terça-feira, 27 de janeiro de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXVII)


'A Eucaristia é o Paraíso na terra'

(Santa Teresa Margarida do Coração de Jesus)

Jesus, ao receber esta santa eucaristia, eu queria estar convosco diante dos sacrários mais isolados, abandonados e esquecidos da Terra, para vos fazer companhia, vos louvar e adorar e vos oferecer este sacrifício como sustento e remédio para a minha vida e a vida dos homens que vos abandonam em tantos altares...

EXAME DE CONSCIÊNCIA (XII)

        

XII. Pecados mortais contra o quinto mandamento

Não Matarás

☀ praticar homicídio (culposo, doloso ou qualificado)
☀ realizar ou participar de um aborto
☀ promover, aconselhar ou pagar por um aborto
☀ votar conscientemente em alguém que seja favorável ao aborto
☀ ferir ou tentar ferir outra pessoa intencionalmente
☀ levar intencionalmente outra pessoa a cometer um pecado grave
☀ dirigir de forma perigosa ou imprudente
☀ dirigir sob a influência de drogas ou álcool
☀ desenvolver intencionalmente ódio por outra pessoa
☀ usar ou vender drogas ilegais
☀ embriagar-se de forma deliberada
☀ praticar automutilação
☀ utilizar-se de tatuagens excessivas
☀ utilizar piercings corporais excessivos
☀ utilizar piercings nos mamilos ou nos órgãos sexuais
☀promover ou envolver-se com processos de esterilização
☀ promover ou se envolver em eutanásia
☀ entreter-se seriamente com pensamentos suicidas
☀ tentar ou ter intenção de cometer suicídio
☀ deixar deliberadamente de enterrar o corpo ou as cinzas de um falecido
☀ envolver-se deliberadamente em processos judiciais injustos
☀ praticar a intolerância (ódio por pessoas de outras raças)
☀fomentar tentações deliberadas a pessoas vulneráveis a elas

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A ALAVANCA QUE LEVANTA O MUNDO

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inativa. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a sua palavra doce e inflamada. Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir.

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores gênios?

Houve um sábio que disse: 'Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo'. O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderoso deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca, a oração, que abrasa com fogo de amor. E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

(Excertos da obra 'Manuscrito Autobiográfico', de Santa Teresa de Lisieux)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (XI)

       

XI. Pecados mortais contra o quarto mandamento

Honrar pai e mãe

☀ faltar gravemente no cuidado dos pais idosos
☀ negligenciar gravemente dos deveres inerentes à própria condição de vida
☀ desrespeitar ou desobedecer gravemente aos pais, superiores ou autoridades
☀ desejar a morte ou algum mal aos pais
☀ abusar ou negligenciar gravemente das crianças
☀ faltar no batismo das crianças num prazo razoável (dentro de alguns meses) após o nascimento
☀ negligenciar gravemente da formação ou da educação religiosa das crianças
☀ faltar ao cumprimento da última vontade ou testamento dos pais falecidos

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

domingo, 25 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida.(Sl 26)

Primeira Leitura (Is 8,23b-9,3) - Segunda Leitura (1Cor 1,10-13.17) -  Evangelho (Mt 4,12-23)

  25/01/2026 - TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

PESCADORES DE HOMENS


Com a prisão e morte de João Batista, tem fim a Era dos Profetas e começa a pregação pública de Jesus sobre o Reino de Deus: 'Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo' (Mt 4,17). O reino de Deus é o reino dos Céus, e não um império firmado sobre as coisas deste mundo. Cristo, rei do universo, começa a sua grande jornada pelos reinos do mundo para ensinar que a pátria definitiva do homem é um reino espiritual, que se projeta para a eternidade a partir do coração humano.

E esta proclamação vai começar por Cafarnaum e nos territórios de Zabulon e Neftali, localizada na zona limítrofe da Síria e da Fenícia, e povoada, em sua larga maioria, por povos pagãos. Em face disso, esta região era a chamada 'Galileia dos Gentios', e seus habitantes, de diferentes raças e credos, eram, então, objeto de desprezo por parte dos judeus da Judeia. E é ali, exatamente entre os pagãos e os desprezados, que o Senhor vai proclamar publicamente a Boa Nova do Evangelho do Reino de Deus: 'O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz (Mt 4,16).

Nas margens do Mar da Galileia, Jesus vai escolher os seus primeiros discípulos num chamamento imperativo e glorioso: 'Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens' (Mt 4,19). Aqueles pescadores, acostumados à vida dura de lançar redes ao mar para buscar o seu sustento, seriam agora os primeiros a entrarem na barca da Santa Igreja de Cristo para se tornarem pescadores de homens, na gloriosa tarefa de conduzir as almas ao Reino dos Céus.

Eis a resposta pronta e definitiva dos primeiros apóstolos ao chamado de Jesus: 'Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram' (Mt 4,20) e 'Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram' (Mt 4,22). Seguir a Jesus implica a conversão, pressupõe o afastamento do mundo, pois Jesus nos fala do Reino dos Céus. No 'sim' ao chamado de Jesus, nós passamos a ser testemunhas e herdeiros deste reino 'que não é desse mundo', e nos abandonamos por completo na renúncia a tudo que é humano para amar, servir e viver, prontamente, cotidianamente, o Evangelho de Cristo.

sábado, 24 de janeiro de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (77/80)

 

77. ASSIM TRATA DEUS A SEUS FILHOS

Um pio solitário dirigindo-se a Deus, a quem servia fielmente, dizia com ingênua franqueza: 'Senhor, vós me enganastes, chamando-me ao vosso serviço. Eu imaginava que só teria cruzes difíceis de suportar e dias de penitência e de pranto. Entretanto, experimento a mais doce consolação... Senhor, vós me enganastes, mas, ó feliz engano!'

