segunda-feira, 27 de abril de 2026

O DESTINO FINAL DOS PRIMEIROS 32 PAPAS



Século I

1º Papa – São Pedro – bispo de Roma no período de 37 a 67
Morto por Nero – imperador romano no período de 41 a 68

2º Papa – São Lino – de 69 a 79
Morto por Vespasiano – imperador romano no períodode 69 a 79

3º Papa – São Cleto – de 79 a 92
Morto por Domiciano – imperador romano no período de 81 a 96

Século II

4º Papa – São Celemente – de 92 a 101
Morto por Trajano – imperador romano no período de 98 a 117

5º Papa – Santo. Evaristo – de 101 a 107
Morto por Trajano – imperador romano no período de 98 a 117

6º Papa – Santot. Alexandro – de 107 a 116
Morto por Trajano – imperador romano no período de 98 a 117

7º Papa – São Xisto – de 116 a 125
Morto por Adriano – imperador romano no período de 117 a 138

8º Papa – São Telésforo – de 125 a 138 
Morto por Adriano – imperador romano no período de 117 a 138

9º Papa – Santo Higino – de 138 a 142
Morto por Antonino – imperador romano no período de 138 a 161

10º Papa – São Pio I – de 142 a 155
Morto por Antonino – imperador romano no período de 138 a 161

11º Papa – Santo Aniceto – de 155 a 166
Morto por Marco Aurélio – imperador romano no período de 161 a 180

12º Papa – Santo Sotero – de 166 a 174
Morto por Marco Aurélio – imperador romano no período de 161 a 180

13º Papa – Santo Eleutério – de 174 a 189 
Morto por Cômodo -  imperador romano no período de 180 a 193

14º Papa – SãoVitor I – de 189 a 199
Morto por Septímio Severo – imperador romano no período de 193 a 211

Século III
 
15º Papa – São Zeferino – de 199 a 217
Morto por Caracala – imperador romano no período de 211 a 217

16º Papa – São Calixto I – de 217 a 222
Morto por Heliogábalo - imperador romano no período de 218 a 222

17º Papa – Santo Urbano I – de 222 a 230
Morto por Alexandre Severo - imperador romano no período de 222 a 235

18º Papa – São Ponciano – de 230 a 235
Morto por Alexandre Severo - imperador romano no período de 222 a 235

19º Papa – Santo Antero – de 235 a 236
Morto por Maximino - imperador romano no período de 235 a 238

20º Papa – São Fabiano de 236 a 250
Morto por Décio - imperador romano no período de 249 a 251

21º Papa – São Cornélio – de 251 a 253
Morto por Treboniano – imperador romano no período de 251 a 253

22º Papa – São Lúcio – de 253 a 254
Morto por Valeriano – imperador romano no período de 253 a 260

23º Papa – Santo Estêvão – de 254 a 257
Morto por Valeriano – imperador romano no período de 253 a 260

24º Papa – São Xisto II – de 257 a 258
Morto por Valeriano – imperador romano no período de 253 a 260

25º Papa – São Dionísio – de 259 a 268
Não sofreu o martírio

26º Papa – São Félix – de 269 a 274
Morto por Aureliano – imperador romano no período de 270 a 275

27º Papa – São Eutiquiano – de 275 a 283
Não sofreu o martírio

28º Papa – São Caio – de 283 a 293
Não sofreu o martírio

Século IV

29º Papa – São Marcelino – de 296 a 304
Não sofreu o martírio

30º Papa – São Marcelo I – de 308 a 309
Morto por Constâncio - imperador romano no período de 305 a 311

31º Papa – Santo Eusébio – de 309 a 310
Desterrado por Maxêncio - imperador (usurpador) romano no período de 306 a 312

32º Papa – São Melquíades – de 311 a 314
Não foi martirizado; o seu papado ocorreu justamente na transição entre as perseguições aos cristãos e a legalização da fé no Império Romano, especialmente após o Edito de Milão (313), promovido por Constantino I, o Grande – o primeiro imperador cristão (306 a 337).

domingo, 26 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

      

'O Senhor é o pastor que me conduz; para as águas repousantes me encaminha' (Sl 22)

Primeira Leitura (At 2,14a.36-41) - Segunda Leitura (1Pd 2,20b-25) - Evangelho (Jo 10,1-10)

  26/04/2026 - QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA 

O BOM PASTOR


No Quarto Domingo da Páscoa, ressoa pela cristandade a imagem e a missão do Bom Pastor: 'Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz' (Jo 1,2 - 4). Jesus, o Bom Pastor, conhece e ama, com profunda misericórdia, cada uma de suas ovelhas desde toda a eternidade. Criadas para o deleite eterno das bem-aventuranças, redimidas pelo sacrifício do calvário e alimentadas pela sagrada eucaristia, Jesus acolhe as suas ovelhas com doçura extrema e infinita misericórdia.

E Jesus, plasmado pelo amor divino, conhece cada uma das suas ovelhas pelo nome. Nada, nem coisa, nem homem, nem demônio algum, poderá nos apartar do amor de Deus. Porque este amor, sendo infinito, extrapola a nossa condição humana e assume dimensões imensuráveis. Ainda que todos os homens perecessem e a humanidade inteira ficasse reduzida a um único homem, Deus não poderia amá-lo mais do que já o ama agora, porque todos nós fomos criados, por um ato sublime e extraordinariamente particular da sua Santa Vontade, como herdeiros dos céus e para a glória de Deus: 'Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória por toda a eternidade!' (Rm 11,36).

Jesus toma sobre os ombros a ovelha de sua predileção, cada um de nós, a humanidade inteira, para a conduzir com segurança às fontes da água da vida (Ap 7,17), onde Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos. E nos mostra o caminho: 'Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem' (Jo 1,9). Somos chamados a uma vida de predileção na Casa do Pai, que homem algum jamais pôde sequer imaginar o que poderia ser viver a eternidade na glória de Deus: 'Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância' (Jo 1,10).

