segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A VIDA OCULTA EM DEUS: PODER DA ALMA NA AÇÃO E NO SILÊNCIO


O amor que consome a alma interior por dentro manifesta-se externamente pela riqueza, abundância e perfeição das suas obras. A alma interior é serena e pacífica, mas não inativa. Onde quer que esteja, o amor atua. Quanto mais forte, mais poderosa é a sua ação. Ela deseja ardentemente o bem de Deus e trabalha incansavelmente para alcançá-lo. Mesmo privada dos meios ordinários de ação, que são a palavra e as obras, ela continua a atuar, sempre com mais eficiência do que nunca. Ela se recolhe em oração, no sofrimento e no despojamento, e tudo isso em harmonia.

Deus transforma a madeira qualquer em uma flecha que atinge o seu objetivo. Ilumina aqueles que não o conhecem e conforta aqueles que não pensam nele. No silêncio, sem rumor e muitas vezes ignorado, Ele comunica a vida, a verdadeira vida - aquela que não tem fim. Por que se surpreender com essa ação oculta e o seu poder? O amor uniu a alma interior a Deus. Deus lhe deu prometeu tudo e tudo é doar-se a si mesmo. Ele se faz seu prisioneiro e seu cativo. Mas, dando-se e entregando-se assim, nada perde do seu poder e grandeza, e continua sendo sempre o bom Deus, constantemente ocupado em fazer o bem às suas criaturas. 

E da mesma forma que Deus e a alma interior possuem os mesmos gostos e sentimentos, também manifestam igualmente o desejo e o poder de fazer o bem. É claro que Deus poderia agir diretamente por si mesmo nas almas; mas Ele prefere não ser apenas o artesão, mas também o cinzel. Pode então a alma experimentar algo mais belo e mais suave do que comungar conscientemente da ação santificadora de Deus? 

Como é bom, ó meu Deus, vos servir com mãos cheias! Nada pode ser mais belo para a alma interior do que experimentar essa união íntima com Deus, numa posse mútua e completa. Pode-se dizer que entre Deus e a alma existe a mais perfeita igualdade, uma afeição de pura identidade, não na ordem do ser, mas na ordem do amor. A alma sente o poder divino e a bondade divina. Na união íntima com Deus, e como uma única vontade, ela busca comunicar aos outros tanta riqueza e felicidade. Mas tudo é regulado pela sabedoria da Divina Providência Não compete à alma a livre escolha dos amigos de Deus. O seu ofício consiste em ir ao encontro deles e, ao reconhecê-los, transferir por Vós e convosco, ó meu Deus, os imensos tesouros do vosso amor.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte IV - Fecundidade Apostólica; tradução do autor do blog)

domingo, 27 de novembro de 2022

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Que alegria quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!(Sl 121)

Primeira Leitura (Is 2,1-5) - Segunda Leitura (Rm 13,11-14a)  -  Evangelho (Mt 24,37-44)

 27/11/2022 - Primeiro Domingo do Advento

1. 'FICAI ATENTOS AO SENHOR QUE VEM!'


Hoje começa um novo ano litúrgico da Santa Igreja com o Tempo do Advento, período em que os cristãos são conclamados a viver em plenitude as graças da expectativa, da conversão e da esperança, à espera do Senhor Que Vem. O Ano Litúrgico 2022-2023 é o Ano A, no qual os exemplos e ensinamentos de Jesus Cristo são proclamados a cada domingo pelas leituras do Evangelho de São Mateus.

E o novo ano litúrgico começa com Jesus exortando a vigilância aos filhos de Deus: 'Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor' (Mt 24, 42). Do alto do Monte das Oliveiras e à vista de Jerusalém, Jesus vai alertar os seus discípulos sobre a necessidade de se permanecer vigilantes, na oração e na confiança de uma vida de plenitude cristã, diante das coisas do mundo, que passam e repassam no cotidiano de nossas vidas. Vigilância que se impõe naqueles tempos, na vida futura da Igreja, nos remotos tempos da história: 'Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem' (Mt 24, 38-39).

São palavras de salvação, porque a única coisa realmente importante para o homem é a salvação eterna de sua alma. Tudo o mais é efêmero e sem sentido. No fim dos tempos ou no fim de nossa vida, o Juízo Final ou o Juízo Particular vai nos pedir contas essencialmente da nossa vigilância filial à Santa Vontade de Deus, no cumprimento de nossas ações cristãs, no acervo das graças recebidas, na inquietude do coração humano ao encontro do Pai.

