quarta-feira, 25 de novembro de 2020

BREVIÁRIO DIGITAL - ILUSTRAÇÕES DE DORÉ (XIX)

  PARTE XIX (Jo 1 - Jo 21)

[O batismo de Jesus (Jo 1,33)]

[O milagre de Jesus nas Bodas de Caná (Jo 2, 2-8)]

[Jesus e a samaritana no poço de Jacó (Jo 4,7)]

[Jesus andando sobre as águas (Jo 6,19)]

[Jesus e a mulher adúltera (Jo 8,4)]

[A ressurreição de Lázaro (Jo 11, 43)]

[Jesus - Mestre e Senhor - com os Apóstolos na Última Ceia (Jo  13, 13)]

[A primeira negação de Pedro (Jo 18, 25)]

['Eis o homem' (Jo 19,5)]

[A crucificação de Jesus (Jo 19,18)]

[A retirada do corpo de Jesus da cruz (Jo 19,38)]

[O corpo de Jesus é levado a um sepulcro novo (Jo 19,42)]

[A pesca milagrosa no Lago de Tiberíades (Jo 21,6)]

terça-feira, 24 de novembro de 2020

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

Há dois caminhos, um de vida e outro de morte, mas há uma grande diferença entre os dois. O caminho da vida é o seguinte: primeiro que tudo, amarás a Deus que te criou; em segundo lugar, amarás o teu próximo como a ti mesmo, e aquilo que não queres que ele te faça não o faças tu a outrem. Eis o ensinamento contido nestas palavras: Bendizei aqueles que vos maldizem, rezai pelos vossos inimigos, jejuai pelos que vos perseguem. Com efeito, que mérito tendes em amar os que vos amam? Não o fazem também os pagãos? Quanto a vós, amai os que vos odeiam e não tereis inimigos. Abstende-vos dos desejos carnais e corporais. Segundo mandamento da doutrina: não matarás, não cometerás adultério, não seduzirás ninguém, não cometerás fornicação, nem roubo, nem magia, nem envenenamento; não matarás nenhuma criança, por aborto ou depois do nascimento; não desejarás os bens do teu próximo. Não cometerás perjúrio, não levantarás falsos testemunhos, não terás intenções de maledicência e não guardarás rancor. Não terás duas maneiras de pensar nem duas palavras: porque a duplicidade de linguagem é uma armadilha de morte. A tua palavra não será mentirosa nem vã, mas plena de sentido. Não serás avarento, nem ganancioso, nem hipócrita, nem maldoso, nem orgulhoso; não terás má vontade com o teu próximo. Não deves odiar ninguém: deves corrigir uns e rezar por eles e amar os outros mais do que a própria vida. Meu filho, foge de tudo o que é mal e de tudo o que te parece mal. Vigia para que ninguém te desvie da doutrina, porque esse estará a guiar-te para longe de Deus. Se puderes suportar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não, faz ao menos o que te for possível.

Da Didaqué (catequese cristã do primeiro século)

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

PALAVRAS ETERNAS (VII)

'A verdadeira paz consiste em não se afastar da vontade de Deus e só se comprazer naquilo que Deus ama'
(São Leão Magno)

domingo, 22 de novembro de 2020

EVANGELHO DO DOMINGO

   

'O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma' (Sl 22)

 22/11/2020 - Trigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum 
Solenidade de Cristo Rei

52. JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO


Jesus Cristo é o Rei do Universo. Como Filho Unigênito de Deus, Ele é o herdeiro universal de toda a criação, senhor supremo e absoluto de toda criatura e de toda a existência de qualquer criatura, no céu, na terra e abaixo da terra. A realeza de Cristo abrange, portanto, a totalidade do gênero humano, como expresso nas palavras do Papa Leão XIII: 'Seu império não abrange tão só as nações católicas ou os cristãos batizados, que juridicamente pertencem à Igreja, ainda quando dela separados por opiniões errôneas ou pelo cisma: estende-se igualmente e sem exceções aos homens todos, mesmo alheios à fé cristã, de modo que o império de Cristo Jesus abarca, em todo rigor da verdade, o gênero humano inteiro' (Encíclica Annum Sacrum, 1899).

E, neste sentido, o domínio do seu reinado é universal e sua autoridade é suprema e absoluta. Cristo é, pois, a fonte única de salvação tanto para as nações como para todos os indivíduos. 'Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do Céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual nós devamos ser salvos' (At 4, 12). O livre arbítrio permite ao ser humano optar pela rebeldia e soberba de elevar a criatura sobre o Criador, mas os frutos de tal loucura é a condenação eterna.

A realeza de Cristo é, entretanto, principalmente interna e de natureza espiritual. Provam-no com toda evidência as palavras da Escritura acima referidas e, em muitas circunstâncias, o proceder do próprio Salvador. Quando os judeus e até os Apóstolos erradamente imaginavam que o Messias libertaria seu povo para restaurar o reino de Israel, Jesus desfez o erro e dissipou a ilusória esperança. Quando, tomada de entusiasmo, a turba que o cerca quer proclamá-lo rei, com a fuga furta-se o Senhor a estas honras, e oculta-se. Mais tarde, perante o governador romano, declara que seu reino 'não é deste mundo'. Neste reino, tal como nos descreve o Evangelho, os homens devem entrar pela penitência. 'Ninguém, com efeito, pode nele ser admitido sem a fé e o batismo; mas o batismo, conquanto seja um rito exterior, figura e realiza uma regeneração interna. Este reino opõe-se ao reino de Satanás e ao poder das trevas; de seus adeptos exige o desprendimento não só das riquezas e dos bens terrestres, como ainda a mansidão, a fome e sede da justiça, a abnegação de si mesmo, para carregar a cruz. Foi para adquirir a Igreja que Cristo, enquanto 'Redentor', verteu o seu sangue; para isto é, que, enquanto 'Sacerdote', se ofereceu e de contínuo se oferece como vítima. Quem não vê, em consequência, que sua realeza deve ser de índole toda espiritual?' (Encíclica Quas Primas de Pio XI, 1925).

Cristo Rei se manifesta por inteiro pela sua Santa Igreja e, por meio dela e por sua paixão, morte e ressurreição, atrai para si a humanidade inteira, libertada do pecado e da morte, que será o último adversário a ser vencido. E quando voltar, há de separar o joio do trigo, as ovelhas e o cabritos, uns para a glória eterna, outros para a danação eterna: 'Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda... estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna' (Mt 25, 31 - 33.46).

sábado, 21 de novembro de 2020

RELATOS DE UM PEREGRINO RUSSO

'Relatos de um Peregrino Russo' constitui uma das obras clássicas do espiritualidade cristã oriental, escrita por um monge russo anônimo no século XIX,  que conta a história de um peregrino em busca da oração perfeita. Nesta busca incessante, o peregrino leva consigo apenas uma sacola às costas, uma Bíblia e uma coletânea de textos patrísticos chamado Filocalia. Nessa caminhada, encontra um monge (staretz) que lhe ensina a Oração de Jesus – a simples e profundamente reverente repetição do nome de Jesus. Nela encontrou enfim a oração perfeita e de tal forma que, tomando-a por completo em sua mente e em seu coração, transformou a própria vida em oração.


