quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (V)

  

V. Como se confessar

1. O sacerdote inicia a confissão com o Sinal da Cruz.

2. O penitente começa dizendo: 'Abençoe-me, padre, pois eu pequei. Faz ... (número de dias, semanas, meses)... desde a minha última confissão. Estes são os meus pecados'.

3. Confesse todos os pecados mortais cometidos desde a sua última confissão, por tipo e número. Você também pode confessar quaisquer pecados veniais.

4. No final da sua confissão, diga estas ou palavras semelhantes: 'Por estes e todos os pecados da minha vida, peço perdão'.

5. O sacerdote pode fazer perguntas para esclarecer ou dar-lhe alguns conselhos sobre pontos específicos da sua confissão.

6. O padre lhe dará então uma penitência a cumprir.

7. O penitente faz um ato de contrição com estas ou outras palavras semelhantes: 

Meu Deus, porque sois infinitamente bom e vos amo de todo o meu coração, pesa-me de vos ter ofendido e, com o auxílio da vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amém.

8. O sacerdote professa a absolvição dos seus pecados, utilizando estas palavras: 'Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo'.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', adaptado, de Fr. Robert Altier, 2002)

SOBRE OS INFIÉIS E OS HEREGES

Ó santa Palavra de Deus! Ó santa Revelação! Através de ti somos admitidos nos mistérios divinos, que a razão humana nunca poderia alcançar. Nós te amamos e estamos decididos a ser submissos a ti. És tu que dás origem à grande virtude, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb 6,6); a virtude que inicia a obra de salvação do homem, e sem a qual esta obra não poderia ser continuada nem terminada. Esta virtude é a Fé.

Faz com que a nossa razão se curve à Palavra de Deus. Da sua obscuridade divina surge uma luz muito mais gloriosa do que todas as conclusões da razão, por maior que seja a sua evidência. Esta virtude será o vínculo de união na nova sociedade que Nosso Senhor está agora a organizar. Para se tornar membro desta sociedade, o homem deve começar por acreditar; que ele possa continuar a ser membro. Ele nunca deve, nem por um momento, vacilar na sua fé.

Em breve ouviremos Nosso Senhor dizer estas palavras: 'Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado' (Mc 16,16). Para expressar mais claramente a necessidade da Fé, os membros da Igreja devem ser chamados pelo belo nome de Fiéis: aqueles que não acreditam, devem ser chamados de Infiéis.

Sendo a fé, então, o primeiro elo da união sobrenatural entre o homem e Deus, segue-se que esta união cessa quando a fé é quebrada, isto é, negada; e que aquele que, depois de ter estado assim unido a Deus, rompe o vínculo, rejeitando a palavra de Deus e substituindo-a pelo erro, comete um dos maiores crimes. Tal pessoa será chamada de Herege, isto é, alguém que se separa; e os fiéis tremerão diante de sua apostasia.

Mesmo que sua rebelião à Palavra Revelada recaísse sobre apenas um artigo, ainda assim se comete uma enorme blasfêmia; pois ou ele se separa de Deus como sendo um enganador, ou insinua que sua própria razão criada, fraca e limitada, é superior à Verdade eterna e infinita. Com o passar do tempo, as heresias surgirão, cada uma atacando um ou outro dogma; de modo que dificilmente uma verdade permanecerá inatacável... 

(Excertos da obra 'O Ano Litúrgico', de Dom P. Guéranger)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ORAÇÃO DE SÃO BOAVENTURA


Transpassai, dulcíssimo Senhor Jesus, a medula de minha alma com o suave e salutar dardo do vosso amor, com a verdadeira, pura e santíssima caridade apostólica, a fim de que a minha alma desfaleça e se desfaça sempre só com o amor e o desejo de vos possuir; que por Vós suspire, e desfaleça por achar-se nos átrios da vossa casa, ansiando separar-se do corpo para se unir a Vós. Fazei que minha alma tenha fome de Vós, Pão dos anjos, Alimento das almas santas, Pão nosso de cada dia, cheio de força, de toda a doçura e sabor, e de todo suave deleite. 

Ó Jesus, a quem os anjos desejam contemplar, tenha sempre o meu coração fome de Vós, e o interior de minha alma transborde com a doçura do vosso sabor; tenha sempre sede de Vós, fonte de vida, manancial de sabedoria e de ciência, rio de luz de luz eterna, torrente de delícias, abundância da Casa de Deus; que vos anseie, que vos procure, que vos encontre; que para Vós caminhe e a Vós alcance.

Que em Vós pense, de Vós fale, e todas as minhas ações encaminhe para a honra e glória do vosso nome, com humildade e discrição, com amor e deleite, com facilidade e afeto, com perseverança até o fim; para que só Vós sejais sempre minha esperança, meu gozo, meu descanso e minha tranquilidade, minha paz, minha suavidade, meu perfume, minha doçura, meu sustento, meu alimento, meu refúgio, meu auxílio, minha sabedoria, minha herança, minha posse e o meu tesouro, no qual estejam sempre fixos e firme e inabalavelmente arraigados a minha alma e o meu coração. Amém.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (IV)

 

IV. As três formas do Sacramento da Penitência

Primeira

A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja: somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão.

