Dan, chinesa, embora açoitada até derramar sangue, não quis saber de renegar a sua fé cristã. Seu pai, que havia apostatado, e se achava ali perto, esforçou-se por persuadi-la a apostatar, também. A menina, verdadeira heroína, disse: 'O senhor renegou a Deus! Eu não o reconheço mais por meu pai! Saia daqui! Deus tenha compaixão do senhor!' Sempre flagelada, morreu no cárcere após indizíveis sofrimentos e dores. Permaneceu, porém, fiel a Deus e conquistou a palma do martírio.

163. PENSAR NA ALMA ANTES QUE NO CORPO

O general Luís Zanchi, o primeiro general que mereceu uma medalha de prata pelo valor militar e que tomou parte em 39 combates durante a primeira grande guerra, morrendo, vítima do dever, deixou este nobilíssimo testamento: 'Ordeno que, no meu enterro, não me ofereçam flores: pensem na minha alma, mais do que no meu corpo; faça-se, pois, um funeral modesto; mas, enquanto meu corpo estiver ainda em casa e durante o trajeto ao cemitério, sejam celebradas missas em meu sufrágio'.

Sirva este exemplo às famílias que tão pouco pensam nas almas de seus caros defuntos, e menos ainda na própria. Infelizmente muitos julgam ter cumprido seu último dever de piedade acompanhando seus falecidos com numerosas e ricas coroas de flores.

164. SOB AS RODAS

O escritor Wetzel conta o seguinte episódio por ele presenciado. Um domingo, em Rorschach, um camponês conduzia um pesado carro por um caminho pelo qual, naquela hora, grande multidão se dirigia à igreja. A certa altura um velho gritou ao condutor:
➖Pára, pára! Colocaste-o sob as rodas!
O condutor parou imediatamente, olhou e não vendo nada, perguntou:
➖Afinal, o que é que eu coloquei sob as rodas?
➖ O terceiro Mandamento de Deus! - respondeu o velho - e, cuidado que não fiques também debaixo das rodas!

Estas palavras foram como que proféticas. Num passeio, que o camponês fez pouco depois, os cavalos espantaram-se e ele caiu sob as rodas. Esmagado horrivelmente, foi levado para casa, vindo a falecer pouco depois. Antes de expirar, lembrando-se das palavras do velho e querendo reparar seu erro, chamou os filhos para junto do leito e exortou-os a não transgredirem jamais o descanso dominical e a santificação das festas.

165. CASOS QUE OBRIGAM A PENSAR

Um dos muitos casos que fazem pensar seriamente é o seguinte: Em Roma, a 7 de setembro de 1872, um engenheiro, inspecionando os trabalhos dos operários que construíam o edifício destinado ao Ministério de Indústria e Comércio, começou a dar ordens a serem executadas no dia seguinte. Observaram-lhe que o dia seguinte era festa de Nossa Senhora e que os trabalhadores iriam guardar aquele dia festivo. Ouvindo isso, o engenheiro gritou: 'Que Nossa Senhora que nada! Amanhã se deve trabalhar, e quem não quiser vir trabalhar desde já está despedido'.

Subiu, depois, a um andaime e repetia com maior furor a alguns operários as mesmas invectivas. Apenas acabara de falar, eis que, pisando em falso, precipita-se do andaime abaixo, sofrendo graves ferimentos, em consequência dos quais ali mesmo expirou.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)