78. ESTAR TRISTE NO CONVENTO?

São Francisco de Assis, quando abandonou o mundo e todos os bens que possuía por amor de Deus, embora se encontrasse quase desnudo, dizia cheio de gozo: 'Meu Deus e meu tudo' - como se dissesse: 'Tenho Deus, tenho tudo!' Mais tarde, notando que um dos seus frades andava tristonho, disse-lhe: 'Que é que tens, irmão, que estás triste? Cometeste algum pecado? Não sabes que só a culpa nos deve entristecer? Vai rezar: só aos pés de Jesus se deve gemer e pedir perdão; diante de mim e dos outros confrades não se deve fazer isso'.

São Francisco de Borja, também depois de retirar-se da corte e dar-se inteiramente a Deus, sentia consolação e felicidade, que passava noites inteiras sem poder dormir. São Filipe Néri, que também não conseguía conciliar o sono em vista do grande prazer que sentia no serviço de Nosso Senhor, dizia: 'Por favor, meu Jesus, deixai-me dormir!'

De São Francisco Xavier sabe-se que, em suas excursões apostólicas através das Índias, descobria o peito e exclamava: 'Basta, Senhor! Basta de consolações, pois o meu coração não é capaz de contê-las'. Bem dizia Santa Teresa que mais vale uma só gota dessa paz, que só Deus pode dar, do que todos os prazeres, riquezas e glórias do mundo.

São Romualdo, penitente austeríssimo, que, entretanto, viveu 120 anos, mostrava sempre o rosto tão alegre e sereno que causava alegria a todos que olhavam para ele.

79. ESCADA DE OURO PARA O CÉU

Santa Perpétua estava no cárcere, em Cartago. Após vários dias de atrozes sofrimentos, disse-lhe um irmão seu que rezasse para que Nosso Senhor lhe revelasse se teria de sofrer o martírio ou se seria libertada. A santa recolheu-se em oração e teve uma visão que ela mesma conta.

➖ Vi - disse ela - uma escada de ouro, de altura prodigiosa, que ia da terra ao céu, mas tão estreita que só uma pessoa de cada vez podia subir; os dois lados da escada eram flanqueados por espadas cortantes, lanças, foices, punhais, facões, de sorte que, se alguém subisse distraidamente e sem ter os olhos fitos para o alto, não escaparia de ser dilacerado por aquelas armas e deixaria ali pedaços de carne. Aos pés da escada achava-se um dragão, que estava pronto a lançar-se contra todo aquele que se aproximasse para subir.

A terrível visão verificou-se no cruel martírio que a mesma santa teve de suportar; mas algo semelhante sucede a todo cristão, pois que ninguém chega ao céu senão através de provas e tentações duríssimas.

80. A CULPA É DELES...

Lê-se na história de Santo Antão que, um dia, o demônio se apresentou a ele visivelmente. Estava tão furioso que parecia querer acabar com todo o gênero humano.

O santo, que não temia ataques do diabo, perguntou-lhe o que significava aquilo.
➖ Ah! - respondeu o maligno -não vês que, em toda parte, sou alvo de desprezo e de maldição?
➖Ah! entendo; mas, também, não há mal algum que não mereças, pois tu só procuras arrastar os homens à perdição, e fazer muito mal a todos.
➖ Se lhes faço mal - respondeu o diabo - é culpa deles; faço mal somente aqueles que o consentem e sou impotente contra os que me resistem. Se posso algo contra os homens, é porque eles dão ouvidos às minhas sugestões e aceitam espontaneamente os meus embustes.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE SANTARÉM

Em Santarém, cerca de 45km de Fátima, um milagre eucarístico que ainda hoje persiste na história, antecipou por quase 700 anos as aparições de Nossa Senhora em Fátima. A data exata do milagre é desconhecida, mas comumente enquadrada aproximadamente na primeira metade do século XIII (as referências mais comuns situam o evento nos anos de 1247 ou 1266). O extraordinário se mantém intacto, ainda que o cenário e os personagens tenham sido desfeitos como poeira pelo tempo.

O fato singular tem início com um sacrilégio, envolvendo uma esposa infeliz e um marido infiel. Diante a situação de um casamento em crise profunda, a infeliz esposa buscou auxílio com uma feiticeira, que lhe prometeu ajuda no amor conjugal mediante a entrega por ela de uma hóstia consagrada. A mulher dirigiu-se, então, à Igreja de Santo Estêvão, participou normalmente da comunhão mas não engoliu a hóstia, removendo-a às escondidas da boca e, após envolvê-la por um véu, se dispôs a levá-la para o feitiço proposto. Durante o trajeto, entretanto, a hóstia começou a sangrar abundantemente, manchando o véu que a cobria com tal viva exposição, que a mulher mudou imediatamente de ideia, dirigiu-se apressadamente para casa e, na falta de uma opção melhor, guardou toda a peça em um pequeno baú.

