sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

05 DE FEVEREIRO - SANTA ÁGUEDA

 


Santa Águeda (ou Ágata), uma das mais conhecidas mártires dos primeiros séculos do Cristianismo, nasceu durante a primeira parte do século terceiro (provavelmente entre os anos 230 e 235) de uma família rica e nobre de Catânia, então uma das cidades mais prósperas da Sicília. Dotada de beleza singular, já aos 15 anos, expressou seu desejo de tornar-se uma virgem consagrada a Deus. Durante as perseguições cristãs sob o imperador Decio Trajanus (250 - 253), o prefeito romano de Catânia, um homem chamado Quintianus, foi tomado de uma obsessão diabólica de possui-la. Rejeitado em todas as suas empreitadas, o desejo transformou-se em ódio demente, o que o levou a cometer todo tipo de insanidades contra a jovem, submetendo-a a torturas inimagináveis.


Fiel à sua consagração a Cristo, a jovem resistiu a todos os tormentos, induzindo, cada vez mais, a fúria obsessiva do prefeito romano. Assim, foi induzida à prostituição sagrada como sacerdotisa, pressões psicológicas, interrogatórios exaustivos, torturas variadas, até a mutilação de um dos seus seios. Este grave ferimento teria sido milagrosamente curado por São Pedro. Ao ser indagada sobre a espantosa cura, respondeu que tinha sido curada por Jesus. Transtornado de ódio, o seu carrasco a condenou à morte deitada sobre um braseiro, depois de fazê-la passar sobre cacos de vidro. Neste momento, um grande terremoto abalou a cidade e a população associou o fato às torturas impostas à jovem que foi, então, gravemente queimada, retirada das brasas e lançada na prisão, onde morreu, poucas horas depois, em 5 de fevereiro do ano de 251. 

As suas relíquias são mantidas em uma urna na Catedral de Catânia, como também em igrejas de Palermo. É venerada como santa protetora contra doenças dos seios e contra catástrofes (uma erupção do vulcão Etna, cerca de um ano após a sua morte, foi interrompida pouco antes de atingir a cidade de Catânia, devido à intercessão do povo em favor da jovem mártir). Na iconografia cristã, é representada pela palma (símbolo do martírio), por um gesto de rejeição contra a violação de sua pureza (ou segurando a cruz) ou ainda por alguma referência a um dos inúmeros martírios que sofreu.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

'EU IRIA ATÉ O FIM DO MUNDO...'

(Alice e Dietrich von Hildebrand)

Nas memórias de Alice von Hildebrand, esposa de Dietrich von Hildebrand, consta um fato que é bastante característico de nossos tempos. Quando o professor Dietrich era professor na Universidade de Fordham em Nova York (em 1946, logo depois da II Grande Guerra), travou contato com um aluno judeu que havia sido oficial da marinha durante a guerra. 

No convívio firmado entre os dois desde então, o aluno confidenciou ao professor que a sua busca de Deus teve origem quando presenciava o pôr-do-sol no Oceano Pacífico. Inicialmente buscara então fazer o curso de filosofia na Universidade de Columbia, mas viu que não era isso que procurava. E então encontrou o caminho da verdade nas aulas do professor Dietrich na Universidade de Fordham.

Numa outra ocasião, revelou que, apesar de ser judeu e estar rodeado de professores católicos, estes argumentaram que  que não o tentariam de modo algum converter ao catolicismo. Entre atônito e desapontado, Dietrich von Hildebrand lhe disse então: 'Eu iria até ao fim do mundo e regressaria apenas para fazer-te católico'. O jovem oficial não apenas se converteu ao catolicismo como, mais tarde, foi ordenado padre cartuxo em Vermont, também nos Estados Unidos.

domingo, 31 de janeiro de 2021

EVANGELHO DE DOMINGO

 

'Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!
(Sl 94)

 31/01/2021 - Quarto Domingo do Tempo Comum

10. 'CALA-TE!'