'É preciso lembrar-se de Deus o tempo todo, em todo lugar e em todas as coisas. Se fazes alguma coisa, deves pensar no Criador de tudo o que existe; se vês a luz do dia, lembra-te dAquele que criou a luz para ti; se olhas o céu, a terra e o mar e tudo o que eles contêm, admira, glorifica Aquele que tudo criou; se te vestes com uma roupa, pensa nAquele de quem a recebeste e lhe agradece, a Ele que provê a tua existência. Em resumo, que todo movimento seja para ti um motivo para celebrar o Senhor: assim rezarás sem cessar e tua alma estará sempre alegre'.

'A oração interior incessante é um anseio contínuo do espírito humano por Deus... A oração de Jesus, interior e constante, é a invocação contínua e ininterrupta do nome de Jesus com os lábios, o coração, a inteligência, no sentimento da sua presença, em todo lugar, em todo tempo, até durante o sono. Ela é expressa por estas palavras: 'Senhor, Jesus Cristo, tende piedade de mim'. Todo meu desejo estava fixo sobre uma só coisa: dizer a oração de Jesus e, desde que me consagrei a isto, estive tomado de alegria e de consolo. Era como se meus lábios e minha língua pronunciassem por si mesmas as palavras, sem esforço de minha parte'.

'Todo desejo e todo pensamento de oração é obra do Espírito Santo e a voz de vosso Anjo da guarda. O nome de Jesus Cristo invocado na oração contém em si mesmo um poder salvífico que existe e age por si próprio; assim, pois, não vos perturbeis com a aridez de vossa oração, e esperai, com paciência, o fruto da invocação frequente do nome divino. Não ouçais as insinuações daqueles que, inexperientes e insensatos, alegam que a invocação tíbia é uma repetição inútil, até mesmo monótona. Não: o poder do nome divino e sua invocação frequente produzirão frutos a seu tempo'.

'Por que motivo, por exemplo, se desejais purificar vossa alma, começais por vos preocupar com o corpo, fazendo jejum, mortificações, privando-vos de alimentos estimulantes? É, sem dúvida, para que ele não possa ser um obstáculo ou, para melhor dizer, a fim de que se torne o meio de favorecer a pureza da alma e o discernimento do espírito, para que a sensação constante de fome corporal faça-vos lembrar de vossa resolução de buscar a perfeição interior e as coisas que agradam a Deus, e que tão facilmente esquecemos. E ficamos sabendo, por experiência, que, através do ato exterior do jejum corporal, realizamos o aprimoramento interior do espírito, a paz do coração, encontramos um instrumento para domar as paixões e um aguilhão do esforço espiritual. Assim, em meio a coisas exteriores e materiais, se recebe ajuda e proveito interior e espiritual'. 

'De tudo quanto foi dito, conclui-se que a salvação do homem depende da oração, e, por isso, ela é primordial e necessária, pois, através dela a fé é vivificada e as boas obras se realizam. Numa palavra, com a oração tudo se processa com êxito; sem a oração, não podemos praticar ato algum de piedade cristã. Desse modo, a exigência de que nossa vida seja incessantemente oferta, depende exclusivamente da oração. As outras virtudes têm seu tempo próprio, mas, no caso da oração, pedem-nos uma atitude ininterrupta: 'Orai sem cessar'. É justo e oportuno que rezemos sempre, por toda parte'. 

'Algumas vezes meu coração resplandecia de alegria, parecia leve, pleno de liberdade e de consolo. Às vezes, eu sentia um amor ardente por Jesus Cristo e por todas as criaturas de Deus... Às vezes, invocando o nome de Jesus, ficava repleto de felicidade e, depois disto, conhecia o sentido destas palavras: 'O reino de Deus está dentro de vós'.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

VERSUS: ESPÍRITO X CARNE

'Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Se, porém, vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei. 

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, liber­tinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! 

Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há Lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. 

Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. Não sejamos ávidos da vanglória. Nada de provocações, nada de invejas entre nós'.

(Gl, 5, 16 - 26)


'Portanto, meus estimados ouvintes, para que possamos vencer todos os nossos inimigos, busquemos a ajuda divina por meio da observância dos mandamentos divinos, sabendo que de outra forma não podemos prevalecer sobre os nossos adversários, a menos que prevaleçamos primeiro sobre nós mesmos. Pois existem muitos embates dentro de nós: a carne deseja uma coisa contra o espírito, enquanto o espírito deseja outra contra a carne. Nessa disputa, se os desejos do corpo forem mais poderosos, a alma perderá a sua dignidade adequada e será extremamente perigoso servir àquilo que deveria ordenar. Se, por outro lado, a mente, estando sujeita à autoridade do seu governante e munida pelas dádivas do céu, pisoteará as seduções dos prazeres mundanos e impedirá o pecado de reinar em seu corpo mortal, a razão se impõe e, fortalecida, não sucumbirá a quaisquer males espirituais. Porque o homem só possui verdadeira paz e liberdade verdadeira quando a carne é governada pelo julgamento da mente e a mente é governada pela Vontade de Deus'.

(São Leão Magno, Sermão XXXIX)

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (XVI)

 

PADRES DA IGREJA

Chamam-se assim os escritores da Igreja, cujas obras e doutrina formam aquela autoridade que constitui a Tradição. A Igreja dá este título aos Doutores que floresceram nos doze primeiros séculos do Cristianismo, isto é, desde os Apóstolos até São Bernardo, que se reconhece geralmente como último dos Santos Padres. Para que um Escritor seja considerado 'Padre da Igreja', são necessárias quatro condições: a) ortodoxia doutrinal; b) santidade de vida; c) antiguidade; d) aprovação da Igreja. Existem, todavia, alguns que embora não reúnam em si todas as condições antes indicadas, são, no entanto, chamados vulgarmente 'Padres da Igreja', como por exemplo, Tertuliano, Orígenes, Fausto de Riez e outros; estes são chamados 'Padres' pelos importantes serviços prestados à causa católica durante o tempo da sua ortodoxia. 

PADRINHOS

Segundo um antiquíssimo costume que remonta pelo menos ao século III, ninguém deve ser batizado sem ser apresentado por um padrinho. No Batismo, ainda que privado, deve haver um padrinho e uma madrinha, que sejam batizados, que hajam atingido o uso da razão, e tenham a intenção de assumir tal encargo; que no ato do Batismo sustentem ou toquem fisicamente, por si ou por procurador, o batizando, ou imediatamente após aquele ato o tirem ou recebam da pia batismal ou das mãos do batizante. Sejam afastados nominalmente do múnus de padrinho os concubinados públicos (quer ligados pelo contrato civil quer não) e os que proíbem que seus filhos se batizem ou recebam a primeira Comunhão. Pelo Batismo, o batizante e os padrinhos contraem parentesco espiritual com o batizado. Em virtude do encargo que assumiram, os padrinhos têm obrigação de velar perpetuamente pelo seu filho espiritual. Também na Confirmação deve haver um padrinho, que seja do mesmo sexo que o confirmando, que seja confirmado, que tenha 14 anos de idade e coloque a mão direita sobre o ombro direito do confirmando durante a imposição do crisma. Não podem ser padrinhos na Confirmação os que não o podem ser no Batismo.