Vigiar significa essencialmente não pecar, não ofender a Santidade de Deus com as misérias e as fragilidades humanas, não conspurcar a Infinita Pureza da alma que nos foi legada um dia com a lama dos prazeres, frivolidades e maldades de uma vida profanada pelos valores do mundo. Porque haverá o dia do juízo, no qual os homens serão levados ou deixados para trás: ''Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá' (Mt 24, 44). Vigiar é estar preparado para que sejam santos todos os dias de nossa vida para que Deus escolha, dentre eles, o mais belo, para receber de volta as almas vigilantes que Ele próprio desenhou para a eternidade.

sábado, 26 de novembro de 2022

ANO LITÚRGICO 2022 - 2023

Ano Litúrgico 2022-2023, de acordo com o rito católico romano, vai desde o primeiro domingo do Advento (27/11/2022) até a última semana do Tempo Comum, iniciada no domingo da Festa de Cristo Rei (26/11/2023), durante o qual a Igreja celebra todo o mistério de Cristo, desde o nascimento até a sua segunda vinda. O Ano Litúrgico 2022-2023 é o Ano A, no qual os exemplos e os ensinamentos de Jesus Cristo são proclamados a cada domingo pelas leituras principais retiradas do Evangelho de São Mateus, com exceção de ocasiões especiais (as chamadas Festas e Solenidades do rito litúrgico) quando são utilizadas leituras específicas do Evangelho de São João.

O ano litúrgico compreende dois tempos distintos: os chamados tempos fortes que incluem Advento, Natal, Quaresma e Páscoa, durante os quais certos mistérios particulares da obra redentora e salvífica de Cristo são celebrados e o chamado Tempo Comum, no qual celebramos o Mistério de Cristo em sua totalidade, ou seja, encarnação, vida, morte, ressurreição e ascensão do Senhor. 

O Tempo Comum é subdividido em duas partes. A primeira parte começa no dia seguinte à festa do Batismo de Jesus e vai até a terça-feira antes da Quarta-feira de Cinzas, quando tem início a Quaresma. A segunda parte do Tempo Comum recomeça na segunda-feira depois de Pentecostes e se estende até o sábado que antecede o primeiro domingo do Advento, quando tem início um novo Ano Litúrgico, compreendendo sempre um período de 33 ou 34 semanas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

ORAÇÃO: 25 DE NOVEMBRO DA DIVINA INFÂNCIA

 

A JESUS SUPLICANTE

Ó quão belas, perfeitas e agradáveis a Deus eram as orações do Menino Jesus. Ele orava ao seu Pai em todos os instantes, e as suas orações eram todas em nosso favor, e até para cada um de nós em particular. Todas as graças que cada um de nós recebeu do Senhor são efeito das orações de Jesus.

Ó quanto vos devo, meu doce Redentor! Se não houvéreis pedido por mim, em que desesperada posição me achara ! As vossas orações obtiveram o perdão dos meus pecados e me alcançarão também, assim o espero, a perseverança até à morte. Por terdes orado por mim vos dou graças de todo o meu coração; mas não cesseis de orar para o mesmo intento, com todas as forças vos peço, porque bem sei que, no céu, desempenhais ainda em nosso favor o ofício de advogado (I Jo 2, 1) e de intercessor (Rm 8, 34).

Continuai pois a orar, ó meu Jesus, orai, porém, mais particularmente por mim, que das vossas orações tenho maior necessidade. Confio que, em atenção aos vossos merecimentos, Deus já me perdoou; mas, como por triste experiência sei que posso cair de novo; o inferno não se cansará de me tentar para roubar-me de novo a vossa amizade. Ó meu Jesus, esperança minha, de vós espero força para resistir; nesta confiança vos peço animado. Mas não me contento com a graça de não cair mais; peço-vos também a graça de vos amar muito pelo restante da minha vida, para muito vos amar na eternidade. Ó Maria, minha terna Mãe, rogai, também vós, a Jesus por mim: vossas orações são onipotentes para com este divino Filho que vos ama tanto! Pois que tão ardentemente desejais vê-lo amado, pedi-lhe que me dê um grande amor, amor constante e eterno. 


(A Divina Infância de Jesus, celebrada a cada dia 25 do mês, por Santo Afonso Maria de Ligório)

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

TESOURO DE EXEMPLOS (185/187)


185. O SINAL DA CRUZ

Henrique IV, depois de humilhar-se em Canossa, mostrou-se de novo inimigo do papa e foi com o seu exército sitiar Roma. No segundo assalto, apesar da heroica resistência dos sitiados, incendiou todas as muralhas. Um espantoso anel de fogo rodeava a cidade, da qual não se erguiam senão gemidos dos agonizantes e pranto das mulheres aterrorizadas. 