Durante a madrugada, a casa foi tomada por uma intensa luz brilhante que se irradiava do baú; em pânico, a mulher confessou o seu pecado ao marido e ambos se prostraram cheios de temor diante o baú até o amanhecer, quando o pároco local foi chamado e inteirado dos fatos. A Sagrada Hóstia foi então transferida em procissão para a Igreja de Santo Estêvão, sendo conservada dentro de uma custódia feita de cera para preservar o sangue derramado.

Um outro evento extraordinário seguiu-se ao primeiro. Ao se abrir o sacrário contendo a custódia para uma solenidade de adoração pública da hóstia milagrosa, constatou-se que a mesma encontrava-se agora encerrada em uma píxide de cristal, juntamente com o precioso sangue, e com a cera envolvente desfeita em pedaços. No século XVIII, a hóstia foi transferida para um ostensório de ouro e prata que simula a irradiação original com 33 raios de luz, onde permanece até hoje. 

A hóstia apresenta um formato irregular, assemelhando-se à carne, com delicadas veias que percorrem toda a sua extensão, com uma quantidade associada de sangue seco e endurecido. O sangue se liquefez por diversas vezes ao longo dos séculos e a hóstia permanece intacta mesmo quase oito séculos depois. São Francisco Xavier, que visitou o santuário antes de partir para as suas missões, foi um dos muitos que testemunharam diretamente esse sinal extraordinário dos Céus.


A pequena casa onde o milagre ocorreu foi transformada em uma capela (atual Ermida), sendo agora o local de partida da procissão anual da festa litúrgica (comumente no Segundo Domingo da Páscoa, embora o aniversário do milagre seja celebrado no dia 22 de fevereiro), que refaz o trajeto da hóstia milagrosa até a igreja de Santo Estêvão que, após investigação formal e aprovação das autoridades da Igreja, foi renomeada como 'Igreja do Santíssimo Milagre'. Em 1997, a igreja foi elevada a santuário diocesano. Vários papas (Pio IV, São Pio V, Pio VI e Gregório XIV) concederam privilégios especiais e indulgências aos peregrinos e visitantes devotos do Santíssimo Milagre de Santarém.


VER MILAGRES EUCARÍSTICOS - PÁGINA DE SENDARIUM

EXAME DE CONSCIÊNCIA (X)

      

X. Pecados mortais contra o terceiro mandamento

Lembre-se de santificar o Dia do Senhor

☀ faltar à missa no domingo ou num dia santo de guarda sem motivo grave
 realizar trabalho desnecessário no domingo por um longo período de tempo, ou seja, mais do que algumas horas
 deixar intencionalmente de jejuar ou abster-se de carne nos dias designados
 exigir que funcionários trabalhem no domingo em ocupações não essenciais


(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A CIÊNCIA DE DEUS (X)


Deus está, como diz o Catecismo da Igreja Católica, 'além do espaço e do tempo'. Se Deus não tivesse escolhido criar o espaço e o tempo, não existiriam tais coisas como espaço e tempo; portanto, as categorias espaciais e temporais não podem ser aplicadas à própria natureza de Deus. Deus é 'eterno' não no sentido de duração ilimitada, mas no sentido de existência atemporal. Como disse São Tomás de Aquino, Deus vive no nunc stans - 'o agora que permanece imóvel'. A passagem do tempo é o ganho constante de algumas coisas e a perda de outras; mas a plenitude e a perfeição do ser que é a natureza divina não podem perder nada do que têm, nem ganhar nada do que lhes falta, pois não há nada que lhes falte. Deus não aprende nem esquece, mas compreende todas as coisas em um ato infinito, perfeito e imutável de conhecimento e compreensão. Todas as coisas estão, portanto, 'presentes' para ele, não em um passado que ele precisa resgatar da memória, nem em um futuro que ele precisa antecipar. Como disse Santo Agostinho, Deus habita 'na sublimidade de uma eternidade sempre presente'.

Isso é difícil de compreender, porque nós mesmos somos seres mutáveis em um mundo de seres mutáveis, e nossos próprios pensamentos estão em constante fluxo. Não podemos imaginar a atemporalidade. Talvez o mais próximo que possamos chegar disso seja pensar em verdades atemporais, como as verdades da matemática. Não dizemos '2 + 2 serão 4' ou '2 + 2 eram 4'. Isso seria absurdo. Em vez disso, dizemos '2 + 2 são 4'. É assim de uma forma atemporal. A atemporalidade de Deus é um significado que os teólogos viram no nome que Deus revelou a Moisés da sarça ardente: 'EU SOU O QUE SOU' ou simplesmente 'EU SOU'. 'Assim dirás aos filhos de Israel: ‘EU SOU’ me enviou a vós' (Ex 3,14). E Cristo diz de si mesmo: 'Antes que Abraão existisse, EU SOU (Jo 8,58).