PADROEIRO (Santo)

É o santo escolhido por uma nação, diocese, paróquia, comunidade religiosa ou quaisquer lugares ou pessoas morais, como seu protetor especial junto de Deus.

PAGANISMO

É o estado religioso era que vivem os povos que não conhecem o verdadeiro Deus. Adoram falsas divindades e seguem uma moral de harmonia com os erros grosseiros que às suas paixões agradam. Os homens tiveram sempre a ideia de um Deus; como não o conheciam, prestavam culto ao que eles julgavam ser Deus. Antes de Jesus Cristo, só os israelitas adoravam o verdadeiro Deus, porque só a eles Deus se tinha revelado. Os povos que não conhecem Jesus Cristo continuam a viver no paganismo.

PAIXÃO DE JESUS CRISTO

Chama-se assim ao conjunto dos sofrimentos do nosso Divino Salvador desde a sua prisão na noite de Quinta-feira Santa até à morte na Cruz; foi prognosticada pelos Profetas do Antigo Testamento, principalmente por Isaías (cap. LIII) e foi realizada sob o poder de Pôncio Pilatos, na cidade de Jerusalém, terminando com a crucifixão no Calvário. A natureza humana de Jesus Cristo, posto que unida à natureza divina, conservou o que tinha de passível e mortal; por isso Jesus foi sensível às dores e à morte. Pela Paixão de Jesus Cristo, foram tirados todos os impedimentos da nossa salvação e foram-nos dados todos os bens, quanto ao mérito. Na remissão dos pecados, ela é a causa universal que é preciso, todavia, aplicar a cada um por meio dos sacramentos, de sorte que nenhum pecado é perdoado, nem alguém obtém salvação sem que lhe sejam aplicados os méritos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

PALA

É um pequeno pano quadrado, de linho ou de cânhamo, que o sacerdote leva dentro do corporal quando vai celebrar a Santa Missa. Não admite bordados, mas pode ter uma renda à volta. A pala serve para cobrir a patena e a hóstia até ao ofertório, e o cálice desde o ofertório até à comunhão, e de novo a patena, depois da comunhão. É benzida com o corporal, dentro do qual se conserva. Depois de servir na Missa, não deve ser dada a lavar nem mesmo a religiosas, sem ter sido purificada por Clérigo de Ordens Maiores.

PÁLIO

É um dossel portátil, sustentado por varas, que obrigatoriamente serve nas procissões para cobrir o sacerdote que leva a custódia com o Santíssimo Sacramento. É tolerado também que vão debaixo do Pálio as Relíquias da Verdadeira Cruz do Senhor e os Instrumentos da Paixão, contanto que não estejam reunidas a relíquias de santos. É proibido levar nas procissões debaixo do pálio relíquias ou imagens dos santos, ainda que sejam da Santíssima Virgem. Se houver costume, também pode ir debaixo do pálio a imagem do Senhor morto, na sexta-feira santa. Também é recebido debaixo do pálio o bispo, em visita pastoral. Também se chama Pálio a um ornamento que o Arcebispo põe sobre os ombros depois de revestido de todos os outros ornamentos pontificais. O Pálio era insígnia do imperador que foi concedida ao Papa ou no século IV ou no século V. No princípio era sinal do poder e missão do pastor passando também a ter o significado de uma relíquia de São Pedro e de um instrumento do poder arquiepiscopal. 

PARAÍSO TERRESTRE

Dá-se este nome ao lugar onde Deus formou e colocou Adão e Eva. Conhecemos a sua existência pela narração da Sagrada Escritura, mas não sabemos em que lugar exato da Terra estava situado.

PARAMENTOS

São todos os ornamentos usados pelo clero nas funções sagradas. Devem ser benzidos pelo bispo ou por sacerdote que tenha as necessárias faculdades, exceto os sanguíneos, os véus de cálice e as bolsas de corporais. Não podem servir para usos profanos. Acerca da matéria e forma dos ornamentos e outros objetos sagrados, devem ser observadas as normas litúrgicas, a tradição da Igreja e, do melhor modo possível, também as leis da Arte Sagrada. As várias cores dos paramentos são a expressão de um simbolismo. A cor branca é símbolo de pureza e de alegria; a cor vermelha é símbolo de amor e de sacrifício; a verde é símbolo de esperança; a roxa é símbolo de penitência; a preta é símbolo de luto. Os paramentos não devem estar rasgados nem sujos. Quando já não podem ser remendados, queimam-se, assim como se queimam todas as vestes e utensílios litúrgicos benzidos, quando já não estão capazes de ser usados.

PÁROCO

É o sacerdote a quem foi conferida, em título, alguma paróquia para cura de almas, que há de exercer sob a autoridade do Ordinário do lugar. É da máxima importância na Igreja Católica o ofício dos párocos. Da sua ciência, prudência e zelo depende, em grande parte, a salvação das almas. São eles os melhores cooperadores dos bispos, aos quais compete o direito de nomeá-los em suas dioceses. Os direitos e as múltiplas obrigações dos párocos estão determinados no Código do Direito Canônico.

PATENA

É uma espécie de prato de ouro ou de prata dourada, onde se coloca a hóstia que vai ser consagrada na Missa. Deve ser sagrada pelo bispo.

PATRIARCA

Era o nome que se dava aos varões célebres de que a Sagrada Escritura faz menção e que viveram nos primeiros tempos do mundo e durante muitos séculos. Atualmente a palavra Patriarca, usada na Igreja, é apenas um título que, além da prerrogativa de honra e do direito de precedência sobre o Primaz e o Arcebispo, não tem jurisdição especial.

PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

São os pecados nos quais, por uma obstinação no mal, se despreza a graça que o divino Espírito Santo nos oferece para a nossa santificação. Chamam-se pecados contra o Espírito Santo porque tudo o que emana da bondade de Deus se atribui particularmente ao Espírito Santo. Tais pecados são: desesperação da salvação, presunção de se salvar sem merecimentos, contradizer a verdade conhecida como tal, ter inveja das mercês que Deus faz aos outros, obstinação no pecado e impenitência final. Jesus disse que o pecado contra o Espírito Santo não será perdoado neste mundo nem no outro (Mt 12, 32), querendo significar que é muito difícil ao que comete tais pecados o arrepender-se e, sem o arrependimento, não se recebe o perdão.

PECADOS CONTRA A NATUREZA

Geralmente falando, são todos os pecados de impureza, cometidos contra a ordem da natureza estabelecida para a geração dos filhos.