Reconhecer-nos como ovelhas do rebanho do Bom Pastor é manifestar em plenitude a nossa fé e esperança em Jesus Cristo, Deus Único e Verdadeiro, cuja bondade perdura para sempre e cujo amor é fiel eternamente (Sl 99,5). Como ovelhas do Bom Pastor, não nos basta ouvir somente a voz da salvação; é preciso segui-lo em meio às provações da nossa humanidade corrompida, confiantes e perseverantes na fé, até o dia dos tempos em que estaremos abrigados eternamente na tenda do Pai, lavados e alvejados no sangue do Cordeiro (Ap 7,14b).

sábado, 25 de abril de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (101/104)

 

101. ASSUNTO PARA MEDITAR

O padre Pedro Fabro, varão insigne da Companhia de Jesus, tinha granjeado fama de grande diretor de almas. Um dia procurou-o um cavalheiro e pediu-lhe algum assunto para meditar. O padre respondeu:
➖ Meu filho, basta que faças o seguinte: cada dia pensa por alguns instantes - Cristo em tanta pobreza e eu vivendo em tamanha opulência! Cristo sofrendo fome e sede, e eu gozando de tantos banquetes! Cristo desnudo e eu ricamente vestido! Cristo padecendo horríveis dores e eu no meio de tantas delícias!
➖ Nada mais, padre?
➖ Nada mais que isso.

O cavalheiro retirou-se um pouco desiludido. Entretanto, poucos dias depois, convidado a um jantar, no meio dos manjares suculentos, dos vinhos seletos e da música, no auge, enfim, da alegria, vem-lhe de repente o pensamento: Cristo com fome e sede e eu aqui a fartar-me e a embriagar-me como bruto... Saltaram-lhe as lágrimas dos olhos, levantou-se em silêncio e retirou-se para um convento a fazer penitência. 

Eu aqui... e Cristo na Cruz! Se estiveres lendo um mau livro quando, sobre o céu claro de tua alma, amontoam-se nuvens negras de paixões e imaginações perigosas, pensa: Cristo na Cruz, e eu! Quando estiveres mergulhado em teus negócios ou em conversas mundanas - sanguessugas chupadoras do sangue ou da honra do próximo, pensa: Eu a pecar... e Cristo na Cruz! Se tens coração, se ainda te resta um pingo de fé, basta essa meditação para mudares de vida.

102. LÁGRIMAS DE MÃE

Houve, em tempos idos, um condezinho muito bom, que fôra educado por uma mãe santa. Inculcara-lhe ela uma grande e terna devoção à Virgem Santíssima, cujo escapulário trazia sempre consigo, ensinando-o a chamar Nossa Senhora de mãe. Estes dois amores, à mãe do céu e à da terra, cresceram no coração do condezinho como duas âncoras de salvação que haviam de salvar o mesmo navio.

O jovem foi enviado a uma corte estrangeira. Ali perverteu-se, enfraqueceu-se a sua fé, tornou-se muito mau. Não abandonou, porém, o piedoso costume de ajoelhar-se todas as noites diante da Santíssima Virgem, para rezar as três Ave-Marias, repetindo com fervor: 'Não me abandoneis, minha Mãe! Minha Mãe, não me abandoneis'.

Um dia, tomando parte numa caçada com um amigo infame que o pervertera, foram surpreendidos por uma tempestade e tiveram que pousar numa estalagem. O conde, após a sua oração cotidiana à Santíssima Virgem, adormeceu logo. Pouco depois, começou a sonhar que se achava perante o tribunal de Deus. Uma alma acabava de ser condenada, e ele viu que era a sua que estava sendo conduzida pela própria consciência para ser julgada. Viu também sua mãe de joelhos pedindo misericórdia para ele.

Lúcifer lançou na balança os pecados do jovem conde. A balança caiu até o abismo; os anjos cobriram o rosto com suas grandes asas e Lúcifer deu um grito de triunfo. A alma estava perdida! Foi então que apareceu Maria, a qual, prostrando-se aos pés do Senhor em posição suplicante ao lado da condessa, colocou no outro prato da balança as Ave-Marias do conde e mais as lágrimas da condessa. Nada adiantou. Então a Virgem volveu os olhos para o juiz e duas lágrimas suas caíram no prato da balança, onde estavam as lágrimas da condessa-mãe. A balança cedeu imediatamente. As lágrimas das duas mães salvaram aquele pobre filho!

Um trovão horrível despertou o jovem conde. A dois passos dele, viu então, no outro leito, o cadáver de seu amigo carbonizado.

103. NOBRE E ALTIVA RESPOSTA

Numa perseguição religiosa na China, foi preso e conduzido à presença do mandarim um moço cristão, chamado Paulo Moi. O magistrado, fortemente impressionado com a fisionomia gentil e graciosa do jovenzinho, empregou todos os esforços para faze-lo apostatar da fé.

Vendo que tudo era inútil, ofereceu-lhe como prêmio uma barra de prata para renunciar à fé cristã.
➖ Obrigado, mandarim - disse Paulo, mas uma só barra não basta.
➖ Bem; eu te darei então uma barra de ouro.
➖ Ainda não basta.
➖ Quanto desejas, então, miserável?
➖ Grande mandarim, se desejais que eu renuncie à minha fé, deveis dar-me o que vale a minha alma e, para isso, todo o teu ouro é pouco.
Alguns dias depois, Paulo foi decapitado. Preferiu perder a sua vida a perder a sua alma.

104. CORAGEM CRISTÃ

Santa Blandina, mártir de Liao (177), era uma menina cristã de constituição física muito delicada. No humilde emprego de criada, praticava as mais belas virtudes, copiando em sua vida o divino modelo Jesus Cristo.