Como Deus está além do espaço e do tempo, todas as coisas, onde quer que estejam localizadas no espaço e no tempo, estão igualmente presentes para ele e ele está igualmente presente para elas e é igualmente a causa de seu ser e realidade. Ele 'sustenta todas as coisas pelo poder de sua palavra' (Hb 1,3). Portanto, não são apenas as coisas que existiam no início dos tempos que foram criadas por Deus. Todas as coisas que já existiram ou que existirão têm sua existência proveniente de Deus. Você está, neste momento, sendo criado por Deus, pois ele está 'sustentando' a sua existência 'pelo poder da sua palavra'.

(Excertos do artigo 'St Augustine and the Beginnning of Time', de Stephen Barr, tradução do autor do blog)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (IX)

     

IX. Pecados mortais contra o segundo mandamento

Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão

☀ usar o nome de Deus intencionalmente como um palavrão
☀ desejar seriamente o mal a outra pessoa
☀ caluniar ou insultar gravemente uma pessoa ou objeto sagrado
☀ fazer um juramento em uma sociedade secreta
☀ mentir ou ocultar um pecado grave na confissão
☀ blasfemar contra Deus com ódio, revolta ou condenação
☀ cometer perjúrio (mentir sob juramento)
☀ fazer juramentos falsos

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XI)

  

PARTE II - O JUÍZO FINAL

VI. Sobre a Vinda do Juiz 

O que se disse até agora, ó leitor cristão, é realmente muito assustador e terrível, mas não é nada em comparação com o que estamos prestes a considerar. Pois a vinda do Juiz será tão terrível, tão assustadora, que tudo o que está no céu e na terra tremerá e se abalará. O poder e a majestade com que Ele virá estão além do poder das palavras para descrever. Para que possamos saber algo a respeito disso e sermos capazes de formar alguma concepção, o próprio Cristo predisse a sua vinda com estas palavras: 'Quando o Filho do homem vier em sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Ele se assentará no trono da sua majestade, e todas as nações serão reunidas diante dele' (Mt 25,31-32). E novamente: 'E verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com grande poder e majestade' (Mt 24, 30). Assim, vemos Nosso Senhor afirmar duas vezes que Ele virá nas nuvens do céu, acompanhado por todos os seus anjos e com grande poder e majestade.

Quem poderá descrever a grandeza desse poder, o esplendor dessa majestade, o número incontável dessas hostes angelicais? Ouçam o que o salmista diz sobre o assunto: 'Um fogo irá adiante dele e queimará os seus inimigos ao redor. Os seus relâmpagos brilharam para o mundo, a terra viu e tremeu. As montanhas derreteram como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra. Os céus proclamaram a sua justiça e todos os povos viram a sua glória' (Sl 96,3-6). E em outro salmo lemos: 'De Sião resplandecerá o ideal da sua beleza... Um fogo arderá diante dele, e uma tempestade poderosa o envolverá” (Sl 49,2-3). O profeta Isaías também prediz a vinda do Juiz nos seguintes termos: 'Eis que o Senhor virá com fogo, e os seus carros são como um redemoinho, para manifestar a sua ira com indignação e a sua repreensão com chamas de fogo' (Is 46,15). Além disso, o próprio Cristo declara: 'Como o relâmpago vem do Oriente e se mostra até no Ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem' (Mt 24,27).

Se essa for a maneira como o Juiz virá, se chamas de fogo procederem do seu rosto, se Ele descer do céu em uma carruagem de fogo, armado com ira contra os pecadores, quem não tremerá com a sua vinda? Na verdade, todos nós vacilaremos e teremos medo. Além do terror do próprio Juiz, a visão da incontável companhia de anjos que descerá com Ele nos inspirará temor e grande alarme. Pois naquele dia nenhum anjo permanecerá no céu; todos estarão presentes como testemunhas do julgamento.

Agora, os teólogos afirmam que, no coro mais baixo dos anjos, o número de anjos é dez vezes maior do que o de todos os seres humanos que terão existido na Terra. No segundo coro, há dez vezes mais do que no primeiro, no terceiro, dez vezes mais do que no segundo, e assim por diante, de modo que o número desses seres angelicais parece infinito. Todos esses anjos, que são espíritos puros e, portanto, invisíveis à visão corporal, aparecerão então visíveis, extremamente brilhantes e gloriosos, para que também os condenados possam ver a magnificência da vinda de Cristo.

São João, em seu Apocalipse, fala assim das hostes de anjos que acompanharão o Juiz em sua vinda: 'Eu vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e aquele que estava sentado sobre ele era chamado fiel e verdadeiro, e com justiça julga e combate. E os seus olhos eram como chama de fogo, e sobre a sua cabeça havia muitas diademas ... e ele estava vestido com uma vestimenta salpicada de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus. E os exércitos que estão no céu o seguiram em cavalos brancos, vestidos de linho fino, branco e limpo. E da sua boca sai uma espada afiada de dois gumes, para que com ela possa ferir as nações. E ele as governará com vara de ferro; e pisará o lagar do vinho da ira do Deus Todo-Poderoso. E Ele tem escrito em sua vestimenta e em sua coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores' (Ap 19,11-16).