PENA (castigo de Deus)

Tem natureza dupla, de sentido ou aflitiva, e de dano ou carência da visão de Deus. A primeira é devida ao pecador por causa da sua conversão desordenada às criaturas; a segunda por causa da aversão a Deus. Toda a pena, como pena, só se aplica ao culpado, mas como satisfação e medicina pode-se aplicar por culpa alheia. Com pena corporal se castiga o filho por culpa do pai e o servo por culpa do amo, enquanto que são alguma coisa deles; não porém com pena espiritual, a não ser que tenham sido participantes da sua culpa. Deus tarda em punir os pecadores, por duas razões: para que os predestinados se convertam, e para que os seus juízos sejam reconhecidos como justos. Os que morrem só com o pecado original não sofrem a pena de sentido. Ao pecado venial é devida a pena temporal; ao pecado mortal, a pena eterna. Perdoada a culpa do pecado mortal e a pena eterna, por vezes fica a pena temporal a sofrer ainda nesta vida ou no Purgatório.

PENA ECLESIÁSTICA

É a privação de algum bem, imposta pela autoridade legítima da Igreja, para correção do delinquente e punição do delito.

PEREGRINAÇÕES

São uma solene manifestação de Fé, um ato coletivo de religião, de piedade e de penitência, que os cristãos costumam fazer, ordenados em grupos, aos mais célebres Santuários. Não devem ser promovidas sem o consentimento da autoridade eclesiástica, a cuja aprovação há de ser submetido o respectivo programa. Convém que os fiéis sejam preparados para esse ato, por meio de pregação, e que se confessem e comunguem.

PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA

Deus a permite por vários motivos: a) para castigo dos pecadores; b) para fazer conhecer os verdadeiros cristãos e separar os lobos dos cordeiros; c) para provar a verdade da religião católica pela prática de virtudes heroicas, pela abnegação e martírio de uns, por atos de caridade e de reparação de outros; d) para ser mais glorificado pelas almas que lhe ficam fiéis.

PERSEVERANÇA FINAL

É a conservação da graça divina no momento da morte. Todos os dias devemos pedir a Deus esta graça, porque dela depende a nossa salvação. O momento da morte é decisivo, e o demônio não deixa de empregar todos os esforços por nos fazer pecar, para sermos condenados como ele foi. Só a graça da perseverança no amor de Deus nos pode livrar de cair em tentação.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

'EGO VOBIS ROMAE PROPITIUS ERO'

Quando Santo Inácio de Loyola, acompanhado por São Pedro Fabro e o Pe. Diego de Laínez se dirigiam à cidade de Roma para atender um chamado do Santo Padre Paulo III, resolveram fazer uma pequena parada em uma igrejinha isolada ao longo da Via Cassia. Ali, Santo Inácio recebeu uma luz e uma manifestação do alto: Ego vobis Romae propitius ero - Eu vos serei propício em Roma.

A memória desse evento nos transporta a Pedro, aos papas, à Roma eterna. Sim, em Roma, com Pedro e sob a tutela de Pedro, está firmada para a eternidade a Igreja do Senhor. Em Roma, está a salvaguarda e a arca dos Evangelhos, a doutrina de Cristo, o privilégio da missão salvífica, o ordenamento dos santos mistérios. Roma é a Igreja, a única Igreja de Cristo, penhora dos sagrados mistérios que, embora envoltos em vasos de barro (2Co 4, 7), são como um incêndio de graças que se espraiam até os confins da terra, como instrumentos de conversão e de salvação para todos os povos e nações.

Ego vobis Romae propitius ero - Eu vos serei propício em Roma. Pela Via Cassia, pelos caminhos e estradas da vida, como peregrinos neste mundo cada vez mais cheio de atalhos, desvios e abismos sem fim, caminhamos para a Roma da comunhão de todos os santos, como irmãos na fé e herdeiros das moradas eternas. 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

SOBRE AS TENTAÇÕES


As tentações não te devem assustar; por elas Deus quer testar e fortificar a tua alma e, ao mesmo tempo, dar-te a força de as vencer. Até aqui, a tua vida foi como a de uma criança; a partir de agora, o Senhor quer tratar-te como adulto. Ora, as provações de um adulto são muito superiores às de uma criança e é por isso que, a princípio, te sentes tão perturbado. Mas a vida da tua alma encontrará rapidamente a sua calma. Tem um pouco de paciência e tudo correrá para melhor.

Deixa, pois, de lado essas vãs preocupações. Lembra-te de que não é a sugestão do maligno que faz o mal, mas o consentimento dado às suas sugestões. Só uma vontade livre é capaz da fazer o bem ou o mal. Mas, quando a vontade geme sob a provação infligida pelo Tentador, se não quer o que lhe é proposto, isso não é falta, mas virtude.

Guarda-te de cair na agitação ao lutar contra as tentações, pois isso só as fortalecerá. É preciso tratá-las com desprezo e não lhes ligar. Volta o teu pensamento para Jesus Crucificado, para o seu corpo deposto nos teus braços e diz: 'Eis aqui a minha esperança, a fonte da minha alegria! Ligo-me a Ti com todo o meu ser, e não Te deixarei enquanto não me colocares em segurança'.

(São Pio de Pietrelcina)

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

TESOURO DE EXEMPLOS (31/33)

 

31. ESTOU VENDO OS CHINESES!

Justo de Bretennières foi martirizado na Coréia em 8 de março de 1866; mas desde 6 anos de idade se sentira chamado a ser um sacerdote missionário. Em 1844, estava Justo brincando com o seu irmãozinho Cristiano, de quatro anos, fazendo buracos no chão. De repente, Justo interrompe a conversa do irmãozinho:
 
➖ Cale-se! Cale-se! - E, pondo-se a olhar por um daqueles buracos, acrescentou:

➖ Estou vendo os chineses, estou vendo os chineses! Vamos fazer um buraco mais fundo e logo chegaremos até eles. Cavemos mais fundo.

Cristiano inclina-se, espia e jura que não vê coisa alguma. Justo, entretanto, insiste e diz que está vendo o rosto, os trajes, o rabicho do cabelo... Inclina-se outra vez e diz:

➖ Agora os estou ouvindo.

Cristiano corre, chama a mamãe e ela também não vê nem ouve nada. Então Justo muito convencido diz:

➖ Não os ouvis porque não é a vós que eles falam; mas eu os ouço. Sim, mamãe, do fundo do buraco, lá de longe, me chamam. E é preciso que eu os vá lá salvar.

E foi, na verdade, missionário famoso na China e na Coréia. Os inimigos da religião fizeram-no sofrer horrível martírio. No momento de morrer por Jesus Cristo, disse cheio de alegria:

➖ Vim à Coréia para salvar as almas. Com gosto morro por Deus e por elas.

32. GERALDO E A EUCARISTIA

Geraldo, quando muito pequeno ainda, tinha a felicidade de brincar com o Menino Jesus que, ao se despedir, dava-lhe um pãozinho muito alvo e saboroso. Desde essa tenra idade, portava-se na igreja com tamanho recolhimento que o tinham por um anjo.

