terça-feira, 8 de janeiro de 2019

OREMUS (8)

08 DE JANEIRO

Si adhuc homnibus placerem [se quisesse agradar aos homens] (Gl 1,10)

É verdade que precisamos ganhar a todos para Nosso Senhor. E as palavras duras, as atitudes ríspidas, nunca foram meios de apostolado. Foi pela mansidão que Nosso Senhor atraiu a todos: Discite a me, quia mitis sum, et humilis corde  [aprendei de mim que sou manso e humilde de coração].

Mas que o nosso zelo não seja imprudente e sentimental, a ponto de nos levar a um erro perigoso. Condescender com certas ideias e fraquezas, por de lado a simplicidade cristã, porque certa classe de pessoas a não tolera, modernizar-se mundanamente com o intuito de agradar e atrair; enfim, sacrificar a verdade, apresentando-a menos pesada e mais agradável, certamente não seria isso digno do sacerdote de Nosso Senhor, o qual estaria perdendo pensando ganhar.

As almas somente se deixam atrair pela virtude. E se esta nem sempre agrada, nem por isso a podemos profanar. O sacrifício da Verdade não ganha a ninguém; antes põe a perder as almas; elas querem ver no sacerdote o homem de Verdade que não se diminui. Com o nosso modo de apresentar a Verdade aos homens, nunca poderemos prejudicá-la. O Apóstolo, com todo o seu zelo, confessava não ter agradado a todos: Si adhuc hominibus placerem, Christi servus non essem [Se quisesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo, palavras de São Paulo aos Gálatas, em Gl 1, 10]. 

(Oremus — Pensamentos para a Meditação de Todos os Dias, do Pe. Isac Lorena, 1963, com complementos de trechos traduzidos do latim pelo autor do blog)