Como todos nós tremeremos, ó meu Deus, quando contemplarmos essas hostes de espíritos celestiais com seu líder real! O profeta Daniel viu uma vez um anjo e ficou tão aterrorizado com a sua aparência que caiu no chão como se estivesse morto. Se tal efeito foi produzido nele pela visão de um único anjo, cuja missão era de conforto e consolação, o que será de nós, quando tantas centenas de milhares de príncipes celestiais se aproximarem de nós com semblantes irados? São Efrém, falando sobre isso, diz: 'Os anjos estarão ali com um ar ameaçador, seus olhos brilhando com o fogo sagrado da justa indignação, despertada pelas iniquidades da humanidade'.

Agora, se a visão dos anjos, que virão para o julgamento com o Juiz Divino, é tão terrível, qual será o medo e o pavor inspirados pelo próprio Juiz, quando Ele vier com toda a ira da justiça ofendida! Assim como no Céu não há maior deleite do que a contemplação de Deus, também no Juízo Final não haverá maior dor e temor do que olhar para o Juiz irado. Antes de entrar na explicação disso, vejamos com que majestade Cristo virá para nos julgar.

A vinda de Cristo será tão terrível que nem o homem nem os anjos são capazes de descrevê-la adequadamente. Pois tudo o que é mais propício para aterrorizar o pecador será visto aqui, e nada faltará que possa realçar a majestade de Cristo. Quando um monarca faz sua entrada em uma cidade, que pompa e esplendor são exibidos ali! Melodias de música animada se misturam com o som mais solene dos sinos, saudações são disparadas, toda a população está agitada, todos esforçando os olhos para ver o monarca; primeiro vêm seus servos, depois seus conselheiros, depois os nobres da terra; por último, vem ele próprio, cercado por uma vasta multidão de pessoas.

No entanto, o que é toda essa magnificência que o mundo pode oferecer quando comparada com a majestade que acompanhará a vinda do Rei dos reis! Compare um pobre menino mendigo esfarrapado com um príncipe soberano que entra montado em uma carruagem de ouro, e teremos uma imagem fraca e insuficiente da diferença que existe entre a pompa e o esplendor deste mundo e a glória com que Cristo virá para nos julgar.

No entanto, a sua vinda não será apenas grandiosa e gloriosa além da medida, mas também será terrível em sua natureza. Se os túmulos se abriram ao som da trombeta do anjo, e o som dessa trombeta ecoou por todo o mundo, que pânico de medo tomará conta da humanidade quando os anjos que precedem o chamado triunfal de Cristo fizerem soar suas trombetas! 'O que será de nós naquele dia terrível, o Dia do Juízo Final, quando o Senhor descer com os seus anjos ao som de trombetas e toda a terra tremer de pavor?' - pergunta Santo Agostinho.

Quando Deus desceu antigamente sobre o Monte Sinai, lemos na Sagrada Escritura: 'Chegou o terceiro dia e amanheceu; e eis que se ouviram trovões, relâmpagos e uma nuvem muito densa cobriu o monte, e o som da trombeta soou muito alto, e o povo que estava no acampamento ficou com medo' (Ex 19,16). E quando todo o povo ouviu os trovões e o som da trombeta, e viu os relâmpagos e a fumaça subindo do monte, eles ficaram aterrorizados e conservava-se à distância, dizendo a Moisés: 'Fala tu conosco, e faremos tudo o que o Senhor ordenou, mas não deixes que o Senhor fale conosco, para que não morramos' (Ex 20,19).

Se tudo isso aconteceu quando Deus desceu do céu para dar a sua Lei à nação hebraica e adotá-los como seus filhos, o que você acha, ó cristão, que acontecerá quando Ele vier para exigir uma prestação de contas sobre a maneira como os seus mandamentos foram cumpridos? Se os filhos de Israel ficaram tão aterrorizados com a entrega da Lei que pensaram que morreriam de medo, que motivo não teremos nós, mortais, especialmente nós, cristãos, para tremer, já que tantas vezes transgredimos deliberadamente os mandamentos de Deus?

ORAÇÃO

Ó Deus, Juiz todo-poderoso de todos os homens, Vós descereis do Céu no Dia do Juízo Final com grande poder e majestade, para agir como justo Juiz, e o pensamento da vossa vinda me faz tremer de medo. Inspirai-me agora, eu vos imploro, um temor salutar, para que eu possa evitar o pecado e não venha a ser esmagado pela vossa santa ira. Amém.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (VIII)

    

VIII. Pecados mortais contra o primeiro mandamento

Eu sou o Senhor, seu Deus. Não terás outros deuses diante de mim.

envolver-se com quaisquer práticas ocultistas como, por exemplo, bruxaria, jogos de necromancia, sessões espíritas, quiromancia, cartas de tarô, hipnotismo, adivinhação, astrologia, magia negra, feitiçaria, etc.
☀ envolver-se ou aderir a filosofias do tipo Nova Era ou orientais, ateísmo ou agnosticismo
☀ praticar a apostasia (abandonar a Igreja)
☀ aderir a grupos cismáticos da Igreja
☀ acreditar e se orientar por superstições como, por exemplo, horóscopos, amuletos da sorte, etc.
☀ participar da maçonaria ou de outras sociedades secretas
☀ receber a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal
☀ receber os sacramentos da Confirmação ou do  Matrimônio enquanto em estado de pecado mortal
☀ participar voluntariamente em formas ilícitas (ou seja, não emergenciais) da 'Absolvição Geral'
☀ casar-se diante de um leigo ou algum ministro de outra denominação religiosa
☀ envolver-se e/ou participar de cultos falsos ou pagãos
☀ negar de livre vontade as prescrições de fé da Igreja Católica
☀ desesperar-se da graça ou da misericórdia de Deus
☀ praticar a presunção de cometer um pecado mortal com a ideia de que se poderá confessá-lo mais tarde
☀ odiar ou revoltar-se contra Deus
☀ praticar a simonia (compra ou venda de coisas espirituais)
☀ não receber a Sagrada Comunhão pelo menos uma vez por ano (se possível, durante a Páscoa)
☀ profanar a Sagrada Eucaristia

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

ATÉ QUANDO?

