quinta-feira, 5 de novembro de 2026

'POR QUE ESTAIS DORMINDO?'


'Por que dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação'
(Lc 22,46)

Há horas na história dos homens em que o silêncio deixa de ser prudência e se transforma em omissão; em que a tranquilidade já não é sinal de paz, mas de uma consciência adormecida; em que a indiferença diante do mal se torna mais perigosa do que o próprio mal, porque lhe abre silenciosamente as portas.

E não é essa a realidade do mundo atual? Nunca os homens falaram tanto de liberdade, e nunca tantos se deixaram escravizar pelas próprias paixões. Nunca se proclamaram tantos direitos, e nunca a dignidade da vida humana esteve exposta a tantas contradições. Nunca se multiplicaram tanto os meios de comunicação, e nunca foi tão difícil escutar a voz da verdade no tumulto das opiniões.

E, no entanto, enquanto tudo isso acontece, muitas almas dormem. Dormem embaladas pelas comodidades da vida, pelas distrações intermináveis, pela preocupação exclusiva com os bens passageiros. Dormem porque já não desejam contemplar as realidades eternas. Dormem porque se habituaram ao pecado, à tibieza e à ausência de Deus.

Eis que, através dos séculos, ressoa novamente a pergunta dolorosa de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras: 'Por que estais dormindo?' Naquela noite tremenda, Jesus encontrava-se em agonia. Sobre o seu Coração inocente pesavam os pecados do mundo. Aproximava-se a hora da traição, do abandono, dos açoites e da Cruz. E aqueles que Ele escolhera para acompanhá-lo, vencidos pela tristeza e pelo cansaço, dormiam.

Que imagem impressionante da nossa própria época! Cristo continua a ser ofendido, a verdade continua a ser desprezada, a caridade esfria em muitos corações, e nós, tantas vezes, permanecemos tranquilos, como se nada estivesse acontecendo. O grande perigo dos tempos difíceis não está somente na violência dos que combatem a verdade, mas também na sonolência daqueles que deveriam testemunhá-la.

Vigiar é conservar acesa a lâmpada da fé. É permanecer fiel quando a fidelidade exige sacrifício. É defender a verdade sem abandonar a caridade. É resistir ao pecado sem desprezar o pecador. É não permitir que o espírito do mundo penetre silenciosamente em nossa alma, enfraquecendo nossas convicções e tornando-nos indiferentes à santidade. Vigiar é, sobretudo, rezar. Porque o homem que deixa de rezar começa lentamente a esquecer-se de Deus; e aquele que se esquece de Deus acaba por organizar a própria existência como se a eternidade não existisse. Que terrível ilusão!

Quando as trevas se adensam, uma pequena luz torna-se mais preciosa. Quando a mentira se multiplica, uma consciência reta torna-se um testemunho mais necessário. Quando o egoísmo parece triunfar, um único gesto de verdadeira caridade pode revelar ao mundo a presença de Cristo. Não nos foi prometida uma existência sem tribulações. Foi-nos prometido algo infinitamente maior: a presença do Senhor até a consumação dos séculos. Mas cada um de nós deverá responder, pessoalmente, à pergunta que ecoa no Getsêmani.

Onde estavas quando a tua fé era posta à prova? Onde estavas quando a verdade precisava de testemunhas? Onde estavas quando um irmão necessitava da tua caridade? Onde estavas quando Deus te chamava à conversão? Desperta, pois, ó alma cristã! Desperta da indiferença, da vaidade e da falsa segurança. Volta os olhos para o Crucificado. Aproxima-te dos sacramentos. Recomeça a oração abandonada. Reconcilia-te com Deus. Faz da tua casa um pequeno santuário de fé, de paz e de caridade.

A noite pode ser longa, mas não é eterna. A última palavra da história não pertence ao pecado, à violência ou à morte. Pertence a Jesus Cristo, que venceu o mundo e ressuscitou glorioso. E quando o Senhor vier, seja na hora derradeira da nossa vida, seja na manifestação final da sua glória, que não nos encontre adormecidos entre as ilusões passageiras da terra. Que nos encontre de joelhos, com a fé intacta, a esperança viva e a caridade ardente. Porque, depois de todas as tempestades, de todas as lágrimas e de todos os combates, somente uma coisa verdadeiramente importará: ter permanecido fiel a Deus! - 'Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor' (Mt 24,42).