quarta-feira, 4 de março de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: A DESORDEM E A LUTA


14. Por uma desordem, consequência do pecado original, cada faculdade, diz São Tomás de Aquino, busca seu bem próprio sem ocupar-se do bem comum, ainda que o conjunto possa perecer. Acontece então como quando se torna preciso domar uma manada de feras; o que não se consegue senão com o chicote e sem perdê-las de vista. E se algumas carecem de domínio sobre si mesmas, sobretudo no princípio, eis então uma jaula de feras. Não as menosprezeis sob o pretexto de dominá-las a chicotadas porque não conseguirás. Descartai tais armadilhas e elevai-vos até Deus. Como poderíeis fazer isso? É um segredo, porém o Espírito Santo vos ensinará. 

15. Além disso, o inimigo espreita ao redor das almas. E aquelas que se lhe escapam e se esforçam em servir a Deus lhe são particularmente odiosas. Para perturbá-las, tenta de tudo. Quer impedir que deem frutos. E para isso ataca as flores assim que brotam. Pois cada flor que cai antes do tempo é um fruto perdido para a colheita. E cada bom pensamento apagado pelo medo, cada bom desejo sufocado pelo temor, são outras tantas flores estéreis. O demônio sabe disso. E por isso excita na alma esses mil pequenos surtos incômodos e pensamentos de tola vaidade, de suscetibilidade invejosa, de impaciência enraivecida, de avidez caprichosa que molestam, inquietam, paralisam, intimidam e que acabam por dividir simultaneamente a atenção do espírito e a aplicação da vontade. Deus, por outro lado, jamais está na perturbação e na inquietude. Por estes sinais reconheceis que estes pensamentos não são dEle. O demônio é bastante sutil em perturbar as vidas de alma interior!

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)