 

Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus (2Ts 2,3-4).

Faça atos diários de desagravo e reparação a Deus nestes tempos tremendos da história humana! Oração, oração, oração!

(texto na página principal do blog)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (VII)

    

VII. Exame de consciência de pecados mortais

Este exame de consciência [apresentado nas postagens a seguir] pode ajudá-lo a se preparar para a confissão. No entanto, não se destina apenas a ser uma lista de verificação a ser usada antes da confissão. O objetivo deste exame é ajudar as almas a saber quais ações ou atitudes são pecaminosas e a gravidade do pecado em particular. A esperança é que esse conhecimento sirva para impedir as pessoas de cometer esses pecados.

Três coisas são necessárias para que um pecado seja mortal: (i) matéria grave (conforme indicado no exame a seguir); (ii) conhecimento ou crença firme de que o ato é gravemente errado antes de cometê-lo; (iii) consentimento total da vontade.

Todas essas três condições devem estar presentes simultaneamente para que um pecado seja mortal. Isso significa que se você não sabia que o ato era gravemente errado, então você não é culpado de ter cometido um pecado mortal. Se você não quis cometer o ato, por exemplo, mas foi forçado ou o mesmo ocorreu por meio de um sonho, você não é culpado de ter cometido um pecado mortal.

Todos os pecados mortais cometidos desde sua última confissão devem ser confessados por tipo e número, ou seja, o nome do pecado e quantas vezes ele foi cometido. Se houver um pecado mortal do passado que foi esquecido e não foi confessado, ele deve ser exposto numa próxima confissão. Não é necessário confessar pecados veniais, mas esta é uma prática boa e piedosa.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

ANO JUBILAR FRANCISCANO 2026 - 2027


No dia 10 de janeiro de 2026, uma celebração solene foi realizada na Basílica de Santa Maria dos Anjos em Assis (Itália), para marcar o início do Ano Jubilar Franciscano - uma comemoração especial dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis (1226 - 2026). O Ano Jubilar deverá se estender até 10 de janeiro de 2027 e, durante esse período, os fiéis poderão obter indulgência plenária sob as condições habituais da Igreja - confissão sacramental, comunhão e oração pelas intenções do Papa - ao participarem das celebrações e peregrinações relacionadas ao Jubileu.

Condições para receber a Indulgência (para si próprio ou em sufrágio das almas do Purgatório)
  • Confissão sacramental para estar na graça de Deus (nos oito dias anteriores ou posteriores);
  • Participação na Missa e Comunhão Eucarística;
  • Visita em peregrinação a qualquer igreja conventual franciscana ou local de culto dedicado a São Francisco em qualquer lugar do mundo, onde se deve renovar a profissão de fé mediante a recitação do Credo, como ato de ratificação da nossa identidade cristã;
  • Recitação do Pai Nosso, como ato de ratificação da nossa dignidade de filhos de Deus, recebida no Batismo;
  • Uma oração na intenção do papa, segundo as intenções do Papa, como ato de ratificação da nossa participação da Igreja, cujo fundamento e centro visível de unidade é o Romano Pontífice.
Na observância deste privilégio, o decreto recomenda a participação devota dos fieis nos citados ritos jubilares ou que manifestem piedosas meditações, por adequado período de tempo, centradas na busca sincera de sentimentos de caridade cristã para com o próximo, a exemplo de São Francisco de Assis. Pessoas idosas ou enfermas, com impedimento da presença física numa igreja dedicada ao santo, podem também usufruir os privilégios da Indulgência Plenária, desde que se unam espiritualmente às celebrações jubilares do Ano de São Francisco, atendidas as citadas condições complementares.

domingo, 18 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Eu disse: Eis que venho, com prazer faço a vossa vontade!(Sl 39)

Primeira Leitura (Is 49,3.5-6) - Segunda Leitura (1Cor 1,1-3) -  Evangelho (Jo 1,29-34)

  18/01/2026 - SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

JESUS CRISTO É O CORDEIRO DE DEUS 

Neste segundo domingo do tempo comum, a mensagem profética que ressoa pelos tempos vem da boca de João Batista: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (Jo 1,29). E complementa: 'Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim' (Jo 1,30). Eis o primado de João, o Precursor do Messias: Jesus veio ao mundo para resgatar e levar à salvação toda a humanidade e fazer novas todas as coisas.

Diante de Jesus, que viera pela segunda vez até ele às margens do Jordão, assim como foi Maria que visitou a sua prima Santa Isabel, João Batista reconhece no Senhor a glória e a eternidade de Deus 'porque existia antes de mim' (Jo 1,30). Nas margens do Jordão, uma vez mais, no mistério da Encarnação, os desígnios de Deus são revelados aos homens por meio de João Batista.