Sua piedade verdadeiramente angélica comovia os corações de todos os que o viam e, certamente, mais ainda, o de Deus. Nosso Senhor recompensava a sua terna devoção, aparecendo-lhe, durante a santa missa, em forma visível. Seu coração parecia então todo inflamado e, quando, depois da comunhão do sacerdote, o Senhor desaparecia, Geraldo ficava triste e seus olhos enchiam-se de lágrimas.

Desde aquela época sentia um atrativo sobrenatural e irresistível pela igreja, pelo augusto santuário, onde Jesus sacramentado o enchia de delícias inefáveis. À tarde, onde quer que estivesse, ao ouvir o sino chamar para a visita ao Santíssimo, deixava os seus brinquedos e dizia aos companheiros:

➖ Vamos, vamos visitar a Jesus que quis fazer-se prisioneiro por nosso amor.

E era de ver com que fervor e a devoção o menino ficava ali ajoelhado, imóvel e abismado no seu Deus. Tinha um desejo imenso de comungar, mas por não ter a idade requerida, não lhe permitiam. Deus, porém, quis satisfazer o desejo ardente de Geraldinho, que recebeu a comunhão, miraculosamente, das mãos de um anjo. 

Aos dez anos, fez a sua primeira comunhão solene com o ardor de um serafim; e, daí em diante, a Eucaristia foi o pão necessário de sua alma. Também, não tardou muito, o confessor lhe permitiu a comunhão diária.

33. UM NOVO JUDAS

Um menino, chamado Fúlvio, fazia os seus estudos num dos principais colégios de França. Enquanto a mãe o conservou sob suas vistas, foi o menino preservado dos graves perigos que ameaçam os pequenos; mas no colégio apegou-se Fúlvio a dois colegas maus e corrompidos com os quais vivia em estreita amizade.

Bem depressa, por causa deles, perdeu a inocência e, com ela, a paz do coração. Alguns livros imorais dados por esses companheiros acabaram por perdê-lo. Aos doze anos, foi admitido à primeira comunhão; infelizmente não a fez por devoção, mas apenas para obedecer à mãe, sem propósito de mudar de vida nem de abandonar as más companhias.

Confessou-se sacrilegamente, calando certos pecados vergonhosos e, assim, com o demônio no coração, com o pecado mortal na alma, teve a temeridade de receber a comunhão. Os pais, enganados pelas aparências, julgaram-no bem comportado e o mandaram-no de novo para o colégio. Fúlvio, porém, por sua indisciplina e preguiça nos estudos, teve um dia de ser severamente castigado pelo diretor e encerrado por algumas horas na sala de reclusão do colégio.

Chegada a hora de ser colocado em liberdade, vão ao quarto que servia de reclusão e, antes de abrir a porta, escutam do lado de fora.... Não ouvem nada... nenhum movimento... Bate-se à porta e ninguém responde. Abre-se, afinal, a porta, e o que é que se vê? Ai! que horror! O infeliz rapaz enforcara-se e estava morto!

Imaginem-se os gritos e gemidos no colégio. Sobre a mesa, foi encontrada uma carta na qual estavam expressos os sentimentos de uma alma ímpia, desesperada, sacrílega. Tal foi o fim do desditoso rapaz, vítima de maus companheiros, e que, tendo pecado como Judas, teve também a morte de Judas.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS

domingo, 15 de novembro de 2020

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!' (Sl 127)

 15/11/2020 - Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum

51. A PARÁBOLA DOS TALENTOS


Como herdeiros das alegrias eternas, somos administradores e não proprietários dos bens recebidos nesta vida. Tudo vem de Deus e tudo há de voltar para Deus na medida em que cada um de nós deverá prestar as devidas contas da infinitude das graças recebidas por Deus para se cumprir o seu plano de nossa salvação. Como nada nos pertence, nem nosso corpo, nem os nossos pensamentos, viver a santidade consiste em fazer em tudo e por todos a Santa Vontade de Deus, colocando todos os nossos dons e talentos a serviço do Reino.

O 'homem (que) ia viajar para o estrangeiro' (Mt 25, 14) não é outro senão Jesus que subiu ao Céu e que, chamando os seus empregados, 'lhes entregou seus bens' (ainda Mt 25, 14). Bens, portanto, que pertencem a Deus e que são distribuídos aos homens de forma diversa, por meio de um, de dois, de cinco talentos, de acordo com os desígnios da Providência e na medida certa para levar a todos ao cumprimento ideal da sua missão salvífica. Desta forma, a glória de Deus é fruto não da graça de se ter mais ou menos talentos, mas da resposta de cada um de nós, pela própria vocação, de cumprir santamente a Vontade de Deus na administração coerente dos bens recebidos em benefício próprio e dos nossos irmãos.

Mérito que tiveram os empregados que receberam cinco e dois talentos: bens que renderam outros bens, na medida do amor de ambos: 'servo bom e fiel' (Mt 25, 21.23); talentos que se multiplicaram e que se distribuíram fartamente, pela medida expressa por um rendimento em dobro: 'Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco, que lucrei' (Mt 25, 20) e 'Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei' (Mt 25, 22). Quem se mostra fiel na administração dos bens recebidos, será merecedor de bens ainda maiores e herdeiro das alegrias eternas: 'Vem participar da minha alegria!’ (Mt 25, 21.23).

Glória que será tirada dos servos infiéis, dos empregados maus e preguiçosos que, diante os dons e talentos recebidos, os enterram nos buracos de sua insensatez, do egoísmo e da busca desenfreada por posses e bens materiais, aviltando a graça de Deus e se consumindo nos próprios interesses e mesquinhez. Ao prestar contas de sua má administração, o servo infiel busca em vão refúgio na tentativa de culpar o patrão, mediante a concepção desvairada de um Deus injusto e severo, para apenas se condenar pelas próprias palavras e pelos pecados de negligência e omissão. E, condenado, perde até o pouco que porventura tenha feito em favor de outros e ganha a perdição eterna: 'Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!’ (Mt 25, 29 - 30).

sábado, 14 de novembro de 2020

'PELOS SEUS FRUTOS OS RECONHECEREIS'


1. O CATÓLICO crê firmemente que Deus nos ama com um amor único e absoluto e quer de nós, de cada um de nós, os seus filhos fieis, apenas o nosso amor 'infinitamente humano'.

2. O CATÓLICO crê firmemente que quem encontra-se em pecado mortal só pode ser perdoado por meio da confissão sacramental.

3. O CATÓLICO crê firmemente que quem comunga em estado de pecado mortal torna-se réu de condenação eterna.

4. Para um CATÓLICO, o casamento, o sexo e a família são realidades naturais e divinas e não convenções culturais, para as quais cada um, portanto, poderia assumir a concepção que quiser.

5. No sentido CATÓLICO, o casamento é um matrimônio pois constitui uma união de esposos que faz a mulher ser mãe (mater em latim); quando se exclui a possibilidade de geração, essa união não é mais matrimônio. A natureza heterossexual da união fecunda não decorre de nenhuma ideologia, cultura ou religião, mas é uma realidade originária e natural e, apenas neste sentido, é um pré-conceito e, mais que isso, uma realidade universal.

