terça-feira, 19 de dezembro de 2017

OS 4 FINS DO SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA

COROA DO ADVENTO


É uma coroa de ramos verdes e flores, normalmente montada sobre um suporte arredondado, em aro de arames ou madeira, sobre a qual são inseridas quatro velas (uma tradição nomeia estas quatro velas como vela da Profecia, vela de Belém, vela dos Pastores e vela dos Anjos), que significam as quatro semanas de preparação para o Natal, ou seja, o Advento.  As velas são acesas à medida que avançam os quatro domingos de Advento. Assim, no início da primeira semana de Advento, acende-se a primeira vela. No segundo Domingo, duas e assim sucessivamente até que, nas vésperas do Natal e no quarto domingo, todas as velas estão acesas  [pode-se colocar uma quinta vela, branca e montada no centro do arranjo, na Noite de Natal: para expressar que a chegada do Natal é ainda mais importante que o próprio Advento; outra alternativa é depositar uma imagem do Menino Jesus dentro da própria coroa de Advento].

É o símbolo cristão por excelência que nos lembra, em meio a tantas manifestações fantasiosas e comerciais, que o Natal  é Luz - a Luz do Cristo que Vem para tornar novas todas as coisas e dissipar as trevas de um mundo de pecado. A coroa simboliza a  dignidade e  a realeza que Cristo, a salvação da humanidade e a plenitude dos tempos. A sua forma circular indica a perfeição, plenitude a que devemos aspirar em nossas vidas de cristãos. O círculo não tem princípio, nem fim, sendo sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim e também símbolo da aliança do nosso amor a Deus e ao nosso próximo que também não pode ter fim. Os ramos verdes significam o poder de Cristo sobre a vida e a natureza, dons de Deus. Deus nos oferece a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Verde é a cor da vida e da esperança, simbolismo da aproximação gradual que o Advento nos convida à preparação da vinda de Cristo Jesus, Luz e Vida para todos. 

A coroa de Advento pode ser acesa durante as celebrações litúrgicas, durante o canto de entrada, logo no início da celebração após breve introdução, antes do ato penitencial, antes das leituras ou mesmo após a homilia. Em família ou num grupo de catequese, a prática da Coroa do Advento deve ser acompanhada por um simples e piedoso momento de oração. Pode começar por uma estrofe de um canto de Advento, seguida de uma leitura de uma passagem bíblica própria do tempo do Advento, antes ou mesmo depois de se acender a vela. A oração pode ser concluída por alguma meditação complementar, pela reza de um Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ou por uma outra estrofe do canto de Advento.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

10 COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE O ADVENTO

1. A palavra Advento significa vinda ou chegada (do latim 'ad-venio' - 'chegar') e constitui um tempo litúrgico que só existe nas Igrejas do Ocidente, desde o século VI, quando era celebrado como um tempo de seis semanas, que foram então reduzidas para quatro semanas por São Gregório Magno (590-604).

2. O Advento é um tempo de celebração de dois adventos do Senhor: tempo de esperança, conversão, penitência e júbilo pela celebração do aniversário da primeira vinda de Jesus Cristo ao mundo como a encarnação de Deus e de preparação e feliz expectativa pela sua vinda final como juiz, na nossa morte e no fim do mundo.

3. O Advento é o tempo litúrgico que começa no domingo mais próximo à festa de Santo André Apóstolo (30 de novembro) e compreende, portanto, quatro domingos.

4. O primeiro domingo do Advento pode ser adiantado até 27 de novembro (período máximo do Advento com vinte e oito dias) ou ser atrasado até o dia 3 de dezembro (período mínimo do Advento com vinte e dois dias).

5. O tempo do Advento pode ser subdividido em três períodos distintos por ordem de relevância: (i) os quatro domingos do Advento (domingos tão especiais que nenhuma solenidade tem precedência sobre eles; assim, por exemplo, se o dia 08 de dezembro for um domingo, a solenidade da Imaculada Conceição é automaticamente transferida para o dia seguinte); (ii) a semana entre 17 a 24 de dezembro, por corresponder ao período mais imediato de preparação do Natal; (iii) os demais dias do tempo do Advento.

6. O primeiro domingo do Advento nos exorta a praticar a vigilância; o segundo, a conversão; no terceiro celebramos a alegria da vinda do Senhor (o chamado 'Domingo Gaudete') e no quarto domingo, a Anunciação e o Fiat de Nossa Senhora.

7. Com o Advento, tem início um novo Ano Litúrgico nas Igrejas do Ocidente, que são divididos em Anos A, B e C, sendo narrados nestes anos os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, respectivamente (2017-2018 é o Ano B, com os Evangelhos de São Marcos).