Em seguida, reafirma a manifestação da Santíssima Trindade na pomba que desceu do céu, símbolo exposto em dimensão humana para o mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai: 'Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele' (Jo 1,32). O maior profeta de Deus, enviado para batizar com água, declara de forma clara e incisiva, Jesus como Filho de Deus Vivo: 'Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!' (Jo 1,34).

Eis aí a figura singular do Batista, de quem o próprio Cristo revelou: 'Na verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João Batista' (Mt 11,11). A grandeza do Precursor é enfatizada por Jesus naquele que recebeu privilégios tão extraordinários para ser o profeta da revelação de tão grandes mistérios de Deus à toda a humanidade: Jesus Cristo é o Unigênito do Pai, o Filho de Deus Vivo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

sábado, 17 de janeiro de 2026

PALAVRAS DA SALVAÇÃO


Não há medida para a beleza do homem que é humilde. Não há paixão, seja ela qual for, capaz de se aproximar do homem que é humilde, e não há medida para sua beleza. O homem humilde é um sacrifício de Deus ['Sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito' (Sl 51,17)]. O coração de Deus e de seus anjos repousam naquele que é humilde. Mais ainda, quando os anjos glorificam um homem, há diversas razões para ele ter alcançado todas as virtudes; para aquele que se revestiu de humildade, não será necessária nenhuma outra razão além de ter-se tornado tão somente humilde.

(Santo Efrém, doutor da Igreja)

EXAME DE CONSCIÊNCIA (VI)

   

VI. Orações Preliminares

Oração de Petição

Ó meu Deus, eu busco a vossa misericórdia. Não vos irriteis comigo por causa dos meus pecados, das minhas transgressões da virtude, das minhas faltas. Sei que faltei em relação às vossas graças; aceitai o meu pesar por essas ofensas. Renovai a minha resposta a Vós, meu vínculo convosco. Permitai que eu seja purificado pelas penitências da minha vida. Dai-me forças para ser firme em minha resolução de não mais vos ofender. Dai-me a certeza da vossa graça em minha vida para que eu possa responder à vossa vontade e bondade. Que o manto da vossa justiça possa me proteger e me dar perseverar por toda a minha vida. Amém.

Oração pela Luz

Ó meu Deus, Juiz Soberano, que não deseja a morte do pecador, mas que ele se converta e seja salvo! Iluminai a minha mente para que eu possa conhecer os pecados que cometi em pensamento, palavra ou ação, e concedei-me a graça de uma verdadeira contrição.

Oração antes da confissão

Vem, Espírito Santo, ilumina minha mente para que eu possa ver claramente todos os meus pecados. Não me deixes ser enganado pelo amor próprio, mas mostra-me o verdadeiro estado da minha consciência. Move minha vontade para o sincero arrependimento e ajuda-me a fazer uma boa confissão. Santa Mãe de Deus, intercede por mim para que eu possa obter o perdão dos meus pecados. Santo Anjo da Guarda, reza por mim para que eu possa corrigir os meus caminhos.

(Excertos da obra 'An Examination of Conscience', de Fr. Robert Altier, 2002)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

POR QUE 1960?

Por que o Terceiro Segredo deveria ser revelado publicamente apenas em 1960?

Esta pergunta foi feita à Irmã Lúcia por diferentes pessoas e a sua resposta foi sempre a mesma: 'porque então o Segredo tornar-se-ia mais claro para todos'. Ou seja, antes desta data, os termos do Segredo não seriam suficientemente claros e plenamente compreendidos ou, de outra forma, a partir de 1960, pela intervenção especial de alguma circunstância, evento ou acontecimento característico, a interpretação do texto profético tenderia a se tornar de muito mais fácil percepção e projeção. Assim, uma das mais intrigantes questões relativas ao Terceiro Segredo de Fátima é exatamente esta: antes de 1960, a sua revelação seria pouco efetiva para o bem da Igreja e do mundo, porque lhe faltaria uma conexão singular com alguma coisa que só seria de conhecimento público generalizado em 1960.

Pelo caráter interativo e indissociável do Segredo de Fátima como uma única e completa revelação extraordinária dos Céus, interligada por três partes distintas, há muito já se podia inferir a natureza da terceira parte do Segredo num contexto de uma profunda crise de fé e de difusão de uma apostasia universal, capazes de comprometer gravemente os fundamentos da cristandade e da própria civilização cristã.

Mas existe uma comprovação muito mais efetiva neste sentido, oriunda das próprias revelações conhecidas e constante do texto da Quarta Memória escrita pela Irmã Lúcia. Com efeito, na sequência imediata dos textos relativos às revelações do Primeiro e Segundo Segredo, a Irmã Lúcia acrescentou uma única frase: 'Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc'. É de consenso geral que esta frase solta introduz a terceira parte do Segredo e que o termo etc engloba as palavras restantes que compõem o Terceiro Segredo. Ora a frase é uma promessa contundente de que a verdadeira fé seria conservada em Portugal e, neste contexto, é uma clara admoestação de que isto certamente não iria ocorrer em outros lugares e países que viveram o triunfo da cristandade no mundo (A Europa Católica? As Américas? Mais provavelmente, o mundo inteiro).

