quinta-feira, 30 de junho de 2022

QUANDO O INFERNO É AQUI...


Santa Catarina, Brasil. Uma criança de 11 anos, vítima de estupro e grávida de sete meses, estava sendo mantida pela justiça de Santa Catarina em um abrigo longe da família para evitar que fizesse o aborto. Diante dessa situação, o Ministério Público Federal (MPF) fez uma intervenção brutal e recomendou (?) a remoção imediata do feto - independentemente do período gestacional. O caso virou manchete nacional da grande mídia, quase que integralmente no contexto de execração da juíza que mantinha suspensa a ação abortiva, de pressão sobre o hospital que havia negado inicialmente fazer o procedimento, dos defensores da manutenção da gravidez da criança e da tragédia representada pelo ato do famigerado estuprador diante da criança vulnerável. O procedimento foi então aplicado em regime de urgência e o aborto se consumou.

Fato consumado - e somente então - ficou-se sabendo que o 'famigerado estuprador' era uma outra criança, um adolescente de 13 anos, filho do padrasto da menina e residente na mesma casa, o que originou um relacionamento íntimo recorrente entre as duas crianças. O procedimento de recolhimento da menina em um abrigo pela justiça tinha, portanto, o propósito claro de se evitar a continuidade do abuso em casa. A mídia assumiu o abrigo como 'cárcere'. Nessa toada de insanidades e manipulações dos fatos, a solução adotada foi a mais previsível de todas: matou-se a terceira criança, a vítima mais inocente e vulnerável das três. Quando o mal se impõe sob o rugido diabólico de suas entranhas e o bem se curva sob o indiferentismo, o inferno é aqui...

quarta-feira, 29 de junho de 2022

29 DE JUNHO - FESTA DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

 

'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo' (Mt 16,16)

'Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé' (II Tm 4,7)

Excertos da Homilia do Papa João Paulo II, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, em 29/06/2000

1.'E vós, quem dizeis que Eu sou?' (Mt 16, 15). Jesus dirige aos discípulos esta pergunta acerca da sua identidade, enquanto se encontra com eles na Alta Galileia. Muitas vezes acontecera que foram eles a interrogar Jesus; agora é Ele quem os interpela. A sua pergunta é específica e espera uma resposta. Simão Pedro toma a palavra em nome de todos: 'Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo' (Mt 16, 16). A resposta é extraordinariamente lúcida. Nela se reflete de modo perfeito a fé da Igreja. Nela nos refletimos também nós. De modo particular, reflete-se nas palavras de Pedro, o Bispo de Roma, por vontade divina o seu indigno sucessor.

2. 'Tu és o Cristo!'. À confissão de Pedro, Jesus replica: 'És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue quem to revelou, mas o Meu Pai que está nos céus' (Mt 16, 17).

És feliz, Pedro! Feliz, porque esta verdade, que é central na fé da Igreja, não podia emergir na tua consciência de homem, senão por obra de Deus. 'Ninguém', disse Jesus, 'conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar' (Mt 11, 27). Reflitamos sobre esta página evangélica particularmente densa: o Verbo encarnado revelara o Pai aos seus discípulos; agora é o momento em que o próprio Pai lhes revela o seu Filho unigênito. Pedro acolhe a iluminação interior e proclama com coragem: 'Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!'

Estas palavras nos lábios de Pedro provêm do profundo do mistério de Deus. Revelam a verdade íntima, a própria vida de Deus. E Pedro, sob a ação do Espírito divino, torna-se testemunha e confessor desta soberana verdadeA sua profissão de fé constitui assim a sólida base da fé da Igreja: 'Sobre ti edificarei a minha Igreja' (Mt 16, 18). Sobre a fé e a fidelidade de Pedro está edificada a Igreja de Cristo.

3. 'O Senhor assistiu-me e deu-me forças a fim de que a palavra fosse anunciada por mim e os gentios a ouvissem' (2 Tm 4, 17). São palavras de Paulo ao fiel discípulo Timóteo: escutamo-las na Segunda Leitura. Elas dão testemunho da obra nele realizada pelo Senhor, que o tinha escolhido como ministro do Evangelho, 'alcançando-o' na via de Damasco (Fl 3, 12). Envolvido numa luz fulgurante, o Senhor se lhe havia apresentado, dizendo:  'Saulo, Saulo, por que Me persegues?' (At 9,4), enquanto uma força misteriosa o lançava por terra.

'Quem és Tu, Senhor?', perguntara Saulo. 'Eu sou Jesus, a quem tu persegues!'. Foi esta a resposta de Cristo. Saulo perseguia os seguidores de Jesus e Jesus fez-lhe tomar consciência de que era Ele mesmo a ser perseguido neles. Ele, Jesus de Nazaré, o Crucificado, que os cristãos afirmavam ter ressuscitado. De Damasco, Paulo iniciará o seu itinerário apostólico, que o levará a defender o Evangelho em tantas partes do mundo então conhecido. O seu impulso missionário contribuirá assim para a realização do mandato de Cristo aos Apóstolos: 'Ide, pois, ensinai todas as nações...' (Mt 28, 19).

