quarta-feira, 11 de outubro de 2017

GALERIA DE ARTE SACRA (XXIII)

Uma das obras clássicas da fase madura do grande pintor renascentista Rafael Sanzio é a composição denominada 'A Madona do Peixe', menção à presença do jovem Tobias segurando um peixe, referência, por sua vez, à seguinte passagem do Velho Testamento (Livro de Tobias):

'O pai cego levantou-se e pôs-se a correr, tropeçando. Dando então a mão a um criado, foi ao encontro de seu filho. Abraçou-o e beijou-o, fazendo o mesmo sua mulher, e ambos começaram a chorar de alegria. Só se assentaram depois de terem adorado e agradecido a Deus. Tobias tomou então o fel do peixe e pô-lo nos olhos de seu pai. Depois de ter esperado cerca de meia hora, começou a sair-lhe dos olhos uma belida branca como a membrana de um ovo. Tobias tomou-a e a arrancou dos olhos de seu pai, o qual recobrou instantaneamente a vista' (Tb 11, 10- 15).

A obra foi encomendada por Geronimo del Doce para a capela de Santa Rosa de Lima no Mosteiro de San Domenico (Casa Maggiore dell'Ordine dei Predicatori) em Nápoles / Itália. O peixe é uma alusão direta ao sacramento do batismo, sinal de Cristo. A cura do cego por meio do fel de peixe nos lembra de Cristo curando o homem cego por meio de uma pasta de saliva e pó. 

Um primeiro esboço da composição (26,7 cm x 26,4 cm), feito em giz vermelho sobre papel branco (obra atualmente em Florença na Itália),  representa a Virgem Maria ao centro, com o Menino Jesus no colo, com o jovem Tobias aos pés da virgem, amparado pelo Arcanjo Rafael (o anjo que lhe havia revelado a forma de curar a cegueira do pai com o fel do peixe), e ladeada por São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim, segurando as Sagradas Escrituras, abertas no Livro de Tobias.


Um segundo esboço (25,8 cm x 21,3 cm) encontra-se atualmente em um museu de Edinburgh na Escócia, detalhando melhor o arranjo (por exemplo, a presença do leão, símbolo de São Jerônimo, aos pés do santo) e o contexto geral da composição.


A impressão final em preto e branco (26,2 cm x 21,6 cm) mostra a composição completa, com todos os detalhes das expressões, vestimentas e posições relativas das figuras presentes (British Museum, na Inglaterra).


A obra final (215 cm x 158 cm), em óleo sobre tela (originalmente óleo sobre madeira) encontra-se atualmente no Museu do Prado, em Madri/Espanha.

FOTO DA SEMANA

'A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam'
(Jo 1, 5)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

CONFIANÇA E ESPERANÇA EM DEUS

✓ Arme-se contra mim o céu, amotinem-se a terra e os elementos; declarem-me guerra todas as criaturas; nada temo; basta-me saber que estou com Deus e que Deus está comigo. 

✓ Nunca nosso bom Deus nos abandona senão para melhor nos reter. Nunca nos deixa senão para nos guardar melhor; nunca luta conosco, senão para se entregar a nós e nos abençoar. 

Como seríamos felizes se, submetendo nossa vontade a Deus, O adorássemos quando nos envia tanto tribulações quanto consolações, crendo que os diversos sucessos que nos envia a sua divina mão são para utilidade nossa, para nos purificar na sua santa caridade.

Ruja, pois, a tempestade; não morrereis porque estais com Jesus. Se vos assaltar o temor, gritai: Ó meu Salvador, salvai-me! Dar-vos-á a mão; apertai-a e ide, contentes sem filosofar sobre o vosso mal. Enquanto São Pedro confiou, não o submergiu a tempestade; mas quando temeu, afogou-se.

O temor é um mal ainda maior do que o próprio mal. Quanto a mim, há ocasiões em que me parece não ter mais força para resistir, e que, se se apresentasse a ocasião, sucumbiria; mas então mais confio em Deus, e por mais certo tenho que em presença da ocasião Deus me revestiria com a sua força e devoraria os meus inimigos como argueiros.

Sirvamos, pois, hoje a Deus e Ele amanhã providenciará. Cada dia terá seu cuidado, pois, Deus, que reina hoje, reinará amanhã. Ou não vos enviará males, ou se vos enviar, dar-vos-á a coragem precisa para os suportar. Se sois tentados, não desejeis ser livres das tentações. É bom que as experimentemos, para termos ocasião de as combater e colher vitórias. Isto serve para praticar as virtudes mais excelentes e estabelecê-las solidamente na alma.