8. Nas missas do Advento, omite-se o 'Glória', cântico associado diretamente ao nascimento de Jesus e que somente volta a ser entoado na Noite de Natal; canta-se, porém, o 'Aleluia', como referência a um tempo que é também de piedosa e alegre expectativa e não exatamente de penitência quaresmal. 

9. No tempo do Advento, os paramentos são roxos para assinalarem o caráter penitencial deste período, com uma breve mudança no terceiro domingo, no qual é utilizada a cor rosa, símbolo da nossa expectativa alegre e confiante como pausa nos tempos penitenciais do Advento. 

10. Por ser um tempo de penitência e conversão, a confissão é altamente recomendável neste período e as palavras de ordem são sobriedade e moderação. Não são propícios luzes coloridas, enfeites natalinos ou decoração festiva; não são estes os verdadeiros símbolos do Advento cristão.

A LINHAGEM REAL DE JESUS CRISTO

(publicado originalmente no Grupo Estudos Católicos Monárquicos) 

domingo, 17 de dezembro de 2017

TESTEMUNHA DA LUZ

Páginas do Evangelho - Terceiro Domingo do Advento


Neste domingo, Terceiro Domingo do Advento, mais uma vez, a mensagem profética que ressoa pelos tempos vem da boca de João Batista. Em Betânia, além do Jordão, diante da expectativa da chegada do Messias e da interrogação dos sacerdotes e dos levitas sobre a sua identidade, João Batista foi sucinto e categórico em suas respostas: 'Eu não sou o Cristo'. 'Eu não sou Elias'. 'Eu não sou o Profeta' (Jo 1, 20 - 21). E sintetiza tudo: 'Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias' (Jo 1, 26 - 27). Eis o primado de João: Jesus vem, a sua Vinda é iminente: alegrai-vos todos porque o céu vai tocar a terra e fazer novas todas as coisas.

Eis o Advento do Senhor: depois da vigilância e da conversão, vivenciados nos domingos anteriores, segue agora o ressoar das trombetas da legítima alegria cristã neste terceiro domingo. Sim, alegria cristã, alegria plena do amor de Cristo, proclamada nas palavras do Profeta Isaías: 'Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias' (Is 61, 10) e também na Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: 'Estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo'' (1 Ts 5, 16 - 18).

João Batista 'não era a luz, mas veio dar testemunho da luz' (Jo 1, 8). Ele é a voz passageira que anuncia a Palavra Eterna, como nos ensina Santo Agostinho: 'O som da voz te faz entender a palavra; e, quanto te fez entendê-la, o som desaparece, mas a palavra que foi transmitida permanece em teu coração' (Sermão 293, 3). Neste deleite da graça, esparge-se a luz do entendimento da fé e amolda-se suavemente a paz divina ao coração humano que palpita inquieto enquanto não repousar definitivamente em Deus.

O testemunho de João Batista é a nossa herança de fé, na alegria daqueles que acolhem o Messias, a Luz do mundo. Eis aí o verdadeiro caminho da felicidade, trilhado apenas por aqueles que vivem a alegria da espera do Senhor Que Vem, perseverantes na oração e na fé que move montanhas e que inquieta o coração humano até o encontro definitivo com Deus. Benditos sejam os homens e mulheres que se consumem de alegria nesta via de santidade, porque possuirão para sempre as moradas na Casa do Pai. Nascidos para a eternidade, e herdeiros da Visão Beatífica, no Céu todos se tornarão testemunhas da Luz ainda maiores que o João Batista deste mundo.

sábado, 16 de dezembro de 2017

ORAÇÃO DA SALVAÇÃO (PAPA CLEMENTE XI)

Senhor, creio em Vós, fazei que creia com mais firmeza;
espero em Vós, fazei que espere com mais confiança;
amo-Vos, aumentai o meu amor;
arrependo-me, avivai a minha dor.

Adoro-Vos como primeiro princípio;
desejo-Vos como último fim;
exalto-Vos como benfeitor perpétuo;
invoco-Vos como defensor propício.

Dirigi-me com a vossa sabedoria;
atai-me com a vossa justiça;
consolai-me com a vossa clemência;
protegei-me com o vosso poder.

Ofereço-Vos meus pensamentos, para que se dirijam a Vós;
minhas palavras, para que falem de Vós;
minhas obras, para que sejam vossas;
minhas contrariedades, para que as aceite por Vós.

Quero o que quereis,
quero porque o quereis,
quero como o quereis,
quero enquanto o quiserdes.

Senhor, peço-Vos que ilumineis minha mente,
inflamais minha vontade,
limpeis meu coração,
santifiqueis minha alma.