6. Os divorciados recasados não  deixam de ser CATÓLICOS e não estão excluídos da Igreja, mas não podem receber a Sagrada Eucaristia em hipótese alguma.

7.  Um CATÓLICO deve ser apenas CATÓLICO e não um 'católico conservador', ou 'católico progressista', ou 'católico convicto', ou 'católico coerente' ou ainda 'católico praticante'. Porque não se serve a Deus pela metade ou com 99% de devoção.

8. O demônio existe. Um CATÓLICO não pode negar a existência do diabo, mas também não pode ceder à tentação do temor, porque até essa tenebrosa realidade é razão de alegria e de esperança na infinita bondade de Deus.

9. A Sagrada Escritura não é letra morta, mas espírito e vida para um CATÓLICO, porque é a palavra de Deus que se fez carne e habitou entre nós.

10. Um CATÓLICO deve ser integralmente humilde e profundamente orgulhoso: humilde por inteiro por saber que não somos nada, e possuir um legítimo orgulho firmado na esperança e na certeza de que somos herdeiros das alegrias eternas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: O ESPÍRITO DE ORAÇÃO


A oração é, segundo a definição de Santa Teresa, uma conversa de amizade íntima em que a alma dialoga sozinha com Deus e não se cansa de expressar seu amor por Aquele por quem sabe ser amada. Estar a sós com nosso Deus para dizer a Ele que o amamos: isso é a oração. Daí se tem o claro entendimento da inteligência de que nada vale sem o espírito de oração, aquela inclinação constante de cada alma, coração, inteligência e vontade para o diálogo com Deus.

Deus é pouco conhecido. E é ainda menos amado. É nesta conversa íntima que o coração adquire uma afeição cada vez mais sólida e profunda por Ele, uma afeição que cresce sem cessar. Toda a nossa ocupação deve ser essa: a de estarmos a sós na presença de Deus. Tudo nos deve falar sobre Ele: o grão de areia em que se pisa, a corrente de um riacho, a flor exposta ao nosso olhar, o canto de um pássaro, a estrela que brilha no céu à noite, um sofrimento, uma alegria, uma ordem. Tudo nos deve fazer pensar nEle, levar-nos até Ele, vê-lo em todos os lugares. Porque é dEle todas as coisas e tudo Ele tem suas mãos, envolvendo e em tudo penetrando, criando e continuando a criação. E, mais do que tudo, pela graça Ele habita no mais íntimo do nosso coração.

Ele não se contenta em nos tornar os seus filhos, mas quer viver em intimidade conosco. Ele está dentro de todos nós para que nossos corações possam amá-lo como se ama alguém que está verdadeiramente presente. E todo o nosso desejo deve ser o de penetrar nas profundezas de Deus por meio da nossa inteligência, de conhecê-lo não só pelas suas obras, mas em si mesmo, na medida do que isso seja possível, permitindo-nos, assim, no recolhimento e no silêncio, que Ele nos abra os olhos e nos fale ao coração. Deixando que nos ensine... deixando que Ele nos diga: 'Eu sou o tesouro, a misericórdia e a sabedoria. Eu sou o bem, a verdade, a vida, a beleza, a bondade e o amor. Eu sou este tudo e, ao mesmo tempo, sou a Trindade em sua intimidade mais perfeita e mais profunda, sem distinção alguma, a não ser pela relação de origem [ou seja, o Pai gera; o Filho é gerado; o Espírito Santo é quem procede; de forma que ao Pai atribui-se a criação, ao Filho atribui-se a redenção e ao Espírito Santo atribui-se a santificação].

Deixa, então, o seu coração se expandir em amor. O amor divino é uma coisa misteriosa. Não podemos dá-lo a nós mesmos, mas Deus se derrama na alma silenciosa, na alma de oração. Sem dúvida, esse amor nem sempre é consciente e sentido, mas como é real! E quer tudo dirigir e a tudo envolver; está sempre presente como uma fonte de calor, como uma língua de fogo. É aquele fogo interior de que fala São João da Cruz que, submerso na alma, a queima e a incendeia.

Devemos empreender a busca de Deus, chamá-lo, correr para Ele e dizer-lhe sem cessar, de manhã à noite: 'Onde estais, ó meu Deus? Entregai-vos a mim pois vos quero, vos chamo, vos procuro e porque preciso de Vós. Vós não sereis mais feliz por causa de mim mas eu só poderei ser feliz por meio de Vós. O meu coração foi feito para Vós e viverá inquieto enquanto não repousar em Vós. Ele sofre quando percebe que não o ama, que não o possui inteiramente'. Esse é o espírito de oração: uma troca contínua de conhecimento e de amor, face a face, num diálogo de corações.

Pode existir vida mais bela do que esta? Isso implica o alheamento do mundo e a imposição do silêncio; quem se distrai com ruídos externos não consegue ouvir a voz interior; é impossível. O silêncio provê a liberdade da alma para se abrir com Deus, falar com Ele e contemplá-lo; porque é necessário, deve ser praticado e não apenas em termos do silêncio exterior, mas também pelo silêncio interior. Silencie a sua imaginação, do que se ocupa e do que se preocupa, do que se deve fazer; desligue-se de tudo isso. Liberte o seu coração das mil ninharias inúteis que o possam oprimir.

Sacrifica tudo e então serás livre. No fundo, se não amais a vós mesmos, amareis mais e, necessariamente, amareis a Deus. O amor há de vos elevar e vos unir a Deus. Tereis uma uma vida de oração, ou seja, uma vida de intimidade com Deus, sempre mais amado e sempre melhor amado. Não busqueis outra coisa. Que a vossa vida seja uma vida de recolhimento, imitando a Santíssima Virgem. O que ela fez, durante toda vida, senão dialogar com a Santíssima Trindade? Ele viveu apenas para o seu Jesus, ela pensou apenas em seu Jesus, seu Deus e seu Filho. Era também a verdadeira Esposa do Louvor. Viveu pela oração e, pode-se dizer,  que morreu em oração. Uma alma de oração se aparta, se recolhe, se desprende, se mortifica e a tudo renuncia: tudo para encontrar a Deus; por outro lado, essa alma se dá a Deus. Então, um foco de luz ilumina, uma fonte de energia se expande, uma fagulha de amor incendeia. Não se precisa buscar ou se inquietar como isso haverá de acontecer.

Pelo simples fato de possuirdes uma alma de oração, sereis contados no número daquelas almas verdadeiramente mortificadas e apostólicas, que espraiam pelo mundo inteiro um pouco mais do conhecimento de Deus, e um pouco mais de caridade.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)

VÍDEOS CATÓLICOS: A VIDA DO CURA D'ARS

Documentário em francês - legendado - sobre a vida e a obra de São João Maria Vianney, o Cura d'Ars.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

GLÓRIAS DA CRISTANDADE: OS LIMITES DA PENITÊNCIA


Na antiga casa paroquial de Ars, conservam-se como troféu de vitória as disciplinas e os cilícios do Cura d'Ars, o Pe. João Maria Vianney. Mas o seu principal instrumento de penitência não está ali; deixaram-no na igreja: é o confessionário. Pode-se dizer que o servo de Deus ali se crucificou livremente. Foi 'um mártir da confissão', conforme as palavras de uma testemunha de sua vida. 

