quinta-feira, 31 de outubro de 2019

OREMUS (303)

A sequência completa destes pensamentos e reflexões é publicada diariamente na Página OREMUS na Biblioteca Digital deste blog.


31 DE OUTUBRO 

Doce nos orare! [ensina-nos a rezar! (Lc 11,1)]

Livra-me, Senhor, dessa piedade estéril que, movida por uma secreta vaidade, vive à procura de pensamentos profundos, de termos elevados e ideias novas! Piedade falsa, vazia, ela me deixa sempre, mais ou menos, na situação do teu Salmista que lamentava: infixus sum in limo profundi; non est ubi pedem figam... [estou imerso em espessa lama e não há como firmar o pé ...].

Quero pisar a terra firme das verdades tão antigas que me ensinaste. Para mim, elas são sempre novas. Foi com elas que rezaram os teus santos e, com elas, continua a rezar a tua Igreja. Ensina-me a penetrar o teu Evangelho, para descobrir o teu espírito de piedade e religião para com o Pai. Com esse espírito é que eu devo rezar.

Os teus anacoretas não tinham mestres nem bibliotecas, mas tinham a tua Palavra, simples como a Verdade; e se fizeram santos porque a souberam viver e amar. Minha piedade não pode ser tanto da inteligência pois não preciso de muita filosofia para saber que eu te devo amar e servir; para isso basta-me a tua Lei. Este coração sui generis [único em seu gênero, especial] que me deste, não quer submeter-se a fórmulas estudadas, quando se trata de amar o Amor infinito, a Beleza sem limites. Ele te quer amar simplesmente com sinceridade, com todas as forças. Ele te quer amar, livre de todas as medidas; como criança inocente que, por não ter estudos, nem por isso deixa de saber amar.

(Oremus — Pensamentos para a Meditação de Todos os Dias, do Pe. Isac Lorena, 1963, com complementos de trechos traduzidos do latim pelo autor do blog).