Para caminhar seguramente nesta vida, é preciso caminhar sempre entre o temor e a esperança; entre o temor dos juízos de Deus, que são abismos impenetráveis, e a esperança da sua misericórdia, que é sem número e sem medidas, ultrapassando todas as suas obras. É preciso temer os seus divinos juízos, mas sem desânimo, assim como se animar à vista da sua misericórdia. 

✓ O nosso primeiro mal é que nos temos em grande apreço, e se nos acomete algum pecado ou imperfeição, eis-nos admirados, confusos, impacientes, porque pensávamos estar bons, resolutos e tranquilos; e, portanto, quando vemos que não é assim, quando caímos por terra, eis-nos perturbados e ofendidos de nos deixarmos enganar. Se soubéssemos o que somos, em lugar de nos admirar de cairmos, admirar-nos-íamos estar de pé um só dia ou uma só hora.

✓ Esforçai-vos por fazer com perfeição o que fizerdes, e quando estiver feito, não penseis mais nisso; mas pensai no que tendes para fazer, caminhando com singeleza na via do Senhor, sem atormentar o espírito. Convém odiar os defeitos, não com um ódio cheio de despeito, mas com um ódio tranquilo; olhai-os com paciência e fazei-os servir para vos humilharem na vossa estima. Considerai os vossos defeitos com mais dó do que indignação, mais humildade do que severidade, e conservai o coração cheio de um amor doce, sossegado e terno. 

✓ É comum nos que começam a servir a Deus e que ainda não têm experiência da carência da graça e das vicissitudes espirituais, que, quando lhes falta o gosto desta devoção sensível e desta amável luz que os encaminhava nas vias do Senhor, logo perdem as forças e caem em uma grande tristeza e pusilanimidade de coração.

(Excertos da obra 'Pensamentos Consoladores', de São Francisco de Sales)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

HISTÓRIAS QUE OUVI CONTAR (XVIII)

Há muitos anos, num reino distante, vivia um rei muito poderoso e cujo reinado se estendia muito além do alcance de sua visão. Este rei tinha quatro esposas*.

A quarta esposa era, de longe, quem o rei amava mais. Ela era de uma beleza singular e para ela o rei devotava a maior parte do seu tempo, cobrindo-a e cercando-a com as túnicas mais valiosas, as jóias mais resplendentes e as iguarias mais tentadoras. Para ela, dirigiu sempre o que podia ter mais do que tudo, e para ela destinava nada além do que existia de melhor.

O rei amava muito também a sua terceira esposa. Ela era a mais deslumbrante de todas e o rei ficava eufórico quando a ostentava junto consigo, nas cerimônias oficiais ou em viagens a outros reinos. Mas o rei tinha um certo ciúme desta esposa e, assim, a cobria de agrados e cuidados no temor de que pudesse vir a perdê-la.

Em relação à segunda esposa, o rei a amava de uma forma muito terna e especial. Não era a mais bela e nem a mais deslumbrante das esposas, mas nenhuma delas se equiparava a esta em termos de uma ouvinte interessada, confidente extremada, sincera amizade. Em todos os momentos conturbados, em todas as decisões difíceis, era à segunda esposa quem o rei devotava toda atenção e zelo afetivo.

O rei convivia com a primeira esposa, mas seria forçoso demais dizer que ele a amava. Ela não tinha a beleza, nem o esplendor, nem o discernimento das demais esposas. É verdade que ela estava sempre presente, e que nunca pleiteara coisa alguma para si. Mas essa humildade e esse escondimento não agradavam o rei, pois estes definitivamente não combinavam com as suas regalias de honras e poder. A quarta esposa era apenas formal, e o rei não lhe dava atenção maior do que saber que ela existia e que convivia com as suas demais esposas.

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Chegando à velhice, coberto de honrarias e louvores, o rei veio a adoecer gravemente de uma doença desconhecida e muito contagiosa. A certeza da morte iminente se apoderou dele e, com maior temor ainda, se defrontava com a ideia de morrer daí a pouco e sozinho. Que lhe adiantava agora tantos reinos e súditos, posses e domínios? Nada. O que lhe restava de verdade no último suspiro de vida - assim pensou - eram as suas amadas esposas.

Mandou, então, que lhe chamassem a quarta esposa, a mais bela, a mais amada. Mas quem lhe apareceu foi uma criada para lhe dizer: '- A rainha está ocupada em preparar-vos novas iguarias e não poderá estar em vossa presença neste momento'. A resposta da amada atingiu o rei como uma punhalada no coração. Mandou, então, que chamassem a segunda esposa, sua musa esplendorosa. E, novamente, foi a criada quem lhe deu a resposta da segunda esposa:  'Infelizmente não posso, meu senhor, que esplendor pode existir em ficar ao lado de um leito de morte?' Uma segunda punhalada o atingiu no coração.