Então no alto de uma torre, majestoso e pálido, entre o clarão e o fumo do incêndio, apareceu o Papa Gregório VII, e com gesto solene e calmo fez o sinal da cruz contra as chamas, e imediatamente o fogo se apagou como se tivesse recebido uma chuva torrencial.

Todas as vezes que nos encontrarmos em perigos e angústias, confessemos a Santíssima Trindade fazendo o sinal da cruz e grande alívio sentirá a nossa alma.

186. CREDO - EU CREIO

São Pedro de Verona, apóstolo de Jesus Cristo, era perseguido de morte pelos inimigos de sua fé. Um dia teve de atravessar uma floresta. Ia rezando o santo varão. Naquele momento arrojaram-se sobre ele os inimigos, cravaram-lhe no peito o punhal assassino e fugiram. Caindo ferido de morte, o santo mártir compreendeu que chegara a sua última hora. Queria ainda confessar a sua santa fé, mas não podia falar. Molhando o dedo no sangue que jorrava do  seu peito, escreveu sobre o pó: Credo, Domine - Senhor, eu creio.

Também eu não sei quando nem como me sobrevirá a morte, Enquanto caminho, vou rezando o credo de minha fé e dizendo: 'Creio em Deus; creio em Jesus Cristo; creio na Igreja Católica, apostólica e romana. Protesto que nesta fé quero viver e morrer. E quando morrer, quero que gravem no meu túmulo estas mesmas palavras do santo mártir: Credo, Domine - Senhor, em ti creio, em ti espero e te amo. Senhor, dá-me o céu que prometeste aos que creem, esperam e amam.

187. MIGUEL ÂNGELO

Foi, talvez, o maior dos escultores que os séculos jamais viram. A história o admira. Num dos famosos templos de Roma há um sepulcro visitado por todos os turistas do mundo. É obra de Miguel Ângelo. Ali aparece Moisés sentado no trono da autoridade, que exercia como chefe do povo de Israel. Que fronte, que olhos... que rosto... que atitude... que majestade! Só um gênio podia dar uma vida assim ao mármore e à pedra morta.

O maravilhoso artista, terminada a obra, contemplou-a e ficou extasiado diante dela. Dizem que, com o martelo que tinha na mão, deu-lhe fortes marteladas sobre o joelho, dizendo: 'Fala, Moisés, que só isso te falta: falar!' Mas a estátua continuou muda.

Repicam os sinos de nossas igrejas. Católicos, não ouvis? Das altas torres vem essa voz do céu. É a voz de Deus, do Artista Divino que vos chama à santa missa. Sois cristãos, sois a obra-prima do Altíssimo. Para serdes cristãos de verdade, levantai-vos e caminhai para a igreja, onde cumprireis o preceito da oração e da missa. Mas tantos cristãos de hoje são como estátuas petrificadas pela ignorância religiosa; são blocos de bronze e mármore, modelados pela indiferença e impiedade. Não se movem. E quando se movem, é para ir aos jogos, às praias, aos cinemas... Para a igreja: não vivem... morrem! 

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

OS DOIS TIPOS DE MARTÍRIO CRISTÃO


Há dois tipos de martírio: o primeiro consiste numa disposição do espírito; o segundo alia a essa disposição os atos da existência. Por isso, podemos ser mártires mesmo sem morrermos executados pelo gládio do carrasco. Morrer às mãos dos perseguidores é o martírio em ato, na sua forma visível; suportar as injúrias amando quem nos odeia é o martírio em espírito, na sua forma oculta.

Que haja dois tipos de martírio, um oculto, o outro público, a própria Verdade o comprova quando pergunta aos filhos de Zebedeu: 'Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?' E à sua asserção: 'Podemos', o Senhor complementou: 'Bebereis do meu cálice'. Ora, o que pode significar para nós este cálice senão os sofrimentos da sua Paixão, da qual diz em outro lugar: 'Pai, se é possível, afasta de mim este cálice' (Mt 26,39)? Os filhos de Zebedeu, Tiago e João, não morreram ambos mártires, mas foi a ambos que o Senhor disse que haviam de beber esse cálice.

De fato, se bem que não viesse a morrer mártir, João acabou todavia por sê-lo, já que os sofrimentos que não sentiu no corpo os sentiu na alma. Devemos então concluir do seu exemplo que nós próprios podemos ser mártires sem passar pela espada, se conservarmos a paciência da alma.

(São Gregório Magno em 'Homilias sobre os Evangelhos')