Numa perseguição, foi presa com sua patroa e submetida aos mais cruéis tormentos. Conduzida ao tribunal, confessou a sua fé alegremente e com redobrado vigor, repetindo muitas vezes estas palavras:
➖ Eu sou cristã; entre nós cristãos não se cometem os delitos de que nos acusais.

Depois que foi flagelada sem piedade e obrigada a sentar-se num banco de ferro em brasa, meteram-na numa rede e deixaram-na à mercê de um touro furioso que com os chifres a atirou repetidas vezes ao ar. Finalmente, a heroica menina foi degolada.
Os próprios pagãos confessavam jamais ter visto uma criatura tão frágil sofrer com tamanha coragem e resistência.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXII)

'Para Deus, o menor grau de pureza da tua consciência vale mais que todas as tuas obras juntas'

(São João da Cruz)

Eu consagro, neste dia, a minha mente e meus pensamentos em atos de louvor e glória ao meu Senhor e meu Deus. Que, durante várias vezes ao longo do dia de hoje, eu tenha o firme propósito de concentrar completamente os meus pensamentos em Vossa Santa Presença e ligar minha consciência de Filho de Deus à corrente de louvores e graças que se proclamam sem cessar, e por todo o sempre, à Vossa Glória em toda a Terra e nos Céus.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

ORAÇÃO: O LUX BEATA TRINITAS

Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 397), Padre da Igreja, utilizava frequentemente a música no contexto dos ritos litúrgicos, tendo composto inúmeros hinos religiosos, chegando a desenvolver inclusive um estilo próprio de música - o Canto Ambrosiano - que foi precursor do Canto Gregoriano. O hino O LUX BEATA TRINITAS consta no Breviário Romano sob o título de Jam sol recedit igneus, como o hino das Vésperas para o ofício litúrgico aos sábados e do Domingo da Santíssima Trindade.


O Lux beata Trinitas:
Oh luz da bem-aventurada Trindade:
Et principalis Unitas:
Unidade fundamental:
Jam sol recedit igneus,
Que ofusca o fogo do próprio sol
Infunde lumen cordibus.
Enche de luz os corações.

Te mane laudum carmine,
A Vós eleva-se nosso cântico matutino,
Te praedicamus vespere;
A Vós se volta nossa oração vespertina;
Te nostra supplex gloria
Que nossa glorificação suplicante;
Per cuncta laudet saecula.
Vos louve pelos séculos dos séculos.

Deo Patri sit gloria,
A Deus Pai seja dada a glória,
eiusque soli Filio,
E a seu filho Unigênito,
cum Spiritu Paraclito,
Ao Espírito Santo Paráclito,
et nunc, et in perpetuum.
Agora e para sempre.
Amen.
Amém.

terça-feira, 21 de abril de 2026

QUANDO DEUS PUNE OS ÍMPIOS NESTA VIDA

A Providência Divina governa este mundo de tal maneira que não pune todos os ímpios nesta vida, mas não deixa de punir muitos deles. Se Deus punisse a todos, as pessoas poderiam imaginar que tudo acabou nesta vida, não restando nada para a próxima; e se Ele não punisse ninguém, poderiam imaginar que não há Providência para governar os assuntos humanos. Portanto, a Sabedoria Divina (que dirige todas as coisas para o bem de suas criaturas) pune algumas coisas severamente nesta vida, para que as pessoas vejam que a Providência existe (especialmente aquelas coisas tão extremas que elas mesmas clamam a Deus e imploram por vingança) e deixa outras impunes, para que entendamos que Ele reserva o seu castigo para a vida futura e que nem tudo se resolve nesta vida terrena.

Isso pode ser confirmado para alguns dos imperadores que perseguiram a Igreja, que receberam ainda aqui o que lhes era devido, particularmente durante a chamada Era dos Mártires. Assim, a divina Providência resplandece maravilhosamente, usando tiranos como ministros e instrumentos para estabelecer a Fé da sua Igreja com o sangue dos mártires e para adornar o Céu com esse glorioso exército. Pois se não houvesse tiranos, não haveria mártires; se não houvesse Décio, não haveria Lourenço. Se não houvesse Deciano, não haveria Vicente; e se não houvesse Herodes, não haveria mártires inocentes. Neste sentido, muitos reis e imperadores que martirizaram os santos da Igreja tiveram fins trágicos.

Herodes, para matar o Menino Jesus, matou os Inocentes, teve doença e morte foram terríveis;  após ter os olhos saltado das órbitas, em um banho, desesperado, apunhalou o próprio peito e se matou, depois de ter ordenado a morte do terceiro de seus filhos, após já ter matado dois deles (Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo, Livro 16, Capítulo 13).

O segundo Herodes, que decapitou Tiago e aprisionou São Pedro, foi ferido por um anjo e morreu devorado vivo por vermes, como o próprio Josefo e São Lucas relatam. O terceiro perseguidor da Igreja (Idem, Livro 19, Capítulo 7, Atos 12) foi Nero (que martirizou São Pedro e São Paulo). Vendo que não podia escapar dos conspiradores que buscavam matá-lo, livrou-os dessa tarefa suicidando-se. O quarto, Domiciano, que exilou São João Evangelista, foi morto pelos seus próprios homens.

Valeriano, um cruel perseguidor da Igreja, foi derrotado em batalha pelo rei dos persas, que o capturou, ordenou que lhe arrancassem os olhos e o usou como apoio para os pés quando cavalgava. Aureliano foi morto pelos seus próprios homens. Décio, que martirizou São Lourenço, foi morto junto com seus filhos.

