terça-feira, 12 de maio de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (IV)

BATISTÉRIO 

É o lugar da igreja onde se encontra a pia batismal com água para o batismo. Deve estar em capela própria à entrada da igreja, do lado do Evangelho. Não havendo capela, deve estar ao fundo da igreja, cercado por uma grade. No batistério deve haver um armário, onde se conservem os Santos Óleos, o sal bento e a concha para deitar a água sobre a cabeça do batizando; deve estar fechado, assim como a pia, ficando a chave em poder do pároco. Convém que, junto da pia do batistério, haja alguma representação do batismo de Nosso Senhor. A pia batismal é obrigatória em cada igreja paroquial; deve ser de pedra e dividida em duas partes, sendo uma para conservar a água batismal, e a outra para receber a água usada em cada batismo, a qual se escoará por um orifício para a terra. Não havendo essa divisão na pia, a água deve escorrer da cabeça do que se batiza para uma bacia, e depois lançada no sumidouro. O bispo pode, para comodidade dos fiéis, permitir ou mandar que haja também uma pia batismal em outra igreja ou capela pública dentro dos limites da paróquia.

BASÍLICA 

É uma igreja a qual a Santa Sé concede esse título honorífico especial [passando, assim, a possuir certos privilégios e uma jurisdição internacional;  existem atualmente cerca de 1.800 basílicas no mundo, 71 delas no Brasil].

BEATIFICAÇÃO 

Para a beatificação dos Servos de Deus, é necessário que, além da prova do heroísmo das suas virtudes ou o martírio, haja a prova da dois, três ou quatro milagres, segundo os casos, feitos por sua intercessão. A discussão das suas virtudes, no processo para a beatificação, não deve começar antes de passados cinquenta anos após a sua morte [em geral]. A beatificação dos Servos de Deus feita pela Igreja não é objeto de infalibilidade, isto é, a Igreja não é infalível na beatificação dos Servos de Deus, porque a sentença dada em seu favor não é definitiva como é na canonização dos Santos. 

BEATÍSSIMO 

É o tratamento honorífico dado ao Romano Pontífice. 

BEATO 

É o Justo que é beatificado pela Igreja. Não pode ter culto senão no lugar e pelo modo que o Romano Pontífice conceder, nem pode ser tomado como Padroeiro sem especial Indulto da Santa Sé. 

BEM-AVENTURADOS 

São os justos que, imediatamente após a morte, vêem a Deus face a face e O amam com amor beatífico. Nem todos porém, gozam essa felicidade em grau igual, sendo todavia completamente felizes em qualquer grau de gozo. Disse Jesus que são bem-aventurados: os pobres em espírito; os mansos; os que choram; os que têm fome e sede de justiça; os misericordiosos; os que têm o coração puro; os pacíficos; os que padecem perseguição por amor da justiça. Todos eles têm recompensa abundante no Céu. São pobres em espírito os que têm o coração desprendido das riquezas e os que não as invejam; são mansos os que não provocam as iras e os que aceitam resignadamente as provações da vida; os que choram lágrimas de resignação, de contrição e de amor; têm fome e sede de justiça os que desejam conhecer, amar e servir a Deus; são misericordiosos os que sofrem do sofrimento alheio e de uma maneira constante e universal; têm o coração puro os que não amam senão o que devem amar; são pacíficos os que esquecem as injúrias e detestam as querelas. Assim se podem explicar as primeiras palavras do Sermão da Montanha pregado por Jesus Cristo. 

BEM-AVENTURANÇA 

É a última perfeição do homem. É o sumo bem, o qual consiste essencialmente na visão de Deus e na deleitação do gozo que da visão resulta. Exclui, portanto, todo o mal, satisfaz plenamente todos os desejos, e não se pode perder; é eterna.

BISPOS 

São os sucessores dos Apóstolos e, por disposição divina, presidem Igrejas especiais, que governam com poder ordinário sob a autoridade do Pontífice Romano, que os nomeia livremente. — Bispo residencial ou diocesano é aquele a quem o Papa confia uma Diocese, para a governar como Pastor ordinário e imediato. Bispo Coadjutor é aquele que o Papa nomeia para Auxiliar do Bispo diocesano com direito de sucessão. Bispo Auxiliar é aquele que o Papa nomeia para Coadjutor sem direito de sucessão. Bispo Titular é aquele que o Papa não liga ao governo de alguma Diocese. Jesus Cristo, confiando aos seus Apóstolos, e portanto aos Bispos, o governo da sua Igreja, disse-lhes: 'Aquele que vos ouve a Mim ouve, aquele que vos despreza a Mim despreza' (Lc 10, 16). Veneremos, pois, os Bispos, e obedeçamos ao nosso Bispo no que manda, no que aconselha, e quando exorta. O Bispo deve ter pelo menos trinta anos de idade e cinco anos de Presbítero. É seu direito e ofício governar a Diocese tanto nas coisas espirituais como nas coisas temporais com poder legislativo, judicial e coativo, que há de exercer de harmonia com os Cânones Sagrados. 

BLASFÊMIA 

Consiste em atribuir a Deus o que não lhe convém ou em querer tirar-lhe o que lhe convém; como se alguém dissesse: Deus é cruel, Deus é injusto. Também se chama blasfêmia toda a palavra contumeliosa contra Deus, a Virgem Maria ou os santos, enquanto que se consideram em relação a Deus, porque a injúria que se lhes faz ofende o mesmo Deus. É sempre pecado mortal quando feita com deliberado consenso; por lapso de língua e sem intenção, é pecado venial.

BREVIÁRIO 

É o livro que contém o Ofício Divino, isto é, a Oração Oficial que, pela lei da Igreja, todos os Clérigos de Ordens Sacras e uma grande parte dos Religiosos e de Religiosas são obrigados a rezar diariamente. O Ofício Divino, também chamado Horas Canônicas, consta de: Matinas e Laudes, Prima, Tércia, Sexta, Noa, Vésperas e Completas e estas orações devem ser rezadas a diversas horas do dia. 

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)