... Algumas horas de confessionário bastam para alquebrar o sacerdote mais robusto. Sai-se dele com os membros entumecidos, a cabeça congestionada e incapaz de fixar um pensamento. Perde-se o sono e o apetite, e a quem quiser passar, todos os dias, longas horas assentado, faltar-lhe-ão as forças. Pois bem, conforme escreveu a condessa de Garets, o Cura d'Ars impôs-se um trabalho que extenuaria seis confessores. 'Eis', diz o Pe. Raymond que o viu exercer este ministério, 'eis o que sempre me pareceu milagroso e superior às forças humanas: que um sacerdote tão achacado e de um regime tão austero pudesse, de qualquer maneira, passar a vida no confessionário!... A minha saúde, graças a Deus, é excelente, contudo, confesso que me seria impossível suportar aquele modo de vida durante uma semana, e o mesmo ouvi dizer por outros sacerdotes acostumados a confessar em peregrinações'.

Sim; foi ali entre aquelas tábuas, naquele ataúde antecipado, onde o Cura d'Ars mais teve que sofrer. No verão, a igreja era como um forno. O calor no confessionário, como ele mesmo dizia, dava-lhe uma ideia do inferno. Algumas vezes tinha que ouvir confissões com compressas na fronte, a tal ponto o torturavam as enxaquecas. Era por este motivo que trazia o cabelo muito curto na parte anterior da cabeça. Nos dias de tempestade ou de forte calor, o ar estava tão viciado na estreita nave do templo que o heroico confessor sentia náuseas e não as podia evitar, a não ser aspirando um vidro de vinagre ou de água de colônia. No inverno, pelo contrário, naquela região de Dombes, sobretudo quando sopra o vento dos Alpes, até as pedras se fendem. 

Muitas vezes, refere o Pe. Dubouis, desmaiou no confessionário, ora por causa do frio, ora por causa das suas enfermidades. Perguntei-lhe uma ocasião: 'Como pode V. Revma estar tantas horas assim num tempo tão cruel, sem nada para lhe aquecer os pés?'
- 'Ah! meu amigo, é por uma razão muito simples: Desde o dia de Todos os Santos até a Páscoa não sinto que tenho pés'.

O cônego Aleixo Tailhades, de Montpellier, que passou com ele parte do inverno de 1838, conta que 'os pés do pobre Cura se achavam tão lastimados que a pele dos calcanhares saía com as meias quando à noite se descalçava'. Para atenuar a dureza da tábua em que se assentava, experimentaram colocar sobre ela umas almofadas de palha. Ele as rejeitou (...)

A assiduidade do Pe. Vianney ao confessionário e os sofrimentos que nele suportava teriam bastado para fazê-lo alcançar um grau de alta santidade. Mas procurando as mortificações com o mesmo ardor com que outros buscam os prazeres, jamais estava saciado de penitência. Impôs-se o sacrifício de nunca olhar para uma flor, de não comer frutas e de não tomar uma gota de água em dias de grande calor. Jamais espantava as moscas que lhe pousavam na fronte. Permanecia ajoelhado sem apoio algum. Impusera-se a lei de nunca manifestar os desgostos e de ocultar todas as repugnâncias da natureza. Dominava a curiosidade ainda a mais legítima: nem sequer manifestou o desejo de ver a estrada de ferro que passava a poucos quilómetros de Ars, e que cada dia trazia para ele um maior número de peregrinos.

O seu coração estava sem pecado, e contudo, jejuou durante 40 anos: jejuou e flagelou-se pelos pecadores. Vimo-lo no princípio do seu apostolado como tomava sangrentas disciplinas para obter de Deus a conversão dos seus paroquianos. Quando estes se converteram, não deixou, apesar disso, que os seus instrumentos de penitência se enferrujassem. A diminuição das forças obrigou-o a servir-se menos deles e a tratar com menos crueldade o seu cadáver. Algumas vezes teve que fazer intervalos entre as flagelações e deixar que as feridas cicatrizassem para poder novamente flagelar-se (...)

Trazia em cada braço um bracelete de ferro eriçado de pontas agudas. 'Pela rigidez dos seus movimentos e pela maneira como se movia, no púlpito e no altar, era fácil ver' - diz uma senhora de Garets, 'que estava coberto de cilícios e de outros instrumentos de penitência'. Uma vez o cilício provocou-lhe uma ferida que causou inquietação pelo perigo da gangrena.

Tais mortificações debilitavam-no ainda mais. Como poderia este sacerdote manter-se em pé quando vivia daquilo que a outros faria morrer? Depois das suas 'loucuras da juventude', daqueles jejuns completos de dois ou três dias, que a princípio se impunha, resignar-se-ia, em vista da sua debilidade e do seu trabalho, a tomar o alimento necessário? (...) 

Pura ilusão! Consentir em comer todos os dias era contudo muito pouca coisa. O jejum, até então nunca interrompido, continuou da mesma maneira. De ordinário, ao meio-dia, entrava na cozinha do orfanato, e ali num canto do fogão esperava-o uma tigela de leite ou sopa. Quase nunca chegava a saborear a comida. Às vezes, além da sopa, comia alguns gramas de pão torrado. Durante muito tempo não tomava nada durante a manhã. Em 1834, estando muito fraco, foi obrigado por Monsenhor Devie a tomar um quebra-jejum. Desde então, depois da Missa, sorvia um pouco de leite, mas nos dias de jejum nem disso se servia.

Nas Quaresmas de 1849, 1850 e 1851, o Irmão Atanásio revelou que ele comia só uma vez por dia. Foi visto aceitar algumas vezes um pouco de sobremesa, ou seja, um pouco de doce; mas nos últimos anos também disso se absteve. Até à sua grave doença de 1843, nunca tomava nada à noite (...)

Quinhentos gramas de pão duravam mais de uma semana. 'Vi um dia no seu aposento, refere o Sr. Camilo Monnin, um pãozinho com aparentes sinais de ter sido roído por um rato; de fato, era um pedaço de pão que o servo de Deus havia tomado para alimentar-se durante uma grande parte do dia' (...) 'Para chegar a essa sobriedade excessiva ter-lhe-ia custado horrivelmente'. Assim se expressou o conde de Garets, testemunha emocionante de uma existência totalmente mortificada.

E se para apreciar o Cura d'Ars penitente é mister ouvir um especialista em matéria de penitência, eis aqui o testemunho de um padre da Grande Cartuxa: 'Vemo-nos obrigados a confessar, nós os solitários eremitas, monges e penitentes de toda a classe, que não nos atrevemos a seguir o Cura d'Ars senão com o olhar de nossa afetuosa admiração, e que não somos dignos de beijar os seus pés, nem a poeira dos seus sapatos'.

