segunda-feira, 12 de abril de 2021

O DOGMA DO PURGATÓRIO (III)

Capítulo III

A Palavra Purgatório - Doutrina Católica - Questões Controversas

A palavra Purgatório é, às vezes, entendida como significando um lugar, comumente como um estado intermediário entre o Inferno e o Paraíso. É, propriamente falando, a condição das almas que, no momento da morte, estão em estado de graça, mas que não expiaram completamente as suas faltas e nem alcançaram o grau de pureza necessário para desfrutar a visão de Deus.

O Purgatório é, portanto, um estado transitório que termina em uma vida de felicidade eterna. Não é um lugar de provação, no qual um mérito pode ser ganho ou perdido, mas sim, um estado de expiação e reparação. A alma atingiu o fim de sua vida terrena, vida que era um tempo de provação, um tempo de mérito para a alma, um tempo de acolhida à misericórdia da parte de Deus. Uma vez expirado este tempo, nada mais que justiça se deve esperar de Deus, posto que a alma não pode ganhar nem perder mais méritos. Ela permanece no estado em que a morte a encontrou: se a encontrou no estado de graça santificante, ela está certa de nunca perder esse estado de felicidade e de chegar à posse eterna de Deus. No entanto, uma vez que ela está ainda sobrecarregada com certas dívidas de castigo temporal, ela deve satisfazer a Justiça Divina, submetendo-se ao rigor divino deste castigo.

Tal é o significado da palavra Purgatório e a condição das almas que ali se encontram. Sobre este assunto, a Igreja nos propõe duas verdades claramente definidas como dogmas de fé: primeiro, que existe um Purgatório; segundo, que as almas que estão no Purgatório podem ser assistidas pelos sufrágios dos fiéis, especialmente pelo Santo Sacrifício da Missa. Além destes dois pontos dogmáticos, há várias outras questões doutrinárias para as quais a Igreja não estabeleceu decisão final e que foram objeto de interpretações dos doutores da Igreja, que as responderam mais ou menos claramente. Essas questões se relacionam aos seguintes pontos: (i) o local do Purgatório; (ii)  a natureza dos sofrimentos; (iii) o número e as condições das almas que se encontram no Purgatório; (iv) a certeza que possuem da sua bem-aventurança; (v) a duração dos seus sofrimentos; (vi) a intervenção dos vivos em seu nome e a aplicação dos sufrágios da Igreja.

Tradução da obra: 'Le Dogme du Purgatoire illustré par des Faits et des Révélations Particulières', 342p., do teólogo francês François-Xavier Schouppe, sj (1823-1904), 342 p., tradução pelo autor do blog)