Que me afaste das faltas passadas;
rejeite as tentações futuras;
corrija as más inclinações;
pratique as virtudes necessárias.

Concedei-me, Deus de bondade, amor por Vós;
ódio por mim,
zelo pelo próximo,
desprezo pelo mundano.

Que saiba obedecer aos superiores,
ajudar os inferiores,
acolher os amigos,
perdoar os inimigos.

Que vença a sensualidade com a mortificação,
a avareza com a generosidade,
a ira com a bondade,
a tibieza com a piedade.

Fazei-me prudente nos conselhos,
constante nos perigos,
paciente nas contrariedades,
humilde na prosperidade.

Senhor, fazei-me atento na oração,
sóbrio no comer,
perseverante no trabalho,
firme nos propósitos.

Que procure ter inocência interior,
conversa exemplar,
modéstia exterior,
vida ordenada.

Que lute para dominar a minha natureza,
fomentar a graça,
servir a vossa lei e
obter a salvação.

Que aprenda de Vós como é pouco o terreno,
como é grande o divino,
como é breve o tempo,
como é duradouro o eterno.

Fazei-me preparar para a morte,
temer o juízo,
evitar o inferno,
e alcançar o paraíso.

Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

BREVIÁRIO DA CONFIANÇA (II)


14 DE DEZEMBRO

ABISMO SOBRE ABISMO

Meditemos com Santa Margarida Maria os abismos insondáveis do Coração de Jesus. Eis como ela nos fala, com tanta eloquência, desses abismos: 'O Coração de Jesus é um abismo de amor, onde havemos de abismar todo o amor próprio que em nós existe, com todas as suas produções más, isto é, respeitos humanos e desejos de nos satisfazer. Se estais no abismo da pobreza e desnudado de vós mesmos, ide vos abismar do Coração de Jesus. Ele vos enriquecerá. Se vos achais num abismo de fraqueza e caís a todo instante, ide vos abismar na força do Sagrado Coração, que vos fortificará e vos livrará. Se estais no abismo das misérias, ide vos abismar no Coração adorável todo cheio de misericórdia. Se vos achais num abismo de orgulho e de amor próprio, de vanglória, abismai-vos no abismo de bondade do Sagrado Coração. Se vos achais num abismo de trevas, Ele vos revestirá de Sua luz. Quando mergulhardes num abismo de tristeza, ide vos abismar no abrigo da alegria divina do Sagrado Coração de Jesus e achareis um tesouro que dissipará todas as tristezas e aflições do vosso espírito. Nas inquietações, nas dúvidas, ide vos abismar desse Adorável Coração. Se vos encontrardes num abismo de temor, abismai-vos da confiança do Coração de Jesus e o temor há de ceder lugar ao amor'. Abismo sobre abismo! Ó Jesus, dai-me cada vez mais amor e confiança na onipotência misericordiosa do Vosso Coração!

15 DE DEZEMBRO

ALMAS REPARADORAS

Hoje, mais do que em tempo algum, o mundo, para se salvar, tem necessidade de almas generosas, de almas reparadoras. 'A necessidade de reparar' - escreve o admirável Pe. Plus - 'não se impõe apenas como dedução dos princípios sobre os quais se assenta a nossa fé católica e, especialmente a doutrina do Corpo Místico e o Dogma da Redenção, impõe-se também como consequência forçosa de um ensinamento formal, constante e muitas vezes repetido por Nosso Senhor! Não nos soa aos ouvidos a palavra de Jesus: 'Fazei penitência! Fazei penitência!' Que é a penitência? Reparação. O mundo, chafurdado na lama da sensualidade, saturado de orgulho sacrílego, tem necessidade de almas reparadoras. E são poucas! Quem nos dera ter uma legião de almas como Simone Dennriel, cujo brado é o de todos os corações generosos que hoje se imolam no altar da reparação: 'Tenho necessidade de sofrer' - escreve ela - 'quero sofrer porque Jesus sofreu por mim... porque Deus o pede em expiação dos crimes do mundo. Quero sofrer, porque o sofrimento é a mais poderosa das orações,  porque o sofrimento eleva e purifica ... quero sofrer porque a felicidade se encontra no sofrimento e a minha alma anseia pela verdadeira felicidade. Non mori sed pati*. Sofrer, sofrer durante cem anos, se preciso for, para salvar almas e dar glória a Deus. Tenho necessidade de oração contínua, que é a força da alma e a chave do Céu. A oração me une a Jesus e me ajuda a suportar tudo para a sua glória. A oração é irmã do sofrimento. Ambos se unem para se oferecerem a Deus e para salvarem o mundo. Jesus não os separou em sua vida oculta, nem na Paixão e nem na Cruz'.

* não morrer, mas sofrer