Diocleciano, a besta mais cruel, que se fez venerar como um deus, caiu em tamanha perdição e loucura que foi forçado a abandonar a Coroa e o Cetro e viver como um homem comum. Maximiano, seu companheiro, também o abandonou e viveu como ele; e mesmo assim, não lhe foi permitido viver, pois Maxêncio, seu filho, que queria tomar o Império, o expulsou de Roma. De lá, fugiu e buscou a proteção de Constantino, seu genro. E, sendo nobremente recebido por ele, tramou uma traição contra o imperador. Isso foi descoberto, e por isso foi punido com a morte, a desonra e a infâmia. Suas estátuas e medalhas foram ordenadas a serem destruídas onde quer que estivessem, e os nomes dos estabelecimentos públicos que levavam seu nome foram ordenados a serem mudados. 

Maxêncio, seu filho, herdeiro dos vícios e da crueldade do pai, morreu por um milagre especial e pela vontade divina. Porque, tendo construído uma ponte falsa sobre um rio perto de Roma, para que o imperador Constantino, ao chegar, afundasse no rio, este, como que num acesso de loucura, esquecendo-se do que havia tramado, colocou os pés sobre o cavalo e, atravessando a ponte, caiu e se afogou.

Maximino, também um dos mais cruéis perseguidores da Igreja, foi derrotado em batalha pelo próprio Constantino e escapou fugindo de seu exército para o meio dos aguadeiros. Portanto, indignado com os adivinhos que lhe prometeram a vitória, ordenou que fossem mortos. E por essa afronta, Deus o castigou com uma doença gravíssima, com suas entranhas inchando e apodrecendo; e em seu peito surgiu uma ferida que, pouco a pouco, se espalhou por todo o seu corpo, além das outras feridas que já tinha, das quais jorravam vermes. E com eles exalava um odor tão terrível que ninguém, nem mesmo os cirurgiões, conseguia se aproximar dele. E vendo que seus médicos não conseguiam curá-lo nem lhe fazer nenhum bem, mas, ao contrário, fugiam dele por causa de seu odor abominável, ordenou que muitos deles fossem mortos. Finalmente, perdendo a visão e compreendendo melhor a feiura de seus sofrimentos, pôs fim à sua vida perversa com uma morte dolorosa.

Licínio, que governou no Oriente na época de Constantino, que perseguiu a Igreja não menos cruelmente que seus predecessores, insurgindo-se contra Constantino, também foi morto por ele em batalha.

Depois disso, Juliano, o Apóstata (que, com outras novas artes, travou uma guerra ainda mais cruel contra a Igreja), pôs fim ao seu império e à sua vida em poucos dias, morrendo na guerra contra os persas, deixando seu exército em grande perigo; nem seus deuses, nem seus adivinhos e encantadores, em quem depositava toda a sua confiança, puderam lhe valer qualquer proveito.

Valente, o Ariano, um grande perseguidor dos católicos, foi derrotado pelos godos em batalha; e, quando escondido em uma cabana, esta foi incendiada e assim ele morreu, como mereciam os seus atos.

Esses foram os fins e destinos crueis de muitos daqueles que pegaram em armas contra a religião cristã e isso constitui um argumento considerável a favor da verdade e da santidade da Igreja.

(Excertos da obra Introdução ao Símbolo da Fé', do Frei Luís de Granada, Espanha, 1730)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A SANTA VONTADE DE DEUS

Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12,2)

O que o Apóstolo quer dizer com 'a vontade perfeita' é que a alma assume a forma de piedade, na medida em que a graça do Espírito a faz florescer até a suprema beleza, atuando com o homem sofredor em sua transformação.

O crescimento do corpo não depende de nós, pois a natureza não mede sua estatura segundo o julgamento ou desejo humano: ela segue sua própria inclinação e necessidades naturais. Ao contrário, na ordem do novo nascimento, a medida e a beleza da alma - concedidas pela graça do Espírito, que vem através do zelo de quem a recebe - crescem segundo a nossa disposição. Quanto mais você se esforça pela piedade, mais a estatura da sua alma se expande, por meio dessas lutas e trabalhos aos quais o Senhor nos convida, dizendo: 'Esforcem-se para entrar pela porta estreita' (Lc 13,24; Mt 7,13), e também: 'Esforcem-se pela violência, pois são os violentos que conquistam o Reino dos Céus' (Mt 11,12). E ainda: 'Aquele que perseverar até o fim será salvo' (Mt 10,22). E mais: 'Pela perseverança, eles conquistarão suas almas' (Mc 13,12). O apóstolo também diz: 'Corramos com perseverança a corrida que nos está proposta' (Hb 12,1), e também: 'Corramos de tal maneira que alcancemos o prêmio' (1Cor 9,24), e ainda: 'Como servos de Deus com paciência incansável' (2Cor 6,4).

Isso nos convida, portanto, a correr e a direcionar todos os nossos esforços para essas batalhas, visto que a graça é proporcional ao esforço de quem a recebe. Pois é a graça do Espírito que concede a vida eterna e a alegria inefável no céu; e é o amor que, pela fé acompanhada de boas obras, conquista a recompensa, atrai os dons e proporciona o gozo da graça. A graça do Espírito Santo e as boas obras, trabalhando para o mesmo fim, preenchem a alma na qual se unem com esta vida bem-aventurada.

Pelo contrário, separadas, não trariam benefício algum à alma. Pois a graça de Deus é de tal natureza que não pode alcançar as almas que rejeitam a salvação; e o poder da virtude humana por si só não basta para elevar à forma da vida celestial aquelas almas que não participam da graça. A menos que o Senhor edifique a casa e guarde a cidade, diz a Escritura, em vão vigia a sentinela, e o construtor trabalha (Sl 127,1). E também: 'Não foi pela espada que conquistaram a terra, nem foram salvos pelas armas - embora armas e espadas tenham servido na batalha -, mas a tua mão e o teu braço, ó Senhor, e a luz do teu rosto' (Sl 43,4).

