quarta-feira, 17 de junho de 2026

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE MORROVALLE


Na madrugada de 17 de abril de 1560, quarta feira da Oitava da Páscoa, um incêndio de grandes proporções irrompeu sobre o Convento Franciscano de Morrovalle, cidade histórica medieval da Itália, situada sobre uma colina com vista para a costa adriática. O incêndio, em poucas horas de descontrole total, consumiu totalmente o templo do século XIII, que ficou reduzido a escombros e cinzas.


No dia 23 de abril, em outra busca dos frades no meio dos escombros, o padre Battista da Ascoli, ao remover um pedaço de mármore do altar-mor, deparou-se maravilhado com a píxide de prata, que mesmo completamente derretida, conservara inteira e intacta a Hóstia grande consagrada. Nenhuma chama ou calor do incêndio devastador ousara profanar o Santíssimo Sacramento. Diante do prodígio inexplicável, a Hóstia consagrada foi imediatmente exposta para adoração do fieis.

O Papa Pio IV enviou uma comissão de cinco cardeais para a instalação do devido processo canônico diocesano, que se estendeu entre 16 e 26 de maio de 1560, e que ratificou o evento como um milagre eucarístico de preservação da Hóstia consagrada. Na bula Sacrossanta Romana Ecclesia, de 19 de setembro de 1560, o papa Pio IV reconheceu oficialmente o Milagre Eucarístico de Morrovalle, concedendo indulgência plenária perpétua a todos que visitassem o local de culto no aniversário do evento, ou seja, no período de 17 a 27 de abril de cada ano, conhecido como 'os dias das Indulgências'.

O milagre atraiu multidões de todos os lugares, forçando a reconstrução de uma igreja no local, muito maior que o templo original e na forma de uma cruz latina. Da estrutura pré-existente, apenas a antiga torre sineira permaneceu. Em 1741, terremotos danificaram a igreja, tornando necessária a sua restauração. Com o advento da era napoleônica, os franciscanos foram forçados a abandonar o convento em 1810. Atualmente, a igreja reformada do antigo convento franciscano, constitui um auditório, utilizado para diversas atividades culturais. 


Por estas razões, o rito das indulgências plenárias é atualmente celebrado na Igreja de São Bartolomeu. Em 1960, por ocasião do quarto centenário do milagre, a cidade celebrou solenemente o evento e adotou a inscrição latina Civitas Eucharistica - Cidade Eucarística - em sua porta principal. A hóstia consagrada, então guardada numa caixa de marfim, não chegou, porém, aos nossos tempos e, desde a primeira metade do século XVII, já não era mais conservada.