4. Caríssimos Irmãos no Episcopado vindos para receber o Pálio, a vossa presença põe em eloquente ressalto a dimensão universal da Igreja, que derivou do mandato do Senhor: 'Ide... ensinai a todas as nações' (Mt 28, 19). Todas as vezes que vestirdes estes pálios, recordai, irmãos caríssimos que, como pastores, somos chamados a salvaguardar a pureza do Evangelho e a unidade da Igreja de Cristo, fundada sobre a 'rocha' da fé de Pedro. A isto nos chama o Senhor; esta é a nossa irrenunciável missão de guias previdentes do rebanho que o Senhor nos confiou.

5. A plena unidade da Igreja! Sinto ressoar em mim a recomendação de Cristo. Deus nos conceda chegarmos quanto antes à plena unidade de todos os crentes em Cristo. Obtenhamos este dom dos Apóstolos Pedro e Paulo, que a Igreja de Roma recorda neste dia, no qual se faz memória do seu martírio e, por isso, do seu nascimento para a vida em Deus. Por causa do Evangelho, eles aceitaram sofrer e morrer e se tornaram partícipes da ressurreição do Senhor. A sua fé, confirmada pelo martírio, é a mesma fé de Maria, a Mãe dos crentes, dos Apóstolos,  dos Santos  e Santas de  todos  os séculos.

Hoje a Igreja proclama de novo a sua fé. É a nossa fé, a imutável fé da Igreja em Jesus, único Salvador do mundo; em Cristo, o Filho de Deus vivo, morto e ressuscitado por nós e para a humanidade inteira.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

BREVIÁRIO DIGITAL - LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXI)

MÃE DO CRIADOR, rogai por nós.

(Ilustração da obra 'Litanies de la Très-Sainte Vierge', por M. L'Abbé Édouard Barthe, Paris, 1801)

segunda-feira, 27 de junho de 2022

A VIDA OCULTA EM DEUS: A ALMA SE REJUBILA


O amor de Deus tem um calor que faz dilatar o íntimo da alma e a enche de alegria. Sob sua influência, a alma sente-se crescer, aumenta os limites de sua felicidade, à medida que se regozija. E assim, sempre sob a ação do fogo deste amor, ela se expande e se realimenta de alegria. E isso se repete sem cessar. A alma nutrida pelo Vosso amor, ó meu Deus, experimenta a sensação de que nela subsiste e se manifesta cada vez mais uma vida totalmente interior. Em certos momentos, o fluxo de calor é tão intenso que a alma não parece suportar. É quando até o coração físico se dilata - a exemplo do coração de São Filipe Neri - ou como que é transpassado de lado a lado por uma flecha - como aconteceu com o coração de Santa Teresa de Ávila. É o tempo da plenitude da graça.

A alma experimenta uma emoção indescritível quando se sente completamente unida a Deus pela primeira vez, quando Deus a enlaça espiritualmente nas profundezas de si mesma, quando recebe aquele maravilhoso hálito divino; quando, em suma, percebe que é parte de Deus e que Deus a envolve por completo. A percepção que faz dessa felicidade é a de se comparar a uma a uma esponja em alto mar, embebida por um oceano de pura felicidade, conhecida e ansiada por todo o seu ser. É tal a sua felicidade, que chora de alegria. Como é bom sentir-se unida a Deus e ser tão amada por Ele! É tão nova essa experiência, tão diferente de tudo que imaginava, que ela se sente dominada por um santo temor. 

Se fosse possível dizer de forma humana, seria como que uma felicidade que se impregna na alma até os ossos. Sim, às vezes, até o corpo participa dessa experiência à sua maneira, mas o que pressente não é, nem de longe, o essencial, e nem o melhor. A alma tem os seus próprios deleites e são estes que valem verdadeiramente. A cada visita de Deus esse deleite aumenta. É o mesmo, mas ainda mantém o gosto de novo. É a graça de Deus que se infiltra completamente na alma e, com ela, a alma se deleita e se regozija em Deus.

Aumenta ainda mais esse deleite da alma a sua percepção de que outras almas são igualmente participantes da plena felicidade em Deus. A felicidade dessas almas aumenta a sua. O mundo espiritual nos oferece um grandioso espetáculo: o das almas que são verdadeiramente arrebatadas do amor por Jesus. Todos os corações puros que o conhecem são conquistados pelo Senhor porque Ele exerce sobre eles uma atração irresistível. Há flores que perscrutam o sol em seu curso diário de leste a oeste. Jesus é o sol das almas. Elas são iluminadas pela sua luz e aquecidas pelos raios do seu amor. Ele as atrai, as sublima, as eleva até Ele. E elas, como as flores em busca do sol, o perscrutam com um olhar de regozijo e graça, porque o amam muito, sem limites. Quanto mais puros os corações, mais unidos estão com Ele. Tudo o que há de mais nobre, mais generoso e mais puro nesta terra pertencem a Ele, porque são almas capazes de amar Jesus com um amor sem medidas. Isso é realmente grandioso de compreender e divino de contemplar.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte III - A União com Deus; tradução do autor do blog)

BREVIÁRIO DIGITAL - LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XX)

 

MÃE ADMIRÁVEL, rogai por nós.

(Ilustração da obra 'Litanies de la Très-Sainte Vierge', por M. L'Abbé Édouard Barthe, Paris, 1801)