O que isso significa? Significa que, do alto, o Senhor luta com aqueles que lutam - e que a coroa não depende unicamente do trabalho dos homens, nem mesmo de seus esforços. A esperança, em última análise, repousa na vontade de Deus. É necessário, portanto, conhecer antes de tudo qual é a vontade de Deus; voltar-se para ela, dirigindo todos os nossos esforços para ela; e, buscando a vida bem-aventurada através do desejo, organizando nossa própria existência tendo em vista essa vida.

A 'vontade perfeita' de Deus consiste em purificar a alma de toda mácula pela graça, elevando-a acima dos prazeres do corpo e oferecendo-a a Deus, pura, repleta de desejo e capaz de ver a luz inteligível e inefável. Então o Senhor declara o homem 'bem-aventurado': 'Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus' (Mt 5,8). E em outro lugar, Ele ordena: 'Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial' (Mt 5,48). O Apóstolo nos exorta a lutar por essa perfeição quando diz: 'A ele é que anunciamos, admoestando todos os homens e instruindo-os em toda a sabedoria, para tornar todo homem perfeito em Cristo' (Cl 1,28).

(Excertos da obra 'O Objetivo Divino e a Vida Segundo a Verdade', de São Gregório de Nissa)

domingo, 19 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

     

'Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto de vós felicidade sem limites!' (Sl 15)
 
Primeira Leitura (At 2,14.22-33) - Segunda Leitura (1Pd 1,17-21) - Evangelho (Lc 24,13-35)

  19/04/2026 - TERCEIRO DOMINGO DA PÁSCOA 

NO CAMINHO PARA EMAÚS


No caminho para Emaús, cidadezinha distante pouco mais de 10km de Jerusalém, Jesus vai manifestar, mais uma vez, a glória da Ressurreição aos seus discípulos. Como que por acaso, Jesus os toma para si na longa caminhada, numa contemplação aparente de um mero convívio humano, nascido das circunstâncias de três peregrinos na mesma direção: 'quando eles iam conversando e discorrendo entre si, aproximou-se deles o próprio Jesus e caminhou com eles' (Lc 24,15). Não há nada de circunstancial ou de mera rotina neste encontro sobrenatural: tal grande manifestação da graça de Deus faz dele um evento singular e extraordinário.

E, de algum modo absolutamente sobrenatural, os discípulos não reconhecem Jesus, a exemplo daqueles que o encontraram às margens do mar de Tiberíades e também não o reconheceram a princípio (Jo 21,4). Movidos pelas emoções humanas, retratam a Paixão e Morte do Senhor àquele 'único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias' (Lc 24,18). Eles se referiram ao Senhor como um profeta poderoso, muito provavelmente ciente dos riscos de serem denunciados e presos por proclamarem a um desconhecido a condição de serem discípulos daquele que deveria libertar Israel, de acordo com as suas próprias motivações e perspectivas.

No caminho para Emaús, os dois discípulos expressam, num turbilhão de emoções, os sentimentos de angústia, tristeza, decepção, perturbação e esperança. E é esta esperança que vai torná-los testemunhas do amor. Jesus os repreende pela perturbação que se levanta como o pó da estrada; Jesus os orienta, por meio dos textos bíblicos, no caminho da santificação plena e no entendimento de toda Verdade de Deus. Jesus ilumina para sempre os seus corações, na tarde ensolarada que declina.

E, ficando com eles, o Senhor vai manifestando, mais uma vez, o mistério concreto da Santa Eucaristia como a permanência de Deus Vivo entre os homens: 'Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles' (Lc 24,30-31). Como os dois discípulos de Emaús, na Santa Eucaristia, nós reconhecemos e, mais do que reconhecer, nós ficamos com Jesus, na poeira das estradas do mundo, na certeza da caminhada rumo à eternidade com Deus.

sábado, 18 de abril de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XVII)

        

PARTE II - O JUÍZO FINAL

XII. Como os condenados lamentarão e serão lançados no inferno

Sabemos, pelo testemunho das próprias palavras de Cristo que, aos condenados, será permitido falar com Ele, depois de terem recebido sua sentença. Então (isto é, após a sentença ter sido pronunciada), Ele nos diz: 'Eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou como estrangeiro, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te servimos? (Mt 25,44).

Quando as almas perdidas perceberem que não há mais nenhum resquício de esperança de que sua terrível sentença de condenação possa ser atenuada, elas, em seu desespero, proferirão horríveis imprecações: 'malditos sejam os pais que nos deram à luz; malditos sejam todos aqueles que nos levaram ao pecado; malditos sejam todos os homens que viveram conosco nesta terra; maldito seja Aquele que nos criou; maldito seja o sangue de Cristo, com o qual fomos redimidos; malditos sejam todos os santos de Deus!'

O que fará o Juiz Divino quando os ouvir injuriar a Deus dessa maneira chocante? Quando Ele próprio, diante do conselho judaico, reconheceu que era o Filho de Deus, o sumo sacerdote Caifás rasgou suas vestes e clamou em alta voz: 'Ele blasfemou; agora que ouviram a blasfêmia, o que pensam?' E o povo, respondendo, disse: 'Ele é digno de morte'. A mesma cena se repetirá agora, só que será mil vezes mais terrível. Quando Cristo ouvir essas blasfêmias, Ele exclamará, em santa indignação: 'Eles blasfemaram contra Deus, amaldiçoaram a mim e aos meus santos! Vocês mesmos ouviram, agora o que pensam?' Então, todos os anjos e santos responderão: 'Eles são dignos da morte eterna, das dores eternas do inferno! Levai-os para o lugar do tormento, levai-os para o fogo eterno!'

