domingo, 6 de junho de 2021

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'No Senhor toda graça e redenção!' (Sl 129)

 05/06/2021 - Décimo Domingo do Tempo Comum

28. 'QUEM FAZ A VONTADE DE DEUS: ESSE É MEU IRMÃO'


Jesus estava em Cafarnaum, pouco depois de ter descido das montanhas onde fizera a escolha dos seus doze apóstolos (Mc 3, 13 - 19) e diante dele, como outras tantas vezes durante a vida pública do Senhor, uma enorme multidão se aglomerava, ansiosa por ouvir os seus ensinamentos, as explicações sobre textos das Sagradas Escrituras, para serem testemunhas oculares de prodígios e milagres ou por mera curiosidade de conhecer aquele profeta extraordinário.

Nesta ocasião em especial, os próprios parentes de Jesus estavam presentes e, assoberbados pelos anelos e compromissos humanos, foram incapazes de perceber a dimensão sobrenatural da vida pública daquele homem que lhes era tão próximo e, por isso, foram capazes de imputar a Jesus como que um estado de pura confusão mental. Como sempre, os mestres da lei foram muito mais longe nos ilimitados domínios da blasfêmia: 'diziam que ele (Jesus) estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios, ele expulsava os demônios' (Mc 3, 22).

Jesus evidencia o caráter absurdo e contraditório de tais alegações, desmascarando-lhes o desvario da razão e a dureza dos seus corações, totalmente impermeáveis à ação dos dons e carismas do Espírito Santo. Neste propósito de impenitência tácita e obstinada, aqueles homens rejeitaram todas as investidas divinas de acolhida e de perdão, tornando-se réus de condenação eterna, porque 'quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno' (Mc 3, 28). Ainda que pecadores ao extremo, todos somos passíveis do perdão e da misericórdia de Deus, desde que estejamos comprometidos pelo firme propósito do reconhecimento humilde e da dor sincera pelos pecados cometidos. A nossa salvação não pode prescindir destes princípios da fé cristã.

Durante esta explanação, Jesus é informado então da chegada da sua mãe e dos seus parentes, que estavam à sua procura. Esta mãe de amor e de doçura também se afligia diante da tormentosa multidão que envolvia Jesus, diante das acusações dos mestres da lei e das insanidades feitas pelos seus próprios parentes. Mas Jesus vai lhes responder: 'Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?' (Mc 3, 33). E Ele mesmo vai lhes revelar a supremacia absoluta das relações familiares de ordem espiritual sobre estas mesmas relações de caráter natural: 'Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe' (Mc 3, 35). Nossa Senhora é a mãe de Jesus e a mãe de Deus, não apenas porque O gerou e foi para Ele mãe cuidosa e extremada mas, principalmente, porque cumpriu à perfeição, nessa missão materna, a santa vontade de Deus.

sábado, 5 de junho de 2021

A VIDA OCULTA EM DEUS: PALAVRAS DE DEUS À ALMA

Parece-me, ó meu Deus, que mais de uma vez agradou ao Vosso amor falar à minha alma. E geralmente isso acontece nos momentos em que eu menos pensava em Vós. E então, no fundo do meu coração, ouvia espiritualmente que uma voz doce e forte, precisa e penetrante, me dizia uma palavra; sim, às vezes, apenas uma palavra. E a minha alma, surpresa, inquieta e feliz ao mesmo tempo, sentia-se transformada, por ser ou por cumprir o que aquela palavra lhe dizia: 'Ame; escute; cale-se; siga-me; recolha-se ao mais íntimo de sua alma; confie em Mim que sou Vosso Pai; ofereça-se a Mim e Eu estarei com você; refugie-se em Mim; me leve por inteiro a todas as almas'.

Ó palavra de Deus, como sois doce para o coração amoroso! Como sois forte também! Realizais tudo o que podeis significar. E tudo santificais!

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte II -  A Ação de Deus; tradução do autor do blog)

PRIMEIRO SÁBADO DO MÊS

 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

PARA VIVER A DIVINA MISERICÓRDIA UM DIA POR SEMANA⁴

Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós,
eu confio em Vós!