Segunda

O sacramento da Penitência pode também ter lugar no âmbito de uma celebração comunitária, na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças pelo perdão recebido. Neste caso, a confissão pessoal dos pecados e a absolvição individual são inseridas numa liturgia da Palavra de Deus, com leituras e homilia, exame de consciência feito em comum, pedido comunitário de perdão, oração do Pai Nosso e ação de graças em comum.

Terceira

Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode ocorrer quando há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes tenham tempo suficiente para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode existir também quando, tendo em conta o número dos penitentes, não há confessores bastantes para ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes, sem culpa sua, se vejam privados, durante muito tempo, da graça sacramental ou da sagrada Comunhão. Neste caso, para a validade da absolvição, os fiéis devem ter o propósito de confessar individualmente os seus pecados graves em tempo oportuno [Isso significa que, se uma pessoa sobreviver à emergência, uma confissão individual de todos os pecados mortais deve ser feita assim que for razoavelmente possível]. 

(Catecismo da Igreja Católica; 1482, 1483 e 1484)

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

AS TREVAS E AS SOMBRAS DA MORTE

Tirou-os das trevas e da escuridão (Sl 106, 14). 

São três as espécies de trevas, ou de ignorâncias:

👉 Diz o Salmista (Sl 81, 5): Não sabem nem entendem, andam nas trevas. Estas são as trevas da razão, enquanto a razão é por elas obscurecida.

👉 Há também as trevas da culpa. Diz São Paulo (Ef 5, 8): Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. E estas são trevas da razão humana não por si mesmas, mas pelos apetites, enquanto, mal dispostos pelas paixões ou por algum mau hábito, apetecem como bom o que não é o verdadeiro bem.

👉 Por fim, há as trevas da danação eterna (Mt 25, 30): E a este servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

Ora, Cristo tirou-nos das trevas por ser a luz do mundo; não era o sol criado, mas Aquele por quem foi criado o sol. Contudo, como diz Agostinho, a mesma luz que fez o sol, foi feita sob o sol, e velada pela nuvem da carne, não para que fosse obscurecida, mas para que fosse temperada. E como esta luz é universal, expulsa universalmente todas as trevas.

Assim, o que me segue não anda nas trevas, da ignorância, pois eu sou a verdade; da culpa, pois eu sou a via; da danação eterna, pois eu sou a vida.

A noite pode ser compreendida de dois modos:

👉 Pela subtração da graça atual, a qual induz o pecado mortal. Quando esta noite sobrevém, ninguém pode fazer obra meritória de vida eterna.

👉 A outra é a noite consumada, quando não apenas se é privado da graça atual, mas também da faculdade de a recuperar, pela eterna danação ao inferno, onde é profunda a noite àqueles aos quais foi dito: Ide malditos para o fogo eterno

E então ninguém poderá fazer nada, pois não há mais tempo para merecer, mas apenas para receber conforme seus méritos. Assim, enquanto viveres, faze o que tens de fazer (Ecle 9, 10): Faze com presteza tudo quanto pode fazer a tua mão, porque na sepultura, para onde te precipitas, não há nem obra, nem razão, nem ciência, nem sabedoria.

A morte é a danação no inferno (Sl 48, 15): a morte os apascenta. A sombra da morte é a semelhança da danação futura que está nos pecadores. A maior pena daqueles que estão no inferno é a separação de Deus; como os pecadores já estão separados de Deus, têm semelhança com a danação futura, assim como os justos têm semelhança com a futura beatitude.

(Excertos da obra  'Meditationes ex Operibus S. Thomae', de P. D. Mézard, publicação original do site Permanência)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

EXAME DE CONSCIÊNCIA (III)

 

III. O perdão dos pecados

Para compreender plenamente a importância e a beleza do Sacramento da Penitência, é necessário compreender o que significa o perdão dos pecados. Quando Deus perdoa os nossos pecados, Ele os remove de nossas almas e os destrói. Isso significa que o pecado não existe mais. Depois de recebermos a absolvição neste Sacramento, Deus olha para nós e vê uma alma sem pecado. Quando você sai do confessionário, seus pecados desapareceram. Isso também significa que, no dia do julgamento, Deus não mencionará nenhum pecado que tenhamos confessado e pelo qual tenhamos recebido a absolvição sacramental. Com isso em mente, devemos estar ansiosos para permanecer muito próximos do confessionário e fazer da confissão dos nossos pecados uma parte regular da nossa vida espiritual.