Então se cumprirá o que está predito no livro da Sabedoria: 'O Juiz Divino tomará o zelo como sua armadura e armará a criatura para a vingança dos seus inimigos. Ele vestirá a justiça como couraça e tomará o verdadeiro julgamento em vez de um elmo. Ele tomará a equidade como escudo invencível e afiará a sua ira severa como lança, e o mundo inteiro lutará com Ele contra os insensatos. Então, raios sairão diretamente das nuvens, como de um arco bem tensionado. Serão disparados e voarão em direção ao alvo. E granizo espesso será lançado sobre eles pela ira que lança pedras; as águas do mar se enfurecerão contra eles, e os rios correrão juntos de maneira terrível. Um vento poderoso se levantará contra eles e, como um redemoinho, os dividirá; e a sua iniquidade transformará toda a terra em um deserto, e a maldade derrubará os tronos dos poderosos' (Sb 5,18-24).

Com estas palavras terríveis, a Sagrada Escritura, o livro da verdade eterna, descreve a sagrada indignação com que o Juiz supremo castigará os condenados enquanto ainda estiverem na terra. Todos os elementos - trovões, relâmpagos, tempestades de granizo, as ondas furiosas do oceano, redemoinhos e tempestades - enfim, todos os poderes da natureza tornar-se-ão instrumentos para executar a vingança de Deus sobre aqueles que se rebelaram contra Ele, contra os miseráveis abandonados cuja existência na terra tem sido uma longa e terrível afronta ao seu Criador. Pois, em suas palavras e obras, blasfemaram contra Ele, o Deus de infinita santidade, poder e bondade amorosa. Ofenderam deliberadamente o Criador e Mantenedor do reino da natureza; por isso, toda a natureza se levantará contra eles em vingança.

Agora, quando Cristo derramar sobre esses seres infelizes toda a fúria das forças da natureza em sua raiva vingativa e primitiva, a terra se abrirá sob seus pés, e eles, juntamente com todos os demônios, serão engolidos. São João, no Apocalipse, diz: 'E um anjo poderoso pegou uma pedra, como que uma grande mó, e a lançou no mar, dizendo: com tal violência como esta será derrubada Babilônia, a grande cidade, e não será mais encontrada' (Ap 18,21). Não significam estas palavras proferidas pelo Anjo que todas as almas perdidas descerão ao inferno com o ímpeto de uma pedra de moinho que afunda até o fundo do abismo de águas para o qual é lançada? Ó terrível queda dos condenados! Quem pode pensar nisso sem estremecer! Ai daqueles para quem ela está preparada; melhor teria sido para eles nunca terem nascido! Assim serão precipitados e o inferno abrirá, como um dragão feroz, suas mandíbulas para devorá-los e os engolirão, conforme a profecia de Isaías: 'Por isso, o inferno se alargará e abrirá desmesuradamente a boca. O esplendor de Sião e sua multidão barulhenta, seu alvoroço e sua alegria nele desaparecerão' (Is 5,14). 

Quem pode retratar o desespero dos condenados, a fúria com que, no abismo profundo e sombrio do inferno, procurarão, em sua raiva, rasgar-se e dilacerar-se entre si? Que palavras podem descrever os uivos e gemidos que ecoarão por aquele lugar de tormento? Está além do poder do homem conceber. Pois se a Sagrada Escritura nos diz que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem ainda subiu ao coração do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam, não se poderá também dizer que o homem não pode formar qualquer ideia do que Deus preparou para aqueles que tão frequentemente, tão deliberadamente, o insultaram? E se as alegrias do Céu superam toda a nossa capacidade de descrição, não serão também os tormentos do inferno inconcebivelmente inimagináveis?

Reflita sobre isso, ó leitor, reflita com frequência, e não desperdice a tua vida em prazeres fúteis, mas procura salvar a tua alma. Clama a Deus com todo o fervor do teu coração e implora que Ele te conceda uma sentença favorável no dia do Juízo Final, dizendo em oração fervorosa.

ORAÇÃO

Deus justíssimo e Juiz de todos os homens, muitas vezes e gravemente eu vos ofendi e nada tenho a esperar da vossa justiça senão castigo severo. No entanto, eis que vos confesso as minhas faltas; delas me arrependo e abomino, propondo firmemente, a partir de agora, ser-vos sempre fiel. Por isso, suplico-vos, pela vossa infinita misericórdia, que eu seja perdoado dos meus pecados, livrado da morte que condena e me torne merecedor da felicidade eterna. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

sexta-feira, 17 de abril de 2026

A FONTE DA INFINITA MISERICÓRDIA

 

Alma necessitada de misericórdia,
seja quem for e onde quer que esteja,
saiba que todas as riquezas da Divina Misericórdia
estão prontas para você, contidas e ofertadas,
no Santíssimo Sacramento do Altar.

Caminhe até o sacrário,
ou procure a custódia que exibe o Corpo de Cristo,
– um banquete para os seus olhos –
e  adore ali o mistério da Divina Misericórdia.
Abra por inteiro o seu coração, 
na plenitude da disposição interior, 
para acolher a poderosa torrente de Misericórdia
destinada a você e, por meio de você, 
àqueles cujas dores e fraquezas
você escolheu ou lhes foi dado suportar.

Adore o Sangue e a Água que, ainda agora,
jorram do Lado Sagrado
com uma frescura e uma pureza que nunca envelhecem.
Adore os dons do Espírito Santo
e anseie recebê-los hoje e sempre, 
como a Alma da tua alma,
ou seja, a própria Vida da tua vida.
A Fonte da Divina Misericórdia
está escondida no Sacramento do Altar.

Perto da Fonte Eucarística,
você encontrará Maria, a Mater Misericordiae.
Ela nunca se cansa de comunicar às almas
a abundância da Divina Misericórdia.
Tão próxima está ela da Fonte,
que é como se ela e a Fonte fossem uma coisa só:
tudo o que jorra da Fonte passa por ela,
e está em seu poder direcionar o fluxo da Divina Misericórdia
para quem ela quiser.
O seu Filho confia tanto em seu Coração maternal
que lhe confiou tudo,
permitindo-lhe dispensar livremente da sua Misericórdia para com as almas.