A terceira esposa! 'Mandem que ela venha me ver imediatamente e fique comigo', ela que tantas vezes me devotou atenção e acolhimento! E eis que, mais uma vez, a criada se aproxima do leito de morte para anunciar ao rei: 'Ela não pode estar ao vosso lado agora, porque os médicos assim o recomendaram, pois a vossa doença é muito contagiosa'. Uma terceira punhalada o atingiu no coração.

Desconsolado e roído nos estertores do fim, o rei clamou pela primeira esposa, sem expectativa nenhuma, sem maiores consolos. E, mal tendo feito a solicitação, eis que diante dele se prostra a primeira esposa, objeto de sua desconsideração de uma vida inteira. É ela que toma nas suas as mãos do rei, é ela que o consola nos últimos momentos, é ela que permanece com ele até o seu último suspiro, é ela que o perdoa sem lhe exigir o gesto de perdão.

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Na verdade, todos nós somos reis e temos quatro esposas na vida. A nossa quarta esposa é o nosso corpo. A ele damos tudo e por ele tudo fazemos, no afã de satisfazer os seus caprichos e os seus desejos. Mas não importa o que façamos, a nossa consciência - a criada dos avisos - vai nos lembrar que ele será a primeira coisa que vamos perder na hora da nossa morte. 

Nossa terceira esposa são os nossos bens, status e riqueza. Que buscamos com tanta ânsia a vida toda, e que nos encheram de júbilo e ostentação diante dos outros, que nos levaram a posições dominadas pelo brilho fácil do orgulho, da vaidade, das honrarias que passam. A consciência vai nos alertar: quando você morrer, de que lhe servirá todos estes valores mundanos?

A nossa segunda esposa é a nossa família e os nossos amigos. Não importa o quanto eles estiveram ao nosso lado nesta vida, eles não poderão ser solidários conosco na passagem da morte. Nós estaremos sozinhos. A única coisa que ainda vamos ter conosco - a primeira esposa - é a nossa alma, justamente a esposa que teremos mais negligenciado e deixada no ostracismo, ainda que sempre estivesse conosco, sem nos abandonar sequer um único instante. Portanto, cultive, fortaleça e ame profundamente a sua primeira esposa - a sua alma - porque ela será a única a estar contigo na sua morte e a única que continuará fielmente ao teu lado por toda a eternidade!

(texto de autor desconhecido, reescrito e adaptado pelo autor do blog)

* na verdade, trata-se uma outra readaptação de um texto similar ao publicado em 'Histórias Que Eu Ouvi Contar' (XIV) neste blog.

domingo, 8 de outubro de 2017

A PARÁBOLA DOS VINHATEIROS HOMICIDAS

Páginas do Evangelho - Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum



O Evangelho deste domingo apresenta mais um evento relativo aos enfrentamentos públicos de Jesus com os mestres da lei e os anciãos do Templo, na terça-feira santa, logo após o júbilo messiânico vivido pelo povo de Jerusalém naquele Domingo de Ramos. Nenhum outro apóstolo detalhou, com maior precisão e rigor, estes últimos acontecimentos que antecederam a Paixão e Morte de Nosso Senhor, do que São Mateus.

Àqueles homens duros de coração, letrados nos textos das Sagradas Escrituras e sabedores por excelência que 'a vinha do Senhor é a casa de Israel' (refrão do salmo 79), Jesus vai proclamar a perda e a devastação desta vinha, que será abandonada pelo seu dono e deixada à mercê das sarças e dos espinhos que a tornarão 'inculta e selvagem' (Is 5, 6). E que, mais além, será restaurada e tornada cultura de raro louvor porque 'o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos' (Mt 21, 43). Trata-se de um testemunho explícito de que o juízo de Deus extrapola apenas o plano individual, mas alcança a dimensão de povos e nações e, portanto, de toda a humanidade por gerações.

A vinha do Senhor foi preparada, cercada, cuidada com zelo; depois, arrendada a vinhateiros para que dela cuidassem com o mesmo esmero e dela produzissem muitos frutos bons. Mas eis que estes maus zeladores corromperam a obra de Deus e produziram na vinha apenas frutos de injustiça e de iniquidade. Sabedores dos suas omissões e desvarios, e ensandecidos pela cobiça e pelo orgulho, fazem morrer não apenas os enviados do Senhor (os grandes profetas), mas o próprio filho do Senhor da vinha. Diante de passagens tão explícitas àqueles tempos e àqueles personagens, estes não parecem perceber que resumem a própria condenação nas suas próprias palavras: (o senhor da vinha) 'mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo' (Mt 21, 41).

