terça-feira, 14 de julho de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: A PACIÊNCIA


51. Como a paciência é uma grande virtude dos educadores e como somos, em grande parte, nossos próprios educadores, devemos manter nossa alma em paz o máximo possível. Agitação, problemas e inquietação não produzem nada de bom. Temos que evitá-los. A paz interior é o primeiro dos bens. Sem ela, todos os outros tornam-se quase inúteis. Da pacem Domine, Pace vobis [Senhor, dai-nos a paz. A paz esteja convosco].

52. Sem dúvida, a paciência é uma virtude que não encontramos em nossas origens. O que fazer então? Pedir por ela a Deus. Ele a nos dará, talvez gota a gota, mas nos dará. É o bastante. Quando a provação é prolongada, a cruz pesa muito sobre nós. Gostaríamos que fosse tirada de nós. No final, porém, se Deus nos ouvisse, não resta dúvida de que lamentaríamos mais tarde. A máxima de São Francisco de Sales: 'não pedir nada, não negar nada' retornaria à nossa memória. O que precisamos fazer é orar para obter pelo menos a graça da paciência: é viver dia a dia, momento a momento, sem acrescentar ao sofrimento do momento os sofrimentos do passado e os sofrimentos do futuro. A nossa pobre alma não pode suportar tanto de uma vez só. Tenhamos pena dela.

53. Se a sua paz estiver um pouco perturbada, faça o que puder para restaurá-la, mas gentilmente, não à força. Comece assim. Não fale e não aja, exceto em caso de emergência, enquanto tudo não estiver em perfeita ordem com você. Esse foi o método de São Vicente de Paulo. Você vai se sentir muito bem.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)