Alma devotada à Divina Misericórdia,
adore Aquele que está presente como Misericórdia
no Sacramento do Altar.
A Divina Misericórdia entra no mundo pelo Santíssimo Sacramento,
pois nele está o Coração de Jesus, a fonte da sua Misericórdia,
e seu Lado traspassado, a fonte da Divina Misericórdia,
a porta pela qual a Divina Misericórdia entra no universo
e espraia abundantemente sobre as almas
para purificá-las, santificá-las e glorificá-las.

Alma submersa em misérias,
se deseja experimentar a Divina Misericórdia,
aproxime-se da Presença Eucarística do Transpassado;
permanece na luz do seu Rosto Eucarístico;
mantenha-se recolhido e confiante diante do seu Lado Aberto.
Ali, você nunca será decepcionado em sua esperança.
Pois com Ele está a Misericórdia e a redenção abundante,
e Ele perdoará todos os seus pecados.
Cada tabernáculo que abriga o seu adorável Corpo e Sangue
coloca à sua disposição e a de todos os seus filhos,
a Fonte da infinita Misericórdia de Deus.

(A Inesgotável Misericórdia de Deus, do site Vultus Christi)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

OS MILAGRES EUCARÍSTICOS DE CHIRATTAKONAM E VILAKKANUR

Chirattakonam (pronuncia-se Kiratakónam) é uma pequena localidade na Índia, situada no estado de Kerala, ao sul do país, conhecido pelas suas paisagens tropicais, rios e praias. Em termos geográficos, Chirattakonam é uma área rural associada à região de Thiruvananthapuram (ou Trivandrum), que é a capital do estado de Kerala. Neste local, mais especificamente na Igreja de Santa Maria (rito católico siro-malancar), ocorreu o chamado milagre eucarístico de Chirattakonam, em 28 de abril de 2001.

Neste dia, pela manhã, como ocorria normalmente todos os anos, teve início naquela paróquia a novena a São Judas Tadeu. Exatamente às 08:49h, o padre celebrante - Fr. Johnson Karnoor, pároco da igreja entre 1998 e 2007 - expôs o ostensório com o Santíssimo Sacramento para adoração pública, percebendo, logo em seguida, a presença de três pontos de sangue muito nítidos na Santa Eucaristia. Após destacar esse fato singular aos fieis presentes, exortou-os a continuarem em oração, enquanto guardava o ostensório no sacrário. No dia 30 de abril, viajou para Trivandrum e só retornou à sua paróquia para a missa da manhã do sábado seguinte, dia 05 de maio de 2001.

Ao abrir o sacrário, deparou-se com grande admiração com uma figura claramente estampada na hóstia, à semelhança de um rosto humano. Outras pessoas viam a figura também que, uma vez exposta à adoração, tornava-se cada vez mais nítida para todos. Durante a adoração, era hábito a leitura de uma passagem das Sagradas Escrituras que, naquele abençoado dia, narrava o episódio da aparição de Jesus ao incrédulo São Tomé, pedindo-lhe que tocasse as suas feridas da Paixão. Um fotógrafo foi chamado então para registrar o evento extraordinário exposto na hóstia consagrada. Com o tempo, a imagem tornou-se cada vez mais nítida e revelou-se a de um homem semelhante a Cristo, coroado de espinhos.


A imagem milagrosa foi investigada pela diocese de Trivandrum e a custódia com a hóstia permanece guardada na igreja até o presente. Este milagre eucarístico foi ratificado recentemente por outro, ocorrido em Vilakkannur, também no estado de Kerala, no sul da Índia. 

Em 15 de novembro de 2013, durante uma missa matinal de rotina na Igreja local de Cristo Rei, o padre Thomas Pathickal elevou a hóstia consagrada e, neste exato momento, uma imagem misteriosa começou a surgir sobre a superfície branca da hóstia. A imagem de um rosto inconfundivelmente humano, o qual as testemunhas reconheceram imediatamente como sendo o rosto de Jesus Cristo. Todos se ajoelharam em reverência e a notícia do acontecimento se espalhou rapidamente por toda a região.


Mais tarde, a hóstia com a imagem de Cristo foi confiada ao Núncio Apostólico na Índia e, após um cuidadoso processo de investigação, o Vaticano chancelou o evento como sendo um autêntico milagre eucarístico, que foi reconhecido oficialmente pela Igreja em 31 de maio de 2025.

terça-feira, 14 de abril de 2026

PEDIDO DE BÊNÇÃO DE UMA CASA

Na ausência de uma bênção solene feita por um sacerdote ou segundo um rito litúrgico próprio, o católico pode pedir, junto com a sua família, as graças de Deus para abençoar a sua casa de maneira simples e piedosa, por meio da oração abaixo ou outra similar.


Ó meu Jesus, que quisestes nascer da Virgem Maria e habitar entre nós, dignai-vos entrar nesta casa e abençoá-la com a vossa presença, agora e sempre. Velai pelas almas que nela habitam, participando de nossas alegrias e nos confortando em nossas tristezas. Protegei-nos do perigo e livrai-nos de todo o mal. Dai-nos a graça de sermos perseverantes na fé e vivermos de tal modo que esta casa seja um lar de caridade onde reine a vossa paz e onde sempre se cumpra a santa vontade de Deus. Amém.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A SANTIFICAÇÃO DA MATERNIDADE

Contemplei durante muito tempo, na célebre abadia de Melk, à beira do Danúbio, as pinturas da abóbada que representam a fé, a esperança e a caridade. São três mulheres: a fé traz a cruz e o cálice, a esperança a âncora de salvação, a caridade é uma mãe rodeada de filhos - um ·deles abraça-a, o outro beija-a e o terceiro brinca ao seu lado... Todas as aspirações da mulher encontram na família a sua mais bela plenitude.