Assim, 1960 representa uma data referencial para esta crise de fé universal, tão crítica e tão tremenda que é capaz de abalar os fundamentos da Igreja; caso contrário, não implicaria os eventos de Fátima e tão decisiva intervenção da Providência Divina na história da humanidade. Nos termos propostos pela Virgem, a mensagem profética deveria ser objeto de revelação pública em 1960 e não a partir de 1960. Tal fato pressupõe que o seu conhecimento nesta data era de fundamental importância para o bem da Igreja e do mundo no sentido de uma plena compreensão (e consequente tomada de posição) contra fatos, circunstâncias ou eventos que tenderiam a ser particularmente graves e deletérios para a Santa Igreja e para toda a humanidade.

Que fato, circunstância ou evento, ocorrido logo após 1960, mas que já seria de conhecimento prévio nesta data, atuou ou contribuiu de forma decisiva para fomentar a perda da fé cristã, uma apostasia universal e uma crise sem precedentes da Igreja? A resposta parece bastante óbvia em recair sobre o Concílio Vaticano II, concílio ecumênico convocado pelo Papa João XXIII em 25 de dezembro de 1961, inaugurado em 11 de outubro de 1962 e concluído pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965. O concílio que introduziu a Missa Nova na Igreja. No discurso na abertura solene do CV II, ao fazer alusão sobre a origem de sua proposição, assim se expressou o Papa João XXIII:

'No que diz respeito à iniciativa do grande acontecimento que agora se realiza, baste, a simples título de documentação histórica, reafirmar o nosso testemunho humilde e pessoal do primeiro e imprevisto florescer no nosso coração e nos nossos lábios da simples palavra 'Concílio Ecumênico'. Palavra pronunciada diante do Sacro Colégio dos Cardeais naquele faustíssimo dia 25 de janeiro de 1959, festa da Conversão de São Paulo, na sua Basílica. Foi algo de inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. E, ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio'.

(Missa de Abertura do Concílio Vaticano II rezada pelo Papa João XXIII)

O Papa João XXIII proclamava neste evento que tivera uma singular inspiração especial para anunciar subitamente um novo concílio ecumênico em 25 de janeiro de 1959, diante do Sacro Colégio de Cardeais, a mais alta hierarquia da Igreja. Uma proposta que demandou a partir de então mais de 1000 dias ou quase três longos anos de preparação antes da sua convocação formal (ou 3 anos e 8 meses até a sua solene inauguração). Um período que teve 1960 no meio do tempo, mas que não teve a mensagem de Fátima no meio do caminho. Um pequeno detalhe complementar: foi exatamente em um dia 25 de janeiro (25/01/1938) que uma luz desconhecida iluminou os céus da Europa, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, tal como predita por Nossa Senhora de Fátima como um sinal de que Deus iria punir o mundo com os eventos que haviam sido revelados na segunda parte do segredo, uma vez que os homens continuavam obstinados no pecado. Seria tal fato uma mera coincidência dos Céus?

(FÁTIMA EM 100 FATOS E FOTOS, Questão 92, obra do autor do blog)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SOBRE OS INFIÉIS E OS HEREGES

Ó santa Palavra de Deus! Ó santa Revelação! Através de ti somos admitidos nos mistérios divinos, que a razão humana nunca poderia alcançar. Nós te amamos e estamos decididos a ser submissos a ti. És tu que dás origem à grande virtude, sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb 6,6); a virtude que inicia a obra de salvação do homem, e sem a qual esta obra não poderia ser continuada nem terminada. Esta virtude é a Fé.

Faz com que a nossa razão se curve à Palavra de Deus. Da sua obscuridade divina surge uma luz muito mais gloriosa do que todas as conclusões da razão, por maior que seja a sua evidência. Esta virtude será o vínculo de união na nova sociedade que Nosso Senhor está agora a organizar. Para se tornar membro desta sociedade, o homem deve começar por acreditar; que ele possa continuar a ser membro. Ele nunca deve, nem por um momento, vacilar na sua fé.

Em breve ouviremos Nosso Senhor dizer estas palavras: 'Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado' (Mc 16,16). Para expressar mais claramente a necessidade da Fé, os membros da Igreja devem ser chamados pelo belo nome de Fiéis: aqueles que não acreditam, devem ser chamados de Infiéis.

Sendo a fé, então, o primeiro elo da união sobrenatural entre o homem e Deus, segue-se que esta união cessa quando a fé é quebrada, isto é, negada; e que aquele que, depois de ter estado assim unido a Deus, rompe o vínculo, rejeitando a palavra de Deus e substituindo-a pelo erro, comete um dos maiores crimes. Tal pessoa será chamada de Herege, isto é, alguém que se separa; e os fiéis tremerão diante de sua apostasia.

Mesmo que sua rebelião à Palavra Revelada recaísse sobre apenas um artigo, ainda assim se comete uma enorme blasfêmia; pois ou ele se separa de Deus como sendo um enganador, ou insinua que sua própria razão criada, fraca e limitada, é superior à Verdade eterna e infinita. Com o passar do tempo, as heresias surgirão, cada uma atacando um ou outro dogma; de modo que dificilmente uma verdade permanecerá inatacável... 

(Excertos da obra 'O Ano Litúrgico', de Dom P. Guéranger)