'Fala ao mundo da Minha Misericórdia, que toda a humanidade conheça a Minha insondável misericórdia. Este é o sinal para os últimos tempos; depois dele virá o dia da justiça. Enquanto é tempo, recorram à fonte da Minha Misericórdia'

Intenção do Dia - Quarta Semana

praticar atos de caridade, no anonimato das mãos, na alegria de simplesmente servir

minhas mãos que não são minhas / possam doar tudo o que não é meu / para que a caridade sem medida / seja obra do Cristo que vive em mim

PORQUE HOJE É A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS

     

quinta-feira, 3 de junho de 2021

CORPUS CHRISTI 2021

 

O pão é pão e o vinho é vinho
como frutos do homem em oração;
é o que trazemos, é tudo o que temos,
como oferendas da nossa devoção. 

Não é mais pão, nem é mais vinho
quando espécies na consagração;
alma e divindade que se reconciliam
a cada missa, em cada comunhão.

Aparente pão, aparente vinho,
é mais que vinho, muito mais que pão;
o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo
 é o alimento da nossa salvação.

(Arcos de Pilares)

quarta-feira, 2 de junho de 2021

VERSUS: TRANSUBSTANCIAÇÃO X CONSUBSTANCIAÇÃO

Pelo Cân. 1376, o Concílio de Trento resumiu o dogma da  presença de Cristo sob as espécies eucarísticas, declarando: 'Porque Cristo, nosso Redentor, disse que o que Ele oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente o seu corpo, sempre na Igreja se teve esta convicção que o sagrado Concílio de novo declara: pela consagração do pão e do vinho opera-se a conversão de toda a substância do pão na substância do corpo de Cristo nosso Senhor, e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue; a esta mudança, a Igreja católica chama, de modo conveniente e apropriado, de transubstanciação'.

Pelo dogma da transubstanciação, o pão muda torna-se a substância do Corpo de Cristo, mediante uma conversão real do pão ordinário (enquanto pão) para a extraordinária Presença de Cristo. Analogamente, a substância do sangue é convertida na substância do Sangue de Cristo. Tal como na eternidade de Deus, o corpo e o sangue estão unidos entre si e com a alma e a de divindade de Cristo, assim também o corpo, sangue, alma e divindade de Cristo estão presentes por inteiro em cada espécie eucarística e em todas as suas partes.


Contra o dogma da transubstanciação da Igreja, foram interpostas duas grandes heresias, a aniquilação e a consubstanciação. Na primeira, a substância do pão seria totalmente aniquilada para se impor a substância do Corpo de Cristo (similarmente, a substância do vinho seria aniquilada para se estabelecer a substância do Sangue de Cristo). No contexto dessa heresia, pão e vinho não mudam e nem são convertidos, mas simplesmente desaparecem enquanto substâncias originais.

Pela heresia da consubstanciação, as substâncias persistem em igualdade de condições: o pão continua pão e, ao mesmo tempo, seria o Corpo de Cristo; o vinho permanece vinho e, ao mesmo tempo, constituiria o Sangue de Cristo. Novamente, não haveria alteração ou conversão de substâncias, mas uma associação de duas espécies de substâncias distintas em uma única substância material.

Pela transubstanciação, mistério da graça divina, somos chamados a viver em plenitude uma vida cristã cotidiana: por fora, podemos até parecer pão ou vinho (como o sacramento eucarístico parece permanecer pão e vinho) mas já não somos pão e nem vinho dos homens, porque a graça infundida nos transformou em filhos de Deus.  Não há aniquilamento da nossa herança comum: somos pecadores e sensíveis às limitações da natureza humana. Não há consubstanciação possível, entretanto, entre o que somos pelo mundo e o que devemos ser como criaturas escolhidas pelo Pai: a herança eterna pressupõe uma mudança profunda de transformação interior e de conversão: 'eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim' (Gl 2, 20).