quinta-feira, 6 de setembro de 2012

POEMAS PARA REZAR - III


Robert Southweel (1561 – 1595), sacerdote da Ordem da Companhia de Jesus. Nasceu em Norfolk (1561) e morreu a 15 de fevereiro de 1595 em Londres, com a idade de apenas 33 anos, após ter sido cruelmente torturado, enforcado e esquartejado por ordem da Rainha Elisabeth I. Foi canonizado pelo Papa Paulo VI, em 25 de outubro de 1970. Foi poeta lírico e compôs vários hinos religiosos, que já eram muito populares à época. ‘The Burning Babe’, transcrito abaixo, é o seu poema mais famoso, com livre tradução.

The Burning Babe

As I in hoary winter's night stood shivering in the snow,
Surprised I was with sudden heat which made my heart to glow ;
And lifting up a fearful eye to view what fire was near,
A pretty babe all burning bright did in the air appear;
Who, scorched with excessive heat, such floods of tears did shed
As though his floods should quench his flames which with his tears were fed.
Alas, quoth he, but newly born in fiery heats I fry,

Yet none approach to warm their hearts or feel my fire but I !
My faultless breast the furnace is, the fuel wounding thorns,
Love is the fire, and sighs the smoke, the ashes shame and scorns;
The fuel justice layeth on, and mercy blows the coals,
The metal in this furnace wrought are men's defiled souls,
For which, as now on fire I am to work them to their good,
So will I melt into a bath to wash them in my blood.
With this he vanished out of sight and swiftly shrunk away,
And straight I called unto mind that it was Christmas day. 


O Bebê em Chamas

Quando, em uma noite de inverno glacial, eu tremia na neve,
um súbito calor me ofuscou fazendo meu coração mais leve,
ao erguer os olhos, receoso do fogo tão desconhecido,
vi um lindo bebê suspenso no ar e em chamas envolvido,
abrasado em calor intenso, chorava em prantos sua dor,
como se, com as lágrimas, fosse possível apagar o fogo abrasador.
‘Ai de mim’, disse ele, ‘sou recém-nascido a consumir em fogo ardente,
já que ninguém se importa em suavizá-lo um pouco, fico eu somente,
meu peito é um forno, e são muitos os espinhos que o mantém aceso:
o amor é o fogo, e suspiros a fumaça; as cinzas, vergonha e desprezo;
a justiça incendeia as brasas e a misericórdia sopra as chamas que fumegam,
e o metal na forja são as almas corrompidas dos homens que me negam,
estou a me consumir em fogo para torná-los bem aventurados,
e, como metal fundido, lavar, no meu sangue, tantos pecados’.
Desvaneceu-se, então, em minha frente sem deixar qualquer sinal,
e eu percebi imediatamente que era o Dia de Natal.