O cetro do mundo pertence a quem pode dar a vida a um novo ser e, por isso, podem as mulheres olhar com desdém para o grandioso edifício de São Pedro de Roma ou qualquer outra construção tão impressionante como essa. Elas trouxeram ao mundo algo de mais senhorial e mais belo: o templo para uma alma imortal! A mulher trabalha no lar, mas o seu silencioso labor reflete-se em todo um povo. Transmite todo o tesouro da cultura aos filhos e aos netos, edifica o futuro e não só o futuro terreno; já que a sua ação penetra na eternidade até ao coração de Deus. 

Sem ela não há família, sem ela não há pátria. Sem ela perder-se-iam as fontes mais ricas da energia da humanidade; sem ela desapareceriam a bondade, o amor e a compaixão. É o humilde cajado em que se apoia o homem, cansado de peregrinar pelos poeirentos caminhos da vida. É o soldado desconhecido do contínuo dia a dia. A mão que embala uma criança, guia o leme do mundo e tudo quanto no mundo vive e morre, teve a sua origem numa mulher.

'O homem vem à vida através da mulher' - diz São Paulo e, por isso, nas obras dos homens sempre se vislumbra a imagem de uma mulher. O homem pode encontrar-se numa situação elevada e brilhante, de destaque perante a história, ou numa profunda obscuridade. A mulher, como imagem do valor eternamente duradouro, vai criando no silêncio vidas novas, traça-lhes o caminho e deita a semente num campo que nunca foi lavrado. 

Nos traços da mãe está impressa a face do povo que há de vir. Uma moça, pouco depois de ser mãe, dizia-me: 'A passagem da mulher para mãe é mais importante que a passagem de adolescente para mulher'. Na maternidade, encontra a sua solução esse problema premente e angustiante que tantas sombras projeta nos dias da juventude, o problema da aparição do amor e da mútua harmonia dos amores. O matrimônio serve para realizar essa harmonia e resolve o problema da mulher, porque é na maternidade que ela consegue alcançar a sua felicidade em clima apropriado à sua natureza. 

A vida da mulher é mais silenciosa e recolhida que a do homem, mas do fogo do lar pode ela fazer fogo de um altar sagrado onde oferecer-se, dia a dia, silenciosamente, até ao holocausto. Quando contemplo uma cruz coroada de rosas, penso no meu íntimo: este é o símbolo da vida da mulher, a cruz escondida entre as rosas! A vida e a vocação da mulher não são sempre rosas, mas também não são sempre cruz. Lado a lado, caminham rosas e cruz. Em resumo, viver para os outros, procurar por todos os meios a felicidade dos outros, ainda que se desfaça em sangue o coração!

Uma frase de León Bloy é digna de ser meditada: 'Quanto mais santa é uma mulher, tanto mais é mulher'. E também tem valor permanente o pensamento de Schiller: 'Honra a mulher! Ela tece rosas no caminho da vida, tece o feliz vínculo do amor e, oculta sob o véu da graça, alimenta vigilante, com mãos sagradas, o eterno fogo dos nobres sentimentos'.

Excertos da obra 'A Mãe', do Cardeal Mindszenty (1956)

domingo, 12 de abril de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

    

'Dai graças ao Senhor porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia!' (Sl 117)

Primeira Leitura (At 2,42-47) - Segunda Leitura (1Pd 1,3-9) - Evangelho (Jo 20,19-31)

  12/04/2026 - SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA 

'MEU SENHOR E MEU DEUS!'


O segundo domingo do tempo pascal é consagrado como sendo o 'Domingo da Divina Misericórdia', com base no decreto promulgado pelo Papa João Paulo II na Páscoa do ano 2000. No Domingo da Divina Misericórdia daquele ano, o Santo Padre canonizou Santa Maria Faustina Kowalska, instrumento pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fez conhecer aos homens o seu amor misericordioso: 'Causam-me prazer as almas que recorrem à minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos. Não posso castigar, mesmo o maior dos pecadores, se ele recorre à minha compaixão, mas justifico-o na minha insondável e inescrutável misericórdia'.

No Evangelho deste domingo, Jesus já havia se revelado às santas mulheres, a Pedro e aos discípulos de Emaús. Agora, apresenta-se diante os Apóstolos reunidos em local fechado e, uma vez 'estando fechadas as portas' (Jo 20,19), manifesta, assim, a glória da sua ressurreição aos discípulos amados. 'A paz esteja convosco' (Jo 20,19) foi a saudação inicial do Mestre aos apóstolos mergulhados em tristeza e desamparo profundos. 'A paz esteja convosco' (Jo 20,21) vai dizer ainda uma segunda vez e, em seguida, infunde sobre eles o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20,22-23), manifestação preceptora da infusão dos demais dons do Espírito Santo por ocasião de Pentecostes. A paz de Cristo e o Sacramento da Reconciliação são reflexos incomensuráveis do amor e da misericórdia de Deus.

E eis que se manifesta, então, o apóstolo da incredulidade, Tomé, tomado pela obstinação à graça: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei' (Jo 20,25). E o Deus de Infinita Misericórdia se submete à presunção do apóstolo incrédulo ao lhe oferecer as chagas e o lado, numa segunda aparição oito dias depois, quando estão todos novamente reunidos, agora com a presença de Tomé, chamado Dídimo. 'Meu Senhor e meu Deus!' (Jo 20,28) é a confissão extremada de fé do apóstolo arrependido, expressando, nesta curta expressão, todo o tesouro teológico das duas naturezas - humana e divina - imanentes na pessoa do Cristo.

'Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' (Jo 20,29) é a exclamação final de Jesus Ressuscitado pronunciada neste Evangelho. Benditos somos nós, que cremos sem termos vistos, que colocamos toda a nossa vida nas mãos do Pai, que nos consolamos no tesouro de graças da Santa Igreja. E bem aventurados somos nós que podemos chegar ao Cristo Ressuscitado com Maria, espelho da eternidade de Deus na consumação infinita da Misericórdia do Pai.