sábado, 17 de março de 2018

NO LIMIAR DO SOBRENATURAL (X)

A região central da Itália é uma área especialmente crítica a sismos violentos pela colisão local das placas tectônicas africana e euroasiática e pela presença de inúmeras falhas geológicas superficiais, que tendem a induzir terremotos devastadores porque estes tendem a ocorrer muito próximos à superfície da crosta. Em 1908, estima-se que ao menos 70 mil pessoas morreram quando um tremor de magnitude 7,2 atingiu a cidade siciliana de Messina; em 1915, outro sismo violento em Avezzano deixou uma cidade arrasada e pelo menos 30 mil mortos. Os eventos sísmicos mais recentes na região ocorreram em 2016 (terremotos em agosto e outubro) e 2017 e deixaram um legado de destruição e de morte. 

No terremoto de magnitude 6.6 de outubro de 2016, a igreja de Santa Maria Assunta, na cidade de Arquata, desapareceu sob um cenário de escombros, poeira e entulho. Um ano e meio depois, em meio aos trabalhos de remoção dos escombros, o tabernáculo do altar, peça do século XVI, foi resgatado em boas condições (foto abaixo) e devolvido à diocese local. 


Aberto o tabernáculo, encontraram a píxide tombada no seu interior, mas perfeitamente fechada. E, fato extraordinário, 40 hóstias encontravam-se perfeitamente conservadas na píxide, sem nenhum sinal de mofo ou umidade, sem qualquer odor ou outro sinal de deterioração de qualquer natureza. As 40 hóstias, materialmente uma mistura simples de farinha e água, pareciam ter sido colocadas ali no dia anterior, tendo permanecidas isentas dos efeitos do tempo, dos destroços e do sismo e estavam, inexplicavelmente, absolutamente íntegras para uma próxima e imediata santa eucaristia. 

INDULGÊNCIA PLENÁRIA DAS SEXTAS-FEIRAS DA QUARESMA


Indulgência Plenária: rezar com piedosa devoção a oração En ego, o bone et dulcissime Iesu (Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus!) nas sextas-feiras da Quaresma, diante de uma imagem de Jesus Crucificado e depois da comunhão.

En ego, o bone et dulcissime Iesu, ante conspectum tuum genibus me provolvo, ac maximo animi ardore te oro atque obtestor, ut meum in cor vividos fidei, spei et caritatis sensus, atque veram peccatorum meorum paenitentiam, eaque emendandi firmissimam voluntatem velis imprimere; dum magno animi affectu et dolore tua quinque vulnera mecum ipse considero ac mente contemplor, illud prae oculis habens, quod iam in ore ponebat tuo1 David propheta de te, o bone Iesu: Foderunt manus meas et pedes meos: dinumeraverunt omnia ossa mea. Amen.

Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos me prostro em vossa presença e vos suplico com todo o fervor de minha alma que vos digneis gravar no meu coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, verdadeiro arrependimento de meus pecados e firme propósito ele emenda, enquanto vou considerando com vivo afeto e dor as vossas cinco chagas, tendo diante dos olhos aquilo que o profeta Davi já nos fazia dizer, Ó bom Jesus: ‘Transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos’.

(SI 21,17; cf. Missal Romano, ação de graças depois da missa)

É sempre importante lembrar que a indulgência não é o perdão dos pecados, mas a reparação das penas e danos devidos aos pecados. Para se obter a indulgência plenária é preciso:

1. ter uma disposição interior de afastamento total de todo o pecado, mesmo do pecado venial;
2. ter feito confissão recente;
3. receber a Sagrada Comunhão;
4. rezar pelas orações do Santo Padre e da Santa Igreja (orações livres, mas que a Santa Sé recomenda fazer na forma de um 'Pai Nosso' e de uma 'Ave Maria').

sexta-feira, 16 de março de 2018

CATECISMO MAIOR DE PIO X (III)

Promessa do Redentor

23. Mas Deus não abandonou Adão e sua descendência em tão miserável sorte. Em sua infinita misericórdia, então, prometeu um Salvador (Messias) que viria libertar a humanidade da escravidão do pecado e do diabo e merecer-lhes a glória. Esta promessa foi repetida por Deus seguidas vezes para os outros Patriarcas, por meio dos Profetas, ao povo hebreu.

Os filhos de Adão e os Patriarcas

24. Adão e Eva, depois que foram lançados do Paraíso terrestre, tiveram dois filhos, a quem deram os nomes de Caim e Abel. Já crescidos, Caim dedicou-se à agricultura, e Abel ao pastoreio. Tendo Deus mostrado que estava satisfeito com os sacrifícios de Abel que, piedoso e inocente, ofereceu o melhor do seu rebanho, e desdém para o sacrifício de Caim, que lhe oferecia os piores frutos da terra, este, cheio de raiva e inveja contra seu irmão, levou-o consigo ao campo para se entreterem, arrojou-se sobre ele e o matou.