(Excertos da obra 'O Santo Cura d'Ars', de Francis Trochu)

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

AS TRÊS DIMENSÕES DA FÉ

1. A fé é um ato da inteligência

Antes de crer examinamos primeiro se o que devemos crer é realmente revelado, Deus quer esta investigação porque exige uma obediência racional.

2. A fé é um ato da vontade

Logo que a inteligência adquiriu a certeza de que a doutrina proposta foi revelada por Deus, a vontade deve logo submeter-se à palavra divina ainda que a razão não compreenda esta doutrina em si mesma.

3. A fé é um ato da graça

A virtude ou ato é sobrenatural, quer dizer, exige a cooperação da graça. A graça é necessária por três razões: (i) Para iluminar e nortear o espírito, a fim de que não se deixe arrastar pelo erro impedindo assim que reconheça o fato da Revelação e aceite as verdades contidas nela; (ii) Para purificar e fortalecer a vontade; é preciso que a justiça comova o coração, dispondo-o a abraçar as verdades que contrariam as paixões; (iii) Para ter a faculdade de acreditar; para crer nas verdades de ordem revelada é necessária uma facilidade de ordem sobrenatural - a graça da fé.

Assim como Deus nos deu olhos e com eles a força de ver as coisas, a inteligência e com ela a força de conhecermos; assim também nos dá a fé e com a fé, a potência, a força para crermos na sua palavra, que nos é anunciada pela Igreja.

A fé dá-nos a conhecer as verdades de ordem sobrenatural, desta ordem que, elevando-nos acima dos sentidos e da simples razão nos faz viver na eternidade da vida e da glória. A fé é uma luz colocada pelo Salvador nas nossas mãos para nos conduzir e guiar no caminho do Céu. A fé é para a razão o que o telescópio é para a vista. O que já não podemos ver a olho nu, o telescópio no-lo descobre em novos mundos e novas maravilhas. Longe de contrariar a razão, a fé só lhe serve de luz ou apoio.

(Excertos da obra 'O Crucifixo - Meu Livro de Estudos', do Pe. júlio Antônio dos Santos, 1950)

terça-feira, 10 de novembro de 2020

10 DE NOVEMBRO - SÃO LEÃO MAGNO

 

Com o falecimento do Papa São Sixto III em 440, assumiu o pontificado Leão I, arquidiácono da Igreja romana, conselheiro pontifício e homem de doutrina e palavra eloquente que, ao longo de 21 anos, defendeu a fé cristã e enfrentou heresias e a fúria das hordas invasoras que se lançavam à conquista da Europa e de Roma, mantendo, do Ocidente até o Oriente, a primazia da Sé de Roma. 

No campo dogmático, Leão I enunciou, de forma clara e contundente, a doutrina cristológica das duas naturezas - humana e divina - na pessoa única do Verbo, dogma da Igreja ratificado pelo Concílio de Calcedônia em 451, condenando de forma definitiva os desvios doutrinários de Nestório ('duas pessoas em Cristo') e dos monofisitas de Eutiques ('uma única natureza em Cristo'). 


A maior vitória de Leão I, entretanto, foi a defesa de Roma contra a barbárie pagã que invadira a Europa. Átila, o terrível chefe dos hunos, autoproclamado 'flagelo de Deus', havia cruzado os Alpes, tomado Milão e Pavia e chegado à Mântua, às portas de Roma, agora abandonada à própria sorte pelos governantes em fuga. Com muitos cardeais e membros do clero romano, e revestido das insígnias pontifícias, Leão I foi até Mântua para intimar o invasor a não empreender o ataque à Roma, a deixar a Itália e voltar às suas terras de origem. 

Contra todas as expectativas possíveis, foi exatamente isso que aconteceu. Aceitando a proposta do pontífice mediante um tributo anual por não saquear a cidade romana, Átila volveu seu exército em retirada. O que aconteceu naquele dia em Mântua? O que terá dito Leão I ao bárbaro invasor, reconhecido e aclamado por sua brutal impiedade, para tal reconsideração espantosa?  Os registros históricos revelam uma singular visão do invasor: 'Enquanto ele me falava, eu via, de pé a seu lado, um Pontífice de majestade sobre-humana (São Pedro). De seus olhos jorravam raios, e tinha na mão uma espada desembainhada; seu olhar terrível e seu gesto ameaçador me ordenavam conceder tudo quanto solicitava o enviado dos romanos'. Desta extraordinária intervenção divina, Leão I, para louvor e ação de graças, mandou fundir a estátua de bronze de Júpiter Capitolino e fazer com esse metal uma grande imagem do Apóstolo Pedro, que até hoje se venera na Basílica Vaticana.

O grande papa e santo faleceu em Roma no dia 10 de novembro de 461. Pelo enorme acervo de documentos teológicos, sermões admiráveis e devotada defesa dos dogmas, São Leão foi chamado Magno e declarado Doutor da Igreja em 1754.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

'Os mistérios de Jesus ainda não estão totalmente levados à sua perfeição e realizados. Na pessoa de Jesus, sim; não, porém, em nós, seus membros, nem na Igreja, seu Corpo místico. Por querer o Filho de Deus comunicar, estender de algum modo e continuar seus mistérios em nós e em toda a sua Igreja, determinou tanto as graças que nos concederá quanto os efeitos que quer produzidos em nós por esses mistérios. Por esta razão deseja completá-los em nós. Por isso, São Paulo diz que Cristo é completado na Igreja e que todos nós colaboramos para sua edificação e para a plenitude de sua idade (Ef 4,13), isto é, a idade mística que tem em seu Corpo místico, mas que só no dia do juízo será plena. Em outro lugar, diz o Apóstolo que completa em sua carne o que falta aos sofrimentos de Cristo (Cl 1,24). Deste modo, o Filho de Deus decidiu que seus estados e mistérios seriam completados e levados à perfeição em nós. Quer levar à perfeição em nós o mistério da sua encarnação, nascimento e vida oculta, quando este se forma e renasce em nossa alma pelos sacramentos do santo batismo e da divina eucaristia e quando nos dá vivermos a vida espiritual e interior, escondida com ele em Deus (Cl 3,3). Quer ainda levar à perfeição em nós o mistério de sua paixão, morte e ressurreição que nos fará padecer, morrer e ressurgir com Ele. E, finalmente, quer completar em nós o estado de vida gloriosa e imortal, quando nos fará viver com Ele e nEle a vida gloriosa e perpétua nos céus. Assim quer consumar e completar seus outros estados, seus outros mistérios em nós e em sua Igreja; deseja comunicá-los a nós e partilhá-los conosco e por nós continuá-los e propagá-los. Assim, os mistérios de Cristo não estarão completos antes daquele tempo que Ele marcou para o término destes mistérios em nós e na Igreja, isto é, antes do fim do mundo'.
(São João Eudes)