É preciso fazer uma distinção entre pecados e efeitos do pecado. Neste sacramento, os pecados são perdoados, mas os efeitos permanecem. Os efeitos são as fraquezas que resultam de nossos pecados, por exemplo, memórias, inclinações para o pecado, apegos a algum bem percebido relacionado ao pecado, etc. Para superar os efeitos do pecado, devemos orar e praticar a abnegação.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

TESOURO DE EXEMPLOS II (73/76)


73. CONVERSÃO DE UMA COMUNISTA

A senhorita Leer, israelita ateia de 22 anos de idade, admiradora de Liebknecht e de Rosa Luxemburgo, tomou parte na revolução de Munique com um ardor incrível. Editava um jornal e percorria cidades e vilas, fazendo propaganda revolucionária.

Após a vitória das autoridades legais, Leer foi presa e condenada à morte. Durante a noite que precedeu a sua execução, tendo-se por irremediavelmente perdida, caiu de joelhos e exclamou: 'Se há de fato um Ser supremo e se vós existis, ó meu Deus, ajudai-me, salvai-me e eu crerei em vós'.

Com efeito, na manhã seguinte conseguiu evadir-se; com o auxílio de um frade, pode transpor a fronteira e, na Holanda, na Casa das Irmãs das Santas Marta e Maria encontrou um asilo seguro. Durante um ano inteiro passou ali no mais completo retiro sob a direção do Pe. Gianeken, fundador, daquele Instituto, o qual a instruiu na fé católica. Após um ano de noviciado, foi admitida naquela congregação que tem por fim cooperar, por orações e obras de caridade, na conversão dos protestantes holandeses.

74. QUERO MORRER PELA FÉ

Houve no século passado uma furiosa perseguição contra os católicos armênios. Entre as numerosas vítimas estava um menino de doze anos apenas.

Os muçulmanos queriam forçá-lo a renegar a Jesus Cristo, mas ele resistiu corajosamente. Os carrascos ameaçaram cortar-lhe a mão; e ele estendeu a mão, dizendo:
➖ Ei-la, cortai-a!
Os bandidos cortaram-na, esperando que a dor e a vista do sangue atemorizariam o menino, obrigando-o a apostatar. 

Fizeram-lhe em seguida um curativo e disseram: 
➖ Se não queres perder a outra mão, aceita a nossa religião'. 
➖Nunca - respondeu o herói. 
Um golpe de sabre e a outra mão estava decepada. Fazem-lhe novo curativo e convidam-no a apostatar. 

A coragem do menino cristão não arrefece. Os carrascos, mais enfurecidos, dizem-lhe que, agora, será a vez de sua cabeça. O menino prontamente inclina a cabeça e diz: 
➖ Cortai-me a cabeça! Como cristão vivi, como cristão quero morrer!
A espada reluziu no ar e a cabeça da inocente vítima rolou pelo chão, enquanto sua bela alma voava triunfante para o céu. Como é belo morrer pela fé!

75. O DIVINO ENCANTADOR

Santa Maria Madalena de Pazzi, quando adolescente, sentia um grande desejo de ver a Jesus. Eis que um dia, durante um êxtase, teve essa felicidade. 

Ela mesma diz: 'Eis o meu Esposo, que antes me aparecia tão pequenino e agora o vejo na idade de doze anos com um semblante tão belo e admirável, resplandecente de serena gravidade. Este amável menino traz na sua mão direita um livro no qual quer que eu estude no tempo de trevas espirituais; e na esquerda, tem uma harpa, na qual começará a tocar, quando lhe aprouver, e cantará alguma canção de amor, a qual não faltarão nem palavras, nem conceitos. Ó quão suave melodia de sons e cânticos! Ó meu Deus, quanto sois suave e amoroso para os que vos amam!'

76. COMO SABIAM ENTRETER-SE COM DEUS!

Os santos encontravam no trato com Deus todas as suas delicias. São Caetano empregava no exercício da oração oito horas por dia; Santa Margarida, rainha da Escócia, e Santo Estêvão, rei da Hungria, quase toda a noite; Santa Francisca Romana, todo o tempo que lhe sobrava de suas ocupações ordinárias; Santa Rosa de Lima empregava na oração doze horas por dia.

São Luis Gonzaga começou a entregar-se à oração desde a mais tenra idade e nunca deixava de orar duas a três horas por dia. Quando estava na corte, para não ser interrompido pelos companheiros, ia esconder-se no lenheiro para orar. Santa Maria Madalena de Pazzi, com nove anos apenas, fazia primeiro uma hora de oração, depois duas, quatro e até noites inteiras, enquanto vivia no mundo; depois que entrou no convento, dedicava à oração todo o tempo livre concedido às religiosas.

São João Berchmans, aos onze anos, empregava no trato com Deus todo o tempo que lhe sobrava dos estudos. Qualquer canto da casa servia-lhe de oratório, e várias vezes o surpreenderam, depois da meia-noite, orando de joelhos no chão nu.

Verdadeiramente maravilhosos estes santos! Como sabiam aproveitar a graça da oração!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)