Nesta parábola Jesus nos interpela, a cada um de nós, a zelar pela vinha que somos, com zelo extremado de salvação eterna, fugindo das ciladas das vaidades e do orgulho humano dos vinhateiros homicidas. Não podemos matar em nós o puro amor cristão, não podemos matar os dons recebidos e as virtudes do coração, não podemos matar a graça santificadora do batismo, não podemos matar em nós a herança do Reino de Deus; mas devemos nos ocupar 'com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor' (Fl 4, 8) porque, nas vinhas do Senhor, somente florescem as videiras que produzem frutos de vida eterna.

sábado, 7 de outubro de 2017

GLÓRIAS DE MARIA: NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

A palavra Rosário vem do latim Rosarium, que significa 'Coroa de Rosas'. Nossa Senhora é a Rosa das rosas, Rainha das rainhas, sendo chamada, então, Rosa Mística (como é invocada na Ladainha Lauretana), Rainha das Rosas de todas as devoções, Nossa Senhora do Rosário. Se, a cada Ave Maria, adorna-se a Mãe de Deus com uma rosa espiritual, o Rosário adorna Maria com uma Coroa de todas as Rosas.

O Santo Rosário é a oração mais perfeita e o instrumento mais poderoso que nos é concedido pela Divina Providência para vencer o pecado e as tentações diabólicas. Com o rosário, recordamos o memorial da Paixão de Jesus Cristo e meditamos os mistérios de gozo, dor e glória de Jesus e Maria. Pelo Rosário, a terra se une aos céus, e nós a Nossa Senhora, no louvor ao Senhor nosso Deus. Com o Rosário, alcançamos a paz de coração e a salvação eterna da alma. Pelo Rosário, obtemos a remissão pela culpa e pela pena dos nossos pecados, tornamo-nos herdeiros dos méritos infinitos da Paixão de Jesus e invocamos sobre nós e nossas famílias as graças extraordinárias da Misericórdia Divina. 

A origem do Rosário é antiga, mas se formalizou por meio de uma famosa aparição de Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão. No seu ferrenho combate e conversão dos seguidores da seita herética dos albigenses, São Domingos defrontou-se com terríveis dificuldades e perseguições, devido à dureza espiritual daquelas almas. Retirou-se, então, em oração, para um lugar ermo situado nos arredores de Toulouse e suplicou a intercessão da Virgem Maria para os bons propósitos de tão dura missão. 

As suas preces extremadas foram atendidas e o santo recebeu uma aparição de Nossa Senhora que lhe entregou o Rosário (também chamado Saltério de Maria, em referência aos 150 salmos de Davi), ensinando-o como rezá-lo e assegurando ser esta a arma mais poderosa para se ganhar as almas para o Céu. Este evento, respaldado por numerosos documentos pontifícios, é narrado na obra 'Da Dignidade do Saltério', do Bem-Aventurado Alain de la Roche (1428 – 1475), célebre pregador da Ordem Dominicana. Com o Rosário em punho, São Domingos pregou incansavelmente na França, Itália e Espanha a devoção que a própria Senhora do Rosário lhe havia ensinado, convertendo os hereges e os tíbios, e erradicando por completo naqueles países a heresia albigense.


Graças, louvores e indulgências sem conta estão associadas à oração devota do Santo Rosário. Rezai-o sempre, rezai-o todos os dias! O maior milagre que o Rosário pode nos proporcionar é nos fazer plenamente dignos das promessas de Cristo e nos elevar de criaturas humanas na terra a herdeiros diretos do Céu ainda nesta vida.

PRIMEIRO SÁBADO DE OUTUBRO


Mensagem de Nossa Senhora à Irmã Lúcia, vidente de Fátima: 
                                                                                                                           (Pontevedra / Espanha)

‘Olha, Minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todo o momento Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que a todos aqueles que durante cinco meses seguidos, no primeiro sábado, se confessarem*, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 Mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes à hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação.’
* Com base em aparições posteriores, esclareceu-se que a confissão poderia não se realizar no sábado propriamente dito, mas antes, desde que feita com a intenção explícita (interiormente) de se fazê-la para fins de reparação às blasfêmias cometidas contra o Imaculado Coração de Maria no primeiro sábado seguinte.