Num certo dia de sábado, ainda no início do tempo de sua pregação pública, Jesus se dirige a uma sinagoga de Cafarnaum. E se põe a ensinar aos presentes, não conforme as prescrições vigentes e nem como um escriba qualquer, mas com a autoridade suprema de ser Ele próprio a Verdade falada e afirmada por todos os profetas. Aqueles homens privilegiados da história escutaram naquele sábado as primeiras palavras de uma nova doutrina, nascida do próprio coração de Deus.

Deus falava aos homens naquele sábado em Cafarnaum. E as palavras de Jesus ressoavam pela sinagoga e reverberavam, com ruídos estridentes, nos portais do inferno, transtornando os espíritos imundos. O mal, então, reage na sua cantilena miserável, pelos gritos de um possesso qualquer: 'Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus' (Mc 1, 24). 

Jesus vai fazer o demônio se calar peremptoriamente: 'Cala-te e sai dele!' (Mc 1, 25). 'Cala-te!' Sim, pois não se deve dar ouvidos ao demônio em condição alguma, pois não se obtém proveito algum da sordidez do maligno; o mal apenas faz conluio com o mal e, mesmo a verdade - 'tu és o Santo de Deus' - torna-se repugnante e maliciosa nas entranhas do pai da mentira. Não existe confabulação ou argumentação possível com o mal, mas apenas a sua condenação explícita e imediata: 'Cala-te!' Jesus é imperativo ao expulsar o demônio do possesso e, assim, não lhe dar a menor chance de réplica. 

Não há melhor didática que tal ensinamento diante dos inevitáveis confrontos e tentações humanas diante da avassaladora força do mal: não admitir concessão alguma à sua manifestação. Diante do mal, diante das tentações, diante das ciladas dos espíritos maus às condições humanas, este 'cala-te!' deve soar de pronto e definitivo: 'Cala-te!' Diante das lamentações frouxas, da tibieza, da preguiça, do orgulho: 'Cala-te!' Contra todas as ocasiões de pecado e de perda dos fundamentos da nossa fé: 'Cala-te!' Contra o mundo, se o mundo estiver contra a Verdade: 'Cala-te!' Seguindo os preceitos de Jesus, não nos basta apenas praticar o bem, mas também fazer calar e desaparecer de vez o mal que grita e se estertora entre as misérias do mundo.  

sábado, 30 de janeiro de 2021

A PRIMEIRA FOTOGRAFIA DE SÃO JOÃO BOSCO


São João Bosco foi dos poucos santos do mundo a serem fotografados. A primeira fotografia do santo é essa, na qual ele aparece rodeado por um grupo de meninos reunidos no seu Oratório. Quando foi solicitado a fazer a fotografia, com o intuito de divulgar melhor o trabalho desenvolvido no Oratório, exigiu que fosse um registro capaz de exprimir com solidez a alma do seu apostolado.

Pela imposição de que todos deveriam permanecer quietos durante a foto (condição exigida à época para se obter uma adequada qualidade fotográfica da exposição), optou pela imagem dos meninos em redor dele durante um ato de confissão. Para isso, escolheu Paolo Albera (que seria, mais tarde, o seu sucessor como reitor-mor da Ordem Salesiana) como penitente, dando-lhe, então, como sobreaviso: 'põe-te de joelhos e apoia a tua fronte na minha: assim conseguiremos estar mais tempo sem nos mexermos'.

Eis aí fotografia daquele momento marcante, que ficou depois exposta em lugar de destaque no Oratório, como testemunho vivo da missão espiritual de São João Bosco. Amanhã é o dia que a Igreja celebra a memória desse grande santo.

São João Bosco, rogai por nós!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

O homem foi criado para louvar, reverenciar e servir a Deus nosso Senhor e, por isso, salvar a sua alma: e as outras coisas na face da terra foram criadas para o homem e para ajudá-lo na busca do fim para que é criado. Daí se segue que o homem tem que usá-los tanto, quanto eles o ajudam para seu fim; e muito deve ser removido deles, pois eles o impedem de fazer isso. Por isso, é necessário nos tornarmos indiferentes a todas as coisas criadas em tudo o que é concedido à liberdade de nosso livre arbítrio, e não é proibido: de forma que não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que curta, e consequentemente, em tudo o mais; só desejar e escolher o que mais nos leva ao fim para o qual fomos criados. 
(Santo Inácio de Loyola)