25. Para consolar Adão e Eva da morte de Abel, o Senhor deu-lhes outro filho, que chamaram Seth, que foi bom e temente a Deus. Adão, durante sua longa vida de novecentos e trinta anos, teve muitos outros filhos e filhas, que se multiplicaram e pouco a pouco povoaram a terra.

26. Entre os descendentes de Seth e os outros filhos de Adão, os anciãos, pais de imensa descendência, estavam à frente das tribos das famílias de seus filhos e netos, e foram príncipes, juízes e sacerdotes. A história os honra com o venerando nome de Patriarcas. A Providência deu-lhes vida muito longa para ensinar seus filhos a religião revelada e que, velando a verdadeira tradição das promessas divinas, perpetuassem a fé no futuro Messias.

O dilúvio

27. Ao longo dos séculos os descendentes de Adão perverteram-se e toda a terra estava repleta de vícios e desonestidades. Por tanta corrupção, em primeiro lugar ameaçou, depois Deus puniu o gênero humano com um dilúvio universal. Então choveu quarenta dias e quarenta noites, até que as águas cobriram as montanhas mais altas. Morreram afogados todos os homens; não se salvaram mais que Noé e sua família.

28. Noé, por ordem de Deus, recebida cem anos antes do dilúvio, havia começado a construir sua Arca, ou um tipo de navio, na qual depois entrou ele com sua mulher e seus filhos, Sem, Cam e Jafet, com as três mulheres destes e com os animais que Deus lhe indicara.

(Do Catecismo Maior de Pio X)

quinta-feira, 15 de março de 2018

ORAÇÃO DE SANTO ANSELMO


Senhor meu Deus, fazei que o meu coração Vos deseje;
e que desejando Vos procure;
procurando, Vos encontre;
encontrando, Vos ame;
e amando-Vos, sejam perdoados os meus pecados;
e uma vez perdoados, que eu não volte a cometê-los.

Senhor meu Deus,
dai a penitência ao meu coração,
a contrição ao meu espírito,
as lágrimas aos meus olhos,
a liberalidade da esmola às minhas mãos.

Ó meu Rei, apagai em mim a concupiscência da carne
e acendei o fogo do vosso amor.
Ó meu Redentor, apartai de mim o orgulho,
e que a vossa benevolência me conceda a humildade.
Ó meu Salvador, afastai de mim a cólera
e que a vossa bondade me dê o escudo da paciência.
Ó meu Criador, tirai da minha alma o ressentimento
para lá derramar a mansidão.

Pai bondoso, dai-me a fé reta,
a esperança certa e a caridade perfeita.
Vós que me guiais,
afugentai de mim a vaidade da alma,
a inconstância do espírito,
a confusão do coração,
as vanglórias da boca,
a altivez dos olhos.

Ó Deus misericordioso,
por vosso muito amado Filho,
eu Vos peço,
fazei que eu viva a misericórdia,
a sincera devoção,
a compaixão pelos aflitos
e a partilha com os pobres.

PALAVRAS DE SALVAÇÃO






'Ó, maldito respeito humano! Como tu arrastas almas para o inferno! Não há nada de mais glorioso e de mais honrável para um cristão do que carregar o nome sublime de filho de Deus, de irmão de Jesus Cristo. Da mesma forma, não há nada de mais infame do que ter vergonha de manifestar isso todas as vezes que surge a ocasião'.

(Cura d'Ars)

terça-feira, 13 de março de 2018

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (IX)

XXVI

AÇÃO DOS SERES MATERIAIS

Não há mais cooperadores de Deus no governo do mundo do que os espíritos bons e maus?
Também cooperam outros seres.

Quais são?
Os agentes cósmicos ordenados e regidos por Deus (CXIV, 1)*.

Logo, em todas as ações e fenômenos que se realizam no Universo, intervém o poder e a mão  divina?
Sim, Senhor (CXVI, 2).

Logo, o movimento acorde dos céus, o nascimento regular do sol, os períodos harmônicos das estações, a sucessão majestosa e inalterável dos dias, os meses, os anos e os séculos, têm por objetivo cantar a glória de Deus e realizar os seus eternos desígnios?
Assim é.

Podemos dizer que Deus organizou e mantém o curso regular do Universo, em obséquio e proveito do homem?
Sim, Senhor.

O homem é, pois, a criatura para quem Deus dispôs todas as outras, tendo em vista prover a todas as suas necessidades?
Sim, Deus dispôs tudo, no sentido de servir o homem em todas as suas misérias.

Por que Deus assim procedeu com o homem?
Porque é a criatura mais débil e a que mais necessita de cuidados espirituais e materiais.

XXVII

AÇÃO DO HOMEM NO MUNDO

Pode o homem, apesar de sua fraqueza, cooperar com a ação divina, no governo do mundo?
Sim, Senhor.

De que maneira?
Procurando o bem dos seus semelhantes.

Como pode o homem cooperar para o bem de seus semelhantes?
Como instrumento de Deus em benefício das almas e dos corpos.

De que modo pode o homem ser instrumento de Deus em bem das almas?
Primeiro, porque pode ser, mediante os seus atos, causa ocasional da Criação de novas almas, e segundo, porque estas almas infantis se nutrem e medram em perfeição, com seus exemplos e ensinos.

Como pode ser instrumento de Deus em beneficio dos corpos?
Porque, por lei natural, estabelecida por Deus, o corpo humano tem origem no ajuntamento do varão com a mulher (CXIX).

XXVIII

LUGAR A QUE CONVERGEM TODOS OS MOVIMENTOS 
ORDENADOS NO PLANO DIVINO

Logo, é o berço do infante o ponto cêntrico do universo onde podemos admirar as sábias disposições da amorosa Providência?
Sim, Senhor; porque todas as coisas estão dispostas e ordenadas para o bem deste infante. Os pais para ampará-lo, a natureza para robustecê-lo, os anjos para o assistir e Deus para predestiná-lo e conduzi-lo à Bem-aventurança.

Houve um berço no mundo, em torno do qual brilharam de modo incomparável os desvelos da divina Inteligência governadora do Universo?
Sim, Senhor; e no berço daquele infante começou, como mais tarde veremos, o caminho a que o homem tem de recorrer para volver ao seio de Deus de onde saiu (CXIX, 2, ad 4).

Que prodígios se viram no nascimento daquele menino?
Viu-se um Homem, concebido por obra do Espírito Santo, uma Virgem Mãe, Reis e Magos guiados por uma estrela e uma multidão de Espíritos celestiais que entoavam hinos de alegria, dizendo: Glória a Deus nas alturas, e na terra, paz aos homens de boa vontade.

Quem é e como se chama aquele Filho de Benção?
É Emanuel ou 'Deus conosco', e se chama Jesus.

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular).

segunda-feira, 12 de março de 2018

A PROFECIA DAS CINCO BESTAS

Uma das mais estranhas visões de Hildergard Von Bingen, descritas na Visão 11 do Scivias, dizem respeito a cinco bestas que, numa simbologia complexa, traduzem diversas épocas e reinados concatenados da história humana. Cada período teria a sua marca determinada e, na conformação de bestas, representavam épocas de grandes perigos e ferocidade extrema contra a Santa Igreja.


A primeira besta era representada por um cão de fogo. O fogo do racionalismo queimando as colunas da Igreja e calcinando os alicerces da fé, propagando as chamas do comunismo e dos ideais marxistas. Tempos de enormes dificuldades e perseguições para a Igreja Católica; tempos de implosão dos valores cristãos da partilha e da caridade em favor da proliferação de toda sorte de injustiças sociais e da submissão dos homens a ideologias nefastas.

A segunda besta é simbolizada por um leão amarelo, cor marcante do relativismo e do desprezo absoluto às coisas de Deus. É um leão que ruge os fundamentos de uma nova revolução materialista e antropocêntrica, que ignora e desdenha as ordenações celestes, que conspurca os desígnios divinos e fomenta a frouxidão e o relativismo moral nas suas criaturas. Eis os tempos da revolta humana contra Deus e de fomento voraz e doloso à proliferação da impiedade e da injustiça, visando objetivamente a ruína completa da civilização cristã.

A terceira besta é o cavalo de cor empalidecida. Tempos da palidez das virtudes, das palavras, das convicções, da fé e da moral. Não há força e nem vigor nas iniciativas, nas promessas, nos compromissos, nos propósitos, nos projetos de vida. Os homens são homens tíbios, mornos, inermes, negligentes. A palavra dada é dúbia, a ação tem os limites do improviso, a convicção se esvai como fumaça à primeira provação. É o reino do tédio, da preguiça, da submissão passiva ao imobilismo e às comodidades do sistema vigente, sem resistências, sem percalços e sem riscos.

O quarto animal é representado por um porco negro, símbolo do reinado absoluto dos pecados da carne, da impureza e do hedonismo. Uma era de escuridão em que os homens estariam mergulhados na busca desenfreada do prazer, da homossexualidade e da ideologia de gênero, na depravação do corpo humano como templo de Deus e então tornado mero instrumento de luxúria e fornicação. Tempos em que se buscam sedimentar na lama podre dos vícios e das impurezas da carne os conceitos de família, do matrimônio, da fidelidade e da autêntica vida cristã.

O quinto animal era um lobo cinzento. Nem preto e nem branco, cinzento. Tempos em que as coisas não são mais preto no branco. Um tempo cinzento, disforme, enganoso, distorcido. As coisas não são mais o que deveriam ser, não há mais clareza dos conceitos, não se tem mais certeza do bem e do mal. O que era bom pode ser mau e o mau histórico pode ter valores morais atualizados. Os tempos do lobo cinzento são aqueles em que tudo parece virado do avesso, indefinido, incerto, relativo ao extremo. Tempos em que os homens seriam enganados e manipulados pela astúcia de outros homens que não se revelariam como realmente são, mas por meio de perfis falsificados e mascarados, induzindo conflitos, lutas de etnias e de classes, caos econômico. Tempos do fim, que levariam ao fim de uma era e ao nascimento e ao reinado do Anticristo.